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UPE — SSA1 2023

Sistema Seriado de Avaliação · 1ª fase

Questões de Física do 2º dia (bloco Ciências da Natureza) · Gabarito oficial definitivo.

Q25
Dinâmica Circular — Tensão Máxima em Trajetória Circular Vertical

A figura a seguir ilustra uma partícula de massa $m=0{,}5\text{ kg}$ que está conectada a um fio ideal de comprimento $0{,}5\text{ m}$ e preso ao ponto O. No ponto mais alto da trajetória, a partícula é impulsionada com velocidade linear de módulo $v=5{,}0\text{ m/s}$. Qual é, então, a maior tensão experimentada pelo fio ideal em N?

Trajetória circular vertical da partícula presa ao ponto O, com o vetor velocidade v=5,0 m/s indicado no ponto mais alto e o vetor g apontando para baixo
A)$10$
B)$20$
C)$30$
D)$40$
E)$50$

Gabarito oficial UPE/SSA1 2023

E
Resolução

A figura mostra que o ponto O é o centro de uma trajetória circular vertical completa (o fio faz a partícula percorrer todo o círculo, não apenas oscilar). O raio da trajetória é o próprio comprimento do fio: $r=0{,}5\text{ m}$.

No ponto mais alto, a velocidade é $v_{\text{topo}}=5{,}0\text{ m/s}$. Pela conservação de energia mecânica entre o ponto mais alto e o ponto mais baixo (diferença de altura $\Delta h=2r=1{,}0\text{ m}$): $\dfrac{1}{2}v_{\text{topo}}^2+g(2r)=\dfrac{1}{2}v_{\text{baixo}}^2\Rightarrow v_{\text{baixo}}^2=v_{\text{topo}}^2+4gr=25+4\times10\times0{,}5=25+20=45\text{ m}^2/\text{s}^2$.

A tensão é máxima justamente no ponto mais baixo, onde a tração deve equilibrar o peso e ainda fornecer a força centrípeta: $T_{\text{máx}}-mg=\dfrac{mv_{\text{baixo}}^2}{r}\Rightarrow T_{\text{máx}}=mg+\dfrac{mv_{\text{baixo}}^2}{r}=0{,}5\times10+\dfrac{0{,}5\times45}{0{,}5}=5+45=50\text{ N}$ — confirma a alternativa (E).

Q26
Gravitação — Órbita de Satélites do GPS

A localização geográfica de qualquer lugar na superfície da Terra, em qualquer momento, pode ser feita pelo Sistema de Posicionamento Global (GPS). Tal sistema é constituído por uma constelação de satélites, composto de 24 satélites, distribuídos em 6 planos orbitais circulares, não mostrados na figura ao lado. Cada plano orbital tem 4 satélites. Cada satélite, munido por um relógio atômico e um transceptor que se comunicam com um receptor GPS na Terra por sinais de micro-onda. Cada satélite realiza duas revoluções orbitais em 24h em torno da Terra a uma altitude $h$ de $21.300\text{ km}$, acima do raio da superfície da Terra $R_T$ de $6.400\text{ km}$, de modo que qualquer ponto na superfície da Terra esteja visível por pelo menos quatro satélites.

Disponível em: http://www.ime.unicamp.br/~apmat/o-sistema-gps/. Acesso em 21/07/2022. Adaptada.

Ilustração da Terra com satélites GPS em órbita elíptica, altitude h medida a partir da superfície e raio RT da Terra

Baseado no texto, qual é a velocidade orbital aproximada em km/h de cada satélite da constelação do GPS?

A)$340$
B)$1.250$
C)$11.000$
D)$13.850$
E)$20.215$

Gabarito oficial UPE/SSA1 2023

D
Resolução

O raio da órbita é a soma do raio da Terra com a altitude do satélite: $r=R_T+h=6.400+21.300=27.700\text{ km}$.

Cada satélite completa duas revoluções orbitais em $24\text{ h}$, logo o período de uma volta é $T=\dfrac{24}{2}=12\text{ h}$.

A velocidade orbital é $v=\dfrac{2\pi r}{T}$. Usando $\pi=3$ (dado da prova): $v=\dfrac{2\times3\times27.700}{12}=\dfrac{166.200}{12}=13.850\text{ km/h}$ — confirma a alternativa (D).

