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UPE — SSA2 2020

Sistema Seriado de Avaliação · 2ª fase · 1º dia

Questões de Física · Gabarito oficial definitivo.

Q23
Óptica — Reflexão em Espelhos Planos Paralelos

Dois espelhos planos e paralelos, $E_1$ e $E_2$, estão dispostos conforme ilustra a figura ao lado. Um raio de luz atinge o espelho $E_1$ no ponto A, em sua extremidade superior. Calcule a tangente do ângulo $\theta$ para que o feixe passe pelo ponto B, na extremidade inferior do espelho $E_1$, refletindo apenas uma vez no espelho $E_2$.

Dois espelhos planos paralelos E1 e E2, com o raio incidindo em A no topo de E1, refletindo em E2, e retornando a B na base de E1; distância entre os espelhos 100 cm, distância AB 50 cm
A)$1/8$
B)$1/4$
C)$1/2$
D)$1$
E)$2$

Gabarito oficial UPE/SSA2 2020

B
Resolução

Em espelhos planos paralelos separados por uma distância $d=100\text{ cm}$, um raio que sai do ponto A, reflete uma única vez no espelho oposto $E_2$ e retorna ao ponto B (separado verticalmente de A por uma altura $h=50\text{ cm}$ ao longo de $E_1$), percorre um caminho em "V": desce até $E_2$ percorrendo horizontalmente $d\tan\theta$, reflete, e sobe percorrendo mais $d\tan\theta$ até B — o deslocamento vertical total é $h$, e a relação geométrica é $\tan\theta=\dfrac{h}{2d}$.

Substituindo os valores: $\tan\theta=\dfrac{50}{2\times100}=\dfrac{50}{200}=\dfrac{1}{4}$ — confirma exatamente a alternativa oficial (B).

Q24
Óptica Geométrica — Semelhança de Triângulos (Sombras)

Um estudante de Física resolve testar seus conhecimentos de óptica geométrica, a fim de descobrir a altura de uma antena de telefonia delgada instalada na lateral de um prédio. Esse estudante observa no chão sombras tanto do prédio como da antena e dele próprio, considerando a projeção e o comprimento da sombra dos raios de luz do sol. Com uma trena, ele verifica que o edifício tem uma sombra prolongada em uma calçada horizontal com comprimento de $14\text{ m}$. O comprimento da sombra da antena, de largura fina, acima da sombra do edifício, é $1{,}5\text{ m}$ a partir da sombra do prédio. A altura do estudante é de $1{,}8\text{ m}$, e o comprimento de sua sombra na mesma calçada mede $1{,}4\text{ m}$. Assinale a alternativa que indica a altura aproximada da antena no ápice do edifício.

Prédio com antena no topo projetando sombras no chão: sombra do prédio de 14,0 m, mais 1,5 m de sombra da antena, e estudante de 1,8 m com sombra de 1,4 m
A)$1{,}1\text{ m}$
B)$1{,}9\text{ m}$
C)$3{,}0\text{ m}$
D)$3{,}5\text{ m}$
E)$10{,}0\text{ m}$

Gabarito oficial UPE/SSA2 2020

B
Resolução

Sob o mesmo sol, a razão altura/sombra é a mesma para qualquer objeto vertical. Usando o estudante como referência: $\dfrac{\text{altura}}{\text{sombra}}=\dfrac{1{,}8}{1{,}4}=\dfrac{9}{7}$.

A altura do prédio (sozinho) é $H_{\text{préd}}=\dfrac{9}{7}\times14=18\text{ m}$.

Como a antena está no topo do prédio, sua sombra "continua" a do prédio: o comprimento total de sombra (prédio + antena) é $14+1{,}5=15{,}5\text{ m}$, correspondente à altura total (prédio + antena): $H_{\text{total}}=\dfrac{9}{7}\times15{,}5\approx19{,}93\text{ m}$.

A altura da antena é a diferença: $H_{\text{antena}}=19{,}93-18{,}0\approx1{,}9\text{ m}$ — confirma a alternativa (B).

Q25
Óptica — Ângulo Limite (Reflexão Total)

Um sistema óptico foi montado no ar utilizando dois vidros diferentes, 1 e 2, de índices de refração $n_1=2$ e $n_2=3/2$, consistindo de duas partes semicirculares e concêntricas de centro O, conforme ilustra a figura a seguir. A reta normal à superfície AB é representada por N na figura, e $\theta$ é o ângulo entre o raio de luz que incide em O e a normal N. Determine o valor de $\theta$ para que o raio refrate completamente ao longo da face AB.

