PUC-Rio 2019.1 | Prova Unificada de Física — Questões de Física comentadas — Método TEF

Vestibular para ingresso no 1º semestre de 2019 · aplicação em 14 de outubro de 2018 · 2º dia · tarde (Grupos 1, 4 e 5) e manhã (Grupo 2) · 28 questões únicas, sem repetições — resolução comentada Método TEF.

Q01
Termologia — Gases — Temperatura máxima em ciclo no diagrama pV
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q06

Uma certa quantidade de um gás ideal passa por um ciclo composto pelos quatro processos termodinâmicos quase-estáticos da figura. Começando, no estado inicial A, com $T=300\,\text{K}$, $p=p_0$ e $V=V_0$, o sistema sofre um

1 – processo isobárico de A a B;

2 – processo isocórico de B a C;

3 – processo isobárico de C a D;

4 – processo isocórico de D a A, voltando ao estado inicial.

Diagrama pressão por volume com o ciclo ABCD: A em (V0, p0), B em (2V0, p0), C em (2V0, p0/2) e D em (V0, p0/2)

Calcule, em Kelvin, o máximo valor que a temperatura do gás atinge ao longo desses processos.

A)900
B)600
C)300
D)200
E)150

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 1

B
Resolução

Para um gás ideal com quantidade de matéria constante, $pV=nRT$: a temperatura absoluta é proporcional ao produto $pV$. Assim, a temperatura máxima do ciclo ocorre no estado em que esse produto é máximo.

Lendo os estados no diagrama: em A, $pV=p_0V_0$; em B, $pV=p_0\cdot2V_0=2\,p_0V_0$; em C, $pV=\dfrac{p_0}{2}\cdot2V_0=p_0V_0$; em D, $pV=\dfrac{p_0}{2}\cdot V_0=\dfrac{p_0V_0}{2}$.

O maior valor é o do estado B, o dobro do inicial. Como A está a $300\,\text{K}$, a temperatura em B vale $T_B=2\cdot300=600\,\text{K}$. Os outros estados têm temperaturas de $300\,\text{K}$ (C) e $150\,\text{K}$ (D), menores que a de B.

Q02
Mecânica — Quantidade de movimento — Colisões elásticas entre corpos idênticos
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q07

Três corpos idênticos, 1, 2 e 3, se movem horizontalmente sobre o eixo $x$, sem nenhuma resistência ou atrito, com as velocidades iniciais respectivas $3v_0$, $2v_0$ e $v_0$, como mostrado na figura. Assuma que todas as colisões futuras entre os corpos serão elásticas e que o movimento não para. Depois de um longo tempo, as velocidades finais dos corpos 1, 2 e 3 serão respectivamente:

Três corpos idênticos 1, 2 e 3 sobre o eixo x, com velocidades 3v0, 2v0 e v0 para a direita
A)$3v_0$, $2v_0$ e $v_0$
B)$v_0$, $2v_0$ e $3v_0$
C)$2v_0$, $2v_0$ e $2v_0$
D)$0$, $0$ e $6v_0$
E)$0$, $2v_0$ e $4v_0$

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 1

B
Resolução

Em uma colisão elástica unidimensional entre dois corpos de mesma massa, as velocidades se trocam: a quantidade de movimento e a energia cinética se conservam, e a única solução em que os corpos se afastam é a troca de velocidades.

O corpo 1 ($3v_0$) é o mais rápido e alcança o corpo 2 ($2v_0$). Após a colisão, o corpo 1 fica com $2v_0$ e o corpo 2 com $3v_0$. Agora o corpo 2 ($3v_0$) alcança o corpo 3 ($v_0$): trocam, e ficam com $v_0$ (corpo 2) e $3v_0$ (corpo 3).

Resta uma colisão: o corpo 1 ($2v_0$) alcança o corpo 2 ($v_0$), e eles trocam de novo, com 1 ficando em $v_0$ e 2 em $2v_0$. Agora as velocidades estão em ordem crescente da esquerda para a direita, $v_0<2v_0<3v_0$, e nenhum corpo alcança o da frente. O movimento termina assim.

Q03
Mecânica — Dinâmica — Atrito em sistema bloco e polia
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q08

Dois corpos de massas $M=10{,}0\,\text{kg}$ e $m=5{,}00\,\text{kg}$ estão ligados por uma corda ideal, passando por uma polia ideal, onde $M$ está em uma superfície horizontal, como mostrado na figura. Dado que a aceleração escalar dos corpos é de $3{,}00\,\text{m/s}^2$, calcule o módulo, em Newtons, da força de atrito que age sobre o corpo de massa $M$.

Bloco M sobre mesa horizontal ligado por corda e polia a um bloco m pendurado, com aceleração de 3,00 m/s² para baixo

Dado: $g=10{,}0\,\text{m/s}^2$.

A)5
B)15
C)30
D)45
E)50

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 1

A
Resolução

A corda é ideal e a polia também, então a tração $T$ é a mesma nos dois lados, e os dois corpos têm a mesma aceleração, em módulo, $a=3{,}00\,\text{m/s}^2$.

Corpo $m$ (descendo): o peso aponta no sentido do movimento e a tração se opõe. $m\,g-T=m\,a$, logo $T=5{,}00\,(10{,}0-3{,}00)=35\,\text{N}$.

Corpo $M$ (na horizontal): a tração o puxa e o atrito se opõe. $T-f_{at}=M\,a$, e então $f_{at}=T-M\,a=35-10{,}0\cdot3{,}00=5\,\text{N}$.

Pode-se conferir somando as duas equações: $m\,g-f_{at}=(m+M)\,a$, de modo que $f_{at}=50-15\cdot3=5\,\text{N}$, o mesmo valor.

