FAMERP 2025 — Questões de Física comentadas — Método TEF
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto
Vestibular 2025 · Prova de Conhecimentos Gerais, questões de Física (Q61-70), mais 6 questões discursivas de Física da Prova de Conhecimentos Específicos — resolução comentada Método TEF.
Dados da prova
Nas questões de Física, quando necessário, utilize:
aceleração da gravidade: $g = 10\,m/s^2$
Q61
Mecânica — Cinemática — Movimento Circular e Intervalo entre Partidas
Uma empresa de transportes mantém uma linha de ônibus que partem de um terminal e percorrem 30 km até retornar ao mesmo terminal, desenvolvendo, nesse percurso, a velocidade média de 20 km/h. Sabendo que o intervalo de tempo entre as saídas consecutivas de dois ônibus dessa linha é de 20 min, o número mínimo de ônibus que a empresa deve manter nessa linha para cumprir esse cronograma é de
A)5.
B)4.
C)3.
D)6.
E)7.
Gabarito oficial FMRP2401
A
Resolução
O tempo que cada ônibus leva para completar o percurso de ida e volta (30 km, velocidade média 20 km/h) é $t=\dfrac{d}{v}=\dfrac{30}{20}=1{,}5$ h $=90$ min. Como um novo ônibus parte a cada 20 min, o número de ônibus simultaneamente em circulação é $\dfrac{90}{20}=4{,}5$. Como o número de ônibus deve ser inteiro e suficiente para nunca faltar um veículo no horário de partida, arredonda-se para cima: são necessários, no mínimo, 5 ônibus.
Q62
Mecânica — Dinâmica — Análise Qualitativa de Gráfico Velocidade x Tempo
Analise o gráfico que apresenta, qualitativamente, a variação da velocidade vertical de um paraquedista a partir do instante em que ele salta do avião, o instante t = t₀.
A componente vertical da resultante das forças que atuam sobre esse paraquedista
A)tem sentido para cima, entre os instantes t₀ e t₁.
B)tem sentido para baixo, entre os instantes t₁ e t₂.
C)tem sentido para cima, entre os instantes t₁ e t₂.
D)é nula, entre os instantes t₁ e t₂.
E)é nula, entre os instantes t₀ e t₁.
Gabarito oficial FMRP2401
D
Resolução
Entre $t_0$ e $t_1$, a velocidade do paraquedista está aumentando (a curva sobe), ou seja, ele ainda está acelerando — logo, nesse trecho, a resultante das forças não é nula (o que já descarta a alternativa E). Entre $t_1$ e $t_2$, o gráfico mostra a velocidade constante e igual a $v_L$ (velocidade limite): como a velocidade não varia, a aceleração é nula e, pela 2ª Lei de Newton, a força resultante sobre o paraquedista também é nula nesse trecho.
Q63
Mecânica — Gravitação — Órbita Circular de Satélite
Considerando a Terra como uma esfera perfeita e homogênea, para que um satélite artificial descreva uma órbita circular ao redor desse planeta e mantenha constante o módulo da sua velocidade, a força gravitacional entre a Terra e esse satélite deve ser a resultante centrípeta sobre ele. Sendo G a constante de gravitação universal, M a massa da Terra, m a massa do satélite e R o raio da órbita desse satélite ao redor da Terra, a expressão que fornece o módulo da velocidade do satélite, em relação ao centro da Terra, é:
A)$v=\dfrac{G\cdot M\cdot m}{R}$
B)$v=\sqrt{\dfrac{2\cdot G\cdot M}{R}}$
C)$v=\sqrt{\dfrac{G\cdot M}{R}}$
D)$v=\dfrac{G\cdot M}{R^2}$
E)$v=\sqrt{\dfrac{G\cdot M}{2\cdot R}}$
Gabarito oficial FMRP2401
C
Resolução
A força gravitacional entre a Terra e o satélite, $F=\dfrac{G\,M\,m}{R^2}$, desempenha o papel de resultante centrípeta, $F_{cp}=\dfrac{mv^2}{R}$. Igualando: $\dfrac{G\,M\,m}{R^2}=\dfrac{mv^2}{R}$. Simplificando m e um fator R dos dois lados: $\dfrac{G\,M}{R}=v^2\Rightarrow v=\sqrt{\dfrac{G\,M}{R}}$.
