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Acervo UNICAMP · Método TEF

UNICAMP 1994 | 2ª Fase

Vestibular 1994 · 3ª prova · Prova de Física, 16 questões discursivas — resolução comentada Método TEF.

Q01
Eletrodinâmica — Circuitos Elétricos e Instrumentos

No circuito da figura, A é um amperímetro de resistência nula, V é um voltímetro de resistência infinita. A resistência interna da bateria é nula.

Circuito com bateria de 100 V, amperímetro, resistores R1 e R2 e voltímetro

a) Qual é a intensidade da corrente medida pelo amperímetro?

b) Qual é a voltagem medida pelo voltímetro?

c) Quais são os valores das resistências R₁ e R₂?

d) Qual é a potência fornecida pela bateria?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q01)

$12\text{ A}$; $100\text{ V}$; $R_1=10\Omega$ e $R_2=50\Omega$; $1{,}2\times10^3\text{ W}$.
Resolução

O voltímetro ideal não drena corrente. Assim, a corrente medida pelo amperímetro é a soma das correntes nos dois ramos:

$I=10+2{,}0=12\text{ A}$.

Como $R_1$ e $R_2$ estão diretamente ligados aos terminais da bateria ideal, a diferença de potencial em cada ramo e no voltímetro é $100\text{ V}$.

$R_1=\dfrac{100}{10}=10\Omega$ e $R_2=\dfrac{100}{2{,}0}=50\Omega$.

A potência fornecida pela bateria é

$P=UI=100\cdot12=1200\text{ W}=1{,}2\times10^3\text{ W}$.

Q02
Estática — Equilíbrio de Forças

Quando um homem está deitado numa rede (de massa desprezível), as forças que esta aplica na parede formam um ângulo de 30º com a horizontal, e a intensidade de cada uma é de 60 kgf (ver figura).

Homem em uma rede presa a duas paredes, com os dois lados formando 30 graus com a horizontal

a) Qual é o peso do homem?

b) O gancho da parede foi mal instalado e resiste apenas até 130 kgf. Quantas crianças de 30 kg a rede suporta?

(suponha que o ângulo não mude).

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q02)

$60\text{ kgf}$; 4 crianças.
Resolução

Em equilíbrio, as componentes verticais das duas forças sustentam o peso:

$P=2T\sin30^\circ=2\cdot60\cdot0{,}5=60\text{ kgf}$.

Para o mesmo ângulo, $T=P$, pois $2\sin30^\circ=1$. Com crianças de $30\text{ kg}$, o peso total é $30n\text{ kgf}$ e deve satisfazer

$30n\le130$.

Logo, $n\le4{,}33$ e a rede suporta, no máximo, 4 crianças.

Q03
Estimativas — Densidade e Ordem de Grandeza

Impressionado com a beleza da jovem modelo (1,70m de altura e 55kg), um escultor de praia fez sua (dela) estátua de areia do mesmo tamanho que o modelo. Adotando valores razoáveis para os dados que faltam no enunciado:

a) calcule o volume da estátua (em litros);

b) calcule quantos grãos de areia foram usados na escultura.

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q03)

Uma estimativa razoável é $V\approx55\text{ L}$ e da ordem de $5\times10^8$ grãos.
Resolução

Como a questão pede uma estimativa, é necessário declarar hipóteses razoáveis.

a) Aproximando a densidade média do corpo humano pela densidade da água, $\rho\approx1{,}0\text{ kg/L}$:

$V\approx\dfrac{55\text{ kg}}{1{,}0\text{ kg/L}}\approx55\text{ L}$.

b) Suponhamos grãos aproximadamente esféricos, de diâmetro $0{,}5\text{ mm}$, e uma fração de empacotamento de cerca de $64\%$. O volume sólido de areia é então

$V_s\approx0{,}64\cdot0{,}055=3{,}52\times10^{-2}\text{ m}^3$.

