“Era uma vez um povo que morava numa montanha onde havia muitas quedas d’água. O trabalho era árduo e o grão era moído em pilões. [...] Um dia, quando um jovem suava ao pilão, seus olhos bateram na queda-d’água onde se banhava diariamente. [...] Conhecia a força da água, mais poderosa que o braço de muitos homens. [...] Uma faísca lhe iluminou a mente: não seria possível domesticá-la, ligando-a ao pilão?” (Rubem Alves, Filosofia da Ciência: Introdução ao Jogo e suas Regras, São Paulo, Brasiliense, 1987.)
Essa história ilustra a invenção do pilão d’água (monjolo). Podemos comparar o trabalho realizado por um monjolo de massa igual a $30\text{ kg}$ com aquele realizado por um pilão manual de massa igual a $5{,}0\text{ kg}$. Nessa comparação desconsidere as perdas e considere $g=10\text{ m/s}^2$.
A) Um trabalhador ergue o pilão manual e deixa-o cair de uma altura de $60\text{ cm}$. Qual o trabalho realizado em cada batida?
B) O monjolo cai sobre grãos de uma altura de $2\text{ m}$. O pilão manual é batido a cada $2{,}0\text{ s}$, e o monjolo, a cada $4{,}0\text{ s}$. Quantas pessoas seriam necessárias para realizar com o pilão manual o mesmo trabalho que o monjolo, no mesmo intervalo de tempo?
A) Em cada batida, desprezando as perdas, o trabalho realizado pelo pilão sobre os grãos corresponde à diminuição de sua energia potencial gravitacional:
$W=mgh$.
$W=5{,}0\cdot10\cdot0{,}60=30\text{ J}$.
B) Em cada queda, o monjolo realiza o trabalho
$W_M=Mgh=30\cdot10\cdot2=600\text{ J}$.
Como ele realiza uma batida a cada $4{,}0\text{ s}$, sua potência média é
$P_M=\dfrac{600}{4{,}0}=150\text{ W}$.
Para uma pessoa utilizando o pilão manual,
$P_p=\dfrac{30}{2{,}0}=15\text{ W}$.
Se $n$ pessoas devem realizar, no mesmo intervalo de tempo, o mesmo trabalho do monjolo:
$nP_p=P_M$.
$n\cdot15=150\Rightarrow n=10$.
Portanto, seriam necessárias 10 pessoas.