Q64
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e Flutuação
Uma fruta de peso 0,34 N flutua, em equilíbrio, nas águas calmas de um lago com 85% de seu volume submerso. Em dado instante, um peixe morde essa fruta e a puxa para dentro da água.
A intensidade mínima da componente vertical da força que o peixe deve exercer sobre a fruta para afundá-la totalmente é de
A)0,40 N.
B)0,74 N.
C)0,06 N.
D)0,34 N.
E)0,03 N.
Gabarito oficial FMRP2401
C
Resolução
Flutuando com 85% do volume submerso, em equilíbrio, o empuxo se iguala ao peso: $E_{85\%}=P=0{,}34$ N. Como o empuxo é proporcional ao volume submerso, o empuxo com a fruta totalmente submersa (100%) é, por proporção direta: $E_{100\%}=E_{85\%}\times\dfrac{100}{85}=0{,}34\times\dfrac{100}{85}=0{,}40$ N. Para manter a fruta totalmente submersa, a força mínima que o peixe deve exercer para baixo equilibra o excesso do empuxo total sobre o peso: $F_{min}=E_{100\%}-P=0{,}40-0{,}34=0{,}06$ N.
Q65
Termologia — Dilatação Térmica — Dilatação Volumétrica e Linear
Ao se aquecer, em 200 ºC, uma esfera de tungstênio, seu volume aumentou 0,27% em relação ao volume inicial. Nesse mesmo aquecimento, o diâmetro dessa esfera aumentou, em relação ao diâmetro inicial,
A)0,03%.
B)0,09%.
C)0,13%.
D)0,18%.
E)0,27%.
Gabarito oficial FMRP2401
B
Resolução
Para um sólido isotrópico, a dilatação volumétrica é o triplo da dilatação linear (dilatação em cada uma das 3 dimensões): $\dfrac{\Delta V}{V_0}=3\times\dfrac{\Delta D}{D_0}$. Logo, a variação percentual do diâmetro (dilatação linear) é um terço da variação percentual do volume: $\dfrac{\Delta D}{D_0}=\dfrac{1}{3}\times0{,}27\%=0{,}09\%$.
Q66
Termologia — Gases Ideais — Densidade de um Gás Ideal em Recipiente Fechado
A figura mostra, em corte, um cilindro de volume constante e hermeticamente fechado por uma tampa fixa, o qual contém certa massa de gás ideal.
Sabendo que a equação p ⋅ V = n ⋅ R ⋅ T relaciona as variáveis de estado pressão, volume e temperatura de um gás ideal, em que n é o número de mols desse gás e R é a constante universal dos gases ideais, a densidade do gás no interior desse cilindro
A)é constante.
B)aumenta com o aumento da pressão.
C)aumenta com o aumento da temperatura.
D)diminui com o aumento da pressão.
E)diminui com o aumento da temperatura.
Gabarito oficial FMRP2401
A
Resolução
A densidade do gás é definida simplesmente por $d=\dfrac{m}{V}$, em que m é a massa de gás confinada e V é o volume do recipiente. Como o cilindro é hermeticamente fechado (nenhum gás entra ou sai, logo a massa m é constante) e tem volume constante (paredes rígidas, tampa fixa), tanto m quanto V permanecem sempre os mesmos — portanto, a densidade do gás é constante, independentemente de como a pressão ou a temperatura variem dentro do cilindro.
Q67
Óptica — Reflexão e Espelhos — Posição da Imagem em Espelho Plano
Mariana (M) e Paula (P) conversam diante de um espelho plano vertical que cobre parte de uma parede, conforme mostra a figura, em uma visão de cima.
Ao olhar para o espelho, Mariana vê a imagem de Paula na posição
A)2.
B)4.
C)1.
D)5.
E)3.
Gabarito oficial FMRP2401
E
Resolução
Em um espelho plano, a imagem de um objeto está sempre localizada sobre a reta perpendicular ao espelho traçada a partir do objeto, à mesma distância do espelho que o próprio objeto, porém do lado oposto (atrás do espelho). O ponto 4, sobre o próprio espelho, é apenas o ponto onde ocorre a reflexão do raio que parte de Paula e chega ao olho de Mariana — não é a posição da imagem. Observando a figura, Paula (P) está alinhada, na direção perpendicular ao espelho, com os pontos 5 (mesma distância do espelho que o ponto 4, ou seja, muito próximo do espelho) e 3 (mais afastado do espelho, na fileira onde estão as posições-imagem candidatas). Como a imagem deve estar à mesma distância do espelho que Paula está à frente dele — e não colada ao próprio espelho —, a posição correspondente é o ponto 3.
