PUC-Rio 2017.2 | Prova Unificada de Física — Questões de Física comentadas — Método TEF

Vestibular de Inverno para ingresso no 2º semestre de 2017 · aplicação em 9 de julho de 2017 · tarde (Grupos 1, 2, 4 e 5) · 8 questões únicas, sem repetições — resolução comentada Método TEF.

Q01
Mecânica — Dinâmica — Plano inclinado com atrito: aceleração e trabalho do atrito
Tarde · Grupo 1 — Questão 1

Questão 1 (1,0 ponto). Um bloco desliza sobre um plano inclinado como mostra a figura. O plano inclinado faz um ângulo $\theta$ com o plano horizontal. Existe atrito entre o bloco e a superfície do plano. Considere a aceleração da gravidade igual a $g$, a massa do bloco igual a $M$ e o coeficiente de atrito cinético igual a $\mu$.

Bloco sobre um plano inclinado de ângulo teta, na altura h em relação à base, com a distância L percorrida ao longo do plano até a base

a) Encontre a aceleração do bloco em função de $g$, $\mu$ e $\theta$.

Resposta $a=g\,(\text{sen}\,\theta-\mu\cos\theta)$

b) Determine o trabalho realizado pela força de atrito, desde o instante em que o bloco passa pelo ponto de altura $h$ até atingir a base da rampa, i.e., após percorrer a distância $L$, no plano, em função de $\mu$, $M$, $g$, $h$ e $\theta$.

Resposta $W_{at}=-\dfrac{\mu\,M\,g\,h}{\text{tg}\,\theta}$
Resolução

a) Sobre o bloco atuam o peso $M g$, a normal $N$ e o atrito cinético $f_{at}$. Escolhemos um eixo ao longo do plano, no sentido da descida, e outro perpendicular a ele, e decompomos o peso: $M g\,\text{sen}\,\theta$ ao longo do plano e $M g\cos\theta$ perpendicular a ele.

Perpendicularmente ao plano não há aceleração, então $N=M g\cos\theta$ e, portanto, $f_{at}=\mu\,N=\mu\,M g\cos\theta$. Ao longo do plano, a segunda lei de Newton dá $M a=M g\,\text{sen}\,\theta-\mu\,M g\cos\theta$. A massa se cancela: $a=g\,(\text{sen}\,\theta-\mu\cos\theta)$, que também pode ser escrito como $a=g\,\text{sen}\,\theta\left(1-\dfrac{\mu}{\text{tg}\,\theta}\right)$.

b) O trabalho do atrito é a força vezes o deslocamento, com sinal negativo, pois o atrito aponta contra o movimento: $W_{at}=-f_{at}\,L=-\mu\,M g\cos\theta\,L$.

O enunciado pede o resultado em função de $h$ e $\theta$, não de $L$. Na figura, $h$ é o cateto oposto ao ângulo $\theta$ e $L$ é a hipotenusa, logo $L=\dfrac{h}{\text{sen}\,\theta}$. Substituindo, $W_{at}=-\mu\,M g\,h\,\dfrac{\cos\theta}{\text{sen}\,\theta}=-\dfrac{\mu\,M g\,h}{\text{tg}\,\theta}$.

Q02
Termologia — Termodinâmica — Aquecimento isocórico de gás diatômico
Tarde · Grupo 1 — Questão 2

Questão 2 (1,0 ponto). Seja um gás diatômico (ar) de calor específico molar a volume constante $C_V=\tfrac52 R$, inicialmente à pressão atmosférica e a $27\,°\text{C}$. Esse gás encontra-se contido dentro de um calorímetro de volume $24{,}7$ litros e é, então, aquecido, a volume constante, até aumentar sua temperatura em $150\,°\text{C}$.

Dados: $p_{atm}=1{,}01\times10^{5}\,\text{Pa}$; $R=8{,}31\,\text{J/kg.mol}$

a) Calcule a pressão do gás ao fim do processo.

