Um bloco de massa $M=1{,}0\text{ kg}$ pode deslizar ao longo de uma superfície horizontal, cujos coeficientes de atrito estático e cinético entre o bloco e a superfície são, respectivamente, $0{,}5$ e $0{,}3$, conforme a figura ao lado. O bloco está conectado a uma barra delgada, de comprimento $L$ e densidade linear de massa uniforme igual a $250\text{ g/m}$. Então, para que o bloco de massa $M$ não deslize, o maior comprimento da barra delgada deve ser
A)$1{,}0\text{ m}$
B)$1{,}5\text{ m}$
C)$2{,}0\text{ m}$
D)$3{,}0\text{ m}$
E)$4{,}0\text{ m}$
Gabarito oficial UPE/SSA3 2020
C
Resolução
O bloco $M$ está na iminência de deslizar puxado pelo peso da barra pendurada (via corda e polia na quina da mesa). A força máxima de atrito estático que a superfície pode exercer sobre o bloco é $f_{at,\max}=\mu_s Mg$.
Para que o bloco não deslize, essa força de atrito precisa equilibrar o peso da barra pendurada: $f_{at,\max}=\lambda L g$, onde $\lambda=250\text{ g/m}=0{,}25\text{ kg/m}$ é a densidade linear da barra.
O coeficiente de atrito cinético ($0{,}3$) é um dado supérfluo para esta pergunta, pois o "maior comprimento" pedido é justamente o limite estático, antes de o bloco começar a deslizar — confirma a alternativa (C).
Q22
Oscilações — Frequência Natural com Molas em Paralelo
Um grupo de pesquisadores montou uma estrutura para transportar um sensor eletrônico frágil. A caixa contendo o sensor, com uma massa total de $m=5\text{ kg}$, está instalada em um sistema com três molas idênticas, conforme ilustra a figura ao lado. Sabendo que o equipamento não pode oscilar com uma frequência maior que $f=10\text{ Hz}$, qual deve ser a constante elástica $k$ utilizada nas molas da montagem?
A)$32\text{ kN/m}$
B)$12\text{ kN/m}$
C)$10\text{ kN/m}$
D)$8\text{ kN/m}$
E)$6\text{ kN/m}$
Gabarito oficial UPE/SSA3 2020
E
Resolução
Como as três molas idênticas estão em paralelo, a constante elástica equivalente do sistema é $k_{\text{eq}}=3k$.
A frequência natural de oscilação de um sistema massa-mola é $f=\dfrac{1}{2\pi}\sqrt{\dfrac{k_{\text{eq}}}{m}}$, logo $k_{\text{eq}}=m(2\pi f)^2$.
O enunciado da prova instrui a usar $\pi=3$ nos cálculos. Com $f=10\text{ Hz}$ e $m=5\text{ kg}$: $2\pi f=2\times3\times10=60\text{ rad/s}$, logo $k_{\text{eq}}=5\times60^2=5\times3600=18\,000\text{ N/m}=18\text{ kN/m}$.
Como $k_{\text{eq}}=3k$: $k=\dfrac{18}{3}=6\text{ kN/m}$ — confirma a alternativa (E).
Q23
Ondulatória — Equação Fundamental da Ondulatória
Dois experimentos de ondulatória são realizados. No experimento 1, um fio é tensionado com $10\text{ N}$ quando uma onda de comprimento de onda $\lambda_1$ e frequência $f_1$ se propaga sobre ele. No experimento 2, um outro fio idêntico é tensionado novamente com $10\text{ N}$ e uma onda de comprimento de onda $\lambda_2$ e frequência $f_2$ se propaga nesse fio. Sobre esses experimentos, assinale a alternativa CORRETA.
A)Se $\lambda_2/\lambda_1=2$, então $f_1/f_2=1/2$.
B)Se $\lambda_2/\lambda_1=1/3$, então $f_1/f_2=3$.
C)Se $f_1/f_2=2/3$, então $\lambda_2/\lambda_1=3/2$.
D)Se $f_1=5f_2$, então $\lambda_1=5\lambda_2$.
E)Se $2f_1=f_2$, então $2\lambda_2=\lambda_1$.
