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UFSCar 2001 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de São Carlos

Processo Seletivo 2001 · questões de Física (Q11-20 e Q36-40) — resolução comentada Método TEF.

Q11
Mecânica — Dinâmica — Componentes ortogonais do peso

Os módulos dos componentes ortogonais do peso $\vec P$ de um corpo valem 120 N e 160 N. Pode-se afirmar que o modulo de $\vec P$ é:

A)140 N.
B)200 N.
C)280 N.
D)40 N.
E)340 N.

Gabarito

B
Resolução

Os componentes ortogonais são perpendiculares entre si, então o módulo do peso é a hipotenusa do triângulo retângulo formado por eles: $P=\sqrt{120^2+160^2}=40\sqrt{3^2+4^2}=40\cdot5=200$ N.

A soma aritmética dos módulos (280 N) só valeria se os componentes fossem paralelos e de mesmo sentido.

Q12
Mecânica — Cinemática — MUV com inversão de sentido

Uma partícula se move em uma reta com aceleração constante. Sabe-se que no intervalo de tempo de 10 s ela passa duas vezes pelo mesmo ponto dessa reta, com velocidades de mesmo módulo, $v=4{,}0$ m/s, em sentidos opostos. O módulo do deslocamento e o espaço percorrido pela partícula nesse intervalo de tempo são, respectivamente,

A)0,0 m e 10 m.
B)0,0 m e 20 m.
C)10 m e 5,0 m.
D)10 m e 10 m.
E)20 m e 20 m.

Gabarito

B
Resolução

Passa duas vezes pelo mesmo ponto: o deslocamento entre os dois instantes é nulo.

Com aceleração constante e velocidades $+4$ m/s e $-4$ m/s, a velocidade se anula no instante médio, $t=5$ s. Em cada metade do intervalo a velocidade média tem módulo 2 m/s, então em 5 s a partícula percorre $2\cdot5=10$ m em um sentido e 10 m no sentido oposto. O espaço percorrido é $10+10=20$ m.

Q13
Mecânica — Gravitação — Rotação da Terra e base de lançamento

No URL www.agespacial.gov.br, da Agência Espacial Brasileira, aparece a seguinte informação:

"O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) vem sendo construído desde a década de 80 e está atualmente preparado para lançar foguetes de sondagem e veículos lançadores de satélites de pequeno porte. Localizado na costa do nordeste brasileiro, próximo ao Equador, a posição geográfica do CLA aumenta as condições de segurança e permite menores custos de lançamento."

Um dos fatores determinantes dessa redução de custos se deve à inércia do movimento de rotação da Terra. Graças a essa inércia, o veículo lançador consome menos energia para fazer com que o satélite adquira a sua velocidade orbital. Isso ocorre porque, nas proximidades do Equador, onde se encontra o CLA,

A)a velocidade tangencial da superfície da Terra é maior do que em outras latitudes.
B)a velocidade tangencial da superfície da Terra é menor do que em outras latitudes.
C)a velocidade tangencial da superfície da Terra é igual à velocidade orbital do satélite.
D)a aceleração da gravidade na superfície da Terra é menor do que em outras latitudes.
E)a aceleração da gravidade na superfície da Terra é maior do que em outras latitudes.

Gabarito

A
Resolução

Todos os pontos da Terra giram com a mesma velocidade angular $\omega$, mas a velocidade tangencial $v=\omega R\cos\varphi$ depende do raio da circunferência descrita, que é máximo no Equador ($\varphi=0$).

O foguete já parte com essa velocidade herdada da rotação. Quanto maior ela for, menor a variação de energia cinética que o lançador precisa fornecer para atingir a velocidade orbital.

Q14
Mecânica — Trabalho e energia — Forças e trabalho em plano inclinado

O bloco da figura desce espontaneamente o plano inclinado com velocidade constante, em trajetória retilínea.