Para um grão de raio $2{,}5\times10^{-4}\text{ m}$:

$V_g=\dfrac43\pi r^3\approx6{,}54\times10^{-11}\text{ m}^3$.

Assim,

$N\approx\dfrac{V_s}{V_g}\approx5{,}4\times10^8$ grãos.

Outras escolhas razoáveis para o tamanho dos grãos e o empacotamento levam a valores da mesma ordem de grandeza.

Q04
Cinemática e Dinâmica — Gráfico Velocidade × Tempo

A velocidade de um automóvel de massa M = 800kg numa avenida entre dois sinais luminosos é dada pela curva abaixo.

Gráfico da velocidade do automóvel em função do tempo

a) Qual é a força resultante sobre o automóvel em t = 5s, t = 40s e t = 62s?

b) Qual é a distância entre os dois sinais luminosos?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q04)

$F(5\text{ s})=1{,}2\times10^3\text{ N}$, $F(40\text{ s})=0$ e, em $62\text{ s}$, $2{,}4\times10^3\text{ N}$ em sentido oposto ao movimento; distância $=862{,}5\text{ m}$.
Resolução

A velocidade de patamar é $54\text{ km/h}=15\text{ m/s}$.

a) De $0$ a $10\text{ s}$:

$a=\dfrac{15-0}{10}=1{,}5\text{ m/s}^2$ e $F=800\cdot1{,}5=1200\text{ N}$.

Entre $10\text{ s}$ e $60\text{ s}$, $a=0$, portanto $F=0$.

De $60\text{ s}$ a $65\text{ s}$:

$a=\dfrac{0-15}{5}=-3{,}0\text{ m/s}^2$ e $F=800\cdot(-3{,}0)=-2400\text{ N}$.

b) A distância é a área sob o gráfico $v\times t$:

$\Delta s=\dfrac{10\cdot15}{2}+50\cdot15+\dfrac{5\cdot15}{2}=75+750+37{,}5=862{,}5\text{ m}$.

Q05
Cinemática — Lançamento de Projétil

Um menino, andando de "skate" com velocidade v = 2,5m/s num plano horizontal lança para cima uma bolinha de gude com velocidade v₀ = 4,0m/s e a apanha de volta. (g = 10m/s²).

a) Esboce a trajetória descrita pela bolinha em relação à Terra;

b) Qual é a altura máxima que a bolinha atinge?

c) Que distância horizontal a bolinha percorre?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q05)

Trajetória parabólica; $0{,}80\text{ m}$; $2{,}0\text{ m}$.
Resolução

Em relação à Terra, a bolinha conserva a componente horizontal da velocidade do menino, $v_x=2{,}5\text{ m/s}$, e tem componente vertical inicial $v_{0y}=4{,}0\text{ m/s}$.

a) A composição do MRU horizontal com o movimento vertical uniformemente variado produz uma parábola.

b) No ponto mais alto, $v_y=0$:

$h_{\max}=\dfrac{v_{0y}^2}{2g}=\dfrac{4{,}0^2}{20}=0{,}80\text{ m}$.

c) O tempo total de voo é

$T=\dfrac{2v_{0y}}{g}=\dfrac{8}{10}=0{,}80\text{ s}$.

Logo, $\Delta x=v_xT=2{,}5\cdot0{,}80=2{,}0\text{ m}$.

Q06
Energia Mecânica — Colisões e Dissipação

Uma bola metálica cai da altura de 1,0m sobre um chão duro. A bola repica no chão várias vezes, conforme a figura. Em cada colisão, a bola perde 20% de sua energia. Despreze a resistência do ar. (g = 10m/s²).

Sequência de repiques da bola, com o ponto A após duas colisões

a) Qual é a altura máxima que a bola atinge após duas colisões (ponto A)?

b) Qual é a velocidade com que a bola atinge o chão na terceira colisão?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q06)

$0{,}64\text{ m}$; aproximadamente $3{,}6\text{ m/s}$.
Resolução

A cada colisão resta $80\%$ da energia mecânica imediatamente anterior.