Gabarito oficial UPE/SSA3 2020
E
Resolução
A velocidade de propagação de uma onda em uma corda depende apenas da tensão e da densidade linear da corda: $v=\sqrt{T/\mu}$. Como os dois fios são idênticos (mesma $\mu$) e tensionados com a mesma força ($10\text{ N}$), a velocidade de propagação $v$ é a mesma nos dois experimentos.
Pela equação fundamental da ondulatória, $v=f\lambda$, logo $f_1\lambda_1=f_2\lambda_2$ (mesma velocidade $v$ nos dois casos).
Testando a alternativa (E): se $2f_1=f_2$, substituindo em $f_1\lambda_1=f_2\lambda_2$ obtém-se $f_1\lambda_1=2f_1\lambda_2\Rightarrow\lambda_1=2\lambda_2$, ou seja, $2\lambda_2=\lambda_1$ — exatamente a conclusão da alternativa (E).
As demais alternativas invertem a proporcionalidade (lembrando que $f$ e $\lambda$ são inversamente proporcionais quando $v$ é fixo) — confirma-se a alternativa (E).
Q24
Hidrostática — Pressão e Área de Contato
No início de 2019, o Brasil foi vítima de uma grande tragédia, o estouro da barragem de rejeitos na cidade de Brumadinho. Nesse episódio, os bombeiros da equipe de resgate pisavam sobre duas placas quadradas, feitas de madeira e de dimensões $40\text{ cm}\times40\text{ cm}$. Os bombeiros pisavam nessas placas e conseguiam se deslocar com mais facilidade sobre a lama. Isso foi possível pelo fato
A)de as placas serem mais leves que o bombeiro.
B)de a área das placas de madeira ser menor que a área das botas utilizadas pelos bombeiros.
C)do aumento da área de contato das botas dos bombeiros com as placas de madeira.
D)de a distribuição do peso do corpo do bombeiro sobre as placas diminuir a pressão sobre a lama.
E)de a densidade das placas de madeira ser sempre maior que a densidade da lama.
Gabarito oficial UPE/SSA3 2020
D
Resolução
A pressão exercida sobre uma superfície é $P=\dfrac{F}{A}$, onde $F$ é a força (nesse caso, o peso do bombeiro) e $A$ é a área de contato. Para uma mesma força, quanto maior a área, menor a pressão.
As placas de madeira de $40\text{ cm}\times40\text{ cm}$ têm área muito maior que a sola das botas do bombeiro, então, ao pisar sobre elas, o peso do corpo é distribuído sobre uma área maior — reduzindo a pressão exercida sobre a lama e evitando que o bombeiro afunde.
Isso elimina (A) e (E) (peso e densidade não são o mecanismo relevante aqui) e (B) (a área das placas é, na verdade, maior que a da bota, não menor). A alternativa (C) descreve o contrário do que ocorre (a área de contato bota-placa não é o que importa, e sim a área placa-lama). Confirma-se a alternativa (D).
Q25
Trabalho e Energia — Força Elétrica com Resistência do Meio
Uma partícula de carga $+4{,}0\text{ mC}$ e massa $20\text{ g}$ se move horizontalmente em um meio resistivo sob a influência de um campo elétrico, conforme ilustra a figura a seguir. A partícula parte do repouso em $x=0$ e o módulo do campo elétrico, que aponta no sentido do movimento, depende da posição $x$ da carga conforme o gráfico a seguir. Se a velocidade da partícula em $x=12\text{ m}$ é igual a $10\text{ m/s}$, então o trabalho resistivo do meio é
A)$-1{,}4\text{ J}$
B)$-1{,}0\text{ J}$
C)$-0{,}8\text{ J}$
D)$-0{,}6\text{ J}$
E)$-0{,}2\text{ J}$
Gabarito oficial UPE/SSA3 2020
E
Resolução
O trabalho realizado pela força elétrica é $W_{el}=q\displaystyle\int_0^{12}E\,dx=q\times(\text{área sob o gráfico }E\times x)$. A área do triângulo é $\dfrac{1}{2}\times12\times50=300\ \text{N/C}\cdot\text{m}$.
Pelo teorema trabalho-energia, a soma de todos os trabalhos (elétrico + resistivo) é igual à variação de energia cinética: $W_{el}+W_{res}=\Delta E_c=\dfrac{1}{2}mv^2-0=\dfrac{1}{2}\times0{,}020\times10^2=1{,}0\text{ J}$.
