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Acervo UNICAMP · Método TEF

UNICAMP 2023 | 1ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Conhecimentos Gerais · questões de Física Q29 a Q36 — resolução comentada Método TEF.

Dados da prova

Utilize sempre que necessário:

$g=10\text{ m/s}^2$
Q29
Mecânica — Cinemática — Movimento Circular Uniforme

Use os valores aproximados: $g=10\text{ m/s}^2$ e $\pi=3$.

A prática esportiva de “pular corda” vem conquistando muitos adeptos e se tornando uma modalidade de competição. Numa prova de velocidade, um atleta consegue dar 105 saltos em 30 segundos. Considerando que o ponto da corda que passa sob os pés e acima da cabeça do praticante descreve uma trajetória circular de raio $r=90\text{ cm}$, qual é a velocidade escalar desse ponto da corda?

Atleta pulando corda e trajetória circular do ponto P da corda

A) $0{,}18\text{ m/s}$.

B) $3{,}15\text{ m/s}$.

C) $18{,}9\text{ m/s}$.

D) $567\text{ m/s}$.

Resposta — UNICAMP 2023 — 1ª Fase (Q29)

Alternativa C — $18{,}9\text{ m/s}$.
Resolução

Cada salto corresponde a uma volta completa da corda. A frequência de rotação é

$$f=\frac{105}{30}=3{,}5\ \text{voltas por segundo}$$

O ponto da corda descreve uma circunferência de raio $0{,}90\ \text{m}$. A velocidade escalar é o perímetro vezes a frequência (com $\pi=3$):

$$v=2\pi r f=2\cdot3\cdot0{,}90\cdot3{,}5=18{,}9\ \text{m/s}$$

Quase $70\ \text{km/h}$: por isso a corda assobia. O cuidado é passar o raio para metros; em centímetros, o resultado sai cem vezes maior.

Q30
Mecânica — Cinemática — Movimento Uniformemente Variado

Texto para as questões 30, 31 e 32.

O balonismo, um esporte aeronáutico com adeptos em todo o mundo, oferece um belo espetáculo para os observadores no solo. Um maçarico é usado para aquecer o ar no interior do balão, o que faz variar a densidade do ar, permitindo o controle do movimento de subida e descida do balão.

Um balão, inicialmente em repouso no solo, decola e sobe em movimento uniformemente variado. Se o balão atinge a altura $h=80\text{ m}$ após um tempo $t=40\text{ s}$, conclui-se que a aceleração vertical do balão nesse movimento é igual a

A) $2{,}0\text{ m/s}^2$.

B) $4{,}0\text{ m/s}^2$.

C) $0{,}05\text{ m/s}^2$.

D) $0{,}1\text{ m/s}^2$.

Resposta — UNICAMP 2023 — 1ª Fase (Q30)

Alternativa D — $0{,}1\text{ m/s}^2$.
Resolução

O balão parte do repouso com aceleração constante:

$$h=\frac{a\,t^2}{2}\;\Longrightarrow\;80=\frac{a\cdot40^2}{2}=800\,a\;\Longrightarrow\;a=0{,}1\ \text{m/s}^2$$

A alternativa C, $0{,}05$, é de quem esquece o fator $\frac12$. A B e a A saem de dividir $80$ por $40$ (uma ou duas vezes) sem pensar em movimento acelerado.

Q31
Mecânica — Trabalho e Energia — Trabalho da Força Peso

Texto para as questões 30, 31 e 32.

O balonismo, um esporte aeronáutico com adeptos em todo o mundo, oferece um belo espetáculo para os observadores no solo. Um maçarico é usado para aquecer o ar no interior do balão, o que faz variar a densidade do ar, permitindo o controle do movimento de subida e descida do balão.

A massa total de um balão em um movimento de descida, desde a altura inicial $h=80\text{ m}$ até o solo, é $m=2000\text{ kg}$. Qual é o trabalho da força peso sobre o balão durante a descida?

A) $2{,}0\times10^4\text{ J}$.

B) $1{,}6\times10^5\text{ J}$.

C) $2{,}0\times10^5\text{ J}$.

D) $1{,}6\times10^6\text{ J}$.

Resposta — UNICAMP 2023 — 1ª Fase (Q31)

Alternativa D — $1{,}6\times10^6\text{ J}$.
Resolução

Na descida, o peso (para baixo) e o deslocamento (para baixo) têm o mesmo sentido: o trabalho do peso é positivo.

$$W_P=m\,g\,h=2000\cdot10\cdot80=1{,}6\times10^6\ \text{J}$$

O trabalho do peso só depende do desnível. O quanto o balão desceu devagar ou depressa (e o trabalho do empuxo, que é negativo) não entra na conta.

