Acervo UNICAMP · Método TEF

UNICAMP 2027 | 1ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Vestibular 2027 · Prova de Conhecimentos Gerais, questões de Física (Q63–69 · Caderno Q/Y) — resolução comentada Método TEF.

Q63
Mecânica — Cinemática — Velocidade e distância

Texto para as questões 63 e 64. Em 2026, comemoramos os 10 anos da primeira observação direta de ondas gravitacionais. As medições foram realizadas pelo Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (LIGO) nos Estados Unidos. A detecção das ondas gravitacionais trouxe novos elementos ao entendimento da teoria da gravitação.

Segundo os pesquisadores do LIGO, a onda gravitacional observada teve origem na fusão de dois buracos negros e se propagou pelo Universo por 1,3 bilhão de anos antes de passar pela Terra. Pesquisas adicionais na mesma área demonstraram que a onda gravitacional viaja com velocidade muito próxima à da velocidade da luz c. Se $c=3{,}0\times10^8\text{ m/s}$ e $1\text{ ano}\approx3{,}2\times10^7\text{ s}$, a distância d entre a Terra e a fonte dessa onda gravitacional é

A)$1{,}2\times10^{25}\text{ m}$
B)$3{,}9\times10^{17}\text{ m}$
C)$1{,}2\times10^{22}\text{ m}$
D)$3{,}9\times10^{14}\text{ m}$

Gabarito comentado TEF — UNICAMP 2027 — 1ª Fase — caderno Q/Y (Q63)

A
Resolução

A distância é o produto da velocidade de propagação pelo tempo. Primeiro, convertemos o intervalo para segundos.

$$\Delta t=(1{,}3\times10^9)(3{,}2\times10^7)=4{,}16\times10^{16}\text{ s}$$

Usando a velocidade fornecida:

$$d=c\Delta t$$

$$d=(3{,}0\times10^8)(4{,}16\times10^{16})$$

$$d=1{,}248\times10^{25}\text{ m}$$

Com dois algarismos significativos:

$$d\approx1{,}2\times10^{25}\text{ m}$$

Alternativa A.

Q64
Mecânica — Gravitação — Campo gravitacional

Texto para as questões 63 e 64. Em 2026, comemoramos os 10 anos da primeira observação direta de ondas gravitacionais. As medições foram realizadas pelo Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (LIGO) nos Estados Unidos. A detecção das ondas gravitacionais trouxe novos elementos ao entendimento da teoria da gravitação.

Na teoria da gravitação universal, dentro da mecânica clássica, atribuída a Newton, o módulo da aceleração da gravidade decorrente da ação da força gravitacional da Terra em um corpo de massa m, localizado na superfície da Terra, é

A)diretamente proporcional a $m$, diretamente proporcional à massa da Terra $(M)$ e diretamente proporcional ao quadrado do raio da Terra.
B)independente de $m$, diretamente proporcional à massa da Terra $(M)$ e inversamente proporcional ao quadrado do raio da Terra.
C)diretamente proporcional a $m$, diretamente proporcional à massa da Terra $(M)$ e inversamente proporcional ao quadrado do raio da Terra.
D)independente de $m$, diretamente proporcional à massa da Terra $(M)$ e diretamente proporcional ao quadrado do raio da Terra.

Gabarito comentado TEF — UNICAMP 2027 — 1ª Fase — caderno Q/Y (Q64)

B
Resolução

A força gravitacional depende das duas massas. A aceleração é obtida dividindo essa força pela massa do corpo.

$$F_g=\frac{GMm}{R_T^2}$$

$$mg=\frac{GMm}{R_T^2}$$

$$g=\frac{GM}{R_T^2}$$

A massa $m$ cancela. Portanto, na superfície, $g$ independe da massa do corpo, cresce proporcionalmente à massa terrestre e varia com o inverso do quadrado do raio da Terra.

Alternativa B.

Q65
Mecânica — Estática — Polias ideais

Os exercícios físicos têm sido incorporados ao cotidiano de cada vez mais pessoas, seja como parte dos cuidados com a saúde ou como atividade de lazer. Polias e alavancas, por exemplo, são encontradas em muitos equipamentos usados para exercícios musculares. Considere a figura a seguir, de um equipamento no qual as polias e os fios são considerados ideais, de massas desprezíveis e sem atrito.

Dois fios distintos: o primeiro aplica F ao eixo da polia móvel por duas polias fixas; o segundo contorna a polia móvel, com uma ponta fixa na base e outra ligada à massa de 12 kg.