Logo, $W_{res}=\Delta E_c-W_{el}=1{,}0-1{,}2=-0{,}2\text{ J}$ — confirma a alternativa (E). O sinal negativo é coerente com o meio resistivo retirando energia do sistema.
Q26
Eletrodinâmica — Resistores em Série (Área Variável)
Dois resistores cilíndricos, 1 e 2, são feitos de um mesmo material de resistividade $\rho$ e estão ligados em série a uma diferença de potencial $V$, conforme ilustra a figura. Se as áreas das superfícies transversais dos resistores são iguais a $A_1=A$ e $A_2=A/3$, então a corrente que os atravessa é
A)$i=\dfrac{VA}{\rho L}$
B)$i=\dfrac{VA}{2\rho L}$
C)$i=\dfrac{VA}{3\rho L}$
D)$i=\dfrac{VA}{4\rho L}$
E)$i=\dfrac{VA}{5\rho L}$
Gabarito oficial UPE/SSA3 2020
D
Resolução
A resistência de cada trecho, ambos de comprimento $L$, é $R=\rho\dfrac{L}{A_{\text{trecho}}}$. Para o resistor 1 (área $A$): $R_1=\dfrac{\rho L}{A}$.
Para o resistor 2 (área $A/3$): $R_2=\dfrac{\rho L}{A/3}=\dfrac{3\rho L}{A}$.
Como estão em série, $R_{\text{total}}=R_1+R_2=\dfrac{\rho L}{A}+\dfrac{3\rho L}{A}=\dfrac{4\rho L}{A}$.
Pela Lei de Ohm, $i=\dfrac{V}{R_{\text{total}}}=\dfrac{VA}{4\rho L}$ — confirma exatamente a alternativa (D).
Q27
Eletrodinâmica — Potência e Energia Elétrica
A capacidade de carga de uma bateria de um telefone móvel está relacionada com o tempo de uso do aparelho até sua completa descarga. O telefone possui uma bateria de especificação de carga igual a $960\text{ mAh}$, e seu carregador de força eletromotriz igual a $5\text{ V}$ leva $4$ horas para realizar a carga completa da bateria. Então, a potência média desse carregador é
A)$0{,}5\text{ W}$
B)$0{,}8\text{ W}$
C)$1{,}0\text{ W}$
D)$1{,}2\text{ W}$
E)$1{,}5\text{ W}$
Gabarito oficial UPE/SSA3 2020
D
Resolução
A corrente média fornecida é $i=\dfrac{\text{carga}}{\text{tempo}}=\dfrac{960\text{ mAh}}{4\text{ h}}=240\text{ mA}=0{,}24\text{ A}$.
A potência é $P=Vi=5\times0{,}24=1{,}2\text{ W}$ — confirma a alternativa (D).
Q28
Eletromagnetismo — Raio da Trajetória Circular
Em um experimento, uma partícula 1 de massa $m=1\text{ g}$ e carga $q=+10\text{ mC}$ entra por uma pequena abertura em uma região com campo magnético, emergindo pela abertura 1 após alguns instantes. Observe a figura a seguir. Em outra realização do experimento com uma partícula 2, de mesma massa e de carga desconhecida, verifica-se que ela emerge da região com campo pela abertura 2. Sabendo que as massas de 1 e 2 são idênticas e que a velocidade de entrada na região com campo é de $20\text{ m/s}$ para ambas as partículas, a carga de 2 em mC é
A)$1$
B)$2$
C)$3$
D)$4$
E)$5$
Gabarito oficial UPE/SSA3 2020
E
Resolução
O raio de uma trajetória circular em campo magnético é $r=\dfrac{mv}{qB}$, ou seja, $r$ é inversamente proporcional à carga $q$ (para mesma massa, velocidade e campo).
Pela figura, a partícula 1 sai pela abertura 1 após um semicírculo de raio $r_1=d/2$ (entrada e saída no mesmo lado da região, separadas pela distância $d$). A partícula 2 sai pela abertura 2 após um quarto de círculo de raio $r_2=d$ (saída em um lado adjacente, também a uma distância $d$ da entrada).
