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Acervo UNICAMP · Método TEF

UNICAMP 2006 | 2ª Fase

Vestibular 2006 · Prova de Física, 12 questões discursivas — resolução comentada Método TEF.

Q01
Cinemática — MUV e MRU

Um corredor de 100 metros rasos percorre os 20 primeiros metros da corrida em $4{,}0\text{ s}$ com aceleração constante. A velocidade atingida ao final dos $4{,}0\text{ s}$ é então mantida constante até o final da corrida.

a) Qual é a aceleração do corredor nos primeiros $20\text{ m}$ da corrida?

b) Qual é a velocidade atingida ao final dos primeiros $20\text{ m}$?

c) Qual é o tempo total gasto pelo corredor em toda a prova?

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q01)

a) $2{,}5\text{ m/s}^2$; b) $10\text{ m/s}$; c) $12{,}0\text{ s}$.
Resolução

a) Nos primeiros $20\text{ m}$, o corredor parte do repouso e tem aceleração constante:

$\Delta s=\dfrac{at^2}{2}\Rightarrow20=\dfrac{a(4{,}0)^2}{2}\Rightarrow a=2{,}5\text{ m/s}^2$.

b) $v=at=2{,}5\cdot4{,}0=10\text{ m/s}$.

c) Restam $80\text{ m}$, percorridos com velocidade constante de $10\text{ m/s}$:

$\Delta t=\dfrac{80}{10}=8{,}0\text{ s}$.

Logo, $t_{total}=4{,}0+8{,}0=12{,}0\text{ s}$.

Q02
Energia Mecânica — Mola e Conservação da Energia

Um brinquedo que muito agrada às crianças são os lançadores de objetos em uma pista. Considere que a mola da figura abaixo possui uma constante elástica $k=8000\text{ N/m}$ e massa desprezível. Inicialmente, a mola está comprimida de $2{,}0\text{ cm}$ e, ao ser liberada, empurra um carrinho de massa igual a $0{,}20\text{ kg}$. O carrinho abandona a mola quando esta atinge o seu comprimento relaxado, e percorre uma pista que termina em uma rampa. Considere que não há perda de energia mecânica por atrito no movimento do carrinho.

Carrinho impulsionado por mola em pista que termina em uma rampa

a) Qual é a velocidade do carrinho quando ele abandona a mola?

b) Na subida da rampa, a que altura o carrinho tem velocidade de $2{,}0\text{ m/s}$?

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q02)

a) $4{,}0\text{ m/s}$; b) $0{,}60\text{ m}$.
Resolução

a) A energia potencial elástica transforma-se em energia cinética:

$\dfrac{kx^2}{2}=\dfrac{mv^2}{2}$.

Com $x=2{,}0\times10^{-2}\text{ m}$:

$v=x\sqrt{\dfrac{k}{m}}=2{,}0\times10^{-2}\sqrt{\dfrac{8000}{0{,}20}}=4{,}0\text{ m/s}$.

b) Na rampa, conserva-se a energia mecânica:

$\dfrac{mv_0^2}{2}=\dfrac{mv^2}{2}+mgh$.

$h=\dfrac{v_0^2-v^2}{2g}=\dfrac{16-4}{20}=0{,}60\text{ m}$.

Q03
Dinâmica — Atrito e Pressão

Ao se usar um saca-rolhas, a força mínima que deve ser aplicada para que a rolha de uma garrafa comece a sair é igual a $360\text{ N}$.

a) Sendo $\mu_e=0{,}2$ o coeficiente de atrito estático entre a rolha e o bocal da garrafa, encontre a força normal que a rolha exerce no bocal da garrafa. Despreze o peso da rolha.

b) Calcule a pressão da rolha sobre o bocal da garrafa. Considere o raio interno do bocal da garrafa igual a $0{,}75\text{ cm}$ e o comprimento da rolha igual a $4{,}0\text{ cm}$.

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q03)

a) $1{,}8\times10^3\text{ N}$; b) $1{,}0\times10^6\text{ Pa}$.
Resolução

a) No limiar do movimento, a força aplicada iguala o atrito estático máximo:

$F=\mu_eN\Rightarrow360=0{,}2N\Rightarrow N=1{,}8\times10^3\text{ N}$.

b) A área de contato lateral é $A=2\pi rL$. Usando $\pi=3$:

$A=2\cdot3\cdot0{,}75\times10^{-2}\cdot4{,}0\times10^{-2}=1{,}8\times10^{-3}\text{ m}^2$.