Resposta $1{,}52\times10^{5}\,\text{Pa}$

b) Calcule a quantidade de calor absorvida pelo gás.

Resposta $3{,}12\times10^{3}\,\text{J}$
Resolução

a) A transformação é a volume constante, então vale a lei de Gay-Lussac: $\dfrac{p_f}{T_f}=\dfrac{p_i}{T_i}$, com a temperatura em kelvin. A temperatura inicial é $T_i=27+273=300\,\text{K}$ e a final, após o aumento de $150\,°\text{C}$ (que equivale a $150\,\text{K}$), é $T_f=450\,\text{K}$.

$p_f=p_i\,\dfrac{T_f}{T_i}=1{,}01\times10^{5}\cdot\dfrac{450}{300}=1{,}515\times10^{5}\approx1{,}52\times10^{5}\,\text{Pa}$.

b) A volume constante, o gás não realiza trabalho, e todo o calor absorvido vai para a energia interna: $Q=n\,C_V\,\Delta T$. O número de mols vem da equação de estado, com os dados iniciais, e com o volume em m³ ($24{,}7\,\text{L}=24{,}7\times10^{-3}\,\text{m}^3$): $n=\dfrac{p_i V}{R\,T_i}=\dfrac{1{,}01\times10^{5}\cdot24{,}7\times10^{-3}}{8{,}31\cdot300}\approx1{,}0\,\text{mol}$.

Com $C_V=\tfrac52 R=\tfrac52\cdot8{,}31\approx20{,}8\,\text{J/(mol}\cdot\text{K)}$, resulta $Q=1{,}0\cdot20{,}8\cdot150=3{,}12\times10^{3}\,\text{J}$.

Observação: o enunciado traz a unidade da constante universal dos gases como “J/kg.mol”. A unidade correta é $\text{J/(mol}\cdot\text{K)}$, e foi essa a que usamos nas contas.

Q03
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistor limitador de corrente em LED
Tarde · Grupo 1 — Questão 3

Questão 3 (1,0 ponto). Uma estudante tem uma pequena lâmpada LED vermelha em cujas especificações lê-se o seguinte: “Queda de tensão $1{,}8\,\text{V}$; corrente máxima $0{,}02\,\text{A}$”. Ela quer ligar essa lâmpada a duas pilhas AA em série, cada uma delas com voltagem de $1{,}5\,\text{V}$. Mas percebe que, para isso, deve acrescentar algum resistor ao circuito.

a) Qual deve ser a resistência mínima do resistor para que a lâmpada LED não queime?

Resposta $60\,\Omega$

b) A estudante tem à sua disposição até quatro resistores de $120\,\Omega$. Quantos resistores ela deve usar para que a lâmpada opere, seguramente, em sua corrente máxima? Justifique e faça um esquema do circuito.

Resposta Dois resistores de $120\,\Omega$ em paralelo entre si (equivalente de $60\,\Omega$), ligados em série com o LED e as pilhas.
Resolução

a) As duas pilhas em série fornecem $3{,}0\,\text{V}$. O LED, quando conduz, mantém uma queda de $1{,}8\,\text{V}$ entre seus terminais, e o resistor, ligado em série com ele, precisa absorver o restante: $U_R=3{,}0-1{,}8=1{,}2\,\text{V}$.

A corrente em um circuito em série é a mesma em todos os elementos. Para que o LED não queime, ela não pode passar de $0{,}02\,\text{A}$. Quanto menor a resistência, maior a corrente; logo, a resistência mínima é a que produz exatamente a corrente máxima: $R=\dfrac{U_R}{I}=\dfrac{1{,}2}{0{,}02}=60\,\Omega$.

b) Queremos que a resistência total do resistor seja de $60\,\Omega$, e dispomos apenas de resistores de $120\,\Omega$. Em série, a resistência só aumenta, então precisamos de uma associação em paralelo. Com $n$ resistores iguais em paralelo, $R_{eq}=\dfrac{120}{n}$, e $60\,\Omega$ pedem $n=2$.