Figura da questão 14 de Física — UFSCar 2001

Desprezando-se qualquer ação do ar, durante esse movimento, atuam sobre o bloco

A)duas forças, e ambas realizam trabalho.
B)duas forças, mas só uma realiza trabalho.
C)três forças, e todas realizam trabalho.
D)três forças, mas só duas realizam trabalho.
E)três forças, mas só uma realiza trabalho.

Gabarito

D
Resolução

Sobre o bloco atuam o peso, a normal e o atrito (a velocidade constante exige atrito, pois sem ele o bloco aceleraria): três forças.

A normal é perpendicular ao deslocamento e não realiza trabalho. O peso realiza trabalho positivo e o atrito, trabalho negativo. A soma é nula, coerente com a energia cinética constante. Assim, três forças atuam, e duas realizam trabalho.

Q15
Termologia — Propagação do calor — Isolamento térmico

Um grupo de amigos compra barras de gelo para um churrasco, num dia de calor. Como as barras chegam com algumas horas de antecedência, alguém sugere que sejam envolvidas num grosso cobertor para evitar que derretam demais. Essa sugestão

A)é absurda, porque o cobertor vai aquecer o gelo, derretendo-o ainda mais depressa.
B)é absurda, porque o cobertor facilita a troca de calor entre o ambiente e o gelo, fazendo com que ele derreta ainda mais depressa.
C)é inócua, pois o cobertor não fornece nem absorve calor ao gelo, não alterando a rapidez com que o gelo derrete.
D)faz sentido, porque o cobertor facilita a troca de calor entre o ambiente e o gelo, retardando o seu derretimento.
E)faz sentido, porque o cobertor dificulta a troca de calor entre o ambiente e o gelo, retardando o seu derretimento.

Gabarito

E
Resolução

O cobertor não é fonte de calor: é um mau condutor térmico. Envolvendo o gelo, ele reduz a taxa de transferência de calor do ambiente quente para as barras, diminuindo o fluxo de calor e retardando a fusão.

Q16
Óptica — Lentes — Imagem real formada por lente convergente

Uma estudante observa um lustre de lâmpadas fluorescentes acesas no teto da sala de aula através de uma lente convergente delgada. Para isso, ela coloca a lente junto aos seus olhos, afastando-a lentamente. Ela nota que a imagem desse lustre, a partir de certa distância, começa a aparecer invertida e nítida. A partir daí, se ela continuar a afastar a lente, a imagem desse lustre, que se localizava,

A)entre a lente e o olho da estudante, mantém-se nessa região e sempre é invertida.
B)entre a lente e o olho da estudante, mantém-se nessa região, mas muda de orientação.
C)na superfície da lente, mantém-se na superfície e sempre é invertida.
D)entre a lente e o lustre, mantém-se nessa região, mas muda de orientação.
E)entre a lente e o lustre, mantém-se nessa região e sempre é invertida.

Gabarito

A
Resolução

O lustre está muito mais distante da lente do que a distância focal, então a lente conjuga uma imagem real e invertida, que se forma do lado oposto ao do objeto, isto é, entre a lente e o olho, perto do plano focal.

Como o objeto está praticamente no infinito, afastar a lente do olho apenas desloca junto com ela essa imagem, que continua entre a lente e o olho e continua invertida: imagem real de objeto situado além do dobro da distância focal não troca de orientação.

Q17
Ondulatória — Ondas estacionárias — Harmônicos em corda fixa

A figura representa uma configuração de ondas estacionárias numa corda.

Figura da questão 17 de Física — UFSCar 2001

A extremidade A está presa a um oscilador que vibra com pequena amplitude. A extremidade B é fixa e a tração na corda é constante. Na situação da figura, onde aparecem três ventres (V) e quatro nós (N), a freqüência do oscilador é 360 Hz. Aumentando-se gradativamente a freqüência do oscilador, observa-se que essa configuração se desfaz até aparecer, em seguida, uma nova configuração de ondas estacionárias, formada por

A)quatro nós e quatro ventres, quando a freqüência atingir 400 Hz.
B)quatro nós e cinco ventres, quando a freqüência atingir 440 Hz.
C)cinco nós e quatro ventres, quando a freqüência atingir 480 Hz.
D)cinco nós e cinco ventres, quando a freqüência atingir 540 Hz.
E)seis nós e oito ventres, quando a freqüência atingir 720 Hz.

