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UFSCar 2002 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de São Carlos

Vestibular 2002 · questões de Física (Q11-20 e Q36-40) — resolução comentada Método TEF.

Q11
Mecânica — Cinemática — Velocidade média por trechos

Três amigos, Antônio, Bernardo e Carlos, saíram de suas casas para se encontrarem numa lanchonete. Antônio realizou metade do percurso com velocidade média de 4 km/h e a outra metade do percurso com velocidade média de 6 km/h. Bernardo percorreu o trajeto com velocidade média de 4 km/h durante metade do tempo que levou para chegar à lanchonete e a outra metade do tempo fez com velocidade média de 6 km/h. Carlos fez todo o percurso com velocidade média de 5 km/h. Sabendo que os três saíram no mesmo instante de suas casas e percorreram exatamente as mesmas distâncias, pode-se concluir que

A)Bernardo chegou primeiro, Carlos em segundo e Antônio em terceiro.
B)Carlos chegou primeiro, Antônio em segundo e Bernardo em terceiro.
C)Antônio chegou primeiro, Bernardo em segundo e Carlos em terceiro.
D)Bernardo e Carlos chegaram juntos e Antônio chegou em terceiro.
E)os três chegaram juntos à lanchonete.

Gabarito

D
Resolução

Seja $d$ o percurso. Antônio gasta $t_A=\dfrac{d/2}{4}+\dfrac{d/2}{6}=\dfrac{5d}{24}$, o que equivale a velocidade média $\dfrac{d}{t_A}=4{,}8$ km/h (média harmônica).

Bernardo usa tempos iguais nos dois trechos: sua velocidade média é a média aritmética, $\dfrac{4+6}{2}=5$ km/h. Carlos também faz 5 km/h.

Assim, Bernardo e Carlos têm a mesma velocidade média e chegam juntos, e Antônio, com 4,8 km/h, chega por último.

Q12
Mecânica — Cinemática — Do gráfico s × t ao gráfico v × t

O diagrama mostra como varia o espaço $s$ percorrido por um corpo que se desloca sobre uma trajetória retilínea, em função do tempo transcorrido $t$.

Figura da questão 12 de Física — UFSCar 2002

O diagrama $v\times t$, onde $v$ é a velocidade do corpo, que melhor representa o movimento, no intervalo de tempo considerado, é:

A)Gráfico da alternativa A da questão 12 de Física — UFSCar 2002: velocidade em função do tempo
B)Gráfico da alternativa B da questão 12 de Física — UFSCar 2002: velocidade em função do tempo
C)Gráfico da alternativa C da questão 12 de Física — UFSCar 2002: velocidade em função do tempo
D)Gráfico da alternativa D da questão 12 de Física — UFSCar 2002: velocidade em função do tempo
E)Gráfico da alternativa E da questão 12 de Física — UFSCar 2002: velocidade em função do tempo

Gabarito

E
Resolução

A velocidade é a inclinação do gráfico $s\times t$. No início a curva é horizontal ($v=0$) e passa a subir com inclinação crescente; depois a inclinação se mantém máxima por um trecho (reta) e volta a diminuir até zero no topo da curva, onde $v=0$.

Depois do topo, $s$ diminui, então $v<0$. A inclinação negativa cresce em módulo, se mantém e volta a zero quando o gráfico fica horizontal outra vez.

O gráfico $v\times t$ deve, portanto, começar em zero, ser positivo, passar por zero, ser negativo e voltar a zero. A velocidade nunca é positiva depois de o espaço começar a diminuir.

Q13
Mecânica — Gravitação — Rotação da Terra e conservação do momento angular

Supondo-se que 90% da população mundial saísse em passeata, ao mesmo tempo, caminhando em direção ao leste, tal deslocamento poderia contribuir para

A)uma diminuição na velocidade de rotação da Terra.
B)uma diminuição na distância entre a Terra e a Lua.
C)uma diminuição no valor da aceleração da gravidade da Terra.
D)um aumento na aceleração centrípeta na linha do Equador da Terra.
E)um aumento na intensidade do campo magnético da Terra.

Gabarito

A
Resolução

O sistema Terra mais pessoas não sofre torque externo relevante, então seu momento angular em relação ao eixo de rotação se conserva.

