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São Camilo 2024.2

Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de São Paulo — Fundação São Camilo

Processo Seletivo 2º Semestre de 2024 · Prova II (Ciências da Natureza e Matemática) — questões de Física (Q31–Q35 e Q39) com gabarito oficial e resolução comentada Método TEF.

Q31
Cinemática — Velocidade Média

A China deu início aos estudos relacionados à criação de um novo tipo de linha ferroviária no país, denominada hyperloop. O trem de alta velocidade deve conectar as cidades de Xangai e Hangzhou em um túnel a vácuo de 150 km de extensão. A previsão é de que a linha começará a operar em 2035.

De acordo com algumas estimativas prévias, a viagem entre Xangai e Hangzhou pela linha ferroviária hyperloop levará cerca de 15 minutos.

(https://mobilidade.estadao.com.br. Adaptado.)

De acordo com as estimativas, o trem que percorrerá a linha hyperloop deverá desenvolver, na viagem entre Xangai e Hangzhou, uma velocidade média em torno de

A)400 km/h.
B)1 000 km/h.
C)600 km/h.
D)300 km/h.
E)1 200 km/h.

Gabarito oficial

C
Resolução

A velocidade média é $\bar{v} = \dfrac{\Delta x}{\Delta t}$. Convertendo o tempo: $\Delta t = 15\,\text{min} = \dfrac{15}{60}\,\text{h} = 0{,}25\,\text{h}$. Portanto: $\bar{v} = \dfrac{150\,\text{km}}{0{,}25\,\text{h}} = 600\,\text{km/h}$.

Q32
Estática — Equilíbrio de Translação e Rotação

Para se manterem em equilíbrio durante as manobras, os skatistas se utilizam, de forma intuitiva, de vários princípios da Física.

Considere que um skatista, durante uma manobra, aterrissou sobre o skate aplicando, com seus pés, forças verticais simultâneas e de mesma intensidade, $\vec{F}_x$ e $\vec{F}_y$, exatamente nas regiões da prancha que ficam sobre o eixo das rodas, como mostra a figura.

Skateboard se movendo para a direita (velocidade v) com forças verticais Fx e Fy aplicadas para baixo sobre o eixo das rodas dianteira e traseira

Nessa situação, o skate não girou e continuou a se mover horizontalmente, sem alterar sua velocidade, porque

A)a resultante das forças que atuaram sobre o skate e a resultante dos momentos aplicados por essas forças foram nulas.
B)houve conservação da energia mecânica, uma vez que a energia potencial elástica do skatista se transformou em energia cinética do skate.
C)a resultante das forças que atuaram sobre o skate foi nula, mas a resultante dos momentos aplicados por essas forças foi diferente de zero.
D)houve conservação da energia mecânica, uma vez que a energia cinética do skatista se transformou em energia potencial gravitacional do skate.
E)a resultante dos momentos aplicados pelas forças que atuaram sobre o skate foi nula, mas a resultante dessas forças foi diferente de zero.

Gabarito oficial

A
Resolução

O skate se moveu em linha reta com velocidade constante (MRU) e sem girar. Para que não houvesse variação no movimento de translação, a resultante das forças que agiram sobre o skate deve ter sido nula — 1ª Lei de Newton. Para que não houvesse rotação, a resultante dos momentos (torques) dessas forças em relação a qualquer ponto também deve ter sido nula — condição de equilíbrio de rotação. As alternativas B e D introduzem conservação de energia, que não é a condição determinante aqui; C e E tornam apenas uma das condições nula, o que não explicaria simultaneamente ausência de aceleração linear e de rotação. A única alternativa que atende a ambas as condições é a A.

Q33
Gases Ideais — Lei dos Gases e Número de Mols por Volume

O gráfico mostra a variação da densidade do ar em função da altitude, na região próxima à superfície da Terra.

