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UFSCar 2006 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de São Carlos

Vestibular 2006 · questões de Física (Q11-20 e Q36-40) — resolução comentada Método TEF.

Q11
Cinemática — Gráficos v × t — Pavio, dublê e a distância da rocha

Em um filme, para explodir a parede da cadeia a fim de que seus comparsas pudessem escapar, o "bandido" ateia fogo a um pavio de 0,6 m de comprimento, que tem sua outra extremidade presa a um barril contendo pólvora. Enquanto o pavio queima, o "bandido" se põe a correr em direção oposta e, no momento em que salta sobre uma rocha, o barril explode.

Figura da questão 11 de Física — UFSCar 2006
Figura da questão 11 de Física — UFSCar 2006

Ao planejar esta cena, o piroplasta utilizou os dados gráficos obtidos cuidadosamente da análise das velocidades do dublê (que representa o bandido) e da chama no pavio, o que permitiu determinar que a rocha deveria estar a uma distância, relativamente ao ponto em que o pavio foi aceso, em m, de

A)20.
B)25.
C)30.
D)40.
E)45.

Gabarito

E
Resolução

Pelo gráfico da chama, a velocidade é constante, $v=5\cdot10^{-2}$ m/s. O pavio tem $0{,}6$ m, e queima em $t=\dfrac{0{,}6}{5\cdot10^{-2}}=12$ s. Esse é o tempo que o "bandido" tem até a explosão.

O gráfico $v\times t$ do dublê dá o deslocamento pela área. Nos primeiros 6 s, a velocidade cresce de 0 a 5 m/s (triângulo): $\Delta s_1=\dfrac{6\times5}{2}=15$ m. Nos 6 s seguintes, velocidade constante de 5 m/s (retângulo): $\Delta s_2=5\times6=30$ m.

Em 12 s, o deslocamento total é $15+30=45$ m, e a rocha deve estar a essa distância do ponto em que o pavio foi aceso.

Q12
Cinemática — Movimento circular — Engrenagem e coroa de betoneira

Para misturar o concreto, um motor de 3,5 HP tem solidária ao seu eixo uma engrenagem de 8 cm de diâmetro, que se acopla a uma grande cremalheira em forma de anel, com 120 cm de diâmetro, fixa ao redor do tambor misturador.

Figura da questão 12 de Física — UFSCar 2006

Quando o motor é ligado, seu eixo gira com freqüência de 3 Hz. Nestas condições, o casco do misturador dá um giro completo em

A)3 s.
B)5 s.
C)6 s.
D)8 s.
E)9 s.

Gabarito

B
Resolução

Engrenagem e cremalheira estão acopladas pelos dentes, então os pontos de contato têm a mesma velocidade linear: $v=2\pi f_1 R_1=2\pi f_2 R_2$.

Logo $f_2=f_1\dfrac{R_1}{R_2}=3\times\dfrac{8}{120}=0{,}2$ Hz.

O período do tambor é $T=\dfrac1{f_2}=5$ s, o tempo de um giro completo.

Q13
Mecânica — Estática — Suporte de televisor na parede

Para minimizar o número de furos na parede, o suporte de televisores esquematizado fixa-se apenas por dois parafusos, colocados na direção e altura indicadas por $\overline{AB}$, enquanto que em C o conjunto pressiona uma sapata de borracha contra a parede.

Figura da questão 13 de Física — UFSCar 2006

Considere: a parede vertical e plana; $\overline{AB}$ e $\overline{CD}$ horizontais; $\hat{ACD}=90^\circ$; distância de C até a reta $\overline{AB}$ = 9 cm; distância de C até D = 45 cm; aceleração da gravidade = 10 m/s².

Desprezando-se a massa do suporte, se um televisor de 14 kg é nele montado, a intensidade da força que o conjunto de parafusos agüenta é, em N,

A)450.
B)700.
C)950.
D)1250.
E)1500.

Gabarito

B
Resolução

O peso do televisor é $P=14\times10=140$ N, aplicado sobre a base do suporte a 45 cm da parede (em D). O suporte tende a girar em torno de C, onde a sapata encosta na parede. Os parafusos, 9 cm acima de C, impedem essa rotação.

No equilíbrio, o momento do peso em relação a C se iguala ao da força $F$ dos parafusos: $F\times0{,}09=140\times0{,}45$.

Daí $F=\dfrac{63}{0{,}09}=700$ N.

