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UPE — SSA2 2018

Sistema Seriado de Avaliação · 2ª fase

Questões de Física do 1º dia · Gabarito oficial definitivo.

Q23
Termodinâmica — Condução de Calor e Trabalho de Expansão

Um gás ideal está confinado dentro de um cilindro de comprimento $H$ e área de seção transversal $A$. Dentro do cilindro, $n$ mols do gás são mantidos a uma temperatura constante $T$. A base do cilindro é condutora e possui comprimento $H$, com condutividade térmica $k$. A outra extremidade do cilindro está conectada a um reservatório térmico mantido a uma temperatura $T_0<T$. O pistão, de massa desprezível, é movido de forma que o fluxo de calor na barra é constante. Considere a constante universal dos gases perfeitos igual a $R$. Então, o módulo da velocidade do pistão após ele ter percorrido uma distância igual a $H/2$ é

Cilindro de área A: coluna superior de gás a temperatura T e comprimento H, encimada pelo pistão; base condutora de comprimento H conectando o gás ao reservatório térmico a T0
A)$\dfrac{kA\left(1-T_0/T\right)}{nR}$
B)$\dfrac{kA\left(1-T_0/T\right)}{2nR}$
C)$\dfrac{kA\left(1-T_0/T\right)}{4nR}$
D)$\dfrac{2kA\left(T_0/T-1\right)}{nR}$
E)$\dfrac{4kA\left(T_0/T-1\right)}{nR}$

Gabarito oficial UPE/SSA2 2018

B
Resolução

A figura mostra que a base condutora é uma barra sólida, de comprimento $H$ e área $A$, fixa entre o reservatório frio ($T_0$) e a base da coluna de gás — sua geometria não muda com o movimento do pistão. Pela lei de Fourier, o fluxo de calor através dela é constante: $\dfrac{Q}{t}=\dfrac{kA(T-T_0)}{H}$.

Esse calor sai do gás (que está mais quente, a $T$) para o reservatório (a $T_0$). Como o processo é isotérmico ($\Delta U=0$), pela Primeira Lei todo o calor que sai do gás corresponde exatamente ao trabalho de compressão recebido: $\left|\dfrac{Q}{t}\right|=p\,A\,v$, onde $v$ é a velocidade do pistão e $p$ a pressão do gás no instante considerado.

Quando o pistão percorreu $H/2$, a coluna de gás (que começa com comprimento $H$) passa a ter comprimento $H/2$, logo volume $V=A\,H/2$. Pela lei dos gases ideais: $p=\dfrac{nRT}{V}=\dfrac{nRT}{A\,H/2}=\dfrac{2nRT}{AH}$.

Substituindo na equação do fluxo: $\dfrac{kA(T-T_0)}{H}=\dfrac{2nRT}{AH}\times A\times v=\dfrac{2nRTv}{H}$.

Isolando $v$: $v=\dfrac{kA(T-T_0)}{2nRT}=\dfrac{kA(1-T_0/T)}{2nR}$ — confirma exatamente a alternativa (B).

Q24
Termodinâmica — Primeira Lei (Diagrama p-V)

Dois mols de um gás ideal podem ser levados do estado inicial a um estado final por três processos diferentes (1, 2 e 3), conforme ilustra o diagrama da pressão $p$ em função do volume $V$ a seguir. Então, acerca do calor absorvido pelo gás, é CORRETO afirmar que

Diagrama p-V: estado Inicial na base e estado Final no topo, ligados por três caminhos — processo 1 pelo arco esquerdo, processo 2 pela linha reta vertical central, e processo 3 pelo arco direito, formando um contorno fechado em forma de elipse
A)é maior no processo 1 que no processo 3.
B)é maior no processo 3 que no processo 1.
C)o maior calor absorvido ocorre no processo 3.
D)o menor calor absorvido ocorre no processo 2.
E)são iguais nos processos 1 e 3.