Gráfico: Densidade do ar (kg/m³) no eixo vertical de 0,80 a 1,20, Altitude (m) no eixo horizontal de 0 a 4000. Reta decrescente linear de aproximadamente 1,22 kg/m³ em altitude zero até 0,80 kg/m³ a 4000 m.

Considerando o ar como um gás ideal, a partir da análise do gráfico, conclui-se que, com o aumento da altitude nas proximidades da superfície terrestre, obrigatoriamente,

A)a razão entre a pressão e a temperatura do gás permanece constante.
B)a temperatura do gás diminui.
C)a pressão do gás aumenta.
D)a razão entre a pressão e a temperatura do gás aumenta.
E)o número de mols de gás por unidade de volume diminui.

Gabarito oficial

E
Resolução

O gráfico mostra que a densidade $\rho$ do ar decresce com a altitude. Para um gás ideal, $PV = nRT$, o que dá $\dfrac{n}{V} = \dfrac{P}{RT}$. Sendo $\rho = \dfrac{nM}{V}$ (com $M$ = massa molar), temos $\dfrac{n}{V} = \dfrac{\rho}{M}$. Como $\rho$ diminui com a altitude (dado diretamente pelo gráfico) e $M$ é constante, $\dfrac{n}{V}$ necessariamente diminui — confirmando E.

Análise das demais: $\dfrac{P}{T} = \dfrac{\rho R}{M}$ — como $\rho$ diminui, $P/T$ também diminui (descarta A e D). A pressão atmosférica nunca aumenta com a altitude (descarta C). A temperatura pode aumentar ou diminuir com altitude dependendo da camada atmosférica — o gráfico não determina isso isoladamente (descarta B).

Q34
Óptica Geométrica — Lentes Convergentes e Câmera

Um fotógrafo deve obter uma fotografia da Lua em sua fase cheia. Ele sabe que a imagem real a ser projetada no detector da câmera fotográfica deve ter um diâmetro de, no mínimo, 7,0 mm para que seja possível obter os detalhes desejados na foto. Sabe-se que o diâmetro da Lua é de 3 500 km e que a distância entre a Terra e a Lua no período em que será realizada a foto é cerca de 400 000 km. Considere que, devido à grande distância entre a Lua e a câmera, a distância da imagem à lente é igual à distância focal do sistema óptico da câmera. Para obter a fotografia com as características desejadas, o fotógrafo deve utilizar uma câmera cujo sistema óptico tenha distância focal de, no mínimo,

A)600 mm.
B)800 mm.
C)300 mm.
D)1 000 mm.
E)200 mm.

Gabarito oficial

B
Resolução

Como a Lua está muito distante, a distância de imagem $d_i \approx f$ (distância focal). Pela semelhança de triângulos entre o objeto (Lua) e sua imagem:

$$\frac{i}{f} = \frac{D}{L}$$

onde $D = 3\,500\,\text{km}$ (diâmetro da Lua), $L = 400\,000\,\text{km}$ (distância Terra–Lua) e $i = 7{,}0\,\text{mm} = 7{,}0 \times 10^{-3}\,\text{m}$ (tamanho mínimo da imagem). Isolando $f$:

$$f = \frac{i \cdot L}{D} = \frac{7{,}0 \times 10^{-3}\,\text{m} \times 400\,000\,\text{km}}{3\,500\,\text{km}} = 7{,}0 \times 10^{-3} \times \frac{4{,}0 \times 10^{5}}{3{,}5 \times 10^{3}}\,\text{m}$$

$$f = 7{,}0 \times 10^{-3} \times \frac{400}{3{,}5}\,\text{m} = 7{,}0 \times 10^{-3} \times \frac{800}{7}\,\text{m} = 0{,}800\,\text{m} = 800\,\text{mm}$$

Q35
Ondulatória — Cordas Vibrantes e Harmônicos

As cordas vibrantes, como as dos violões, emitem ondas cuja frequência do primeiro harmônico é dada pela expressão

$$f = \frac{1}{2L}\sqrt{\frac{F}{\mu}}$$

sendo $L$ o comprimento da corda, $F$ a força de tração a que ela está submetida e $\mu$ a densidade linear da corda.