Q27
Hidrostática — Flutuabilidade de Submarinos e Navios

Um submarino ou um navio pode flutuar porque o peso da água que ele desloca é igual ao peso da embarcação. Esse deslocamento da água cria uma força ascendente chamada força de empuxo e age em oposição à gravidade, o que puxaria o navio para baixo. Ao contrário de um navio, um submarino pode controlar sua flutuabilidade, permitindo que ele afunde e emerja à vontade. Para manter o nível do submarino em qualquer profundidade definida, o submarino mantém um equilíbrio de ar e água nos tanques de compensação para que sua densidade total seja igual à água circundante (flutuabilidade neutra).

Disponível em: https://science.howstuffworks.com/transport/engines-equipment/submarine1.htm. Acesso em 05 de setembro de 2022.

Considerando as informações do texto, assinale a alternativa que descreve CORRETAMENTE a operação de submarinos e navios em alto mar.

A)Para submergir, um submarino permite a entrada de ar em seus tanques de compensação, produzindo movimento de mergulho.
B)Durante a flutuabilidade neutra, a densidade total do submarino é similar à do óleo diesel que ele carrega em seus tanques de combustível.
C)A fim de manter uma correta navegação, um navio deve ser projetado para ter uma densidade maior do que a água que o cerca.
D)Um submarino emerge se a relação entre ar e água nos tanques de compensação diminuir sua densidade total em relação à das águas circundantes.
E)Um navio é capaz de flutuar se ele for projetado para que a força gravitacional não atue sobre ele, controlando sua flutuabilidade.

Gabarito oficial UPE/SSA1 2023

D
Resolução

A flutuabilidade de um submarino é controlada pela sua densidade média (massa total dividida pelo volume total), ajustada através da proporção de ar e água presente nos tanques de compensação — não pela densidade da água do mar, que permanece praticamente constante.

Para emergir, o submarino precisa se tornar menos denso do que a água ao redor: isso é feito expulsando água dos tanques e admitindo mais ar (menos denso), o que diminui a densidade total do submarino em relação à densidade das águas circundantes, criando um empuxo líquido positivo. Essa é exatamente a descrição da alternativa (D).

As demais alternativas contêm erros conceituais: (A) descreve exatamente o oposto do que ocorre para submergir (para afundar, o submarino admite mais água, não ar); (B) e (C) trocam a comparação de densidade pela água do mar por outras referências (óleo diesel, densidade maior que a água) sem sentido físico; e (E) é fisicamente impossível, já que a força gravitacional atua sobre qualquer corpo com massa — o que existe é o equilíbrio entre peso e empuxo, não a ausência de peso.

Q28
Trabalho e Energia — Mola de Compressão (Conservação de Energia)

Molas de compressão de aço martensítico apresentam dureza elevada e maior resistência à corrosão e são utilizadas em diversos setores da indústria. O gráfico ao lado ilustra o comportamento da força restauradora versus a deformação de uma dessas molas de compressão. Um experimento de conservação de energia foi realizado para verificar o funcionamento da mola. Nesse experimento, inicialmente um veículo de massa $4.000\text{ kg}$ comprime a mola em $40\text{ cm}$ quando preso à parede por uma corda. Ao cortar-se a corda, qual é o módulo da velocidade adquirida pelo veículo, $v$, desprezando os atritos e considerando a mola ideal?

Gráfico Força (kN) por deformação (m) da mola: reta passando pela origem por (0,5 m; 50 kN), (1,0 m; 100 kN) e (1,5 m; 150 kN)
Veículo de 4000 kg comprimindo a mola k contra a parede, preso por uma corda, com o vetor g apontando para baixo
Veículo de 4000 kg já liberado da corda, afastando-se da mola com velocidade v
A)$1{,}0\text{ m/s}$
B)$2{,}0\text{ m/s}$
C)$4{,}0\text{ m/s}$
D)$8{,}0\text{ m/s}$
E)$10{,}0\text{ m/s}$

Gabarito oficial UPE/SSA1 2023

B
Resolução

Pelo gráfico $F\times x$, a reta passa pela origem com inclinação constante: por exemplo, em $x=1{,}0\text{ m}$ tem-se $F=100\text{ kN}$, logo a constante elástica é $k=\dfrac{F}{x}=\dfrac{100.000}{1{,}0}=1{,}0\times10^5\text{ N/m}$.

A energia potencial elástica armazenada na mola comprimida em $x=0{,}40\text{ m}$ é $E_{\text{el}}=\dfrac{1}{2}kx^2=\dfrac{1}{2}\times1{,}0\times10^5\times0{,}40^2=\dfrac{1}{2}\times1{,}0\times10^5\times0{,}16=8.000\text{ J}$.

