Na mecânica de Newton, quando estudamos o movimento retilíneo de um corpo 1 em relação a um corpo 2, também em movimento, a diferença X(t) entre suas posições é X(t) = x2(t) - x1(t), (1) em que x1(t) e x2(t) são as posições dos corpos 1 e 2, respectivamente. A velocidade V do corpo 2 em relação ao corpo 1 (ou em relação ao referencial em que o corpo 1 está em repouso) é V = v2 - v1, (2) em que v1 e v2 são as velocidades dos corpos 1 e 2, respectivamente. Pela última equação, se um veículo 2 segue numa estrada a 110 km/h e outro veículo 1 segue no mesmo sentido a 90 km/h, a velocidade de 2, em relação a 1, é V = 110 km/h - 90 km/h = 20 km/h. Se os dois veículos viajam em sentidos contrários, supondo-se que a velocidade do segundo veículo seja positiva, temos que V = 110 km/h + 90 km/h = 200 km/h. A Teoria da Relatividade Especial (ou Restrita), de Albert Einstein, mostra que essa descrição para o movimento de um corpo em relação a outro não é válida quando as velocidades são próximas da velocidade da luz no vácuo, c, que é, aproximadamente, 3,00 ×10⁸ m/s. Na teoria da relatividade, a expressão correta para o movimento relativo entre dois corpos, com velocidades v1 e v2, é $V=\dfrac{v_2-v_1}{1-v_1v_2/c^2}$ (3) Para valores de velocidade com os quais estamos acostumados em nosso dia a dia, usar a expressão (2) ou a expressão (3) para o cálculo de V praticamente leva ao mesmo resultado. Por exemplo, no caso dos dois veículos do exemplo anterior, teríamos uma diferença da ordem de 10⁻¹³ km/h, para o caso dos veículos viajando no mesmo sentido, e de 10⁻¹² km/h, para o outro caso. No entanto, considerando dois elétrons movimentando-se na mesma direção e sentidos contrários, com velocidades iguais em módulo, v1 = v2 =c/2, teríamos uma velocidade relativa entre eles igual a $V=\dfrac{c/2+c/2}{1+(c/2)^2/c^2}=\dfrac{c}{1+1/4}=\dfrac45c$, (4) que é bem diferente do valor c obtido com o uso da expressão (2), que vem da Mecânica de Newton. (Texto adaptado de CHAVES, Alaor; SAMPAIO, José Francisco. Física Básica – Mecânica, Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S.A., 2007, p. 59-60.) Considerando duas partículas em movimento, na mesma direção e em sentidos contrários, de modo que v2 = c e v1 = –c, de acordo com a expressão (3) no texto acima, é CORRETO afirmar que o valor da velocidade relativa V entre elas seja igual a
Resolução — Método TEFIdeia central: A questão pede a substituição na fórmula relativística fornecida.
Passo 1. Inserindo v₂ = c e v₁ = −c, o numerador vale 2c e o denominador vale 2.
$V=\frac{c-(-c)}{1-(-c)c/c^2}=\frac{2c}{2}=c$
Resposta: alternativa D.
O cálculo é formal: não existe referencial inercial de repouso associado a uma partícula que se move à velocidade da luz.