FUVEST 2027 | 1ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF
11 questões de Física (Caderno V1), com gabarito do caderno V1 e resolução comentada pelo Método TEF.
Q28
Termologia — Calorimetria — Trocas de Calor
Os oceanos, que cobrem 71% da superfície terrestre e contêm cerca de 97% da água do planeta, têm papel fundamental na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas globais. O impacto nesse ambiente é perceptível; por exemplo, em 2024, o aquecimento das águas dos oceanos atingiu o maior nível em 65 anos de monitoramento, contribuindo para a elevação média do nível do mar em 4,7 mm por ano entre 2015 e 2024.
Disponível em: https://www.gov.br/mcti/.
Os oceanos apresentam importante papel no equilíbrio climático global, pois
A)apresentam calor específico reduzido quando comparado ao da superfície terrestre (continentes), absorvendo menos calor e promovendo elevação da temperatura do ar.
B)os ecossistemas oceânicos, como os corais e florestas de algas, são capazes de neutralizar, continuamente, o aumento da temperatura e os eventos extremos como ondas de calor marinhas.
C)atuam como sumidouro de calor e gás carbônico emitido pelos processos físicos e bioquímicos do planeta, sem os quais as temperaturas já teriam atingido valores superiores aos atuais.
D)em função de seu volume, cerca de 1,3 bilhão de quilômetros cúbicos, a absorção de calor e gás carbônico é ilimitada, mitigando os efeitos das mudanças climáticas.
E)as áreas costeiras, em função das grandes obras de engenharia, estão preservadas da elevação do nível médio do mar, que são da ordem de 4,7 mm por ano no ano de 2024.
Gabarito FUVEST 2027 — 1ª Fase (Caderno V1)
C
Gabarito comentado Método TEF
A pergunta é sobre capacidade de armazenar energia. Para uma massa $m$ de água que recebe calor $Q$:
O calor específico da água é alto, $c_{\text{água}}={1}\text{ cal/(g}\cdot\text{°C)}$, e a massa dos oceanos é gigantesca. Os dois fatores no denominador tornam $\Delta T$ pequeno: os oceanos absorvem enormes quantidades de calor com pouca elevação de temperatura.
Além disso, parte do $\text{CO}_2$ emitido se dissolve na água. Os oceanos funcionam, portanto, como sumidouro de calor e de gás carbônico, o que modera o aquecimento atmosférico: sem esse efeito, as temperaturas seriam superiores às atuais.
Por que as demais falham: a água tem calor específico alto, e não reduzido; corais e algas não neutralizam o aquecimento (sofrem branqueamento e perdas); a absorção tem limite, com saturação e acidificação; e as áreas costeiras não estão livres da elevação do nível do mar.
Em um laboratório, um pesquisador realiza experimentos sobre um circuito elétrico composto por fios e resistores ideais não necessariamente iguais, conforme a imagem a seguir:
Quando se colocam fontes de tensão tal que (c1, c2) = (5,10) Volts, verifica-se que (𝑥, 𝑦) = (5,3) Volts. Repete-se o experimento com (c1, c2) = (3,3) Volts, para medir (𝑥, 𝑦) = (1,2) Volts. Quando se coloca (c1, c2) = (2,1) Volts, quanto deve valer 5(𝑥+ 𝑦), em Volts?
A)7
B)10
C)1
D)5
E)2
Gabarito FUVEST 2027 — 1ª Fase (Caderno V1)
A
Gabarito comentado Método TEF
Ideia central: em um circuito de resistores e fontes ideais, as tensões de saída são combinações lineares das fontes (superposição). Logo, se uma entrada é combinação linear de outras duas, a saída segue a mesma combinação, sem que seja preciso conhecer os resistores:
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência e Efeito Joule
Texto para as questões 36 e 37
No contexto de 2026, a substituição de frotas a combustão por frotas elétricas é uma estratégia central de descarbonização para alguns países. O Uruguai, por exemplo, lidera a expansão de veículos elétricos na América Latina. Desde 2010, converteu 99% de sua matriz elétrica para fontes renováveis e locais. Essa transição estratégica permitiu ao país reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e foi impulsionada por incentivos fiscais agressivos. Em termos físicos, um carro elétrico pode ser modelado como um sistema simples de corrente contínua, no qual a bateria fornece a tensão, o “acelerador” atua como um resistor variável que controla a corrente, e o motor converte essa energia em movimento. A eficiência desse sistema depende da conversão da energia da bateria em movimento pelo motor, com a menor perda possível por calor (Efeito Joule).
