← Voltar às edições UFSCar

UFSCar 2007 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de São Carlos

Vestibular 2007 · questões de Física (Q11-20 e Q36-40) — resolução comentada Método TEF.

Q11
Cinemática — Lançamento vertical — Gráficos de posição, velocidade e aceleração

Um pequeno objeto, quando lançado verticalmente para cima, retorna ao local de partida após ter decorrido o tempo $2t$. Dos conjuntos de gráficos apresentados, aquele que se pode adequar perfeitamente à situação descrita, supondo desprezível a ação resistiva do ar, é

A)Conjunto de gráficos da alternativa A da questão 11 de Física — UFSCar 2007: posição, velocidade e aceleração em função do tempo
B)Conjunto de gráficos da alternativa B da questão 11 de Física — UFSCar 2007: posição, velocidade e aceleração em função do tempo
C)Conjunto de gráficos da alternativa C da questão 11 de Física — UFSCar 2007: posição, velocidade e aceleração em função do tempo
D)Conjunto de gráficos da alternativa D da questão 11 de Física — UFSCar 2007: posição, velocidade e aceleração em função do tempo
E)Conjunto de gráficos da alternativa E da questão 11 de Física — UFSCar 2007: posição, velocidade e aceleração em função do tempo

Gabarito

D
Resolução

Sem resistência do ar, o movimento vertical tem aceleração constante e igual a $g$, em módulo, durante todo o intervalo $0$ a $2t$ (na subida, na parada no ponto mais alto e na descida). Isso elimina os conjuntos em que a aceleração varia ou muda de sinal.

A velocidade é uma função do 1º grau do tempo, com módulo máximo no início e no fim e igual a zero no instante $t$, quando o objeto atinge o ponto mais alto. Logo o gráfico $v\times t$ é uma reta inclinada que cruza o eixo no instante $t$, e não uma constante nem uma reta que parte do zero.

A posição é uma parábola que sai da origem e a ela retorna em $2t$. Orientando a trajetória para baixo (sentido de $\vec g$), a velocidade inicial é negativa, a aceleração é positiva e constante, e a parábola da posição começa abaixo do eixo e retorna a zero em $2t$. É essa a combinação consistente de gráficos.

Q12
Cinemática — Composição de movimentos — Subida de um submarino

O submarino navegava com velocidade constante, nivelado a 150 m de profundidade, quando seu capitão decide levar lentamente a embarcação à tona, sem contudo abandonar o movimento à frente. Comunica a intenção ao timoneiro, que procede ao esvaziamento dos tanques de lastro, controlando-os de tal modo que a velocidade de subida da nave fosse constante.

Figura da questão 12 de Física — UFSCar 2007

Se a velocidade horizontal antes da manobra era de 18,0 km/h e foi mantida, supondo que a subida tenha se dado com velocidade constante de 0,9 km/h, o deslocamento horizontal que a nave realizou, do momento em que o timoneiro iniciou a operação até o instante em que a nau chegou à superfície foi, em m, de

A)4 800.
B)3 000.
C)2 500.
D)1 600.
E)1 200.

Gabarito

B
Resolução

Os movimentos horizontal e vertical são independentes. Na vertical, a nave sobe 150 m com $v_y=0{,}9$ km/h $=\dfrac{0{,}9}{3{,}6}=0{,}25$ m/s, o que leva $t=\dfrac{150}{0{,}25}=600$ s.

Na horizontal, $v_x=18{,}0$ km/h $=5{,}0$ m/s, constante. Em 600 s: $\Delta x=5\times600=3\,000$ m.

Q13
Cinemática — Movimento circular — Engrenagens de betoneira

Para possibilitar o translado da fábrica até a construção, o concreto precisa ser mantido em constante agitação. É por esse motivo que as betoneiras, quando carregadas, mantêm seu tambor misturador sob rotação constante de 4 r.p.m. Esse movimento só é possível devido ao engate por correntes de duas engrenagens, uma grande, presa ao tambor e de diâmetro 1,2 m, e outra pequena, de diâmetro 0,4 m, conectada solidariamente a um motor.