Depois da primeira colisão: $E_1=0{,}8E_0$.

Depois da segunda: $E_2=0{,}8E_1=0{,}64E_0$.

a) Como $E_0=mg\cdot1{,}0$, no ponto A:

$mgh_A=0{,}64mg\cdot1{,}0$.

Logo, $h_A=0{,}64\text{ m}$.

b) Na descida até a terceira colisão:

$\dfrac12mv^2=mgh_A$.

$v=\sqrt{2gh_A}=\sqrt{2\cdot10\cdot0{,}64}=\sqrt{12{,}8}\approx3{,}6\text{ m/s}$.

Q07
Trabalho e Energia — Teorema da Energia Cinética

Sob a ação de uma força constante, um corpo de massa m = 4,0kg adquire, a partir do repouso, a velocidade de 10m/s.

a) Qual é o trabalho realizado por esta força?

b) Se o corpo se deslocou 25m, qual o valor da força aplicada?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q07)

$200\text{ J}$; $8{,}0\text{ N}$.
Resolução

a) Pelo teorema da energia cinética:

$W=\Delta K=\dfrac12mv^2=\dfrac12\cdot4{,}0\cdot10^2=200\text{ J}$.

b) Como a força é constante, a aceleração também é constante. Pela relação cinemática:

$v^2=v_0^2+2a\Delta s$.

$10^2=2a\cdot25$, portanto $a=2{,}0\text{ m/s}^2$.

Pela segunda lei de Newton, $F=ma=4{,}0\cdot2{,}0=8{,}0\text{ N}$.

Q08
Dinâmica — Queda com Resistência do Ar

Uma criança solta uma pedrinha de massa m = 50g, com velocidade inicial nula, do alto de um prédio de 100m de altura. Devido ao atrito com o ar, o gráfico da posição da pedrinha em função do tempo não é mais a parábola y = 100 - 5t², mas sim o gráfico representado abaixo.

Gráfico da altura da pedrinha em função do tempo

a) Com que velocidade a pedrinha bate no chão ( altura = 0)?

b) Qual é o trabalho realizado pela força de atrito entre t = 0 e t = 11 segundos?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q08)

$10\text{ m/s}$ para baixo; $-47{,}5\text{ J}$.
Resolução

a) Próximo ao instante de impacto, o gráfico é praticamente retilíneo. Sua inclinação é aproximadamente

$v=\dfrac{\Delta y}{\Delta t}=\dfrac{0-80}{11-3}=-10\text{ m/s}$.

Portanto, a pedrinha atinge o chão com velocidade de módulo $10\text{ m/s}$.

b) A equação de queda livre citada no enunciado, $y=100-5t^2$, corresponde a $g=10\text{ m/s}^2$.

O trabalho do atrito é a variação da energia mecânica:

$W_{at}=E_f-E_i=\dfrac12mv_f^2-mgh_i$.

$W_{at}=\dfrac12\cdot0{,}050\cdot10^2-0{,}050\cdot10\cdot100=2{,}5-50=-47{,}5\text{ J}$.

Q09
Quantidade de Movimento — Colisão Perfeitamente Inelástica

Suponha que um meteorito de 1,0×10¹²kg colida frontalmente com a Terra (6,0×10²⁴kg) a 36.000km/h. A colisão é perfeitamente inelástica e libera enorme quantidade de calor.

a) Que fração da energia cinética do meteorito se transforma em calor e que fração se transforma em energia cinética do conjunto terra + meteorito?

b) Sabendo-se que são necessários 2,5×10⁶J para vaporizar 1,0 litro de água, que fração da água dos oceanos (2,0×10²¹ litros) será vaporizada se o meteorito cair no oceano?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q09)

Praticamente $100\%$ em calor e $1{,}7\times10^{-13}$ da energia na translação do conjunto; fração vaporizada $\approx1{,}0\times10^{-8}$.
Resolução

Sejam $m=1{,}0\times10^{12}\text{ kg}$ e $M=6{,}0\times10^{24}\text{ kg}$. Pela conservação da quantidade de movimento:

$mv=(M+m)V$.