Gabarito oficial UPE/SSA2 2018

D
Resolução

Como os três processos ligam o MESMO estado inicial ao MESMO estado final, a variação de energia interna $\Delta U$ é idêntica nos três casos (função de estado). Pela Primeira Lei, $Q=\Delta U+W$, então o calor absorvido em cada processo depende apenas do trabalho $W$ realizado — que é a área sob a curva de cada processo no diagrama $p$-$V$ (com sinal, conforme o volume aumenta ou diminui ao longo do caminho).

A figura mostra que os estados Inicial e Final têm o mesmo volume (estão na mesma vertical) — o processo 2 é justamente a linha reta que liga os dois diretamente, ou seja, um processo isocórico ($V$ constante). Nesse caso, $W_2=0$ exatamente, logo $Q_2=\Delta U$, sem nenhuma parcela adicional de trabalho.

Já os processos 1 e 3 se afastam desse caminho direto, contornando a região à esquerda e à direita, respectivamente — ou seja, o volume do gás varia (aumenta e depois retorna, ou vice-versa) ao longo do percurso. Isso significa que, em ambos, o gás troca trabalho adicional com a vizinhança ($W_1\neq0$ e $W_3\neq0$), somando uma contribuição extra (positiva, neste tipo de contorno) ao calor absorvido em relação ao processo direto.

Como o processo 2 é o único sem nenhuma troca de trabalho, ele fica com o menor calor absorvido dos três — confirma a alternativa (D).

Q25
Calorimetria — Mudança de Fase (Impacto Balístico)

"Blindagem rápida" ganha força no Brasil, mas pode ter armadilhas. Em vez da manta balística convencional, a blindagem unidirecional usa tecido formado por várias camadas de aramida, também conhecida como Kevlar, dotadas de fios paralelos e sobrepostos de forma perpendicular. "Essa malha dissipa melhor a energia e é mais maleável, dispensando lâminas de aço nas extremidades." O nível de proteção é o 3A, o máximo permitido por lei para uso civil, que deve suportar disparos de submetralhadoras 9 mm e pistolas Magnum de calibre 44, cuja velocidade de disparo é de aproximadamente $400\text{ m/s}$.

Fontes: carros.uol.com.br e hornady.com. Texto adaptado; acesso em 13 jul. 2017.

No desenvolvimento de um sistema de blindagem, é necessário que um projétil de chumbo de uma Magnum 44 a $27^\circ\text{C}$ derreta e pare completamente após atingir a blindagem do veículo. Então, a fração máxima do calor que deve ser absorvido pela blindagem no impacto é, aproximadamente, igual a

A)$0{,}50$
B)$0{,}44$
C)$0{,}21$
D)$0{,}10$
E)$0{,}08$

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C
Resolução

A energia cinética do projétil, por unidade de massa, é convertida no impacto: $\dfrac{E_c}{m}=\dfrac{v^2}{2}=\dfrac{400^2}{2}=80.000\text{ J/kg}=80\text{ J/g}$.

Para o chumbo derreter completamente, uma parte dessa energia precisa aquecê-lo de $27^\circ\text{C}$ até o ponto de fusão ($327^\circ\text{C}$) e depois fundi-lo: $\dfrac{Q}{m}=c_C\Delta T+L_{FC}=0{,}03\times(327-27)+6{,}0=0{,}03\times300+6{,}0=9{,}0+6{,}0=15{,}0\text{ cal/g}$.

Convertendo para joules: $15{,}0\times4{,}2=63{,}0\text{ J/g}$ — essa é a energia que deve permanecer no projétil.

A energia restante, que deve ser absorvida pela blindagem, é $80-63=17\text{ J/g}$. A fração correspondente: $\dfrac{17}{80}\approx0{,}21$ — confirma a alternativa (C).

Q26
Termodinâmica — Ciclo de uma Máquina Térmica (Eficiência)

A figura ilustra os diversos processos termodinâmicos a que um gás é submetido em uma máquina térmica. Os processos AB e DE são isocóricos, EA e CD são adiabáticos, e o processo BC é isobárico. Sabendo que a substância de trabalho dessa máquina é um gás ideal, determine a sua eficiência.

