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UPE — SSA3 2025

Sistema Seriado de Avaliação · 3ª fase

Questões de Física do bloco de Ciências da Natureza e suas Tecnologias · Gabarito oficial definitivo.

Q26
Astronomia — Teoria da Nebulosa Solar

Acerca do processo de formação do Sistema Solar, a teoria aceita atualmente é a Teoria da Nebulosa Solar, que propõe que o Sistema Solar se formou há cerca de $4{,}6$ bilhões de anos, quando o material interestelar, formado por poeira e gás, se condensou e entrou em colapso. Por influência da força gravitacional, esse material concentrou-se em um disco em movimento rotacional, tendo ao centro o Sol e, orbitando ao seu redor, vários planetas, satélites, asteroides e cometas. A nebulosa giratória coletou a grande maioria do material em seu centro, razão pela qual o Sol representa mais de $99\%$ da massa do Sistema Solar.

Assinale a afirmativa CORRETA sobre as evidências favoráveis à Teoria da Nebulosa Solar.

A)Os planetas que compõem o Sistema Solar realizam órbitas em sentidos opostos e quase no mesmo plano.
B)A maioria do material da nebulosa foi atraída para o centro, formando o Sol e os planetas gasosos próximos ao centro, ao passo que os planetas mais densos ficaram mais afastados.
C)Júpiter e Saturno têm luas que podem ter se originado de discos ao redor de cada planeta gigante, da mesma forma que os planetas se formaram a partir do disco ao redor do Sol.
D)A existência de água fora da Terra, inclusive na forma líquida, como na lua Europa, constitui evidência direta da Teoria da Nebulosa Solar.
E)A datação de rochas e meteoritos por decaimento radioativo aponta que a Terra e o Sistema Solar têm cerca de $13{,}8$ bilhões de anos.

Gabarito oficial UPE/SSA3 2025

C
Resolução

Uma das evidências mais fortes a favor da Teoria da Nebulosa Solar é justamente a observação de que o mesmo processo de formação por disco em colapso se repete em escala menor: os sistemas de luas de Júpiter e Saturno (e seus anéis) parecem ter se formado a partir de discos de material que orbitavam cada planeta gigante recém-formado, replicando em miniatura o mecanismo que deu origem ao próprio Sistema Solar em torno do Sol.

A alternativa (A) está errada: os planetas orbitam todos no MESMO sentido (não em sentidos opostos) e aproximadamente no mesmo plano — essa é, aliás, outra evidência real da teoria, mas descrita incorretamente aqui. A (B) inverte a distribuição real: os planetas gasosos ficaram mais afastados do Sol, e os planetas rochosos (mais densos) ficaram mais próximos, pois o calor do Sol jovem expulsou os elementos voláteis das regiões internas. A (D) exagera o alcance da evidência — a presença de água líquida em outros corpos fala sobre condições termodinâmicas locais, não é evidência direta do modelo de formação por nebulosa. A (E) contém um erro factual claro: a idade estimada da Terra e do Sistema Solar é de aproximadamente $4{,}6$ bilhões de anos (como o próprio enunciado informa), não $13{,}8$ bilhões — esse último valor é a idade estimada do próprio Universo.

Q27
Eletromagnetismo — Força entre Correntes Paralelas

Em um laboratório de Física, um experimentalista propõe a realização de um aparato para verificar a interação eletromagnética entre um par de fios metálicos idênticos, paralelos e percorridos por correntes elétricas, quando são colocados próximos um do outro.

Assinale a alternativa que ilustra CORRETAMENTE a proporção das intensidades e os sentidos das forças exercidas nos fios de acordo com as correntes percorridas.

Alternativas gráficas indisponíveis nesta versão do acervo — todas as opções remetiam a diagramas, sem texto descritivo próprio.
A)Conforme a alternativa gráfica.
B)Conforme a alternativa gráfica.
C)Conforme a alternativa gráfica.
D)Conforme a alternativa gráfica.
E)Conforme a alternativa gráfica.