$p=\dfrac{N}{A}=\dfrac{1{,}8\times10^3}{1{,}8\times10^{-3}}=1{,}0\times10^6\text{ Pa}$.

Q04
Quantidade de Movimento — Colisão Inelástica Bidimensional

Em uma auto-estrada, por causa da quebra de uma ponta de eixo, a roda de um caminhão desprende-se e vai em direção à outra pista, atingindo um carro que vem em sentido oposto. A roda é lançada com uma velocidade de $72\text{ km/h}$, formando um ângulo de $30^\circ$ com a pista, como indicado na figura abaixo. A velocidade do carro antes da colisão é de $90\text{ km/h}$; a massa do carro é igual a $900\text{ kg}$ e a massa da roda do caminhão é igual a $100\text{ kg}$. A roda fica presa ao carro após a colisão.

Esquemas antes e depois da colisão entre a roda do caminhão e o carro

a) Imediatamente após a colisão, qual é a componente da velocidade do carro na direção transversal à pista?

b) Qual é a energia cinética do conjunto carro-roda imediatamente após a colisão?

Se for necessário, use: sen $30^\circ=0{,}5$, cos $30^\circ=0{,}87$.

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q04)

a) $1{,}0\text{ m/s}$; b) $2{,}16\times10^5\text{ J}$.
Resolução

Convertemos as velocidades: $72\text{ km/h}=20\text{ m/s}$ e $90\text{ km/h}=25\text{ m/s}$.

a) Na direção transversal à pista, a roda possui componente $v_{Ry}=20\sin30^\circ=10\text{ m/s}$. Conservando a quantidade de movimento nessa direção:

$(900+100)v_y=100\cdot10\Rightarrow v_y=1{,}0\text{ m/s}$.

b) Na direção da pista, tomando como positivo o sentido do carro:

$v_{Rx}=-20\cos30^\circ=-17{,}4\text{ m/s}$.

$1000v_x=900\cdot25+100(-17{,}4)\Rightarrow v_x=20{,}76\text{ m/s}$.

A energia cinética após a colisão é:

$E_c=\dfrac{1000}{2}(v_x^2+v_y^2)\approx2{,}16\times10^5\text{ J}$.

Q05
Dinâmica — Pêndulo Cônico

Um pêndulo cônico é formado por um fio de massa desprezível e comprimento $L=1{,}25\text{ m}$, que suporta uma massa $m=0{,}5\text{ kg}$ na sua extremidade inferior. A extremidade superior do fio é presa ao teto, conforme ilustra a figura abaixo. Quando o pêndulo oscila, a massa $m$ executa um movimento circular uniforme num plano horizontal, e o ângulo que o fio forma com a vertical é $\theta=60^\circ$.

Pêndulo cônico com fio de comprimento L formando ângulo theta com a vertical

a) Qual é a tensão no fio?

b) Qual é a velocidade angular da massa?

Se for necessário, use: sen $60^\circ=0{,}87$, cos $60^\circ=0{,}5$.

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q05)

a) $10\text{ N}$; b) $4{,}0\text{ rad/s}$.
Resolução

a) Na direção vertical:

$T\cos\theta=mg$.

$T\cdot0{,}5=0{,}5\cdot10\Rightarrow T=10\text{ N}$.

b) Na direção horizontal, $T\sin\theta$ é a força centrípeta. Como $r=L\sin\theta$:

$T\sin\theta=m\omega^2L\sin\theta\Rightarrow T=m\omega^2L$.

$10=0{,}5\omega^2\cdot1{,}25\Rightarrow\omega^2=16\Rightarrow\omega=4{,}0\text{ rad/s}$.

