← Voltar à UFTM

UFTM 2012 | Inverno · 1ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Vestibular de Inverno UFTM 2012 · 1ª Fase · Questões 12 a 22 — resolução comentada e auditoria de nível pelo Método TEF.

Q12
Mecânica - Quantidade de movimento - Variação vetorial

Num trecho plano e horizontal de uma estrada, um carro faz uma curva mantendo constante o módulo da sua velocidade em $25\text{ m/s}$. A figura mostra o carro em duas posições, movendo-se em direções que fazem, entre si, um ângulo de $120^\circ$.

Carro em duas posições numa curva, com velocidades de mesmo módulo

Considerando a massa do carro igual a $1 000\text{ kg}$, pode-se afirmar que, entre as duas posições indicadas, o módulo da variação da quantidade de movimento do veículo, em $(\text{kg}\cdot\text{m})/\text{s}$, é igual a

A)10 000.
B)12 500.
C)25 000.
D)$12 500\sqrt{2}$.
E)$25 000\sqrt{2}$.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

C
Resolução

O ângulo indicado de $120^\circ$ é o ângulo interno da curva; portanto, o ângulo entre os dois vetores velocidade é o suplementar:

$\Delta\theta=60^\circ$.

Como os módulos das velocidades são iguais,

$|\Delta\vec v|=\sqrt{v^2+v^2-2v^2\cos60^\circ}=v=25\text{ m/s}$.

Assim, $|\Delta\vec p|=m|\Delta\vec v|=1 000\cdot25=25 000\text{ kg}\cdot\text{m/s}$.

Q13
Mecânica - Cinemática - Composição de velocidades

Boleadeira é o nome de um aparato composto por três esferas unidas por três cordas inextensíveis e de mesmo comprimento, presas entre si por uma das pontas. O comprimento de cada corda é $0{,}5\text{ m}$ e o conjunto é colocado em movimento circular uniforme, na horizontal, com velocidade angular $\omega$ de $6\text{ rad/s}$, em disposição simétrica, conforme figura.

Boleadeira com três esferas em rotação e velocidade de translação do conjunto

Desprezando-se a resistência imposta pelo ar e considerando que o conjunto seja lançado com velocidade $\vec v$ (do ponto de junção das cordas em relação ao solo) de módulo $4\text{ m/s}$, pode-se afirmar que o módulo da velocidade resultante da esfera A no momento indicado na figura, também em relação ao solo, é, em m/s,

A)3.
B)4.
C)5.
D)6.
E)7.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

E
Resolução

A velocidade tangencial da esfera A em relação ao ponto de junção vale

$v_t=\omega R=6\cdot0{,}5=3\text{ m/s}$.

No instante representado, a velocidade tangencial de A tem o mesmo sentido da velocidade de translação do conjunto. Logo,

$v_A=4+3=7\text{ m/s}$.

Q14
Mecânica - Dinâmica - Leis de Newton

Analisando as Leis de Newton, pode-se concluir corretamente que:

A)O movimento retilíneo e uniforme é consequência da aplicação de uma força constante sobre o corpo que se move.
B)A lei da inércia prevê a existência de referenciais inerciais absolutos, em repouso, como é o caso do centro de nossa galáxia.
C)Para toda ação existe uma reação correspondente, sendo exemplo dessa circunstância a força normal, que é reação à força peso sobre objetos apoiados em superfícies planas.
D)Se um corpo é dotado de aceleração, esta certamente é consequência da ação de uma força, ou de um conjunto de forças de resultante diferente de zero, agindo sobre o corpo.
E)A força centrífuga é uma força que surge em decorrência da lei da inércia, sobre corpos que obedecem a um movimento circular e que tem como reação a força centrípeta.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

D
Resolução

Pela Segunda Lei de Newton, $\vec F_{\text{res}}=m\vec a$.

Logo, se um corpo apresenta aceleração, a força resultante sobre ele é necessariamente diferente de zero. As demais alternativas contradizem a inércia, o conceito de referenciais inerciais ou a Terceira Lei de Newton.

