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Acervo FUVEST · Método TEF

FUVEST 1999 | 2ª Fase

10 questões discursivas de Física, com enunciados fiéis à prova, figuras integradas e resolução comentada item a item pelo Método TEF.

Dados gerais da provaQuando necessário, adote $g=10\,\text{m/s}^2$; densidade da água $\rho=1000\,\text{kg/m}^3$; calor específico da água $c=1{,}0\,\text{cal/(g}\cdot{}^\circ\text{C)}$.
Q01
Dinâmica — Queda com Resistência do Ar
Questão discursiva

O gráfico abaixo descreve o deslocamento vertical $y$, para baixo, de um surfista aéreo de massa igual a $75\,\text{kg}$, em função do tempo $t$. A origem $y=0$, em $t=0$, é tomada na altura do salto. Nesse movimento, a força $R$ de resistência do ar é proporcional ao quadrado da velocidade $v$ do surfista ($R=kv^2$, onde $k$ é uma constante que depende principalmente da densidade do ar e da geometria do surfista). A velocidade inicial do surfista é nula; cresce com o tempo, por aproximadamente $10\,\text{s}$, e tende para uma velocidade constante denominada velocidade limite ($v_L$).

Gráfico do deslocamento vertical do surfista aéreo em função do tempo

Determine:

a) O valor da velocidade limite $v_L$.

Resposta $50\,\text{m/s}$.

b) O valor da constante $k$ no SI.

Resposta $k=0{,}30\,\text{kg/m}$.

c) A aceleração do surfista quando sua velocidade é a metade da velocidade limite.

Resposta $7{,}5\,\text{m/s}^2$ para baixo.
Gabarito comentado Método TEF

a) Na região final do gráfico, a curva torna-se praticamente uma reta. Entre $t=10\,\text{s}$ e $t=14\,\text{s}$, o deslocamento aumenta aproximadamente de $300\,\text{m}$ para $500\,\text{m}$:

$v_L=\dfrac{\Delta y}{\Delta t}=\dfrac{200}{4}=50\,\text{m/s}$.

b) Na velocidade limite a aceleração é nula, portanto o peso e a resistência do ar têm módulos iguais:

$mg=kv_L^2$.

$k=\dfrac{75\cdot10}{50^2}=0{,}30\,\text{kg/m}$.

c) Em qualquer instante, tomando o sentido para baixo como positivo,

$ma=mg-kv^2$.

Como $kv_L^2=mg$ e $v=v_L/2$:

$a=g-\dfrac{k}{m}\dfrac{v_L^2}{4}=g-\dfrac g4=\dfrac{3g}{4}=7{,}5\,\text{m/s}^2$.

a) $50\,\text{m/s}$.   ·   b) $k=0{,}30\,\text{kg/m}$.   ·   c) $7{,}5\,\text{m/s}^2$ para baixo.
Q02
Energia, Mola e Atrito — Colisão entre Blocos
Questão discursiva

Sobre a parte horizontal da superfície representada na figura, encontra-se parado um corpo B de massa $M$, no qual está presa uma mola ideal de comprimento natural $L_0$ e constante elástica $k$. Os coeficientes de atrito estático e dinâmico, entre o corpo B e o plano, são iguais e valem $\mu$. Um outro corpo A, também de massa $M$, é abandonado na parte inclinada. O atrito entre o corpo A e a superfície é desprezível. Determine:

Bloco A descendo uma rampa e bloco B ligado a uma mola sobre superfície horizontal

a) A máxima altura $h_0$, na qual o corpo A pode ser abandonado, para que, após colidir com o corpo B, retorne até a altura original $h_0$.

Resposta $h_0=\dfrac{\mu^2Mg}{2k}$.

b) O valor da deformação $X$ da mola, durante a colisão, no instante em que os corpos A e B têm a mesma velocidade, na situação em que o corpo A é abandonado de uma altura $H\mathrel{>}h_0$. (Despreze o trabalho realizado pelo atrito durante a colisão).

