UFSCar 2005 — Questões de Física comentadas — Método TEF
Universidade Federal de São Carlos
Vestibular 2005 · questões de Física (Q11-20 e Q36-40) — resolução comentada Método TEF.
Instituição UFSCar
Processo seletivo Vestibular UFSCar 2005
Prova 1ª parte: 30 questões de múltipla escolha · 2ª parte: discursivas (Biologia, Física e Geografia)
Física Questões 11–20 e 36–40
Q11
Mecânica — Dinâmica — Inércia: Calvin sem gravidade
Leia a tirinha. (Na tirinha Calvin e Haroldo, de Bill Watterson, Calvin levita de sua cama e, no último quadro, diz: "Não pude ler a lição porque meus pais esqueceram de pagar a conta da gravidade".)
Imagine que Calvin e sua cama estivessem a céu aberto, em repouso sobre um ponto P do equador terrestre, no momento em que a gravidade foi "desligada" por falta de pagamento da conta.
A)
B)
C)
D)
E)
Gabarito
C
Resolução
Sem a gravidade, o garoto não tem mais a força que o mantinha preso à Terra e, sem nenhuma outra força atuando, ele segue em movimento retilíneo uniforme (1ª lei de Newton), com a velocidade que tinha no instante em que a gravidade foi desligada.
No instante "desligado", ele acompanhava a rotação do planeta, então sua velocidade é tangente à superfície em P, no sentido da rotação. Daí em diante, Calvin segue em linha reta ao longo dessa tangente, saindo para fora da Terra.
A Terra continua girando, e o ponto P vai para P' algumas horas depois. A posição de Calvin fica sobre a reta tangente traçada em P, na mesma altura do ponto P original, deslocada no sentido da rotação, e não acima de P nem junto a P'.
Q12
Cinemática — MRUV — Velocidade inicial a partir do deslocamento até parar
Em um piso horizontal um menino dá um empurrão em seu caminhãozinho de plástico. Assim que o contato entre o caminhãozinho e a mão do menino é desfeito, observa-se que em um tempo de 6 s o brinquedo foi capaz de percorrer uma distância de 9 m até cessar o movimento. Se a resistência oferecida ao movimento do caminhãozinho se manteve constante, a velocidade inicial obtida após o empurrão, em m/s, foi de
A)1,5.
B)3,0.
C)4,5.
D)6,0.
E)9,0.
Gabarito
B
Resolução
A resistência é constante, então a desaceleração é constante (MRUV) até a velocidade zero. Nesse caso a velocidade média é a média aritmética das velocidades inicial e final: $v_m=\dfrac{v_0+0}{2}$.
O deslocamento é $\Delta s=v_m\,t=\dfrac{v_0}{2}\,t$, então $9=\dfrac{v_0}{2}\times6$, o que dá $v_0=3{,}0$ m/s.
Q13
Hidrostática — Pressão — Garrafa térmica acionada por fole
Na garrafa térmica representada pela figura, uma pequena sanfona de borracha (fole), ao ser pressionada suavemente, empurra o ar contido em seu interior, sem impedimentos, para dentro do bulbo de vidro, onde um tubo vertical ligando o fundo do recipiente à base da tampa permite a retirada do líquido contido na garrafa.
Considere que o fole está pressionado em uma posição fixa e o líquido está estacionado no interior do tubo vertical próximo à saída. Pode-se dizer que, nessas condições, as pressões nos pontos 1, 2, 3 e 4 relacionam-se por
A)$P_1=P_2>P_3>P_4$.
B)$P_1=P_4>P_2=P_3$.
C)$P_1=P_2=P_3>P_4$.
D)$P_1>P_2>P_3>P_4$.
E)$P_1>P_4>P_3>P_2$.
Gabarito
C
Resolução
O ar do fole (ponto 1) está ligado, sem impedimentos, ao ar do bulbo acima do líquido (ponto 2). Em gases a diferença de pressão por diferença de altura é desprezível, logo $P_1=P_2$.