Q06
Termologia — Radiação de Corpo Negro

Todos os corpos trocam energia com seu ambiente através da emissão e da absorção de ondas eletromagnéticas em todas as freqüências. Um corpo negro é um corpo que absorve toda onda eletromagnética nele incidente, sendo que também apresenta a máxima eficiência de emissão. A intensidade das ondas emitidas por um corpo negro só depende da temperatura desse corpo. O corpo humano à temperatura normal de $37^\circ\text{C}$ pode ser considerado como um corpo negro. Considere que a velocidade das ondas eletromagnéticas é igual a $3{,}0\times10^8\text{ m/s}$.

a) A figura abaixo mostra a intensidade das ondas eletromagnéticas emitidas por um corpo negro a $37^\circ\text{C}$ em função da freqüência. Qual é o comprimento de onda correspondente à freqüência para a qual a intensidade é máxima?

b) Se um corpo negro cuja temperatura absoluta é $T$ se encontra num ambiente cuja temperatura absoluta é $T_a$, a potência líquida que ele perde por emissão e absorção de ondas eletromagnéticas é dada por $P=\sigma A(T^4-T_a^4)$, onde $A$ é a área da superfície do corpo e $\sigma=6\times10^{-8}\text{ W/(m}^2\text{K}^4\text{)}$. Usando como referência uma pessoa com $1{,}70\text{ m}$ de altura e $70\text{ kg}$ de massa, faça uma estimativa da área da superfície do corpo humano. A partir da área estimada, calcule a perda total diária de energia por emissão e absorção de ondas eletromagnéticas por essa pessoa se ela se encontra num ambiente a $27^\circ\text{C}$. Aproxime a duração de 1 dia por $9{,}0\times10^4\text{ s}$.

Gráfico da intensidade da radiação de corpo negro em função da frequência

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q06)

a) $1{,}7\times10^{-5}\text{ m}$; b) para $A\approx2{,}0\text{ m}^2$, $E\approx1{,}2\times10^7\text{ J}$ por dia.
Resolução

a) Pelo gráfico, a intensidade é máxima para $f\approx1{,}8\times10^{13}\text{ Hz}$. Como $c=\lambda f$:

$\lambda=\dfrac{3{,}0\times10^8}{1{,}8\times10^{13}}\approx1{,}7\times10^{-5}\text{ m}$.

b) Uma estimativa simples é representar a pessoa por um bloco de aproximadamente $1{,}70\text{ m}\times0{,}40\text{ m}\times0{,}20\text{ m}$, obtendo uma área de superfície da ordem de $2{,}0\text{ m}^2$.

Com $T=310\text{ K}$ e $T_a=300\text{ K}$:

$P=6\times10^{-8}\cdot2{,}0\left(310^4-300^4\right)\approx132\text{ W}$.

Em um dia:

$E=P\Delta t=132\cdot9{,}0\times10^4\approx1{,}2\times10^7\text{ J}$.

Q07
Calorimetria — Equilíbrio Térmico

Desconfiada de que o anel que ganhara do namorado não era uma liga de ouro de boa qualidade, uma estudante resolveu tirar a dúvida, valendo-se de um experimento de calorimetria baseado no fato de que metais diferentes possuem diferentes calores específicos.

Inicialmente, a estudante deixou o anel de $4{,}0\text{ g}$ por um longo tempo dentro de uma vasilha com água fervente ($100^\circ\text{C}$). Tirou, então, o anel dessa vasilha e o mergulhou em um outro recipiente, bem isolado termicamente, contendo $2\text{ ml}$ de água a $15^\circ\text{C}$. Mediu a temperatura final da água em equilíbrio térmico com o anel. O calor específico da água é igual a $1{,}0\text{ cal/g}^\circ\text{C}$, e sua densidade é igual a $1{,}0\text{ g/cm}^3$. Despreze a troca de calor entre a água e o recipiente.

a) Sabendo-se que o calor específico do ouro é $c_{Au}=0{,}03\text{ cal/g}^\circ\text{C}$, qual deveria ser a temperatura final de equilíbrio se o anel fosse de ouro puro?

b) A temperatura final de equilíbrio medida pela estudante foi de $22^\circ\text{C}$. Encontre o calor específico do anel.

c) A partir do gráfico e da tabela abaixo, determine qual é a porcentagem de ouro do anel e quantos quilates ele tem.