Resposta $X=\sqrt{\dfrac{Mg}{k}(H+h_0)}$.
Gabarito comentado Método TEF

a) Para A retornar exatamente à altura de partida, não pode haver dissipação de energia por deslocamento de B. Assim, no caso-limite, B ainda permanece em repouso e a força máxima da mola iguala o atrito estático máximo:

$kx_0=\mu Mg$.

No instante de máxima compressão, A está momentaneamente em repouso:

$Mgh_0=\dfrac12kx_0^2$.

Logo,

$h_0=\dfrac{\mu^2Mg}{2k}$.

b) Quando B começa a se mover, a mola está comprimida de $x_0$ e A tem velocidade $V_A$. Pela conservação da energia até esse instante:

$MgH=\dfrac12MV_A^2+Mgh_0$.

Portanto, $V_A^2=2g(H-h_0)$.

Do início do movimento de B até o instante em que os dois blocos têm a mesma velocidade $V'$, desprezando o efeito do atrito durante o curto intervalo da colisão, conserva-se a quantidade de movimento:

$MV_A=2MV'\Rightarrow V'=\dfrac{V_A}{2}$.

Conservando também a energia mecânica nesse trecho:

$\dfrac12MV_A^2+\dfrac12kx_0^2=MV'^2+\dfrac12kX^2$.

Usando $kx_0^2=2Mgh_0$ e $V_A^2=2g(H-h_0)$, resulta

$kX^2=Mg(H+h_0)$.

Assim,

$X=\sqrt{\dfrac{Mg}{k}(H+h_0)}=\sqrt{\dfrac{MgH}{k}\left(1+\dfrac{h_0}{H}\right)}$.

a) $h_0=\dfrac{\mu^2Mg}{2k}$.   ·   b) $X=\sqrt{\dfrac{Mg}{k}(H+h_0)}$.
Q03
Termodinâmica — Transformação Isotérmica e Pistões
Questão discursiva

Na figura 1 estão representados um tubo vertical, com a extremidade superior aberta, e dois cilindros maciços Q e R. A altura do tubo é $H=6{,}0\,\text{m}$ e a área de sua secção transversal interna é $S=0{,}010\,\text{m}^2$. Os cilindros Q e R têm massa $M=50\,\text{kg}$ e altura $h=0{,}5\,\text{m}$, cada um. Eles se encaixam perfeitamente no tubo, podendo nele escorregar sem atrito, mantendo uma vedação perfeita. Inicialmente, o cilindro Q é inserido no tubo. Após ele ter atingido a posição de equilíbrio $y_1$, indicada na figura 2, o cilindro R é inserido no tubo. Os dois cilindros se deslocam então para as posições de equilíbrio indicadas na figura 3. A parede do tubo é tão boa condutora de calor que durante todo o processo a temperatura dentro do tubo pode ser considerada constante e igual à temperatura ambiente $T_0$. Sendo a pressão atmosférica $P_0=10^5\,\text{Pa}$ ($1\,\text{Pa}=1\,\text{N/m}^2$), nas condições do experimento, determine:

Tubo vertical com os cilindros Q e R nas situações inicial e de equilíbrio

a) A altura de equilíbrio inicial $y_1$ do cilindro Q.

Resposta $y_1=4{,}0\,\text{m}$.

b) A pressão $P_2$ do gás aprisionado pelo cilindro Q e a altura de equilíbrio final $y_2$ do cilindro Q, na situação da Fig. 3.

Resposta $P_2=2{,}0\times10^5\,\text{Pa}$ e $y_2=3{,}0\,\text{m}$.

c) A distância $y_3$ entre os dois cilindros, na situação da Fig. 3.

Resposta $y_3=1{,}0\,\text{m}$.
Gabarito comentado Método TEF

A pressão correspondente ao peso de cada cilindro é

$\dfrac{Mg}{S}=\dfrac{50\cdot10}{0{,}010}=5{,}0\times10^4\,\text{Pa}=0{,}5P_0$.

a) Com apenas Q, o equilíbrio exige $P_1=P_0+Mg/S=1{,}5P_0$. Como a transformação do gás aprisionado é isotérmica:

$P_0(SH)=P_1(Sy_1)$.