Do ponto de vista da Física e da conservação ambiental, a afirmação de que um carro elétrico produz “poluição zero” deve ser analisada com cautela. Considerando os princípios de conservação de energia e os impactos ambientais associados, é correto afirmar:
A)O carro elétrico elimina a pegada de carbono de um indivíduo, pois, como o circuito é fechado e opera por indução eletromagnética, não há troca de matéria ou energia com o meio ambiente externo.
B)A eficiência ambiental de um veículo elétrico está diretamente ligada à matriz energética do país; se a corrente elétrica que carrega a bateria for obtida de termelétricas a carvão, o veículo funciona apenas como um “deslocador” de emissões de gases poluentes da cidade para a região da usina termelétrica.
C)O calor dissipado pelo motor elétrico (Efeito Joule) é a principal causa do aquecimento global nas cidades, sendo mais prejudicial ao meio ambiente do que a queima de combustíveis fósseis em motores a combustão interna.
D)Por ser um sistema elétrico resistivo, a bateria de um carro elétrico pode ser descartada em lixo comum ao final de sua vida útil, uma vez que os seus componentes químicos são convertidos integralmente em energia mecânica durante o uso.
E)Aumentar a voltagem do sistema de 400 V para 800 V serve principalmente para aumentar a velocidade final do carro, não possuindo qualquer relação com a preservação de recursos naturais ou redução de perdas energéticas no circuito.
Gabarito FUVEST 2027 — 1ª Fase (Caderno V1)
B
Gabarito comentado Método TEF
O enunciado pede para olhar o veículo como parte de um sistema energético, e não apenas pelo escapamento.
1. Origem da energia. A bateria só armazena a energia que a rede lhe fornece. Se a eletricidade vem de termelétricas a carvão, as emissões continuam existindo; apenas ocorrem na usina, e não na cidade. A eficiência ambiental depende, portanto, da matriz energética do país.
2. Perdas por efeito Joule. Para uma potência $P$ transmitida, a corrente vale $i=\dfrac{P}{V}$ e a potência dissipada em uma resistência $R$ é:
Dobrar a tensão, de ${400}\text{ V}$ para ${800}\text{ V}$, divide as perdas por ${4}$. A tensão tem relação direta com a redução de perdas energéticas.
3. Demais afirmações. O sistema troca energia e matéria com o ambiente (fabricação, geração, descarte); o calor do motor não supera o impacto da queima de combustíveis fósseis; e baterias têm componentes químicos que exigem descarte adequado.
Resta a afirmação que associa a eficiência ambiental à matriz energética e ao deslocamento das emissões para a usina.
Q37
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência e Energia Elétrica
Texto para as questões 36 e 37
No contexto de 2026, a substituição de frotas a combustão por frotas elétricas é uma estratégia central de descarbonização para alguns países. O Uruguai, por exemplo, lidera a expansão de veículos elétricos na América Latina. Desde 2010, converteu 99% de sua matriz elétrica para fontes renováveis e locais. Essa transição estratégica permitiu ao país reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e foi impulsionada por incentivos fiscais agressivos. Em termos físicos, um carro elétrico pode ser modelado como um sistema simples de corrente contínua, no qual a bateria fornece a tensão, o “acelerador” atua como um resistor variável que controla a corrente, e o motor converte essa energia em movimento. A eficiência desse sistema depende da conversão da energia da bateria em movimento pelo motor, com a menor perda possível por calor (Efeito Joule).