Dois meios semicirculares concêntricos de centro O: meio 1 (interno, junto à base AB) e meio 2 (externo), com raio de luz incidindo em O formando ângulo θ com a normal N
A)$\pi/6$
B)$\pi/3$
C)$\pi$
D)$2\pi/3$
E)$2\pi/5$

Gabarito oficial UPE/SSA2 2020

A
Resolução

Pela figura, o raio de luz viaja radialmente a partir da curva externa até o centro O — como todo raio radial incide perpendicularmente às superfícies curvas (concêntricas em O), ele atravessa ambos os meios semicirculares sem sofrer refração alguma, chegando ao ponto O ainda com o mesmo ângulo $\theta$ em relação à normal N.

A única superfície onde a refração de fato ocorre é a face plana AB em O, que separa o meio 1 (semicírculo interno, índice $n_1=2$) do ar externo abaixo da base (índice $n=1$). "Refratar completamente ao longo da face AB" descreve exatamente o ângulo limite (ângulo crítico): a situação em que o raio refratado emerge rasante à superfície, com ângulo de refração de $90°$.

Pela Lei de Snell no limiar: $n_1\,\text{sen}\,\theta_L=n_{\text{ar}}\,\text{sen}\,90°=1$, logo $\text{sen}\,\theta_L=\dfrac{1}{n_1}=\dfrac{1}{2}$.

Portanto $\theta_L=\pi/6$ ($30°$) — confirma a alternativa (A). O índice $n_2=3/2$ do meio externo não influencia esse cálculo, pois o raio nunca refrata ao atravessá-lo (incidência radial, sempre perpendicular às curvas concêntricas).

Q26
Óptica — Lentes Delgadas (Equação de Gauss)

Em um experimento de óptica com lentes delgadas, um objeto luminoso está posicionado a uma distância $D=40\text{ cm}$ de uma tela de projeção, conforme ilustra a figura. Uma lente delgada convergente de foco $f=7{,}5\text{ cm}$ pode ser colocada em diferentes posições no eixo $x$. Em que posição (posições) a lente deve ser instalada no eixo $x$ para que seja possível formar uma imagem na tela de projeção?

Objeto luminoso em x=0 e tela de projeção em x=D, com a lente convergente podendo se deslocar sobre o eixo x entre os dois
A)$x=20\text{ cm}$, apenas
B)$x=30\text{ cm}$, apenas
C)$x=10\text{ cm}$ e $x=20\text{ cm}$
D)$x=20\text{ cm}$ e $x=30\text{ cm}$
E)$x=10\text{ cm}$ e $x=30\text{ cm}$

Gabarito oficial UPE/SSA2 2020

E
Resolução

Com o objeto e a tela fixos, separados pela distância $D=40\text{ cm}$, e a lente a uma distância $p$ do objeto, a distância da lente à tela é $p'=D-p$. Pela equação de Gauss, $\dfrac{1}{f}=\dfrac{1}{p}+\dfrac{1}{p'}=\dfrac{1}{p}+\dfrac{1}{D-p}$.

Multiplicando e rearranjando: $p(D-p)=fD\Rightarrow p^2-Dp+fD=0$.

Substituindo $D=40\text{ cm}$ e $f=7{,}5\text{ cm}$: $p^2-40p+300=0$.

Resolvendo: $p=\dfrac{40\pm\sqrt{1600-1200}}{2}=\dfrac{40\pm20}{2}$, ou seja, $p=10\text{ cm}$ ou $p=30\text{ cm}$ — confirma a alternativa (E): existem duas posições possíveis, simétricas em torno do ponto médio entre objeto e tela (o chamado método de Bessel).

Q27
Termometria — Conversão entre Escalas

Um termômetro de baixa precisão marca $+1°$ como a temperatura de congelamento da água e $+99°$ como sua temperatura de ebulição. Ao utilizar esse termômetro para medir a temperatura de uma dada substância, encontra-se uma leitura de $+25°$. Qual a verdadeira temperatura aproximada da substância em graus Celsius?

