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Acervo UNICAMP · Método TEF

UNICAMP 1988.2 | 2ª Fase

Segundo Vestibular 1988 · Prova de Física, 16 questões discursivas — resolução comentada Método TEF.

Q01
Análise Dimensional — Mudança de Unidades

Num dado sistema de unidades, multiplicam-se por um mesmo fator $\alpha$ as unidades de comprimento, velocidade e força. Por que fatores serão multiplicadas as unidades de tempo, massa e energia?

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q01)

Tempo: $1$; massa: $1$; energia: $\alpha^2$.
Resolução

Como $[v]=[L]/[T]$, e comprimento e velocidade são ambos multiplicados por $\alpha$, a unidade de tempo não se altera:

$T' = T$.

Como $[F]=[M][L]/[T]^2$, com $F$ e $L$ multiplicados pelo mesmo fator e $T$ inalterado, a unidade de massa também não se altera:

$M'=M$.

Finalmente, $[E]=[F][L]$. Portanto,

$E'=\alpha^2E$.

Q02
Eletrodinâmica — Gerador Real

A diferença de potencial $V_{AB}\equiv V_A-V_B$ entre os terminais de um gerador de força eletromotriz $\mathcal{E}$ e resistência interna $r$ decresce linearmente em função da corrente $I$ que o atravessa.

a) Faça o gráfico de $V_{AB}$ em função de $I$ para os valores $\mathcal{E}=12\text{ V}$ e $r=1\Omega$.

b) Determine o valor de $I$ para o qual $V_{AB}$ é nula.

Gerador entre os terminais A e B, com força eletromotriz e resistência interna

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q02)

Reta $V_{AB}=12-I$; $I=12\text{ A}$ quando $V_{AB}=0$.
Resolução

Para um gerador real fornecendo corrente,

$V_{AB}=\mathcal{E}-rI$.

Logo,

$V_{AB}=12-I$.

a) O gráfico é uma reta decrescente, passando por $(0,12\text{ V})$ e $(12\text{ A},0)$.

b) Fazendo $V_{AB}=0$:

$0=12-I\Rightarrow I=12\text{ A}$.

Q03
Cinemática — Gráficos do Movimento

A figura 1 representa a velocidade de um móvel deslocando-se sobre uma trajetória retilínea, em função do tempo.

a) Dentre as figuras 2 e 3, qual delas pode representar a aceleração do mesmo móvel em função do tempo? Justifique.

b) Esboce um gráfico possível para representar a posição $x$ deste móvel em função do tempo.

Gráfico de velocidade e duas possibilidades para o gráfico da aceleração

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q03)

Figura 3; $x(t)$ é uma parábola de concavidade para baixo.
Resolução

a) O gráfico $v\times t$ é uma reta com inclinação constante e negativa. Portanto, a aceleração é constante e negativa. A figura compatível é a figura 3.

b) Como a aceleração é constante e negativa, $x(t)$ é uma função quadrática com concavidade para baixo. A inclinação de $x(t)$ diminui com o tempo, zera quando $v=0$ e depois torna-se negativa.

Q04
Ondulatória — Ondas Transversais e Longitudinais

Dê dois exemplos familiares de:

a) Onda transversal.

b) Onda longitudinal.

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q04)

Ex.: transversal — onda numa corda; longitudinal — som no ar.
Resolução

a) Exemplos de ondas transversais: ondas numa corda esticada e ondas eletromagnéticas.

b) Exemplos de ondas longitudinais: ondas sonoras no ar e compressões que se propagam numa mola helicoidal.

Q05
Quantidade de Movimento — Colisão Perfeitamente Inelástica

Dois pelotes de massa de modelar, tendo a mesma massa $m$ e velocidades opostas de mesmo módulo $v_0$, sofrem uma colisão frontal perfeitamente inelástica, atingindo o repouso.

a) Há conservação da quantidade de movimento do sistema nesta colisão? Por quê?

b) Em que poderá ter-se transformado a energia cinética do sistema?

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q05)

Sim; a energia cinética transforma-se principalmente em energia interna, deformação, calor e som.
Resolução

a) Sim. Antes da colisão, as quantidades de movimento têm mesmos módulos e sentidos opostos, de modo que a quantidade de movimento total é nula. Após a colisão, o conjunto fica em repouso e a quantidade de movimento total continua nula.

b) Como a colisão é perfeitamente inelástica, a energia cinética não se conserva. Ela pode transformar-se em energia interna associada à deformação, aquecimento e som.