Q04
Eletromagnetismo — Força magnética — Partícula em campos elétrico e magnético simultâneos
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q09

Uma partícula pontual de carga positiva $Q$ está viajando, em linha reta, na direção $x$, em uma região do espaço onde existe campo magnético B e campo elétrico E. Encontre a única possibilidade abaixo para as direções dos campos, de modo que a partícula continue sempre se movendo na direção $x$, independentemente do módulo de sua velocidade.

A)B // z e E // z
B)B // z e E // y
C)B // y e E // z
D)B // y e E // y
E)B // x e E // x

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 1

E
Resolução

A força sobre a carga é a de Lorentz: $\vec F=Q\,\vec E+Q\,\vec v\times\vec B$. Para que a partícula continue na direção $x$, a força resultante não pode ter componente perpendicular a $x$ — e isso deve valer para qualquer módulo de $v$.

Campo magnético: a força magnética $Q\,\vec v\times\vec B$ é sempre perpendicular a $\vec v$ (que está em $x$). Se $\vec B$ for perpendicular a $x$ (em $y$ ou $z$), a força magnética tem módulo $Q\,v\,B$ e depende de $v$: ela desvia a partícula. Só um campo $\vec B$ paralelo a $x$ anula essa força, pois $\vec v\times\vec B=\vec 0$ quando são paralelos.

Campo elétrico: a força elétrica $Q\,\vec E$ não depende da velocidade. Se $\vec E$ tiver componente em $y$ ou $z$, ela desvia a partícula da direção $x$, e não há como cancelá-la por uma força magnética que dependa de $v$ para todos os valores de $v$. Já um campo $\vec E$ paralelo a $x$ apenas acelera ou freia a partícula ao longo da própria direção do movimento.

Logo, a única combinação compatível é $\vec B$ e $\vec E$ ambos paralelos a $x$. As demais opções só mantêm a trajetória retilínea para um valor específico de $v$, em que as forças elétrica e magnética se cancelam (filtro de velocidades), o que contraria a exigência de valer para qualquer velocidade.

Q05
Mecânica — Hidrostática — Empuxo em esfera presa por fio
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q10

Uma esfera, de massa $0{,}200\,\text{kg}$ está dentro de um recipiente cheio de água. A esfera está em equilíbrio, ligada por um fio ao fundo do recipiente. A tensão nesse fio é de $0{,}500\,\text{N}$. Calcule, em $\text{cm}^3$, o volume da esfera.

Esfera totalmente imersa em um recipiente com água, presa por um fio ao fundo

Dados: $g=10{,}0\,\text{m/s}^2$; $d_{\text{água}}=1{,}00\,\text{g/cm}^3$.

A)500
B)300
C)250
D)200
E)100

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 1

C
Resolução

A esfera está totalmente imersa, em equilíbrio e presa ao fundo. Se o fio está esticado, ele a puxa para baixo: a esfera tem tendência a subir, e o empuxo é maior que o peso.

Forças na esfera: o empuxo $E$ para cima; o peso $P=m\,g=0{,}200\cdot10{,}0=2{,}00\,\text{N}$ e a tração $T=0{,}500\,\text{N}$ para baixo. No equilíbrio, $E=P+T=2{,}50\,\text{N}$.

O empuxo é o peso do líquido deslocado, $E=\rho_{\text{água}}\,V\,g$. Em unidades do SI, $\rho_{\text{água}}=1{,}00\times10^3\,\text{kg/m}^3$: $V=\dfrac{E}{\rho\,g}=\dfrac{2{,}50}{1{,}00\times10^3\cdot10{,}0}=2{,}5\times10^{-4}\,\text{m}^3$.

Como $1\,\text{m}^3=10^6\,\text{cm}^3$, o volume da esfera é $2{,}5\times10^{-4}\cdot10^6=250\,\text{cm}^3$.

Q06
Eletromagnetismo — Campo magnético — Campo resultante de dois ímãs
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q11

Assinale a única configuração com dois ímãs, abaixo, que produz campo magnético nulo em pelo menos um ponto dentro da região limitada pelo quadrado.

A)Dois ímãs horizontais, ambos com o polo norte à esquerda e o sul à direita
B)Dois ímãs verticais, ambos com o polo sul em cima e o norte embaixo
C)Dois ímãs horizontais, ambos com o polo sul à esquerda e o norte à direita
D)Dois ímãs verticais, ambos com o polo norte em cima e o sul embaixo
E)Dois ímãs horizontais com os polos norte de frente um para o outro: o da esquerda com sul à esquerda e norte à direita, o da direita com norte à esquerda e sul à direita

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 1

E
Resolução

O campo de cada ímã, fora dele, sai do polo norte e chega ao polo sul. Em um ponto entre os dois ímãs, o campo total é a soma vetorial dos campos dos dois. Para que se anule, os campos precisam ser opostos e de mesmo módulo, o que só é possível, por simetria, no ponto médio, quando os dois ímãs são idênticos e dispostos de forma simétrica.

Nas configurações em que os dois ímãs têm a mesma orientação (nas opções com os dois iguais, lado a lado), o campo de um deles aponta na mesma direção que o do outro na região central, e os campos se somam, sem anular.

Na configuração com os polos de mesmo nome frente a frente (norte de um diante do norte do outro), cada ímã “empurra” as linhas de campo para o outro. No ponto médio, o campo de um ímã é igual em módulo e oposto ao do outro: a soma é nula. É o mesmo princípio de duas cargas iguais, em que o campo se anula no ponto central entre elas.

As configurações com os ímãs na vertical, lado a lado e idênticos, têm campo não nulo na região entre eles: ao longo do eixo de cada ímã o campo tem sentido definido, e os dois ímãs paralelos geram campos que se somam na região entre eles.

Q07
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistores em aresta de tetraedro
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q12

Um conjunto de seis resistores idênticos, de resistências iguais a $1{,}0\,\Omega$, formam um tetraedro em cujas arestas estão os resistores, como na figura. Aplicando uma diferença de voltagem igual a $1{,}0\,\text{V}$ entre os pontos A e B, observamos que passa uma corrente $I$ pelo circuito. Calcule a corrente $I$, em ampère.

