Questões de Física do 2º dia (bloco Ciências da Natureza) · Gabarito oficial definitivo.
Q23
Termodinâmica — Segunda Lei (Demônio de Maxwell)
A segunda lei da termodinâmica estabelece o sentido em que os fenômenos físicos e químicos podem ocorrer, inclusive os processos de transferências de calor. A proposição de experimentos mentais pode ser realizada para verificar a manutenção da validade da segunda lei da termodinâmica através de mecanismos como o proposto por James Clerk Maxwell na descrição de experimento a seguir.
Concebemos um mecanismo hipotético sensível que consegue acompanhar, dentro de um recipiente com ar, a uma temperatura uniforme, cada molécula, em seu curso, que se move com velocidades que não são uniformes. Suponhamos agora que tal recipiente é separado em duas porções, A e B, por meio de uma divisória na qual há um pequeno orifício, e que o mecanismo hipotético, que pode identificar as moléculas individuais, abre e fecha esse orifício, de forma a permitir que somente as moléculas mais rápidas passem de A para B, e somente as mais lentas passem de B para A.
Considerando a manutenção da validade da segunda lei da termodinâmica, assinale a alternativa CORRETA.
A)Deve ser possível remover calor continuamente de um gás mais frio e entregar para um gás mais quente e, portanto, diminuir a entropia sem modificação das vizinhanças.
B)A medição das velocidades das moléculas pelo mecanismo de seleção deve causar um aumento na entropia, que deverá ser maior do que a redução da entropia sofrida pelo gás.
C)A seleção de velocidades das moléculas ocorre sem consumo de energia e sem variação da entropia do conjunto.
D)A eficiência máxima de um refrigerador é alcançada quando a substância com a qual ela funciona se aproxima da descrição de um gás ideal.
E)É impossível remover calor de uma fonte por meio de operações entre duas fontes de calor em temperaturas diferentes.
Gabarito oficial UPE/SSA2 2026
B
Resolução
Esse é o célebre paradoxo do "Demônio de Maxwell": ao separar moléculas rápidas e lentas sem realizar trabalho aparente, o demônio pareceria criar uma diferença de temperatura entre A e B "de graça", reduzindo a entropia do gás sem custo — o que violaria a segunda lei da termodinâmica.
A resolução moderna do paradoxo (formalizada por Szilard e, posteriormente, por Landauer) mostra que o próprio ato de medir a velocidade de cada molécula para decidir se ela passa ou não pelo orifício exige um processo físico de aquisição e, eventualmente, apagamento de informação — e esse processo tem um custo entrópico inevitável.
Esse custo (aumento de entropia associado à medição/memória do "demônio") é, no mínimo, igual ou maior do que a redução de entropia obtida na separação das moléculas, preservando a segunda lei da termodinâmica quando se considera o sistema como um todo (gás + mecanismo de seleção) — confirma a alternativa (B).
Q25
Termodinâmica — Pressão e Ponto de Ebulição (Panela de Pressão com Vácuo)
Uma cozinha industrial foi projetada de tal forma que o profissional pode acoplar uma bomba de vácuo à válvula de escape de uma panela de pressão. Um chefe de cozinha resolveu usar esse sistema para cozinhar uma porção de carne com legumes e sal. A título de comparação, ele também cozinhou uma porção semelhante desses ingredientes, porém usando uma panela convencional.
Considerando o sistema descrito, assinale a alternativa CORRETA.
A)O tempo de cozimento foi igual nos dois casos.
B)A adição de sal diminuiu a temperatura do cozimento.
C)O cozimento com a panela conectada à bomba foi mais lento.
D)O ponto de ebulição da água é maior no sistema com a bomba.
E)A temperatura do cozimento é maior no sistema usando a bomba.