Gráfico do calor específico da liga de ouro e cobre e tabela de quilates

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q07)

a) aproximadamente $19{,}8^\circ\text{C}$; b) aproximadamente $0{,}045\text{ cal/g}^\circ\text{C}$; c) 75% de Au e 18 quilates.
Resolução

A massa de $2\text{ ml}$ de água é $2{,}0\text{ g}$.

a) Para um anel de ouro puro, no equilíbrio térmico:

$4{,}0\cdot0{,}03(T_f-100)+2{,}0\cdot1{,}0(T_f-15)=0$.

$0{,}12T_f-12+2T_f-30=0\Rightarrow2{,}12T_f=42$.

$T_f\approx19{,}8^\circ\text{C}$.

b) Para a temperatura final medida de $22^\circ\text{C}$:

$4{,}0c(22-100)+2{,}0(22-15)=0$.

$-312c+14=0\Rightarrow c\approx0{,}045\text{ cal/g}^\circ\text{C}$.

c) Pelo gráfico, $c\approx0{,}045\text{ cal/g}^\circ\text{C}$ corresponde a 75% de ouro. Pela tabela, 75% de Au corresponde a 18 quilates.

Q08
Hidrostática e Termodinâmica — Empuxo e Gás Ideal

As baleias são mamíferos aquáticos dotados de um sistema respiratório altamente eficiente que dispensa um acúmulo muito elevado de ar nos pulmões, o que prejudicaria sua capacidade de submergir. A massa de certa baleia é de $1{,}50\times10^5\text{ kg}$ e o seu volume, quando os pulmões estão vazios, é igual a $1{,}35\times10^2\text{ m}^3$.

a) Calcule o volume máximo da baleia após encher os pulmões de ar, acima do qual a baleia não conseguiria submergir sem esforço. Despreze o peso do ar nos pulmões e considere a densidade da água do mar igual a $1{,}0\times10^3\text{ kg/m}^3$.

b) Qual é a variação percentual do volume da baleia ao encher os pulmões de ar até atingir o volume máximo calculado no item a? Considere que inicialmente os pulmões estavam vazios.

c) Suponha que uma baleia encha rapidamente seus pulmões em um local onde o ar se encontra inicialmente a uma temperatura de $7^\circ\text{C}$ e a uma pressão de $1{,}0\text{ atm}$ ($1{,}0\times10^5\text{ N/m}^2$). Calcule a pressão do ar no interior dos pulmões da baleia, após atingir o equilíbrio térmico com o corpo do animal, que está a $37^\circ\text{C}$. Despreze qualquer variação da temperatura do ar no seu caminho até os pulmões e considere o ar um gás ideal.

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q08)

a) $1{,}50\times10^2\text{ m}^3$; b) aproximadamente 11%; c) $1{,}1\times10^5\text{ Pa}$.
Resolução

a) O volume máximo ocorre quando o empuxo iguala o peso:

$\rho V_{máx}g=mg\Rightarrow V_{máx}=\dfrac{1{,}50\times10^5}{1{,}0\times10^3}=1{,}50\times10^2\text{ m}^3$.

b) $\Delta V=1{,}50\times10^2-1{,}35\times10^2=0{,}15\times10^2\text{ m}^3$.

$\dfrac{\Delta V}{V_0}\cdot100=\dfrac{0{,}15}{1{,}35}\cdot100\approx11\%$.

c) Admitindo volume constante, para o gás ideal:

$\dfrac{p_1}{T_1}=\dfrac{p_2}{T_2}$.

$T_1=280\text{ K}$ e $T_2=310\text{ K}$.

$p_2=1{,}0\times10^5\dfrac{310}{280}\approx1{,}1\times10^5\text{ Pa}$.

Q09
Termologia e Eletrodinâmica — Dilatação e Efeito Joule

Pares metálicos constituem a base de funcionamento de certos disjuntores elétricos, que são dispositivos usados na proteção de instalações elétricas contra curtos-circuitos. Considere um par metálico formado por uma haste de latão e outra de aço, que, na temperatura ambiente, têm comprimento $L=4{,}0\text{ cm}$. A variação do comprimento da haste, $\Delta L$, devida a uma variação de temperatura $\Delta T$, é dada por $\Delta L=\alpha L\Delta T$, onde $\alpha$ é o coeficiente de dilatação térmica linear do material.