O esquema é um circuito simples em série: as duas pilhas, o LED e, em série com eles, o par de resistores de $120\,\Omega$ ligados em paralelo entre si. Com isso, a corrente fica no limite de $0{,}02\,\text{A}$.

Q04
Mecânica — Cinemática — Altura máxima no lançamento vertical
Tarde · Grupo 2 — Q6 · Grupo 4 — Q3 · Grupo 5 — Q1

A partir do solo, uma bola é lançada verticalmente com velocidade $v$ e atinge uma altura máxima $h$. Se a velocidade de lançamento for aumentada em $3v$, a nova altura máxima final atingida pela bola será:

Despreze a resistência do ar

A)$2h$
B)$4h$
C)$8h$
D)$9h$
E)$16h$

PUC-Rio 2017.2 · Grupos 2, 4 e 5

E
Resolução

Sem resistência do ar, a energia cinética inicial vira energia potencial no ponto mais alto: $\dfrac{m\,v^2}{2}=m\,g\,h$, de modo que $h=\dfrac{v^2}{2g}$. A altura é proporcional ao quadrado da velocidade de lançamento.

A expressão “aumentada em $3v$” significa que a velocidade passa a ser $v+3v=4v$ (e não $3v$). Então $h'=\dfrac{(4v)^2}{2g}=16\,\dfrac{v^2}{2g}=16\,h$.

Q05
Óptica — Refração — Lei de Snell e razão entre velocidades
Tarde · Grupo 2 — Q7 · Grupo 4 — Q4 · Grupo 5 — Q2

Um feixe luminoso incide sobre uma superfície plana, fazendo um ângulo de $60°$ com a normal à superfície. Sabendo que este feixe é refratado com um ângulo de $30°$ com a normal, podemos dizer que a razão entre a velocidade da luz incidente e a velocidade da luz refratada é

A)3
B)1
C)$\sqrt3$
D)$\sqrt3/3$
E)$\sqrt3/2$

PUC-Rio 2017.2 · Grupos 2, 4 e 5

C
Resolução

Na refração, $\dfrac{\text{sen}\,\theta_1}{v_1}=\dfrac{\text{sen}\,\theta_2}{v_2}$ (é a lei de Snell, já que $n=c/v$ e $n_1\,\text{sen}\,\theta_1=n_2\,\text{sen}\,\theta_2$). Isolando a razão pedida: $\dfrac{v_1}{v_2}=\dfrac{\text{sen}\,\theta_1}{\text{sen}\,\theta_2}$.

Com $\text{sen}\,60°=\dfrac{\sqrt3}{2}$ e $\text{sen}\,30°=\dfrac12$: $\dfrac{v_1}{v_2}=\dfrac{\sqrt3/2}{1/2}=\sqrt3$. O ângulo diminui ao refratar, então o segundo meio é mais refringente, e a luz se propaga mais devagar nele.

Q06
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistores idênticos em paralelo
Tarde · Grupo 2 — Q8 · Grupo 4 — Q5 · Grupo 5 — Q3

Quatro resistores idênticos, de resistência $R$, estão ligados a uma bateria de $12\,\text{V}$. Pela bateria, flui uma corrente $I=12\,\text{mA}$. A resistência $R$ de cada resistor, em k$\Omega$, é

Bateria de 12 V ligada a quatro resistores idênticos, todos em paralelo: três à esquerda, lado a lado, e um à direita
A)4
B)1
C)3/4
D)5/3
E)1/4

PUC-Rio 2017.2 · Grupos 2, 4 e 5

A
Resolução

Pela figura, os dois fios que saem dos terminais da bateria alimentam os quatro resistores, e todos ficam ligados entre os mesmos dois nós: estão em paralelo, sob a mesma tensão de $12\,\text{V}$.

Quatro resistores iguais em paralelo têm $R_{eq}=\dfrac{R}{4}$. A lei de Ohm para o conjunto dá $R_{eq}=\dfrac{V}{I}=\dfrac{12}{12\times10^{-3}}=1\,000\,\Omega=1\,\text{k}\Omega$.

