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UPE — SSA1 2025

Sistema Seriado de Avaliação · 1ª fase

Questões de Física do bloco de Ciências da Natureza e suas Tecnologias · Gabarito oficial definitivo.

Q25
Física Moderna — Relatividade Geral (Princípio da Equivalência)

O Princípio da Equivalência de Einstein é um conceito fundamental na teoria da relatividade geral publicada em 1915. A respeito desse princípio, assinale a alternativa CORRETA.

A)Afirma que a massa gravitacional de um objeto é diferente de sua massa inercial.
B)Todos os observadores, independentemente de sua velocidade, medem a mesma velocidade da luz no vácuo.
C)Postula que os efeitos da gravidade podem ser completamente eliminados ao se mover a uma velocidade constante.
D)Afirma que a força gravitacional entre duas massas diminui com o quadrado da distância entre elas.
E)Estabelece que não há diferença observável entre os efeitos de uma aceleração uniforme e os efeitos de um campo gravitacional uniforme.

Gabarito oficial UPE/SSA1 2025

E
Resolução

O Princípio da Equivalência (versão fraca, base da Relatividade Geral) afirma que um observador dentro de um referencial em queda livre, ou submetido a uma aceleração uniforme, não consegue distinguir localmente os efeitos dessa aceleração dos efeitos de um campo gravitacional uniforme — os dois produzem exatamente as mesmas leis físicas locais.

A alternativa (A) inverte o princípio: na verdade, o Princípio da Equivalência afirma a IGUALDADE entre massa gravitacional e inercial, não a diferença. A (B) descreve o postulado da constância da velocidade da luz, que é da Relatividade Restrita, não o Princípio da Equivalência. A (C) está errada porque velocidade constante não elimina gravidade — é a queda livre (aceleração) que localmente "cancela" o peso. A (D) descreve a Lei da Gravitação Universal de Newton, não o Princípio da Equivalência.

A alternativa correta é (E): não há experimento local capaz de diferenciar estar acelerando uniformemente no espaço vazio de estar parado em um campo gravitacional uniforme.

Q26
Física Moderna — Modelo Atômico de Bohr

Embora a ideia de átomo provavelmente tenha origem na escola de Abdera da filosofia clássica grega, não podemos associar as espécies pensadas por Leucipo e Demócrito como representações reais das partículas que formam a matéria, pois elas tinham formas diferentes e particularidades que explicavam o comportamento das substâncias. Até no contexto científico, a ideia de átomo evoluiu com o tempo, chegando ao momento de rompimento com a Ciência clássica, buscando explicações na emergente Física Moderna, trabalho no qual se destacou Niels Bohr, físico dinamarquês que resolveu inconsistências do modelo proposto por Rutherford a partir de quatro postulados.

Diante do exposto, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE um dos postulados apontados pelo cientista.

A)O elétron se move de forma circular, em órbita ao redor do núcleo atômico, sob influência de forças coulombianas, conforme regido pelas leis da mecânica clássica.
B)Um elétron, em um átomo, movimenta-se em uma única órbita específica, sendo esta definida pelo seu momento angular, que corresponde ao produto da constante de Planck, $h=6{,}63\times10^{-34}\text{ J}\cdot\text{s}$, pelo número quântico principal.
C)A energia do elétron não varia quando em movimento em torno da sua órbita, pois a mesma energia eletromagnética que é liberada é imediatamente absorvida, na forma de um fóton.
D)Ao trocar de nível de energia, em movimento de uma órbita mais interna para outra mais externa, o elétron deve liberar energia na forma de fótons, em frequência que corresponde à razão entre o valor da constante de Planck e o comprimento de onda do fóton liberado.
E)Ao saltar do nível de energia mais externo, o elétron abandona o átomo e, dependendo da energia envolvida no processo, pode se transformar em um elétron livre ou em uma radiação beta.

Gabarito oficial UPE/SSA1 2025

B
Resolução

Os postulados de Bohr rompem justamente com a mecânica clássica em dois pontos centrais: (1) o elétron só pode ocupar órbitas específicas, "permitidas", nas quais seu momento angular é quantizado (proporcional a um número inteiro — o número quântico principal); (2) enquanto permanece em uma dessas órbitas estacionárias, o elétron não emite nem absorve energia, contrariando a previsão clássica de que uma carga acelerada deveria irradiar continuamente.