Hastes de aço e latão de comprimento inicial 4,0 cm

a) Se a temperatura aumentar de $60^\circ\text{C}$, qual será a diferença entre os novos comprimentos das hastes de aço e de latão? Considere que as hastes não estão presas uma à outra, e que $\alpha_{Lat}=1{,}9\times10^{-5}\ ^\circ\text{C}^{-1}$ e $\alpha_{Aço}=1{,}3\times10^{-5}\ ^\circ\text{C}^{-1}$.

b) Se o aquecimento se dá pela passagem de uma corrente elétrica de $10\text{ A}$ e o par tem resistência de $2{,}4\times10^{-3}\Omega$, qual é a potência dissipada?

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q09)

a) aproximadamente $1{,}4\times10^{-3}\text{ cm}$; b) $2{,}4\times10^{-1}\text{ W}$.
Resolução

a) A diferença entre as dilatações é:

$\Delta L=(\alpha_{Lat}-\alpha_{Aço})L\Delta T$.

$\Delta L=(1{,}9-1{,}3)\times10^{-5}\cdot4{,}0\cdot60\approx1{,}4\times10^{-3}\text{ cm}$.

b) Pela potência dissipada em um resistor:

$P=Ri^2=2{,}4\times10^{-3}\cdot10^2=2{,}4\times10^{-1}\text{ W}$.

Q10
Eletrodinâmica — Resistividade e Supercondutividade

O gráfico abaixo mostra a resistividade elétrica de um fio de nióbio (Nb) em função da temperatura. No gráfico, pode-se observar que a resistividade apresenta uma queda brusca em $T=9{,}0\text{ K}$, tornando-se nula abaixo dessa temperatura. Esse comportamento é característico de um material supercondutor.

Um fio de Nb de comprimento total $L=1{,}5\text{ m}$ e seção transversal de área $A=0{,}050\text{ mm}^2$ é esticado verticalmente do topo até o fundo de um tanque de hélio líquido, a fim de ser usado como medidor de nível, conforme ilustrado na figura abaixo. Sabendo-se que o hélio líquido se encontra a $4{,}2\text{ K}$ e que a temperatura da parte não imersa do fio fica em torno de $10\text{ K}$, pode-se determinar a altura $h$ do nível de hélio líquido através da medida da resistência do fio.

Gráfico da resistividade do nióbio e esquema do medidor de nível de hélio líquido

a) Calcule a resistência do fio quando toda a sua extensão está a $10\text{ K}$, isto é, quando o tanque está vazio.

b) Qual é a altura $h$ do nível de hélio líquido no interior do tanque em uma situação em que a resistência do fio de Nb vale $36\Omega$?

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q10)

a) $60\Omega$; b) $0{,}6\text{ m}$.
Resolução

a) Pelo gráfico, a $10\text{ K}$, $\rho=2{,}0\times10^{-6}\Omega\text{m}$. Além disso, $A=0{,}050\text{ mm}^2=5{,}0\times10^{-8}\text{ m}^2$.

$R=\rho\dfrac{L}{A}=2{,}0\times10^{-6}\dfrac{1{,}5}{5{,}0\times10^{-8}}=60\Omega$.

b) A parte imersa, a $4{,}2\text{ K}$, é supercondutora e tem resistência nula. Somente o trecho não imerso, de comprimento $L-h$, contribui:

$36=2{,}0\times10^{-6}\dfrac{1{,}5-h}{5{,}0\times10^{-8}}$.

$1{,}5-h=0{,}90\text{ m}\Rightarrow h=0{,}60\text{ m}$.

Q11
Eletromagnetismo — Campos Elétrico e Magnético Cruzados

A utilização de campos elétrico e magnético cruzados é importante para viabilizar o uso da técnica híbrida de tomografia de ressonância magnética e de raios X.

A figura abaixo mostra parte de um tubo de raios X, onde um elétron, movendo-se com velocidade $v=5{,}0\times10^5\text{ m/s}$ ao longo da direção $x$, penetra na região entre as placas onde há um campo magnético uniforme, $\vec B$, dirigido perpendicularmente para dentro do plano do papel. A massa do elétron é $m_e=9\times10^{-31}\text{ kg}$ e a sua carga elétrica é $q=-1{,}6\times10^{-19}\text{ C}$. O módulo da força magnética que age sobre o elétron é dado por $F=qvB\operatorname{sen}\theta$, onde $\theta$ é o ângulo entre a velocidade e o campo magnético.