Bateria de 1,0 V ligada aos pontos A e B de um tetraedro formado por seis resistores nas arestas
A)0,0
B)0,33
C)0,17
D)1,0
E)2,0

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 1

E
Resolução

O tetraedro tem quatro vértices: A, B e outros dois, que chamaremos de C e D. As seis arestas são os resistores: AB, AC, AD, BC, BD e CD, todos de $1{,}0\,\Omega$.

Pela simetria, os vértices C e D ficam ao mesmo potencial, que é o ponto médio entre os potenciais de A e B. Assim, não passa corrente pelo resistor CD, que pode ser retirado do circuito sem alterar nada.

Restam três caminhos entre A e B, em paralelo: o resistor AB direto ($1{,}0\,\Omega$), o caminho A–C–B (dois resistores em série, $2{,}0\,\Omega$) e o caminho A–D–B (também $2{,}0\,\Omega$).

As correntes são $I_1=\dfrac{1{,}0}{1{,}0}=1{,}0\,\text{A}$ no resistor direto e $I_2=\dfrac{1{,}0}{2{,}0}=0{,}50\,\text{A}$ em cada caminho de dois resistores. A corrente total é $I=1{,}0+0{,}50+0{,}50=2{,}0\,\text{A}$, o que equivale a uma resistência equivalente de $0{,}50\,\Omega$.

Q08
Mecânica — Cinemática — Lançamento oblíquo com altura máxima conhecida
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q13

Um jogador chuta uma bola a partir do solo, e ela sai com um ângulo de $45°$ em relação à horizontal. Desprezando a resistência do ar, a bola atinge uma altura máxima de $2{,}5\,\text{m}$.

Qual é o módulo da velocidade inicial da bola, em m/s?

Dados: $g=10\,\text{m/s}^2$; $\cos45°=\text{sen}\,45°=\dfrac{\sqrt2}{2}$.

A)$\sqrt{10}$
B)$2{,}5\sqrt2$
C)$5{,}0$
D)$50\sqrt2$
E)$10$

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 1

E
Resolução

Na altura máxima, a componente vertical da velocidade é nula. Só a vertical é afetada pela gravidade, então a relação de Torricelli para a subida é $0=v_y^2-2\,g\,H$.

Com $H=2{,}5\,\text{m}$: $v_y=\sqrt{2\,g\,H}=\sqrt{2\cdot10\cdot2{,}5}=\sqrt{50}=5\sqrt2\,\text{m/s}$.

A componente vertical da velocidade inicial é $v_y=v_0\,\text{sen}\,45°=v_0\,\dfrac{\sqrt2}{2}$. Igualando, $v_0\,\dfrac{\sqrt2}{2}=5\sqrt2$, o que dá $v_0=10\,\text{m/s}$.

Q09
Mecânica — Estática — Equilíbrio de ponto material com dois fios
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q14

Uma bola de chumbo é sustentada por dois fios ideais de comprimentos $3{,}0\,\text{m}$ e $4{,}0\,\text{m}$ presos a um teto horizontal, como mostrado na figura. O módulo da força de tensão no fio mais longo é de $15{,}0\,\text{N}$. Qual é, em newtons, o peso da bola de chumbo?

Bola de chumbo presa por dois fios de 4,0 m e 3,0 m a pontos do teto separados por 5,0 m
A)12
B)15
C)20
D)25
E)30

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 1

D
Resolução

Os comprimentos dos fios, $3{,}0\,\text{m}$ e $4{,}0\,\text{m}$, e a distância de $5{,}0\,\text{m}$ entre os pontos de fixação formam um triângulo retângulo $3\text{–}4\text{–}5$, com o ângulo reto na bola. Os ângulos que os fios fazem com o teto têm seno e cosseno de $\dfrac35$ e $\dfrac45$.

O fio de $4{,}0\,\text{m}$ faz com o teto o ângulo cujo seno é $\dfrac35$ (lado oposto de $3{,}0\,\text{m}$) e cosseno $\dfrac45$. O fio de $3{,}0\,\text{m}$ faz o ângulo de seno $\dfrac45$ e cosseno $\dfrac35$.

Equilíbrio horizontal: $T_4\cdot\dfrac45=T_3\cdot\dfrac35$. Com $T_4=15{,}0\,\text{N}$: $T_3=\dfrac{15\cdot4}{3}=20\,\text{N}$.

Equilíbrio vertical: o peso equilibra a soma das componentes verticais das tensões: $P=T_4\cdot\dfrac35+T_3\cdot\dfrac45=15\cdot\dfrac35+20\cdot\dfrac45=9+16=25\,\text{N}$.

Q10
Ondas — Ondas mecânicas — Amplitude, frequência e comprimento de onda em gráfico
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q15

Uma onda senoidal se propaga em uma longa corda com velocidade de $0{,}12\,\text{m/s}$, como mostrado na figura. Considere as seguintes afirmações com relação a essa onda.

I. A amplitude da onda é $0{,}40\,\text{m}$.

II. A frequência da onda é $80\,\text{mHz}$.

III. O comprimento de onda da onda é $1{,}0\,\text{m}$.

Gráfico y(m) por x(m) de uma onda senoidal com máximo de 0,2 m em x = 0 e em x = 1,5 m e mínimo de -0,2 m em x = 0,75 m

Marque a única alternativa correta.

A)Apenas a afirmação I é verdadeira.
B)Apenas a afirmação II é verdadeira.
C)Apenas a afirmação III é verdadeira.
D)As afirmações I e II são verdadeiras.
E)As afirmações II e III são verdadeiras.

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 1

B
Resolução

I. A amplitude é o valor máximo do afastamento em relação à posição de equilíbrio ($y=0$). No gráfico, a onda vai de $-0{,}2\,\text{m}$ a $+0{,}2\,\text{m}$, então a amplitude é $0{,}2\,\text{m}$. O valor $0{,}40\,\text{m}$ seria a distância entre a crista e o vale, a amplitude pico a pico, e não a amplitude. Falsa.