Figura da questão 13 de Física — UFSCar 2007

Na obra, para que a betoneira descarregue seu conteúdo, o tambor é posto em rotação inversa, com velocidade angular 5 vezes maior que a aplicada durante o transporte. Nesse momento, a freqüência de rotação do eixo da engrenagem menor, em r.p.m., é

A)40.
B)45.
C)50.
D)55.
E)60.

Gabarito

E
Resolução

Na descarga, a rotação do tambor passa a $5\times4=20$ r.p.m. (em sentido oposto, o que não altera o módulo).

Duas engrenagens ligadas por corrente têm a mesma velocidade linear nos dentes: $f_1\,D_1=f_2\,D_2$. Então $f_{menor}=f_{tambor}\times\dfrac{D_{grande}}{D_{pequena}}=20\times\dfrac{1{,}2}{0{,}4}=60$ r.p.m.

Q14
Mecânica — Impulso e quantidade de movimento — Machadada

Ao desferir a primeira machadada, a personagem da tirinha movimenta vigorosamente seu machado, que atinge a árvore com energia cinética de $4\pi^2$ J. (Na tirinha, o personagem golpeia uma árvore com o machado.)

Como a lâmina de aço tem massa de 2 kg, desconsiderando-se a inércia do cabo, o impulso transferido para a árvore na primeira machadada, em N·s, foi de

A)$\pi$.
B)3,6.
C)$4\pi$.
D)12,4.
E)$6\pi$.

Gabarito

C
Resolução

A energia cinética no instante do choque é $E_c=\dfrac{mv^2}{2}=4\pi^2$ J. Com $m=2$ kg: $v^2=4\pi^2$, logo $v=2\pi$ m/s.

A lâmina para na árvore. O impulso da árvore sobre ela é igual à variação da quantidade de movimento, em módulo: $I=m\,v=2\times2\pi=4\pi$ N·s (cerca de 12,6 N·s). O impulso transferido à árvore tem o mesmo módulo.

Q15
Ondulatória — Ondas sonoras — Buzina em túnel

No passado, quando os motoristas adentravam em um túnel, começavam a buzinar em tom de brincadeira, pelo simples prazer de ouvir ecoar o grande ruído produzido. Mais recentemente, engenheiros constataram que tais sons produzem ondas estacionárias que podem afetar a estrutura dessas construções.

Figura da questão 15 de Física — UFSCar 2007

O carro esquematizado está com sua buzina localizada exatamente no centro do arco que delimita o túnel, cujo diâmetro é 10 m. Se a buzina emite o som da nota Lá (440 Hz), e se a velocidade de propagação do som no ar é 340 m/s, o número de comprimentos de onda que o som percorrerá até atingir o teto do túnel é, aproximadamente,

A)2,5.
B)3,5.
C)4,5.
D)5,5.
E)6,5.

Gabarito

E
Resolução

O comprimento de onda é $\lambda=\dfrac vf=\dfrac{340}{440}\approx0{,}77$ m.

A buzina está no centro do arco semicircular e o teto está a uma distância igual ao raio, $R=\dfrac{10}{2}=5$ m.

Número de comprimentos de onda no percurso: $\dfrac{5}{0{,}77}\approx6{,}5$.

Q16
Ondulatória — Ondas sonoras — Altura, freqüência e propagação

Sabemos que, em relação ao som, quando se fala em altura, o som pode ser agudo ou grave, conforme a sua freqüência. Portanto, é certo afirmar que:

A)o que determina a altura e a freqüência do som é a sua amplitude.
B)quanto maior a freqüência da fonte geradora, mais agudo é o som.
C)o som é mais grave de acordo com a intensidade ou nível sonoros emitidos.
D)sons mais agudos possuem menor velocidade de propagação que sons mais graves.
E)sons graves ou agudos propagam-se com mesma velocidade no ar e no vácuo.

