Questões de Física do Concurso Vestibular Unioeste 2026 (Padrão, tarde), Q46 a Q54, com gabarito proposto (resolução própria, não oficial) e resolução comentada.
Dados da prova
Prova de Física do Concurso Vestibular Unioeste 2026 (Padrão, tarde): 9 questões objetivas de múltipla escolha (Q46 a Q54), com cinco alternativas (A a E). Atenção: o gabarito oficial não estava disponível quando esta página foi montada. As respostas indicadas são o gabarito proposto pelo autor, obtido por resolução própria de cada questão, e devem ser confrontadas com o gabarito oficial da Unioeste quando for conferido. As questões seguem a transcrição do caderno oficial.
Q46
Mecânica — Dinâmica: Força Normal sobre um Livro em Repouso e Acelerado
A psicofisioterapia é uma abordagem interdisciplinar que integra técnicas fisioterapêuticas com princípios psicológicos para tratar desordens que envolvem a conexão mente-corpo. Suponha que um paciente em sessão de fisioterapia psicológica (para tratar estresse pós-traumático) segura um livro de $2\text{ kg}$ imóvel sobre a palma da sua mão, conforme a figura:
Sobre essa situação, assinale a alternativa que apresenta as respostas CORRETAS para as seguintes situações respectivamente (considere $g=10\text{ m/s}^2$):
i) a força normal exercida pela mão sobre o livro é de ______; ii) Se o paciente acelerar a mão verticalmente para cima a $2\text{ m/s}^2$, a força normal será de ______:
A)$2\text{ N}$ e $16\text{ N}$
B)$10\text{ N}$ e $24\text{ N}$
C)$20\text{ N}$ e $24\text{ N}$
D)$0\text{ N}$ e $20\text{ N}$
E)$24\text{ N}$ e $10\text{ N}$
Gabarito proposto (resolução própria, não oficial) Unioeste 2026
C
Gabarito comentado Método TEF
O livro tem peso $P=mg=2\cdot10=20\text{ N}$.
i) Em repouso, a resultante é nula: $N=P=20\text{ N}$.
ii) Acelerando para cima com $a=2\text{ m/s}^2$, a segunda lei dá $N-P=ma\Rightarrow N=20+2\cdot2=24\text{ N}$. A força normal fica maior que o peso, e o livro 'pesa' mais na mão.
Q47
Mecânica — Cinemática: Ultrapassagem com MRUV e Trecho em MRU
Um motorista inicia uma ultrapassagem em uma estrada retilínea. No instante inicial ($t=0\text{ s}$), seu carro está $25\text{ m}$ atrás de um caminhão. Ambos estão inicialmente a $20\text{ m/s}$. O motorista acelera seu carro uniformemente a $2{,}0\text{ m/s}^2$, com a intenção de ultrapassar o caminhão e retornar à sua faixa quando estiver $20\text{ m}$ à frente dele. Durante a manobra, já com o carro ao lado do caminhão, o motorista se distrai e olha seu celular por exatamente $2{,}0$ segundos. Durante esse curto período, ele mantém inconscientemente a velocidade que tinha no instante em que começou a olhar o aparelho, nem acelerando nem freando. Ao final desse período de distração, o carro atinge exatamente a posição necessária para concluir a ultrapassagem como planejado.
Considere os veículos como objetos pontuais e assinale a alternativa que mostra CORRETAMENTE a distância total que o carro percorre desde o início da ultrapassagem ($t=0\text{ s}$) até concluir a manobra.
A)$165\text{ m}$
B)$175\text{ m}$
C)$185\text{ m}$
D)$195\text{ m}$
E)$205\text{ m}$
Gabarito proposto (resolução própria, não oficial) Unioeste 2026
C
Gabarito comentado Método TEF
No referencial do caminhão (que se move a $20\text{ m/s}$ constantes), o carro parte do repouso, $25\text{ m}$ atrás, com aceleração $2\text{ m/s}^2$. Ele fica lado a lado com o caminhão após percorrer $25\text{ m}$ em relação a ele: $25=\dfrac{2\,t_1^2}{2}\Rightarrow t_1=5\text{ s}$.
Nesse instante a velocidade do carro em relação ao solo é $v=20+2\cdot5=30\text{ m/s}$ (velocidade relativa $10\text{ m/s}$). É aí que o motorista se distrai.
Durante os $2\text{ s}$ de distração, o carro avança, em relação ao caminhão, $10\cdot2=20\text{ m}$, ficando exatamente $20\text{ m}$ à frente dele, como planejado. Isso confirma que o enunciado é coerente.