Q15
Mecânica - Quantidade de movimento - Impulso e pressão média

Um pedreiro, ao mover sua colher, dá movimento na direção horizontal a uma porção de massa de reboco, de $0{,}6\text{ kg}$, que atinge perpendicularmente a parede, com velocidade de $8\text{ m/s}$. A interação com a parede é inelástica e tem duração de $0{,}1\text{ s}$. No choque, a massa de reboco se espalha uniformemente, cobrindo uma área de $20\text{ cm}^2$. Nessas condições, a pressão média exercida pela massa sobre os tijolos da parede é, em Pa,

A)64 000.
B)48 000.
C)36 000.
D)24 000.
E)16 000.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

D
Resolução

Como o reboco para na direção perpendicular à parede, o impulso tem módulo

$I=\Delta p=mv=0{,}6\cdot8=4{,}8\text{ N}\cdot\text{s}$.

A força média vale $F_m=I/\Delta t=4{,}8/0{,}1=48\text{ N}$.

A área é $20\text{ cm}^2=2{,}0\times10^{-3}\text{ m}^2$.

Portanto, $p=F_m/A=48/(2{,}0\times10^{-3})=24 000\text{ Pa}$.

Q16
Mecânica - Trabalho e energia - Energia potencial elástica

Um aeromodelo de $200\text{ g}$ de massa é arremessado na horizontal por meio de um dispositivo que lembra um estilingue. O bico do aeromodelo é enganchado a uma tira elástica, que é então distendida em $40\text{ cm}$, conforme representado na figura.

Aeromodelo preso a uma tira elástica distendida

Sabe-se que 80% da energia acumulada na tira elástica é convertida em energia cinética para o aeromodelo e que, no momento em que a tira elástica fica relaxada e desengata do bico do aeromodelo, a velocidade do aeromodelo tem módulo igual a $10\text{ m/s}$. O gráfico representa a força elástica em função da distensão da tira. O coeficiente angular da função representada é a constante elástica da tira.

Gráfico linear da força elástica em função da distensão da tira

A intensidade da força elástica máxima exercida pela tira no momento inicial do lançamento é, em N, aproximadamente,

A)44.
B)51.
C)63.
D)77.
E)82.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

C
Resolução

A energia cinética final do aeromodelo é

$E_c=\frac12mv^2=\frac12\cdot0{,}20\cdot10^2=10\text{ J}$.

Esse valor corresponde a 80% da energia elástica armazenada:

$E_e=10/0{,}80=12{,}5\text{ J}$.

No gráfico $F\times x$, a energia elástica é a área do triângulo:

$E_e=\frac12F_{\max}x$.

Com $x=0{,}40\text{ m}$, $F_{\max}=2\cdot12{,}5/0{,}40=62{,}5\text{ N}$, aproximadamente $63\text{ N}$.

Q17
Termologia - Calorimetria - Calor sensível e calor latente

Foram colocadas em uma caixa térmica, que contém gelo a $0^\circ\text{C}$, 180 latinhas de refrigerante, de $350\text{ mL}$ cada, que se encontravam inicialmente a $20^\circ\text{C}$.

Latas de refrigerante no interior de uma caixa térmica

Considere que 180 latinhas equivalem a $3\text{ kg}$ de alumínio, que a densidade do refrigerante é $1\text{ g/mL}$, que o calor específico do alumínio é $0{,}2\text{ cal}/(\text{g}\cdot{}^\circ\text{C})$, o calor específico do refrigerante é $1{,}0\text{ cal}/(\text{g}\cdot{}^\circ\text{C})$ e que o calor latente de fusão do gelo vale $80\text{ cal/g}$. Despreze ainda a capacidade térmica da caixa e suponha que não haja troca de calor com o meio ambiente.