A rotação da Terra é de oeste para leste. Ao caminharem para leste, as pessoas aumentam sua parcela de momento angular no sentido da rotação. Para manter o total constante, a parte restante do sistema (a Terra) deve reduzir o seu. Assim, a velocidade de rotação da Terra diminui (de modo desprezivelmente pequeno).

Q14
Hidrostática — Empuxo — Blocos ligados por fio e imersão em líquido

A figura 1 mostra um sistema composto de dois blocos, A e B, em equilíbrio estático e interligados por um fio inextensível de massa desprezível. A roldana pode girar livremente sem atrito.

Figura da questão 14 de Física — UFSCar 2002

Se o bloco A for totalmente imerso num líquido de densidade menor que a do bloco, como mostrado na figura 2, pode-se afirmar que

Figura da questão 14 de Física — UFSCar 2002
A)o bloco A descerá em movimento uniforme até atingir o fundo do recipiente quando, então, o sistema voltará ao equilíbrio estático.
B)o bloco B descerá em movimento acelerado até que o bloco A saia totalmente do líquido quando, então, o sistema voltará a entrar em equilíbrio estático.
C)o bloco B descerá em movimento acelerado até que o bloco A saia totalmente do líquido passando, então, a descer em movimento uniforme.
D)o bloco B descerá em movimento uniforme até que a superfície do bloco A atinja a superfície do líquido passando, então, a sofrer uma desaceleração e parando quando o bloco A estiver totalmente fora do líquido.
E)o bloco B descerá em movimento acelerado até que uma parte do bloco A saia do líquido passando, então, a sofrer uma desaceleração até atingir o equilíbrio estático.

Gabarito

C
Resolução

Na figura 1, o equilíbrio estático significa $P_A=P_B$ (a tração é a mesma nos dois lados da roldana ideal).

Com A totalmente imerso, o empuxo $E$ reduz a força que sustenta o fio do lado de A: o "peso aparente" de A passa a ser $P_A-E\lt P_B$. A resultante sobre o sistema deixa de ser nula e B desce acelerando, puxando A para cima.

Enquanto A está totalmente imerso, o empuxo é constante e a aceleração também. Quando A sai do líquido, o empuxo some, as forças voltam a se equilibrar ($P_A=P_B$) e a resultante é nula. Como o sistema já está em movimento, ele segue em movimento uniforme (primeira lei de Newton), sem voltar ao repouso.

Q15
Termologia — Termodinâmica — Expansão rápida de gás ideal

Uma pequena quantidade de um gás ideal é mantida hermeticamente fechada dentro de um cilindro rígido dotado de um êmbolo. Puxando-se rapidamente o êmbolo, verifica-se uma diminuição na temperatura do gás. Em relação à transformação sofrida por este gás, é verdadeiro afirmar que

A)o volume aumentou, num processo isobárico.
B)a pressão diminuiu, num processo isovolumétrico.
C)o volume aumentou, num processo isotérmico.
D)o volume aumentou proporcionalmente mais do que a pressão diminuiu.
E)a pressão diminuiu proporcionalmente mais do que o volume aumentou.

Gabarito

E
Resolução

Puxar o êmbolo aumenta o volume ($V$ cresce). A transformação é rápida, quase adiabática, e a temperatura cai, o que exclui processos isotérmicos e isobáricos (gás aquecendo ao expandir-se) e isovolumétricos (volume constante).

Pela equação de estado, $\dfrac{pV}{T}=\text{constante}$. Como $T$ diminuiu, o produto $pV$ também diminuiu. Se $V$ aumentou e $pV$ diminuiu, a pressão diminuiu proporcionalmente mais do que o volume aumentou.

Q16
Óptica — Espelhos e lentes — Identificação do elemento óptico

A figura representa um objeto e a sua imagem conjugada por um elemento óptico que, na figura, está oculto pelo retângulo riscado. As distâncias do objeto e da imagem ao elemento não estão em escala.

Figura da questão 16 de Física — UFSCar 2002

Esse elemento óptico pode ser

A)um espelho plano.
B)um espelho côncavo.
C)um espelho convexo.
D)uma lente convergente.
E)uma lente divergente.

Gabarito

C
Resolução

Na figura, a imagem é direita (mesma orientação do objeto) e menor que o objeto, e se forma do lado oposto do elemento.