Um motorista está decidindo entre comprar um carro a gasolina ou um elétrico. No modelo elétrico, a ficha de especificação informa que, para manter uma velocidade constante de 100 km/h, o sistema opera com uma diferença de potencial de 400 V e uma corrente de 80 A.
Dados Adicionais: Preço do carro a gasolina: $\text{R\$ 120.000,00}$. Preço do carro elétrico: $\text{R\$ 160.000,00}$. Uso mensal e perfil: O motorista percorre 2.000 km por mês, mantendo uma velocidade média de 100 km/h. Custo da gasolina: $\text{R\$ 0,50}$ por km rodado para o perfil descrito. Tarifa de energia elétrica: $\text{R\$ 0,80}$ por kWh.
Na comparação entre os dois modelos, considerando os dados apresentados e um tempo de posse do carro de 5 anos, é correto afirmar que, em termos financeiros,
A)o carro elétrico é o mais atrativo com bônus governamental de pelo menos $\text{R\$ 11.000,00}$.
B)o carro elétrico é o mais atrativo com bônus governamental de pelo menos $\text{R\$ 8.000,00}$.
C)o carro elétrico é o mais atrativo com bônus governamental de pelo menos $\text{R\$ 5.000,00}$.
D)o carro elétrico é o mais atrativo, independentemente de bônus governamental.
E)o carro elétrico não é o mais atrativo, independentemente de bônus governamental.
Para o elétrico ser o mais atrativo, o bônus precisa cobrir essa diferença. Dentre os valores oferecidos, só o bônus de pelo menos $\text{R\$ }{11\,000}$ a supera. Sem bônus, o elétrico não é mais vantajoso.
Q41
Termologia — Calorimetria — Trocas de Calor
Em demonstrações de química e em vídeos de divulgação científica, é comum a realização de um experimento curioso: um pedaço de papel embebido em uma mistura de álcool e água é incendiado sem que o papel se queime. A chama é visível por alguns segundos, mas, após o término do experimento, o papel permanece praticamente intacto.
À primeira vista, o resultado parece contradizer a ideia de que a combustão libera grande quantidade de energia e deveria, portanto, queimar o papel. No entanto, a explicação correta envolve a distinção entre quantidade de energia envolvida em uma reação e velocidade com que essa energia é liberada, conceitos centrais da termodinâmica e da cinética química.
O papel não entra em combustão no experimento, pois
A)a combustão do álcool é endotérmica, retirando energia do papel e impedindo sua queima.
B)o papel não queima porque a combustão do álcool, nessas condições, consome totalmente a chama, não permitindo a combustão do papel.
C)a combustão do álcool é exotérmica, mas a água absorve grande parte do calor liberado, mantendo a temperatura do papel baixa e dificultando sua combustão.
D)a água reage com a estrutura química do papel e gera moléculas apolares que são menos voláteis, diminuindo sua inflamabilidade.
E)a liberação de energia em reações exotérmicas envolvendo soluções aquosas ocorre sempre de forma lenta, impedindo que o papel entre em combustão.
Gabarito FUVEST 2027 — 1ª Fase (Caderno V1)
C
Gabarito comentado Método TEF
O experimento não contradiz a energia liberada: ele mostra que importa para onde o calor vai e com que rapidez.
1. A combustão do álcool é exotérmica, ou seja, libera calor. O papel só queima se sua temperatura chegar à de ignição, muito acima de ${100}\text{ °C}$.
2. A água embebida absorve esse calor de duas formas:
3. Consequência. Enquanto houver água para aquecer e evaporar, a temperatura do papel permanece próxima de ${100}\text{ °C}$, abaixo da ignição. A chama dura poucos segundos e o álcool se esgota antes de a água secar.
4. Demais explicações. A combustão do álcool não é endotérmica; a chama não se autoconsome; a água não transforma o papel em moléculas apolares; e reações exotérmicas em solução aquosa não são sempre lentas.