Q14
Mecânica — Quantidade de movimento — Nave que lança uma sonda

Em um clássico de Jornada nas Estrelas, a fim de se obterem informações antecipadas sobre uma região do espaço a qual se dirige a nave Enterprise, movida apenas por sua inércia e fora do alcance de forças externas, é lançada uma sonda de exploração na mesma direção e sentido do movimento da nave.

Figura da questão 14 de Física — UFSCar 2006

Informações sobre o lançamento: Enterprise: massa da nave (sem a sonda) $M$; velocidade antes do lançamento $V$; velocidade após o lançamento $V'$. Sonda: massa da sonda $m$; velocidade após o lançamento $v'$.

Considere que a sonda não possui propulsão própria; o lançamento envolveu uma interação inelástica; as velocidades foram tomadas relativamente às estrelas "fixas". A velocidade da Enterprise, após o lançamento, pode ser calculada pela expressão

A)$V'=\dfrac{(M+m)\cdot V-m\cdot v'}{M}$
B)$V'=\dfrac{(M+m)\cdot V}{M+m\cdot v'}$
C)$V'=\dfrac{M-m}{M-m\cdot v'}$
D)$V'=\dfrac{M\cdot V-m\cdot v'}{M}$
E)$V'=m\cdot V-M\cdot v'$

Gabarito

A
Resolução

Sem forças externas, a quantidade de movimento do sistema nave + sonda se conserva. Antes do lançamento a sonda estava dentro da nave, e o conjunto, de massa $M+m$, se movia com $V$: $Q_{antes}=(M+m)\,V$.

Depois, a nave de massa $M$ tem velocidade $V'$ e a sonda tem $v'$: $Q_{depois}=M\,V'+m\,v'$.

Igualando: $(M+m)V=MV'+mv'$, e portanto $V'=\dfrac{(M+m)V-mv'}{M}$. É importante lembrar que a massa $M$ do enunciado não inclui a sonda; por isso, antes do lançamento a massa total é $M+m$.

Q15
Mecânica — Gravitação — Kepler, Newton e a força gravitacional

—E o sistema solar? – protestei. — Acha que tem alguma importância para mim? – interrompeu-me com impaciência. – Você afirma que giramos em torno do Sol. Se girássemos em volta da Lua, isso não faria a menor diferença para o meu trabalho. (Sherlock Holmes in Conan Doyle, Um Estudo em Vermelho.)

Se, para Sherlock, os movimentos planetários não têm tanta importância, para Kepler e Newton eles tiveram. Kepler formulou as três leis. Newton formulou a lei da gravitação universal que, junto às suas três leis da dinâmica, permitiu compreender as interações à distância entre corpos.

A respeito das conclusões de Kepler e Newton, analise:

I. A força com que o Sol atrai os planetas e a força com que a Terra atrai a Lua são de mesma natureza.

II. A força centrípeta que conserva um planeta em sua órbita ocorre unicamente em função da atração mútua entre o Sol e o planeta.

III. O período de um planeta qualquer é o intervalo de tempo necessário para ocorrer uma volta completa do planeta em torno do Sol.

Está correto o contido em

A)I, apenas.
B)II, apenas.
C)I e III, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

Gabarito

E
Resolução

I é correta: Newton unificou a gravidade terrestre e a celeste. A atração Sol-planeta e a atração Terra-Lua são ambas gravitacionais, regidas por $F=\dfrac{GMm}{d^2}$.

II é correta no modelo de Newton para o movimento planetário: a única força relevante sobre o planeta é a atração gravitacional do Sol, que desempenha o papel de resultante centrípeta, mantendo-o na órbita.

III é a definição de período de translação.

Q16
Termologia — Termodinâmica — Máquinas térmicas e segunda lei

Inglaterra, século XVIII. Os inventores Hargreaves, Arkwright e James Watt, nessa ordem, patentearam a máquina de fiar, a fiandeira hidráulica e a máquina a vapor, símbolos da Revolução Industrial. (Texto de C. Alencar, L. C. Ramalho e M. V. T. Ribeiro, História da Sociedade Brasileira.)

As máquinas a vapor, sendo máquinas térmicas reais, operam em ciclos de acordo com a segunda lei da Termodinâmica. Sobre estas máquinas, considere as três afirmações seguintes.