Espelho plano forma imagem do mesmo tamanho. Espelho côncavo e lente convergente só dão imagem menor se for real e invertida. A lente divergente dá imagem direita e menor, mas do mesmo lado do objeto. O espelho convexo conjuga imagem virtual, direita e menor, que parece estar atrás do espelho, do lado oposto ao do objeto, como na figura.

Q17
Ondulatória — Pulsos em cordas — Reflexão e interferência

Dois pulsos, A e B, são produzidos em uma corda esticada, que tem uma extremidade fixada numa parede, conforme mostra a figura.

Figura da questão 17 de Física — UFSCar 2002

Quando os dois pulsos se superpuserem, após o pulso A ter sofrido reflexão na parede, ocorrerá interferência

A)construtiva e, em seguida, os dois pulsos seguirão juntos no sentido do pulso de maior energia.
B)construtiva e, em seguida, cada pulso seguirá seu caminho, mantendo suas características originais.
C)destrutiva e, em seguida, os pulsos deixarão de existir, devido à absorção da energia durante a interação.
D)destrutiva e, em seguida, os dois pulsos seguirão juntos no sentido do pulso de maior energia.
E)destrutiva e, em seguida, cada pulso seguirá seu caminho, mantendo suas características originais.

Gabarito

E
Resolução

Na extremidade fixa a reflexão inverte o pulso: A volta com a elevação para baixo (inversão de fase), enquanto B, que ainda não refletiu, tem a elevação para cima. Quando os dois se superpõem, os deslocamentos têm sinais opostos e se subtraem: interferência destrutiva.

A superposição é momentânea. Após se cruzarem, cada pulso prossegue com sua forma e velocidade originais (princípio da independência da propagação ondulatória). A energia não se perde: no instante do cancelamento, ela está na forma de energia cinética das partículas da corda.

Q18
Eletricidade — Eletrostática — Eletrização por atrito e série triboelétrica

Atritando vidro com lã, o vidro se eletriza com carga positiva e a lã com carga negativa. Atritando algodão com enxofre, o algodão adquire carga positiva e o enxofre, negativa. Porém, se o algodão for atritado com lã, o algodão adquire carga negativa e a lã, positiva. Quando atritado com algodão e quando atritado com enxofre, o vidro adquire, respectivamente, carga elétrica

A)positiva e positiva.
B)positiva e negativa.
C)negativa e positiva.
D)negativa e negativa.
E)negativa e nula.

Gabarito

A
Resolução

Em cada atrito, o material que fica positivo cede elétrons ao outro. Ordenando do que mais tende a ficar positivo para o que mais tende a ficar negativo: vidro e lã (vidro positivo); lã e algodão (lã positiva); algodão e enxofre (algodão positivo). Logo a série é: vidro, lã, algodão, enxofre.

O vidro está acima de algodão e de enxofre nessa série, então fica positivo nas duas situações.

Q19
Eletricidade — Eletrodinâmica — Curto-circuito em lâmpadas em paralelo

No esquema, A, B e C são três lâmpadas idênticas e 1 e 2 são chaves interruptoras. Inicialmente, as três lâmpadas se encontram acesas e as chaves abertas. O circuito está ligado a um gerador que fornece uma tensão $U$ entre os pontos X e Y.

Figura da questão 19 de Física — UFSCar 2002

Supondo que os fios de ligação e as chaves interruptoras, quando fechadas, apresentam resistências elétricas desprezíveis, assinale a alternativa verdadeira.

A)Se a chave 1 for fechada, só as lâmpadas B e C permanecerão acesas.
B)Se as chaves 1 e 2 forem fechadas, só a lâmpada B permanecerá acesa.
C)Se as chaves 1 e 2 forem fechadas, a lâmpada B queimará.
D)Se a chave 2 for fechada, nenhuma lâmpada permanecerá acesa.
E)Se a chave 2 for fechada, as lâmpadas A e B brilharão com maior intensidade.

Gabarito

D
Resolução

Cada chave, ao fechar, liga o fio superior (lado de X) ao fio inferior (lado de Y) por um caminho de resistência desprezível. Isso cria um curto-circuito entre os pontos X e Y.

Com o curto, a tensão sobre cada lâmpada é praticamente nula e toda a corrente passa pela chave. Nenhuma lâmpada permanece acesa, independentemente de qual chave seja fechada.