$y_1=H\dfrac{P_0}{P_1}=6\cdot\dfrac1{1{,}5}=4{,}0\,\text{m}$.

b) Para o cilindro R, $P_3=P_0+Mg/S=1{,}5P_0$. Para Q,

$P_2=P_3+Mg/S=2P_0=2{,}0\times10^5\,\text{Pa}$.

Aplicando Boyle ao gás abaixo de Q:

$P_0SH=P_2Sy_2\Rightarrow y_2=\dfrac{P_0}{P_2}H=3{,}0\,\text{m}$.

c) Quando R começa a entrar no tubo, o gás que ficará entre Q e R tem comprimento inicial

$H-y_1-h=6-4-0{,}5=1{,}5\,\text{m}$

e pressão $P_0$. No equilíbrio final sua pressão é $P_3=1{,}5P_0$:

$P_0S(1{,}5)=P_3Sy_3$.

Logo, $y_3=1{,}0\,\text{m}$.

a) $y_1=4{,}0\,\text{m}$.   ·   b) $P_2=2{,}0\times10^5\,\text{Pa}$ e $y_2=3{,}0\,\text{m}$.   ·   c) $y_3=1{,}0\,\text{m}$.
Q04
Eletrostática e Energia — Pêndulo em Campo Elétrico
Questão discursiva

Um pêndulo, constituído de uma pequena esfera, com carga elétrica $q=+2{,}0\times10^{-9}\,\text{C}$ e massa $m=3\sqrt3\times10^{-4}\,\text{kg}$, ligada a uma haste eletricamente isolante, de comprimento $d=0{,}40\,\text{m}$, e massa desprezível, é colocado num campo elétrico constante $\vec E$ ($|\vec E|=1{,}5\times10^6\,\text{N/C}$). Esse campo é criado por duas placas condutoras verticais, carregadas eletricamente.

O pêndulo é solto na posição em que a haste forma um ângulo $\alpha=30^\circ$ com a vertical (ver figura) e, assim, ele passa a oscilar em torno de uma posição de equilíbrio. São dados $\sin30^\circ=1/2$; $\sin45^\circ=\sqrt2/2$; $\sin60^\circ=\sqrt3/2$. Na situação apresentada, considerando-se desprezíveis os atritos, determine:

Pêndulo carregado entre placas condutoras em campo elétrico horizontal

a) Os valores dos ângulos $\alpha_1$, que a haste forma com a vertical, na posição de equilíbrio, e $\alpha_2$, que a haste forma com a vertical na posição de máximo deslocamento angular. Represente esses ângulos na figura dada.

Resposta $\alpha_1=30^\circ$ e $\alpha_2=90^\circ$.

b) A energia cinética $K$, da esfera, quando ela passa pela posição de equilíbrio.

Resposta $K=1{,}2\times10^{-3}\,\text{J}$.
Gabarito comentado Método TEF

A força elétrica tem módulo

$F_e=qE=(2{,}0\times10^{-9})(1{,}5\times10^6)=3{,}0\times10^{-3}\,\text{N}$.

O peso vale

$mg=3\sqrt3\times10^{-4}\cdot10=3\sqrt3\times10^{-3}\,\text{N}$.

a) Na posição de equilíbrio a haste se alinha com a resultante do peso e da força elétrica. Assim,

$\tan\alpha_1=\dfrac{F_e}{mg}=\dfrac1{\sqrt3}$,

portanto $\alpha_1=30^\circ$, para o lado da placa negativa.