Ciclo ABCDE no diagrama p-V: AB isocórico recebendo 20 J, BC isobárico recebendo 4 J, CD adiabático, DE isocórico liberando 12 J, EA adiabático fechando o ciclo
A)$10\%$
B)$25\%$
C)$35\%$
D)$50\%$
E)$75\%$

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D
Resolução

A eficiência de uma máquina térmica é $\eta=\dfrac{W_{\text{líquido}}}{Q_{\text{absorvido}}}$. Pela figura, o gás absorve calor nos trechos AB (isocórico, $20\text{ J}$) e BC (isobárico, $4\text{ J}$); os trechos CD e EA são adiabáticos ($Q=0$); e o gás libera calor no trecho DE (isocórico, $12\text{ J}$).

Calor total absorvido: $Q_{\text{absorvido}}=20+4=24\text{ J}$. Como o ciclo é fechado, $\Delta U_{\text{ciclo}}=0$, logo o trabalho líquido é $W_{\text{líquido}}=Q_{\text{absorvido}}-Q_{\text{liberado}}=24-12=12\text{ J}$.

Eficiência: $\eta=\dfrac{12}{24}=0{,}5=50\%$ — confirma a alternativa (D).

Q27
Óptica — Lente Não Linear (Efeito Kerr Óptico)

Uma lente de raios de curvatura $R_1=1{,}0\text{ m}$ e $R_2=2{,}0\text{ m}$ é empregada para focalizar um feixe de laser. Considere que o índice de refração da lente varia com a intensidade da seguinte forma:

$n=n_0+n_2L$

onde $n_0$ é o índice de refração linear, $n_2$ é o índice de refração não linear e $L$ é a intensidade do laser. Supondo que $n_0=1{,}5$, $n_2=2{,}5\times10^{-20}\text{ m}^2/\text{W}$ e que o índice de refração do ar é igual a $1{,}0$, assinale a alternativa CORRETA.

A orientação exata da lente (bicôncava, biconvexa ou menisco) não está descrita no texto e é necessária para fixar a convenção de sinal dos raios de curvatura na equação dos fabricantes de lentes.
A)A vergência dessa lente aumenta com o raio de curvatura.
B)Se a intensidade do laser é igual a $2{,}0\times10^{18}\text{ W/m}^2$, a vergência da lente aumenta em $10\%$.
C)Em baixas intensidades do laser, a vergência da lente é igual a $0{,}825\text{ m}^{-1}$.
D)Aumentando a intensidade do laser, a distância focal aumenta também.
E)Se a lente for imersa em um líquido com índice de refração igual a $1{,}6$, o feixe de luz será focalizado a uma distância de $1{,}3\text{ m}$ da lente.

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B
Resolução

A equação dos fabricantes de lentes, $\dfrac{1}{f}=(n-1)\left(\dfrac{1}{R_1}-\dfrac{1}{R_2}\right)$, mostra que a vergência ($1/f$) é proporcional a $(n-1)$. Como $n=n_0+n_2L$ cresce com a intensidade $L$ do laser (efeito Kerr óptico, típico de meios não lineares), a vergência também cresce com $L$ — o que já indica que a alternativa (B), que trata do aumento percentual da vergência com a intensidade, segue a direção física correta.

O cálculo exato do percentual de variação (e a verificação numérica de $10\%$) depende de conhecer a razão $\left(\dfrac{1}{R_1}-\dfrac{1}{R_2}\right)$ com o sinal correto de $R_1$ e $R_2$, que por sua vez depende da orientação da lente (convexa ou côncava em cada face), informação apresentada apenas na figura original, indisponível nesta versão do acervo.

Q28
Termologia — Dilatação Linear (Relé Térmico)

O relé térmico é um dispositivo responsável por proteger os motores elétricos de possíveis anomalias. A mais comum é o sobreaquecimento do motor elétrico.

Fonte: mundodaeletrica.com.br/o-que-e-um-rele-termico. Acesso em 11 jul. 2017.