Considerando $g=10\text{ m/s}^2$, o módulo da força $F$ para que a massa $m$ se encontre na iminência de ser levantada é

A)$12\text{ N}$
B)$60\text{ N}$
C)$120\text{ N}$
D)$240\text{ N}$

Gabarito comentado TEF — UNICAMP 2027 — 1ª Fase — caderno Q/Y (Q65)

D
Resolução

O fio que contorna a polia móvel tem uma ponta fixa na base e outra presa à massa. Na iminência de subida, a tração equilibra o peso da massa.

$$T=mg$$

$$T=12\cdot10=120\text{ N}$$

Os dois ramos desse fio puxam a polia móvel para baixo. O outro fio está preso ao eixo da polia e a sustenta para cima. Como as polias superiores apenas redirecionam esse fio ideal, sua tração é igual a $F$.

$$F=2T$$

$$F=2\cdot120=240\text{ N}$$

Neste arranjo, o esforço é aplicado ao eixo da polia móvel; não se aplica automaticamente a regra de dividir o peso por dois.

Alternativa D.

Q66
Mecânica — Dinâmica — Atrito cinético

No curling, esporte das Olimpíadas de Inverno, o atleta lança discos de granito (do inglês curling stones) na direção de um alvo, uma área circular pintada em uma pista de gelo plana e horizontal. Para aproximar o disco desse alvo, os atletas esfregam vigorosamente o gelo à frente do disco com uma espécie de vassoura (esfregão) para alterar o coeficiente de atrito da pista. Considere uma situação em que um disco de massa m = 20 kg se desloca em uma pista com coeficiente de atrito estático do sistema disco-gelo $\mu_E=0{,}1$ e coeficiente de atrito cinético $\mu_C=0{,}02$. Sendo a aceleração da gravidade $g=10\text{ m/s}^2$, é correto afirmar que o módulo da força de atrito ( fat ) que age sobre o disco de granito durante seu deslocamento é

A)$0{,}4\text{ N}$
B)$2{,}0\text{ N}$
C)$4{,}0\text{ N}$
D)$20\text{ N}$

Gabarito comentado TEF — UNICAMP 2027 — 1ª Fase — caderno Q/Y (Q66)

C
Resolução

O disco desliza sobre o gelo, portanto usamos o coeficiente de atrito cinético. Na vertical não há aceleração.

$$N=mg$$

$$N=20\cdot10=200\text{ N}$$

O módulo do atrito durante o deslizamento é:

$$f_{at}=\mu_C N$$

$$f_{at}=0{,}02\cdot200=4{,}0\text{ N}$$

O coeficiente estático fornecido não descreve essa situação de deslizamento.

Alternativa C.

Q67
Termologia — Calorimetria — Aquecimento e fusão

Um dos maiores problemas dos computadores modernos é o calor gerado por chips cada vez menores e mais potentes. O gálio (Ga) é um material promissor para a refrigeração de chips devido às suas propriedades, como alta condutividade térmica. Considere uma amostra sólida de Ga de massa $m_{Ga}=10\text{ g}$, em um processo térmico no qual esse material recebe calor do chip de um computador com potência variável. O sistema está a uma temperatura inicial $T_1=20\,^{\circ}\text{C}$, e, após, um determinado tempo, essa amostra sofre uma transição de fase para o estado líquido a $T_2=30\,^{\circ}\text{C}$, atingindo em t = 230 s uma temperatura $T_3$ na fase líquida. Considere que a quantidade de calor recebida pela amostra na sua fase líquida para variar sua temperatura de $T_2$ a $T_3$ é Q = 80 J. Sendo o calor específico do Ga na fase líquida igual a $c_{liq}=0{,}4\text{ J/(g}\cdot{}^{\circ}\text{C)}$, o gráfico que melhor representa esse processo térmico é

Observação: Para melhor visualização dos dados, foi introduzida uma quebra indicada pelo símbolo // nos eixos dos tempos (s) de alguns gráficos.

A)
Alternativa A: Aquecimento de 20 °C a 30 °C, patamar de fusão e aquecimento final até 120 °C.
B)
Alternativa B: Aquecimento de 20 °C a 30 °C, patamar de fusão e aquecimento final até 50 °C em 230 s.
C)
Alternativa C: Aquecimento contínuo de 20 °C a 50 °C sem patamar de fusão.
D)
Alternativa D: Resfriamento de 20 °C a 0 °C.

