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UESPI 2010 | Física

Prova de Física do Vestibular UESPI 2010 — Prova III, Tipo 4 — questões 31 a 60, com gabarito auditado e resoluções comentadas.

Q31
MECÂNICA — GRAVITAÇÃO — VELOCIDADE DE ESCAPE

Quando uma estrela originalmente com massa entre oito e vinte massas solares explode em um evento do tipo supernova, o núcleo colapsado remanescente é denominado “estrela de nêutrons”. Tipicamente, as estrelas de nêutrons possuem massa de $2\cdot10^{30}\,\text{kg}$ esfericamente distribuída num raio de apenas $10\,\text{km}$. Considerando a constante da gravitação universal $G=6,67\cdot10^{-11}\,\text{N}\cdot\text{m}^2/\text{kg}^2$ e a velocidade de escape da Terra $v_T=11,2\,\text{km/s}$, a ordem de grandeza da razão $v_n/v_T$, onde $v_n$ denota a velocidade de escape da estrela de nêutrons típica, é igual a:

A)$10^8$
B)$10^6$
C)$10^4$
D)$10^2$
E)$10^0$

Gabarito auditado — UESPI 2010

C
Resolução

A velocidade de escape de um astro esférico é

\[v_e=\sqrt{\frac{2GM}{R}}.\]

Para a estrela de nêutrons, $R=10\,\text{km}=10^4\,\text{m}$:

\[v_n=\sqrt{\frac{2\cdot6,67\cdot10^{-11}\cdot2\cdot10^{30}}{10^4}}\approx1,63\cdot10^8\,\text{m/s}.\]

Como $v_T=1,12\cdot10^4\,\text{m/s}$:

\[\frac{v_n}{v_T}\approx1,46\cdot10^4.\]

A ordem de grandeza é, portanto, $10^4$.

Q32
MECÂNICA — CINEMÁTICA — MOVIMENTO RELATIVO

Um estudante parado sobre uma escada rolante em movimento percorre os $20\,\text{m}$ de comprimento da escada em $40\,\text{s}$. Se ele se movimentar sobre a escada com uma velocidade de módulo $0,5\,\text{m/s}$ (em relação à escada) e sentido idêntico ao desta, o estudante percorrerá os mesmos $20\,\text{m}$ da escada em:

A)$10\,\text{s}$
B)$20\,\text{s}$
C)$40\,\text{s}$
D)$60\,\text{s}$
E)$80\,\text{s}$

Gabarito auditado — UESPI 2010

B
Resolução

A velocidade da escada é

\[v_e=\frac{20}{40}=0,5\,\text{m/s}.\]

Caminhando no mesmo sentido com $0,5\,\text{m/s}$ em relação à escada, a velocidade em relação ao solo é

\[v=0,5+0,5=1,0\,\text{m/s}.\]

Logo,

\[\Delta t=\frac{20}{1,0}=20\,\text{s}.\]
Q33
MECÂNICA — CINEMÁTICA — MOVIMENTO ACELERADO E RETARDADO

Numa pista de testes retilínea, o computador de bordo de um automóvel registra o gráfico do produto $va$ da velocidade, $v$, pela aceleração, $a$, do automóvel em função do tempo, $t$. O analista de testes conclui que nos instantes $t\mathrel{<}t_1$ e $t\mathrel{>}t_1$ o movimento do automóvel era:

Gráfico do produto velocidade vezes aceleração em função do tempo, cruzando zero em t1
A)$t\mathrel{<}t_1$: retardado; $t\mathrel{>}t_1$: retrógrado.
B)$t\mathrel{<}t_1$: acelerado; $t\mathrel{>}t_1$: progressivo.
C)$t\mathrel{<}t_1$: retardado; $t\mathrel{>}t_1$: acelerado.
D)$t\mathrel{<}t_1$: acelerado; $t\mathrel{>}t_1$: retardado.
E)$t\mathrel{<}t_1$: retardado; $t\mathrel{>}t_1$: progressivo.

Gabarito auditado — UESPI 2010

D
Resolução

O sinal do produto $v\,a$ informa se o módulo da velocidade aumenta ou diminui.

Para $t\mathrel{<}t_1$, o gráfico mostra $va\mathrel{>}0$: velocidade e aceleração têm o mesmo sinal, portanto o módulo de $v$ aumenta e o movimento é acelerado.

Para $t\mathrel{>}t_1$, $va\mathrel{<}0$: velocidade e aceleração têm sinais opostos, portanto o módulo de $v$ diminui e o movimento é retardado.