A)$23{,}5$
B)$24{,}0$
C)$24{,}5$
D)$25{,}0$
E)$25{,}5$

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C
Resolução

A escala do termômetro (X) vai de $1°$ (gelo) a $99°$ (vapor), enquanto a escala Celsius vai de $0°$ a $100°$ nos mesmos pontos fixos. A relação de conversão linear entre as duas escalas, usando pontos correspondentes, é: $\dfrac{T_C-0}{100-0}=\dfrac{X-1}{99-1}$.

Substituindo $X=25$: $T_C=100\times\dfrac{25-1}{98}=100\times\dfrac{24}{98}=\dfrac{2400}{98}\approx24{,}49°\text{C}$.

Arredondando, $T_C\approx24{,}5°\text{C}$ — confirma a alternativa (C).

Q28
Dilatação Térmica — Dilatação Linear e Volumétrica

Uma pequena quantidade de um líquido desconhecido é colocada no interior de um tubo de vidro de altura $H=21\text{ cm}$. O coeficiente de dilatação volumétrica do vidro é igual a $\gamma_{\text{vidro}}=6\times10^{-5}\ {}^\circ\text{C}^{-1}$. Sabe-se que o líquido expande $18\times10^{-5}$ litros quando submetido a um acréscimo de temperatura de $1\ {}^\circ\text{C}$ a partir de um volume inicial de $1$ litro. No experimento, observa-se que é possível colocar o líquido dentro do tubo de vidro até uma altura $h$ na qual o volume da parte vazia do tubo não varia, independentemente da temperatura do sistema. Para isso, $h$ deve ser igual a

Tubo de vidro de altura H com líquido preenchido até a altura h, deixando um espaço vazio acima
A)$1\text{ cm}$.
B)$3\text{ cm}$.
C)$5\text{ cm}$.
D)$7\text{ cm}$.
E)$9\text{ cm}$.

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D
Resolução

O coeficiente de expansão do líquido, definido do mesmo modo que $\gamma$, é $\gamma_{\text{líq}}=\dfrac{\Delta V/V_0}{\Delta T}=\dfrac{18\times10^{-5}}{1}=18\times10^{-5}\ {}^\circ\text{C}^{-1}$.

Para que o volume vazio do tubo (acima do líquido) não varie com a temperatura, o volume ocupado pelo líquido precisa crescer exatamente na mesma proporção que cresceria o volume total do tubo até aquela altura — ou seja, a variação do volume do líquido deve igualar a variação do volume "de vidro" correspondente a todo o tubo de altura $H$: $A\cdot h\cdot\gamma_{\text{líq}}=A\cdot H\cdot\gamma_{\text{vidro}}$ (a área $A$ se cancela).

Logo, $h=H\cdot\dfrac{\gamma_{\text{vidro}}}{\gamma_{\text{líq}}}=21\times\dfrac{6\times10^{-5}}{18\times10^{-5}}=21\times\dfrac{1}{3}=7\text{ cm}$ — confirma a alternativa (D).

Q29
Calorimetria — Capacidade Térmica

Um ferreiro usa um esmeril, equipamento produzido com um material especialmente duro, que rotaciona sobre o próprio eixo preso a um motor elétrico, em alta velocidade, para afiar ferramentas metálicas de uma oficina. Durante a execução do seu ofício, fagulhas incandescentes o atingem, mas não o queimam. Entendem-se fagulhas como volumes de pouca massa, incandescentes e com alta temperatura. Sobre as fagulhas arremessadas pelo esmeril, analise as sentenças a seguir:

I. Têm pequena capacidade térmica.
II. Apresentam alta variação de temperatura.
III. São fragmentos de metal que não transferem energia térmica.

No que diz respeito ao motivo de as fagulhas não queimarem o ferreiro, está CORRETO o que se afirma, apenas, em

A)I.
B)II.
C)III.
D)I e II.
E)I e III.

Gabarito oficial UPE/SSA2 2020

A
Resolução

A capacidade térmica $C=mc$ depende diretamente da massa. As fagulhas têm massa extremamente pequena, logo sua capacidade térmica também é muito pequena — mesmo estando a alta temperatura, a quantidade total de calor que conseguem ceder ($Q=C\Delta T$) é ínfima. Isso torna a sentença I verdadeira e é o real motivo de não causarem queimaduras.