Gabarito oficial UPE/SSA3 2025

C
Resolução

Como todas as cinco alternativas eram puramente gráficas (diagramas de fios e vetores força, sem texto próprio) e a figura original não está disponível nesta versão do acervo, não é possível reconstituir aqui o diagrama exato que corresponde à opção (C). Registramos, no entanto, o princípio físico que rege a questão, essencial para resolvê-la a partir da figura original:

Dois fios paralelos percorridos por correntes elétricas exercem força magnética um sobre o outro. Se as correntes têm o mesmo sentido, os fios se atraem; se têm sentidos opostos, os fios se repelem. Pela 3ª Lei de Newton, as forças em cada fio têm sempre o mesmo módulo e sentidos opostos entre si (ação e reação), independentemente das intensidades das correntes em cada fio. A intensidade da força por unidade de comprimento é dada por $\dfrac{F}{L}=\dfrac{\mu_0\,I_1\,I_2}{2\pi d}$, proporcional ao produto das correntes e inversamente proporcional à distância entre os fios.

Q32
Oscilações — Movimento Harmônico Simples (Sistema Massa-Mola)

Danos severos em maquinários podem ocorrer quando vibrações críticas não são identificadas e sanadas. Uma máquina industrial de massa $m=120\text{ kg}$ vibra ao longo de um eixo horizontal $x$, cuja vibração é modelada pela equação

$x(t)=4\,\text{sen}\left(2\pi t+\dfrac{\pi}{5}\right)$

com $x$ em milímetros e $t$ em segundos. Então, para reduzir sua frequência de oscilação para $40\text{ rpm}$, podemos

A)diminuir sua massa para $90\text{ kg}$.
B)diminuir sua massa para $30\text{ kg}$.
C)aumentar sua massa em $150\text{ kg}$.
D)aumentar sua massa em $270\text{ kg}$.
E)aumentar sua massa para $320\text{ kg}$.

Gabarito oficial UPE/SSA3 2025

C
Resolução

Comparando $x(t)=4\,\text{sen}(2\pi t+\pi/5)$ com a forma geral $x(t)=A\,\text{sen}(\omega t+\varphi_0)$, a frequência angular original é $\omega_0=2\pi\text{ rad/s}$, ou seja, $f_0=1\text{ Hz}=60\text{ rpm}$.

A frequência-alvo é $f_1=40\text{ rpm}=\dfrac{2}{3}\text{ Hz}$, logo $\omega_1=2\pi\times\dfrac{2}{3}=\dfrac{4\pi}{3}\text{ rad/s}$.

Em um sistema massa-mola, $\omega=\sqrt{\dfrac{k}{m}}$, com $k$ fixo (a rigidez da estrutura não muda). Logo, $\omega^2\propto\dfrac{1}{m}$, ou seja, $\dfrac{m_1}{m_0}=\dfrac{\omega_0^2}{\omega_1^2}$.

$\dfrac{\omega_0^2}{\omega_1^2}=\dfrac{(2\pi)^2}{(4\pi/3)^2}=\dfrac{4\pi^2}{16\pi^2/9}=\dfrac{4\times9}{16}=\dfrac{36}{16}=2{,}25$.

$m_1=2{,}25\times120=270\text{ kg}$. Como a nova massa é maior que a original, é preciso aumentar a massa — em $270-120=150\text{ kg}$, confirmando a alternativa (C).

Q33
Eletrostática — Movimento de Carga em Campo Elétrico Uniforme

Os filtros de ar eletrostáticos usam campos elétricos para remover partículas de poeira, fuligem e cinzas do ar filtrado. O filtro fornece uma carga negativa a cada partícula de sujeira, que depois é coletada em uma superfície carregada positivamente. A figura a seguir ilustra um esquema simplificado de funcionamento de um filtro eletrostático de campo elétrico vertical constante e igual a $E=10^4\text{ N/C}$.

Figura indisponível nesta versão do acervo.

Despreze os efeitos gravitacionais sobre as partículas de sujeira e considere apenas as interações eletrostáticas entre a partícula e o campo elétrico do filtro. Sabendo que o ar passa pelo filtro em $1\text{ s}$, estime a menor relação entre carga e massa para que uma partícula que entra na extremidade inferior do filtro fique retida.

A)$-1\times10^{-8}\text{ C/g}$
B)$-2\times10^{-5}\text{ C/g}$
C)$+1\times10^{-4}\text{ C/g}$
D)$-1\times10^{-4}\text{ C/g}$
E)$+1\times10^{-8}\text{ C/g}$

Gabarito oficial UPE/SSA3 2025

D
Resolução

O próprio enunciado afirma que o filtro fornece carga negativa às partículas de sujeira, que depois são atraídas para a placa coletora positiva — isso já elimina as alternativas com sinal positivo, (C) e (E), restando (A), (B) e (D), todas negativas.