Q34
MECÂNICA — MOVIMENTO CIRCULAR — VELOCIDADE ANGULAR RELATIVA

Numa corrida de automóveis, realizada num circuito circular de raio $2\,\text{km}$, o líder e o segundo colocado movem-se, respectivamente, com velocidades angulares constantes e iguais a $60\,\text{rad/h}$ e $80\,\text{rad/h}$. Num certo instante, a distância entre eles, medida ao longo da pista, é de $100\,\text{m}$. Após quanto tempo o segundo colocado irá empatar com o líder? (Para efeito de cálculo, considere os automóveis como partículas.)

A)$2\,\text{s}$
B)$4\,\text{s}$
C)$6\,\text{s}$
D)$8\,\text{s}$
E)$9\,\text{s}$

Gabarito auditado — UESPI 2010

E
Resolução

A separação angular correspondente a um arco $s=100\,\text{m}$ num raio $R=2000\,\text{m}$ é

\[\Delta\theta=\frac{s}{R}=\frac{100}{2000}=0,05\,\text{rad}.\]

A velocidade angular relativa é

\[\Delta\omega=80-60=20\,\text{rad/h}.\]

Logo,

\[\Delta t=\frac{0,05}{20}\,\text{h}=0,0025\,\text{h}=9\,\text{s}.\]
Q35
MECÂNICA — MOVIMENTO CIRCULAR — VETOR VELOCIDADE

Sobre uma partícula em movimento ao longo de uma circunferência, é correto afirmar que:

A)a sua aceleração tem direção radial e sentido para dentro, isto é, apontando da posição da partícula para o centro da circunferência.
B)a sua aceleração tem direção radial e sentido para fora, isto é, apontando do centro da circunferência para a posição da partícula.
C)a sua aceleração é nula.
D)a sua velocidade tem direção tangente à trajetória circular.
E)a sua velocidade pode possuir uma componente na direção radial.

Gabarito auditado — UESPI 2010

D
Resolução

Em qualquer movimento cuja trajetória seja uma circunferência, o vetor velocidade instantânea é sempre tangente à trajetória.

A aceleração só é exclusivamente radial no movimento circular uniforme. Se o módulo da velocidade variar, existe também componente tangencial da aceleração. Por isso, a afirmação universalmente correta é a alternativa D.

Q36
MECÂNICA — DINÂMICA — REFERENCIAL ACELERADO

Um fio com um extremo fixo no teto de um ônibus em movimento retilíneo possui uma partícula presa na sua outra extremidade. No instante ilustrado na figura, o fio faz um ângulo de $30^{\circ}$ com a vertical. Considere a aceleração da gravidade $g=10\,\text{m/s}^2$, $\sin(30^{\circ})=1/2$ e $\cos(30^{\circ})=\sqrt{3}/2$. Nesse instante, o módulo da aceleração do ônibus vale, em $\text{m/s}^2$:

Ônibus acelerado com partícula suspensa por fio inclinado 30 graus em relação à vertical
A)$10/\sqrt{3}$
B)$10\sqrt{3}$
C)5
D)$5/\sqrt{3}$
E)$5\sqrt{3}$

Gabarito auditado — UESPI 2010

A
Resolução

Para a partícula permanecer com inclinação constante em relação ao ônibus, as componentes da tensão satisfazem

\[T\cos\theta=mg,\qquad T\sin\theta=ma.\]

Dividindo:

\[\tan\theta=\frac{a}{g}.\]

Com $\theta=30^{\circ}$:

\[a=g\tan30^{\circ}=10\cdot\frac1{\sqrt3}=\frac{10}{\sqrt3}\,\text{m/s}^2.\]
Q37
MECÂNICA — ENERGIA — DISSIPAÇÃO

Um goleiro arremessa uma bola de futebol de $400\,\text{g}$ com uma velocidade inicial de $20\,\text{m/s}$, a partir de uma altura de $1\,\text{m}$ acima do campo de futebol. A bola quica várias vezes no gramado até que para sobre este. Considerando a bola como uma partícula material e a aceleração da gravidade de módulo $10\,\text{m/s}^2$, qual a energia dissipada da bola desde o lançamento até o repouso final?

A)$84\,\text{J}$
B)$88\,\text{J}$
C)$92\,\text{J}$
D)$96\,\text{J}$
E)$98\,\text{J}$

Gabarito auditado — UESPI 2010

A
Resolução

A energia mecânica inicial, tomando o gramado como nível de referência, é

\[E_i=\frac12mv^2+mgh.\]

Com $m=0,4\,\text{kg}$:

\[E_i=\frac12(0,4)(20)^2+(0,4)(10)(1)=80+4=84\,\text{J}.\]

No final, a bola está em repouso no gramado, portanto $E_f=0$. Toda a energia mecânica inicial foi dissipada: $84\,\text{J}$.