A tabela mostra as frequências aproximadas dos primeiros harmônicos emitidos pelas cordas de um violão afinado.

(https://blog.teclacenter.com.br. Adaptado.)
CordaFrequência (Hz)
Primeira330
Segunda246
Terceira195
Quarta146
Quinta110
Sexta82

Considerando que a primeira e a quinta cordas de um violão têm o mesmo comprimento e estão submetidas a forças de tração de mesma intensidade, a relação entre a densidade linear da quinta corda, $\mu_5$, e a da primeira corda, $\mu_1$, desse violão, quando afinado, é

A)$\mu_5 = \dfrac{1}{3}\,\mu_1$
B)$\mu_5 = 3\,\mu_1$
C)$\mu_5 = \dfrac{1}{9}\,\mu_1$
D)$\mu_5 = 9\,\mu_1$
E)$\mu_5 = 6\,\mu_1$

Gabarito oficial

D
Resolução

Com mesmo $L$ e mesma $F$, a fórmula $f = \dfrac{1}{2L}\sqrt{\dfrac{F}{\mu}}$ mostra que $f \propto \dfrac{1}{\sqrt{\mu}}$. Fazendo a razão entre as frequências da primeira e da quinta corda:

$$\frac{f_1}{f_5} = \sqrt{\frac{\mu_5}{\mu_1}} \implies \frac{330}{110} = \sqrt{\frac{\mu_5}{\mu_1}} \implies 3 = \sqrt{\frac{\mu_5}{\mu_1}}$$

Elevando ao quadrado: $\dfrac{\mu_5}{\mu_1} = 9 \implies \mu_5 = 9\,\mu_1$.

A quinta corda tem maior densidade linear porque, sendo mais grave (menor frequência), é naturalmente mais encorpada (mais massa por unidade de comprimento) para vibrar mais lentamente.

Q39
Hidrostática — Volume Deslocado e Conservação de Volume

Um cubo P de aresta 3 cm está apoiado na face inferior de um cubo Q de aresta 5 cm. O cubo P está cheio de água, e o interior do cubo Q, inicialmente, só continha o cubo P.

Vista em perspectiva: cubo Q (maior, rosa/transparente, aresta 5 cm) contendo o cubo P (menor, azul/verde, aresta 3 cm) apoiado no fundo de Q, cheio de água.

Um cubo sólido R de aresta 2 cm foi colocado no interior do cubo P, de maneira que parte da água contida em P transbordou para o cubo Q.

Vista em perspectiva: cubo Q contendo cubo P com cubo sólido R (aresta 2 cm) dentro de P; nível de água h visível no espaço anular entre P e Q.

fora de escala

A água transbordada para o espaço entre os cubos P e Q atingiu uma altura $h$ igual a

A)0,9 cm.
B)0,5 cm.
C)0,4 cm.
D)0,2 cm.
E)0,8 cm.

Gabarito oficial

B
Resolução

O cubo P (aresta 3 cm) é um recipiente cheio de água com volume interno $V_P = 3^3 = 27\,\text{cm}^3$. O cubo sólido R (aresta 2 cm) tem volume $V_R = 2^3 = 8\,\text{cm}^3$. Ao colocar R dentro de P, R fica totalmente submerso (sua aresta 2 cm < aresta interna de P de 3 cm) e desloca $V_R = 8\,\text{cm}^3$ de água, que transborda para o espaço anular entre P e Q.

A área da base do espaço anular é:

$$A = a_Q^2 - a_P^2 = 5^2 - 3^2 = 25 - 9 = 16\,\text{cm}^2$$

A altura da água transbordada:

$$h = \frac{V_R}{A} = \frac{8\,\text{cm}^3}{16\,\text{cm}^2} = 0{,}5\,\text{cm}$$

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