Q20
Magnetismo — Ímãs — Interação entre barras e polos magnéticos

Um menino encontrou três pequenas barras homogêneas e, brincando com elas, percebeu que, dependendo da maneira como aproximava uma da outra, elas se atraíam ou se repeliam. Marcou cada extremo das barras com uma letra e manteve as letras sempre voltadas para cima, conforme indicado na figura.

Figura da questão 20 de Física — UFSCar 2002

Passou, então, a fazer os seguintes testes:

I. aproximou o extremo B da barra 1 com o extremo C da barra 2 e percebeu que ocorreu atração entre elas;
II. aproximou o extremo B da barra 1 com o extremo E da barra 3 e percebeu que ocorreu repulsão entre elas;
III. aproximou o extremo D da barra 2 com o extremo E da barra 3 e percebeu que ocorreu atração entre elas.

Verificou, ainda, que nos casos em que ocorreu atração, as barras ficaram perfeitamente alinhadas. Considerando que, em cada extremo das barras representado por qualquer uma das letras, possa existir um único pólo magnético, o menino concluiu, corretamente, que

A)as barras 1 e 2 estavam magnetizadas e a barra 3 desmagnetizada.
B)as barras 1 e 3 estavam magnetizadas e a barra 2 desmagnetizada.
C)as barras 2 e 3 estavam magnetizadas e a barra 1 desmagnetizada.
D)as barras 1, 2 e 3 estavam magnetizadas.
E)necessitaria de mais um único teste para concluir sobre a magnetização das três barras.

Gabarito

B
Resolução

Repulsão só ocorre entre dois ímãs de polos de mesmo nome. Então, no teste II, as barras 1 e 3 estão magnetizadas e os extremos B e E têm o mesmo polo.

Se a barra 2 também fosse um ímã, suas extremidades C e D teriam polos opostos. O teste I (atração B–C) daria C de polo contrário a B; o teste III (atração D–E) daria D de polo contrário a E. Como B e E têm o mesmo polo, C e D teriam o mesmo polo, o que contradiz a existência de dois polos diferentes na mesma barra. Logo, a barra 2 não está magnetizada: ela é atraída por induzir-se no campo de um ímã, e as barras se alinham.

Q36
Mecânica — Dinâmica — Forças internas e Leis de Newton (eletroímã)

Inspirado por uma descrição feita no livro Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand, na qual a personagem Cyrano descreve várias maneiras de se chegar à Lua, um jovem inventor construiu uma "engenhoca" que lhe permitiria voar. Esta consistia num enorme eletroímã, fixado numa estrutura feita de material não metálico, leve e resistente, uma base de metal, uma fonte de energia elétrica e sistemas de propulsão para poder se deslocar na horizontal. Fazendo circular uma corrente elétrica através do eletroímã, este atrairia a base de metal, fixada na estrutura, e o sistema todo subiria. A força magnética poderia ser controlada aumentando-se ou diminuindo-se a intensidade da corrente elétrica no eletroímã.

Figura da questão 36 de Física — UFSCar 2002
a)

Copie o desenho da "engenhoca" no caderno de respostas. Faça um esquema mostrando as forças que agem sobre o eletroímã e sobre a base de metal, no momento em que uma corrente elétrica circula pelo eletroímã. Identifique cada uma dessas forças.

Resposta Sobre o eletroímã: peso e a força magnética que a base exerce sobre ele (para baixo), além da força de sustentação da estrutura. Sobre a base: peso e a força magnética do eletroímã (para cima), além da força de fixação da estrutura. As duas forças magnéticas formam um par ação e reação.
b)

Embora bastante criativa, na prática a "engenhoca" não sairia do chão, mesmo que a força magnética fosse muito intensa. Explique, baseado em conceitos e leis da Física, o motivo de ela não funcionar para o objetivo pretendido.

Resposta A força magnética é interna ao sistema: o par ação e reação tem módulos iguais e sentidos opostos e se cancela, de modo que a resultante externa continua sendo apenas o peso e a normal do solo.
Resolução

a) O eletroímã atrai a base com uma força magnética $\vec F$ (sobre a base, orientada para cima). Pela Terceira Lei de Newton, a base atrai o eletroímã com uma força $-\vec F$ (orientada para baixo), de mesmo módulo. Além disso, cada parte sofre seu peso e as forças trocadas com a estrutura que as une.

b) Considerando a "engenhoca" inteira (eletroímã, estrutura e base) como um único sistema, $\vec F$ e $-\vec F$ são forças internas. Elas se cancelam na soma e não alteram a quantidade de movimento do centro de massa. As únicas forças externas são o peso e a reação normal do solo. Sem uma força externa para cima maior que o peso, o sistema não decola, por mais intensa que seja a corrente.