Gabarito

C
Resolução

Em uma corda de comprimento $L$ com as duas extremidades praticamente fixas, os modos são $f_n=n\,f_1$, em que $n$ é o número de ventres (e $n+1$, o de nós). A configuração dada tem $n=3$: $f_3=3f_1=360$ Hz, logo $f_1=120$ Hz.

Aumentando gradualmente a freqüência, o próximo modo é $n=4$: quatro ventres e cinco nós, com $f_4=4\cdot120=480$ Hz.

Q18
Eletricidade — Eletrostática — Força elétrica e linha de força

Na figura está representada uma linha de força de um campo elétrico, um ponto P e os vetores $\vec A$, $\vec B$, $\vec C$, $\vec D$ e $\vec E$.

Figura da questão 18 de Física — UFSCar 2001

Se uma partícula de carga elétrica positiva, suficientemente pequena para não alterar a configuração desse campo elétrico, for colocada nesse ponto P, ela sofre a ação de uma força $\vec F$, melhor representada pelo vetor:

A)$\vec A$.
B)$\vec B$.
C)$\vec C$.
D)$\vec D$.
E)$\vec E$.

Gabarito

A
Resolução

O vetor campo elétrico em um ponto é tangente à linha de força que passa por ele e tem o mesmo sentido da linha orientada. Sobre uma carga positiva, a força elétrica tem a mesma direção e o mesmo sentido do campo ($\vec F=q\vec E$, com $q>0$).

Basta, então, localizar em P o vetor tangente à linha de força, no sentido indicado pela seta da linha.

Q19
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistores em paralelo e potência

No circuito da figura, a fonte tem fem $\varepsilon$ constante e resistência interna desprezível.

Figura da questão 19 de Física — UFSCar 2001

Os resistores têm resistência $R$, iguais. Sabe-se que, quando a chave C está aberta, a intensidade da corrente elétrica que percorre o circuito é $i$ e a potência nele dissipada é $P$. Pode-se afirmar que, fechando a chave, os valores da intensidade da corrente e da potência dissipada serão, respectivamente,

A)$\dfrac{i}{2}$ e $\dfrac{P}{4}$.
B)$\dfrac{i}{2}$ e $\dfrac{P}{2}$.
C)$i$ e $P$.
D)$2i$ e $2P$.
E)$2i$ e $4P$.

Gabarito

D
Resolução

Com a chave aberta, só um resistor conduz: $i=\varepsilon/R$ e $P=\varepsilon i$.

Fechando a chave, os dois resistores ficam em paralelo, com resistência equivalente $R/2$. Com a mesma $\varepsilon$ (fonte ideal), a corrente fornecida duplica: $i'=\dfrac{\varepsilon}{R/2}=2i$. A potência fornecida/dissipada, $P'=\varepsilon i'=2\varepsilon i=2P$.

Q20
Eletromagnetismo — Indução eletromagnética — Transformadores e corrente alternada

No final do século XIX, uma disputa tecnológica sobre qual a corrente elétrica mais adequada para transmissão e distribuição da energia elétrica, gerada em usinas elétricas, tornou clara a vantagem do uso da corrente alternada, em detrimento da corrente contínua. Um dos fatores decisivos para essa escolha foi a possibilidade da utilização de transformadores na rede de distribuição de eletricidade. Os transformadores podem aumentar ou diminuir a tensão a eles fornecida, permitindo a adequação dos valores da intensidade da corrente transmitida e reduzindo perdas por efeito Joule, mas só funcionam em corrente alternada. O princípio físico em que se baseia o funcionamento dos transformadores e a característica da corrente alternada que satisfaz a esse princípio são, respectivamente,

A)a conservação da carga e o movimento oscilante dos portadores de carga elétrica.
B)a indução eletrostática e o movimento contínuo dos portadores de carga elétrica.
C)a indução eletrostática e o movimento oscilante dos portadores de carga elétrica.
D)a indução eletromagnética e o movimento contínuo de portadores de carga elétrica.
E)a indução eletromagnética e o movimento oscilante dos portadores de carga elétrica.