Uma proposta de relé térmico consiste em duas barras de latão, uma vertical e outra horizontal, acopladas conforme ilustra a figura a seguir. A montagem está inicialmente à temperatura de $25^\circ\text{C}$; a barra horizontal toca o contato A, e o sistema é articulado nos pontos E, F e G. A separação entre os contatos elétricos A e B é de $0{,}25\text{ mm}$. Determine a temperatura da barra vertical para que a barra horizontal encoste no contato B.

Barra horizontal articulada em G (fixo na parede) passando por F, com o contato A a 90 mm de F e G a 10 mm de F; barra vertical de 20 mm ligando F ao ponto fixo E no teto; separação de 0,25 mm entre os contatos A e B
A)$37{,}5^\circ\text{C}$
B)$62{,}5^\circ\text{C}$
C)$87{,}5^\circ\text{C}$
D)$125{,}0^\circ\text{C}$
E)$175{,}0^\circ\text{C}$

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C
Resolução

A barra vertical (comprimento $20\text{ mm}$) está fixa no teto em $E$; ao se dilatar, seu extremo inferior $F$ desce por $\Delta L=20\times\alpha_{\text{latão}}\times\Delta T$ (usando $\alpha_{\text{latão}}\approx2\times10^{-5}\,{}^\circ\text{C}^{-1}$).

A barra horizontal gira como uma alavanca em torno do ponto fixo $G$. Como $F$ está a $10\text{ mm}$ de $G$ e o contato $A$ está a $90\text{ mm}$ de $F$ (logo $100\text{ mm}$ de $G$), o deslocamento de $A$ é ampliado pela razão de alavanca $\dfrac{GA}{GF}=\dfrac{100}{10}=10$: $\delta_A=10\times\Delta L$.

Para fechar o contato $B$, é preciso $\delta_A=0{,}25\text{ mm}$: $10\times\Delta L=0{,}25\Rightarrow\Delta L=0{,}025\text{ mm}$.

Isolando $\Delta T$: $\Delta T=\dfrac{\Delta L}{20\times\alpha_{\text{latão}}}=\dfrac{0{,}025}{20\times2\times10^{-5}}=\dfrac{0{,}025}{4\times10^{-4}}=62{,}5\,{}^\circ\text{C}$.

Partindo de $25^\circ\text{C}$: $T=25+62{,}5=87{,}5^\circ\text{C}$ — confirma a alternativa (C).

Q29
Óptica — Espelho Côncavo (Aberração Esférica)

O concentrador solar refletivo, mostrado na figura, é formado por uma calha cilíndrica de comprimento $L$, com seção transversal em forma de semicírculo de raio $R$, centrado em O. Considere que o Sol está a pino em relação ao concentrador. Acerca dos raios refletidos pelo sistema, assinale a alternativa CORRETA.

Calha cilíndrica de seção semicircular de raio R e comprimento L, centrada em O, com raios solares incidindo verticalmente de cima
A)Atravessam um plano entre o foco e o vértice do espelho.
B)Focalizam em um único ponto do espaço.
C)Passam por um plano entre a linha O e o foco.
D)Os raios refletidos perto das bordas do espelho passam pelo foco.
E)O coletor focaliza os raios solares ao longo da linha O.

Gabarito oficial UPE/SSA2 2018

A
Resolução

Um espelho côncavo esférico (ou, neste caso, cilíndrico de seção circular) só concentra perfeitamente em um único ponto (o foco, a $R/2$ do vértice) os raios paraxiais — aqueles próximos ao eixo principal. Raios que incidem mais afastados do eixo, perto das bordas do espelho, sofrem aberração esférica: eles convergem para pontos cada vez mais próximos do espelho (do vértice), e não exatamente sobre o foco.

Isso já elimina as alternativas (B) — que afirma foco perfeito em um único ponto — e (D) — que afirma o oposto do que ocorre (os raios das bordas são justamente os que MAIS se desviam do foco). A alternativa (E), que propõe focalização ao longo de toda a linha O (o centro de curvatura), também não corresponde à distribuição real dos pontos de cruzamento.