Q38
MECÂNICA — ENERGIA — ENERGIA POTENCIAL ELÁSTICA

Um tijolo de peso $P$ encontra-se em repouso, suspenso por uma mola de constante elástica $k$, como mostra a figura. Admitindo que a energia potencial elástica ($E_p$) da mola é nula quando esta não está comprimida nem distendida, pode-se afirmar que, na situação de equilíbrio da figura, $E_p$ é igual a:

Tijolo suspenso por mola vertical em equilíbrio
A)$-P^2/k$
B)$-P^2/(2k)$
C)zero
D)$P^2/(2k)$
E)$P^2/k$

Gabarito auditado — UESPI 2010

D
Resolução

No equilíbrio, a força elástica equilibra o peso:

\[kx=P\Rightarrow x=\frac{P}{k}.\]

A energia potencial elástica vale

\[E_p=\frac12kx^2=\frac12k\left(\frac{P}{k}\right)^2=\frac{P^2}{2k}.\]
Q39
MECÂNICA — GRAVITAÇÃO — FORÇA GRAVITACIONAL

Considere que as massas da Terra e do Sol sejam respectivamente iguais a $6\cdot10^{24}\,\text{kg}$ e $2\cdot10^{30}\,\text{kg}$. Considere, ainda, que as distâncias médias da Terra à Lua e do Sol à Lua sejam respectivamente iguais a $4\cdot10^8\,\text{m}$ e $1,5\cdot10^{11}\,\text{m}$. Com base nesses dados, pode-se concluir que, tipicamente, a força gravitacional que o Sol exerce sobre a Lua é:

A)maior que a força gravitacional que a Terra exerce sobre a Lua por um fator de cerca de 20.
B)maior que a força gravitacional que a Terra exerce sobre a Lua por um fator de cerca de 2.
C)igual à força gravitacional que a Terra exerce sobre a Lua.
D)menor que a força gravitacional que a Terra exerce sobre a Lua por um fator de cerca de 2.
E)menor que a força gravitacional que a Terra exerce sobre a Lua por um fator de cerca de 20.

Gabarito auditado — UESPI 2010

B
Resolução

Na razão entre as forças, a massa da Lua e $G$ se cancelam:

\[\frac{F_S}{F_T}=\frac{M_S}{M_T}\left(\frac{r_T}{r_S}\right)^2.\]

Substituindo:

\[\frac{F_S}{F_T}=\frac{2\cdot10^{30}}{6\cdot10^{24}}\left(\frac{4\cdot10^8}{1,5\cdot10^{11}}\right)^2\approx2,37.\]

Logo, a força solar é maior por um fator da ordem de 2.

Q40
MECÂNICA — IMPULSO — TEOREMA DO IMPULSO

Na brincadeira de bola de gude, uma pequena bola de vidro em movimento (bola A) colide com outra bola de vidro inicialmente parada sobre uma superfície horizontal (bola B). O gráfico a seguir ilustra o módulo da força que uma bola exerce sobre a outra durante a colisão. Desprezando o atrito das bolas com a superfície e considerando que a bola A tem massa de $5\,\text{g}$, a variação na velocidade da bola A devido à colisão com a bola B tem módulo:

Gráfico triangular da força de colisão em função do tempo, com máximo 1 N em 10^-3 s
A)$10\,\text{cm/s}$
B)$20\,\text{cm/s}$
C)$30\,\text{cm/s}$
D)$40\,\text{cm/s}$
E)$50\,\text{cm/s}$

Gabarito auditado — UESPI 2010

B
Resolução

O impulso é a área sob o gráfico $F\times t$. O gráfico é triangular:

\[I=\frac12\,(2\cdot10^{-3})(1)=10^{-3}\,\text{N}\cdot\text{s}.\]

Pelo teorema do impulso:

\[I=m\,|\Delta v|.\]

Com $m=5\,\text{g}=5\cdot10^{-3}\,\text{kg}$:

\[|\Delta v|=\frac{10^{-3}}{5\cdot10^{-3}}=0,20\,\text{m/s}=20\,\text{cm/s}.\]
Q41
MECÂNICA — HIDROSTÁTICA — EMPUXO

Deseja-se verificar se um determinado líquido é álcool, cuja densidade, $\rho_{\text{álcool}}$, é conhecida. Para tanto, um cubo de plástico de massa $M$ é construído e mergulhado num recipiente com o líquido. O cubo é oco em seu interior, e nenhum líquido pode penetrar nele. Caso o líquido em questão seja álcool, o cubo deve ficar em equilíbrio totalmente submerso. Para que essa verificação se faça corretamente, é necessário, portanto, construir o cubo com um volume total igual a:

A)$M/\rho_{\text{álcool}}$
B)$M\rho_{\text{álcool}}$
C)$\rho_{\text{álcool}}/M$
D)$M+\rho_{\text{álcool}}$
E)$M-\rho_{\text{álcool}}$

Gabarito auditado — UESPI 2010

A
Resolução

Em equilíbrio totalmente submerso, o empuxo deve igualar o peso:

\[\rho_{\text{álcool}}Vg=Mg.\]

Logo,

\[V=\frac{M}{\rho_{\text{álcool}}}.\]
Q42
ONDAS — MOVIMENTO HARMÔNICO — FREQUÊNCIA E PERÍODO

Um estudante observa ondas num lago. Ele nota que uma folha oscilando na superfície do lago, devido a essas ondas, leva $0,5\,\text{s}$ para ir do ponto mais baixo ao ponto mais alto de sua oscilação. Ele conclui que a frequência de oscilação das ondas na superfície do lago é igual a:

A)$0,25\,\text{Hz}$
B)$0,5\,\text{Hz}$
C)$1\,\text{Hz}$
D)$2\,\text{Hz}$
E)$4\,\text{Hz}$

Gabarito auditado — UESPI 2010

C
Resolução

Ir do ponto mais baixo ao ponto mais alto corresponde a meio período:

\[\frac{T}{2}=0,5\,\text{s}\Rightarrow T=1,0\,\text{s}.\]

Portanto,

\[f=\frac1T=1\,\text{Hz}.\]
Q43
TERMOLOGIA — DILATAÇÃO TÉRMICA — DILATAÇÃO LINEAR

Uma fenda de largura $2,002\,\text{cm}$ precisa ser perfeitamente vedada por uma pequena barra quando a temperatura no local atingir $130\,^{\circ}\text{C}$. A barra possui comprimento de $2\,\text{cm}$ à temperatura de $30\,^{\circ}\text{C}$, como ilustra a figura (os comprimentos mostrados não estão em escala). Considerando desprezível a alteração na largura da fenda com a temperatura, a barra apropriada para este fim deve ser feita de:

Barra de 2 cm destinada a vedar fenda de 2,002 cm após aquecimento
A)chumbo, com coeficiente de dilatação linear $\alpha=3\cdot10^{-5}\,^{\circ}\text{C}^{-1}$.
B)latão, com coeficiente de dilatação linear $\alpha=2\cdot10^{-5}\,^{\circ}\text{C}^{-1}$.
C)aço, com coeficiente de dilatação linear $\alpha=10^{-5}\,^{\circ}\text{C}^{-1}$.
D)vidro pirex, com coeficiente de dilatação linear $\alpha=3\cdot10^{-6}\,^{\circ}\text{C}^{-1}$.
E)invar, com coeficiente de dilatação linear $\alpha=7\cdot10^{-7}\,^{\circ}\text{C}^{-1}$.

Gabarito auditado — UESPI 2010

C
Resolução

A dilatação necessária é

\[\Delta L=2,002-2,000=0,002\,\text{cm}.\]

A variação de temperatura é $\Delta T=100\,^{\circ}\text{C}$. Pela dilatação linear:

\[\Delta L=L_0\alpha\Delta T.\]

Logo,

\[\alpha=\frac{0,002}{2\cdot100}=10^{-5}\,^{\circ}\text{C}^{-1},\]

valor correspondente ao aço.

Q44
TERMOLOGIA — TRANSMISSÃO DE CALOR — MECANISMOS

Constituem mecanismos de transmissão de calor os seguintes processos:

A)expansão, rarefação e contração.
B)dilatação, condução e contração.
C)convecção, rarefação e condução.
D)rarefação, radiação e dilatação.
E)condução, radiação e convecção.

Gabarito auditado — UESPI 2010

E
Resolução

Os três mecanismos fundamentais de transferência de energia térmica são condução, convecção e radiação. Expansão, contração e rarefação não constituem mecanismos básicos de transmissão de calor.