Ao cortar a corda, toda essa energia se converte em energia cinética do veículo (mola ideal, sem atrito): $E_{\text{el}}=\dfrac{1}{2}mv^2\Rightarrow8.000=\dfrac{1}{2}\times4.000\times v^2\Rightarrow v^2=\dfrac{8.000}{2.000}=4\Rightarrow v=2{,}0\text{ m/s}$ — confirma a alternativa (B).

Q29
Dinâmica — Conservação de Momento Linear (Colisão Partícula-Disco)

Em um experimento de conservação de momento linear, uma partícula de massa $m=0{,}1\text{ kg}$ colide com um disco de raio $R=10\text{ cm}$ e massa $M=2{,}0\text{ kg}$ a uma velocidade de módulo $v=100{,}0\text{ m/s}$. Após a colisão, o disco se move com velocidade de módulo $w$, conforme ilustra a figura a seguir.

Antes da colisão, partícula m com velocidade v horizontal atingindo o disco M de raio R ao longo de uma linha que faz ângulo θ com o centro; depois da colisão, partícula m sobe com velocidade v' vertical (perpendicular à linha de impacto) e disco M se move com velocidade w ao longo da linha de impacto

Sabendo que $\theta=45°$, qual é, então, aproximadamente a intensidade de $w$?

A)$1{,}3\text{ m/s}$
B)$2{,}5\text{ m/s}$
C)$7{,}1\text{ m/s}$
D)$8{,}4\text{ m/s}$
E)$9{,}2\text{ m/s}$

Gabarito oficial UPE/SSA1 2023

C
Resolução

Pela figura, a linha que une o ponto de contato ao centro do disco (a "linha de impacto") faz um ângulo $\theta=45°$ com a direção horizontal da velocidade incidente $\vec{v}$. Como não há atrito entre a partícula e o disco, a força de contato durante a colisão atua inteiramente ao longo dessa linha de impacto — ou seja, o disco $M$ só pode ganhar velocidade nessa direção, confirmado pela figura, que mostra $\vec{w}$ alinhado exatamente com a linha de impacto (a continuação da linha tracejada).

A figura também mostra que, depois do choque, a velocidade $\vec{v'}$ da partícula $m$ é perpendicular à linha de impacto (o pequeno ângulo reto marcado no desenho) — isto é, toda a componente de momento da partícula ao longo da linha de impacto foi transferida ao disco, e apenas a componente perpendicular (tangencial) permaneceu com ela.

Isso torna a conservação do momento linear na direção horizontal (direção da velocidade incidente $\vec{v}$) particularmente simples: como $\vec{v'}$ é vertical, ela não contribui em nada para o momento horizontal. Toda a componente horizontal do momento inicial da partícula é transferida ao disco: $mv=Mw\cos\theta$.

Isolando $w$: $w=\dfrac{mv}{M\cos\theta}=\dfrac{0{,}1\times100}{2{,}0\times\cos45°}=\dfrac{10}{2{,}0\times0{,}707}=\dfrac{10}{1{,}414}\approx7{,}1\text{ m/s}$ — confirma a alternativa (C).

Q40
Física Nuclear — Datação por Carbono-14

Uma das formas de fazer a datação de achados arqueológicos é a partir do decaimento radioativo do isótopo 14 do carbono (C-14), que tem tempo de meia-vida de $5.700$ anos. Um fóssil de réptil foi encontrado num sítio arqueológico, com atividade radioativa de C-14 correspondente a $6{,}25\%$ da atividade de quando a espécie viveu na região.

Assinale a alternativa que apresenta a idade CORRETA do fóssil encontrado.

A)$11.400$ anos
B)$17.100$ anos
C)$22.800$ anos
D)$34.200$ anos
E)$57.000$ anos

Gabarito oficial UPE/SSA1 2023

C
Resolução

Pela lei do decaimento radioativo, a atividade remanescente após $n$ meias-vidas é $\dfrac{A}{A_0}=\left(\dfrac{1}{2}\right)^n$. Como $6{,}25\%=0{,}0625=\dfrac{1}{16}=\left(\dfrac{1}{2}\right)^4$, conclui-se que $n=4$ meias-vidas se passaram.

O tempo decorrido é, portanto, $t=n\times T_{1/2}=4\times5.700=22.800$ anos — confirma a alternativa (C).

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