A direção de equilíbrio fica $30^\circ$ à esquerda da vertical, enquanto a posição inicial está $30^\circ$ à direita. A amplitude angular em torno da direção de equilíbrio é, portanto, $60^\circ$. O extremo oposto fica a $60^\circ$ do outro lado da posição de equilíbrio, isto é, com a haste horizontal:

$\alpha_2=90^\circ$.

b) Entre a posição inicial e a posição de equilíbrio, a esfera permanece à mesma altura; logo, o trabalho do peso é nulo. A tensão também não realiza trabalho. O deslocamento horizontal no sentido da força elétrica vale $d=0{,}40\,\text{m}$, portanto

$K=qEd=(2{,}0\times10^{-9})(1{,}5\times10^6)(0{,}40)=1{,}2\times10^{-3}\,\text{J}$.

a) $\alpha_1=30^\circ$ e $\alpha_2=90^\circ$.   ·   b) $K=1{,}2\times10^{-3}\,\text{J}$.
Q05
Calorimetria — Superfusão da Água
Questão discursiva

Quando água pura é cuidadosamente resfriada, nas condições normais de pressão, pode permanecer no estado líquido até temperaturas inferiores a $0^\circ\text{C}$, num estado instável de “superfusão”. Se o sistema é perturbado, por exemplo, por vibração, parte da água se transforma em gelo e o sistema se aquece até se estabilizar em $0^\circ\text{C}$. O calor latente de fusão da água é $L=80\,\text{cal/g}$.

Considerando-se um recipiente termicamente isolado e de capacidade térmica desprezível, contendo um litro de água a $-5{,}6^\circ\text{C}$, à pressão normal, determine:

a) A quantidade, em g, de gelo formada, quando o sistema é perturbado e atinge uma situação de equilíbrio a $0^\circ\text{C}$.

Resposta $70\,\text{g}$ de gelo.

b) A temperatura final de equilíbrio do sistema e a quantidade de gelo existente (considerando-se o sistema inicial no estado de “superfusão” a $-5{,}6^\circ\text{C}$), ao colocar-se, no recipiente, um bloco metálico de capacidade térmica $C=400\,\text{cal}/^\circ\text{C}$, na temperatura de $91^\circ\text{C}$.

Resposta $T_f=22^\circ\text{C}$ e massa de gelo $=0$.
Gabarito comentado Método TEF

Um litro de água corresponde a $1000\,\text{g}$.

a) Para aquecer a água superfusionada de $-5{,}6^\circ\text{C}$ até $0^\circ\text{C}$ são necessárias

$Q=mc\Delta T=1000\cdot1\cdot5{,}6=5600\,\text{cal}$.

Essa energia é fornecida pela solidificação de uma massa $m_g$:

$m_gL=5600\Rightarrow m_g=\dfrac{5600}{80}=70\,\text{g}$.

b) Tomando $0^\circ\text{C}$ como referência energética, a água inicialmente tem energia térmica $-5600\,\text{cal}$ e o bloco metálico tem $400\cdot91=36400\,\text{cal}$. Como o saldo é positivo, o equilíbrio final ocorre acima de $0^\circ\text{C}$ e não resta gelo. O balanço é

$1000(T_f+5{,}6)+400(T_f-91)=0$.

$1400T_f=30800\Rightarrow T_f=22^\circ\text{C}$.

Logo, a massa final de gelo é nula.

a) $70\,\text{g}$ de gelo.   ·   b) $T_f=22^\circ\text{C}$ e massa de gelo $=0$.
Q06
Indução Eletromagnética — Barra Móvel em Campo Magnético
Questão discursiva

A figura representa, no plano do papel, uma região quadrada em que há um campo magnético uniforme de intensidade $B=9{,}0\,\text{T}$, direção normal à folha e sentido entrando nela. Considere, nesse plano, o circuito com resistência total de $2{,}0\,\Omega$, formado por duas barras condutoras e paralelas MN e PQ e fios de ligação. A barra PQ é fixa e a MN se move com velocidade constante $v=5{,}0\,\text{m/s}$. No instante $t=0\,\text{s}$ a barra MN se encontra em $x=0\,\text{m}$. Supondo que ela passe por cima da barra PQ (sem nela encostar) e que os fios não se embaralhem,

Circuito com barra MN móvel atravessando uma região quadrada de campo magnético uniforme

a) determine o valor $\varepsilon$, em volt, da força eletromotriz induzida no circuito quando MN está em $x=1{,}0\,\text{m}$.