Q68
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência e Consumo de Energia
O compressor de determinada geladeira doméstica tem potência de 110 W. Sabendo que esse compressor consome 36,3 kWh de energia em um mês de 30 dias, o tempo médio que ele funciona em um dia é de
A)8 h.
B)12 h.
C)9 h.
D)11 h.
E)10 h.
Gabarito oficial FMRP2401
D
Resolução
O tempo total de funcionamento no mês é $t=\dfrac{Energia}{Potência}=\dfrac{36\,300\ Wh}{110\ W}=330$ h. Como o mês tem 30 dias, o tempo médio de funcionamento por dia é $\dfrac{330}{30}=11$ h.
Q69
Eletromagnetismo — Força Magnética — Força Magnética sobre Carga em Movimento
Ao penetrar, com velocidade v, em uma região na qual existe um campo magnético uniforme, um próton fica sujeito à ação de uma força magnética devida a esse campo. Considere que apenas essa força esteja agindo sobre o próton e que as direções da velocidade do próton e do campo magnético sejam perpendiculares entre si. A ação dessa força
A)altera tanto o módulo da velocidade do próton quanto a direção dessa velocidade.
B)não altera o módulo da velocidade do próton nem a direção dessa velocidade.
C)não altera o módulo da velocidade do próton, mas altera a direção dessa velocidade.
D)diminui o módulo da velocidade do próton, mas não altera a direção dessa velocidade.
E)aumenta o módulo da velocidade do próton, mas não altera a direção dessa velocidade.
Gabarito oficial FMRP2401
C
Resolução
A força magnética sobre uma carga em movimento, $\vec F=q\vec v\times\vec B$, é sempre perpendicular à velocidade da carga. Uma força sempre perpendicular à velocidade não realiza trabalho sobre a partícula (não há componente da força na direção do deslocamento), de modo que não altera o módulo da velocidade — apenas muda continuamente sua direção, produzindo uma trajetória circular. Logo, o módulo da velocidade do próton não se altera, mas a direção dessa velocidade sim.
Q70
Física Moderna — Física Quântica — Efeito Fotoelétrico e Frequência de Corte
O transporte de energia por meio de radiação eletromagnética ocorre na forma de "partículas" de energia, denominadas fótons. A quantidade de energia de cada fóton, $E_F$, é dada pela expressão $E_F = h\cdot f$, sendo f a frequência da radiação e h a constante de Planck, cujo valor é $6{,}6\times10^{-34}$ J·s. Ao incidir na superfície de certos materiais, esses fótons podem produzir a emissão de elétrons por essa superfície, mas, para que essa emissão ocorra, é necessário que o fóton transporte uma quantidade mínima de energia, a qual depende do material da superfície. Para uma superfície de potássio, a quantidade mínima de energia necessária para ocorrer a emissão de um elétron é de $3{,}5\times10^{-19}$ J.
A tabela mostra a frequência de cinco cores de luz que incidem em uma superfície de potássio.
Cor
Frequência (10¹⁴ Hz)
Vermelha
4,5
Laranja
5,0
Verde
5,5
Azul
6,5
Violeta
7,5
As cores das luzes cujos fótons transportam energia suficiente para produzir a emissão de elétrons ao incidirem em uma superfície de potássio são, apenas,
A)violeta, azul e verde.
B)violeta, azul, verde e laranja.
C)violeta e azul.
D)laranja e vermelha.
E)verde, laranja e vermelha.
Gabarito oficial FMRP2401
A
Resolução
A frequência mínima (de corte) para ocorrer emissão é aquela cujo fóton transporta exatamente a energia mínima: $f_0=\dfrac{E_0}{h}=\dfrac{3{,}5\times10^{-19}}{6{,}6\times10^{-34}}\approx5{,}3\times10^{14}$ Hz. Uma cor só provoca emissão de elétrons se sua frequência for maior ou igual a $f_0$. Comparando com a tabela: violeta (7,5), azul (6,5) e verde (5,5) têm frequência maior que 5,3×10¹⁴ Hz — provocam emissão. Já laranja (5,0) e vermelha (4,5) têm frequência menor que 5,3×10¹⁴ Hz — não provocam emissão. Logo, as cores com energia suficiente são apenas violeta, azul e verde.