A ideia central é que, para a partícula ser retida, a força elétrica (que a empurra lateralmente, na direção do campo, já que a carga é negativa e a força tem sentido oposto ao campo) precisa ser grande o suficiente para desviá-la até a placa coletora dentro do tempo de trânsito de $1\text{ s}$ pelo filtro — quanto maior a razão carga/massa, maior a aceleração e mais fácil a retenção; a questão pede a relação mínima (em módulo) para que isso ainda ocorra no limite.

A magnitude exata da razão carga/massa depende da distância que a partícula deve percorrer lateralmente até a placa — uma informação geométrica que consta apenas na figura original, indisponível nesta versão do acervo. O valor de referência, $\left|\dfrac{q}{m}\right|=1\times10^{-4}\text{ C/g}$, é obtido isolando essa razão na equação do movimento uniformemente acelerado lateral, $d=\dfrac{1}{2}\dfrac{q E}{m}t^2$, a partir da distância informada na figura.

Como a carga é negativa, a alternativa correta é (D): $-1\times10^{-4}\text{ C/g}$.

Q38
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética (Circuito Aberto)

A indução eletromagnética é um fenômeno presente no cotidiano, por exemplo, em fogões por indução, carregadores de celular por indução e freios magnéticos. A manifestação do fenômeno pode ser realizada quando um dos polos de um ímã em forma de barra é introduzido no interior de um solenoide em circuito aberto.

Nesse processo, é desenvolvido(a) um(a)

A)corrente elétrica contínua que percorre o solenoide.
B)campo magnético induzido e perpendicular ao eixo do solenoide.
C)campo magnético induzido paralelo ao eixo do solenoide.
D)diferença de potencial entre os terminais do solenoide.
E)corrente elétrica alternada que circula pelo solenoide.

Gabarito oficial UPE/SSA3 2025

D
Resolução

O ponto-chave do enunciado é que o circuito está aberto. Pela Lei de Faraday, a variação do fluxo magnético através do solenoide (causada pela aproximação do ímã) sempre induz uma força eletromotriz (fem) — uma diferença de potencial entre os terminais da bobina — independentemente de o circuito estar fechado ou não.

Porém, corrente elétrica só existe se houver um caminho fechado para as cargas circularem. Como o circuito está aberto, NÃO há corrente elétrica de nenhum tipo — o que já elimina as alternativas (A) e (E), que mencionam correntes contínua e alternada, respectivamente.

As alternativas (B) e (C) mencionam um campo magnético induzido gerado pelo solenoide — mas, sem corrente elétrica circulando por ele, o solenoide não pode gerar campo magnético próprio algum.

A única grandeza realmente desenvolvida nesse processo é a diferença de potencial induzida entre os terminais — presente mesmo sem fechamento do circuito — confirmando a alternativa (D).

Q39
Física Moderna — Relatividade Restrita (Elétron Ultrarrelativístico)

Para investigar mais a fundo a física de partículas de altas energias, a próxima geração de aceleradores conta com o projeto do Colisor Linear Internacional, destinado a produzir colisões mais energéticas entre feixes de elétrons e pósitrons. O projeto é composto por dois aceleradores lineares de $11{,}3\text{ km}$ de comprimento, que permitirão acelerar um elétron até uma energia cinética de $250\text{ GeV}$ e fazê-lo colidir com um pósitron de mesma energia, movendo-se em direção oposta.

Fonte: Scientific American Brasil, n. 70, março de 2008. Adaptado.

Em quantos segundos, aproximadamente, um elétron com energia total igual a quatro milionésimos da energia alcançada pelo acelerador percorreria uma distância equivalente ao comprimento da linha do equador da Terra?

A)$0{,}064$
B)$0{,}15$
C)$0{,}32$
D)$0{,}51$
E)$0{,}84$

Gabarito oficial UPE/SSA3 2025

B
Resolução

Energia total do elétron: $E=4\times10^{-6}\times250\text{ GeV}=1\times10^{-3}\text{ GeV}=1\text{ MeV}=1{,}6\times10^{-13}\text{ J}$.

Energia de repouso do elétron: $E_0=m_e c^2=9{,}1\times10^{-31}\times(3\times10^8)^2=8{,}19\times10^{-14}\text{ J}$.

Fator de Lorentz: $\gamma=\dfrac{E}{E_0}=\dfrac{1{,}6\times10^{-13}}{8{,}19\times10^{-14}}\approx1{,}95$.

Velocidade: $\gamma=\dfrac{1}{\sqrt{1-\beta^2}} \Rightarrow \beta=\sqrt{1-\dfrac{1}{\gamma^2}}=\sqrt{1-\dfrac{1}{3{,}82}}\approx\sqrt{0{,}738}\approx0{,}859$.