Q32
Termologia — Gases Ideais — Gás Ideal

Texto para as questões 30, 31 e 32.

O balonismo, um esporte aeronáutico com adeptos em todo o mundo, oferece um belo espetáculo para os observadores no solo. Um maçarico é usado para aquecer o ar no interior do balão, o que faz variar a densidade do ar, permitindo o controle do movimento de subida e descida do balão.

Um balão tem um volume $V=1{,}6\times10^3\text{ m}^3$ de ar quente no seu interior na temperatura $T=400\text{ K}$ e na pressão atmosférica $p_0=1{,}0\text{ atm}=1{,}0\times10^5\text{ Pa}$. Sabendo-se que o ar quente se comporta como um gás ideal e que a constante universal dos gases é $R\cong8\text{ J/(mol·K)}$, quantos mols de ar $n$ há no interior do balão?

A) $5{,}0\times10^{-1}\text{ mol}$.

B) $4{,}0\times10^0\text{ mol}$.

C) $5{,}0\times10^4\text{ mol}$.

D) $4{,}0\times10^5\text{ mol}$.

Resposta — UNICAMP 2023 — 1ª Fase (Q32)

Alternativa C — $5{,}0\times10^4\text{ mol}$.
Resolução

Pela equação de Clapeyron, $pV=nRT$:

$$n=\frac{pV}{RT}=\frac{1{,}0\times10^5\cdot1{,}6\times10^3}{8\cdot400}=\frac{1{,}6\times10^8}{3{,}2\times10^3}=5{,}0\times10^4\ \text{mol}$$

São cinquenta mil mols. Um balão cheio de ar frio teria mais: aquecer o ar faz parte dele sair do balão, e o balão fica mais leve que o ar em volta. É isso que o faz subir.

Q33
Mecânica — Dinâmica — Atrito Estático e Lei de Hooke

A pele humana detecta simultaneamente, com uma sensibilidade que sistemas artificiais não conseguem reproduzir, vibrações, forças estáticas, textura e escorregamento de objetos sobre sua superfície. Sensores tácteis que apresentassem respostas análogas à pele humana seriam muito desejáveis. A figura a seguir ilustra um modelo simples, utilizado no estudo da resposta da pele humana. Na referida figura, estão representados o peso $\vec P$ do bloco, a força normal $\vec N$, a força de atrito $\vec f_{at}$ aplicada pela superfície da pele no bloco de massa $m$ e uma força externa $\vec F$ aplicada na mola. A constante de mola é $k=10\text{ N/m}$, e a massa do bloco é $m=4\text{ g}$. Na iminência de movimento, a deformação da mola é $\Delta x=3\text{ mm}$ em relação ao seu comprimento de equilíbrio. Qual é o coeficiente de atrito estático entre o bloco e a pele?

Bloco sobre a pele ligado a uma mola, com forças normal, peso, atrito e força externa

A) $8{,}8\times10^{-7}$.

B) $1{,}1\times10^{-6}$.

C) $7{,}5\times10^{-1}$.

D) $1{,}3\times10^0$.

Resposta — UNICAMP 2023 — 1ª Fase (Q33)

Alternativa C — $\mu_e=0{,}75$.
Resolução

Na iminência do movimento, o bloco ainda está em equilíbrio e o atrito estático está no seu valor máximo, $\mu_e N$. Ele equilibra a força da mola:

$$k\,\Delta x=\mu_e\,m\,g$$

Com tudo no SI ($\Delta x=3\times10^{-3}\ \text{m}$ e $m=4\times10^{-3}\ \text{kg}$):

$$\mu_e=\frac{10\cdot3\times10^{-3}}{4\times10^{-3}\cdot10}=\frac{3\times10^{-2}}{4\times10^{-2}}=0{,}75$$

As alternativas A e B, absurdamente pequenas, aparecem quando se mistura milímetro com metro ou grama com quilograma.

Q34
Mecânica — Gravitação — Terceira Lei de Kepler

O planeta anão Ceres foi descoberto em 1801 por Giuseppe Piazzi. Resultados científicos recentes indicam que Ceres teria sido formado nas zonas mais afastadas do Sistema Solar e posteriormente lançado para a região onde se encontra atualmente, entre as órbitas de Marte e Júpiter. A tabela abaixo apresenta o período de translação $T$, a distância média ao Sol $R$, bem como $T^2$, $R^3$ e a razão $(T^2/R^3)$ para alguns planetas do Sistema Solar. De acordo com a 3ª Lei de Kepler, a razão $(T^2/R^3)$ é constante. A partir dos dados da tabela, pode-se concluir que o período orbital de Ceres, $T_{Ceres}$, é aproximadamente igual a

Tabela com período orbital, distância média ao Sol e razão entre T ao quadrado e R ao cubo para planetas e Ceres

A) $1{,}00$ ano.