Q45
TERMOLOGIA — CALORIMETRIA — FUSÃO DO GELO

Num calorímetro ideal, uma massa $M_a$ de água líquida a uma temperatura $T$ é misturada com uma massa $M_g$ de gelo a $0\,^{\circ}\text{C}$. Denotam-se respectivamente por $c$ e $L$ o calor específico da água líquida e o calor de fusão do gelo no Sistema Internacional de Unidades. Quando o equilíbrio térmico é atingido à temperatura de $0\,^{\circ}\text{C}$, não há mais gelo no calorímetro. Pode-se concluir que a temperatura $T$, expressa em $^{\circ}\text{C}$, vale:

A)$M_gL/(M_ac)$
B)$M_ac/(M_gL)$
C)$cL/(M_aM_g)$
D)$M_aM_g/(cL)$
E)$M_aM_g/(cL)^2$

Gabarito auditado — UESPI 2010

A
Resolução

A água inicialmente quente esfria até $0\,^{\circ}\text{C}$ e cede

\[Q_a=M_acT.\]

Como todo o gelo funde a $0\,^{\circ}\text{C}$:

\[Q_g=M_gL.\]

No calorímetro ideal, $Q_a=Q_g$:

\[M_acT=M_gL\Rightarrow T=\frac{M_gL}{M_ac}.\]
Q46
TERMODINÂMICA — PRIMEIRA LEI — TRANSFORMAÇÃO ADIABÁTICA

A figura ilustra um recipiente isolado termicamente do meio exterior contendo um gás. Durante um processo termodinâmico, um êmbolo comprime o gás. Ao final do processo, a energia interna do gás aumenta em $4\,\text{J}$. Pode-se afirmar que, nesse processo,

Êmbolo comprimindo gás em recipiente termicamente isolado
A)$4\,\text{J}$ de trabalho são realizados pelo gás.
B)$4\,\text{J}$ de trabalho são realizados sobre o gás.
C)$2\,\text{J}$ de trabalho são realizados pelo gás.
D)$2\,\text{J}$ de trabalho são realizados sobre o gás.
E)não há realização de trabalho.

Gabarito auditado — UESPI 2010

B
Resolução

O recipiente é termicamente isolado, portanto $Q=0$. Pela primeira lei, usando $W_{\text{sobre}}$ como o trabalho realizado sobre o gás:

\[\Delta U=Q+W_{\text{sobre}}.\]

Como $\Delta U=+4\,\text{J}$:

\[W_{\text{sobre}}=4\,\text{J}.\]
Q47
TERMODINÂMICA — TRABALHO — DIAGRAMA p × V

A pressão e o volume de um gás são denotados respectivamente por $p$ e $V$. O gás passa por uma transformação termodinâmica ilustrada num diagrama $p$ versus $V$. Assinale o único diagrama a seguir que representa uma transformação em que trabalho é realizado sobre o gás.

A)Diagrama A: pressão cresce com o volume e a transformação segue para volumes maiores
B)Diagrama B: pressão diminui enquanto a transformação segue para volumes maiores
C)Diagrama C: pressão diminui mantendo o volume constante
D)Diagrama D: pressão e volume diminuem durante a transformação
E)Diagrama E: volume aumenta mantendo a pressão constante

Gabarito auditado — UESPI 2010

D
Resolução

Em um diagrama $p\times V$, basta observar o sentido da variação do volume.

Quando o volume aumenta, ocorre expansão e o gás realiza trabalho sobre o meio externo. Quando o volume diminui, ocorre compressão e o meio externo realiza trabalho sobre o gás.

No diagrama D, a seta aponta para valores menores de $V$. Portanto, o gás está sendo comprimido e há trabalho realizado sobre o gás.

Q48
ÓPTICA — REFRAÇÃO — GRANDEZAS INVARIANTES

Um feixe de luz monocromática muda de meio, passando do ar para a água. Considerando que a luz pode ser descrita como uma onda propagante, assinale a única grandeza que certamente permanece constante nesse processo.

A)Velocidade da luz.
B)Comprimento de onda da luz.
C)Período da onda luminosa.
D)Direção de propagação da luz.
E)Intensidade da luz.

Gabarito auditado — UESPI 2010

C
Resolução

Na refração, a frequência é determinada pela fonte e não muda ao atravessar a interface. Consequentemente, o período

\[T=\frac1f\]

também permanece constante.

A velocidade e o comprimento de onda mudam porque $v=\lambda f$. A direção pode ou não mudar, dependendo da incidência, e a intensidade pode variar por reflexão e transmissão.

Q49
ÓPTICA — ESPELHOS PLANOS — VELOCIDADE DA IMAGEM

Quando uma pessoa se aproxima de um espelho plano ao longo da direção perpendicular a este e com uma velocidade de módulo $1\,\text{m/s}$, é correto afirmar que a sua imagem:

A)se afasta do espelho com uma velocidade de módulo $1\,\text{m/s}$.
B)se afasta do espelho com uma velocidade de módulo $2\,\text{m/s}$.
C)se aproxima do espelho com uma velocidade de módulo $0,5\,\text{m/s}$.
D)se aproxima do espelho com uma velocidade de módulo $1\,\text{m/s}$.
E)se aproxima do espelho com uma velocidade de módulo $2\,\text{m/s}$.