A alternativa (A) descreve o modelo de Rutherford regido puramente pela mecânica clássica — exatamente o que Bohr precisou corrigir, pois esse modelo previa o colapso do elétron sobre o núcleo. A (C) inverte a ideia de órbita estacionária: nela a energia não varia porque NÃO há emissão nem absorção, e não porque uma coisa cancela a outra. A (D) e a (E) descrevem corretamente aspectos de transição de níveis (emissão/absorção de fótons) e ionização, mas não são, em si, os postulados fundamentais que definem as órbitas permitidas.

A alternativa (B) é a que expressa corretamente o postulado da quantização do momento angular — a essência da proposta de Bohr para as órbitas estacionárias.

Q29
Dinâmica — Conservação do Momento Linear (Sistema Isolado)

Um jovem de $50\text{ kg}$ percorre a extensão de $2{,}0\text{ m}$ de uma tábua de $200\text{ kg}$ que flutua na água. Desprezando os efeitos de viscosidade da água, determine o recuo da tábua em centímetros.

Figura indisponível nesta versão do acervo.
A)$10{,}0$
B)$20{,}0$
C)$30{,}0$
D)$40{,}0$
E)$50{,}0$

Gabarito oficial UPE/SSA1 2025

D
Resolução

O sistema jovem + tábua está isolado horizontalmente (a água só oferece empuxo vertical, sem atrito relevante), logo o momento linear total se conserva e, partindo do repouso, o centro de massa do sistema não se desloca.

Se o jovem anda $x_j$ para um lado e a tábua recua $x_t$ para o outro, a soma dos deslocamentos relativos deve completar os $2{,}0\text{ m}$ percorridos: $x_j+x_t=2{,}0\text{ m}$. A condição de centro de massa fixo exige $m_j\,x_j=m_t\,x_t$ (os deslocamentos absolutos são inversamente proporcionais às massas).

Substituindo $x_j=\dfrac{m_t}{m_j}x_t$ na primeira equação: $\dfrac{m_t}{m_j}x_t+x_t=2{,}0 \Rightarrow x_t\left(\dfrac{m_t+m_j}{m_j}\right)=2{,}0$.

$x_t=\dfrac{m_j}{m_j+m_t}\times2{,}0=\dfrac{50}{250}\times2{,}0=0{,}40\text{ m}=40{,}0\text{ cm}$.

Q30
Dinâmica — Sistema de Polias (Vantagem Mecânica)

Na construção civil, são utilizadas plataformas elevatórias em laterais de grandes prédios. Considere uma plataforma sustentada por uma polia simples que está suspensa em uma viga fixa. Uma corda de aço passa por essa polia, com uma de suas extremidades segurando uma plataforma onde um homem está de pé. Um motor acoplado à plataforma puxa a outra extremidade da corda para se elevar com uma aceleração vertical e para cima de módulo $2{,}0\text{ m/s}^2$. As massas do homem e da plataforma são $60{,}0\text{ kg}$ e $20{,}0\text{ kg}$, respectivamente.

Determine a tensão a que a corda de aço está sujeita, em newtons.

Figura indisponível nesta versão do acervo.
A)$240{,}0$
B)$320{,}0$
C)$400{,}0$
D)$480{,}0$
E)$800{,}0$

Gabarito oficial UPE/SSA1 2025

D
Resolução

Como o motor está acoplado à própria plataforma e puxa a outra ponta da mesma corda, que passa por uma polia fixa presa à viga, a plataforma é sustentada por dois trechos da corda (um preso diretamente a ela, outro puxado pelo motor sobre ela mesma) — um arranjo clássico de vantagem mecânica 2:1, como um guincho de gôndola de limpador de vidros.

Peso total a ser sustentado: $M=60{,}0+20{,}0=80{,}0\text{ kg}$.