B) $2{,}77$ anos.

C) $4{,}62$ anos.

D) $21{,}3$ anos.

Resposta — UNICAMP 2023 — 1ª Fase (Q34)

Alternativa C — $4{,}62$ anos.
Resolução

Pela terceira lei de Kepler, $\dfrac{T^2}{R^3}$ é a mesma para todos os corpos que orbitam o Sol. A tabela mostra que, com $T$ em anos e $R$ em unidades astronômicas, essa razão vale $1$ (é o caso da Terra, com $T=1$ ano e $R=1\ \text{UA}$).

Para Ceres, com $R\approx2{,}77\ \text{UA}$:

$$T^2=R^3=2{,}77^3\approx21{,}3\;\Longrightarrow\;T\approx4{,}62\ \text{anos}$$

As alternativas trazem os números do caminho: $2{,}77$ é a distância e $21{,}3$ é $T^2$. A pergunta pede o período.

Q35
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potencial Elétrico e Lei de Ohm

Sabemos que correntes elétricas acima de um décimo de Ampère podem provocar paradas cardíacas. Imediatamente após um raio atingir o solo, o potencial elétrico na superfície diminui gradativamente em função da distância ao ponto de impacto, como ilustrado pelas curvas equipotenciais da figura. Sendo a resistência do corpo humano $R=80\text{ kΩ}$, a corrente elétrica que atravessa o corpo da pessoa ilustrada na figura, com os dois pés em contato com o chão, será igual a

Pessoa com os pés em curvas equipotenciais de 900, 800 e 600 quilovolts próximas ao ponto de queda de um raio

A) $0{,}800\text{ A}$.

B) $1{,}25\text{ A}$.

C) $10{,}0\text{ A}$.

D) $11{,}25\text{ A}$.

Resposta — UNICAMP 2023 — 1ª Fase (Q35)

Alternativa B — $1{,}25\text{ A}$.
Resolução

Pelas curvas equipotenciais da figura, os dois pés estão em pontos cujos potenciais diferem de $100\ \text{kV}$. Essa ddp fica aplicada ao corpo, entrando por um pé e saindo pelo outro.

$$i=\frac{\Delta V}{R}=\frac{100\times10^3}{80\times10^3}=1{,}25\ \text{A}$$

Mais de dez vezes o valor que pode parar o coração. É por isso que, num campo aberto com raios, a recomendação é ficar agachado com os pés juntos: pés afastados pegam uma ddp maior (a chamada tensão de passo).

Q36
Óptica — Refração — Refração

A figura A apresenta um esquema simplificado de um refratômetro, destinado a determinar o índice de refração $n_1$ de um líquido. Nele, o líquido é iluminado por raios que o atravessam, atingindo, na parte superior, um vidro de índice de refração conhecido $n_2=1{,}8$. Quando $\theta_1=90°$, temos o máximo valor para o ângulo de refração $\theta_2$, que, nesse caso, é chamado de ângulo crítico, $\theta_C$ (ver figura B).

Figuras A e B do refratômetro, mostrando refração entre líquido e vidro e o ângulo crítico

Dado: $\sin56°=0{,}8$; $\cos56°=0{,}6$; $\tan56°=1{,}3$.

Se o ângulo crítico medido foi $\theta_C=56°$, pode-se dizer que o índice de refração do líquido em questão é

A) $n_1=1{,}44$, e se trocarmos esse líquido por um de índice de refração maior, o ângulo crítico será maior que $56°$.

B) $n_1=1{,}44$, e se trocarmos esse líquido por um de índice de refração maior, o ângulo crítico será menor que $56°$.

C) $n_1=2{,}25$, e se trocarmos esse líquido por um de índice de refração maior, o ângulo crítico será maior que $56°$.

D) $n_1=2{,}25$, e se trocarmos esse líquido por um de índice de refração maior, o ângulo crítico será menor que $56°$.

Resposta — UNICAMP 2023 — 1ª Fase (Q36)

Alternativa A — $n_1=1{,}44$ e o ângulo crítico aumenta.
Resolução

Pela lei de Snell na situação crítica ($\theta_1=90^\circ$, $\theta_2=\theta_C$):

$$n_1\,\text{sen}\,90^\circ=n_2\,\text{sen}\,\theta_C\;\Longrightarrow\;n_1=1{,}8\cdot0{,}8=1{,}44$$

Da mesma equação, $\text{sen}\,\theta_C=\dfrac{n_1}{n_2}$. Com o vidro fixo, um líquido de índice maior dá um seno maior, e o ângulo crítico aumenta.

As alternativas com $2{,}25$ vêm de dividir em vez de multiplicar ($\frac{1{,}8}{0{,}8}$).

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