Assim, $V=\dfrac{m}{M+m}v$.

A razão entre a energia cinética final do conjunto e a energia cinética inicial do meteorito é

$\dfrac{K_f}{K_i}=\dfrac{m}{M+m}\approx1{,}67\times10^{-13}$.

Logo, a fração convertida em calor é

$1-1{,}67\times10^{-13}\approx1$, isto é, praticamente $100\%$.

b) $36.000\text{ km/h}=1{,}0\times10^4\text{ m/s}$.

$K_i=\dfrac12mv^2=\dfrac12\cdot10^{12}\cdot10^8=5{,}0\times10^{19}\text{ J}$.

Como praticamente toda essa energia se transforma em calor, o volume vaporizado é

$V_{vap}\approx\dfrac{5{,}0\times10^{19}}{2{,}5\times10^6}=2{,}0\times10^{13}\text{ L}$.

A fração dos oceanos é

$\dfrac{2{,}0\times10^{13}}{2{,}0\times10^{21}}=1{,}0\times10^{-8}$.

Q10
Hidrostática — Pressão em Fluidos

Suponha que o sangue tenha a mesma densidade que a água e que o coração seja uma bomba capaz de bombeá-lo a uma pressão de 150mm de mercúrio acima da pressão atmosférica. Considere uma pessoa cujo cérebro está 50cm acima do coração e adote, para simplificar, que 1 atmosfera = 750mm de mercúrio.

a) Até que altura o coração consegue bombear o sangue?

b) Suponha que esta pessoa esteja em outro planeta. A que aceleração gravitacional máxima ela pode estar sujeita para que ainda receba sangue no cérebro?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q10)

$2{,}04\text{ m}$; aproximadamente $40\text{ m/s}^2$.
Resolução

A diferença de pressão de $150\text{ mmHg}$ equivale à pressão de uma coluna de mercúrio de $0{,}150\text{ m}$. Usando $\rho_{Hg}\approx13{,}6\rho_{água}$:

$\rho_{água}gh=\rho_{Hg}g(0{,}150)$.

a) Portanto,

$h=13{,}6\cdot0{,}150=2{,}04\text{ m}$.

b) Mantida a mesma capacidade de pressão do coração, no outro planeta:

$\rho_{água}g_{\max}(0{,}50)=\rho_{água}g_{Terra}(2{,}04)$.

Adotando $g_{Terra}\approx10\text{ m/s}^2$:

$g_{\max}=10\cdot\dfrac{2{,}04}{0{,}50}=40{,}8\text{ m/s}^2\approx40\text{ m/s}^2$.

Q11
Calorimetria — Evaporação

Em um dia quente, um atleta corre dissipando 750W durante 30 min. Suponha que ele só transfira esta energia para o meio externo através da evaporação do suor e que todo seu suor seja aproveitado para sua refrigeração. Adote L = 2.500J/g para o calor latente de evaporação da água na temperatura ambiente.

a) Qual é a taxa de perda de água do atleta em kg/min?

b) Quantos litros de água ele perde nos 30min de corrida?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q11)

$0{,}018\text{ kg/min}$; $0{,}54\text{ L}$.
Resolução

A energia dissipada por minuto é

$Q_{1\text{ min}}=750\cdot60=4{,}5\times10^4\text{ J}$.

a) Pela evaporação, $Q=mL$:

$m=\dfrac{4{,}5\times10^4}{2500}=18\text{ g/min}=0{,}018\text{ kg/min}$.

b) Em $30\text{ min}$:

$m=18\cdot30=540\text{ g}$.

Como a densidade da água é aproximadamente $1\text{ kg/L}$, isso corresponde a $0{,}54\text{ L}$.