Então $\dfrac{R}{4}=1\,\text{k}\Omega$ e $R=4\,\text{k}\Omega$. O valor de $1\,\text{k}\Omega$ é a resistência equivalente, não a de cada resistor.

Q07
Termologia — Gases — Balão submerso e lei de Boyle
Tarde · Grupo 2 — Q9 · Grupo 4 — Q6 · Grupo 5 — Q4

Um pequeno balão esférico flexível, que pode aumentar ou diminuir de tamanho, contém $1{,}0$ litro de ar e está, inicialmente, submerso no oceano a uma profundidade de $10{,}0\,\text{m}$. Ele é lentamente levado para a superfície, a temperatura constante. O volume do balão (em litros), quando este atinge a superfície, é

Dados: $p_{atm}=1{,}0\times10^{5}\,\text{Pa}$; $\rho_{\text{água}}=1{,}0\times10^{3}\,\text{kg/m}^3$; $g=10\,\text{m/s}^2$

A)0,25
B)0,50
C)1,0
D)2,0
E)4,0

PUC-Rio 2017.2 · Grupos 2, 4 e 5

D
Resolução

A $10{,}0\,\text{m}$ de profundidade, a pressão sobre o balão é a atmosférica mais a da coluna de água (teorema de Stevin): $p_i=p_{atm}+\rho\,g\,h=1{,}0\times10^{5}+1{,}0\times10^{3}\cdot10\cdot10{,}0=2{,}0\times10^{5}\,\text{Pa}$. Ou seja, $p_i=2\,p_{atm}$.

Na superfície, a pressão é $p_f=p_{atm}$. A transformação é isotérmica e de massa de gás fixa, então vale a lei de Boyle, $p_i V_i=p_f V_f$: $V_f=V_i\,\dfrac{p_i}{p_f}=1{,}0\cdot2=2{,}0$ litros.

Q08
Mecânica — Estática — Equilíbrio de ponto material sob tração de dois fios
Tarde · Grupo 2 — Q10 · Grupo 5 — Q5

Um bloco está sendo sustentado pelos fios 1 e 2, como mostrado na figura. Os fios fazem um ângulo reto entre si. Sendo $T_1$ e $T_2$ os módulos das tensões nos fios 1 e 2, respectivamente, qual é o valor da razão $T_1/T_2$?

Bloco preso por dois fios ao teto: o fio 1 vai da extremidade esquerda ao bloco, o fio 2 vai da extremidade direita ao bloco e mede 0,5 m; a distância horizontal entre as fixações é 1,3 m
A)5/12
B)5/13
C)12/13
D)12/5
E)13/5

PUC-Rio 2017.2 · Grupos 2, 4 e 5

A
Resolução

O bloco está em repouso, então a resultante horizontal sobre o ponto onde os fios se encontram é nula. O ponto de encontro e as duas fixações no teto formam um triângulo retângulo (os fios fazem $90°$ entre si) com hipotenusa $1{,}3\,\text{m}$ e um cateto, o fio 2, de $0{,}5\,\text{m}$. Pelo teorema de Pitágoras, o fio 1 mede $\sqrt{1{,}3^2-0{,}5^2}=1{,}2\,\text{m}$: é o triângulo $5\text{–}12\text{–}13$.

Seja $\theta$ o ângulo que o fio 1 faz com o teto. O cateto oposto a ele é o fio 2, então $\text{sen}\,\theta=\dfrac{5}{13}$ e $\cos\theta=\dfrac{12}{13}$. O fio 2 faz com o teto o ângulo complementar, $90°-\theta$.

Na horizontal, as componentes das tensões se cancelam: $T_1\cos\theta=T_2\,\text{sen}\,\theta$. Logo $\dfrac{T_1}{T_2}=\dfrac{\text{sen}\,\theta}{\cos\theta}=\text{tg}\,\theta=\dfrac{5}{12}$.

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