Q06
Eletrostática — Equilíbrio de Cargas e Potencial Elétrico

Duas pequenas esferas, de mesma massa $m$ e mesma carga $q$ estão em equilíbrio, no vácuo, penduradas por dois fios leves e inextensíveis de comprimento $l$ e formando um ângulo $\theta$ com a vertical.

a) Determine a razão entre a força eletrostática e o peso atuantes em cada esferazinha.

b) Determine o potencial eletrostático no ponto médio da distância entre as duas esferazinhas.

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q06)

$F_e/P=\tan\theta$; $V=\dfrac{2kq}{l\sin\theta}$.
Resolução

a) No equilíbrio, decompondo a tração:

$T\sin\theta=F_e$ e $T\cos\theta=mg$.

Logo,

$\dfrac{F_e}{mg}=\tan\theta$.

b) A distância entre as esferas é $2l\sin\theta$. O ponto médio fica a $l\sin\theta$ de cada carga. Assim,

$V=2k\dfrac{q}{l\sin\theta}$.

Q07
Movimento Circular — Arco Percorrido sobre a Terra

No verão brasileiro, andorinhas migram do hemisfério norte para o hemisfério sul. Admitamos que elas voam, ao longo de um meridiano, uma distância de 9000 km em 30 dias.

a) Se as andorinhas voam 12 horas por dia, qual é a velocidade média delas enquanto estão voando?

b) Considerando-se a Terra como uma esfera de raio igual a 6400 km, qual é o ângulo descrito pelas andorinhas na migração?

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q07)

$25\text{ km/h}$ e aproximadamente $1{,}41\text{ rad}$ ($80{,}6^\circ$).
Resolução

a) O tempo efetivo de voo é

$30\cdot12=360\text{ h}$.

$v_m=\dfrac{9000}{360}=25\text{ km/h}$.

b) Para um arco de circunferência, $s=R\theta$:

$\theta=\dfrac{9000}{6400}\approx1{,}41\text{ rad}\approx80{,}6^\circ$.

Q08
Dinâmica e Energia — Força Variável

Mostra-se, em função da distância $x$, o valor da força resultante $F$ que atua sobre um corpo de massa $m=1{,}2\text{ kg}$, deslocando-se sobre uma trajetória retilínea.

a) Qual é o valor da aceleração do corpo quando ele passa pela posição $x=4{,}0\text{ m}$?

b) Sabendo-se que o corpo tinha velocidade nula em $x=0$, qual é a sua velocidade na posição $x=4{,}0\text{ m}$?

Gráfico da força resultante em função da posição

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q08)

$a\approx16{,}7\text{ m/s}^2$ e $v=10\text{ m/s}$.
Resolução

a) Para $x=4\text{ m}$, o gráfico fornece $F=20\text{ N}$:

$a=\dfrac{F}{m}=\dfrac{20}{1{,}2}\approx16{,}7\text{ m/s}^2$.

b) O trabalho de $0$ a $4\text{ m}$ é a área sob o gráfico:

$W=\dfrac{2\cdot20}{2}+2\cdot20=20+40=60\text{ J}$.

Pelo teorema da energia cinética,

$60=\dfrac12\cdot1{,}2\,v^2\Rightarrow v=10\text{ m/s}$.

Q09
Termodinâmica — Diagrama Pressão × Volume

A figura mostra a variação da pressão $P$ e do volume $V$ de um gás ideal num processo quase-estático $A\rightarrow B\rightarrow C\rightarrow A$.

a) Ordene as pressões $P_A$, $P_B$ e $P_C$ do gás nos estados A, B e C, respectivamente.

b) Ordene as respectivas temperaturas $T_A$, $T_B$ e $T_C$.

Diagrama pressão por volume dos estados A B e C

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q09)

$P_A>P_B=P_C$ e $T_C>T_A>T_B$.
Resolução

Pelo gráfico:

$P_A=2P_C$ e $P_B=P_C$.

a) Portanto,

$P_A>P_B=P_C$.

b) Para um gás ideal, com a mesma quantidade de matéria, $T\propto PV$.

Em A: $P_AV_A=2P_CV_C$.

Em B: $P_BV_B=P_CV_C$.

Em C: $P_CV_C^{(C)}=P_C(3V_C)$.

Logo,

$T_C>T_A>T_B$.