Resposta: a) Sobre o eletroímã: peso e a força magnética que a base exerce sobre ele (para baixo), além da força de sustentação da estrutura. Sobre a base: peso e a força magnética do eletroímã (para cima), além da força de fixação da estrutura. As duas forças magnéticas formam um par ação e reação.; b) A força magnética é interna ao sistema: o par ação e reação tem módulos iguais e sentidos opostos e se cancela, de modo que a resultante externa continua sendo apenas o peso e a normal do solo.

Q37
Mecânica — Trabalho e energia — Energia dissipada em pêndulo (brinquedo de parque)

Num tipo de brinquedo de um parque de diversões, uma pessoa é içada por um cabo de aço até uma determinada altura, estando presa a um segundo cabo. Solta do cabo que a içou, passa a oscilar como um pêndulo simples. Considere uma pessoa de 60 kg que, solta com velocidade nula da altura de 53 m em relação ao solo, passa pelo ponto mais próximo do solo a apenas 2 m e sobe até atingir a altura de 43 m, quando sua velocidade anula-se novamente. Nesse percurso completa meia oscilação. Adote $g=10$ m/s².

a)

Qual o valor da energia mecânica dissipada na oscilação da pessoa entre os dois pontos mais afastados do solo, descritos no problema?

Resposta 6000 J (6,0 kJ).
b)

Esse brinquedo permite que até três pessoas realizem o "vôo" conjuntamente, presas à extremidade do mesmo cabo de aço. Se, em vez de apenas uma pessoa de 60 kg, fossem três pessoas de 60 kg cada que estivessem oscilando juntas e considerando desprezível todo tipo de atrito envolvido no movimento, mostre o que ocorreria com a velocidade do grupo de pessoas, no ponto mais próximo ao solo, comparada com a velocidade de uma pessoa sozinha passando por esse mesmo ponto.

Resposta Seria a mesma, $v=\sqrt{2g\,\Delta h}\approx32$ m/s, independente da massa.
Resolução

a) Nos dois pontos mais afastados do solo a velocidade é nula, então só há energia potencial: $E_1=mgh_1$ e $E_2=mgh_2$. A energia dissipada é $\Delta E=mg\,(h_1-h_2)=60\cdot10\cdot(53-43)=6000$ J.

b) Sem atrito, a energia mecânica se conserva: $mg\,(53-2)=\dfrac{mv^2}{2}$, de onde $v=\sqrt{2g\cdot51}=\sqrt{1020}\approx32$ m/s. A massa $m$ se cancela na equação, e a velocidade no ponto mais baixo é a mesma para uma pessoa ou para três juntas.

Resposta: a) 6000 J (6,0 kJ).; b) Seria a mesma, $v=\sqrt{2g\,\Delta h}\approx32$ m/s, independente da massa.

Q38
Termologia — Calorimetria — Mistura de água e gelo e efeito da pressão

Um exercício sobre trocas de calor propunha que 235 g de água, a temperatura de 25 ºC e a pressão de 1 atm, fossem misturadas a 63 g de gelo, à temperatura de –18 ºC, num calorímetro ideal mantido sob agitação. Para resolvê-lo, um estudante testou as cinco hipóteses seguintes:

hipótesem (g)t (ºC)
1. Não ocorre mudança de fase.—19,9
2. Toda a massa de gelo sofre fusão e a água resultante dessa fusão aumenta de temperatura.—0,9
3. Parte da massa do gelo sofre fusão.66,40,0
4. Parte da massa de água solidifica.– 66,40,0
5. Toda a massa de água solidifica e a temperatura do gelo resultante diminui.—161,8

onde: $m$ = massa que sofre mudança de fase e $t$ = temperatura de equilíbrio.

a)

Considerando que os cálculos realizados pelo estudante estejam corretos, justifique qual das hipóteses acima fornece um resultado possível de ocorrer experimentalmente, nas condições propostas pelo exercício.