Distância percorrida pelo carro em relação ao solo: fase 1 (MRUV, $5\text{ s}$): $20\cdot5+\dfrac{2\cdot5^2}{2}=100+25=125\text{ m}$; fase 2 (MRU, $2\text{ s}$): $30\cdot2=60\text{ m}$.
Total: $125+60=185\text{ m}$.
Q48
Mecânica — Leis de Newton: Inércia e Referenciais (Gato que Salta na Caixa de uma Picape)
Em um experimento mental um tanto quanto peculiar, o famoso gato de Schrödinger foi levado para dar um passeio. Ele está dentro de uma caixa que repousa fixa na carroceria de uma picape movendo-se a uma velocidade constante em uma estrada retilínea e horizontal. O gato, inicialmente em repouso em relação à caixa, decide realizar um salto perfeitamente vertical do ponto de vista dele. Enquanto o gato está no ar, o motorista da picape, sem saber do experimento em curso, pisa no freio, causando uma desaceleração constante no veículo.
Do ponto de vista de um observador parado em relação à estrada, o que acontece com o gato durante o salto?
A)O gato cai exatamente no mesmo ponto de onde saltou, pois seu movimento vertical é independente do horizontal.
B)O gato cai à frente da caixa devido à desaceleração da picape.
C)O gato é arremessado para trás em relação à caixa e cai próximo à traseira dela, devido à inércia.
D)O gato permanece no ar no ponto exato de seu salto, enquanto a caixa freia e se move para trás em relação a ele.
E)O gato colide com a parte de trás da caixa, pois a velocidade horizontal que ele possuía foi instantaneamente cancelada quando a picape começou a frear.
Gabarito proposto (resolução própria, não oficial) Unioeste 2026
B
Gabarito comentado Método TEF
Durante o salto o gato só sofre a força peso, e não há força horizontal sobre ele. Pela primeira lei de Newton, sua componente horizontal da velocidade permanece igual à velocidade que ele tinha junto com a picape antes da freada.
A caixa, fixa na picape, passa a desacelerar. Em relação à estrada, o gato continua com a velocidade horizontal original, e a caixa fica cada vez mais lenta; portanto o gato avança mais que a caixa.
Visto da estrada, a trajetória do gato é uma parábola à frente do ponto em que estaria se a picape não freasse, e ele cai à frente da posição de salto na caixa. Os demais distratores falham: a independência dos movimentos vertical e horizontal só leva ao mesmo ponto se a caixa mantiver a velocidade (não é o caso); o gato não é 'arremessado para trás', e a velocidade horizontal dele não é cancelada pela freada (não há força para isso).
Q49
Mecânica — Trabalho e Energia: Trabalho de uma Força Constante
Uma pessoa empurra uma caixa horizontalmente sobre o chão plano com uma força constante. Se a caixa se desloca, pode-se afirmar CORRETAMENTE que o trabalho realizado por essa força
A)é nulo, pois o movimento é horizontal.
B)é nulo, pois a força aplicada não é vertical.
C)é proporcional ao deslocamento da caixa.
D)não depende da direção da força.
E)produz uma variação de energia potencial.
Gabarito proposto (resolução própria, não oficial) Unioeste 2026
C
Gabarito comentado Método TEF
O trabalho de uma força constante é $W=F\,d\cos\theta$, em que $\theta$ é o ângulo entre a força e o deslocamento. Aqui $\theta=0$, então $W=F\,d$.
Como $F$ é constante, o trabalho é diretamente proporcional ao deslocamento $d$: dobrando-se o deslocamento, dobra o trabalho.
Os demais itens falham: o trabalho só é nulo se a força for perpendicular ao deslocamento, e não por o movimento ser horizontal ou a força não ser vertical; ele depende, sim, da direção da força (por meio de $\cos\theta$); e, num deslocamento horizontal, a altura não muda, e a energia potencial gravitacional não varia.
Q50
Mecânica — Hidrostática: Empuxo em Bola que Sobe, a partir do Gráfico v × t
Uma bola de isopor de massa $m=0{,}20\text{ kg}$, inicialmente mantida no fundo de uma piscina cheia de água, é solta e passa a subir verticalmente. O gráfico abaixo mostra a velocidade ($v$) da bola em função do tempo ($t$) durante um intervalo do seu movimento de subida até a superfície.
Despreze a resistência da água e assinale a alternativa que mostra CORRETAMENTE o módulo da força de empuxo que a água exerce sobre a bola (considere $g=10\text{ m/s}^2$).
A)$1{,}9\text{ N}$
B)$2{,}0\text{ N}$
C)$2{,}1\text{ N}$
D)$2{,}5\text{ N}$
E)$3{,}0\text{ N}$
Gabarito proposto (resolução própria, não oficial) Unioeste 2026
C
Gabarito comentado Método TEF
O gráfico é uma reta de $0$ a $1{,}0\text{ m/s}$ em $2{,}0\text{ s}$: movimento uniformemente acelerado com $a=\dfrac{\Delta v}{\Delta t}=\dfrac{1{,}0}{2{,}0}=0{,}5\text{ m/s}^2$.