O papel resiste porque a água absorve grande parte do calor liberado e mantém sua temperatura baixa.
Q42
Física moderna — Relatividade — Equivalência Massa-Energia
Em 2026, o cenário nuclear global é definido pela estagnação dos tratados de desarmamento e por uma nítida tendência de modernização dos arsenais. Compreender os riscos desse panorama exige uma análise técnica das “zonas de impacto”, que são áreas geográficas delimitadas onde os efeitos de uma detonação manifestam-se de forma previsível. No contexto de uma explosão nuclear, essas zonas são classificadas conforme a intensidade dos danos físicos resultantes da energia liberada. O raio de uma zona de impacto específica é proporcional à raiz cúbica da energia do artefato, conforme a relação R ∝ ∛E. A tabela a seguir mostra as zonas de impacto para uma energia de referência de 9×1014 J.
Zona de impacto
Raio (aproximado)
O que acontece?
Bola de fogo
0,5 km
Tudo dentro desse raio é instantaneamente vaporizado pela temperatura extremamente alta.
Destruição total
2 km
Prédios de concreto são demolidos pela onda de choque de alta pressão.
Danos por calor
5 km
Roupas pegam fogo e pessoas sofrem queimaduras de 3º grau na pele exposta.
Danos leves
10 km
Vidros quebram, causando ferimentos por estilhaços.
Uma bomba atômica teórica contém 4 kg de Urânio-235. Sabe-se que apenas 2% dessa massa é convertida efetivamente em energia de explosão por meio da fissão nuclear. Suponha que uma bomba desse tipo seja detonada no Burj Khalifa, o maior prédio do mundo, localizado no centro de Dubai. As distâncias de alguns pontos turísticos em relação ao Burj Khalifa (“ponto zero”) são: Dubai Mall: ~0,4 km Business Bay: ~1,8 km Port Rashid: ~8,2 km Jumeirah Burj Al Arab: ~11,0 km
Com base nas informações apresentadas, é correto afirmar:
A)O Jumeirah Burj Al Arab seria completamente vaporizado pela zona da bola de fogo.
B)A zona de destruição total se estenderia até um raio de 2,0 km, atingindo a área de Business Bay.
C)O Dubai Mall estaria dentro da zona de vaporização instantânea.
D)Pessoas localizadas em Port Rashid estariam seguras de qualquer efeito térmico, sofrendo apenas com vidros quebrados.
E)Nenhum dos pontos turísticos mencionados teria danos leves.
Gabarito FUVEST 2027 — 1ª Fase (Caderno V1)
C
Gabarito comentado Método TEF
Passo 1 — Massa convertida em energia (${2}\%$ de $4\text{ kg}$):
Passo 4 — Fator de escala dos raios. Como $R\propto\sqrt[3]{E}$:
$\dfrac{R}{R_0}=\sqrt[3]{8}={2}$
Passo 5 — Novos raios das zonas:
$\text{bola de fogo: }{0{,}5}\to{1}\text{ km}\qquad\text{destruição total: }{2}\to{4}\text{ km}\qquad\text{danos por calor: }{5}\to{10}\text{ km}\qquad\text{danos leves: }{10}\to{20}\text{ km}$
Passo 6 — Cada ponto turístico.
Dubai Mall ($0{,}4\text{ km}$): dentro da bola de fogo, logo é vaporizado. Business Bay ($1{,}8\text{ km}$): em destruição total, cujo raio é de $4\text{ km}$ e não de $2\text{ km}$. Port Rashid ($8{,}2\text{ km}$): em danos por calor, com queimaduras, e não apenas vidros quebrados. Burj Al Arab ($11{,}0\text{ km}$): em danos leves, fora da bola de fogo.
Portanto, o Dubai Mall estaria dentro da zona de vaporização instantânea.