III. O comprimento de onda é a distância entre duas cristas consecutivas. No gráfico há cristas em $x=0$ e em $x=1{,}5\,\text{m}$, então $\lambda=1{,}5\,\text{m}$. Falsa, pois a afirmação diz $1{,}0\,\text{m}$.

II. A frequência vem de $v=\lambda\,f$: $f=\dfrac{v}{\lambda}=\dfrac{0{,}12}{1{,}5}=0{,}080\,\text{Hz}=80\,\text{mHz}$. Verdadeira.

Q11
Mecânica — Estática — Equilíbrio de gangorra
2º dia · Tarde · Grupo 4 — Q09 · Grupo 5 — Q18

Uma gangorra homogênea de $2{,}0\,\text{m}$ de comprimento está apoiada em seu centro, como mostrado na figura. Um menino de $40{,}0\,\text{kg}$ decide subir na extremidade direita da gangorra.

Gangorra horizontal apoiada em seu centro

A qual distância desse menino, em metros, deve se posicionar seu amigo, de $50{,}0\,\text{kg}$, para que a gangorra fique em posição horizontal?

A)0,90
B)1,00
C)1,20
D)1,80
E)2,00

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 4 — Q09 · Grupo 5 — Q18

D
Resolução

A gangorra é homogênea e está apoiada no centro, de modo que o próprio peso não gera torque. O menino de $40{,}0\,\text{kg}$ está na extremidade direita, a $1{,}0\,\text{m}$ do apoio.

Para o equilíbrio horizontal, os torques em relação ao apoio se anulam. O amigo, de $50{,}0\,\text{kg}$, precisa ficar do lado oposto, a uma distância $d$ do apoio: $50{,}0\cdot g\cdot d=40{,}0\cdot g\cdot1{,}0$, o que dá $d=0{,}80\,\text{m}$.

A pergunta, porém, é a distância entre os dois meninos, e não a distância do amigo ao apoio. Como estão em lados opostos do apoio, a distância entre eles é $1{,}0+0{,}80=1{,}8\,\text{m}$.

Q12
Eletricidade — Eletrostática — Lei de Coulomb com distância dobrada
2º dia · Tarde · Grupo 4 — Q10 · Grupo 5 — Q16

Duas cargas elétricas idênticas estão separadas por uma distância $d$ e, nessa condição, em cada uma delas atua uma força de modulo $F$.

Ao dobrar a distância entre as cargas, qual é a nova força atuante em cada carga?

A)$F/4$
B)$F/2$
C)$F$
D)$2F$
E)$4F$

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 4 — Q10 · Grupo 5 — Q16

A
Resolução

Pela lei de Coulomb, $F=\dfrac{k\,Q^2}{d^2}$: o módulo da força é inversamente proporcional ao quadrado da distância.

Com a distância dobrada, $F'=\dfrac{k\,Q^2}{(2d)^2}=\dfrac{k\,Q^2}{4\,d^2}=\dfrac{F}{4}$.

A ação e a reação garantem que a força tem o mesmo módulo nas duas cargas, de modo que a resposta vale para qualquer uma delas.

Q13
Mecânica — Cinemática — Aceleração centrípeta de satélite
2º dia · Tarde · Grupo 4 — Q11 · Grupo 5 — Q19

Um pequeno satélite percorre uma órbita circular em torno de um planeta distante, com velocidade escalar constante igual a $2400\,\text{km/h}$. O período da órbita é de $3{,}14$ horas.

Qual é o módulo da aceleração do satélite, em $\text{km/h}^2$?

A)0
B)764
C)1200
D)2400
E)4800

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 4 — Q11 · Grupo 5 — Q19

E
Resolução

Em movimento circular uniforme, a velocidade escalar é constante, mas o vetor velocidade muda de direção. A aceleração tem módulo constante e aponta para o centro: $a_c=\dfrac{v^2}{R}$.

O raio vem do período: em uma volta, o satélite percorre $2\pi R$ com velocidade $v$ no tempo $T$, então $R=\dfrac{v\,T}{2\pi}=\dfrac{2400\cdot3{,}14}{2\cdot3{,}14}=1200\,\text{km}$.

Então $a_c=\dfrac{(2400)^2}{1200}=4800\,\text{km/h}^2$. Esse resultado pode ser obtido diretamente por $a_c=\omega\,v=\dfrac{2\pi}{T}\,v=\dfrac{2\cdot3{,}14}{3{,}14}\cdot2400$, já que $2\pi=2\cdot3{,}14$.

Q14
Mecânica — Trabalho e energia — Trabalho da força peso
2º dia · Tarde · Grupo 4 — Q12 · Grupo 5 — Q11

Um corpo, de massa $10{,}0\,\text{kg}$, é levantado verticalmente com aceleração constante igual a $2{,}37\,\text{m/s}^2$, por uma altura de $5{,}00\,\text{m}$.

Calcule, em J, o trabalho realizado pela força peso ao longo da subida.

Dado: $g=10{,}0\,\text{m/s}^2$.

A)$+\,50000$
B)$+5000$
C)$+500$
D)$-500$
E)$-50$

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 4 — Q12 · Grupo 5 — Q11

D
Resolução

O trabalho da força peso depende apenas do deslocamento vertical, e não da aceleração com que o corpo sobe: $W_P=-m\,g\,h$ na subida, com o sinal negativo porque o peso aponta para baixo e o deslocamento é para cima.

$W_P=-10{,}0\cdot10{,}0\cdot5{,}00=-500\,\text{J}$.

O valor $2{,}37\,\text{m/s}^2$ é um dado supérfluo para o trabalho do peso. Ele seria necessário para calcular o trabalho da força que levanta o corpo, $F=m\,(g+a)$, mas a pergunta se refere apenas ao peso.