O efeito da aberração esférica é justamente espalhar os pontos de cruzamento dos raios refletidos ao longo de uma região entre o vértice do espelho e o foco teórico — descrevendo corretamente a alternativa (A).

Q30
Óptica — Reflexão em Espelho Plano Inclinado (Usina Heliotérmica)

Uma usina heliotérmica é muito parecida com uma usina termoelétrica. A diferença é que, em vez de usar carvão ou gás como combustível, utiliza o calor do Sol para gerar eletricidade. O processo heliotérmico tem início com a reflexão dos raios solares diretos, utilizando um sistema de espelhos, chamados de coletores ou helióstatos.

Fonte: energiaheliotermica.gov.br. Acesso em 11 jul. 2017.

Suponha que as dimensões do espelho sejam muito menores que as dimensões da torre e que o ângulo entre a superfície do espelho e a horizontal seja de $30^\circ$. Determine em qual horário a radiação solar que atinge o espelho será refletida para a extremidade superior da torre.

Torre central de 20 m de altura a 20 m de distância horizontal do espelho inclinado; Sol nasce à direita, está a pino às 12h e se põe à esquerda
A)10 h
B)11 h
C)12 h
D)13 h
E)14 h

Gabarito oficial UPE/SSA2 2018

D
Resolução

Como a torre tem $20\text{ m}$ de altura e está a $20\text{ m}$ de distância horizontal do espelho, o topo da torre é visto do espelho sob uma elevação de $\operatorname{arctan}(20/20)=45^\circ$, do lado oeste (lado do pôr do sol, à esquerda na figura).

Usando o truque da imagem especular: o raio refletido chega ao topo da torre se, e somente se, o raio incidente (vindo do Sol) estiver alinhado com o ponto do espelho e a imagem do topo da torre refletida pelo espelho — como se a luz atravessasse o espelho em linha reta até essa imagem.

Adotando um sistema de referência angular em que $90^\circ$ é o zênite (Sol a pino, meio-dia), $0^\circ$ é a horizontal do lado do nascer do sol (direita) e $180^\circ$ é a horizontal do lado do pôr do sol (esquerda, lado da torre): o topo da torre está na direção $180^\circ-45^\circ=135^\circ$. Refletindo essa direção em torno da reta do espelho (inclinada a $30^\circ$ nesse mesmo sistema): direção da imagem $=2\times30^\circ-135^\circ=-75^\circ\equiv285^\circ$.

A direção do Sol deve ser oposta à da imagem (mesma reta, lados opostos do espelho): direção do Sol $=285^\circ-180^\circ=105^\circ$. Como $105^\circ$ está entre $90^\circ$ (meio-dia) e $180^\circ$ (pôr do sol), o horário é vespertino (depois do meio-dia).

Usando a taxa de $15^\circ$ por hora (rotação da Terra, $360^\circ/24\text{h}$): $105^\circ=90^\circ+15^\circ\times(t-12)\Rightarrow t-12=1\Rightarrow t=13\text{ h}$ — confirma a alternativa (D).

Q31
Termodinâmica — Gases Ideais (Leitura de Gráfico)

Um computador monitora um experimento de expansão isobárica de $25\text{ g}$ de um gás ideal. Seu software, não configurado corretamente, reproduz, na tela do computador, o gráfico a seguir. Utilizando conhecimentos básicos acerca do comportamento de gases ideais, é CORRETO afirmar que

Gráfico y em função de x: reta crescente que cruza o eixo x à direita da origem, com a porção abaixo do eixo x tracejada, indicando que não passa pela origem
A)o eixo x representa a temperatura em Fahrenheit, e o eixo y, o volume.
B)o eixo y representa a temperatura em Kelvin, e o eixo x, o volume.
C)o eixo x representa a pressão em pascal, e o eixo y, o volume.
D)o eixo y representa a pressão, e o eixo x, a temperatura em Kelvin.
E)o eixo y representa a temperatura em Fahrenheit, e o eixo x, o volume.