I. Quando em funcionamento, rejeitam para a fonte fria parte do calor retirado da fonte quente.

II. No decorrer de um ciclo, a energia interna do vapor de água se mantém constante.

III. Transformam em trabalho todo calor recebido da fonte quente.

É correto o contido apenas em

A)I.
B)II.
C)III.
D)I e II.
E)II e III.

Gabarito

A
Resolução

I é verdadeira: pela segunda lei (enunciado de Kelvin-Planck), nenhuma máquina térmica converte todo o calor em trabalho. Parte $Q_2$ é rejeitada à fonte fria.

II é falsa: a energia interna só volta ao valor inicial ao final do ciclo ($\Delta U=0$ no ciclo completo). Durante o ciclo, o vapor é aquecido, expande, resfria e comprime, e sua energia interna varia, como a temperatura.

III é falsa pelo mesmo motivo de I: o rendimento é menor que 1.

Q17
Óptica — Espelhos — Espelho côncavo e espelho plano em associação

Utilizando um espelho esférico côncavo de raio de curvatura 2 m e um espelho plano, um caminhãozinho de brinquedo, colocado com suas rodinhas apoiadas sobre o chão a 0,5 m do espelho côncavo, é observado por uma pessoa posicionada no ponto A, conforme a montagem óptica esquematizada. Do mesmo ponto A, a pessoa também pode observar o caminhãozinho diretamente.

Esquemas da questão 17 de Física — UFSCar 2006: imagem do caminhão vista diretamente do ponto A e posições dos espelhos, do caminhãozinho e do observador (vista superior)
Esquemas da questão 17 de Física — UFSCar 2006: imagem do caminhão vista diretamente do ponto A e posições dos espelhos, do caminhãozinho e do observador (vista superior)

A imagem observada com o uso do arranjo de espelhos ideais, comparada à obtida diretamente pelo observador, está melhor representada por

A)Imagem do caminhãozinho da alternativa A da questão 17 de Física — UFSCar 2006
B)Imagem do caminhãozinho da alternativa B da questão 17 de Física — UFSCar 2006
C)Imagem do caminhãozinho da alternativa C da questão 17 de Física — UFSCar 2006
D)Imagem do caminhãozinho da alternativa D da questão 17 de Física — UFSCar 2006
E)Imagem do caminhãozinho da alternativa E da questão 17 de Física — UFSCar 2006

Gabarito

C
Resolução

O raio de curvatura é 2 m, então $f=\dfrac R2=1$ m. O caminhãozinho está a $p=0{,}5$ m do espelho côncavo, ou seja, dentro da distância focal ($p\lt f$).

Pela equação de Gauss: $\dfrac1{p'}=\dfrac1f-\dfrac1p=\dfrac11-\dfrac1{0{,}5}=-1$, logo $p'=-1$ m. A imagem é virtual, direita e ampliada, com $A=-\dfrac{p'}{p}=+2$: duas vezes maior.

Essa imagem virtual atua como "objeto" para o espelho plano, que forma uma imagem de mesmo tamanho. O espelho plano não altera o tamanho nem a posição relativa entre as partes, mas inverte a lateralidade, assim como o côncavo; a dupla inversão devolve a orientação original. A imagem final é, portanto, uma cópia ampliada do caminhão, com a cabine para o mesmo lado que na visão direta e as rodas embaixo.

Q18
Óptica — Óptica da visão — Presbiopia e lentes corretoras

Pesquisas recentes mostraram que o cristalino humano cresce durante a vida, aumentando seu diâmetro cerca de 0,02 mm por ano. Isso acarreta, na fase de envelhecimento, um defeito de visão chamado presbiopia, que pode ser corrigido de forma semelhante

A)à miopia, com uso de lentes divergentes.
B)à miopia, com uso de lentes convergentes.
C)à hipermetropia, com uso de lentes divergentes.
D)à hipermetropia, com uso de lentes convergentes.
E)ao astigmatismo, com uso de lentes convergentes ou divergentes.

Gabarito

D
Resolução

Com o envelhecimento, o cristalino endurece e perde a capacidade de aumentar sua convergência (acomodação). O olho passa a ter dificuldade de focalizar objetos próximos: a imagem se forma atrás da retina, como na hipermetropia.

A correção é feita acrescentando convergência ao sistema, isto é, com lentes convergentes (como as de óculos de leitura). A miopia, ao contrário, pede lentes divergentes. O astigmatismo é um defeito de curvatura da córnea, corrigido com lentes cilíndricas.