Gabarito

E
Resolução

O transformador funciona pela lei de Faraday: a corrente variável no primário cria um fluxo magnético variável, que induz uma fem no secundário. Esse é o fenômeno da indução eletromagnética.

Corrente contínua gera fluxo constante e não induz fem. A corrente alternada, em que os portadores de carga oscilam, produz o fluxo variável necessário.

Q36
Mecânica — Dinâmica — Pêndulo cônico

A figura a seguir representa um pêndulo cônico, composto por uma pequena esfera de massa 0,10 kg que gira presa por um fio muito leve e inextensível, descrevendo círculos de 0,12 m de raio num plano horizontal, localizado a 0,40 m do ponto de suspensão. (Adote $g=10$ m/s².)

Figura da questão 36 de Física — UFSCar 2001
a)

Represente graficamente, na folha de respostas, as forças que atuam sobre a esfera, nomeando-as. Determine o módulo da resultante dessas forças.

Resposta Forças: peso e tração. $R=0{,}30$ N.
b)

Determine o módulo da velocidade linear da esfera e a freqüência do movimento circular por ela descrito.

Resposta $v=0{,}60$ m/s e $f\approx0{,}80$ Hz.
Resolução

a) Sobre a esfera atuam o peso $\vec P$ (vertical, para baixo, $P=mg=1{,}0$ N) e a tração $\vec T$ do fio (ao longo do fio, para o ponto de suspensão). A soma vetorial é a resultante centrípeta, horizontal e dirigida ao centro da circunferência.

No triângulo de forças, $\tan\theta=\dfrac{R}{P}=\dfrac{0{,}12}{0{,}40}$, então $R=1{,}0\cdot0{,}30=0{,}30$ N.

b) A resultante é centrípeta: $R=\dfrac{mv^2}{r}\Rightarrow0{,}30=\dfrac{0{,}10\,v^2}{0{,}12}$, logo $v^2=0{,}36$ e $v=0{,}60$ m/s. A freqüência vem de $v=2\pi f r$: $f=\dfrac{0{,}60}{2\pi\cdot0{,}12}\approx0{,}80$ Hz.

Resposta: a) Forças: peso e tração. $R=0{,}30$ N.; b) $v=0{,}60$ m/s e $f\approx0{,}80$ Hz.

Q37
Mecânica — Quantidade de movimento — Impulso, trabalho e força média

Uma bola de tênis de massa 60 g adquire, num saque, velocidade inicial de 30 m/s. Admita que, ao ser atingida pela raquete, a bola esteja praticamente em repouso, e que o impacto seja normal à raquete e "sem efeito", isto é, a bola é lançada sem rotação.

a)

Quais os valores do trabalho e do módulo do impulso exercidos pela raquete sobre a bola?

Resposta $W=27$ J e $I=1{,}8$ N·s.
b)

Suponha que o intervalo de tempo em que ocorre a interação entre a bola e a raquete seja de 0,10 s. Qual a razão entre o módulo da força média $\vec F$ exercida pela raquete sobre a bola durante esse intervalo de tempo e o módulo do peso $\vec P$ da bola? (Adote $g=10$ m/s².)

Resposta $F/P=30$.
Resolução

a) Pelo teorema da energia cinética, o trabalho da raquete é $W=\dfrac{mv^2}{2}=\dfrac{0{,}060\cdot30^2}{2}=27$ J. Pelo teorema do impulso, $I=\Delta Q=m\,\Delta v=0{,}060\cdot30=1{,}8$ N·s.

b) $I=F\,\Delta t\Rightarrow F=\dfrac{1{,}8}{0{,}10}=18$ N. O peso é $P=mg=0{,}060\cdot10=0{,}60$ N. Logo $\dfrac{F}{P}=\dfrac{18}{0{,}60}=30$.

Resposta: a) $W=27$ J e $I=1{,}8$ N·s.; b) $F/P=30$.