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E
Resolução

Em um processo isobárico (pressão constante), a Lei de Gay-Lussac/Charles garante que $V\propto T$ quando $T$ está em Kelvin — ou seja, o gráfico $V$ versus $T_{(K)}$ é uma reta que passa exatamente pela origem $(0,0)$.

A "pegadinha" da questão está no fato de o software estar mal configurado: se o eixo de temperatura estiver, na verdade, em Fahrenheit (uma escala que não começa do zero absoluto), o gráfico de $V$ contra $T_{(°F)}$ ainda é uma reta, mas não passa pela origem — ela é deslocada, refletindo a diferença de zero entre as escalas Kelvin e Fahrenheit. Esse comportamento "anômalo" na tela é exatamente o que o enunciado descreve como um software mal configurado.

A alternativa (E) é a única que atribui a variável de temperatura (em uma escala que não tem zero absoluto, causando o deslocamento observado) ao eixo, de forma consistente com essa pegada.

Q32
Óptica — Refração em Meio de Índice Negativo

Em 1968, o físico russo Victor Veselago chamou a atenção para o fato de que nenhum princípio fundamental proíbe a existência de materiais com índice de refração negativo. O fenômeno mais interessante previsto por Veselago aconteceria na interface entre um meio com índice de refração negativo e outro com índice positivo. Um raio de luz que incidisse sobre a fronteira entre os dois meios seria refratado para o lado "errado" da linha normal. Usando a lei de Snell, ao invés de cruzar essa linha, como ocorre quando ambos os meios têm índices de refração positivos, o raio permaneceria sempre do mesmo lado da normal.

Fonte: if.ufrj.br. Acesso e adaptação em 11 jul. 2017.

Considere uma radiação monocromática que se propaga de um meio com índice de refração positivo, $n_1=1{,}0$, para um meio com índice de refração negativo, $n_2=-3^{-1/2}$, de espessura igual a $h=1{,}0\text{ mm}$. Se o raio incidente forma um ângulo $\theta=30^\circ$, segundo ilustra a figura, determine a coordenada $x$ do ponto de onde o feixe emerge do meio 2.

Raio incidente vindo da parte superior direita, formando ângulo θ com a normal (eixo y) na interface em y=0; meio 1 (n1) acima, meio 2 (n2) abaixo, com espessura h; eixo x horizontal na interface
A)$-1{,}7$
B)$-0{,}5$
C)$0{,}0$
D)$0{,}5$
E)$1{,}7$

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E
Resolução

Pela Lei de Snell, usando o módulo dos índices: $n_1\operatorname{sen}\theta_1=|n_2|\operatorname{sen}\theta_2 \Rightarrow \operatorname{sen}\theta_2=\dfrac{n_1}{|n_2|}\operatorname{sen}\theta_1=\sqrt{3}\times\operatorname{sen}30^\circ=\sqrt{3}\times0{,}5=\dfrac{\sqrt{3}}{2}$.

Isso corresponde a $\theta_2=60^\circ$ (ângulo notável, já que $\operatorname{sen}60^\circ=\sqrt{3}/2$).

Em um meio de índice de refração negativo, o raio refratado permanece do MESMO lado da normal em que está o raio incidente — ao contrário do que ocorre na refração comum, em que o raio cruza para o lado oposto. Isso inverte o sentido do deslocamento horizontal do feixe ao atravessar a espessura $h$ do meio 2.

O módulo do deslocamento horizontal é $|x|=h\tan\theta_2=1{,}0\times\tan60^\circ=1{,}0\times\sqrt{3}\approx1{,}0\times1{,}7=1{,}7\text{ mm}$.

Como a figura mostra o raio incidente vindo do lado direito da normal (eixo $y$), a refração negativa faz o raio permanecer nesse mesmo lado direito ao entrar no meio 2 — ou seja, o ponto de emergência tem coordenada $x$ positiva: $x=+1{,}7\text{ mm}$ — confirma a alternativa (E).

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