Q19
Ondulatória — Ondas — Mecânicas e eletromagnéticas

A diferença entre ondas mecânicas, como o som, e eletromagnéticas, como a luz, consiste no fato de que

A)a velocidade de propagação, calculada pelo produto do comprimento de onda pela freqüência, só é assim obtida para ondas eletromagnéticas.
B)as ondas eletromagnéticas podem assumir uma configuração mista de propagação transversal e longitudinal.
C)apenas as ondas eletromagnéticas, em especial a luz, sofrem o fenômeno denominado difração.
D)somente as ondas eletromagnéticas podem propagar-se em meios materiais ou não materiais.
E)a interferência é um fenômeno que ocorre apenas com as ondas eletromagnéticas.

Gabarito

D
Resolução

Ondas mecânicas precisam de um meio material para se propagar (o som não se propaga no vácuo). Ondas eletromagnéticas se propagam também no vácuo, além de atravessarem meios materiais transparentes.

A relação $v=\lambda f$ vale para qualquer onda periódica. As ondas eletromagnéticas são transversais; a configuração mista não ocorre. Difração e interferência são fenômenos de todas as ondas, mecânicas inclusive.

Q20
Magnetismo — Campo magnético — Espira, solenoide e ímã

Texto da Revista Galileu (junho de 2005) explica que, nos ímãs, feitos de materiais criadores de campo magnético como o ferro, os spins (ímãs elementares) dos elétrons apontam sempre na mesma direção, para cima ou para baixo, e que o fator que determina isso é a influência de outro campo magnético, como o da Terra.

Em relação ao campo magnético, é correto afirmar que:

A)as linhas de indução em um campo magnético coincidem com as trajetórias descritas por cargas elétricas nele abandonadas.
B)o norte magnético de uma bússola aponta para o norte geográfico da Terra, próximo à região onde fica o norte magnético do imenso ímã que é nosso planeta.
C)em torno de uma espira circular em que circule corrente elétrica, origina-se um campo magnético, análogo ao de um ímã.
D)o campo magnético no interior de um solenóide é praticamente nulo e, externamente, é quase totalmente uniforme.
E)um ímã imerso em um campo magnético uniforme desloca-se, o que também ocorre com uma partícula carregada num campo elétrico.

Gabarito

C
Resolução

Uma corrente elétrica cria campo magnético (Oersted). Uma espira circular percorrida por corrente tem um campo semelhante ao de um ímã curto, com face norte e face sul. Essa é a afirmação verdadeira.

As outras falham: a carga abandonada num campo magnético não sofre força (velocidade nula), e a trajetória de uma carga em movimento não coincide com as linhas de indução; o polo da bússola que aponta para o norte geográfico é o sul magnético do ímã Terra. No solenóide, é o campo interno que é praticamente uniforme e intenso, e o externo é fraco. Um ímã num campo uniforme sofre torque, mas a força resultante é nula, então não se desloca.

Q36
Cinemática — Lançamento oblíquo — Giz lançado pela mesa inclinada

Em plena aula, o menino decide aprontar mais uma das suas. Inclina sua mesa segundo um ângulo de 30° com a horizontal e, utilizando a ponta do dedo indicador, golpeia violentamente um pedacinho de giz sobre a carteira. Após um breve vôo, o giz atinge as costas de um colega de classe, na mesma altura em que foi lançado.

Figura da questão 36 de Física — UFSCar 2006
a)

Considere: o módulo da velocidade do giz no momento do lançamento foi 10 m/s; o giz praticamente não encostou no tampo da mesa no momento do lançamento; aceleração da gravidade = 10 m/s²; desprezar a ação resistiva do ar ao movimento do giz; sen 30° = 0,5; cos 30° = 0,8. Determine o valor aproximado da altura alcançada pelo giz, em m, relativa à posição de seu lançamento.

Resposta $H=1{,}25$ m.
b)

Determine o tempo de vôo do giz, em s, do momento de seu lançamento até o instante em que atinge as costas do colega de classe.

Resposta $t=1{,}0$ s.
Resolução

O giz é lançado com velocidade $v_0=10$ m/s, formando 30° com a horizontal, como num lançamento oblíquo. A componente vertical é $v_{0y}=v_0\,\text{sen}\,30^\circ=10\times0{,}5=5$ m/s.

a) Na altura máxima $v_y=0$. Por Torricelli, $0=v_{0y}^2-2gH$, então $H=\dfrac{v_{0y}^2}{2g}=\dfrac{25}{20}=1{,}25$ m.

b) O giz sai e volta à mesma altura, então a subida e a descida duram o mesmo tempo. Subida: $t_s=\dfrac{v_{0y}}{g}=0{,}5$ s. O tempo total é $t=2\,t_s=1{,}0$ s. O valor do cosseno não é necessário para essas respostas, e só serviria para calcular o alcance.