Resposta $\varepsilon=90\,\text{V}$.

b) determine o valor $F$ da força que age sobre a barra MN quando ela está em $x=1{,}0\,\text{m}$, devida à interação com o campo $\vec B$.

Resposta $F=8{,}1\times10^2\,\text{N}$.

c) represente num gráfico o valor da força $F$ aplicada à barra MN, devida à interação com o campo $\vec B$, em função da posição $x$, no intervalo $0\mathrel{<}x\mathrel{<}3{,}0\,\text{m}$, indicando com clareza as escalas utilizadas.

Resposta $F=810\,\text{N}$ entre $x=0{,}5$ e $2{,}5\,\text{m}$; nula fora desse intervalo.
Gabarito comentado Método TEF

A dimensão vertical da região de campo é $\ell=2{,}0\,\text{m}$.

a) Enquanto a barra MN atravessa o campo, a taxa de variação da área é $\ell v$. Assim,

$\varepsilon=B\ell v=9\cdot2\cdot5=90\,\text{V}$.

b) A corrente induzida vale

$i=\dfrac{\varepsilon}{R}=\dfrac{90}{2}=45\,\text{A}$.

A força magnética sobre a parte da barra imersa no campo é

$F=Bi\ell=9\cdot45\cdot2=8{,}1\times10^2\,\text{N}$.

Seu sentido é oposto ao movimento da barra, de acordo com a lei de Lenz.

c) Pela escala da figura, a região de campo ocupa $0{,}5\,\text{m}\mathrel{<}x\mathrel{<}2{,}5\,\text{m}$. Fora dela, a barra não sofre força magnética; dentro dela, o módulo da força permanece $810\,\text{N}$.

Gráfico do módulo da força magnética sobre a barra MN em função da posição
a) $\varepsilon=90\,\text{V}$.   ·   b) $F=8{,}1\times10^2\,\text{N}$.   ·   c) $F=810\,\text{N}$ entre $x=0{,}5$ e $2{,}5\,\text{m}$; nula fora desse intervalo.
Q07
Eletrodinâmica — Circuito com Diodo Ideal
Questão discursiva

No circuito da figura, o componente D, ligado entre os pontos A e B, é um diodo. Esse dispositivo se comporta, idealmente, como uma chave controlada pela diferença de potencial entre seus terminais. Sejam $V_A$ e $V_B$ as tensões dos pontos A e B, respectivamente.

Se $V_B\mathrel{<}V_A$, o diodo se comporta como uma chave aberta, não deixando fluir nenhuma corrente através dele, e se $V_B\ge V_A$, o diodo se comporta como uma chave fechada, de resistência tão pequena que pode ser desprezada, ligando o ponto B ao ponto A. O resistor $R$ tem uma resistência variável de $0$ a $2\,\Omega$. Nesse circuito, determine o valor da:

Circuito com fontes de 20 V e 8 V, diodo ideal e resistor variável R

a) Corrente $i$ através do resistor $R$, quando a sua resistência é $2\,\Omega$.

Resposta $4\,\text{A}$.

b) Corrente $i_0$ através do resistor $R$, quando a sua resistência é zero.

Resposta $8\,\text{A}$.

c) Resistência $R$ para a qual o diodo passa do estado de condução para o de não-condução e vice-versa.

Resposta $R=1/3\,\Omega\approx0{,}33\,\Omega$.
Gabarito comentado Método TEF

a) Para $R=2\,\Omega$, supondo inicialmente o diodo aberto, a corrente na malha externa é

$i=\dfrac{20}{2+1+2}=4\,\text{A}$.