Q15
Mecânica — Cinemática — Movimento Uniformemente Variado: Decolagem
Questão discursiva
Em um aeroporto, um avião, de massa total igual a 60 000 kg, partiu do repouso no início da pista, a percorreu com movimento retilíneo, com aceleração constante de 1,5 m/s² e, depois de 40 s, alçou voo.
a)Calcule, em m/s, a velocidade do avião no instante em que alçou voo. Em seguida, calcule, em newtons, a intensidade média da resultante das forças que atuaram sobre esse avião durante o seu deslocamento pela pista do aeroporto.
Respostav = 60 m/s; F = 9,0×10⁴ N.
b)Considerando que o comprimento da pista livre para decolagem nesse aeroporto seja 1 600 m, calcule, em metros, a que distância do final da pista esse avião alçou voo.
Resposta400 m do final da pista.
Resolução
a) Partindo do repouso ($v_0=0$) com aceleração constante $a=1{,}5$ m/s², após $t=40$ s a velocidade é $v=v_0+at=0+1{,}5\times40=60$ m/s. Pela 2ª Lei de Newton, a intensidade média da resultante das forças é $F=ma=60\,000\times1{,}5=90\,000$ N $=9{,}0\times10^4$ N.
b) Como a velocidade cresce uniformemente de 0 a 60 m/s nesses 40 s, a distância percorrida é obtida pela velocidade média do trecho multiplicada pelo tempo: $d=\dfrac{v_0+v}{2}\times t=\dfrac{0+60}{2}\times40=30\times40=1\,200$ m. Como a pista livre tem 1 600 m, a distância entre o ponto de decolagem e o final da pista é $1\,600-1\,200=400$ m.
Q16
Mecânica — Quantidade de Movimento — Bola de Tênis
Questão discursiva
A fabricação de bolas de tênis segue algumas especificações, entre elas, e em valores aproximados, a de que a massa de cada bola deve ser de 60 g e que ao ser solta da altura de 2,5 m, a bola deve retornar até uma altura entre 1,3 m e 1,5 m após a primeira colisão com o solo.
a)Considere que, em um saque de um jogo de tênis, o tenista tenha arremessado a bola verticalmente para cima e a tenha golpeado com a raquete no ponto mais alto da trajetória, imprimindo na bola uma velocidade de 40 m/s. Calcule a quantidade de movimento, em kg · m/s, adquirida por essa bola, nesse saque. Calcule também, em N ⋅ s, a intensidade do impulso aplicado pela força exercida pela raquete sobre a bola nesse saque.
RespostaΔp = 2,4 kg·m/s; impulso = 2,4 N·s.
b)Desprezando os efeitos da resistência do ar e considerando g = 10 m/s², calcule, em joules, a energia cinética com que uma bola de tênis chega ao solo quando solta de 2,5 m de altura. Em seguida, calcule a máxima energia mecânica, em joules, que uma bola de tênis pode perder para cumprir as especificações de fabricação.
RespostaEc = 1,5 J; perda máxima de energia = 0,72 J.
Resolução
a) No ponto mais alto da trajetória do arremesso, a bola está momentaneamente em repouso ($v=0$); a raquete a golpeia, levando-a a $40$ m/s. A quantidade de movimento adquirida é $\Delta Q=m\Delta v=0{,}06\times40=2{,}4$ kg·m/s. Pelo teorema do impulso, o impulso aplicado pela raquete é igual à variação da quantidade de movimento da bola: $I=\Delta Q=2{,}4$ N·s.
b) Sem resistência do ar, toda a energia potencial na altura de soltura converte-se em energia cinética ao atingir o solo: $E_c=mgh=0{,}06\times10\times2{,}5=1{,}5$ J. A energia mecânica após o quique corresponde à energia potencial na altura de retorno, $E'=mgh'$. A perda de energia no choque é $\Delta E=E_c-E'=mg(h-h')$, que é tanto maior quanto menor for a altura de retorno $h'$. Como a especificação exige $h'$ entre 1,3 m e 1,5 m, a perda de energia é máxima quando $h'$ assume seu menor valor permitido, 1,3 m: $\Delta E_{máx}=mg(h-h'_{mín})=0{,}06\times10\times(2{,}5-1{,}3)=0{,}06\times10\times1{,}2=0{,}72$ J.