Gabarito oficial UPE/SSA2 2026
C
Resolução
O ponto de ebulição da água diminui quando a pressão sobre o líquido é reduzida. Ao acoplar uma bomba de vácuo à válvula de escape, o profissional está retirando ar/vapor do interior da panela e reduzindo a pressão interna — o oposto do que uma panela de pressão convencional faz (que aumenta a pressão para elevar o ponto de ebulição acima de $100°C$).
Com a pressão reduzida pela bomba, a água ferve a uma temperatura menor que $100°C$ — bem abaixo da temperatura atingida na panela convencional (que, por manter pressão elevada, ferve acima de $100°C$).
Como a velocidade das reações químicas e físicas envolvidas no cozimento (como a desnaturação de proteínas e o amolecimento de fibras) depende fortemente da temperatura, um cozimento a temperatura mais baixa é necessariamente mais lento — confirma a alternativa (C).
Q27
Óptica Geométrica — Poder Dióptrico da Córnea (Ceratocone)
Ceratocone é uma enfermidade não inflamatória que afeta a estrutura da córnea, camada fina e transparente que recobre toda a frente do globo ocular. A principal característica do ceratocone é a redução progressiva na espessura da parte central da córnea, que é empurrada para fora, formando uma saliência com o formato aproximado de um cone. A córnea funciona como uma lente fixa sobre a íris, a área colorida dos olhos, e, através da pupila, projeta a luz sobre a retina. Alterações na transparência e diminuição da curvatura da córnea podem comprometer a visão.
Considerando que o ceratocone não altera significativamente o índice de refração, assinale a alternativa que descreve CORRETAMENTE o efeito óptico principal dessa diminuição do raio de curvatura da córnea.
A)A córnea passa a ter menor poder dióptrico, causando hipermetropia.
B)A córnea passa a ter maior poder dióptrico, contribuindo para miopia.
C)A córnea passa a funcionar como lente divergente, contribuindo para astigmatismo miópico.
D)A vergência permanece praticamente inalterada, mas ocorre apenas deslocamento lateral da imagem.
E)A córnea passa a ter menor poder dióptrico, contribuindo para presbiopia.
Gabarito oficial UPE/SSA2 2026
B
Resolução
O poder dióptrico (vergência) de uma superfície refratora esférica é dado por $P=\dfrac{n_2-n_1}{R}$, onde $R$ é o raio de curvatura. Quanto menor o raio de curvatura (superfície mais "pontiaguda", mais curva), maior é o poder dióptrico — a córnea se torna uma lente mais convergente.
No ceratocone, a redução progressiva do raio de curvatura da região central aumenta o poder de convergência da córnea. Isso faz com que os raios de luz convirjam para um ponto focal antes da retina (foco muito próximo), condição característica da miopia.
Portanto, a córnea passa a ter maior poder dióptrico, contribuindo para miopia — confirma a alternativa (B).
Q28
Termodinâmica — Ciclo Adiabático de Gás Ideal Monoatômico (Rendimento)
Durante o desenvolvimento de tecnologias de propulsão térmica em um laboratório de engenharia aeroespacial, uma equipe testa uma máquina térmica que opera com um gás ideal monoatômico por um ciclo de três etapas, descrito por uma expansão adiabática desde o volume inicial de $1$ litro até o volume máximo de $27$ litros (ponto A ao ponto B), seguida por uma contração à pressão constante que retorna o gás ao volume inicial (ponto B ao ponto C), e, finalmente, um aquecimento a volume constante que restaura o estado termodinâmico original do sistema (ponto C ao ponto A).
Gráfico $P\times V$: ponto A em $(1\text{ L},\ 243\text{ atm})$; ponto B em $(27\text{ L},\ 1\text{ atm})$; ponto C em $(1\text{ L},\ 1\text{ atm})$. A→B é uma curva adiabática; B→C é um segmento horizontal (pressão constante $1\text{ atm}$); C→A é um segmento vertical (volume constante $1\text{ L}$).
Qual é, aproximadamente, o rendimento desenvolvido pela máquina?
