UNIFESO | 2000.2

Vestibular 2000.2 · Física · Questões 21 a 30.

Dados da prova

Enunciados transcritos do caderno fornecido; gabarito reproduzido da página 11 do PDF.

Q21
Física

Uma partícula, inicialmente em repouso sobre um plano horizontal sem atrito, é submetida à ação de uma força horizontal F, cuja intensidade varia com o tempo conforme está representado no gráfico:

Figura da questão q21-enunciado

Assinale, dentre os gráficos a seguir, aquele que melhor representa, em função do tempo, a velocidade desta partícula.

A)
Figura da questão q21-a
B)
Figura da questão q21-b
C)
Figura da questão q21-c
D)
Figura da questão q21-d
E)
Figura da questão q21-e

Gabarito do caderno

B
Resolução

O gráfico mostra uma força horizontal constante durante certo intervalo e nula depois dele. Como não há atrito, essa é a força resultante na partícula.

Pela segunda lei de Newton, enquanto a força atua:

$$a=\frac Fm=\text{constante}.$$

A partícula parte do repouso, portanto $v=at$: sua velocidade cresce linearmente com o tempo. Quando a força deixa de atuar, a aceleração passa a zero, mas a velocidade não volta a zero. Pela inércia, ela mantém o valor atingido.

O gráfico procurado tem um trecho de reta crescente seguido de um trecho horizontal: alternativa B.

Q22
Física
Figura da questão q22

Um estudante encontra sobre a mesa do laboratório de Física de sua escola o gráfico “velocidade versus tempo” acima, no qual, supostamente, está representada a colisão unidimensional de duas partículas livres, 1 e 2. Observando bem o gráfico, o estudante pode concluir, corretamente, que:

A)a colisão descrita não aconteceu, pois violaria o princípio da conservação do momento linear.
B)a colisão descrita não aconteceu, pois violaria o princípio da conservação da energia.
C)a colisão descrita foi elástica (com coeficiente de restituição igual à unidade).
D)a colisão descrita foi totalmente inelástica (com coeficiente de restituição nulo).
E)a massa da partícula 1 é o dobro da massa da partícula 2.

Gabarito do caderno

E
Resolução

Primeiro, lemos as velocidades no gráfico. A partícula 1 passa de $8,0$ para $5,0\,\mathrm{m/s}$; a partícula 2 passa de $2,0$ para $8,0\,\mathrm{m/s}$. Todas as velocidades têm o mesmo sentido.

Como as partículas são livres, o momento linear total se conserva durante a colisão:

$$m_1v_{1i}+m_2v_{2i}=m_1v_{1f}+m_2v_{2f}.$$

Substituindo as velocidades e reunindo os termos de cada massa:

$$8m_1+2m_2=5m_1+8m_2$$

$$3m_1=6m_2\quad\Rightarrow\quad m_1=2m_2.$$

Assim, a massa da partícula 1 é o dobro da massa da partícula 2: alternativa E.

A colisão não é elástica: o módulo da velocidade relativa de aproximação é $8-2=6\,\mathrm{m/s}$, enquanto o de afastamento é $8-5=3\,\mathrm{m/s}$. Portanto, o coeficiente de restituição é $e=3/6=0,5$, diferente de zero e de um.

Q23
Física
Figura da questão q23

Na figura, uma partícula move-se horizontalmente, em uma guia com uma velocidade inicial $v_0 = 3,0$ m/s e a uma altura de 1,20m do solo. A seguir, ela desce até o solo e volta a subir até outro trecho horizontal da guia, agora a 0,40m do solo. Sendo desprezíveis os efeitos do atrito e da resistência do ar, e considerando a aceleração da gravidade $g = 10$ m/s², a velocidade final dessa partícula neste último trecho horizontal da guia será:

A)5,0 m/s
B)6,0 m/s
C)7,0 m/s
D)8,0 m/s
E)9,0 m/s

Gabarito do caderno

A
Resolução

Sem atrito e sem resistência do ar, a energia mecânica se conserva. Adotando o solo como referência de energia potencial:

$$\frac{mv_0^2}{2}+mgh_0=\frac{mv^2}{2}+mgh_f.$$

A massa cancela. Com $h_0=1,20\,\mathrm m$, $h_f=0,40\,\mathrm m$ e $v_0=3,0\,\mathrm{m/s}$:

$$v^2=3,0^2+2\cdot10\cdot(1,20-0,40)=25.$$

Logo, $v=5,0\,\mathrm{m/s}$, alternativa A. A forma do percurso não altera esse resultado, pois a variação de altura determina a transformação de energia potencial em cinética.