Logo, $r_2=2r_1$. Como $r\propto1/q$ (mesma massa e velocidade para as duas): $\dfrac{r_1}{r_2}=\dfrac{q_2}{q_1}\Rightarrow q_2=q_1\times\dfrac{r_1}{r_2}=10\times\dfrac{1}{2}=5\text{ mC}$ — confirma a alternativa (E).
Q29
Física Moderna — Modelo de Bohr (Transições Eletrônicas)
O espectro visível é a porção do espectro eletromagnético que é visível ao olho humano. A radiação eletromagnética nessa faixa de comprimentos de onda é chamada de luz visível ou simplesmente de luz. Um olho humano típico responderá a comprimentos de onda de $380$ a $740$ nanômetros. Em termos de frequência, isso corresponde a uma banda na vizinhança de $430$ a $770\text{ THz}$.
(Disponível em: Wikipedia. Acesso em: 04 de julho de 2019. Adaptado.)
O elétron do átomo de hidrogênio emite um fóton quando decai do segundo estado excitado ($n=3$) para o primeiro estado excitado ($n=2$). Logo, sobre a luz emitida e sua frequência aproximada $f$, podemos afirmar CORRETAMENTE que
A)Visível e $f=450\text{ THz}$.
B)Visível e $f=700\text{ GHz}$.
C)Visível e $f=12\text{ PHz}$.
D)Invisível e $f=320\text{ THz}$.
E)Invisível e $f=180\text{ GHz}$.
Gabarito oficial UPE/SSA3 2020
A
Resolução
Os níveis de energia do átomo de hidrogênio no modelo de Bohr são $E_n=-\dfrac{13{,}6}{n^2}\text{ eV}$. Para $n=3$: $E_3=-1{,}51\text{ eV}$; para $n=2$: $E_2=-3{,}40\text{ eV}$.
A energia do fóton emitido é a diferença entre os níveis: $\Delta E=E_3-E_2=-1{,}51-(-3{,}40)=1{,}89\text{ eV}$.
Pela relação de Planck $E=hf$, usando $h=4{,}14\times10^{-15}\text{ eV}\cdot\text{s}$ (fornecido no enunciado da prova): $f=\dfrac{\Delta E}{h}=\dfrac{1{,}89}{4{,}14\times10^{-15}}\approx4{,}57\times10^{14}\text{ Hz}=457\text{ THz}\approx450\text{ THz}$.
Como o próprio enunciado informa que a luz visível corresponde à faixa de $430$ a $770\text{ THz}$, e $450\text{ THz}$ está dentro dessa faixa, a luz emitida é visível — confirma a alternativa (A).
Q30
Física Moderna — Sincronização de Relógios com Sinais Luminosos
Dois relógios, um na Terra e outro nas proximidades da Lua, estão separados por uma distância $d=390\,000\text{ km}$, conforme ilustra a figura a seguir. Se o relógio 1, localizado em $x=0$, marca um instante de tempo $t_1=10{,}0\text{ s}$ emitindo um flash de luz, como deve ser ajustado o tempo no relógio 2, $t_2$, localizado em $x=d$, para que ambos estejam sincronizados, quando o flash de luz atingir o relógio 2? Despreze os efeitos gravitacionais da Terra e da Lua.
A)$t_2=12{,}6\text{ s}$
B)$t_2=11{,}3\text{ s}$
C)$t_2=10{,}0\text{ s}$
D)$t_2=8{,}7\text{ s}$
E)$t_2=7{,}4\text{ s}$
Gabarito oficial UPE/SSA3 2020
B
Resolução
O tempo que a luz leva para percorrer a distância entre os dois relógios é $\Delta t=\dfrac{d}{c}=\dfrac{390\,000\text{ km}}{300\,000\text{ km/s}}=1{,}3\text{ s}$.
Para que os relógios permaneçam sincronizados (mesmo referencial, sem efeitos relativísticos significativos considerados), o relógio 2 deve ser ajustado para marcar o instante em que o flash de fato chega, ou seja, o tempo de emissão somado ao tempo de percurso da luz: $t_2=t_1+\Delta t=10{,}0+1{,}3=11{,}3\text{ s}$ — confirma a alternativa (B).