Dados: se precisar, use a constante geral dos gases $R=0{,}082\ \dfrac{\text{atm}\cdot\text{L}}{\text{mol}\cdot\text{K}}$.
A)$0{,}6$
B)$0{,}7$
C)$0{,}8$
D)$0{,}9$
E)$1{,}0$
Gabarito oficial UPE/SSA2 2026
C
Resolução
Para um gás monoatômico, $\gamma=\dfrac{5}{3}$. Verificando a consistência da adiabática A→B: $P_AV_A^{\gamma}=243\times1^{5/3}=243$ e $P_BV_B^{\gamma}=1\times27^{5/3}=1\times(27^{1/3})^5=3^5=243$ — os valores coincidem, confirmando que a curva é de fato adiabática.
Trabalho realizado pelo gás em cada etapa (em atm·L, usando $PV=nRT$): em A→B (adiabática), $W_{AB}=\dfrac{P_AV_A-P_BV_B}{\gamma-1}=\dfrac{243-27}{2/3}=216\times\dfrac{3}{2}=324$. Em B→C (isobárica), $W_{BC}=P\Delta V=1\times(1-27)=-26$. Em C→A (isocórica), $W_{CA}=0$. Trabalho líquido: $W_{net}=324-26+0=298\text{ atm}\cdot\text{L}$.
Calor absorvido (usando $nRT=PV$ diretamente): em B→C (isobárica, $C_p=\frac{5}{2}nR$), $Q_{BC}=\dfrac{5}{2}(P_CV_C-P_BV_B)=\dfrac{5}{2}(1-27)=-65$ (calor rejeitado, pois o gás esfria). Em C→A (isocórica, $C_v=\frac{3}{2}nR$), $Q_{CA}=\dfrac{3}{2}(P_AV_A-P_CV_C)=\dfrac{3}{2}(243-1)=363$ (calor absorvido). Em A→B, $Q_{AB}=0$ (adiabática).
O rendimento é a razão entre o trabalho líquido e o calor absorvido (apenas a parcela positiva): $\eta=\dfrac{W_{net}}{Q_{in}}=\dfrac{298}{363}\approx0{,}82$ — confirma a alternativa (C) $0{,}8$.
Q32
Óptica — Lente Gravitacional Solar (Equação dos Pontos Conjugados)
Embora o Sol possa não se parecer com uma lente ou espelho tradicional, ele tem muita massa. E, na teoria da relatividade geral de Einstein, objetos massivos curvam o espaço-tempo ao seu redor. Qualquer luz que incida sobre a superfície do Sol é desviada e, em vez de continuar em linha reta, se dirige a um ponto focal, juntamente com toda a outra luz que incide sobre o Sol ao mesmo tempo.
A "lente gravitacional solar" leva a uma resolução quase inacreditavelmente alta. Um instrumento posicionado no ponto focal correto seria capaz de aproveitar a deformação gravitacional da gravidade solar para nos permitir observar o universo distante com uma resolução impressionante. O ponto focal de toda essa curvatura da luz fica $542\text{ UA}$ (unidades astronômicas, onde UA é a distância entre a Terra e o Sol), que corresponde a três vezes a distância alcançada pela nave espacial mais distante da humanidade, a Voyager I, lançada em 1977.
Fonte: space.com/sun-gigantic-telescope-with-gravitational-lensing. Acesso em: 22 jun. 2025. Traduzido e Adaptado.
Considerando que uma nave se posicione afastada do foco o equivalente a $20\%$ da distância focal, a distância do objeto à lente é aproximadamente de quanto?
A)$542\text{ UA}$
B)$1.084\text{ UA}$
C)$2.168\text{ UA}$
D)$3.252\text{ UA}$
E)$4.336\text{ UA}$
Gabarito oficial UPE/SSA2 2026
D
Resolução
O Sol atua como uma "lente" de distância focal $f=542\text{ UA}$. Se a nave (posição da imagem, isto é, onde o instrumento capta a luz focalizada) se posiciona afastada do foco em $20\%$ da distância focal, sua distância à lente (distância-imagem) é $d_i=f+0{,}20f=1{,}2f=1{,}2\times542=650{,}4\text{ UA}$.