Gabarito

B
Resolução

Altura é a qualidade que distingue sons graves de agudos e depende da freqüência: quanto maior ela for, mais agudo é o som.

A amplitude e a intensidade se relacionam ao volume (som forte ou fraco), não à altura. No ar, a velocidade do som não depende da freqüência: graves e agudos viajam com a mesma velocidade. No vácuo o som não se propaga.

Q17
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistência equivalente de uma escada de alumínio

Uma pequena escada de três degraus é feita a partir do mesmo tubo de alumínio com perfil retangular.

Figura da questão 17 de Física — UFSCar 2007

Os degraus de comprimento $L$ são dispostos nas duas laterais de forma que a altura entre eles seja $L/2$. Para evitar escorregamentos, o apoio dos pés da escada é feito sobre duas sapatas de borracha. Se para um segmento $L$ de tubo de alumínio, a resistência é $R$, considerando desprezível a resistência elétrica nas junções dos degraus com as laterais, a resistência elétrica que a escada oferece entre os pontos A e B é dada pela expressão

A)$\dfrac R3$.
B)$\dfrac{5R}{8}$.
C)$\dfrac{13R}{8}$.
D)$\dfrac{8R}{3}$.
E)$\dfrac{15R}{8}$.

Gabarito

C
Resolução

Cada degrau de comprimento $L$ tem resistência $R$. Cada trecho lateral de comprimento $L/2$ tem $R/2$. Os pontos A e B ficam no topo das laterais, e entre o topo e o 1º degrau, e entre degraus consecutivos, há um trecho $L/2$ em cada lateral.

Calculamos de baixo para cima. No 3º degrau: $R$. Em série com os dois trechos laterais ($R/2+R/2=R$) que o ligam ao 2º degrau: $R+R=2R$. Em paralelo com o 2º degrau ($R$): $\dfrac{2R\cdot R}{3R}=\dfrac{2R}{3}$.

Mais os dois trechos laterais até o 1º degrau: $\dfrac{2R}{3}+R=\dfrac{5R}{3}$. Em paralelo com o 1º degrau: $\dfrac{(5R/3)\,R}{8R/3}=\dfrac{5R}{8}$.

Por fim, os dois trechos laterais entre A, B e o 1º degrau, em série: $\dfrac{5R}{8}+R=\dfrac{13R}{8}$.

Q18
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência dissipada e resistividade × temperatura

O gráfico mostra como a resistividade de determinado material varia, conforme a temperatura de um resistor é aumentada.

Figura da questão 18 de Física — UFSCar 2007

Considere desprezíveis as alterações nas dimensões do fio, dadas pela variação de temperatura, e responda.

Dos gráficos seguintes, aquele que pode representar a variação da potência elétrica dissipada por um fio resistivo cilíndrico, feito desse material e mantido sob uma diferença de potencial constante, é

A)Gráfico da alternativa A da questão 18 de Física — UFSCar 2007: potência dissipada em função da temperatura
B)Gráfico da alternativa B da questão 18 de Física — UFSCar 2007: potência dissipada em função da temperatura
C)Gráfico da alternativa C da questão 18 de Física — UFSCar 2007: potência dissipada em função da temperatura
D)Gráfico da alternativa D da questão 18 de Física — UFSCar 2007: potência dissipada em função da temperatura
E)Gráfico da alternativa E da questão 18 de Física — UFSCar 2007: potência dissipada em função da temperatura

Gabarito

A
Resolução

A resistência de um fio é $R=\rho\dfrac{\ell}{A}$. Como as dimensões não mudam, $R$ é proporcional à resistividade $\rho$, que cresce com a temperatura (e cada vez mais rapidamente, como mostra a curva).

