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UFGD · 2024 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal da Grande Dourados

Vestibular UFGD 2024 (aplicado em 2023) · Física: Q41–Q46 · resolução comentada Método TEF. Gabarito oficial definitivo (Edital de Homologação CCS nº 56/2023); a questão 41 foi anulada pela banca.

Q41
Ondulatória — Ondas eletromagnéticas — Polarização linear

Uma radiação eletromagnética é definida como uma onda transversal composta pela oscilação perpendicular entre si dos campos Elétrico e Magnético. Se essa radiação possuir uma certa polarização linear, é correto afirmar que

A)a orientação do campo elétrico é sempre constante.
B)a magnitude do campo elétrico é sempre nula em todas as direções de oscilação.
C)os módulos dos campos elétrico e magnético são iguais.
D)a magnitude do campo magnético é sempre constante no tempo.
E)a direção de propagação da onda eletromagnética é a mesma da oscilação do campo elétrico.

Gabarito definitivo — Vestibular UFGD 2024 (Edital de Homologação CCS nº 56/2023)

ANULADA

Fonte: Edital de Homologação CCS nº 56/2023 (gabarito definitivo)

Resolução

A banca anulou esta questão no gabarito definitivo, e o edital não registra o motivo. Vale analisar o que cada afirmação diz sobre uma onda polarizada linearmente.

Numa onda eletromagnética, os campos $\vec{E}$ e $\vec{B}$ são perpendiculares entre si e perpendiculares à direção de propagação. Por isso a onda é transversal, e a alternativa E está errada.

Polarização linear significa que o campo elétrico oscila sempre ao longo de uma mesma reta. É isso que a alternativa A tenta dizer, mas o enunciado fala em "orientação" sem distinguir direção de sentido: o sentido do campo se inverte a cada meio ciclo, e só a direção de oscilação é fixa. Essa imprecisão de linguagem é o ponto frágil da afirmação.

As demais estão claramente erradas. A alternativa B é absurda, porque um campo sempre nulo em todas as direções seria ausência de onda. A D erra porque o módulo de $\vec{B}$ oscila no tempo, junto com o de $\vec{E}$. A C erra porque $E$ e $B$ têm unidades diferentes e se relacionam por ${E}={c}\cdot{B}$, de modo que seus módulos não são iguais.

Q42
Mecânica — Cinemática — Movimento circular uniforme (transmissão por corrente)

A figura mostra uma representação esquemática de um sistema de transmissão de uma bicicleta de tração convencional, composto basicamente por: coroa, catraca, corrente, pedais e pneu. Para movimentar a bicicleta, o ciclista gira o pedal em torno de um movimento central com a mesma velocidade angular da coroa, que, ligada por uma corrente até a catraca, garante uma mesma velocidade tangencial na transmissão. Além disso, o pneu traseiro e a catraca estão acoplados e possuem a mesma velocidade angular e em todo o sistema não há deslizamento.

Esquema de transmissão de bicicleta: pneu com 50 cm do eixo até o solo, catraca de raio r, coroa de raio R, corrente e pedal.
Figura da questão 42 (Vestibular UFGD 2024).

Se em um dado momento, o ciclista mantém uma configuração de transmissão cujo raio r da catraca seja igual a metade do raio R da coroa, qual deve ser a cadência mantida pelo ciclista (número de rotações do pedal no intervalo de 1 minuto) para garantir uma velocidade da bicicleta de 6m/s? (considere π = 3).

A)30 RPM
B)40 RPM
C)50 RPM
D)60 RPM
E)70 RPM

Gabarito definitivo — Vestibular UFGD 2024 (Edital de Homologação CCS nº 56/2023)

D

Fonte: Edital de Homologação CCS nº 56/2023 (gabarito definitivo)

Resolução

A ideia é seguir o movimento da roda traseira até o pedal, passando pela catraca, pela corrente e pela coroa.

Pela figura, a distância do eixo da roda até o solo é de $50\text{ cm}$, ou seja, o raio do pneu vale $R_p=0{,}5\text{ m}$. Sem deslizamento, a velocidade da bicicleta é a velocidade de um ponto da borda do pneu: $v=\omega_p\cdot R_p$, o que dá $\omega_p=\dfrac{6}{0{,}5}=12\text{ rad/s}$.