Forças na bola (sem resistência da água): empuxo $E$ para cima e peso $P=mg=0{,}20\cdot10=2{,}0\text{ N}$ para baixo.
Segunda lei: $E-P=ma\Rightarrow E=P+ma=2{,}0+0{,}20\cdot0{,}5=2{,}1\text{ N}$.
Q51
Termologia — Calorimetria: Calor Sensível e Taxa Média de Perda de Calor
O café em uma garrafa térmica esfria lentamente devido à ação de mecanismos de transferência de calor (como a condução e a radiação térmica) que, embora minimizados no processo de fabricação do recipiente, ainda ocorrem. A capacidade de um material ou estrutura (como uma parede) de permitir a passagem de calor é medida pelo coeficiente de transmissão térmica: quanto mais próximo de zero for este coeficiente, melhor o isolamento térmico que ele proporciona. Assim, uma garrafa térmica ideal deveria ter coeficiente de transmissão térmica nulo, mas não é isso que acontece na prática. Considere o seguinte caso: uma garrafa térmica contém $400\text{ g}$ de café (de calor específico $=0{,}95\text{ cal/g}\text{ °C}$) a $85\text{ °C}$. A temperatura ambiente é $25\text{ °C}$. Após $1$ hora, a temperatura do café cai para $70\text{ °C}$.
Na situação descrita, qual é a taxa média de perda de calor (em calorias por hora)?
A)$5700\text{ cal/h}$
B)$6800\text{ cal/h}$
C)$4500\text{ cal/h}$
D)$7200\text{ cal/h}$
E)$3800\text{ cal/h}$
Gabarito proposto (resolução própria, não oficial) Unioeste 2026
A
Gabarito comentado Método TEF
O calor perdido pelo café é o calor sensível cedido na queda de $85\text{ °C}$ para $70\text{ °C}$: $|Q|=mc\,|\Delta\theta|=400\cdot0{,}95\cdot15=5700\text{ cal}$.
Esse calor foi perdido em $1\text{ h}$, e a taxa média é $\dfrac{5700\text{ cal}}{1\text{ h}}=5700\text{ cal/h}$. A temperatura ambiente ($25\text{ °C}$) não entra no cálculo: ela só seria necessária para determinar o coeficiente de transmissão térmica.
Q52
Termologia — Mudanças de Estado: Calor Latente na Esterilização por Vapor (Autoclave)
Em hospitais, clínicas e laboratórios de análise, a esterilização dos instrumentos clínicos em autoclave é fundamental para prevenir infecções hospitalares e garantir a segurança tanto dos pacientes quanto dos profissionais de saúde. Estes equipamentos de autoclave utilizam vapor de água em alta temperatura e sob alta pressão em uma câmara vedada para destruir microrganismos presentes nos objetos colocados em seu interior. Comparado ao ar quente e seco, o vapor é significativamente mais eficiente na transferência de calor para os instrumentos, garantindo uma esterilização rápida e segura. Do ponto de vista da termodinâmica, essa maior eficiência é devida majoritariamente à seguinte razão:
A)O vapor conduz calor mais rapidamente do que sólidos devido ao maior movimento das moléculas de água no estado gasoso.
B)O calor específico da água no estado gasoso é maior do que no estado líquido, armazenando mais energia térmica.
C)Quando o vapor entra em contato com as superfícies mais frias dos instrumentos, ele sofre condensação, liberando calor latente, além do calor sensível.
D)O vapor emite radiação térmica com maior intensidade do que o ar seco, aquecendo os objetos por irradiação infravermelha.
E)O vapor promove uma convecção forçada do calor mais eficientemente do que o ar seco devido a sua maior densidade e capacidade de circulação dentro da autoclave.
Gabarito proposto (resolução própria, não oficial) Unioeste 2026
C
Gabarito comentado Método TEF
O que distingue o vapor de água do ar quente seco é a mudança de estado. Ao encostar numa superfície mais fria, o vapor se condensa e libera o calor latente de condensação (cerca de $540\text{ cal}$ por grama a $100\text{ °C}$), uma energia muito maior que a liberada só pelo resfriamento de um gás de mesma massa.
Além disso, a condensação mantém a superfície em contato com vapor novo, que vai se condensando, de modo que a transferência de calor é rápida e intensa.