Com tensão constante, a potência é $P=\dfrac{U^2}{R}$, inversamente proporcional a $R$. Então, à medida que a temperatura sobe, $R$ aumenta e $P$ diminui. A curva é decrescente, e como $\rho$ cresce cada vez mais depressa, $P$ cai rapidamente no início e depois cada vez mais devagar, tendendo a zero (forma de hipérbole).

Q19
Eletricidade — Geradores — Resistência interna a partir dos potenciais

O gráfico mostra valores dos potenciais elétricos em um circuito constituído por uma pilha real e duas lâmpadas idênticas de 0,75 V – 3 mA, conectadas por fios ideais.

Figura da questão 19 de Física — UFSCar 2007

O valor da resistência interna da pilha, em $\Omega$, é

A)100.
B)120.
C)150.
D)180.
E)300.

Gabarito

A
Resolução

Entre os pontos A e B está a resistência interna da pilha (a fonte está entre D e A). Os fios são ideais, então a queda de tensão entre B e C e entre C e D corresponde a cada lâmpada, de 0,75 V.

A queda interna é $U_{AB}=1{,}80-1{,}50=0{,}30$ V. Com as lâmpadas funcionando nas condições nominais, a corrente do circuito é de 3 mA, a mesma na pilha (circuito em série).

Assim, $r=\dfrac{0{,}30}{3\cdot10^{-3}}=100\ \Omega$. A fem da pilha é 1,80 V, e a tensão entre os terminais é $1{,}50$ V, igual à soma das duas quedas nas lâmpadas ($0{,}75+0{,}75$).

Q20
Eletromagnetismo — Força magnética — Esfera carregada em queda livre num campo magnético

Uma pequena esfera carregada eletricamente com carga positiva e em queda livre penetra em uma região onde um campo magnético horizontal atua uniformemente.

Figura da questão 20 de Física — UFSCar 2007

O esboço que melhor representa a trajetória da esfera no interior dessa região é

A)Esboço da trajetória da alternativa A da questão 20 de Física — UFSCar 2007
B)Esboço da trajetória da alternativa B da questão 20 de Física — UFSCar 2007
C)Esboço da trajetória da alternativa C da questão 20 de Física — UFSCar 2007
D)Esboço da trajetória da alternativa D da questão 20 de Física — UFSCar 2007
E)Esboço da trajetória da alternativa E da questão 20 de Física — UFSCar 2007

Gabarito

D
Resolução

Ao entrar na região, a esfera tem velocidade vertical para baixo, e o campo $\vec B$ está entrando no plano da figura. A força magnética é $\vec F=q\,\vec v\times\vec B$. Pela regra da mão esquerda (ou da mão direita), com carga positiva, essa força aponta para a direita, perpendicular à velocidade e a $\vec B$.

A trajetória, então, se encurva para a direita. Além disso, a gravidade continua atuando, e a esfera acelera para baixo, aumentando a velocidade e, com ela, a força magnética, que tem intensidade $qvB$. O desvio para a direita cresce à medida que ela desce. Não há desvio para a esquerda, e a trajetória não é uma reta.

Portanto, o esboço correto é uma curva suave, que sai da vertical e vai se inclinando para o lado direito, concavidade voltada para a direita.

Q36
Mecânica — Pressão e trabalho — Plaina do marceneiro

A plaina é uma ferramenta essencial do marceneiro, utilizada desde o preparo inicial da madeira até retoques finais de um trabalho. Uma plaina consta basicamente de um corpo de aço sobre o qual estão montados três apoios: um, em forma de bola, opcionalmente utilizado pelo marceneiro para guiar a ferramenta durante o corte; outro, para o posicionamento e fixação da lâmina de corte; o terceiro, suavemente inclinado, para que o marceneiro, ao empurrar a ferramenta para frente, exerça automaticamente uma força transversal.

Figura da questão 36 de Física — UFSCar 2007
a)

Para que uma plaina funcione adequadamente, é preciso que sua lâmina de aço seja freqüentemente afiada. Justifique essa necessidade de manutenção do fio de corte, em termos da definição física de pressão.