Q54
Física moderna — Cosmologia — Tensão de Hubble
Existe um conflito fundamental na cosmologia contemporânea sobre a taxa de expansão do universo, conhecido como a “Tensão de Hubble”. Ao ler um artigo de divulgação científica sobre o tema, um estudante descobriu que dois métodos científicos robustos e confiáveis apresentam resultados discrepantes para o valor dessa taxa, conhecida como Constante de Hubble (H0): Método A (Abordagem Teórica Fundamental): Baseia-se em deduções matemáticas estritas a partir das leis fundamentais da física aplicadas ao modelo cosmológico padrão. Utilizando como ponto de partida a Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas (o eco do universo primitivo), esse método calcula, teoricamente, que H0 ≈ 67,4 ± 0,5 km / s / Mpc. Método B (Abordagem Observacional Empírica): Baseia-se puramente em dados observacionais diretos do universo local e tardio. Medindo a distância e o afastamento real de objetos cósmicos, como estrelas variáveis Cefeidas e supernovas do tipo Ia, esse método fornece, empiricamente, H0 ≈ 73,0 ± 1,7 km / s / Mpc.
O artigo conclui que essa discrepância não configura um simples erro de calibração ou cálculo, mas sim de uma “crise na cosmologia” que pode exigir o desenvolvimento de uma “Nova Física” para reconciliar os modelos teóricos fundamentais com as observações práticas. Com base na interpretação dessas informações e nos princípios da divulgação científica confiável, assinale a alternativa que apresenta a análise mais coerente sobre a consistência dos argumentos e a natureza dos dados apresentados.
A)A conclusão de que existe uma “crise na cosmologia” é um exagero dos cientistas, pois a diferença entre 67 e 73 é pequena e seria correto usar a média aritmética entre os dois valores.
B)O método A é o único correto porque cálculos matemáticos não falham. O método B, por sua vez, deve ser descartado por ser baseado apenas em “olhar para o céu”, um processo sujeito a erros humanos e opiniões dos astrônomos.
C)A existência de uma “tensão” sugere que o Modelo Padrão da Cosmologia pode estar incompleto, indicando que a ciência avança justamente por meio da identificação de lacunas entre previsões teóricas (método A) e observações diretas (método B).
D)O texto perde sua credibilidade científica ao sugerir uma “Nova Física”, visto que as leis da natureza são imutáveis e qualquer diferença de dados deve ser interpretada como falha humana ou instrumental.
E)A expansão do universo é um fenômeno teórico que não pode ser validado por medidas diretas. Dessa forma, não há relevância na abordagem observacional empírica, o que invalida o método B.
Gabarito FUVEST 2027 — 1ª Fase (Caderno V1)
C
Gabarito comentado Método TEF
Passo 1 — Intervalos de cada método (valor central $\pm$ incerteza), em $\text{km/s/Mpc}$:
Passo 2 — Os intervalos não se sobrepõem. A diferença entre os valores centrais é de ${5{,}6}$, cerca de ${3}$ vezes a incerteza combinada:
$\sqrt{0{,}5^2+1{,}7^2}\approx{1{,}8}$
Logo, a discrepância é mais do que uma flutuação estatística.
Passo 3 — Interpretação científica. Dois métodos independentes e confiáveis discordam. As hipóteses razoáveis são erros sistemáticos ainda não identificados ou um modelo cosmológico incompleto. Nenhuma delas está confirmada, e é isso que torna a tensão relevante.
Passo 4 — O que não se deve fazer. Tirar a média mistura métodos de premissas diferentes e esconde o problema. Descartar o método observacional por "olhar o céu" ignora que a física se apoia em medidas. Descartar a "Nova Física" por princípio ignora que a ciência avança ao investigar lacunas entre previsão e observação.
A conclusão coerente é que a tensão indica que o Modelo Padrão pode estar incompleto.
Q56
Física moderna — Astrofísica — Nebulosas
Em 1872, Narcisa Amália publica o livro intitulado Nebulosas, no qual a ideia de nebulosas é associada a algo difuso e distante. Do ponto de vista da Astrofísica, nebulosas são grandes nuvens de gás e poeira no espaço interestelar que, em certas condições, podem colapsar gravitacionalmente e formar estrelas. Uma nebulosa interestelar pode ser observada da Terra principalmente porque
A)emite luz visível devido à fusão nuclear em seu interior.