Pela equação de Gauss (pontos conjugados) para lentes: $\dfrac{1}{f}=\dfrac{1}{d_o}+\dfrac{1}{d_i}$, isolando a distância do objeto (o universo distante sendo observado) à lente: $\dfrac{1}{d_o}=\dfrac{1}{f}-\dfrac{1}{d_i}=\dfrac{1}{542}-\dfrac{1}{650{,}4}$.
Calculando: $\dfrac{1}{d_o}=\dfrac{650{,}4-542}{542\times650{,}4}=\dfrac{108{,}4}{352.517}\approx3{,}075\times10^{-4}\text{ UA}^{-1}\Rightarrow d_o\approx3.252\text{ UA}$ — confirma a alternativa (D).
Q36
Termodinâmica — Segunda Lei e Eficiência de Motores (Fórmula 1)
Um motor a combustão interna converte a energia química do combustível em calor, que é então parcialmente transformado em trabalho mecânico. Como a eficiência desses motores é naturalmente limitada pelas leis da termodinâmica, engenheiros e mecânicos da Fórmula 1 buscam constantemente aprimorar o desempenho deles, visando maximizar a conversão de energia em movimento e reduzir ao mínimo as perdas energéticas.
Diante disso, assinale a alternativa CORRETA.
A)De acordo com a 2ª Lei da Termodinâmica, é possível atingir $100\%$ de eficiência térmica nos motores, desde que se utilize um sistema de refrigeração avançado e combustíveis de alta octanagem.
B)De acordo com a 1ª Lei da Termodinâmica, é possível atingir $100\%$ de eficiência térmica nos motores, desde que se utilize um sistema de refrigeração avançado e combustíveis de alta octanagem.
C)De acordo com a 2ª Lei da Termodinâmica, parte da energia liberada na queima do combustível é inevitavelmente dissipada como calor, sendo impossível o desenvolvimento de um motor com $100\%$ de eficiência.
D)De acordo com a 1ª Lei da Termodinâmica, parte da energia liberada na queima do combustível é inevitavelmente dissipada como calor, sendo impossível o desenvolvimento de um motor com $100\%$ de eficiência.
E)A eficiência de um motor a combustão independe das leis da termodinâmica e pode ser aumentada indefinidamente com avanços tecnológicos.
Gabarito oficial UPE/SSA2 2026
C
Resolução
A segunda lei da termodinâmica — e não a primeira — é quem impõe o limite fundamental sobre a eficiência de máquinas térmicas: nenhuma máquina térmica cíclica pode converter 100% do calor absorvido em trabalho, pois é necessário rejeitar uma parte da energia como calor para uma fonte fria (enunciado de Kelvin-Planck da 2ª lei). A 1ª lei apenas trata da conservação de energia, sem impor esse limite.
Isso descarta (A), (B), (D) — que trocam ou aplicam incorretamente as leis — e (E), que ignora completamente as restrições termodinâmicas. A alternativa (C) descreve corretamente que, pela 2ª lei, parte da energia é inevitavelmente dissipada como calor, tornando impossível uma eficiência de $100\%$ — confirma a alternativa (C).
Q37
Óptica Geométrica — Reflexão em Espelhos Angulados
Em um laboratório de óptica, são dispostas duas superfícies espelhadas que formam um ângulo ajustável $\theta$. É possível ajustar o ângulo $\theta$ de modo que um feixe de luz incidente paralelo a um dos espelhos siga paralelo ao outro espelho após sofrer duas reflexões.
Figura: dois espelhos planos formam um ângulo $\theta$ no vértice. Um raio horizontal incide sobre o espelho vertical (à esquerda), reflete em direção ao espelho horizontal (na base) e, após a segunda reflexão, emerge paralelo ao feixe original.