O potencial de A fica acima de $V_B=8\,\text{V}$, portanto $V_B\mathrel{<}V_A$ e a hipótese de diodo aberto é consistente. Logo, $i=4\,\text{A}$.

b) Para $R=0$, a hipótese de diodo aberto daria $i=20/(2+1)=20/3\,\text{A}$ e $V_A=20-(2)(20/3)=20/3\,\text{V}$, menor que $V_B=8\,\text{V}$. Portanto o diodo conduz e fixa $V_A=V_B=8\,\text{V}$. Assim, no ramo de $1\,\Omega$:

$i_0=\dfrac{8}{1}=8\,\text{A}$.

c) Na transição, $V_A=V_B=8\,\text{V}$. A corrente que chega a A pelo resistor de $2\,\Omega$ é

$i=\dfrac{20-8}{2}=6\,\text{A}$.

Essa mesma corrente deve atravessar o ramo $1\,\Omega+R$:

$6=\dfrac{8}{1+R}$.

$R=\dfrac13\,\Omega\approx0{,}33\,\Omega$.

a) $4\,\text{A}$.   ·   b) $8\,\text{A}$.   ·   c) $R=1/3\,\Omega\approx0{,}33\,\Omega$.
Q08
Hidrostática — Tubo em U com Dois Líquidos
Questão discursiva

Um tubo em forma de U, graduado em centímetros, de pequeno diâmetro, secção constante, aberto nas extremidades, contém dois líquidos I e II, incompressíveis, em equilíbrio, e que não se misturam. A densidade do líquido I é $\rho_I=1800\,\text{kg/m}^3$ e as alturas $h_I=20\,\text{cm}$ e $h_{II}=60\,\text{cm}$, dos respectivos líquidos, estão representadas na figura. A pressão atmosférica local vale $P_0=10^5\,\text{N/m}^2$.

Tubo em U com líquidos I e II e eixos para os gráficos de pressão

a) Determine o valor da densidade $\rho_{II}$ do líquido II.

Resposta $\rho_{II}=600\,\text{kg/m}^3$.

b) Faça um gráfico quantitativo da pressão $P$ nos líquidos, em função da posição ao longo do tubo, utilizando os eixos desenhados acima. Considere zero (0) o ponto médio da base do tubo; considere valores positivos as marcas no tubo à direita do zero e negativos, à esquerda.

Resposta $P_{\text{base}}=1{,}036\times10^5\,\text{Pa}$.

c) Faça um gráfico quantitativo da pressão $P'$ nos líquidos, em função da posição ao longo do tubo, na situação em que, através de um êmbolo, empurra-se o líquido II até que os níveis dos líquidos nas colunas se igualem, ficando novamente em equilíbrio. Utilize os mesmos eixos do item b.

Resposta $P'_{\text{base}}=1{,}072\times10^5\,\text{Pa}$ e $P_e=1{,}048\times10^5\,\text{Pa}$.
Gabarito comentado Método TEF

a) As pressões no fundo, calculadas pelos dois lados, são iguais:

$P_0+\rho_Igh_I=P_0+\rho_{II}gh_{II}$.

$\rho_{II}=\rho_I\dfrac{h_I}{h_{II}}=1800\dfrac{20}{60}=600\,\text{kg/m}^3$.

b) Na superfície livre esquerda, na posição $-40\,\text{cm}$, $P=P_0=1{,}000\times10^5\,\text{Pa}$. Descendo $20\,\text{cm}$ no líquido I:

$P=10^5+1800\cdot10\cdot0{,}20=1{,}036\times10^5\,\text{Pa}$.

Esse valor permanece constante ao longo da parte horizontal da base, de $-20\,\text{cm}$ a $+20\,\text{cm}$. Subindo $60\,\text{cm}$ no líquido II, a pressão decresce linearmente até $P_0$ na posição $+80\,\text{cm}$.

Gráfico da pressão inicial ao longo do tubo em U

c) Como as áreas das duas colunas são iguais e os volumes dos líquidos se conservam, quando os níveis ficam iguais a altura de cada coluna é $40\,\text{cm}$. A interface passa a coincidir com a curva esquerda da base, na posição $-20\,\text{cm}$. No fundo:

$P'_{\text{base}}=P_0+\rho_Ig(0{,}40)=1{,}072\times10^5\,\text{Pa}$.

A pressão aplicada pelo êmbolo na superfície direita é

$P_e=P'_{\text{base}}-\rho_{II}g(0{,}40)=1{,}048\times10^5\,\text{Pa}$.