Resposta Pressão é a razão entre a força e a área ($p=F/A$). Afiando a lâmina, reduz-se a área de contato; para a mesma força, a pressão sobre a madeira aumenta, e o corte é feito com menos esforço.
b)

Desejando desbastar as laterais de uma prancha retangular de madeira de 3,4 m de comprimento, o marceneiro a afixa à sua bancada horizontal e, a partir de uma de suas extremidades, inicia a passagem da plaina. Se o ângulo entre a direção de aplicação da força e a direção em que a plaina irá se deslocar é de 35°, e se devido à prática o marceneiro mantém uma força constante de intensidade 10 N, determine o módulo do trabalho total realizado pela mão do marceneiro em uma passada da plaina por toda a extensão da prancha. Dados: sen 35° = 0,6; cos 35° = 0,8.

Resposta $\tau=27{,}2$ J.
Resolução

a) A pressão é $p=\dfrac FA$. Com o uso, o fio se desgasta e a área de contato entre a lâmina e a madeira aumenta; a mesma força do marceneiro se distribui por uma área maior e a pressão cai, a ponto de a lâmina deixar de penetrar na madeira. Afiar reduz $A$, aumentando $p$ para a mesma força e facilitando o corte.

b) O trabalho de uma força constante é $\tau=F\,d\cos\theta$, em que $\theta$ é o ângulo entre a força e o deslocamento. O deslocamento é o comprimento da prancha, $d=3{,}4$ m, então $\tau=10\times3{,}4\times0{,}8=27{,}2$ J. O valor do seno não é necessário.

Resposta: a) Pressão é a razão entre a força e a área ($p=F/A$). Afiando a lâmina, reduz-se a área de contato; para a mesma força, a pressão sobre a madeira aumenta, e o corte é feito com menos esforço.; b) $\tau=27{,}2$ J.

Q37
Óptica — Espelhos — Imagem de um mapa no pára-brisa

Imagine que você e um colega tenham sido aprovados como alunos da Universidade Federal de São Carlos e que, pela primeira vez, dirigem-se a ela. Você, carona de seu amigo, mantém o mapa sobre o painel do carro, pronto para ser consultado no instante em que for necessário.

Figura da questão 37 de Física — UFSCar 2007
a)

Num certo momento da viagem, olhando em direção ao pára-brisa, você percebe que este produz uma imagem refletida do mapa. Supondo que o vidro do carro fosse plano e que o mapa estivesse sobre o painel tal qual aparece na ilustração, faça um esboço da letra "F" de UFSCAR, representando a imagem refletida.

Resposta A imagem é simétrica ao mapa em relação ao plano do vidro, virtual e do mesmo tamanho. Vista pelo motorista, a letra F aparece de cabeça para baixo (invertida na vertical, "Ⅎ"), sem inversão lateral.
b)

Olhando com mais atenção, você nota que não se trata de reflexão tal qual ocorre com os espelhos planos. De fato, o pára-brisa é ligeiramente encurvado e aproxima-se a um espelho esférico côncavo, refletindo parte da luz que nele incide. Supondo que o raio de curvatura do pára-brisa seja de 20 m e que o volante posicionado sobre o eixo principal está a 0,5 m do pára-brisa, determine a que distância do vidro se formará a imagem conjugada do volante.

Resposta Cerca de 0,53 m, atrás do vidro (imagem virtual).
Resolução

a) A imagem de um espelho plano é simétrica do objeto em relação ao plano do espelho. O mapa está sobre o painel e o pára-brisa é um plano inclinado à frente: a parte do mapa mais próxima do vidro (o topo do F) tem a imagem mais próxima do vidro, e a parte mais distante (a base do F) tem a imagem mais afastada, atrás do vidro e mais alta no campo de visão. Por isso a imagem aparece de cabeça para baixo (inversão vertical), e não invertida lateralmente. A letra F é desenhada como um F espelhado de cima para baixo, com a haste vertical e as duas barras horizontais voltadas para baixo, de mesmo tamanho que a original.

b) O raio de curvatura é $R=20$ m, então $f=\dfrac R2=10$ m. Com o volante a $p=0{,}5$ m do vidro, pela equação de Gauss: $\dfrac1{p'}=\dfrac1f-\dfrac1p=\dfrac1{10}-\dfrac1{0{,}5}=0{,}1-2=-1{,}9$.