Q17
Termologia — Calorimetria — Aquecimento e Mudança de Fase
Questão discursiva
Em um local ao nível do mar, um recipiente metálico contendo 400 g de água líquida, inicialmente a 20 ºC, foi colocado sobre a chama de um fogão. Após 8 minutos, verificou-se que a temperatura dessa massa de água aumentou para 60 ºC. Em seguida, essa mesma massa de água, ainda a 60 ºC, foi colocada no interior de um calorímetro ideal juntamente com certa massa de gelo a 0 ºC. Decorrido algum tempo, verificou-se que no interior do calorímetro ainda havia gelo em equilíbrio térmico com água líquida. Considerando o valor de 1 cal/(g ∙ ºC) para o calor específico da água líquida e o valor de 80 cal/g para o calor latente de fusão do gelo, calcule:
a)a taxa, em calorias por minuto, com que a massa de água absorveu calor durante seu aquecimento.
Resposta2 000 cal/min.
b)a temperatura de equilíbrio térmico, em ºC, entre a água e o gelo, justificando sua resposta com base na configuração final do sistema, quando atingido o equilíbrio térmico. Em seguida, calcule a massa de gelo, em gramas, que se fundiu durante esse processo.
RespostaT = 0°C; massa de gelo fundida = 300 g.
Resolução
a) O calor absorvido pela água ao ser aquecida de 20°C a 60°C é $Q=mc\Delta T=400\times1\times(60-20)=16\,000$ cal. Como esse aquecimento levou 8 minutos, a taxa de absorção de calor é $\dfrac{Q}{t}=\dfrac{16\,000}{8}=2\,000$ cal/min.
b) Como o enunciado afirma que, decorrido algum tempo, ainda havia gelo (fase sólida) em equilíbrio com água líquida dentro do calorímetro, isso significa que nem todo o gelo derreteu — as duas fases (sólida e líquida) coexistem. Enquanto isso ocorre, a temperatura do sistema permanece constante e igual à temperatura de fusão do gelo, ou seja, 0°C (só depois que todo o gelo tiver derretido é que a temperatura poderia voltar a subir). Para calcular a massa de gelo fundida, calcula-se o calor cedido pelos 400 g de água ao esfriarem de 60°C até a temperatura de equilíbrio, 0°C: $Q_{cedido}=mc\Delta T=400\times1\times(60-0)=24\,000$ cal. Esse calor, cedido pela água, é totalmente absorvido pelo gelo que se funde (calorímetro ideal, sem perdas): $Q_{cedido}=m_{gelo}\,L\Rightarrow m_{gelo}=\dfrac{24\,000}{80}=300$ g.
Q18
Óptica — Lentes — Lente Delgada Convergente: Imagem Real Projetada
Questão discursiva
Uma criança utilizou uma lente delgada convergente para projetar imagens de objetos luminosos em uma parede. Uma dessas imagens foi projetada de forma nítida quando a lente estava situada 60 cm dessa parede e o objeto luminoso, de altura 5,0 cm, estava distante 30 cm da lente.
a)Calcule a altura, em centímetros, da imagem projetada na parede e determine a natureza dessa imagem, justificando sua resposta com base no fato da imagem ter sido projetada.
Respostaaltura da imagem = 10 cm; imagem real (e invertida).
b)Calcule a distância focal, em centímetros, e a vergência, em dioptrias, dessa lente.
Respostaf = 20 cm; vergência = 5 dioptrias.
Resolução
a) Como a imagem foi projetada em uma parede (uma imagem só pode ser projetada em um anteparo se for real — imagens virtuais nunca podem ser projetadas), essa imagem é real e, para lentes convergentes, toda imagem real é invertida em relação ao objeto. A razão entre o tamanho da imagem e o do objeto é igual à razão entre a distância da imagem à lente (60 cm) e a distância do objeto à lente (30 cm): $\dfrac{altura\ imagem}{altura\ objeto}=\dfrac{60}{30}=2$. Logo, altura da imagem $=5{,}0\times2=10$ cm.
b) Pela equação de Gauss para lentes delgadas, $\dfrac{1}{f}=\dfrac{1}{p}+\dfrac{1}{p'}$, com $p=30$ cm (distância do objeto) e $p'=60$ cm (distância da imagem): $\dfrac{1}{f}=\dfrac{1}{30}+\dfrac{1}{60}=\dfrac{2}{60}+\dfrac{1}{60}=\dfrac{3}{60}=\dfrac{1}{20}\Rightarrow f=20$ cm. A vergência é o inverso da distância focal expressa em metros: $V=\dfrac{1}{f(m)}=\dfrac{1}{0{,}20}=5$ dioptrias.