A catraca está acoplada ao pneu, então gira com a mesma velocidade angular: $\omega_c=12\text{ rad/s}$.

A corrente liga a catraca à coroa, e todos os pontos dela têm a mesma velocidade tangencial. Portanto $\omega_{coroa}\cdot R=\omega_c\cdot r$, e com $r=\dfrac{R}{2}$ resulta $\omega_{coroa}=12\cdot\dfrac{1}{2}=6\text{ rad/s}$.

O pedal gira com a velocidade da coroa. Com $\pi=3$, a frequência é $f=\dfrac{\omega}{2\pi}=\dfrac{6}{2\cdot 3}=1\text{ rotação/s}$.

Em um minuto são $60$ rotações, ou seja, $60\text{ RPM}$.

Q43
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência elétrica e resistência

Um chuveiro elétrico multitemperaturas, quando alimentado por uma tensão de 220V, possui potência dissipada que pode variar entre 2.000W e 5.500W, a depender da temperatura escolhida durante o seu uso. Nesse caso, afirma-se que a máxima corrente que atravessa o circuito e a máxima resistência do chuveiro são, respectivamente:

A)9,0 A e 14,6 Ω
B)8,5 A e 9,1 Ω
C)7,2 A e 8,8 Ω
D)25 A e 24,2 Ω
E)25 A e 8,8 Ω

Gabarito definitivo — Vestibular UFGD 2024 (Edital de Homologação CCS nº 56/2023)

D

Fonte: Edital de Homologação CCS nº 56/2023 (gabarito definitivo)

Resolução

A tensão é fixa em $220\text{ V}$. Como $P=U\cdot i$, a corrente é máxima quando a potência é máxima, e a resistência é máxima quando a potência é mínima.

Corrente máxima, com $P=5\,500\text{ W}$: $i_{máx}=\dfrac{P_{máx}}{U}=\dfrac{5\,500}{220}=25\text{ A}$.

Para a resistência, usamos $P=\dfrac{U^2}{R}$, que dá $R=\dfrac{U^2}{P}$. Quanto menor a potência, maior a resistência, então usamos $P=2\,000\text{ W}$: $R_{máx}=\dfrac{220^2}{2\,000}=\dfrac{48\,400}{2\,000}=24{,}2\ \Omega$.

O erro típico é calcular a resistência máxima com a potência máxima. Isso daria $8{,}8\ \Omega$, que é a menor resistência do chuveiro.

Q44
Termologia — Dilatação térmica — Dilatação linear (diferença entre materiais)

Uma tampa redonda de zinco, cujo diâmetro interno é de 100 mm, se prendeu totalmente à rosca de um recipiente de vidro vazio e não se solta facilmente na temperatura ambiente de 20 °C. Considerando um coeficiente de dilatação térmica linear do vidro e do zinco de, respectivamente, 10×10⁻⁶°C⁻¹ e 30×10⁻⁶°C⁻¹, qual deve ser a temperatura mínima do conjunto vidro-tampa para que a abertura do recipiente seja facilitada por uma dilatação térmica suficiente para que haja uma diferença entre o diâmetro da parte externa da rosca do vidro e o diâmetro interno da tampa de zinco de 0,1 mm?

A)60 °C
B)70 °C
C)80 °C
D)90 °C
E)100 °C

Gabarito definitivo — Vestibular UFGD 2024 (Edital de Homologação CCS nº 56/2023)

B

Fonte: Edital de Homologação CCS nº 56/2023 (gabarito definitivo)

Resolução

Os dois diâmetros começam iguais, $D_0=100\text{ mm}$, porque a tampa está justa na rosca. Ao aquecer o conjunto, o zinco dilata mais que o vidro, e é essa diferença de dilatação que folga a tampa.

Para cada material, $\Delta D=D_0\cdot\alpha\cdot\Delta T$. A diferença entre os dois diâmetros é $D_0\cdot(\alpha_{zinco}-\alpha_{vidro})\cdot\Delta T$.

Substituindo, com $\alpha_{zinco}-\alpha_{vidro}=20\times10^{-6}\text{ °C}^{-1}$ e a folga de $0{,}1\text{ mm}$: $0{,}1=100\cdot 20\times10^{-6}\cdot\Delta T$, logo $\Delta T=\dfrac{0{,}1}{2\times10^{-3}}=50\text{ °C}$.