Q15
Termologia — Calorimetria — Gelo e água em calorímetro
2º dia · Tarde · Grupo 4 — Q13 · Grupo 5 — Q13

Em um calorímetro, de capacidade calorífica desprezível, há $120\,\text{g}$ de água a $60\,°\text{C}$. Calcule a massa de gelo a $0\,°\text{C}$, em g, que deve ser adicionada ao calorímetro de modo que a temperatura final de equilíbrio do sistema seja $40\,°\text{C}$.

Dados: $c_{\text{água}}=1{,}0\,\text{cal/(g}°\text{C)}$; $L_{\text{fusão}}=80\,\text{cal/g}$.

A)0
B)20
C)40
D)80
E)120

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 4 — Q13 · Grupo 5 — Q13

B
Resolução

Como o calorímetro tem capacidade calorífica desprezível, o calor cedido pela água quente é totalmente absorvido pelo gelo, que primeiro funde e depois se aquece até a temperatura final.

Calor cedido pela água: $Q_{ced}=120\cdot1{,}0\cdot(60-40)=2\,400\,\text{cal}$.

Calor recebido pelo gelo de massa $m$: fusão $m\cdot80$ mais aquecimento da água formada de $0$ a $40\,°\text{C}$, $m\cdot1{,}0\cdot40$. No total, $Q_{rec}=m\,(80+40)=120\,m$.

Igualando, $120\,m=2\,400$, e a massa de gelo é $m=20\,\text{g}$.

Q16
Termologia — Gases — Transformação isotérmica de ar em copo submerso
2º dia · Tarde · Grupo 4 — Q14 · Grupo 5 — Q14

Um pequeno copo é virado na superfície de um lago, onde o volume $V$ de ar contido no copo está na pressão atmosférica. O copo é baixado até a profundidade $H$, onde o volume de ar dentro do copo se torna $V/2$, como mostrado na figura.

Copo invertido na superfície de um lago, com volume de ar V, e o mesmo copo a uma profundidade H, com volume de ar V/2

Este processo é lento, e a temperatura do copo e da água pode ser considerada como constante.

Considerando o ar um gás ideal, calcule a profundidade $H$, em m.

Dados: $g=10{,}0\,\text{m/s}^2$; $p_{atm}=1{,}00\times10^5\,\text{Pa}$; $d_{\text{água}}=1{,}00\times10^3\,\text{kg/m}^3$.

A)10,0
B)5,00
C)1,00
D)0,500
E)0,100

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 4 — Q14 · Grupo 5 — Q14

A
Resolução

Como o processo é lento e a temperatura permanece constante, o ar do copo sofre uma transformação isotérmica: $p_1V_1=p_2V_2$ (lei de Boyle).

Na superfície, $p_1=p_{atm}$ e $V_1=V$. Na profundidade $H$, $V_2=\dfrac{V}{2}$ e, pela lei de Stevin, a pressão do ar aprisionado é $p_2=p_{atm}+\rho\,g\,H$.

Então $p_{atm}\,V=\left(p_{atm}+\rho\,g\,H\right)\dfrac{V}{2}$, o que dá $p_{atm}+\rho\,g\,H=2\,p_{atm}$, ou seja, $\rho\,g\,H=p_{atm}$.

Portanto $H=\dfrac{p_{atm}}{\rho\,g}=\dfrac{1{,}00\times10^5}{1{,}00\times10^3\cdot10{,}0}=10{,}0\,\text{m}$. É a profundidade em que a pressão da coluna de água equivale a uma atmosfera, e o ar é comprimido pela metade.

Q17
Mecânica — Dinâmica — Queda livre e plano inclinado sem atrito
2º dia · Tarde · Grupo 4 — Q15 · Grupo 5 — Q17

Um estudante faz uma experiência com dois blocos, 1 e 2, colocando-os nas bordas opostas de uma superfície plana a uma altura $h$ do solo, como mostrado na figura.

Dois blocos 1 e 2 no topo de uma plataforma de altura h: o bloco 1 na borda vertical e o bloco 2 no início de uma rampa de 30° com a horizontal

A massa do bloco 2 é o dobro da massa do bloco 1. Ambos os blocos são então abandonados a partir do repouso: o bloco 1 desce em queda livre, e o bloco 2 desce pela rampa. Efeitos de atrito e resistência do ar são desprezíveis.

Considere as afirmações a seguir:

I – Os dois blocos chegam ao nível do solo no mesmo instante já que a inclinação da rampa é compensada exatamente pela maior massa do bloco 2.

II – O módulo da aceleração do bloco 2 é a metade do módulo da aceleração do bloco 1.

III – Os módulos das velocidades dos dois blocos, imediatamente antes de atingir o nível do solo, são iguais.

Com relação às afirmações acima, marque a única opção correta.

A)Todas as afirmações são incorretas.
B)Somente a afirmação II é correta.
C)Somente a afirmação III é correta.
D)Somente as afirmações II e III são corretas.
E)Todas as afirmações são corretas.

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 4 — Q15 · Grupo 5 — Q17

D
Resolução

A massa não influencia o movimento em nenhum dos dois casos, porque, sem atrito, a força que acelera cada bloco é proporcional à própria massa e a massa se cancela.

Bloco 1 (queda livre): aceleração $a_1=g$ e altura $h$ percorrida em $t_1=\sqrt{\dfrac{2h}{g}}$.

Bloco 2 (rampa de $30°$, sem atrito): a aceleração é $a_2=g\,\text{sen}\,30°=\dfrac{g}{2}$, e o comprimento da rampa é $\dfrac{h}{\text{sen}\,30°}=2h$. O tempo é $t_2=\sqrt{\dfrac{2\cdot2h}{g/2}}=\sqrt{\dfrac{8h}{g}}=2\,t_1$.