Resposta Hipótese 2: toda a massa de gelo funde e o equilíbrio ocorre a 0,9 °C.
b)

Sabendo-se que a temperatura de fusão do gelo é inversamente proporcional à pressão, explique o que ocorreria com a temperatura de equilíbrio e com a massa da substância que sofre mudança de fase, se a pressão no calorímetro fosse superior a 1 atm. Suponha que os valores dos calores específicos e dos calores latentes específicos não dependam da pressão e da temperatura.

Resposta A massa que muda de fase continua sendo toda a do gelo (63 g), e a temperatura de equilíbrio ficaria um pouco menor que 0,9 °C.
Resolução

a) Analisando cada hipótese: a 1 (19,9 °C, sem mudança de fase) é incoerente, pois a água a 25 °C cede muito mais calor do que o gelo precisa para chegar a 0 °C, e o gelo fundiria. A 3 exigiria fundir 66,4 g, mais do que os 63 g de gelo existentes. A 4 resulta em massa negativa, ou seja, contradiz a própria hipótese de solidificação. A 5 resulta em 161,8 °C, temperatura acima das duas temperaturas iniciais (25 °C e –18 °C), o que é impossível. Resta a 2, com equilíbrio a 0,9 °C, entre 0 °C e 25 °C.

Verificando por balanço: aquecer o gelo até 0 °C custa $63\cdot0{,}5\cdot18=567$ cal e fundi-lo, $63\cdot80=5040$ cal, total de 5607 cal. A água, ao esfriar a 0 °C, libera $235\cdot1\cdot25=5875$ cal, ou seja, mais que o necessário. Sobram 268 cal, que elevam a temperatura de toda a mistura (298 g) em cerca de 0,9 °C. Vale a hipótese 2.

b) Com pressão maior que 1 atm, a temperatura de fusão do gelo fica abaixo de 0 °C. O gelo precisa de menos calor para atingir a nova temperatura de fusão (esquenta menos). Como a hipótese 2 já tinha sobra de energia, todo o gelo continua fundindo: a massa que muda de fase permanece 63 g. A água resultante, porém, precisa ser aquecida desde essa temperatura de fusão, menor que 0 °C, até 0 °C antes de elevar a temperatura do conjunto. Como o calor específico da água (1,0 cal/g·°C) é o dobro do do gelo (0,5 cal/g·°C), esse aquecimento consome mais energia do que o gelo poupou ao esquentar menos. Sobram então menos que as 268 cal do item (a) para aquecer a mistura, e a temperatura final fica menor que 0,9 °C.

Observação: dizer que a temperatura de fusão é "inversamente proporcional" à pressão é impreciso; o correto é que ela é uma função decrescente da pressão.

Resposta: a) Hipótese 2: toda a massa de gelo funde e o equilíbrio ocorre a 0,9 °C.; b) A massa que muda de fase continua sendo toda a do gelo (63 g), e a temperatura de equilíbrio ficaria um pouco menor que 0,9 °C.

Q39
Óptica — Refração e lentes — Tubo de ensaio como lente cilíndrica

Em uma experiência, um professor entregou a seus alunos um tubo de ensaio contendo água e óleo, separados por uma borracha de vedação, e uma folha de papel com a inscrição "ÁGUA DE COCO" (figura 1). A experiência consistia em colocar o tubo de ensaio sobre a inscrição, a alguns centímetros acima dela, e explicar o resultado observado (figura 2).

Figura da questão 39 de Física — UFSCar 2002

As três respostas seguintes foram retiradas dos relatórios dos alunos.

1 – "Como o índice de refração da água é maior que o do óleo, a parte do tubo que contém água funciona como uma lente convergente e por isso a imagem da palavra ÁGUA aparece de ponta-cabeça. A parte que contém óleo funciona como uma lente divergente e, por isso, a palavra COCO não aparece de ponta-cabeça."

2 – "O tubo de ensaio funciona como uma lente cilíndrica convergente, tanto na parte que contém água quanto na que contém óleo. Como a distância do objeto à lente é maior que a distância focal desta, a imagem da palavra ÁGUA aparece de ponta-cabeça. A palavra COCO também está de ponta-cabeça, embora pareça estar correta."