Q24
Física
Figura da questão q24

Na figura, uma barra metálica homogênea encontra-se em equilíbrio, apoiada, por uma de suas extremidades, ao chão e, pelo seu ponto médio, à quina de um muro. Dentre os vetores $\vec A$, $\vec B$, $\vec C$, $\vec D$ e $\vec E$ apresentados na figura, aquele que melhor representa a força que o chão faz sobre a extremidade da barra é:

A)$\vec A$
B)$\vec B$
C)$\vec C$
D)$\vec D$
E)$\vec E$

Gabarito do caderno

C
Resolução

Por ser homogênea, a barra tem seu peso aplicado no ponto médio. A força de contato com a quina do muro também atua nesse mesmo ponto, conforme o enunciado.

Tomando o ponto médio como polo dos momentos, essas duas forças têm momento nulo. Para que a barra permaneça em equilíbrio, a força exercida pelo chão na extremidade inferior também deve ter momento nulo em relação a esse polo.

Isso exige que sua linha de ação passe pelo ponto médio da barra. Logo, a força do chão é dirigida ao longo da barra, para cima e para a direita, como o vetor $\vec C$.

Portanto, alternativa C. Trata-se da força total de contato com o chão, que pode incluir normal e atrito, e não apenas da normal vertical.

Q25
Física

Um objeto homogêneo flutua em equilíbrio na superfície livre da água, mantendo um volume emerso que é 2/3 do seu volume imerso. A densidade deste objeto vale, aproximadamente:

A)0,33
B)0,40
C)0,60
D)0,67
E)0,80

Gabarito do caderno

C
Resolução

É importante distinguir o volume emerso do volume total. O enunciado informa que $V_e=\frac23V_i$, em que $V_i$ é o volume imerso. Assim:

$$V=V_i+V_e=V_i+\frac23V_i=\frac53V_i.$$

Como o objeto flutua em equilíbrio, o empuxo iguala seu peso:

$$\rho_{\mathrm{água}}gV_i=\rho_{\mathrm{objeto}}gV.$$

Cancelando $g$ e dividindo pela densidade da água, obtemos a densidade relativa solicitada:

$$d=\frac{\rho_{\mathrm{objeto}}}{\rho_{\mathrm{água}}}=\frac{V_i}{V}=\frac35=0,60.$$

Alternativa C. Os $2/3$ referem-se à razão entre volume emerso e imerso, não à fração imersa do objeto.

Q26
Física

O pneu de um automóvel foi “calibrado” à temperatura ambiente com uma determinada pressão (absoluta) $P_0$ de ar. Após o carro rodar por várias horas em uma pista de testes, a temperatura absoluta do ar no interior do pneu aumentou de 10% e o volume interno do pneu aumentou de 2%, ambos em relação aos seus valores originais quando o pneu foi “calibrado”. Nessas circunstâncias, a pressão (absoluta) do ar no interior do pneu terá aumentado, em relação a $P_0$ , de aproximadamente:

A)5%
B)8%
C)12%
D)15%
E)20%

Gabarito do caderno

B
Resolução

Considerando que não houve perda de ar, a quantidade de gás no pneu permanece constante. Usamos a relação entre pressão absoluta, volume e temperatura absoluta:

$$\frac{P_0V_0}{T_0}=\frac{P_fV_f}{T_f}.$$

O aumento de 10% na temperatura e de 2% no volume significa $T_f=1,10T_0$ e $V_f=1,02V_0$. Portanto:

$$\frac{P_f}{P_0}=\frac{1,10}{1,02}\approx1,0784.$$

A pressão final corresponde a aproximadamente 107,84% da inicial. Seu aumento é de 7,84%, ou aproximadamente 8%: alternativa B.

Não basta subtrair os percentuais; a relação correta é o quociente entre os fatores de variação.

Q27
Física

Uma técnica muito comum em culinária, usada por exemplo na fabricação caseira de ovos de chocolate, é o “banho-maria”. Essa técnica consiste em aquecer-se um ingrediente (no caso pequenos pedaços ou raspas de chocolate) colocado em um recipiente sem levar este recipiente diretamente ao fogo ou ao forno, mas sim mergulhando-o antes, parcialmente, em água contida em outro recipiente maior, levando então o conjunto assim formado ao fogo ou ao forno. Dessa forma, é possível, por exemplo no caso do chocolate, ter-se um aquecimento suficientemente lento que permita, a cerca de 48ºC, a obtenção de um creme homogêneo e consistente que, após esfriar (abaixo de 28ºC), deve ser colocado nas formas (que não devem ser untadas) para o preparo dos ovos. Neste caso, a propriedade física da água mais relevante para justificar o seu uso no “banho-maria” é:

A)a sua baixa condutividade térmica.
B)o seu elevado calor latente de vaporização.
C)o seu baixo ponto normal de ebulição.
D)o seu elevado calor específico.
E)a sua baixa expansividade térmica.

Gabarito do caderno

D
Resolução

No banho-maria, a água recebe energia da fonte e a transfere ao recipiente com chocolate. Para uma massa de água, o calor recebido se relaciona à variação de temperatura por:

$$Q=mc\Delta T.$$

Como o calor específico $c$ da água é elevado, uma quantidade significativa de energia produz uma variação de temperatura relativamente pequena. A água funciona como um reservatório térmico, favorecendo um aquecimento gradual e controlado do chocolate.