Para que o líquido no interior das latinhas de alumínio atinja a temperatura de $0^\circ\text{C}$ ainda em estado líquido, a massa aproximada de gelo em fusão, em kg, que deverá ser convertida em água a $0^\circ\text{C}$ será

A)18.
B)16.
C)14.
D)10.
E)8.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

B
Resolução

A massa total de refrigerante é $180\cdot350=63 000\text{ g}$.

O calor cedido pelo refrigerante é $Q_r=63 000\cdot1\cdot20=1 260 000\text{ cal}$.

Para as latas de alumínio, $Q_{Al}=3 000\cdot0{,}2\cdot20=12 000\text{ cal}$.

Logo, $Q=1 272 000\text{ cal}$.

Esse calor funde gelo a $0^\circ\text{C}$: $m=Q/L=1 272 000/80=15 900\text{ g}=15{,}9\text{ kg}$.

Aproximadamente, $16\text{ kg}$.

Q18
Termologia - Dilatação térmica - Dilatação aparente dos líquidos

Um tanque metálico em forma de paralelepípedo possui em seu interior uma parede que o divide em duas câmaras. Uma das câmaras (câmara 1) é completamente preenchida com água, que se encontra em equilíbrio térmico com o tanque. O conjunto é levado a aquecimento abaixo do ponto de fervura da água e, devido à dilatação, parte da água transborda para a segunda câmara (câmara 2). A dilatação real da água corresponde ao volume derramado na câmara 2,

A)mais a dilatação da câmara 1.
B)mais as dilatações das câmaras 1 e 2.
C)menos as dilatações das câmaras 1 e 2.
D)mais a dilatação da câmara 1 subtraído da dilatação da câmara 2.
E)menos a dilatação da câmara 1 somado à dilatação da câmara 2.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

A
Resolução

O volume derramado é a dilatação aparente da água em relação à câmara 1.

Vale a relação

$\Delta V_{\text{real}}=\Delta V_{\text{aparente}}+\Delta V_{\text{recipiente}}$.

A dilatação da câmara 2 não altera a quantidade que transbordou da câmara 1. Portanto, a dilatação real da água corresponde ao volume derramado mais a dilatação da câmara 1.

Q19
Óptica - Óptica geométrica - Dupla reflexão em espelhos planos

Uma prática comum dos cabeleireiros é mostrar aos seus clientes o resultado final de seu trabalho, utilizando um par de espelhos planos.

Ilustração de cabeleireiro usando um espelho de mão diante de um espelho maior

Sobre a malha quadriculada, estão dispostos os espelhos $E_1$ (grande) e $E_2$ (pequeno), o ponto O em que o observador olha de frente o espelho maior $E_2$ e os pontos A, B, C, D e E que ficam localizados atrás (costas) do observador.

Malha quadriculada com dois espelhos, observador e pontos A a E

Dos cinco pontos que aparecem sobre a malha, o observador, considerando apenas a dupla reflexão e supondo que seu corpo não atrapalhe a visão de pontos refletidos, vê somente

A)o ponto A.
B)o ponto E.
C)os pontos B e C.
D)os pontos C, D e E.
E)os pontos A, B, C e D.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

B
Resolução

O caminho óptico é ponto $\rightarrow E_2\rightarrow E_1\rightarrow O$.

Podemos desdobrar as duas reflexões: reflete-se primeiro o observador em $E_1$ e, depois, essa imagem em $E_2$. Em seguida, liga-se cada ponto A–E à segunda imagem do observador.

Para que o ponto seja visível, a reta deve interceptar o segmento finito de $E_2$ e, no retorno, também o segmento finito de $E_1$.

Ao aplicar essa construção na malha, apenas o ponto E produz interseções dentro dos dois espelhos. Logo, somente E é visto por dupla reflexão.

Q20
Eletricidade - Eletrostática - Processos de eletrização

Assinale a alternativa que indica corretamente os efeitos de um processo de eletrização.