A temperatura inicial era $20\text{ °C}$, então a temperatura mínima do conjunto é $20+50=70\text{ °C}$.

Q45
Termologia — Calorimetria — Potência elétrica e calor sensível

A potência elétrica útil de um chuveiro é de 5.600W e a vazão da água, inicialmente a 20 °C, é de 8 litros por minuto. Considerando que o calor específico da água é de 1 cal/g.°C, a densidade da água é de 1 kg/L e uma caloria é aproximadamente 4,2 J, bem como que a única troca de calor se dá entre a resistência elétrica do chuveiro e a água, assinale a alternativa que indica a temperatura da água imediatamente ao sair chuveiro.

A)52,0 °C
B)30,0 °C
C)20,2 °C
D)10,0 °C
E)100,0 °C

Gabarito definitivo — Vestibular UFGD 2024 (Edital de Homologação CCS nº 56/2023)

B

Fonte: Edital de Homologação CCS nº 56/2023 (gabarito definitivo)

Resolução

Toda a potência útil do chuveiro vira calor para a água. Em um minuto, a energia fornecida é $E=P\cdot t=5\,600\cdot 60=336\,000\text{ J}$.

A vazão é de $8\text{ L/min}$ e a densidade vale $1\text{ kg/L}$, então a massa aquecida em um minuto é $m=8\text{ kg}=8\,000\text{ g}$. Convertendo o calor específico, $c=1\text{ cal/g}\cdot\text{°C}=4{,}2\text{ J/g}\cdot\text{°C}$.

Da relação $E=m\cdot c\cdot\Delta T$: $\Delta T=\dfrac{336\,000}{8\,000\cdot 4{,}2}=\dfrac{336\,000}{33\,600}=10\text{ °C}$.

A água entra a $20\text{ °C}$ e sai $10\text{ °C}$ mais quente, ou seja, a $30\text{ °C}$. Atenção: $10\text{ °C}$ é a variação de temperatura, não a temperatura de saída.

Q46
Mecânica — Cinemática — Velocidade escalar média (MU e MUV em etapas)

Um automóvel percorre uma estrada retilínea com velocidade constante v não nula durante a primeira metade de tempo da viagem. Em seguida, na primeira metade de tempo do total que resta para concluir o percurso, acelera uniformemente até chegar ao dobro da sua velocidade inicial, mantendo em seguida a velocidade final obtida constante até o término do trajeto. Desprezando todos os atritos, assinale a alternativa que indica, corretamente, a velocidade escalar média do veículo durante toda a trajetória.

A)(4/3)v
B)(3/2)v
C)(5/3)v
D)(9/4)v
E)(11/8)v

Gabarito definitivo — Vestibular UFGD 2024 (Edital de Homologação CCS nº 56/2023)

E

Fonte: Edital de Homologação CCS nº 56/2023 (gabarito definitivo)

Resolução

Seja $T$ o tempo total da viagem. Como tudo é dado em frações de tempo, vamos dividir a viagem em três etapas e calcular a distância de cada uma.

Etapa 1. Dura $\dfrac{T}{2}$, com velocidade constante $v$: $d_1=v\cdot\dfrac{T}{2}=\dfrac{vT}{2}$. Sobra um tempo $\dfrac{T}{2}$: a primeira metade dele, $\dfrac{T}{4}$, é a aceleração, e a outra metade, também $\dfrac{T}{4}$, é a velocidade final constante.

Etapa 2. Aceleração uniforme de $v$ até ${2v}$ durante $\dfrac{T}{4}$. No MUV, a velocidade média é a média aritmética das velocidades extremas: $d_2=\dfrac{v+2v}{2}\cdot\dfrac{T}{4}=\dfrac{3vT}{8}$.

Etapa 3. Velocidade constante ${2v}$ durante $\dfrac{T}{4}$: $d_3=2v\cdot\dfrac{T}{4}=\dfrac{vT}{2}$.

A distância total é $d=\dfrac{vT}{2}+\dfrac{3vT}{8}+\dfrac{vT}{2}=\dfrac{4vT+3vT+4vT}{8}=\dfrac{11vT}{8}$.

A velocidade escalar média é a distância total dividida pelo tempo total: $v_m=\dfrac{d}{T}=\dfrac{11}{8}\,v$.

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