Resposta: a) $H=1{,}25$ m.; b) $t=1{,}0$ s.

Q37
Ondulatória — Acústica — Distância para eco e menor freqüência audível

Duas caixas acústicas, conectadas na mesma saída de um amplificador por meio de cabos de mesmo comprimento, foram utilizadas a céu aberto para animar uma festa junina.

a)

Sabendo-se que o tempo mínimo de percepção distinta de dois sons pelo ouvido humano é de 0,1 s e que a velocidade do som no ar é 340 m/s, calcule a distância mínima entre as duas caixas para que uma pessoa posicionada ao lado de uma delas ouça distintamente o som produzido por ambas, tal qual ocorre com o eco.

Resposta 34 m.
b)

O comprimento de onda do som audível compreende uma faixa que se estende de $2\times10^{-2}$ m a 20 m. Determine o valor da menor freqüência sonora que uma pessoa pode ouvir.

Resposta 17 Hz.
Resolução

a) Os cabos têm o mesmo comprimento, então as duas caixas emitem o som no mesmo instante. A pessoa, ao lado de uma delas, recebe o som dessa caixa imediatamente e o da outra depois de percorrer a distância $d$ entre elas. A diferença de tempo é $\Delta t=\dfrac dv$. Para ser percebida distintamente, $\Delta t\geq0{,}1$ s, então $d_{min}=v\,\Delta t=340\times0{,}1=34$ m.

b) Da relação $v=\lambda f$, $f=\dfrac v\lambda$. A menor freqüência corresponde ao maior comprimento de onda: $f_{min}=\dfrac{340}{20}=17$ Hz. Para $\lambda=2\cdot10^{-2}$ m, teríamos o extremo agudo, $f=17\,000$ Hz.

Resposta: a) 34 m.; b) 17 Hz.

Q38
Hidrostática — Empuxo — Flutuador de criação de mariscos

Distante da zona dos banhistas, nas "fazendas" para "cultivo" de mariscos, os pescadores amarram, em grandes flutuadores cilíndricos, fiadas de mariscos ainda jovens, para desenvolvimento e procriação.

Figura da questão 38 de Física — UFSCar 2006

No momento em que um desses criadouros de 1 m³ foi deixado amarrado junto a uma bóia, o pescador verifica que 75% do volume do flutuador fica emerso, em equilíbrio. Meses depois, na "colheita", apenas metade do volume do flutuador encontra-se emersa. Admitindo que a densidade da água do mar é $1{,}0\times10^{3}$ kg/m³ e que a aceleração da gravidade é 10 m/s², responda.

a)

Qual o peso total do equipamento, incluindo a carga inicial de jovens mariscos?

Resposta $P=2\,500$ N.
b)

Passados os referidos meses, qual a expectativa de produção de mariscos, em kg?

Resposta 250 kg.
Resolução

a) No início, 75% do volume está emerso, então a parte imersa é 25%: $V_i=0{,}25$ m³. Em equilíbrio, o peso é igual ao empuxo: $P=E=\rho\,g\,V_i=1\,000\times10\times0{,}25=2\,500$ N.

b) Na colheita, metade do volume (0,5 m³) está imersa: $E'=1\,000\times10\times0{,}5=5\,000$ N, que é o novo peso total. O aumento de peso corresponde ao crescimento dos mariscos: $\Delta P=5\,000-2\,500=2\,500$ N, ou seja, $\Delta m=\dfrac{2\,500}{10}=250$ kg de mariscos produzidos.

Resposta: a) $P=2\,500$ N.; b) 250 kg.

Q39
Óptica — Espelhos planos — Marreta contra o espelho

Desejando quebrar aquele malfadado espelho, sempre "distorcendo" a imagem de seu rosto, o homem impulsiona uma marreta em sua direção. (A ilustração original, de Quino, mostra o homem de costas, com a marreta erguida diante de um espelho de pé.)

a)

Determine a velocidade de aproximação entre objeto (marreta) e sua imagem, sabendo que a velocidade da marreta, relativamente ao espelho plano, é 3 m/s.