I. Os tempos de chegada são diferentes ($t_2=2\,t_1$). A massa maior do bloco 2 não compensa a inclinação, pois não influencia a aceleração. Falsa.

II. $a_2=\dfrac{g}{2}=\dfrac{a_1}{2}$. Verdadeira.

III. Em ambos os casos a energia mecânica se conserva, então $\dfrac{v^2}{2}=g\,h$ e $v=\sqrt{2gh}$ para os dois blocos, independentemente da massa e do caminho. Verdadeira.

Q18
Eletromagnetismo — Força magnética — Carga em repouso em campos elétrico e magnético
2º dia · Tarde · Grupo 4 — Q16 · Grupo 5 — Q20

Seja uma carga elétrica colocada em repouso em uma determinada região. Considere as seguintes afirmações:

I – Na presença unicamente de um campo elétrico, a carga se moverá na direção paralela a esse campo.

II – Na presença unicamente de um campo magnético, a carga se moverá na direção perpendicular a esse campo.

III – Na presença de uma diferença de potencial elétrico, a carga irá se mover necessariamente no sentido do maior para o menor potencial.

Marque a única alternativa correta.

A)Apenas a afirmação I é correta.
B)Apenas a afirmação II é correta.
C)Apenas as afirmações I e II são corretas.
D)Apenas as afirmações I e III são corretas.
E)Todas as afirmações são corretas.

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 4 — Q16 · Grupo 5 — Q20

A
Resolução

I. A força elétrica é $\vec F=q\,\vec E$, paralela a $\vec E$ (no mesmo sentido, se $q>0$, ou oposto, se $q<0$). Partindo do repouso, a carga acelera na direção da força e, portanto, na direção paralela ao campo. Verdadeira.

II. A força magnética é $\vec F=q\,\vec v\times\vec B$ e só existe se a carga tiver velocidade. A carga está em repouso ($v=0$), então a força magnética é nula e ela permanece em repouso: não se move em direção alguma. Falsa.

III. O sentido do movimento depende do sinal da carga: uma carga positiva se move no sentido do maior para o menor potencial, mas uma carga negativa se move do menor para o maior. A afirmação diz “necessariamente”, e por isso é falsa.

Q19
Óptica — Refração — Tempo de travessia em meio material
2º dia · Tarde · Grupo 4 — Q17 · Grupo 5 — Q15

Um feixe de luz se propagando no ar encontra, perpendicularmente, uma camada de material transparente, de espessura $L=1{,}50\times10^{-3}\,\text{m}$. O índice de refração do material é $n=2{,}00$.

Calcule, em s, o tempo necessário para o feixe de luz atravessar o material.

Dado: $c=3{,}00\times10^8\,\text{m/s}$.

A)$1{,}00\times10^{-10}$
B)$0{,}50\times10^{-11}$
C)$1{,}00\times10^{-11}$
D)$1{,}50\times10^{-11}$
E)$5{,}00\times10^{-11}$

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 4 — Q17 · Grupo 5 — Q15

C
Resolução

O índice de refração relaciona a velocidade da luz no vácuo (ou no ar, aproximadamente) à velocidade no material: $n=\dfrac{c}{v}$. Então $v=\dfrac{c}{n}=\dfrac{3{,}00\times10^8}{2{,}00}=1{,}50\times10^8\,\text{m/s}$.

Como o feixe incide perpendicularmente, ele não se desvia e percorre a espessura $L$ em movimento uniforme: $t=\dfrac{L}{v}=\dfrac{1{,}50\times10^{-3}}{1{,}50\times10^{8}}=1{,}00\times10^{-11}\,\text{s}$.

Q20
Mecânica — Trabalho e energia — Potência de força em plano inclinado
2º dia · Tarde · Grupo 5 — Q12

Seja uma força desconhecida $\mathbf{F}$, que é aplicada em um corpo de massa igual a $4{,}0\,\text{kg}$, localizado sobre um plano inclinado, fazendo um ângulo de $30°$ com a horizontal, como na Figura. Esse corpo sobe com uma velocidade constante de $2{,}00\,\text{m/s}$ ao longo do plano.

Corpo sobre um plano inclinado de 30° com a horizontal, subindo com velocidade de 2,00 m/s, sob a ação de uma força F

Calcule, em W, a potência fornecida pela força $\mathbf{F}$ ao longo da trajetória do corpo. Despreze todos os atritos e considere $g=10{,}0\,\text{m/s}^2$.

A)800
B)400
C)120
D)80
E)40

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 5

E
Resolução

Como a velocidade é constante, a energia cinética não varia, e o trabalho total é nulo. Sem atrito, as forças que realizam trabalho são o peso e a força $F$; a normal é perpendicular ao deslocamento e não realiza trabalho.

A potência fornecida por $F$ deve, então, compensar a potência negativa do peso. Basta considerar a componente do peso ao longo do plano: $P_{\parallel}=m\,g\,\text{sen}\,30°=4{,}0\cdot10{,}0\cdot\dfrac12=20\,\text{N}$.

A potência da força $F$ é a taxa com que ela realiza trabalho, $\text{Pot}=\vec F\cdot\vec v=F_{\parallel}\,v$, e só a componente de $F$ paralela ao plano contribui. No equilíbrio ao longo do plano, $F_{\parallel}=P_{\parallel}=20\,\text{N}$.

Portanto, $\text{Pot}=20\cdot2{,}00=40\,\text{W}$. O módulo de $F$ e o ângulo que ela faz com o plano não são necessários: o resultado é o mesmo que o da potência necessária para elevar o corpo, $m\,g\,v\,\text{sen}\,30°$.

Q21
Mecânica — Cinemática — Movimento uniforme em ciclos de treino
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q20

Uma moça faz um programa de treinamento físico com duração de $40{,}0\,\text{min}$ em uma esteira, de forma a intercalar caminhada e corrida em ciclos de $5{,}00\,\text{min}$: durante os primeiros $2{,}00\,\text{min}$, ela caminha a uma velocidade de $6{,}00\,\text{km/h}$ e, então, corre a uma velocidade de $9{,}00\,\text{km/h}$ nos seguintes $3{,}00\,\text{min}$.