A)Ao final de um processo de eletrização por contato entre dois corpos condutores, os corpos ficam carregados com cargas elétricas de sinais opostos.
B)O processo de eletrização por indução é o único que gera, nos dois corpos envolvidos, cargas elétricas de mesmo sinal.
C)No processo de eletrização por contato entre dois corpos condutores idênticos, cada corpo fica carregado com cargas elétricas de mesmo valor absoluto.
D)Após um processo de eletrização por atrito, os dois corpos envolvidos tendem a se repelir mutuamente.
E)Antes do aterramento no processo de eletrização por indução, na superfície do corpo induzido voltada para o indutor, acumulam-se cargas elétricas de mesmo sinal que as do indutor.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

C
Resolução

Ao colocar dois condutores idênticos em contato, as cargas livres se redistribuem até que ambos atinjam o mesmo potencial. Como são idênticos, terminam com cargas de mesmo valor.

Na eletrização por atrito, os corpos adquirem sinais opostos; e, na indução, a região mais próxima do indutor acumula cargas de sinal oposto ao dele.

Q21
Eletricidade - Eletrostática - Lei de Coulomb e equilíbrio

Uma haste isolante, homogênea e apoiada em seu centro geométrico equilibra quatro pequenas esferas idênticas e de massas desprezíveis, carregadas com cargas elétricas $Q_A$, $Q_B$, $Q_C$ e $Q_D$, posicionadas como mostra a figura.

Haste em equilíbrio com pares de cargas elétricas nas extremidades

Se as intensidades das cargas elétricas $Q_B$, $Q_C$ e $Q_D$ são iguais a $Q$, a carga elétrica $Q_A$, para que seja mantido o equilíbrio horizontal da haste, é igual a

A)$Q/4$.
B)$Q/2$.
C)$Q$.
D)$2Q$.
E)$4Q$.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

A
Resolução

Como o apoio está no centro, os braços de alavanca das forças nas extremidades são iguais. Para equilíbrio, as forças verticais de origem eletrostática nos dois lados devem ter o mesmo módulo.

À esquerda, $F_e=k|Q_AQ|/(1\text{ mm})^2$.

À direita, $F_d=kQ^2/(2\text{ mm})^2=kQ^2/4$ em unidades proporcionais.

Igualando: $Q_AQ=Q^2/4$, portanto $Q_A=Q/4$.

Q22
Eletromagnetismo - Magnetismo - Campo magnético de espira

Um suporte feito de plástico na forma de U pode girar livremente paralelo ao plano $xy$, sobre o eixo E, vertical e paralelo ao eixo $z$. Por meio de uma haste fina, paralela ao plano $xy$, presa ao suporte, um ímã, em forma de barra, gira livremente ao redor do seu eixo de simetria A, coaxial à haste. Paralelamente ao plano $xz$ e na coordenada $y=0$, uma espira circular de raio $r$, cujo centro está contido no eixo A de simetria do ímã, é percorrida no sentido horário pela corrente elétrica $i$, conforme indica a figura.

Espira no plano xz e ímã móvel em sistema tridimensional xyz

Com a passagem da corrente elétrica $i$ na espira, a direção do eixo M, que passa pelos polos N e S do ímã, se tornará paralela ao eixo

A)x, com o norte do ímã apontando para o sentido positivo desse eixo.
B)x, com o norte do ímã apontando para o sentido negativo desse eixo.
C)y, com o norte do ímã apontando para o sentido positivo desse eixo.
D)y, com o norte do ímã apontando para o sentido negativo desse eixo.
E)z, com o norte do ímã apontando para o sentido positivo desse eixo.

Gabarito auditado pelo Método TEF — UFTM 2012, Inverno · 1ª Fase

D
Resolução

A espira está no plano $xz$, portanto seu campo no centro é perpendicular a esse plano, isto é, paralelo ao eixo $y$.

Pela regra da mão direita aplicada ao sentido da corrente indicado na figura, o campo magnético no centro da espira aponta no sentido negativo de $y$.

O ímã gira até alinhar seu momento magnético com o campo; assim, o polo norte aponta no sentido negativo do eixo $y$.

↑ Voltar ao topo