O ponto 3 está dentro do líquido, na mesma altura de 2, na superfície livre, de modo que $P_3=P_2$ (mesmo nível, mesmo fluido em equilíbrio).
O líquido no tubo está parado perto da saída, com o ponto 4 num nível mais alto do que a superfície. Pelo teorema de Stevin, a pressão diminui com a altura no líquido: $P_4=P_3-\rho g h$, portanto $P_4\lt P_3$.
Q14
Termologia — Termodinâmica — Expansão adiabática do ar da boca
Mantendo uma estreita abertura em sua boca, assopre com vigor sua mão agora! Viu? Você produziu uma transformação adiabática! Nela, o ar que você expeliu sofreu uma violenta expansão, durante a qual
A)o trabalho realizado correspondeu à diminuição da energia interna desse ar, por não ocorrer troca de calor com o meio externo.
B)o trabalho realizado correspondeu ao aumento da energia interna desse ar, por não ocorrer troca de calor com o meio externo.
C)o trabalho realizado correspondeu ao aumento da quantidade de calor trocado por esse ar com o meio, por não ocorrer variação da sua energia interna.
D)não houve realização de trabalho, uma vez que o ar não absorveu calor do meio e não sofreu variação de energia interna.
E)não houve realização de trabalho, uma vez que o ar não cedeu calor para o meio e não sofreu variação de energia interna.
Gabarito
A
Resolução
Na transformação adiabática, $Q=0$. Pela primeira lei da termodinâmica, $\Delta U=Q-W=-W$.
Numa expansão o gás realiza trabalho sobre o meio ($W>0$), logo $\Delta U<0$: o trabalho é feito às custas da energia interna do ar, que diminui, e por isso o ar sai mais frio, o que você sente na mão.
Q15
Óptica — Espelhos esféricos — Espelho côncavo e observador próximo do objeto
Uma mocinha possuía um grande espelho esférico côncavo que obedecia às condições de estigmatismo de Gauss. Com seu espelho, de raio de curvatura 3,0 m, estava acostumada a observar recentes cravos e espinhas. Certo dia, sem que nada se interpusesse entre ela e seu espelho, observando-o diretamente, a uma distância de 2,0 m da superfície refletora e sobre o eixo principal,
A)não pôde observar a imagem de seu rosto, que é de tamanho menor e em posição invertida.
B)não pôde observar a imagem de seu rosto, que é de tamanho maior e em posição invertida.
C)pôde observar a imagem de seu rosto em tamanho reduzido e disposta em posição direita.
D)pôde observar a imagem de seu rosto em tamanho ampliado e disposta em posição direita.
E)pôde observar a imagem de seu rosto em tamanho ampliado e disposta em posição invertida.
Gabarito
B
Resolução
A distância focal é $f=\dfrac R2=1{,}5$ m. O rosto está a $p=2{,}0$ m, entre $f$ e $2f$ (que vale 3,0 m).
Pela equação de Gauss, $\dfrac1{p'}=\dfrac1f-\dfrac1p=\dfrac1{1{,}5}-\dfrac1{2{,}0}=\dfrac{1}{6}$, então $p'=6{,}0$ m. A imagem é real, invertida e ampliada ($A=-p'/p=-3$), situada a 6 m do espelho.
Uma imagem real só pode ser vista por um observador que esteja além dela, recebendo a luz que já convergiu e agora diverge. A mocinha está a 2 m, entre o espelho e a imagem, onde os raios ainda estão convergindo. Seu olho, ali, não consegue formar essa imagem na retina.
Q16
Óptica — Refração — Feixe de luz em laguinho cheio de água
Um canhão de luz foi montado no fundo de um laguinho artificial. Quando o lago se encontra vazio, o feixe produzido corresponde ao representado na figura.