3 – "A palavra ÁGUA aparece de ponta-cabeça porque a luz branca, refletida pelas letras, sofre refração ao atravessar o tubo de ensaio o qual funciona como uma lente cilíndrica. Esse efeito não ocorre com a palavra COCO porque ela foi escrita com letras pretas, que absorvem a luz que nelas incide. Assim, como elas não refletem luz, não ocorre refração e a palavra não aparece de ponta-cabeça."

a)

Comente, separadamente, cada uma das três justificativas dos alunos para explicar o efeito observado na figura 2. Diga se cada uma está correta ou errada e, quando for o caso, qual foi o erro cometido pelo aluno.

Resposta 1: errada. 2: correta. 3: errada.
b)

Se o tubo de ensaio tivesse sido colocado diretamente sobre a inscrição, em vez de ter sido colocado distante dela, como seriam as imagens observadas quanto ao tamanho, à orientação e à natureza?

Resposta Virtuais, direitas e maiores que as letras originais.
Resolução

a) Justificativa 1: errada. O óleo também tem índice de refração maior que o do ar (em geral até maior que o da água), então a parte com óleo é igualmente uma lente cilíndrica convergente, não divergente. A conclusão de que COCO não está de ponta-cabeça também falha.

Justificativa 2: correta. Em ambas as partes o tubo cheio de líquido, imerso no ar, atua como lente cilíndrica convergente. Como o objeto está além do foco, a imagem é real e invertida. COCO também está invertida; como as letras C e O são simétricas em relação ao eixo horizontal, a palavra parece normal.

Justificativa 3: errada. As letras pretas absorvem luz, mas o que forma a imagem é a luz refletida pelo papel branco ao redor delas, que atravessa o tubo e sofre refração em ambas as partes. A imagem de COCO se forma invertida, assim como a de ÁGUA.

b) Com o tubo encostado no papel, o objeto fica entre a lente e seu foco ($p\lt f$). A imagem é virtual, direita e maior que o objeto, como em uma lupa.

Resposta: a) 1: errada. 2: correta. 3: errada.; b) Virtuais, direitas e maiores que as letras originais.

Q40
Eletricidade — Eletrodinâmica — Gerador, resistores e amperímetros ideais

O circuito mostra três resistores de mesma resistência $R=9\ \Omega$, ligados a um gerador de f.e.m. $E$ e resistência interna $r=1\ \Omega$, além de dois amperímetros ideais, $A_1$ e $A_2$. A corrente elétrica que passa pelo ponto X é de 3 ampères e a d.d.p. nos terminais do gerador é de 9 volts. Os fios de ligação apresentam resistência elétrica desprezível.

Figura da questão 40 de Física — UFSCar 2002

Calcule:

a)

o valor da f.e.m. $E$ do gerador e a potência total dissipada pelo circuito, incluindo a potência dissipada pela resistência interna do gerador e

Resposta $E=12$ V e $P_{total}=36$ W.
b)

os valores das correntes elétricas que atravessam os amperímetros $A_1$ e $A_2$.

Resposta $i_{A_1}=2$ A e $i_{A_2}=2$ A.
Resolução

a) Pela equação do gerador, $U=E-ri$: $9=E-1\cdot3$, logo $E=12$ V. A potência total gerada, que é a dissipada no circuito completo (resistores mais resistência interna), é $P=E\,i=12\cdot3=36$ W. Conferência: $9\cdot3=27$ W nos resistores externos e $r\,i^2=9$ W no gerador, total de 36 W.

b) Os amperímetros ideais têm resistência nula, então cada um liga dois pontos de mesmo potencial. $A_1$ une o nó de entrada (esquerda) ao nó de baixo, e $A_2$ une o nó de cima ao nó da direita. Assim, ficam só dois potenciais distintos no circuito, e os três resistores $R$ estão em paralelo entre eles. A resistência equivalente é $\dfrac{R}{3}=3\ \Omega$, e $\dfrac{9\text{ V}}{3\ \Omega}=3$ A, coerente com o enunciado. Cada resistor é percorrido por 1 A.

No nó da esquerda chegam 3 A: 1 A segue pelo resistor de cima e os 2 A restantes pelo amperímetro $A_1$. No nó de cima chegam 1 A do resistor superior e 1 A do resistor central, e esses 2 A escoam pelo amperímetro $A_2$. Logo, $i_{A_1}=i_{A_2}=2$ A.

Resposta: a) $E=12$ V e $P_{total}=36$ W.; b) $i_{A_1}=2$ A e $i_{A_2}=2$ A.

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