Q10
Termologia — Dilatação Linear

O gráfico representa a variação relativa do comprimento de duas barras de materiais A e B, em função da variação da temperatura acima da temperatura ambiente.

a) Quais são os coeficientes de dilatação médios de A e B neste intervalo de variação de temperatura?

b) Se as barras têm o mesmo comprimento à temperatura ambiente, para que variação de temperatura a diferença de seus comprimentos será $0{,}07\%$ do comprimento inicial?

Gráfico da dilatação relativa de duas barras em função da variação de temperatura

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q10)

$\alpha_A=2\times10^{-5}\ ^\circ\text{C}^{-1}$, $\alpha_B=1\times10^{-5}\ ^\circ\text{C}^{-1}$ e $\Delta T=70^\circ\text{C}$.
Resolução

Para $\Delta T=100^\circ\text{C}$, as retas indicam dilatações relativas de $2\text{ mm/m}=2\times10^{-3}$ e $1\text{ mm/m}=1\times10^{-3}$.

a) Assim, os coeficientes médios são

$\alpha_A=2\times10^{-5}\ ^\circ\text{C}^{-1}$ e $\alpha_B=1\times10^{-5}\ ^\circ\text{C}^{-1}$.

b) A diferença relativa é

$\dfrac{\Delta L_A-\Delta L_B}{L_0}=(\alpha_A-\alpha_B)\Delta T$.

$0{,}07\%=7\times10^{-4}=(10^{-5})\Delta T$.

$\Delta T=70^\circ\text{C}$.

Q11
Óptica — Reflexão e Refração

Um tanque de 40 cm de profundidade está completamente cheio de um líquido transparente, de índice de refração $n=1{,}64$. Um raio laser incide na superfície do líquido, formando com ela um ângulo $\beta=35^\circ$.

a) Que ângulo o raio refletido forma com a normal à superfície?

b) Se a fonte do laser situa-se a 14 cm acima da superfície do líquido, localize o ponto iluminado pelo laser no fundo do tanque.

Valores trigonométricos fornecidos na prova
$\theta$30°35°40°45°50°55°60°65°
$\operatorname{sen}\theta$0,500,570,640,710,770,820,870,91
$\operatorname{tg}\theta$0,580,700,841,01,191,431,732,14
Esquema do raio laser incidindo sobre a superfície do líquido no tanque

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q11)

$55^\circ$; ponto no fundo a aproximadamente $43{,}2\text{ cm}$ da vertical da fonte.
Resolução

O raio incidente faz com a normal o ângulo $i=90^\circ-35^\circ=55^\circ$.

a) Pela lei da reflexão, o raio refletido também faz $55^\circ$ com a normal.

b) Pela lei de Snell:

$1\cdot\sin55^\circ=1{,}64\sin r$.

Da tabela, $\sin55^\circ=0{,}82$, então $\sin r=0{,}50$ e $r=30^\circ$.

O deslocamento horizontal no ar é $14/\tan35^\circ=14/0{,}70=20\text{ cm}$.

No líquido, o deslocamento é $40\tan30^\circ=40\cdot0{,}58=23{,}2\text{ cm}$.

Logo, o ponto iluminado fica a aproximadamente $43{,}2\text{ cm}$, na horizontal, da vertical que passa pela fonte.

Q12
Oscilações — Pêndulo Simples e Estroboscópio

Um pêndulo simples, que executa um movimento harmônico simples num ambiente escuro, é iluminado por um holofote estroboscópico.

a) Sendo $l=0{,}4\text{ m}$ o comprimento do pêndulo, calcule a frequência de suas oscilações.

b) Qual deve ser a frequência mínima do estroboscópio para que este pêndulo pareça estar parado na posição vertical?

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q12)

$f\approx0{,}80\text{ Hz}$; $f_e\approx1{,}6\text{ Hz}$.
Resolução

a) O período do pêndulo é

$T=2\pi\sqrt{\dfrac{l}{g}}=2\pi\sqrt{\dfrac{0{,}4}{10}}\approx1{,}26\text{ s}$.

Logo,

$f=\dfrac1T\approx0{,}80\text{ Hz}$.

b) O pêndulo passa pela posição vertical duas vezes em cada período. Para que o estroboscópio o ilumine a cada passagem por essa posição, a frequência mínima correspondente é

$f_e=2f\approx1{,}6\text{ Hz}$.

Q13
Eletrodinâmica — Associação de Pilhas

O circuito hexagonal da figura é composto por pilhas idênticas, cada uma com uma força eletromotriz $\mathcal{E}$ proporcional a sua resistência interna $r$, isto é: $\mathcal{E}=\alpha r$; $\alpha=$ constante.

a) Calcule a corrente que percorre o circuito.

b) Calcule a diferença de potencial entre os pontos A e B.