Em quanto o ângulo $\theta$ deve ser ajustado?
A)$15°$
B)$30°$
C)$45°$
D)$60°$
E)$90°$
Gabarito oficial UPE/SSA2 2026
D
Resolução
Para um sistema de dois espelhos planos que formam um ângulo $\theta$ entre si, é um resultado clássico da óptica geométrica que a deflexão total sofrida por um raio após refletir consecutivamente nos dois espelhos vale $2\theta$, independentemente do ângulo de incidência inicial (desde que o raio atinja ambos os espelhos).
No problema, o raio incide paralelo ao espelho 1. Após as duas reflexões, ele deve emergir paralelo ao espelho 2. Como o próprio espelho 2 já está inclinado de $\theta$ em relação ao espelho 1 (e, portanto, em relação à direção do raio incidente), a direção final do raio — desviada de $2\theta$ em relação à direção inicial — deve coincidir com essa inclinação de $\theta$ do espelho 2 (considerando que "paralelo" admite duas orientações possíveis ao longo da mesma reta, o que equivale a $2\theta$ e $\theta$ diferirem por $180°$): $2\theta=180°-\theta\Rightarrow3\theta=180°\Rightarrow\theta=60°$.
Portanto, o ângulo deve ser ajustado para $60°$ — confirma a alternativa (D).
Q38
Calorimetria — Aquecimento de Água e Caneca de Cobre com Queima de Butano
Roberto e Antônia estavam numa trilha a céu aberto e resolveram preparar um chá usando algumas ervas que encontraram na região. Para isso, eles usaram uma caneca de cobre contendo $500\text{ g}$ de água, que foi aquecida a partir do calor liberado na queima de gás butano pressurizado que eles tinham em frasco guardado na mochila. Inicialmente, a temperatura era de $25°C$, e o equilíbrio térmico foi alcançado a $100°C$. A caneca de cobre contém $200\text{ g}$ desse metal.
Sabendo que o frasco inicialmente continha $85{,}0\text{ g}$ de butano e admitindo que não há perda de calor para a vizinhança, assinale a alternativa que apresenta aproximadamente a quantidade de gás butano restante no frasco.
Dados: Calor específico ($\text{J}\cdot\text{g}^{-1}\cdot{}^\circ\text{C}^{-1}$) — Cobre $=0{,}4$; Água $=4{,}2$. Calor de combustão do butano ($\Delta H$): $-50\text{ kJ}\cdot\text{g}^{-1}$.
A)$45{,}8\text{ g}$
B)$57{,}3\text{ g}$
C)$62{,}5\text{ g}$
D)$75{,}7\text{ g}$
E)$81{,}7\text{ g}$
Gabarito oficial UPE/SSA2 2026
E
Resolução
A variação de temperatura é $\Delta T=100-25=75°C$. O calor necessário para aquecer a água e a caneca de cobre é a soma: $Q=m_{água}c_{água}\Delta T+m_{Cu}c_{Cu}\Delta T$.
$Q_{água}=500\times4{,}2\times75=157.500\text{ J}$ e $Q_{Cu}=200\times0{,}4\times75=6.000\text{ J}$. Total: $Q=157.500+6.000=163.500\text{ J}=163{,}5\text{ kJ}$.
A massa de butano queimada é $m_{butano}=\dfrac{Q}{|\Delta H|}=\dfrac{163{,}5}{50}=3{,}27\text{ g}$.
A massa restante no frasco é $85{,}0-3{,}27\approx81{,}7\text{ g}$ — confirma a alternativa (E).
Q41
Termodinâmica — Ciclo de Carnot e Energia Cinética de um Veículo
Uma máquina térmica que alcança uma temperatura de cerca de $2.700\text{ K}$ em um ambiente externo de $300\text{ K}$ é responsável por promover o movimento de um veículo de $500\text{ kg}$, que sai do repouso e alcança velocidade de $20\text{ m/s}$. Sabe-se que a máquina opera a um rendimento de $1/4$ do correspondente alcançado pela máquina de Carnot que opera entre as temperaturas extremas.