Q12
Termodinâmica — Gás Ideal

Um cilindro de 2,0 litros é dividido em duas partes, por uma parede móvel fina, conforme o esquema abaixo. O lado esquerdo do cilindro contém 1,0mol de um gás ideal. O outro lado contém 2,0 moles do mesmo gás. O conjunto está à temperatura de 300K. Adote R = 0,080atm·l/(mol·K)

Cilindro dividido por parede móvel, com 1,0 mol à esquerda e 2,0 moles à direita

a) Qual será o volume do lado esquerdo quando a parede móvel estiver equilibrada?

b) Qual é a pressão nos dois lados, na situação de equilíbrio?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q12)

$0{,}67\text{ L}$; $36\text{ atm}$.
Resolução

No equilíbrio mecânico, as pressões dos dois lados são iguais. Como os gases são os mesmos e estão à mesma temperatura, pela equação $pV=nRT$:

$\dfrac{V_E}{V_D}=\dfrac{n_E}{n_D}=\dfrac{1}{2}$.

Além disso, $V_E+V_D=2{,}0\text{ L}$. Portanto,

$V_E=\dfrac{2{,}0}{3}=0{,}667\text{ L}\approx0{,}67\text{ L}$.

b) Pelo lado esquerdo:

$p=\dfrac{nRT}{V}=\dfrac{1{,}0\cdot0{,}080\cdot300}{2/3}=36\text{ atm}$.

A mesma pressão atua no lado direito.

Q13
Óptica Geométrica — Lentes Delgadas

A figura abaixo representa um feixe de luz paralelo, vindo da esquerda, de 5,0cm de diâmetro, que passa pela lente A, por um pequeno furo no anteparo P, pela lente B e, finalmente, sai paralelo, com um diâmetro de 10cm. A distância do anteparo à lente A é de 10cm.

Feixe paralelo passando pela lente A, anteparo P e lente B

a) Calcule a distância entre a lente B e o anteparo.

b) Determine a distância focal de cada lente (incluindo o sinal negativo no caso de a lente ser divergente).

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q13)

$20\text{ cm}$; $f_A=+10\text{ cm}$ e $f_B=+20\text{ cm}$.
Resolução

O feixe incidente é paralelo e converge para o furo P. Portanto, P está no foco imagem da lente A:

$f_A=+10\text{ cm}$.

a) Os raios delimitadores formam triângulos semelhantes em torno de P. O diâmetro passa de $5{,}0\text{ cm}$ na lente A para $10\text{ cm}$ na lente B, isto é, dobra. Logo, a distância de P à lente B também dobra:

$PB=2\cdot10=20\text{ cm}$.

b) Os raios que chegam à lente B divergem de P e saem paralelos. Assim, P está no foco objeto de B:

$f_B=+20\text{ cm}$.

As duas lentes são convergentes e, portanto, têm distâncias focais positivas.

Q14
Ondulatória — Interferência em Reflexões

Uma piscina tem fundo plano horizontal. Uma onda eletromagnética de freqüência 100MHz, vinda de um satélite, incide perpendicularmente sobre a piscina e é parcialmente refletida pela superfície da água e pelo fundo da piscina. Suponha que, para esta freqüência, a velocidade da luz na água é 4,0×10⁷m/s.

a) Qual é o comprimento de onda na água?

b) Quais são as três menores alturas de água na piscina para as quais as ondas refletidas tendem a se cancelar mutuamente?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q14)

$0{,}40\text{ m}$; $0{,}10\text{ m}$, $0{,}30\text{ m}$ e $0{,}50\text{ m}$.
Resolução

a) $\lambda=\dfrac{v}{f}$:

$\lambda=\dfrac{4{,}0\times10^7}{1{,}0\times10^8}=0{,}40\text{ m}$.

b) A onda refletida no fundo percorre um caminho adicional $2h$. Para que as duas ondas refletidas cheguem em oposição de fase, a diferença de caminho deve ser um múltiplo ímpar de meio comprimento de onda:

$2h=(2n+1)\dfrac{\lambda}{2}$.