Ao fim do tempo de treinamento, qual é a leitura de distância total percorrida, em km, que a esteira indica?

A)5,0
B)5,2
C)6,0
D)7,5
E)7,8

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 2 · Q20

B
Resolução

Cada ciclo dura $5{,}00\,\text{min}$, então o treino de $40{,}0\,\text{min}$ tem $8$ ciclos completos. Basta calcular a distância de um ciclo e multiplicar por 8.

Em um ciclo, a distância é a soma dos trechos: caminhada, $6{,}00\cdot\dfrac{2{,}00}{60}=0{,}200\,\text{km}$, e corrida, $9{,}00\cdot\dfrac{3{,}00}{60}=0{,}450\,\text{km}$. Cada ciclo soma $0{,}650\,\text{km}$.

Na sessão inteira, $8\cdot0{,}650=5{,}2\,\text{km}$. Convém converter os minutos em horas antes de multiplicar pela velocidade em km/h.

Q22
Mecânica — Trabalho e energia — Energia dissipada por atrito em rampa curva
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q21

Um corpo de massa igual a $2{,}0\,\text{kg}$, com velocidade inicial $v_i=5{,}0\,\text{m/s}$, percorre uma rampa curva, como na figura. Ao chegar a um ponto que está $1{,}0\,\text{m}$ acima da posição inicial, sua velocidade final é $v_f=1{,}0\,\text{m/s}$.

Corpo em uma rampa curva, com velocidade inicial de 5,0 m/s e velocidade final de 1,0 m/s em um ponto 1,0 m mais alto

Calcule, em J, a energia dissipada pelo atrito, enquanto o corpo se move entre essas duas posições.

Dado: $g=10{,}0\,\text{m/s}^2$.

A)$-25$
B)$-20$
C)$-4$
D)$-1$
E)$0$

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 2 · Q21

C
Resolução

A variação da energia mecânica do corpo é igual ao trabalho das forças dissipativas, que aqui é o do atrito: $\Delta E_{mec}=W_{at}$.

Energia mecânica inicial (altura de referência na posição inicial): $E_i=\dfrac{m\,v_i^2}{2}=\dfrac{2{,}0\cdot5{,}0^2}{2}=25\,\text{J}$.

Energia mecânica final: $E_f=\dfrac{m\,v_f^2}{2}+m\,g\,h=\dfrac{2{,}0\cdot1{,}0^2}{2}+2{,}0\cdot10{,}0\cdot1{,}0=1+20=21\,\text{J}$.

A variação é $\Delta E_{mec}=21-25=-4\,\text{J}$. O sinal negativo indica que a energia mecânica diminuiu, ou seja, $4\,\text{J}$ foram dissipados pelo atrito, e a questão apresenta a energia dissipada com esse sinal, como trabalho do atrito.

Q23
Mecânica — Hidrostática — Tubo em U com líquidos imiscíveis
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q22

Um tubo em U, composto por dois tubos grandes (tubo A com seção reta de $5{,}00\,\text{cm}^2$ e tubo B com seção reta de $2{,}50\,\text{cm}^2$), ligados por um pequeno tubo horizontal, contém uma certa quantidade de água. Coloca-se então um volume $V=25{,}0\,\text{cm}^3$ de óleo, que não se mistura com a água, no tubo A. Ao atingir o equilíbrio, o sistema fica como mostrado na figura, tal que a superfície livre do tubo A fica a uma altura $H$ acima da superfície livre do tubo B.

Tubo em U com os ramos A (mais largo, com óleo sobre a água) e B (mais estreito, só com água); a superfície livre do tubo A fica a uma altura H acima da do tubo B

Calcule $H$, em cm.

Dados: $g=10{,}0\,\text{m/s}^2$; $d_{\text{óleo}}=0{,}800\,\text{g/cm}^3$; $d_{\text{água}}=1{,}00\,\text{g/cm}^3$.

A)0,0
B)1,0
C)4,0
D)5,0
E)10,0

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 2 · Q22

B
Resolução

O óleo, menos denso, fica sobre a água no tubo A. O óleo ocupa o volume $V=25{,}0\,\text{cm}^3$ em um tubo de seção $5{,}00\,\text{cm}^2$, então sua coluna tem altura $h_o=\dfrac{25{,}0}{5{,}00}=5{,}00\,\text{cm}$.

Considere o nível da superfície de separação óleo–água no tubo A. A pressão da água, naquele nível horizontal, é a mesma nos dois ramos (a água é contínua pelo tubo inferior). No ramo A, essa pressão vale $p_{atm}+\rho_o\,g\,h_o$. No ramo B, vale $p_{atm}+\rho_a\,g\,h_a$, em que $h_a$ é a altura da coluna de água de B acima daquele nível.

Igualando, $\rho_o\,h_o=\rho_a\,h_a$, de modo que $h_a=\dfrac{0{,}800\cdot5{,}00}{1{,}00}=4{,}00\,\text{cm}$. A superfície do tubo B está $4{,}00\,\text{cm}$ acima do nível da separação, e a do tubo A, $5{,}00\,\text{cm}$ acima.

A diferença de altura entre as duas superfícies livres é $H=5{,}00-4{,}00=1{,}0\,\text{cm}$. A seção de B (a metade da de A) é um dado de apoio, que não interfere nesse cálculo.

Q24
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência máxima em associação de resistores
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q23

Com fios ideais, três resistores idênticos de $3{,}0\,\Omega$ e uma bateria de $3{,}0\,\text{V}$, sem resistência interna, podem-se montar circuitos elétricos que dissipam energia.

Calcule, em W, a maior potência dissipada possível de ser dissipada com esses componentes.