Assim, a superfície esquerda está na posição $-60\,\text{cm}$ com pressão $P_0$; a base, de $-20$ a $+20\,\text{cm}$, está a $1{,}072\times10^5\,\text{Pa}$; e a superfície direita, em $+60\,\text{cm}$, está a $1{,}048\times10^5\,\text{Pa}$.

Gráfico da pressão ao longo do tubo após os níveis se igualarem
a) $\rho_{II}=600\,\text{kg/m}^3$.   ·   b) $P_{\text{base}}=1{,}036\times10^5\,\text{Pa}$.   ·   c) $P'_{\text{base}}=1{,}072\times10^5\,\text{Pa}$ e $P_e=1{,}048\times10^5\,\text{Pa}$.
Q09
Óptica Geométrica — Espelhos Planos e Lente Convergente
Questão discursiva

A foto foi publicada recentemente na imprensa, com a legenda: “REFLEXOS”: Yoko Ono “ENTRA” em uma de suas obras.

Fotografia usada no enunciado da questão 9, com múltiplas imagens refletidas

Um estudante, procurando entender como essa foto foi obtida, fez o esquema mostrado na folha de resposta, no qual representou Yoko Ono, vista de cima, sobre um plano horizontal e identificada como o objeto O. A letra d representa seu lado direito e a letra e seu lado esquerdo. A câmara fotográfica foi representada por uma lente L, delgada e convergente, localizada no ponto médio entre O e o filme fotográfico. Ela focaliza as 5 imagens ($I_0$, $I_1$, $I_2$, $I'_1$ e $I'_2$, todas de mesmo tamanho) de O sobre o filme. Assim, no esquema apresentado na folha de resposta:

Folha de resposta da questão 9 com lente L, objeto O e posições das cinco imagens no filme

a) Represente um ou mais espelhos planos que possibilitem obter a imagem $I_1$. Identifique cada espelho com a letra E.

Resposta O espelho E deve ser traçado paralelo ao eixo óptico, no lado que produz, por uma única reflexão, a imagem $I_1$. A reflexão de O nesse espelho gera um objeto virtual à mesma distância atrás do espelho; como o espelho é paralelo ao eixo, esse objeto virtual permanece à mesma distância axial da lente que O.

b) Represente um ou mais espelhos planos que possibilitem obter a imagem $I'_1$. Identifique cada espelho com a letra E'.

Resposta O espelho E' é traçado paralelamente ao eixo, do lado oposto, produzindo por uma reflexão a imagem $I'_1$.

c) Trace, com linhas cheias, as trajetórias de 3 raios, partindo do extremo direito (d) do objeto O e terminando nos correspondentes extremos das três imagens $I_0$, $I_1$ e $I_2$. Os prolongamentos dos raios, usados como auxiliares na construção, devem ser tracejados.

Resposta A construção dos raios pode ser feita por imagens sucessivas. O raio associado a $I_0$ vai diretamente de d à lente e ao filme, sem reflexão. Para $I_1$, substitui-se a reflexão em E pelo prolongamento do raio até a imagem virtual de d formada por E; o ponto em que essa reta encontra E determina o ponto de reflexão. Para $I_2$, usa-se a imagem virtual obtida por duas reflexões sucessivas nos espelhos E e E'. Em todos os casos, um raio que atravessa o centro óptico da lente não sofre desvio.
Gabarito comentado Método TEF

As cinco imagens têm o mesmo tamanho e estão igualmente espaçadas. Isso é obtido colocando dois espelhos planos paralelos ao eixo óptico da lente, em lados opostos desse eixo.

a) O espelho E deve ser traçado paralelo ao eixo óptico, no lado que produz, por uma única reflexão, a imagem $I_1$. A reflexão de O nesse espelho gera um objeto virtual à mesma distância atrás do espelho; como o espelho é paralelo ao eixo, esse objeto virtual permanece à mesma distância axial da lente que O.