Elétron entre placas em campo magnético dirigido para dentro do plano

a) Sendo o módulo do campo magnético $B=0{,}010\text{ T}$, qual é o módulo do campo elétrico que deve ser aplicado na região entre as placas para que o elétron se mantenha em movimento retilíneo uniforme?

b) Numa outra situação, na ausência de campo elétrico, qual é o máximo valor de $B$ para que o elétron ainda atinja o alvo?
O comprimento das placas é de $10\text{ cm}$.

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q11)

a) $5{,}0\times10^3\text{ V/m}$; b) aproximadamente $2{,}8\times10^{-5}\text{ T}$.
Resolução

a) Para movimento retilíneo uniforme, a força elétrica deve equilibrar a força magnética:

$|q|E=|q|vB\Rightarrow E=vB$.

$E=5{,}0\times10^5\cdot0{,}010=5{,}0\times10^3\text{ V/m}$.

b) Sem campo elétrico, o elétron descreve um arco circular. O maior campo compatível com a chegada ao alvo ocorre quando a trajetória tangencia o alvo, com raio $R=10\text{ cm}=0{,}10\text{ m}$.

$|q|vB=\dfrac{mv^2}{R}\Rightarrow B=\dfrac{mv}{|q|R}$.

$B=\dfrac{9\times10^{-31}\cdot5{,}0\times10^5}{1{,}6\times10^{-19}\cdot0{,}10}\approx2{,}8\times10^{-5}\text{ T}$.

Q12
Óptica — Lentes e Ponto Próximo

O olho humano só é capaz de focalizar a imagem de um objeto (fazer com que ela se forme na retina) se a distância entre o objeto e o cristalino do olho for maior que a de um ponto conhecido como ponto próximo, $P_p$ (ver figura abaixo). A posição do ponto próximo normalmente varia com a idade.

Uma pessoa, aos 25 anos, descobriu, com auxílio do seu oculista, que o seu ponto próximo ficava a $20\text{ cm}$ do cristalino. Repetiu o exame aos 65 anos e constatou que só conseguia visualizar com nitidez objetos que ficavam a uma distância mínima de $50\text{ cm}$. Considere que para essa pessoa a retina está sempre a $2{,}5\text{ cm}$ do cristalino, sendo que este funciona como uma lente convergente de distância focal variável.

Esquema do cristalino, ponto próximo e retina

a) Calcule as distâncias focais mínimas do cristalino dessa pessoa aos 25 e aos 65 anos.

b) Se essa pessoa, aos 65 anos, tentar focalizar um objeto a $20\text{ cm}$ do olho, a que distância da retina se formará a imagem?

Resposta — UNICAMP 2006 — 2ª Fase (Q12)

a) aproximadamente $2{,}2\text{ cm}$ e $2{,}4\text{ cm}$; b) aproximadamente $0{,}2\text{ cm}$ atrás da retina.
Resolução

a) Pela equação de Gauss, $\dfrac1f=\dfrac1p+\dfrac1{p'}$, com $p'=2{,}5\text{ cm}$.

Aos 25 anos, $p=20\text{ cm}$:

$\dfrac1{f_{25}}=\dfrac1{20}+\dfrac1{2{,}5}=0{,}45\Rightarrow f_{25}\approx2{,}2\text{ cm}$.

Aos 65 anos, $p=50\text{ cm}$:

$\dfrac1{f_{65}}=\dfrac1{50}+\dfrac1{2{,}5}=0{,}42\Rightarrow f_{65}\approx2{,}4\text{ cm}$.

b) Aos 65 anos, o menor foco disponível é aproximadamente $2{,}4\text{ cm}$. Para um objeto a $20\text{ cm}$:

$\dfrac1{2{,}4}=\dfrac1{20}+\dfrac1{p'}\Rightarrow p'\approx2{,}7\text{ cm}$.

Como a retina está a $2{,}5\text{ cm}$ do cristalino, a imagem se forma cerca de $2{,}7-2{,}5=0{,}2\text{ cm}$ atrás da retina.

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