Logo, a propriedade mais relevante é o elevado calor específico: alternativa D.

O calor latente de vaporização descreve a energia envolvida na mudança de líquido para vapor. A situação descrita destaca o aquecimento gradual, sem exigir a vaporização da água.

Q28
Física
Figura da questão q28

Na figura, os pontos O e I são, respectivamente, um objeto real e a sua imagem (real ou virtual) formada pelo sistema óptico S. Na situação representada na figura, o sistema óptico S pode ser:

A)uma lente divergente ou um espelho côncavo.
B)uma lente divergente ou um espelho convexo.
C)uma lente divergente ou um espelho plano.
D)uma lente convergente ou um espelho côncavo.
E)uma lente convergente ou um espelho convexo.

Gabarito do caderno

E
Resolução

Na figura, O e I estão em lados opostos do sistema S, e I está mais próximo de S que O. Vamos analisar separadamente lentes e espelhos.

Lentes: uma lente convergente pode formar uma imagem real no lado oposto ao objeto. Para $p>2f$, essa imagem fica entre $f$ e $2f$, mais perto da lente que o objeto, como na figura. A lente divergente forma imagem virtual no mesmo lado do objeto e não serve.

Espelhos: o lado oposto ao objeto corresponde à região atrás do espelho; nesse caso, a imagem é virtual. O espelho convexo forma imagem virtual mais próxima do espelho que o objeto, compatível com o desenho.

O espelho plano produziria distâncias iguais. O côncavo, quando forma imagem virtual de objeto real, produz imagem mais distante do espelho que o objeto. Essas situações não correspondem às posições indicadas.

Logo, o sistema pode ser uma lente convergente ou um espelho convexo: alternativa E.

Q29
Física
Figura da questão q29

No circuito esquematizado acima todos os resistores são iguais e de resistência elétrica R = 300 Ω, o gerador é ideal e de força eletromotriz ε = 6,0V, e o amperímetro tem resistência elétrica interna desprezível. Nessas circunstâncias, a leitura do amperímetro indicará uma corrente de:

A)4,0 mA
B)8,0 mA
C)10 mA
D)12 mA
E)20 mA

Gabarito do caderno

A
Resolução

O amperímetro ideal tem resistência desprezível e mede a corrente do ramo à direita, formado por dois resistores em série.

Esse ramo tem resistência $2R=600\,\Omega$ e está em paralelo com o resistor central de $300\,\Omega$:

$$R_p=\frac{R\cdot2R}{R+2R}=\frac{2R}{3}=200\,\Omega.$$

O resistor superior à esquerda está em série com esse paralelo. Portanto:

$$R_{\mathrm{eq}}=300+200=500\,\Omega,\qquad I=\frac{6,0}{500}=0,012\,\mathrm A.$$

A tensão sobre o paralelo é $U_p=I R_p=0,012\cdot200=2,4\,\mathrm V$. Assim, a corrente que atravessa o amperímetro é:

$$I_A=\frac{2,4}{600}=0,004\,\mathrm A=4,0\,\mathrm{mA}.$$

Logo, alternativa A. Os 12 mA correspondem à corrente total, antes da divisão entre os ramos.

Q30
Física
Figura da questão q30

Um resistor R, diretamente conectado a uma bateria ideal de f.e.m. ε, é utilizado para aquecer uma certa quantidade de água no interior de um recipiente de paredes adiabáticas. Nesta situação, um sensor mergulhado na água registra uma taxa constante (∆θ/∆t) de elevação da temperatura (θ) da água com o tempo (t). Dobrando-se a quantidade de água no recipiente, mas desejando-se manter a mesma taxa (∆θ/∆t) de aquecimento da água, será suficiente:

A)dobrar-se o valor da f.e.m. da bateria.
B)reduzir-se à metade o valor da f.e.m. da bateria.
C)dobrar-se a resistência elétrica do resistor.
D)reduzir-se à metade a resistência elétrica do resistor.
E)dobrar-se o tempo de observação do fenômeno.

Gabarito do caderno

D
Resolução

Como as paredes são adiabáticas, a potência elétrica fornecida pelo resistor aquece a água:

$$P=\frac{\varepsilon^2}{R}=mc\frac{\Delta\theta}{\Delta t}.$$

Ao dobrar a massa de água, mantendo o mesmo calor específico e a mesma taxa de aquecimento, é necessário dobrar a potência: $P'=2P$.

Como a tensão da bateria permanece constante, a resistência deve cair à metade:

$$\frac{\varepsilon^2}{R'}=2\frac{\varepsilon^2}{R}\quad\Rightarrow\quad R'=\frac R2.$$

Portanto, alternativa D. Dobrar a tensão produziria quatro vezes a potência original.