Quando cheio de água, uma vez que o índice de refração da luz na água é maior que no ar, o esquema que melhor representa o caminho a ser seguido pelo feixe de luz é
A)
B)
C)
D)
E)
Gabarito
B
Resolução
Com o lago cheio, o canhão fica imerso e o feixe, agora dentro da água, segue em linha reta até a superfície água-ar. O raio incide na superfície com o ângulo que tinha em relação à vertical, vindo de um meio de maior índice ($n_{água}$) para um de menor ($n_{ar}$).
Pela lei de Snell, $n_{água}\,\text{sen}\,\theta_i=n_{ar}\,\text{sen}\,\theta_r$. Como $n_{água}>n_{ar}$, $\theta_r>\theta_i$: o raio se afasta da normal, saindo mais inclinado (mais próximo da horizontal) do que o prolongamento do feixe original (tracejado).
Os dois raios do feixe são desviados do mesmo modo, e o feixe emerge da superfície da água, e não do fundo, com direção mais rasante que a original.
Q17
Ondulatória — Ondas estacionárias — Modos de vibração de um viaduto
Com o carro parado no congestionamento sobre o centro de um viaduto, um motorista pôde constatar que a estrutura deste estava oscilando intensa e uniformemente. Curioso, pôs-se a contar o número de oscilações que estavam ocorrendo. Conseguiu contar 75 sobes e desces da estrutura no tempo de meio minuto, quando teve que abandonar a contagem devido ao reinício lento do fluxo de carros.
Mesmo em movimento, observou que conforme percorria lentamente a outra metade a ser transposta do viaduto, a amplitude das oscilações que havia inicialmente percebido gradativamente diminuía, embora mantida a mesma relação com o tempo, até finalmente cessar na chegada em solo firme. Levando em conta essa medição, pode-se concluir que a próxima forma estacionária de oscilação desse viaduto deve ocorrer para a freqüência, em Hz, de
A)15,0.
B)9,0.
C)7,5.
D)5,0.
E)2,5.
Gabarito
D
Resolução
A freqüência medida foi $f=\dfrac{75}{30}=2{,}5$ Hz.
O viaduto, apoiado nas duas extremidades (nós), oscila com a amplitude máxima no centro e nula nos apoios, de modo que a oscilação observada é o modo fundamental: $f_1=2{,}5$ Hz.
Para uma estrutura fixa nas duas pontas, as freqüências dos modos estacionários são $f_n=n\,f_1$. O modo seguinte, o 2º harmônico (com um nó no centro), tem $f_2=2f_1=5{,}0$ Hz.
Q18
Eletricidade — Eletrostática — Eletrização por contato e por indução
Considere dois corpos sólidos envolvidos em processos de eletrização. Um dos fatores que pode ser observado tanto na eletrização por contato quanto na por indução é o fato de que, em ambas,
A)torna-se necessário manter um contato direto entre os corpos.
B)deve-se ter um dos corpos ligado temporariamente a um aterramento.
C)ao fim do processo de eletrização, os corpos adquirem cargas elétricas de sinais opostos.
D)um dos corpos deve, inicialmente, estar carregado eletricamente.
E)para ocorrer, os corpos devem ser bons condutores elétricos.
Gabarito
D
Resolução
Na eletrização por contato, o corpo neutro recebe carga de outro que já está eletrizado. Na por indução, um indutor eletrizado, apenas aproximado, separa as cargas do induzido, e é a ligação à terra que o deixa carregado. Portanto, nos dois casos é preciso partir de um corpo eletrizado.
O contato direto existe só na eletrização por contato (na indução o indutor não toca o induzido). O aterramento é típico da indução. Os sinais finais são iguais no contato e opostos na indução. Já a exigência de bons condutores vale para o induzido que se carrega, mas não para os corpos em geral.
Q19
Eletricidade — Geradores — Curva característica U × i do gerador
Com respeito aos geradores de corrente contínua e suas curvas características $U\times i$, analise as afirmações seguintes:
I. Matematicamente, a curva característica de um gerador é decrescente e limitada à região contida no primeiro quadrante do gráfico.