Determine a energia total dispendida pela máquina térmica.
A)$225\text{ kJ}$
B)$300\text{ kJ}$
C)$400\text{ kJ}$
D)$450\text{ kJ}$
E)$600\text{ kJ}$
Gabarito oficial UPE/SSA2 2026
D
Resolução
O rendimento máximo de Carnot entre as temperaturas extremas é $\eta_{Carnot}=1-\dfrac{T_{fria}}{T_{quente}}=1-\dfrac{300}{2.700}=1-\dfrac{1}{9}=\dfrac{8}{9}\approx0{,}889$.
A máquina real opera a $1/4$ desse rendimento: $\eta_{real}=\dfrac{1}{4}\times\dfrac{8}{9}=\dfrac{2}{9}\approx0{,}222$.
O trabalho útil realizado é a energia cinética final adquirida pelo veículo: $W=\dfrac{1}{2}mv^2=\dfrac{1}{2}\times500\times20^2=100.000\text{ J}=100\text{ kJ}$.
Como $\eta=\dfrac{W}{Q_{in}}$, a energia total dispendida (calor fornecido à máquina) é $Q_{in}=\dfrac{W}{\eta}=\dfrac{100}{2/9}=100\times\dfrac{9}{2}=450\text{ kJ}$ — confirma a alternativa (D).
Q42
Óptica — Reflexão Interna Total em Fibra Óptica
Um raio laser é transmitido desde a base da seção transversal circular de uma fibra óptica no ar, com $100\text{ m}$ de extensão, índice de refração interno de $1{,}8$ e com revestimento externo com índice de $1{,}5$, em um experimento realizado no laboratório de engenharia.
Qual é o tempo máximo em que o laser percorrerá a extensão da fibra óptica contando apenas com a ocorrência de reflexões internas totais?
Dado: considere a velocidade da luz $c=3{,}0\times10^8\text{ m/s}$.
A)$0{,}50\ \mu\text{s}$
B)$0{,}60\ \mu\text{s}$
C)$0{,}67\ \mu\text{s}$
D)$0{,}72\ \mu\text{s}$
E)$0{,}80\ \mu\text{s}$
Gabarito oficial UPE/SSA2 2026
D
Resolução
A reflexão interna total só ocorre para ângulos de incidência (medidos a partir da normal à parede da fibra) maiores ou iguais ao ângulo crítico: $\sin\theta_c=\dfrac{n_{revestimento}}{n_{núcleo}}=\dfrac{1{,}5}{1{,}8}=0{,}8333\Rightarrow\theta_c\approx56{,}44°$.
O caminho mais longo (e, portanto, de tempo máximo) dentro da fibra ocorre para o raio que "zigzagueia" no maior ângulo possível em relação ao eixo da fibra, ainda satisfazendo a reflexão total — ou seja, exatamente no ângulo crítico em relação à normal da parede. O ângulo desse raio em relação ao eixo da fibra é $\alpha=90°-\theta_c\approx33{,}56°$.
O comprimento do trajeto percorrido pelo raio (em zigue-zague) para atravessar uma fibra de comprimento axial $L=100\text{ m}$ é $d=\dfrac{L}{\cos\alpha}=\dfrac{L}{\sin\theta_c}=\dfrac{100}{0{,}8333}=120\text{ m}$.
A velocidade da luz dentro do núcleo é $v=\dfrac{c}{n_{núcleo}}=\dfrac{3{,}0\times10^8}{1{,}8}$. O tempo de percurso é $t=\dfrac{d}{v}=\dfrac{d\cdot n_{núcleo}}{c}=\dfrac{120\times1{,}8}{3{,}0\times10^8}=\dfrac{216}{3{,}0\times10^8}=7{,}2\times10^{-7}\text{ s}=0{,}72\ \mu\text{s}$ — confirma a alternativa (D).