Gabarito auditado — UESPI 2010

D
Resolução

Em um espelho plano, a imagem fica à mesma distância atrás do espelho que o objeto está à frente. Se o objeto se aproxima do espelho a $1\,\text{m/s}$, a distância imagem–espelho também diminui à mesma taxa.

Portanto, a imagem se aproxima do espelho a $1\,\text{m/s}$. (A velocidade relativa entre pessoa e imagem seria $2\,\text{m/s}$.)

Q50
ÓPTICA — ESPELHOS ESFÉRICOS — EQUAÇÃO DE GAUSS

Um estudante posiciona um objeto a $1\,\text{cm}$ de um espelho esférico côncavo, de distância focal igual a $0,5\,\text{cm}$. A imagem que ele observa é:

A)real e localizada a $0,5\,\text{cm}$ do espelho.
B)virtual e localizada a $0,5\,\text{cm}$ do espelho.
C)real e localizada a $1\,\text{cm}$ do espelho.
D)virtual e localizada a $1\,\text{cm}$ do espelho.
E)real e localizada a $2\,\text{cm}$ do espelho.

Gabarito auditado — UESPI 2010

C
Resolução

Pela equação dos espelhos:

\[\frac1f=\frac1p+\frac1{p'}.\]

Com $f=0,5\,\text{cm}$ e $p=1\,\text{cm}$:

\[2=1+\frac1{p'}\Rightarrow p'=1\,\text{cm}.\]

Como $p'\mathrel{>}0$, a imagem é real.

Q51
ÓPTICA — ESPELHOS ESFÉRICOS — ESPELHO CONVEXO

Um lápis de altura $16\,\text{cm}$ encontra-se diante de um espelho esférico convexo, com distância focal de valor absoluto $40\,\text{cm}$. A imagem do lápis tem a mesma orientação deste e altura igual a $3,2\,\text{cm}$. A que distância do espelho encontra-se o lápis?

A)$10\,\text{cm}$
B)$20\,\text{cm}$
C)$40\,\text{cm}$
D)$140\,\text{cm}$
E)$160\,\text{cm}$

Gabarito auditado — UESPI 2010

E
Resolução

O aumento linear é

\[A=\frac{h'}{h}=\frac{3,2}{16}=0,2.\]

Para espelhos, $A=-p'/p$. Como a imagem é direita, $p'\mathrel{<}0$:

\[0,2=-\frac{p'}p\Rightarrow p'=-0,2p.\]

Para o espelho convexo, $f=-40\,\text{cm}$. Pela equação de Gauss:

\[-\frac1{40}=\frac1p+\frac1{-0,2p}=\frac1p-\frac5p=-\frac4p.\]

Logo, $p=160\,\text{cm}$.

Q52
ELETRICIDADE — ELETROSTÁTICA — CASCA ESFÉRICA

A figura mostra uma casca esférica carregada uniformemente, com vácuo no seu interior e no seu exterior. Considere as duas seguintes situações: (i) casca feita de material condutor e (ii) casca feita de material isolante. O campo elétrico no ponto P nestas situações será, respectivamente,

Casca esférica uniformemente carregada com ponto P no interior
A)nulo e nulo.
B)nulo e diferente de zero.
C)diferente de zero e nulo.
D)diferente de zero e diferente de zero.
E)infinito e infinito.

Gabarito auditado — UESPI 2010

A
Resolução

A casca é esférica e está uniformemente carregada. Em qualquer ponto situado no interior de uma casca esférica uniformemente carregada, as contribuições do campo elétrico produzidas pelas diferentes regiões da casca se compensam, resultando em campo elétrico nulo.

No caso da casca condutora, o campo interno é nulo no equilíbrio eletrostático. No caso da casca isolante uniformemente carregada, a simetria esférica conduz ao mesmo resultado para pontos internos.

Assim, em ambas as situações, o campo elétrico no ponto $P$ é nulo.

Q53
ELETRICIDADE — CAMPO ELÉTRICO — FORÇA ELÉTRICA E PESO

Uma partícula de massa $0,1\,\text{kg}$ e carga $10^{-6}\,\text{C}$ cai verticalmente numa região de campo elétrico uniforme e vertical, de módulo $10^5\,\text{N/C}$. Desprezando a resistência do ar e considerando a aceleração da gravidade igual a $10\,\text{m/s}^2$, os valores mínimo e máximo da aceleração dessa partícula valem:

A)$8\,\text{m/s}^2$ e $10\,\text{m/s}^2$.
B)$9\,\text{m/s}^2$ e $10\,\text{m/s}^2$.
C)$8\,\text{m/s}^2$ e $12\,\text{m/s}^2$.
D)$9\,\text{m/s}^2$ e $11\,\text{m/s}^2$.
E)$8\,\text{m/s}^2$ e $9\,\text{m/s}^2$.