b) O espelho E' é traçado paralelamente ao eixo, do lado oposto, produzindo por uma reflexão a imagem $I'_1$.

c) A construção dos raios pode ser feita por imagens sucessivas. O raio associado a $I_0$ vai diretamente de d à lente e ao filme, sem reflexão. Para $I_1$, substitui-se a reflexão em E pelo prolongamento do raio até a imagem virtual de d formada por E; o ponto em que essa reta encontra E determina o ponto de reflexão. Para $I_2$, usa-se a imagem virtual obtida por duas reflexões sucessivas nos espelhos E e E'. Em todos os casos, um raio que atravessa o centro óptico da lente não sofre desvio.

Portanto, $I_0$ é formada sem reflexão, $I_1$ com uma reflexão e $I_2$ com duas reflexões sucessivas; de modo simétrico aparecem $I'_1$ e $I'_2$.

Construção: dois espelhos planos paralelos ao eixo óptico, um de cada lado; $I_0$ sem reflexão, $I_1$ com uma reflexão e $I_2$ com duas reflexões sucessivas.
Q10
Dinâmica e Potência — Veículo de Drag Racing
Questão discursiva

Um veículo para competição de aceleração (drag racing) tem massa $M=1100\,\text{kg}$, motor de potência máxima $P=2{,}64\times10^6\,\text{W}$ ($\sim3500$ cavalos) e possui um aerofólio que lhe imprime uma força aerodinâmica vertical para baixo, $F_a$, desprezível em baixas velocidades. Tanto em altas quanto em baixas velocidades, a força vertical que o veículo aplica à pista horizontal está praticamente concentrada nas rodas motoras traseiras, de $0{,}40\,\text{m}$ de raio. Os coeficientes de atrito estático e dinâmico, entre os pneus e a pista, são iguais e valem $\mu=0{,}50$. Determine:

Veículo de drag racing com rodas motoras traseiras e aerofólio

a) A máxima aceleração do veículo quando sua velocidade é de $120\,\text{m/s}$ ($432\,\text{km/h}$), supondo que não haja escorregamento entre as rodas traseiras e a pista. Despreze a força horizontal de resistência do ar.

Resposta $a_{max}=20\,\text{m/s}^2$.

b) O mínimo valor da força vertical $F_a$, aplicada ao veículo pelo aerofólio, nas condições da questão anterior.

Resposta $F_a=3{,}3\times10^4\,\text{N}$.

c) A potência desenvolvida pelo motor no momento da largada, quando: a velocidade angular das rodas traseiras é $\omega=600\,\text{rad/s}$, a velocidade do veículo é desprezível e as rodas estão escorregando (derrapando) sobre a pista.

Resposta $P=1{,}32\times10^6\,\text{W}$.
Gabarito comentado Método TEF

a) Na velocidade dada, a aceleração máxima é limitada pela potência disponível:

$P=Fv=Mav$.

$a=\dfrac{2{,}64\times10^6}{1100\cdot120}=20\,\text{m/s}^2$.

b) Para não haver escorregamento, a força de atrito necessária $Ma$ não pode superar $\mu N$. Na condição mínima:

$Ma=\mu(Mg+F_a)$.

$F_a=M\left(\dfrac a\mu-g\right)=1100\left(\dfrac{20}{0{,}50}-10\right)=3{,}3\times10^4\,\text{N}$.

c) Na largada, o efeito do aerofólio é desprezível e as rodas derrapam. Assim,

$F_{at}=\mu Mg=0{,}50\cdot1100\cdot10=5{,}5\times10^3\,\text{N}$.

A velocidade tangencial da superfície do pneu é

$v_t=\omega r=600\cdot0{,}40=240\,\text{m/s}$.

A potência desenvolvida é

$P=F_{at}v_t=(5{,}5\times10^3)(240)=1{,}32\times10^6\,\text{W}$.

a) $a_{max}=20\,\text{m/s}^2$.   ·   b) $F_a=3{,}3\times10^4\,\text{N}$.   ·   c) $P=1{,}32\times10^6\,\text{W}$.