Resposta 6 m/s.
b)

Quando, diante de um espelho plano disposto verticalmente, observando nossa imagem, nos afastamos do mesmo, o que devemos esperar quanto ao tamanho da imagem vista? Justifique sua resposta por meio de um esquema que apresente um objeto (próximo e afastado do espelho) e suas respectivas imagens, o espelho plano, o chão e os raios de luz que permitem traçar a imagem do objeto colocado diante do espelho.

Resposta A imagem tem sempre o mesmo tamanho do objeto, qualquer que seja a distância.
Resolução

a) No espelho plano, a imagem é simétrica ao objeto: está à mesma distância do espelho, do lado oposto. Se a marreta se aproxima do espelho a 3 m/s, sua imagem também se aproxima do espelho, a 3 m/s, em sentido contrário. Marreta e imagem se aproximam uma da outra com velocidade relativa $3+3=6$ m/s.

b) A imagem em um espelho plano é virtual, direita e do mesmo tamanho do objeto, para qualquer distância. Esquema: desenhe o espelho como um segmento vertical e o chão como uma reta horizontal; o objeto é uma seta vertical apoiada no chão, primeiro próximo (distância $d_1$) e depois afastado ($d_2$). Para cada posição, trace dois raios que partem do topo do objeto e refletem no espelho (um perpendicular a ele, que volta sobre si mesmo, e outro oblíquo, com ângulo de reflexão igual ao de incidência). Os prolongamentos dos raios refletidos, atrás do espelho, se cruzam no topo da imagem, à distância $d_1$ ou $d_2$ do espelho. Em ambos os casos a imagem tem a mesma altura do objeto.

O que muda com a distância é o ângulo visual sob o qual o vemos: quanto mais longe, menor a imagem parece, mas seu tamanho real não se altera.

Resposta: a) 6 m/s.; b) A imagem tem sempre o mesmo tamanho do objeto, qualquer que seja a distância.

Q40
Eletricidade — Eletrodinâmica — Lâmpadas em paralelo numa sombrinha

Em um espetáculo de frevo, as sombrinhas deveriam manter pequenas lâmpadas de 18 Ω acesas enquanto eram giradas pelos dançarinos. Sobre as hastes metálicas que sustentam o tecido de cada sombrinha foram soldadas seis dessas lâmpadas.

Figura da questão 40 de Física — UFSCar 2006

Nas lâmpadas, para fechar o circuito, um fio de cobre soldado unia uma lâmpada à próxima, sendo que na sexta e última lâmpada o fio era direcionado a uma chave e desta a uma pilha de 1,5 V, que finalmente se conectava à estrutura metálica da sombrinha, obedecendo ao circuito esquematizado.

Figura da questão 40 de Física — UFSCar 2006
a)

Considerando a estrutura metálica um condutor ideal, e isolantes o tecido e o cabo da sombrinha, qual o tipo de configuração (série/paralelo/mista) que foi utilizada na montagem? O que ocorrerá com as outras lâmpadas se o filamento de uma delas se romper?

Resposta Paralelo. As outras lâmpadas continuam acesas, pois cada uma permanece ligada à pilha pelo seu próprio ramo.
b)

Determine a intensidade da corrente elétrica fornecida pela pilha ao conjunto de lâmpadas, para que o circuito funcione como desejado.

Resposta $i=0{,}5$ A.
Resolução

a) Cada lâmpada tem um terminal na estrutura metálica (condutor ideal, um único nó) e o outro no fio de cobre (outro nó). Assim, todas ficam submetidas à mesma diferença de potencial, a da pilha, isto é, estão em paralelo. Se o filamento de uma romper, apenas o seu ramo se abre: as outras continuam sob 1,5 V e permanecem acesas com o mesmo brilho.

b) Cada lâmpada, submetida a $U=1{,}5$ V, é percorrida por $i_1=\dfrac{U}{R}=\dfrac{1{,}5}{18}\approx0{,}083$ A. A corrente fornecida pela pilha é a soma das seis: $i=6\times\dfrac{1{,}5}{18}=0{,}5$ A. De outro modo, $R_{eq}=\dfrac{18}{6}=3\ \Omega$ e $i=\dfrac{1{,}5}{3}=0{,}5$ A.

Resposta: a) Paralelo. As outras lâmpadas continuam acesas, pois cada uma permanece ligada à pilha pelo seu próprio ramo.; b) $i=0{,}5$ A.

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