II. Quando o gerador é uma pilha em que a resistência interna varia com o uso, a partir do momento em que o produto dessa resistência pela corrente elétrica se iguala à força eletromotriz, a pilha deixa de alimentar o circuito.
III. Em um gerador real conectado a um circuito elétrico, a diferença de potencial entre seus terminais é menor que a força eletromotriz.
Está correto o contido em
A)I, apenas.
B)II, apenas.
C)I e II, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.
Gabarito
E
Resolução
A equação do gerador é $U=\varepsilon-r\,i$, uma reta decrescente que vai de $U=\varepsilon$ ($i=0$) até $U=0$ ($i=\varepsilon/r$, corrente de curto-circuito). Como $U$ e $i$ não são negativos num gerador funcionando, o gráfico fica no primeiro quadrante. A afirmação I está correta.
Quando $r\,i=\varepsilon$, $U=0$: a tensão fornecida ao circuito se anula e a pilha deixa de alimentá-lo. II está correta.
Com corrente, parte da energia é dissipada na resistência interna, então $U=\varepsilon-ri<\varepsilon$. III está correta.
Q20
Eletromagnetismo — Força entre condutores — Quatro fios percorridos por correntes
Quatro fios, submetidos a correntes contínuas de mesma intensidade e sentidos indicados na figura, são mantidos separados por meio de suportes isolantes em forma de X, conforme figura.
Observe as regiões indicadas:
Entre dois suportes, os fios 1, 2, 3 e 4 tendem a se movimentar, respectivamente, para as seguintes regiões do espaço:
A)A; A; C; C.
B)E; E; G; G.
C)D; B; B; D.
D)A; B; C; E.
E)I; J; L; M.
Gabarito
A
Resolução
Dois fios paralelos com correntes de mesmo sentido se atraem, e com sentidos opostos se repelem.
Os fios 1 e 2 têm correntes no mesmo sentido e se atraem: 1 é puxado para o lado de 2 e vice-versa, isto é, ambos tendem à região entre eles, de cima (A). Os fios 3 e 4 também têm correntes de mesmo sentido (contrário ao de 1 e 2) e se atraem, indo para a região de baixo (C).
Os pares de cima e de baixo têm correntes opostas e se repelem. Essa repulsão empurra o par de cima para cima (região A) e o de baixo para baixo (região C), reforçando o mesmo resultado.
Q36
Cinemática — MRUV — Sonorizadores em rodovia
Em algumas rodovias, em trechos retilíneos que antecedem cruzamentos ou curvas perigosas, a fim de induzir o motorista à diminuição de sua velocidade até um valor mais seguro, é aplicada em relevo sobre o asfalto uma seqüência de estreitas faixas perpendiculares ao traçado da pista, conhecidas por sonorizadores. Ao serem transpostos, os sonorizadores produzem o peculiar som "TRUNTRUM". Quando o motorista está consciente de que deve diminuir sua velocidade e o faz com a devida desaceleração, o intervalo de tempo entre um "TRUNTRUM" e o próximo é igual, quaisquer que sejam as duas faixas consecutivas transpostas. Se, contudo, o motorista não diminui a velocidade, os intervalos de tempo entre um som e o próximo começam a ficar progressivamente menores, comunicando sonoramente a iminência do perigo.
Uma seqüência de sete sonorizadores foi aplicada sobre uma rodovia, em um trecho no qual a velocidade deveria ser reduzida de 34 m/s para 22 m/s (aproximadamente, 120 km/h para 80 km/h). No projeto, a expectativa de tempo e velocidade em todo o trecho foi tabelada relativamente ao primeiro sonorizador.
t (s)
0
1
2
3
4
5
6
v (m/s)
34
32
30
28
26
24
22
Uma vez que foram distribuídas sete faixas sonorizadoras, de forma que a cada segundo, para um motorista que esteja obedecendo à sinalização, o veículo passa sobre uma delas, responda.
a)
Em termos das expressões usadas para classificar a velocidade e a aceleração em movimentos retilíneos uniformemente variados, escreva as duas possíveis classificações para o movimento de um veículo que inicia a passagem dessa seqüência de sonorizadores.