Q38
Termologia — Termodinâmica — Trabalho do gás e Primeira Lei

A figura representa um gás ideal contido num cilindro C fechado por um êmbolo E de área $S=1{,}0\cdot10^{-4}$ m² e massa $m=1{,}0$ kg. O gás absorve uma determinada quantidade de calor $Q$ e, em conseqüência, o êmbolo sobe $5{,}0\cdot10^{-2}$ m, livremente e sem vazamento. A pressão atmosférica local é $1{,}0\cdot10^{5}$ Pa.

Figura da questão 38 de Física — UFSCar 2001
a)

Calcule os trabalhos realizados pelo gás contra a pressão atmosférica, $\tau_a$, e contra a gravidade, para erguer o êmbolo, $\tau_g$. (Adote $g=10$ m/s².)

Resposta $\tau_a=0{,}50$ J e $\tau_g=0{,}50$ J.
b)

Qual a quantidade mínima de calor que o gás deve ter absorvido nessa transformação? Que lei física fundamental fundamenta sua resposta? Justifique.

Resposta $Q_{mín}=2{,}5$ J, pela Primeira Lei da Termodinâmica.
Resolução

a) O volume varia $\Delta V=S\,h=1{,}0\cdot10^{-4}\cdot5{,}0\cdot10^{-2}=5{,}0\cdot10^{-6}$ m³. Contra a atmosfera: $\tau_a=p_{at}\Delta V=1{,}0\cdot10^{5}\cdot5{,}0\cdot10^{-6}=0{,}50$ J. Contra a gravidade (elevar o êmbolo de 1,0 kg em 5,0 cm): $\tau_g=mgh=1{,}0\cdot10\cdot5{,}0\cdot10^{-2}=0{,}50$ J.

b) Pela Primeira Lei da Termodinâmica, $Q=\Delta U+\tau$, com $\tau=\tau_a+\tau_g=1{,}0$ J. A transformação é isobárica, com a pressão do gás $p=p_{at}+\dfrac{mg}{S}=1{,}0\cdot10^{5}+\dfrac{10}{1{,}0\cdot10^{-4}}=2{,}0\cdot10^{5}$ Pa, e o volume aumenta, logo a temperatura sobe e $\Delta U>0$. Para um gás ideal, $\Delta U=\dfrac{f}{2}\,nR\Delta T=\dfrac{f}{2}\,p\Delta V$, e o menor valor possível corresponde ao gás monoatômico ($f=3$): $\Delta U_{mín}=\dfrac32\cdot2{,}0\cdot10^{5}\cdot5{,}0\cdot10^{-6}=1{,}5$ J.

Portanto $Q_{mín}=\Delta U_{mín}+\tau=1{,}5+1{,}0=2{,}5$ J. Um gás com mais graus de liberdade (diatômico ou poliatômico) exigiria ainda mais calor.

Resposta: a) $\tau_a=0{,}50$ J e $\tau_g=0{,}50$ J.; b) $Q_{mín}=2{,}5$ J, pela Primeira Lei da Termodinâmica.

Q39
Óptica — Lentes — Retroprojetor (lente convergente e espelho plano)

A figura representa esquematicamente um retroprojetor, dispositivo óptico largamente utilizado em sala de aula.

Figura da questão 39 de Física — UFSCar 2001

Em A está a base, intensamente iluminada, onde são colocadas as transparências com textos e figuras a serem projetadas. Em B, num suporte que permite variar a altura $h_{AB}$, está a lente L. Em C um espelho plano E, de inclinação variável, desvia o feixe de luz para a tela, à frente do retroprojetor. Sabe-se que a imagem de uma figura com 10 cm de altura, desenhada na transparência, aparece nitidamente na tela com 90 cm de altura, quando se regula a lente L na altura $h_{AB}=50$ cm. Considere desprezível a distância da lente ao espelho plano.

a)

Qual a distância do espelho à tela e a distância focal da lente L?