Daí $p'=-\dfrac1{1{,}9}\approx-0{,}53$ m. O sinal negativo indica imagem virtual, formada atrás do vidro, a cerca de 0,53 m dele. Como $p\ll f$, o espelho côncavo se comporta quase como um plano (a imagem está um pouco mais longe que o objeto, e levemente ampliada).

Resposta: a) A imagem é simétrica ao mapa em relação ao plano do vidro, virtual e do mesmo tamanho. Vista pelo motorista, a letra F aparece de cabeça para baixo (invertida na vertical, "Ⅎ"), sem inversão lateral.; b) Cerca de 0,53 m, atrás do vidro (imagem virtual).

Q38
Mecânica — Dinâmica e energia — Caminhão com duas carretas

Com motores mais potentes, caminhões com duas carretas têm se tornado muito comuns nas estradas brasileiras.

Figura da questão 38 de Física — UFSCar 2007

O caminhão esquematizado acelera uniformemente com aceleração de valor $a$. Nessas condições,

  • o motor do cavalo aplica sobre o conjunto uma força constante de intensidade $F$;
  • a interação entre as partes unidas pelos engates 1 e 2 têm intensidades respectivamente iguais a $f_1$ e $f_2$;
  • as massas do cavalo, da carreta número 1 e da carreta número 2 são, nessa ordem, $m$, $m_1$ e $m_2$;
  • a resistência do ar ao movimento da carreta pode ser considerada desprezível.
a)

Construa a expressão, em termos das forças indicadas, que determina a intensidade da força resultante no primeiro engate, enquanto a carreta é mantida sob aceleração constante.

Resposta $F_R=f_1-f_2$ (que vale $m_1\,a$).
b)

Alguns motoristas arriscam muito quando se trata de segurança. Uma ação perigosa é "andar na banguela", isto é, com as rodas livres, sem marcha engatada. Supondo desprezível o atrito nos mancais do caminhão durante uma "banguela", determine a velocidade que uma dessas carretas atingiria no ponto mais baixo de um vale, após ter iniciado a descida, a partir do repouso, de um ponto a 45 m de altura, relativamente ao fundo do vale. Dado: g = 10 m/s².

Resposta 30 m/s (108 km/h).
Resolução

a) A carreta 1 é puxada pelo engate 1, com a força $f_1$ para a frente, e puxada para trás pelo engate 2, com a força $f_2$ (a carreta 2 resiste ao movimento). Como a resistência do ar é desprezível, a resultante sobre a carreta 1 é $F_R=f_1-f_2$. Pela 2ª lei de Newton, $f_1-f_2=m_1\,a$.

b) Sem atrito, só o peso realiza trabalho, e a energia mecânica se conserva: $m\,g\,h=\dfrac{m\,v^2}{2}$. Então $v=\sqrt{2gh}=\sqrt{2\times10\times45}=\sqrt{900}=30$ m/s, ou seja, 108 km/h, e esse resultado independe da massa da carreta.

Resposta: a) $F_R=f_1-f_2$ (que vale $m_1\,a$).; b) 30 m/s (108 km/h).

Q39
Termologia — Dilatação e calorimetria — Combustíveis em tanques

Antes de iniciar o transporte de combustíveis, os dois tanques inicialmente vazios se encontravam à temperatura de 15 °C, bem como os líquidos que neles seriam derramados. No primeiro tanque, foram despejados 15 000 L de gasolina e, no segundo, 20 000 L de álcool. Durante o transporte, a forte insolação fez com que a temperatura no interior dos tanques chegasse a 30 °C.