Q19
Ondulatória — Ondas Estacionárias — Ondas Estacionárias em Corda e em Tubos Sonoros
Questão discursiva
A figura mostra uma onda estacionária de frequência 900 Hz, cujo comprimento de onda é igual a 60 cm, estabelecida em uma corda tensa e homogênea, que tem as duas extremidades fixas.
a)Calcule a distância L, em centímetros, entre as extremidades fixas da corda. Em seguida, calcule a velocidade, em m/s, com que a onda se propaga nessa corda.
RespostaL = 60 cm; v = 540 m/s.
b)Calcule, em centímetros, o menor comprimento de um tubo aberto em uma extremidade e fechado na outra e o menor comprimento de um tubo aberto nas duas extremidades para que neles se estabeleçam ondas estacionárias de comprimento de onda igual a 60 cm.
Respostatubo fechado numa extremidade: 15 cm; tubo aberto nas duas extremidades: 30 cm.
Resolução
a) Pela figura, entre as duas extremidades fixas cabem 2 "fusos" (2 loops), e cada fuso corresponde a meio comprimento de onda. Logo, $L=2\times\dfrac{\lambda}{2}=\lambda=60$ cm. A velocidade de propagação é dada pela equação fundamental da ondulatória: $v=f\lambda=900\times0{,}60=540$ m/s.
b) Em um tubo sonoro fechado em uma extremidade e aberto na outra, a extremidade fechada é sempre um nó e a aberta é sempre um ventre; o menor comprimento possível (modo fundamental) corresponde a um quarto de comprimento de onda: $L=\dfrac{\lambda}{4}=\dfrac{60}{4}=15$ cm. Em um tubo aberto nas duas extremidades, ambas as extremidades são ventres; o menor comprimento possível (modo fundamental) corresponde a meio comprimento de onda: $L=\dfrac{\lambda}{2}=\dfrac{60}{2}=30$ cm.
Q20
Eletricidade — Eletrodinâmica — Corrente Elétrica, Elétrons e Resistividade
Questão discursiva
Em um fio cilíndrico e homogêneo de tungstênio, de comprimento L e área de seção transversal A = 0,20 cm², há uma corrente elétrica i = 0,020 A. Nessa situação, a diferença de potencial entre as extremidades do fio é U = 2,2 × 10⁻⁵ V.
a)Sabendo que a carga elétrica de um elétron é, em valor absoluto, 1,6 × 10⁻¹⁹ C, calcule o número de elétrons que atravessa a seção transversal desse condutor em um intervalo de tempo de 32 segundos.
Respostan = 4×10¹⁸ elétrons.
b)Sabendo que a resistividade elétrica do tungstênio é 5,5 × 10⁻⁶ Ω·cm, calcule o comprimento desse condutor, em centímetros.
RespostaL = 40 cm.
Resolução
a) A carga total que atravessa a seção transversal em $t=32$ s é $Q=i\times t=0{,}020\times32=0{,}64$ C. Como cada elétron transporta uma carga de $1{,}6\times10^{-19}$ C (em módulo), o número de elétrons é $n=\dfrac{Q}{e}=\dfrac{0{,}64}{1{,}6\times10^{-19}}=4\times10^{18}$ elétrons.
b) Pela 1ª Lei de Ohm, a resistência do fio é $R=\dfrac{U}{i}=\dfrac{2{,}2\times10^{-5}}{0{,}020}=1{,}1\times10^{-3}\,\Omega$. Pela 2ª Lei de Ohm, $R=\rho\dfrac{L}{A}\Rightarrow L=\dfrac{R\,A}{\rho}=\dfrac{1{,}1\times10^{-3}\times0{,}20}{5{,}5\times10^{-6}}=\dfrac{2{,}2\times10^{-4}}{5{,}5\times10^{-6}}=40$ cm.