Gabarito auditado — UESPI 2010

D
Resolução

O peso vale

\[P=mg=0,1\cdot10=1,0\,\text{N}.\]

A força elétrica tem módulo

\[F_e=qE=10^{-6}\cdot10^5=0,1\,\text{N}.\]

Como o campo é vertical, a força elétrica pode somar-se ao peso ou opor-se a ele. Assim:

\[a_{\min}=\frac{1,0-0,1}{0,1}=9\,\text{m/s}^2,\qquad a_{\max}=\frac{1,0+0,1}{0,1}=11\,\text{m/s}^2.\]
Q54
ELETRICIDADE — ELETRODINÂMICA — ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES

A resistência equivalente entre os terminais A e B da bateria ideal no circuito elétrico a seguir é igual a:

Circuito com resistor 2R em série e dois resistores R curto-circuitados por um fio diagonal
A)$R$
B)$2R$
C)$3R$
D)$4R$
E)$5R$

Gabarito auditado — UESPI 2010

B
Resolução

O fio diagonal liga diretamente o nó superior, após o resistor $2R$, ao nó inferior. Isso estabelece um curto-circuito entre esses nós.

Consequentemente, os dois resistores verticais $R$ ficam submetidos a diferença de potencial nula e não participam da resistência equivalente.

Resta apenas o resistor $2R$ entre os terminais A e B:

\[R_{\text{eq}}=2R.\]
Q55
ELETRICIDADE — ELETRODINÂMICA — POTÊNCIA E ENERGIA ELÉTRICA

Um estudante paga R$ 40,00 (quarenta reais) por mês pelo uso de um chuveiro elétrico de $5000\,\text{W}$ de potência. Sabendo que esta quantia resulta de uma cobrança a custo fixo por kWh de energia elétrica consumida mensalmente, ele decide economizar trocando este chuveiro por outro de $4000\,\text{W}$. Se o novo chuveiro for utilizado durante o mesmo tempo que o chuveiro antigo, a economia em um mês será de:

A)R$ 5,00
B)R$ 8,00
C)R$ 15,00
D)R$ 20,00
E)R$ 39,00

Gabarito auditado — UESPI 2010

B
Resolução

Para o mesmo tempo de uso e o mesmo preço por kWh, o custo é diretamente proporcional à potência.

O novo custo será

\[C_2=40\cdot\frac{4000}{5000}=40\cdot0,8=32\,\text{reais}.\]

A economia é

\[40-32=8\,\text{reais}.\]
Q56
ELETRICIDADE — CAPACITORES — ENERGIA ARMAZENADA

O desfibrilador é um aparelho capaz de liberar rapidamente energia armazenada para combater a fibrilação nas vítimas de ataques cardíacos. Considere um desfibrilador portátil contendo um capacitor de capacitância $80\,\mu\text{F}$, onde $1\,\mu\text{F}=10^{-6}\,\text{F}$. Se esse capacitor for carregado a uma diferença de potencial de $4000\,\text{V}$, que quantidade de energia potencial elétrica o desfibrilador terá armazenado?

A)$80\,\text{J}$
B)$160\,\text{J}$
C)$320\,\text{J}$
D)$640\,\text{J}$
E)$800\,\text{J}$

Gabarito auditado — UESPI 2010

D
Resolução

A energia de um capacitor é

\[U=\frac12CV^2.\]

Com $C=80\cdot10^{-6}\,\text{F}$ e $V=4000\,\text{V}$:

\[U=\frac12(80\cdot10^{-6})(4000)^2=640\,\text{J}.\]
Q57
ELETRICIDADE — CAMPO ELÉTRICO — EQUILÍBRIO DE FORÇAS

Uma partícula carregada de massa $M$ passa sem sofrer deflexão por uma região no vácuo com campo elétrico uniforme de módulo $E$, direção vertical e sentido para baixo, gerado por duas extensas placas condutoras paralelas (ver figura). Denotando por $g$ o módulo da aceleração da gravidade, pode-se afirmar que a carga da partícula é:

Partícula atravessando região entre placas paralelas com campo elétrico vertical para baixo
A)negativa, de módulo $Mg/E$.
B)negativa, de módulo $2Mg/E$.
C)positiva, de módulo $Mg/E$.
D)positiva, de módulo $2Mg/E$.
E)positiva, de módulo $Mg/(2E)$.