$v=0{,}859\times3\times10^8\approx2{,}58\times10^8\text{ m/s}$.

Comprimento do equador terrestre: $C=2\pi R_T=2\times3\times6{,}4\times10^6=3{,}84\times10^7\text{ m}$.

Tempo: $t=\dfrac{C}{v}=\dfrac{3{,}84\times10^7}{2{,}58\times10^8}\approx0{,}15\text{ s}$.

Q44
Energia — Densidade Energética (Baterias vs. Combustível)

O aumento da frota global de carros elétricos está gerando uma corrida na pesquisa e no desenvolvimento de novas baterias. Enquanto as células de lítio armazenam cerca de $690\text{ Wh/L}$, um litro de gasolina comum armazena cerca de $9.000\text{ Wh}$. A eficiência de conversão de energia da bateria para as rodas do carro elétrico é da ordem de $90\%$, enquanto a eficiência de conversão energética da gasolina é da ordem de $20\%$.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP. Acesso em 2 jul. 2024. Adaptado.

Considerando as informações do texto, um modelo de carro movido a gasolina, equipado com um tanque de combustível de $50\text{ L}$, em sua versão elétrica com a mesma autonomia da versão a combustão, deve reservar um volume para baterias de lítio-íon de aproximadamente quanto?

A)$20\text{ L}$
B)$32\text{ L}$
C)$69\text{ L}$
D)$118\text{ L}$
E)$145\text{ L}$

Gabarito oficial UPE/SSA3 2025

E
Resolução

Para ter a mesma autonomia, os dois carros precisam entregar a mesma energia ÚTIL às rodas — não a mesma energia bruta armazenada, já que as eficiências de conversão são diferentes.

Energia útil entregue pelo tanque de gasolina: $E_{\text{útil}}=50\text{ L}\times9000\text{ Wh/L}\times0{,}20=90.000\text{ Wh}$.

Essa mesma energia útil deve vir da bateria: $E_{\text{útil}}=V_{\text{bat}}\times690\text{ Wh/L}\times0{,}90$.

Isolando o volume: $V_{\text{bat}}=\dfrac{90.000}{690\times0{,}90}=\dfrac{90.000}{621}\approx145\text{ L}$.

Q46
Física Moderna — Comprimento de Onda de De Broglie

O microscópio eletrônico é um instrumento desenvolvido para a visualização de estruturas microscópicas em materiais inorgânicos e biológicos por meio do uso de um feixe de elétrons no lugar de um feixe de luz. O esquema de um microscópio eletrônico pode ser comparado ao de um microscópio óptico, com lentes que colimam o feixe de elétrons e lente objetiva por meio da ação de campos magnéticos. A resolução é a capacidade máxima do instrumento de separar os detalhes de uma estrutura.

Determine a resolução, em nanômetros, que é da ordem do comprimento de onda de De Broglie do elétron do feixe incidente, acelerado por uma diferença de potencial de $100\text{ kV}$.

A)$0{,}0086$
B)$0{,}0038$
C)$0{,}043$
D)$0{,}12$
E)$0{,}90$

Gabarito oficial UPE/SSA3 2025

B
Resolução

Um elétron acelerado por uma diferença de potencial $V$ (a partir do repouso) adquire energia cinética $E_c=eV$. Como $100\text{ kV}$ é pequeno frente à energia de repouso do elétron ($\approx511\text{ keV}$), pode-se usar a aproximação não relativística: $E_c=\dfrac{p^2}{2m_e} \Rightarrow p=\sqrt{2m_e eV}$.

$E_c=eV=1{,}6\times10^{-19}\times1\times10^5=1{,}6\times10^{-14}\text{ J}$.

$p=\sqrt{2\times9{,}1\times10^{-31}\times1{,}6\times10^{-14}}=\sqrt{2{,}91\times10^{-44}}\approx1{,}71\times10^{-22}\text{ kg}\cdot\text{m/s}$.

Pela relação de De Broglie: $\lambda=\dfrac{h}{p}=\dfrac{6{,}6\times10^{-34}}{1{,}71\times10^{-22}}\approx3{,}87\times10^{-12}\text{ m}=0{,}0039\text{ nm}\approx0{,}0038\text{ nm}$.

Esse comprimento de onda é milhares de vezes menor que o da luz visível, o que explica por que microscópios eletrônicos alcançam resolução muito superior à dos microscópios ópticos.

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