B)reflete a luz emitida por estrelas próximas e espalha essa radiação.
C)produz luz por atrito entre partículas de poeira.
D)emite radiação apenas na faixa do infravermelho.
E)absorve completamente a luz incidente, tornando-se visível por contraste.
Gabarito FUVEST 2027 — 1ª Fase (Caderno V1)
B
Gabarito comentado Método TEF
Um objeto só é visto se a luz dele chega ao observador. As nebulosas são nuvens de gás e poeira, e há três caminhos possíveis:
$\text{emissão}\qquad\text{reflexão e espalhamento}\qquad\text{absorção (visível por contraste)}$
Fusão nuclear ocorre em estrelas, não na nuvem. A nebulosa não gera luz própria por fusão.
Atrito entre grãos de poeira não é uma fonte relevante de luz em um meio tão rarefeito.
Somente infravermelho é falso: existem nebulosas que emitem no visível.
Absorção total descreve apenas as nebulosas escuras, que são vistas por contraste, e não é a explicação geral.
Resta o mecanismo de reflexão e espalhamento: a poeira devolve a luz de estrelas próximas, tornando a nuvem visível. É o que ocorre nas nebulosas de reflexão. O enunciado é geral, pois há também nebulosas de emissão, mas essa é a única afirmação fisicamente correta entre as apresentadas.
Q73
Mecânica — Trabalho e Energia — Trabalho e Energia Cinética
Texto para as questões 73 e 74
Em outubro de 2025, o skatista Sandro Dias (o “Mineirinho”) realizou o que foi considerado o maior drop de skate do mundo, descendo em uma rampa montada na lateral do Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre (vide foto). Partindo do repouso de uma plataforma montada a 70 m do solo, o skatista desceu pela rampa, passando por uma parte curva (“transição”) até chegar ao ponto mais baixo da rampa, a uma altura de 9,70 m do solo. O percurso termina em um leve aclive (“flat”), conforme ilustrado na segunda figura. Considere que Sandro pesa 70 kg e que o trabalho das forças de atrito e arrasto do ar foi de 10.710 J durante a primeira parte do percurso (até o ponto mais baixo da rampa).
Foto do site G1.
Ilustração inspirada em figura de vídeo do canal Ciência Todo Dia do Youtube.
Note e adote: Aceleração da gravidade: g = 10 m/s2.
Considerando os efeitos das forças dissipativas mencionadas, qual a velocidade, em km/h, que Sandro alcançou no ponto mais baixo da rampa?
A)10
B)30
C)47
D)108
E)126
Gabarito FUVEST 2027 — 1ª Fase (Caderno V1)
D
Gabarito comentado Método TEF
Estratégia: usar o teorema do trabalho e da energia cinética, pois há forças dissipativas.
Passo 5 — Conversão para km/h (multiplicar por ${3{,}6}$):
$v={30}\cdot{3{,}6}={108}\text{ km/h}$
Q74
Mecânica — Dinâmica — Força Centrípeta
Texto para as questões 73 e 74
Em outubro de 2025, o skatista Sandro Dias (o “Mineirinho”) realizou o que foi considerado o maior drop de skate do mundo, descendo em uma rampa montada na lateral do Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre (vide foto). Partindo do repouso de uma plataforma montada a 70 m do solo, o skatista desceu pela rampa, passando por uma parte curva (“transição”) até chegar ao ponto mais baixo da rampa, a uma altura de 9,70 m do solo. O percurso termina em um leve aclive (“flat”), conforme ilustrado na segunda figura. Considere que Sandro pesa 70 kg e que o trabalho das forças de atrito e arrasto do ar foi de 10.710 J durante a primeira parte do percurso (até o ponto mais baixo da rampa).
Foto do site G1.
Ilustração inspirada em figura de vídeo do canal Ciência Todo Dia do Youtube.