Como dois trechos de corda sustentam o conjunto, a força resultante para cima sobre a plataforma é $2T$. Pela 2ª Lei de Newton: $2T-Mg=Ma \Rightarrow T=\dfrac{M(g+a)}{2}=\dfrac{80{,}0\times(10{,}0+2{,}0)}{2}=\dfrac{80{,}0\times12{,}0}{2}=480{,}0\text{ N}$.

Q35
Energia — Trabalho e Potência (Consumo Energético)

Graduandos do curso de Física de Materiais da Escola Politécnica de Pernambuco conquistaram um feito notável durante o evento REC n'Play 2023 ao vencerem a competição de robôs seguidores de linha, demonstrando conhecimento e criatividade no campo da robótica. O projeto vencedor foi uma criação que combina elementos de física, circuitos elétricos, sensores e tomadas de decisão.

Fonte: fis.mat.br/noticias/20-outubro-2023.html. Acesso em 29 jul. 2024. Adaptado.

Considere um robô seguidor de linha que tem uma bateria de lítio carregada com $36\text{ Wh}$. Sabendo que, durante a competição, a pista tem um trajeto de $2{,}4\text{ m}$ e que o consumo médio de energia da bateria para impulsionar o robô, já considerando os efeitos de atrito, é igual a $7.200\text{ J}$ por metro de pista Buzz_Line, estime a distância da largada em que o robô para pela descarga completa da bateria.

Figura indisponível nesta versão do acervo.
A)$20\text{ cm}$
B)$50\text{ cm}$
C)$100\text{ cm}$
D)$120\text{ cm}$
E)$140\text{ cm}$

Gabarito oficial UPE/SSA1 2025

D
Resolução

Primeiro, converte-se a energia total da bateria para joules: $E=36\text{ Wh}\times3600\text{ s/h}=129.600\text{ J}$.

A distância total que o robô consegue percorrer até descarregar totalmente é $d=\dfrac{E}{\text{consumo por metro}}=\dfrac{129.600}{7.200}=18\text{ m}$.

O detalhe da questão é que a pista Buzz_Line é um circuito fechado de $2{,}4\text{ m}$ de extensão, percorrido repetidamente pelo robô. Os $18\text{ m}$ percorridos correspondem a $\dfrac{18}{2{,}4}=7{,}5$ voltas completas na pista.

Como o robô completa 7 voltas inteiras e mais meia volta antes de parar, ele para exatamente na metade do percurso da pista, ou seja, a $0{,}5\times2{,}4=1{,}2\text{ m}=120\text{ cm}$ da largada.

Q37
Cinemática — Movimento Uniforme (Trajetória em Zigue-Zague)

A integração de drones nos processos de inspeção de edifícios revolucionou a forma como os problemas estruturais externos são identificados e abordados. Com a sua capacidade de capturar imagens de alta resolução, gerar modelos 3D e analisar dados ambientais, os drones capacitam os inspetores a realizar avaliações completas de forma rápida e eficiente.

Fonte: hammermissions.com/post/inspections-with-drones-common-issues. Acesso em 29 jul. 2024. Adaptado.

Um drone é utilizado para explorar a estrutura da fachada de um edifício em busca de falhas. O operador realiza uma varredura com verificações em subidas e descidas, em que o drone se move $5\text{ m}$ para cima e $3\text{ m}$ para baixo, e assim sucessivamente até que a fachada tenha sido inteiramente percorrida.

Sabendo que, inicialmente, o drone parte do solo e se move $1\text{ m}$ em $1\text{ s}$ em sua exploração vertical, determine em quanto tempo o operador atingirá uma falha que está a $15\text{ m}$ de altura.

A)$10\text{ s}$
B)$15\text{ s}$
C)$30\text{ s}$
D)$45\text{ s}$
E)$60\text{ s}$

Gabarito oficial UPE/SSA1 2025

D
Resolução

Cada "ciclo" do drone consiste em subir $5\text{ m}$ (em $5\text{ s}$, a $1\text{ m/s}$) e depois descer $3\text{ m}$ (em $3\text{ s}$), totalizando $8\text{ s}$ por ciclo e um ganho líquido de altura de $2\text{ m}$ ao final de cada ciclo completo.