Gabarito auditado — UESPI 2010

A
Resolução

O peso $Mg$ aponta para baixo. Para a partícula não sofrer deflexão, a força elétrica deve apontar para cima e ter o mesmo módulo.

Como o campo elétrico aponta para baixo, a carga precisa ser negativa. Em módulo:

\[|q|E=Mg\Rightarrow |q|=\frac{Mg}{E}.\]
Q58
ELETRICIDADE — ELETROSTÁTICA — ENERGIA POTENCIAL DE SISTEMA

Três cargas puntiformes idênticas, $Q$, estão fixas no vácuo de acordo com o arranjo da figura. Denotando por $k$ a constante elétrica no vácuo, a energia potencial eletrostática do sistema de cargas é igual a:

Três cargas idênticas Q alinhadas, separadas consecutivamente por uma distância L
A)$kQ^2/L$
B)$2kQ^2/L$
C)$2,5kQ^2/L$
D)$3,5kQ^2/L$
E)$5kQ^2/L$

Gabarito auditado — UESPI 2010

C
Resolução

A energia potencial do sistema é a soma das energias de cada par distinto:

\[U=kQ^2\left(\frac1L+\frac1L+\frac1{2L}\right).\]

Portanto,

\[U=\left(2+\frac12\right)\frac{kQ^2}{L}=2,5\frac{kQ^2}{L}.\]
Q59
MAGNETISMO — CAMPO MAGNÉTICO — FIO RETILÍNEO INFINITO

Considere um fio delgado infinito, percorrido por uma corrente elétrica constante. As figuras A e B ilustram uma vista de cima da seção transversal do fio (representada pelo círculo escuro). Seja $R$ a distância ao fio. Sobre o vetor campo magnético gerado por este fio, é correto afirmar que ele possui:

Comparação entre linhas circulares e radiais ao redor da seção transversal de um fio retilíneo infinito
A)direção ao longo das linhas tracejadas da figura A e módulo proporcional a $1/R^2$.
B)direção ao longo das linhas tracejadas da figura B e módulo proporcional a $1/R^2$.
C)direção ao longo das linhas tracejadas da figura A e módulo proporcional a $1/R$.
D)direção ao longo das linhas tracejadas da figura B e módulo proporcional a $1/R^2$.
E)direção ao longo das linhas tracejadas da figura B e módulo proporcional a $1/\sqrt{R}$.

Gabarito auditado — UESPI 2010

C
Resolução

As linhas de campo magnético produzidas por um fio retilíneo infinito são circunferências concêntricas ao fio, como na figura A.

O módulo é dado por

\[B=\frac{\mu_0 i}{2\pi R},\]

portanto $B\propto1/R$.

Q60
ELETROMAGNETISMO — INDUÇÃO ELETROMAGNÉTICA — FARADAY E LENZ

A espira abaixo, de resistência elétrica $R$, é colocada numa região de campo magnético constante e uniforme, de módulo $B$, direção perpendicular ao plano da página e sentido saindo desta. Enquanto a espira é aquecida, sem afetar o campo magnético, a sua área aumenta. Como consequência, uma corrente elétrica é induzida, de intensidade proporcional a:

Espira resistiva aumentando de área em campo magnético uniforme saindo do plano da página
A)$B$ e sentido horário.
B)$1/B$ e sentido horário.
C)$B$ e sentido anti-horário.
D)$1/B$ e sentido anti-horário.
E)$R$ e sentido anti-horário.

Gabarito auditado — UESPI 2010

A
Resolução

O fluxo magnético através da espira é dado por

\[\Phi_B=BA.\]

Como $B$ permanece constante e a área da espira aumenta, o fluxo magnético que sai da página também aumenta.

Pela lei de Lenz, a corrente induzida deve criar um campo magnético em sentido contrário a esse aumento, isto é, entrando na página. Pela regra da mão direita, isso corresponde a uma corrente no sentido horário.

Em um mesmo intervalo de tempo $\Delta t$, a variação do fluxo é

\[|\Delta\Phi_B|=B|\Delta A|,\]

de modo que a força eletromotriz induzida pode ser escrita, para esse intervalo, como

\[|\mathcal E|=\frac{|\Delta\Phi_B|}{\Delta t}=B\frac{|\Delta A|}{\Delta t}.\]

Com a resistência $R$ da espira fixa e a mesma variação de área por unidade de tempo, a intensidade da corrente induzida é proporcional a $B$.

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