Note e adote: Aceleração da gravidade: g = 10 m/s2.
Quando Sandro está na zona de “transição”, marcada por um ponto azul na figura, antes do ponto mais baixo da rampa, é correto afirmar:
A)O módulo da força normal que o skate exerce sobre Sandro é zero, fazendo com que o skatista tenha a sensação de “estar flutuando”.
B)O módulo da força normal que o skate exerce sobre Sandro é maior que o módulo da componente radial da força peso, cujos efeitos incluem uma sobrecarga em seus joelhos.
C)A única força atuando sobre Sandro é a força peso, uma vez que ele está em queda livre nesse trecho.
D)O módulo da força normal que o skate exerce sobre Sandro é igual ao módulo da força peso, já que Sandro está em equilíbrio mecânico neste ponto do percurso.
E)Sandro está em um movimento retilíneo uniformemente variável com aceleração constante nessa parte do trajeto.
Gabarito FUVEST 2027 — 1ª Fase (Caderno V1)
B
Gabarito comentado Método TEF
Na zona de transição o trajeto é côncavo e curvo: o skatista descreve parte de uma circunferência de raio $R$, com velocidade $v>0$.
1. Aceleração centrípeta. Um corpo em trajetória curva possui aceleração dirigida ao centro, $a_c=\dfrac{v^2}{R}\neq{0}$. Logo, a resultante das forças não é nula e não há equilíbrio.
2. Segunda lei de Newton na direção radial. Sendo $P_r$ a componente do peso oposta à normal:
3. Conclusão. Como $m\cdot\dfrac{v^2}{R}>{0}$, tem-se $N>P_r$. Essa força de reação maior que a componente radial do peso é a sobrecarga sentida nos joelhos.
4. Demais afirmações. $N={0}$ ocorreria em queda livre, mas há contato com o skate. Em queda livre só atuaria o peso, e aqui também atua a normal. Igualdade $N=P$ exigiria equilíbrio, o que não ocorre. E o movimento não é retilíneo, pois a trajetória é curva e a aceleração centrípeta varia com $v$.
Q75
Termologia — Calorimetria — Trocas de Calor
Para vender água no Carnaval, uma pessoa colocou em uma caixa de isopor 15 copinhos de água com 350 mL cada, à temperatura de 25 °C, e 1,0 kg de gelo em blocos. Para preencher todo o volume do isopor, acrescentou 0,5 kg de gelo triturado na caixa, que foi fechada e lacrada. Sabendo que o gelo, em blocos e triturado, estava à temperatura negativa de −15 °C, qual a temperatura do conteúdo dos copinhos após toda a mistura no interior do isopor atingir o equilíbrio térmico e qual o estado físico da água na caixa?
A)É menor que 0 °C. A água dos copinhos congelou, e o gelo não derreteu.
B)É igual a 0 °C. O gelo derreteu parcialmente, e restou uma mistura de água líquida e gelo na caixa.
C)É igual a 0 °C. Todo o gelo derreteu, e restou apenas água líquida na caixa.
D)É maior que 0 ° C e menor que 10 °C. Todo o gelo derreteu, e restou apenas água líquida na caixa.
E)É igual ou maior que 10 ° C. Todo o gelo derreteu, e restou apenas água líquida na caixa.
Gabarito FUVEST 2027 — 1ª Fase (Caderno V1)
C
Gabarito comentado Método TEF
Estratégia: comparar o calor que a água quente pode ceder até ${0}\text{ °C}$ com o calor que o gelo exige para esquentar e fundir.
Passo 1 — Massas. Com densidade de $1\text{ kg/L}$:
Passo 5 — Conclusão. Os dois valores coincidem: todo o calor disponível funde exatamente todo o gelo, sem sobra para esquentar o conjunto acima de ${0}\text{ °C}$. O equilíbrio ocorre a ${0}\text{ °C}$, com apenas água líquida na caixa. O calor latente de evaporação é irrelevante, pois não há vaporização.