Gabarito comentado TEF — UNICAMP 2027 — 1ª Fase — caderno Q/Y (Q67)

B
Resolução

Os 80 J correspondem apenas ao aquecimento do gálio já líquido, de $T_2$ até $T_3$.

$$Q=m_{Ga}c_{liq}(T_3-T_2)$$

$$T_3-T_2=\frac{80}{10\cdot0{,}4}=20\,^{\circ}\text{C}$$

$$T_3=30+20=50\,^{\circ}\text{C}$$

O gráfico deve partir de 20 °C, apresentar um patamar em 30 °C durante a fusão e alcançar 50 °C em 230 s. Um gráfico que atinge 120 °C ou não apresenta o patamar de fusão contradiz esses dados; um gráfico de resfriamento também não descreve o processo.

A potência é variável; por isso não se pode exigir a mesma inclinação nos trechos de aquecimento. A quebra // no eixo do tempo também deve ser respeitada.

Alternativa B.

Q68
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência elétrica

Estudos recentes têm mostrado o impacto econômico e ecológico do gasto energético de equipamentos residenciais que permanecem ligados mesmo quando não estão sendo utilizados. Alguns equipamentos com consumo considerável quando ociosos são as TVs, os consoles de jogos e os roteadores. Em média, esse consumo pode corresponder a oito por cento do total de uma casa e um e meio por cento do consumo total de um país. Considere um roteador de internet sem fio que, quando ocioso, consome uma potência elétrica P = 3,0 W. Se o roteador é alimentado por uma diferença de potencial elétrico de U = 12 V, a corrente elétrica que circula por esse roteador ocioso é

A)$0{,}03\text{ A}$
B)$0{,}25\text{ A}$
C)$4{,}0\text{ A}$
D)$36\text{ A}$

Gabarito comentado TEF — UNICAMP 2027 — 1ª Fase — caderno Q/Y (Q68)

B
Resolução

A potência e a tensão de alimentação são suficientes para determinar a corrente.

$$P=Ui$$

$$i=\frac{P}{U}$$

$$i=\frac{3{,}0}{12}=0{,}25\text{ A}$$

Os percentuais de consumo citados contextualizam o problema, mas não entram no cálculo da corrente do roteador.

Alternativa B.

Q69
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistores em paralelo

A tornozeleira eletrônica é um dispositivo de monitoramento utilizado pela justiça no Brasil, em casos de prisão domiciliar ou na aplicação de medidas protetivas que envolvem a violência contra a mulher, entre outros casos. O circuito interno de uma tornozeleira eletrônica é formado por quatro blocos, tal como no circuito equivalente simplificado na figura a seguir, compostos por resistências idênticas $R_1=R_2=R_3=R_4=1{,}2\text{ k}\Omega$. Essas resistências representam, respectivamente, o microprocessador, o bloco que faz a localização em tempo real, o bloco de transmissão de dados entre a tornozeleira e uma central de monitoramento, e o sistema de alarme. O último ($R_4$) é ativado por uma chave apenas em caso de violação do dispositivo.

Circuito com quatro resistores de 1,2 kΩ em paralelo à bateria de 9 V; uma chave controla o ramo de R4.

Sabendo que a tornozeleira é alimentada por uma bateria de diferença de potencial $U_b=9{,}0\text{ V}$, podemos afirmar que a corrente total $i$ quando o sistema de alarmes é ativado é

A)$1{,}9\text{ mA}$
B)$7{,}5\text{ mA}$
C)$22\text{ mA}$
D)$30\text{ mA}$

Gabarito comentado TEF — UNICAMP 2027 — 1ª Fase — caderno Q/Y (Q69)

D
Resolução

Ao ativar o alarme, a chave fecha o ramo de $R_4$. Os quatro resistores passam a ligar os mesmos dois nós da bateria, portanto estão em paralelo.

$$R=1{,}2\text{ k}\Omega=1200\,\Omega$$

$$R_{eq}=\frac{R}{4}$$

$$R_{eq}=\frac{1200}{4}=300\,\Omega$$

A corrente total fornecida pela bateria é:

$$i=\frac{U_b}{R_{eq}}$$

$$i=\frac{9{,}0}{300}=0{,}030\text{ A}$$

$$i=30\text{ mA}$$

Cada ramo conduz 7,5 mA; a corrente solicitada é a soma das quatro correntes.

Alternativa D.

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