Resposta Movimento progressivo e retardado (trajetória orientada no sentido do movimento, $v>0$ e $a<0$) ou retrógrado e retardado (trajetória orientada contra o movimento, $v<0$ e $a>0$).
b)
Deixando expresso seu raciocínio, calcule a distância em metros, do primeiro ao sétimo sonorizador.
Resposta 168 m.
Resolução
a) A velocidade diminui em módulo: o movimento é retardado (o módulo de $v$ decresce, e $v$ e $a$ têm sinais contrários). Já o termo progressivo ou retrógrado depende da orientação da trajetória: se o veículo anda no sentido positivo, é progressivo ($v>0$, $a<0$); se anda no sentido negativo, é retrógrado ($v<0$, $a>0$). Por isso há duas classificações possíveis.
b) A tabela mostra que a velocidade cai 2 m/s a cada segundo, então $a=-2$ m/s². O veículo passa pelo primeiro sonorizador em $t=0$ e pelo sétimo em $t=6$ s.
Com $v_0=34$ m/s: $\Delta s=v_0t+\dfrac{a t^2}{2}=34\times6-\dfrac{2\times36}{2}=204-36=168$ m. Conferindo pela velocidade média: $\dfrac{34+22}{2}\times6=168$ m.
Resposta: a) Movimento progressivo e retardado (trajetória orientada no sentido do movimento, $v>0$ e $a retrógrado e retardado (trajetória orientada contra o movimento, $v 0$).; b) 168 m.
Q37
Mecânica — Trabalho e energia — Tubo suspenso sobre o executivo
Quino, criador da personagem Mafalda, é também conhecido por seus quadrinhos repletos de humor chocante. Aqui, o executivo do alto escalão está prestes a cair em uma armadilha fatal. (Na ilustração original de Quino, um grande tubo metálico pende de uma corda sobre um executivo de cartola, sentado entre tubulações.)
Considere que:
o centro de massa do tubo suspenso, relativamente à parte inferior do tubo, está localizado a uma distância igual à altura da cartola do executivo;
a distância do centro de massa do tubo até o topo da cartola é 3,2 m;
a vertical que passa pelo centro de massa do tubo passa também pela cabeça do executivo;
o tubo tem massa de 450 kg e, durante uma queda, não sofreria ação significativa da resistência do ar, descendo com aceleração de 10 m/s²;
comparativamente à massa do tubo, a corda tem massa que se pode considerar desprezível.
a)
Após esmagar a cartola, sem resistência significativa, com que velocidade, em m/s, o tubo atingiria a cabeça do executivo?
Resposta 8 m/s.
b)
Para preparar a armadilha, o tubo foi içado a 5,5 m do chão pela própria corda que posteriormente o sustentou. Determine o trabalho, em J, realizado pela força peso na ascensão do tubo.
a) O centro de massa do tubo cai $h=3{,}2$ m até a altura em que a cartola é esmagada e a cabeça do executivo está logo abaixo (a cartola mede a altura entre o centro de massa e a parte inferior do tubo). Sem resistência do ar, a aceleração é $g=10$ m/s² e o tubo parte do repouso. Pela equação de Torricelli, $v^2=2gh=2\times10\times3{,}2=64$, logo $v=8$ m/s.
b) Na subida, o peso aponta para baixo e o deslocamento é para cima: o trabalho do peso é negativo e vale $\tau_P=-mgh=-450\times10\times5{,}5=-24\,750$ J, ou seja, cerca de $-2{,}5\cdot10^{4}$ J. O trabalho positivo, igual em módulo, é realizado pela tração da corda.