Os demais itens apresentam afirmações incorretas ou secundárias: o vapor não conduz melhor que um sólido; o calor específico do vapor ($\approx0{,}5\text{ cal/g}\text{ °C}$) é menor que o da água líquida ($1\text{ cal/g}\text{ °C}$); a irradiação é menos importante que a condensação; e a convecção forçada não é a razão principal.
Q53
Eletricidade — Eletrodinâmica: Potência Elétrica, Tensão da Rede e Corrente do Disjuntor (Chuveiro)
Considere a seguinte situação: Em sua casa está instalado um chuveiro elétrico simples que, quando em funcionamento, recebe uma vazão de entrada de água constante e uniforme. Este chuveiro, que possui uma potência máxima de $4400\text{ W}$, está instalado em uma rede elétrica exclusiva cuja tensão é de $127\text{ V}$, em série com um disjuntor de $50\text{ A}$. Com a aproximação do inverno, você decide substituir seu chuveiro por um novo, com a intenção de ter um aparelho que permita um maior aquecimento da água durante o banho, quando opera na máxima potência. Considerando que sua única ação será de substituir o chuveiro, a melhor especificação do novo aparelho para um funcionamento adequado deve ser:
A)$4400\text{ W}$, $220\text{ V}$.
B)$5600\text{ W}$, $127\text{ V}$.
C)$5600\text{ W}$, $220\text{ V}$.
D)$7800\text{ W}$, $127\text{ V}$.
E)$7800\text{ W}$, $220\text{ V}$.
Gabarito proposto (resolução própria, não oficial) Unioeste 2026
B
Gabarito comentado Método TEF
A rede é de $127\text{ V}$, e como só se troca o chuveiro, a tensão não muda. O disjuntor limita a corrente a $50\text{ A}$, de modo que a potência máxima possível é $P_{máx}=V\,i_{máx}=127\cdot50=6350\text{ W}$.
Aparelhos de $220\text{ V}$ ligados em $127\text{ V}$ não funcionam como especificado: a resistência fixa $R=\dfrac{V_{nom}^2}{P_{nom}}$ dissipa $P=\dfrac{V^2}{R}$, e portanto potência menor que a nominal. Por exemplo, o de $5600\text{ W}$ e $220\text{ V}$ teria $R=8{,}6\ \Omega$ e dissiparia só $\dfrac{127^2}{8{,}6}\approx1870\text{ W}$, menos que o chuveiro atual (que tem $R\approx3{,}7\ \Omega$). Não serve para aquecer mais.
Entre os aparelhos de $127\text{ V}$: o de $7800\text{ W}$ exigiria $i=\dfrac{7800}{127}\approx61\text{ A}$, acima dos $50\text{ A}$ do disjuntor, que desarmaria. O de $5600\text{ W}$ exige $i=\dfrac{5600}{127}\approx44\text{ A}$, dentro do limite, e fornece mais potência que os $4400\text{ W}$ do atual (que puxa $\approx34{,}6\text{ A}$).
Ou seja, o aparelho adequado é o de $5600\text{ W}$ em $127\text{ V}$: aquece mais e não ultrapassa o disjuntor.
Q54
Física Moderna — Fótons: Número de Fótons por Segundo em um Laser
Os leitores de códigos de barra dos caixas de supermercado utilizam lasers que emitem luz vermelha de comprimento de onda $600\text{ nm}$. A potência desses lasers é de $0{,}6\text{ mW}$. Sabendo que a relação entre a energia de um fóton ($E$) e seu comprimento de onda ($\lambda$) é dada pela equação:
$E=\dfrac{hc}{\lambda}$
onde $h$ é a constante de Planck ($6\times10^{-34}\text{ J}\cdot\text{s}$) e $c$ é a velocidade da luz ($3\times10^{8}\text{ m/s}$), assinale a alternativa CORRETA que corresponde ao número de fótons emitidos por segundo em um laser desse tipo.
A)$1{,}6\times10^{15}$
B)$1{,}8\times10^{15}$
C)$2{,}0\times10^{15}$
D)$3{,}0\times10^{15}$
E)$6{,}2\times10^{15}$
Gabarito proposto (resolução própria, não oficial) Unioeste 2026
C
Gabarito comentado Método TEF
Energia de um fóton: $E=\dfrac{hc}{\lambda}=\dfrac{6\times10^{-34}\cdot3\times10^{8}}{600\times10^{-9}}=\dfrac{1{,}8\times10^{-25}}{6\times10^{-7}}=3\times10^{-19}\text{ J}$.
A potência é a energia emitida por segundo: $P=0{,}6\text{ mW}=6\times10^{-4}\text{ W}=6\times10^{-4}\text{ J/s}$.
Número de fótons por segundo: $n=\dfrac{P}{E}=\dfrac{6\times10^{-4}}{3\times10^{-19}}=2\times10^{15}\text{ fótons/s}$.