Circuito hexagonal formado por seis pilhas idênticas

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q13)

$I=\alpha$ e $V_A-V_B=0$.
Resolução

As seis pilhas estão associadas em série e orientadas no mesmo sentido ao longo do circuito. Assim,

$\mathcal{E}_{eq}=6\mathcal{E}$ e $r_{eq}=6r$.

a)

$I=\dfrac{6\mathcal{E}}{6r}=\dfrac{\mathcal{E}}r=\alpha$.

b) Em cada pilha, a tensão entre os terminais durante o funcionamento é

$U=\mathcal{E}-Ir=\alpha r-\alpha r=0$.

Consequentemente, a diferença de potencial entre A e B é nula.

Q14
Estática — Equilíbrio de uma Prancha

Uma esfera de massa igual a $2{,}5\text{ kg}$ rola sobre uma prancha horizontal, rígida e homogênea, de massa $1{,}0\text{ kg}$, simetricamente apoiada em dois suportes $S_1$ e $S_2$, distanciados de $1{,}0\text{ m}$ entre si, conforme a figura.

a) Faça um gráfico da força que o suporte $S_1$ faz sobre a prancha, em função da distância $x$ deste suporte à esfera.

b) Até que distância à direita do suporte $S_2$ pode a bola chegar sem que a prancha tombe?

Prancha apoiada em S1 e S2 com uma esfera a uma distância x de S1

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q14)

$R_1=30-25x$; distância máxima à direita de $S_2$: $0{,}20\text{ m}$.
Resolução

Tomando momentos em relação a $S_2$, enquanto a esfera está à distância $x$ de $S_1$:

$R_1\cdot1=(1\cdot10)\cdot0{,}5+(2{,}5\cdot10)(1-x)$.

Logo,

$R_1=30-25x$ (em newtons, com $x$ em metros).

a) O gráfico é uma reta decrescente que passa por $R_1=30\text{ N}$ em $x=0$ e $R_1=5\text{ N}$ em $x=1\text{ m}$.

b) O tombamento começa quando $R_1=0$:

$30-25x=0\Rightarrow x=1{,}2\text{ m}$.

Como $S_2$ está em $x=1{,}0\text{ m}$, a esfera pode avançar $0{,}20\text{ m}$ à direita de $S_2$.

Q15
Óptica — Lente Convergente e Construção de Raios

Na figura aparece a parte A'B' do trajeto de um raio luminoso, que atravessa uma lente convergente de focos F e F'. Refaça a figura no caderno de respostas e complete o trajeto do raio luminoso (antes e depois de atravessar a lente).

Trecho A'B' de um raio luminoso junto a uma lente convergente com focos F e F'

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q15)

Construção gráfica pela propriedade focal da lente convergente.
Resolução

Prolongue o trecho A'B' até a lente para localizar o ponto de incidência e prolongue-o também após B'.

Para determinar o trecho incidente, prolongue o raio emergente até o plano focal imagem, isto é, a reta perpendicular ao eixo principal que passa por F'. Una esse ponto ao centro óptico da lente. O raio incidente deve chegar à lente paralelo a essa direção.

Esse procedimento decorre da propriedade focal de uma lente delgada convergente.

Q16
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética

Uma espira metálica, deslocando-se em translação retilínea, da posição A à posição D, encontra uma região de campo magnético uniforme, perpendicular ao plano do papel e penetrando nele.

a) Em que partes do percurso aparece uma corrente elétrica na espira?

b) Qual é o sentido da corrente nestas partes?

Justifique as respostas.

Espira atravessando uma região de campo magnético uniforme entre B e C

Resposta — UNICAMP 1988.2 — 2ª Fase (Q16)

Corrente apenas ao entrar e sair da região: anti-horária na entrada e horária na saída.
Resolução

Há corrente induzida apenas quando o fluxo magnético através da espira varia.

a) Isso ocorre durante a entrada da espira na região de campo, nas proximidades de B, e durante sua saída, nas proximidades de C. Quando a espira está totalmente fora ou totalmente dentro do campo uniforme, o fluxo é constante e não há corrente induzida.

b) Na entrada, o fluxo para dentro do papel aumenta. Pela lei de Lenz, a espira cria campo para fora do papel: a corrente é anti-horária.

Na saída, o fluxo para dentro do papel diminui. A espira tenta mantê-lo, criando campo para dentro do papel: a corrente é horária.

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