Dados: Gasolina — coeficiente de dilatação volumétrica $9{,}6\times10^{-4}\ {}^\circ\text{C}^{-1}$. Álcool — densidade 0,8 g/cm³; calor específico 0,6 cal/(g·°C).

Considerando desde o momento do carregamento até o momento da chegada ao destino, determine

a)

a variação do volume de gasolina.

Resposta $\Delta V=216$ L.
b)

a quantidade de calor capaz de elevar a temperatura do álcool até 30 °C.

Resposta $Q=1{,}44\times10^{8}$ cal.
Resolução

a) Dilatação volumétrica: $\Delta V=V_0\,\gamma\,\Delta T=15\,000\times9{,}6\cdot10^{-4}\times(30-15)=216$ L.

b) Massa de álcool: 20 000 L = $2{,}0\cdot10^{7}$ cm³, e com $\rho=0{,}8$ g/cm³, $m=0{,}8\times2{,}0\cdot10^{7}=1{,}6\cdot10^{7}$ g. Calor sensível: $Q=m\,c\,\Delta T=1{,}6\cdot10^{7}\times0{,}6\times15=1{,}44\cdot10^{8}$ cal.

Resposta: a) $\Delta V=216$ L.; b) $Q=1{,}44\times10^{8}$ cal.

Q40
Mecânica — Empuxo e força elástica — Bóia presa a mola em tanque

No interior do grande reservatório despeja-se água à razão constante. Enquanto o nível de água sobe, a mola sobre a qual a bóia está apoiada se ajusta, conforme a seqüência de figuras apresentadas.

Figura da questão 40 de Física — UFSCar 2007
a)

Faça o esboço do gráfico que representa os valores da força exercida pela mola em função do tempo, desde o momento em que se inicia o preenchimento do tanque até o momento em que o tanque fica completamente cheio.

Resposta Força constante (igual ao peso da bóia, 1 N, comprimida) até a água atingir a bóia; depois decresce linearmente até zero; passa a ser de tração (mola esticada) e cresce linearmente até o valor máximo, de 9 N, quando a bóia fica submersa; daí em diante é constante.
b)

Determine a intensidade da força máxima sobre a mola, quando a bóia ficar completamente submersa. Dados: aceleração da gravidade 10 m/s²; densidade da água $1\times10^{3}$ kg/m³; massa da bóia 100 g; volume externo da bóia $1\times10^{-3}$ m³.

Resposta 9 N.
Resolução

a) No início, a bóia apoiada na mola em equilíbrio recebe da mola uma força para cima igual ao seu peso: $P=mg=0{,}1\times10=1$ N. Enquanto a água não toca a bóia, a força é constante.

Quando a água a atinge, surge o empuxo, que cresce com o volume imerso (linearmente com o tempo, pois a água é despejada a vazão constante e a seção é constante). A força da mola, $F=P-E$, diminui linearmente e se anula quando $E=P$ (a bóia começa a flutuar).

A bóia continua subindo, a mola é esticada (está presa em cima) e passa a puxá-la para baixo: $F=E-P$, que cresce linearmente com o empuxo até a bóia ficar totalmente submersa. Depois disso o empuxo é constante e a força também. O gráfico tem, portanto, um trecho horizontal, uma reta decrescente que cruza o eixo, uma reta crescente e outro trecho horizontal.

b) Com a bóia totalmente submersa: $E=\rho_{água}\,g\,V=1\,000\times10\times1\cdot10^{-3}=10$ N. O peso é 1 N. A mola puxa a bóia para baixo com $F=E-P=10-1=9$ N.

Resposta: a) Força constante (igual ao peso da bóia, 1 N, comprimida) até a água atingir a bóia; depois decresce linearmente até zero; passa a ser de tração (mola esticada) e cresce linearmente até o valor máximo, de 9 N, quando a bóia fica submersa; daí em diante é constante.; b) 9 N.

↑ Voltar ao topo