Resposta: a) 8 m/s.; b) $-2{,}5\cdot10^{4}$ J (aproximadamente $-24\,750$ J).
Q38
Termologia — Calorimetria — Choque térmico e capacidade térmica do copo da mamadeira
Para completar a higienização, uma mãe ferve o bico da mamadeira e, depois de ferver, aguarda que ela retome a fervura. Verte, então, 250 mL dessa água dentro do copo da mamadeira, que mantém enrolado em um pano a fim de "conservar o calor". Aguarda o equilíbrio térmico e então joga fora a água.
a)
No passado, o copo das mamadeiras era feito de vidro. Em uma seqüência de ações como a descrita para escaldar a mamadeira, ao preencher parcialmente recipientes de vidro com água quente, esses podem se partir em dois pedaços, nitidamente separados na altura em que estava o nível d'água: um pedaço contendo a água aquecida e o outro seco. Qual o nome do processo físico relacionado? Explique a razão da ruptura de frascos de vidro submetidos a essas condições.
Resposta Dilatação térmica, por choque térmico. A parte do vidro em contato com a água quente se dilata e a parte seca, fria, não; essa dilatação desigual cria tensões que partem o vidro.
b)
Em determinado dia quente a mãe inicia um dos seus "processos de esterilização". Dentro do copo da mamadeira, que já se encontrava a 32 °C – temperatura ambiente –, derrama a água fervente que, devido à localização geográfica de seu bairro, ferve a 98 °C. Considerando que não houve perda de calor para o meio externo, se após o equilíbrio a água derramada estava a 92 °C e sabendo que a densidade da água é 1 g/mL e o calor específico é 1 cal/(g·°C), determine a capacidade térmica do copo da mamadeira.
Resposta $C=25$ cal/°C.
Resolução
a) O processo é a dilatação térmica, aqui um choque térmico. O vidro é mau condutor de calor: a região em contato com a água quente esquenta e se dilata, enquanto a região acima do nível, seca, continua fria e sem se dilatar. A diferença de dilatação entre as duas partes gera tensões mecânicas na fronteira (a altura do nível d'água) e o vidro se parte exatamente ali.
b) Considerando os 250 mL de água quente do enunciado: $m=250$ g. O calor cedido pela água, ao ir de 98 °C a 92 °C, é $Q_{água}=250\times1\times(98-92)=1\,500$ cal.
Esse calor é recebido pelo copo, que vai de 32 °C a 92 °C: $Q_{copo}=C\,(92-32)=60\,C$. Sem perdas, $60\,C=1\,500$, logo $C=25$ cal/°C.
Resposta: a) Dilatação térmica, por choque térmico. A parte do vidro em contato com a água quente se dilata e a parte seca, fria, não; essa dilatação desigual cria tensões que partem o vidro.; b) $C=25$ cal/°C.
Q39
Eletricidade — Eletrodinâmica — Fio ôhmico, potência e energia por gráficos
O laboratório de controle de qualidade em uma fábrica para aquecedores de água foi incumbido de analisar o comportamento resistivo de um novo material. Este material, já em forma de fio com secção transversal constante, foi conectado, por meio de fios de resistência desprezível, a um gerador de tensão contínua e a um amperímetro com resistência interna muito pequena, conforme o esquema.
Fazendo variar gradativa e uniformemente a diferença de potencial aplicada aos terminais do fio resistivo, foram anotados simultaneamente os valores da tensão elétrica e da corrente elétrica gerada no fio. Os resultados desse monitoramento permitiram a construção dos gráficos que seguem. Com os dados obtidos, um novo gráfico foi construído com a mesma variação temporal. Neste gráfico, os valores representados pelo eixo vertical correspondiam aos resultados dos produtos de cada valor de corrente e tensão, lidos simultaneamente nos aparelhos do experimento.
a)
Uma vez que a variação de temperatura foi irrelevante, pôde-se constatar que, para os intervalos considerados no experimento, o fio teve um comportamento ôhmico. Justifique esta conclusão e determine o valor da resistência elétrica, em Ω, do fio estudado.