A)0,33
B)1,0
C)3,0
D)9,0
E)27,0

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 2 · Q23

D
Resolução

Com a tensão da fonte fixa, a potência dissipada é $P=\dfrac{V^2}{R_{eq}}$. A potência é máxima quando a resistência equivalente é mínima, o que acontece com os três resistores em paralelo.

Em paralelo, $R_{eq}=\dfrac{3{,}0}{3}=1{,}0\,\Omega$.

A potência máxima é $P=\dfrac{(3{,}0)^2}{1{,}0}=9{,}0\,\text{W}$.

Q25
Mecânica — Hidrodinâmica — Vazão volumétrica e tempo de enchimento
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q24

Uma mangueira fornece água a uma vazão de $400\,\text{cm}^3$ por segundo.

Em quanto tempo, com essa mangueira, é possível encher uma pequena piscina de capacidade de $1800\,\text{L}$?

A)75 segundos
B)7 minutos e 30 segundos
C)1 hora e 15 minutos
D)7 horas e 40 minutos
E)12 horas e 30 minutos

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 2 · Q24

C
Resolução

A vazão é o volume escoado por unidade de tempo, então o tempo de enchimento é $t=\dfrac{V}{Q}$. As unidades precisam ser compatíveis.

Convertendo a capacidade: $1\,\text{L}=1000\,\text{cm}^3$, logo $1800\,\text{L}=1{,}8\times10^6\,\text{cm}^3$.

$t=\dfrac{1{,}8\times10^6}{400}=4500\,\text{s}$. Em minutos, $\dfrac{4500}{60}=75\,\text{min}$, isto é, $1\,\text{h}$ e $15\,\text{min}$.

Q26
Mecânica — Estática — Centro de massa de placa composta
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q25

Uma placa retangular de $2{,}00\,\text{m}$ de largura é composta por duas metades A e B de mesmo tamanho, como mostrado na figura, tendo a metade A uma massa três vezes maior que a metade B. Ambas as metades têm distribuição de massa homogênea. Um fio vertical deve ser usado para suspender a placa, tal que sua base fique alinhada horizontalmente.

Placa retangular de 2,0 m de largura dividida ao meio nas metades A (à esquerda) e B (à direita)

Medindo a partir da borda esquerda da placa, em qual posição horizontal, em metros, o fio deve ser colocado?

A)0,50
B)0,67
C)0,75
D)1,33
E)1,50

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 2 · Q25

C
Resolução

Para a placa ficar equilibrada na horizontal, o fio deve passar pelo centro de massa da placa inteira. Cada metade é homogênea e tem largura de $1{,}00\,\text{m}$, então o centro de massa de A está em $0{,}50\,\text{m}$ da borda esquerda e o de B em $1{,}50\,\text{m}$.

Com $m_A=3\,m_B$, o centro de massa do conjunto é a média ponderada das posições: $x_{CM}=\dfrac{m_A\cdot0{,}50+m_B\cdot1{,}50}{m_A+m_B}=\dfrac{3\cdot0{,}50+1\cdot1{,}50}{4}=\dfrac{3{,}0}{4}=0{,}75\,\text{m}$.

Q27
Ondas — Ondas eletromagnéticas — Frequência da luz visível
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q26

No espectro de luz visível, a luz laranja no vácuo tem um comprimento de onda típico de $600\,\text{nm}$ ($1\,\text{nm}=10^{-9}\,\text{m}$).

Qual é a frequência da luz laranja, em Hz?

Dado: velocidade da luz no vácuo $=3{,}00\times10^8\,\text{m/s}$.

A)$1{,}8\times10^{11}$
B)$5{,}0\times10^{14}$
C)$2{,}0\times10^{15}$
D)$5{,}0\times10^{16}$
E)$1{,}8\times10^{20}$

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 2 · Q26

B
Resolução

Para qualquer onda, $v=\lambda\,f$. No vácuo, a luz se propaga com $c=3{,}00\times10^8\,\text{m/s}$, então $f=\dfrac{c}{\lambda}$.

Com $\lambda=600\,\text{nm}=600\times10^{-9}\,\text{m}=6{,}00\times10^{-7}\,\text{m}$: $f=\dfrac{3{,}00\times10^8}{6{,}00\times10^{-7}}=5{,}0\times10^{14}\,\text{Hz}$.

Q28
Mecânica — Dinâmica — Força oblíqua em superfície sem atrito
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q27

Um bloco de $2{,}0\,\text{kg}$ é empurrado, a partir do repouso, por uma força de módulo $20\,\text{N}$ sobre uma superfície horizontal sem atrito. A força atua obliquamente, fazendo um ângulo de $60°$ com a horizontal.

Quanto tempo, em segundos, o bloco leva para percorrer $10{,}0\,\text{m}$?

Dados: $\text{sen}\,60°=\dfrac{\sqrt3}{2}$; $\cos60°=\dfrac12$.

A)$2{,}0\sqrt3/3$
B)$10\sqrt2$
C)$2{,}0$
D)$2{,}0\sqrt3$
E)$4{,}0$

PUC-Rio 2019.1 · Grupo 2 · Q27

C
Resolução

Na direção horizontal, só a componente horizontal da força acelera o bloco. A componente vertical, $F\,\text{sen}\,60°$, é equilibrada pela normal e pelo peso, sem influenciar o movimento horizontal.

Segunda lei de Newton: $m\,a=F\cos60°$, logo $a=\dfrac{20\cdot\tfrac12}{2{,}0}=5{,}0\,\text{m/s}^2$.

A partir do repouso, $\Delta x=\dfrac{a\,t^2}{2}$, então $10{,}0=\dfrac{5{,}0\,t^2}{2}$ e $t^2=4{,}0\,\text{s}^2$, o que dá $t=2{,}0\,\text{s}$. O seno de $60°$, fornecido como dado, não é necessário.

↑ Voltar ao topo