Resposta Distância do espelho à tela: 450 cm (4,5 m). Distância focal: $f=45$ cm.
b)

Num auditório, a distância máxima da tela ao local onde os projetores podem ser colocados é de 18 m. Nessas condições, qual altura máxima com que a imagem dessa figura pode ser projetada, utilizando esse retroprojetor? Para tanto, qual deve ser o valor de $h_{AB}$?

Resposta Altura máxima da imagem: 3,9 m, com $h_{AB}\approx46$ cm.
Resolução

a) O aumento linear é $A=\dfrac{90}{10}=9$ e, como $A=\dfrac{p'}{p}$ em módulo, com $p=h_{AB}=50$ cm, $p'=9\cdot50=450$ cm. Como a distância da lente ao espelho é desprezível, a imagem se forma sobre a tela, a 450 cm do espelho. A equação de Gauss dá $\dfrac1f=\dfrac1{50}+\dfrac1{450}=\dfrac{10}{450}$, logo $f=45$ cm.

b) Agora $p'=18$ m $=1800$ cm. De $\dfrac1p=\dfrac1{45}-\dfrac1{1800}=\dfrac{39}{1800}$, resulta $p=h_{AB}=\dfrac{1800}{39}\approx46$ cm. O aumento é $A=\dfrac{p'}{p}=\dfrac{1800}{1800/39}=39$, então a imagem da figura de 10 cm tem $39\cdot10=390$ cm $=3{,}9$ m.

Resposta: a) Distância do espelho à tela: 450 cm (4,5 m). Distância focal: $f=45$ cm.; b) Altura máxima da imagem: 3,9 m, com $h_{AB}\approx46$ cm.

Q40
Eletricidade — Eletrodinâmica — Pilha com resistência interna e lâmpadas

Uma lanterna utiliza uma lâmpada miniatura e uma pilha pequena, tipo AA, cuja fem nominal é $\varepsilon=1{,}5$ V. Sabe-se que essa lâmpada acende exatamente de acordo com suas especificações: 1,2 V; 3,6 W.

a)

Desenhe, no caderno de respostas, o esquema do circuito dessa lanterna. Determine a resistência interna da pilha.

Resposta Circuito: pilha ($\varepsilon$, $r$) em série com a lâmpada. $r=0{,}10$ Ω.
b)

Suponha que você quer utilizar essa pilha para acender duas lâmpadas iguais à da lanterna. Desenhe o esquema de um circuito capaz de acendê-las. Elas acenderiam de acordo com suas especificações? Justifique. Admita que as resistências dos filamentos dessas lâmpadas sejam constantes.

Resposta Lâmpadas em paralelo; não acenderiam de acordo com as especificações (cada uma ficaria com cerca de 1,0 V).
Resolução

a) O circuito é a pilha, com fem $\varepsilon$ e resistência interna $r$, ligada em série à lâmpada. Com a lâmpada nas condições nominais, $i=\dfrac{P}{U}=\dfrac{3{,}6}{1{,}2}=3{,}0$ A. A equação do gerador, $U=\varepsilon-ri$, dá $1{,}2=1{,}5-3{,}0\,r$, logo $r=0{,}10$ Ω.

b) A resistência de cada lâmpada é $R_L=\dfrac{U^2}{P}=\dfrac{1{,}2^2}{3{,}6}=0{,}40$ Ω. Para que cada uma receba a mesma tensão, o circuito indicado é o das lâmpadas em paralelo com a pilha (a ligação em série daria a cada lâmpada menos ainda). Em paralelo, $R_{eq}=0{,}20$ Ω e $i=\dfrac{1{,}5}{0{,}20+0{,}10}=5{,}0$ A. A tensão nas lâmpadas é $U=1{,}5-0{,}10\cdot5{,}0=1{,}0$ V, menor que 1,2 V. Elas acendem com brilho abaixo do nominal.

Resposta: a) Circuito: pilha ($\varepsilon$, $r$) em série com a lâmpada. $r=0{,}10$ Ω.; b) Lâmpadas em paralelo; não acenderiam de acordo com as especificações (cada uma ficaria com cerca de 1,0 V).

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