Construindo a tabela de altura ao FIM de cada ciclo: ciclo 1 (8s) → 2m; ciclo 2 (16s) → 4m; ciclo 3 (24s) → 6m; ciclo 4 (32s) → 8m; ciclo 5 (40s) → 10m.

No início do 6º ciclo (a partir de $t=40\text{ s}$, altura 10m), o drone sobe novamente por $5\text{ s}$, atingindo a altura máxima do ciclo em $10+5=15\text{ m}$ — exatamente a altura da falha — no instante $t=40+5=45\text{ s}$.

Q41
Dinâmica — Referencial Não Inercial (Gravidade Aparente)

Considere o movimento do avião durante uma curva de raio $r$. Quando as asas se inclinam de um ângulo $\phi$, como mostrado na figura, o avião é sujeito ao próprio peso de módulo $P$ e a uma força de sustentação de módulo $S$, que é perpendicular à direção formada pelas asas.

No referencial no interior do avião, durante a curva com ângulo de inclinação de $60^\circ$, a tripulação e os passageiros experimentam qual valor efetivo para a aceleração da gravidade, em $\text{m/s}^2$?

Figura indisponível nesta versão do acervo.
A)$5{,}0$
B)$10{,}0$
C)$20{,}0$
D)$30{,}0$
E)$40{,}0$

Gabarito oficial UPE/SSA1 2025

C
Resolução

Durante a curva inclinada, a sustentação $S$ das asas deve ter uma componente vertical que equilibra o peso ($S\cos\phi=P$) e uma componente horizontal que fornece a força centrípeta. No referencial não inercial do avião, os ocupantes sentem uma "gravidade efetiva" na direção da resultante entre o peso real e a força centrífuga aparente — que, geometricamente, é a própria sustentação $S$ dividida pela massa.

Como $S\cos\phi=P=mg$, temos $S=\dfrac{mg}{\cos\phi}$, e a aceleração efetiva sentida é $g_{ef}=\dfrac{S}{m}=\dfrac{g}{\cos\phi}$.

Com $\phi=60^\circ$, $\cos60^\circ=0{,}5$: $g_{ef}=\dfrac{10{,}0}{0{,}5}=20{,}0\text{ m/s}^2$.

Q44
Hidrostática — Pressão Hidrostática em Grandes Profundidades

Em 2022, uma equipe de cientistas conseguiu fazer a expedição oceânica mais profunda até aquele momento. O submarino dos pesquisadores desceu cerca de $11\text{ km}$ nas Fossas Marianas para coletar amostras de água e rochas, sedimentos e pequenos animais. Foi coletada uma pequena água-viva-de-pente que vivia a mais de $10\text{ km}$ de profundidade. Porém, os animais nativos do fundo do mar não conseguem sobreviver sem estar sob extrema pressão: seus corpos literalmente se desintegram ao chegar à superfície.

Fonte: super.abril.com.br/ciencia/como-aguas-vivas-conseguem-sobreviver-a-pressao-extrema-do-mar-profundo. Acesso em 18 ago. 2024. Adaptado.

Determine aproximadamente a força média, em newtons, que atua em uma área de $1{,}0\text{ cm}^2$ da superfície do corpo da água-viva-de-pente na profundidade de $10\text{ km}$.

A)$10$
B)$10^2$
C)$10^3$
D)$10^4$
E)$10^5$

Gabarito oficial UPE/SSA1 2025

D
Resolução

A pressão hidrostática a uma profundidade $h$ é $P=\rho_{\text{água}}\,g\,h$. Usando $\rho_{\text{água}}=1{,}0\text{ g/cm}^3=1000\text{ kg/m}^3$, $g=10{,}0\text{ m/s}^2$ e $h=10\text{ km}=1{,}0\times10^4\text{ m}$:

$P=1000\times10{,}0\times1{,}0\times10^4=1{,}0\times10^8\text{ Pa}$.

A força sobre a área $A=1{,}0\text{ cm}^2=1{,}0\times10^{-4}\text{ m}^2$ é $F=P\cdot A=1{,}0\times10^8\times1{,}0\times10^{-4}=1{,}0\times10^4\text{ N}$.

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