Resposta A razão $U/i$ é constante (as retas são proporcionais ao tempo), logo o fio é ôhmico. $R=0{,}5\ \Omega$.
b)
No terceiro gráfico, qual é a grandeza física que está representada no eixo vertical? Para o intervalo de tempo considerado, qual o significado físico que se deve atribuir à área abaixo da curva obtida?
Resposta Potência elétrica ($P=U\,i$). A área é a energia elétrica dissipada no fio (calor por efeito Joule) no intervalo, $45$ J.
Resolução
a) Os dois gráficos são retas que passam pela origem: $i=0{,}1\,t$ (A) e $U=0{,}05\,t$ (V). A razão $\dfrac Ui=\dfrac{0{,}05\,t}{0{,}1\,t}=0{,}5\ \Omega$ é constante, isto é, $U$ é proporcional a $i$ (1ª lei de Ohm). O fio é ôhmico, com $R=\dfrac{1{,}5\ \text{V}}{3{,}0\ \text{A}}=0{,}5\ \Omega$.
b) O produto $U\cdot i$ é a potência elétrica $P$ (em W) fornecida ao fio. Como $P=\dfrac{\Delta E}{\Delta t}$, a área sob o gráfico $P\times t$ é a energia elétrica transformada em energia térmica (efeito Joule) no intervalo. Aqui $P=0{,}005\,t^2$, e a área vale $\int_0^{30}0{,}005\,t^2\,dt=0{,}005\times\dfrac{30^3}{3}=45$ J.
Resposta: a) A razão $U/i$ é constante (as retas são proporcionais ao tempo), logo o fio é ôhmico. $R=0{,}5\ \Omega$.; b) Potência elétrica ($P=U\,i$). A área é a energia elétrica dissipada no fio (calor por efeito Joule) no intervalo, $45$ J.
Q40
Magnetismo — Força magnética sobre carga — Elétron em campo uniforme
O professor de Física decidiu ditar um problema "para casa", faltando apenas um minuto para terminar a aula. Copiando apressadamente, um de seus alunos obteve a seguinte anotação incompleta:
Um elétron ejetado de um acelerador de partículas entra em uma câmara com velocidade de $8\times10^{5}$ m/s, onde atua um campo magnético uniforme de intensidade $2{,}0\times10^{-3}$ ............. .
a)
Determine a intensidade da força magnética que atua sobre o elétron ejetado, sendo a carga de um elétron $-1{,}6\times10^{-19}$ ............. . Sabendo que todas as unidades referidas no texto estavam no Sistema Internacional, quais as unidades que acompanham os valores $2{,}0\times10^{-3}$ e $-1{,}6\times10^{-19}$, nesta ordem?
Resposta Tesla (T) e coulomb (C), nesta ordem.
b)
Resolva a "lição de casa" para o aluno, considerando que as direções da velocidade e do campo magnético são perpendiculares entre si.
Resposta $F=2{,}6\times10^{-16}$ N (cerca de $2{,}56\times10^{-16}$ N).
Resolução
a) No SI, a intensidade do campo magnético é medida em tesla (T) e a carga elétrica, em coulomb (C).
b) Velocidade e campo são perpendiculares, então $\text{sen}\,90^\circ=1$ e $F=|q|\,v\,B=1{,}6\cdot10^{-19}\times8\cdot10^{5}\times2{,}0\cdot10^{-3}=2{,}56\cdot10^{-16}$ N, ou seja, cerca de $2{,}6\cdot10^{-16}$ N. Por ser perpendicular à velocidade, a força não realiza trabalho e apenas curva a trajetória do elétron.
Resposta: a) Tesla (T) e coulomb (C), nesta ordem.; b) $F=2{,}6\times10^{-16}$ N (cerca de $2{,}56\times10^{-16}$ N).