Logo, $h=(2n+1)\dfrac{\lambda}{4}$.

Para $n=0,1,2$:

$h=0{,}10\text{ m},\ 0{,}30\text{ m},\ 0{,}50\text{ m}$.

Q15
Eletrostática — Movimento em Campo Elétrico

Partículas α (núcleo de um átomo de Hélio), partículas β (elétrons) e radiação γ (onda eletromagnética) penetram, com velocidades comparáveis, perpendicularmente a um campo elétrico uniforme existente numa região do espaço, descrevendo as trajetórias esquematizadas na figura abaixo.

Três trajetórias entre placas paralelas em um campo elétrico uniforme

a) Reproduza a figura acima no seu caderno de respostas e associe α, β e γ a cada uma das três trajetórias.

b) Qual é o sentido do campo elétrico?

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q15)

Trajetória superior: α; trajetória retilínea: γ; trajetória inferior: β. O campo elétrico aponta para cima.
Resolução

A radiação $\gamma$ não tem carga elétrica e, portanto, não sofre força elétrica: corresponde à trajetória retilínea.

A partícula $\alpha$ tem carga positiva e massa muito maior que a do elétron; por isso sofre desvio menor. Ela corresponde à trajetória que se curva suavemente para cima.

A partícula $\beta$ é o elétron, de carga negativa e pequena massa; corresponde à trajetória fortemente desviada para baixo.

Como a força sobre a partícula $\alpha$ positiva aponta para cima, o campo elétrico também aponta para cima, da placa inferior para a placa superior.

Q16
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética

Uma espira quadrada de lado a = 0,20m e resistência R = 2,0Ω atravessa com velocidade constante v = 10m/s uma região quadrada de lado b = 0,50m, onde existe um campo magnético constante de intensidade B = 0,30 tesla. O campo penetra perpendicularmente no plano do papel e a espira se move no sentido de x positivo, conforme indicado na figura abaixo.

Considerando o sentido horário da corrente elétrica como positivo, faça um gráfico da corrente na espira em função da posição de seu centro. Inclua valores numéricos e escala no seu gráfico.

Espira quadrada movendo-se para uma região de campo magnético uniforme entre x igual a zero e x igual a 0,50 m

Resposta — UNICAMP 1994 — 2ª Fase (Q16)

$i=-0{,}30\text{ A}$ na entrada, $i=0$ quando a espira está inteiramente dentro, $i=+0{,}30\text{ A}$ na saída e $i=0$ fora da região.
Resolução

Enquanto uma das bordas da espira cruza a fronteira do campo, a área imersa varia à taxa $av$. Assim, o módulo da fem induzida é

$|\mathcal{E}|=Bav=0{,}30\cdot0{,}20\cdot10=0{,}60\text{ V}$.

O módulo da corrente é

$|i|=\dfrac{|\mathcal{E}|}{R}=\dfrac{0{,}60}{2{,}0}=0{,}30\text{ A}$.

Como $a/2=0{,}10\text{ m}$, a entrada ocorre para $-0{,}10\lt x\lt0{,}10\text{ m}$. Nesse trecho o fluxo para dentro do papel aumenta; pela lei de Lenz, a corrente é anti-horária. Como o sentido horário foi definido como positivo, $i=-0{,}30\text{ A}$.

Com a espira totalmente dentro do campo, $0{,}10\lt x\lt0{,}40\text{ m}$, o fluxo é constante e $i=0$.

Na saída, $0{,}40\lt x\lt0{,}60\text{ m}$, o fluxo para dentro do papel diminui; a corrente é horária e, portanto, $i=+0{,}30\text{ A}$.

Fora desses intervalos, $i=0$.

Gráfico da corrente induzida em função da posição do centro da espira
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