A sentença II (alta variação de temperatura) descreve apenas o fato de estarem quentes, mas não explica por que não queimam — uma fagulha de grande massa e mesma temperatura elevada causaria queimadura. Logo, II não é o motivo correto.

A sentença III é fisicamente falsa: as fagulhas efetivamente transferem energia térmica ao tocar a pele — só que em quantidade desprezível, exatamente por causa da pequena capacidade térmica (I).

Confirma-se a alternativa (A): apenas a sentença I é correta.

Q30
Termologia — Processos de Propagação de Calor

Usinas solares são estações de geração de energia elétrica que captam a energia proveniente das ondas eletromagnéticas emitidas pelo Sol. O Sol produz uma grande quantidade de energia em forma de luz e calor. Uma pequena parte dessa energia pode ser utilizada para produzir energia elétrica de forma limpa e sustentável.

(Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/como-funcionam-as-usinas-solares.htm. Acesso em: out. 2019. Adaptado.)

Podemos afirmar que a energia proveniente das ondas eletromagnéticas emitidas pelo Sol é transferida para os painéis fotovoltaicos das usinas por meio do seguinte processo de propagação de calor:

A)condução.
B)convecção.
C)radiação.
D)advecção.
E)difusão.

Gabarito oficial UPE/SSA2 2020

C
Resolução

Condução e convecção exigem um meio material para transportar energia térmica; entre o Sol e a Terra há vácuo (ausência de matéria), o que torna essas duas formas impossíveis nesse trajeto.

A energia solar chega à Terra na forma de ondas eletromagnéticas, que se propagam mesmo no vácuo — esse processo de transferência de calor é chamado de radiação. Confirma-se a alternativa (C).

Q31
Termodinâmica — Gás Ideal Monoatômico

O gráfico a seguir ilustra um conjunto de processos termodinâmicos para $n$ moles de um gás ideal monoatômico. Os processos A-B e C-D são isobáricos. Se a energia cinética do gás no ponto E é igual a $30\text{ J}$, então a pressão nesse ponto, em $\text{N/m}^2$, é igual a

Diagrama P por V com pontos A(4,16), B(8,16), C(8,50), D(30,50) e E(40, próximo de 16), unidos por segmentos isobáricos e isocóricos
A)$0{,}25$
B)$0{,}50$
C)$0{,}75$
D)$1{,}00$
E)$2{,}00$

Gabarito oficial UPE/SSA2 2020

B
Resolução

Para um gás ideal monoatômico, a energia cinética média total (energia interna) se relaciona com pressão e volume por $E_c=\dfrac{3}{2}nRT=\dfrac{3}{2}PV$, já que $PV=nRT$.

Logo, $PV=\dfrac{2}{3}E_c=\dfrac{2}{3}\times30=20\text{ J}$.

Pelo diagrama, o volume no ponto E é $V_E=40\text{ m}^3$. Logo, $P_E=\dfrac{20}{40}=0{,}50\text{ N/m}^2$ — confirma exatamente a alternativa (B).

Q32
Termodinâmica — Máquina Térmica de Carnot

Uma usina termoelétrica utiliza gás combustível a partir da conversão termoquímica de biomassas residuais. A energia disponível para a utilização é igual a $640\text{ MJ}$ a cada segundo, quando o gás está a $327\ {}^\circ\text{C}$, trocando calor com o meio ambiente, que está a $27\ {}^\circ\text{C}$. Qual potência máxima pode se obter por meio da utilização desse gás para o funcionamento da usina?

A)$320\text{ MW}$
B)$460\text{ MW}$
C)$500\text{ MW}$
D)$640\text{ MW}$
E)$960\text{ MW}$

Gabarito oficial UPE/SSA2 2020

A
Resolução

A potência máxima possível é limitada pelo rendimento de Carnot, o maior rendimento teórico entre duas temperaturas: $\eta_{\max}=1-\dfrac{T_{\text{fria}}}{T_{\text{quente}}}$, com as temperaturas em Kelvin.

$T_{\text{quente}}=327+273=600\text{ K}$; $T_{\text{fria}}=27+273=300\text{ K}$.

$\eta_{\max}=1-\dfrac{300}{600}=1-0{,}5=0{,}5=50\%$.

$P_{\max}=\eta_{\max}\times P_{\text{disponível}}=0{,}5\times640=320\text{ MW}$ — confirma a alternativa (A).

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