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UFSCar 2009 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de São Carlos

Vestibular 2009 · questões de Física (Q11-20 e Q36-40) — resolução comentada Método TEF.

Q11
Dinâmica — Força de atrito — Fila de carteiras empurradas

Por ser o vestibular da UFSCar, a tarefa era de grande responsabilidade e o fiscal de prova precisava ainda levar ao fundo da sala toda uma fileira de carteiras. Exercendo sobre a primeira carteira da fila uma força horizontal de intensidade constante, acelera essa carteira a 1 m/s². Observa então que, na medida em que uma carteira passa a empurrar a próxima, o conjunto todo tem sua aceleração diminuída, chegando a se tornar nula exatamente quando a fila contém seis carteiras. Enquanto lia as instruções da prova, pairava na mente do fiscal uma questão:

Qual deve ser a intensidade da força de atrito que ocorre entre uma carteira e o piso da sala?

Responda a questão do fiscal, considerando que:

• As carteiras são idênticas, podendo ser consideradas pontos materiais que se movem em linha reta.

• As intensidades das forças de atrito estático máximo e de atrito dinâmico são muito próximas, podendo ser consideradas iguais.

• O piso da sala é plano e horizontal.

• Cada carteira tem massa 25 kg.

A)5 N.
B)6 N.
C)10 N.
D)15 N.
E)30 N.

Gabarito

A
Resolução

Seja $f$ o atrito sobre cada carteira (o mesmo para todas, pois são idênticas e o piso é o mesmo) e $F$ a força constante do fiscal.

Com apenas a primeira carteira se movendo: $F-f=m\,a=25\times1=25$ N.

Com seis carteiras, a aceleração é nula e o conjunto está na iminência de movimento (ou em MRU): $F=6f$.

Substituindo, $6f-f=25$, ou seja, $5f=25$ e $f=5$ N. O atrito sobre cada carteira vale um sexto da força aplicada pelo fiscal, que é de 30 N.

Q12
Cinemática — Movimento uniforme — Encalhe de navio

Um navio é responsável por verificar a energia mareomotriz de determinada região da costa. Na coleta de informações, o timoneiro traça uma rota rumo ao continente. Algum tempo depois, na cabine do capitão, um alarme alerta para as leituras feitas automaticamente pelo sonar, que mostram a rápida diminuição da profundidade do leito oceânico.

Profundidade (m)17151311
Instante (s)0153045

Supondo que a inclinação do leito oceânico seja constante e sabendo que a quilha da embarcação está 3 m abaixo da linha d'água, se nenhuma atitude for imediatamente tomada, o encalhe irá ocorrer entre os instantes

A)1,0 minuto e 1,5 minutos.
B)1,5 minutos e 2,0 minutos.
C)2,0 minutos e 2,5 minutos.
D)2,5 minutos e 3,0 minutos.
E)3,0 minutos e 3,5 minutos.

Gabarito

B
Resolução

A profundidade diminui 2 m a cada 15 s, de modo uniforme (inclinação constante com velocidade do navio constante): taxa de $\dfrac{2}{15}$ m/s.

O encalhe ocorre quando a profundidade do leito se iguala à da quilha, 3 m. Partindo de 17 m, é preciso reduzir $17-3=14$ m:

$t=\dfrac{14}{2/15}=14\times7{,}5=105$ s $=1{,}75$ min.

Esse instante está entre 1,5 e 2,0 minutos.

Q13
Cinemática — Movimento retilíneo uniforme — Encontro de três corpos

O movimento de três corpos sobre a mesma trajetória reta tem as seguintes características:

• Corpo X: realiza um movimento progressivo, sendo sua posição inicial era positiva.

• Corpo Y: realiza um movimento retrógrado, sendo sua posição inicial era negativa.

• Corpo Z: realiza um movimento progressivo, tendo como posição inicial a da origem da trajetória.

De acordo com as características apresentadas, é correto afirmar que

A)X e Y certamente se encontrarão, independentemente dos módulos das suas velocidades.
B)Y e Z certamente se encontrarão, independentemente dos módulos das suas velocidades.
C)X e Z certamente se encontrarão, independentemente dos módulos das suas velocidades.
D)X somente encontrará Z se o módulo da sua velocidade for menor que o módulo da velocidade de Z.
E)Y somente encontrará Z se o módulo da sua velocidade for maior que o módulo da velocidade de Z.

Gabarito

D
Resolução

Movimento progressivo é o que ocorre no sentido positivo da trajetória ($v>0$); retrógrado, no sentido negativo ($v<0$). Pondo as posições iniciais num eixo: $Y<0$, $Z=0$, $X>0$.

X e Y: X está à direita da origem e vai para a direita; Y está à esquerda e vai para a esquerda. Afastam-se sempre.

Y e Z: Z parte da origem para a direita; Y já está à esquerda e vai ainda mais à esquerda. Também se afastam.

X e Z: ambos vão para a direita, com Z atrás de X. O encontro só é possível se Z for mais veloz do que X, de modo que alcance X: $|v_Z|>|v_X|$, isto é, se $|v_X|<|v_Z|$. Se Z for mais lento ou igual, a distância nunca se anula.

Q14
Hidrostática e Cinemática — Pressão e jatos de água — Cano furado por um prego

Quase terminada a arrumação do novo escritório, o engenheiro lamenta profundamente o acontecido...

(A charge de Quino, ¡Yo no fui!, não é reproduzida aqui: ela mostra um homem diante de uma estante, com um prego cravado na parede, que atingiu um cano embutido; a água jorra do furo em vários jatos, formando um leque, e se espalha pelo chão.)

A partir da análise da figura e supondo que a água esguichada do furo venha de um cano proveniente de uma caixa d'água, analise as três afirmações seguintes.

I. O nível de água da caixa que alimenta o encanamento se encontra acima do furo na parede.

II. Se o furo tivesse sido feito em um ponto mais baixo do que o indicado, a pressão que faz a água esguichar seria maior.

III. De todos os esguichos enviezados pelo prego, aquele que sair pelo furo sob um ângulo de 45º com a horizontal terá o maior alcance.

É certo o que se afirma em

A)I, apenas.
B)I e II, apenas.
C)I e III, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

Gabarito

E
Resolução

I. Para a água jorrar, a pressão no furo deve superar a atmosférica, e isso só ocorre se a água do encanamento estiver sob a pressão de uma coluna de líquido acima do furo: $p=p_{atm}+\rho\,g\,h$ com $h>0$. Logo o nível na caixa fica acima do furo. Correta.

II. A pressão cresce com a profundidade em relação ao nível livre da caixa, $p=p_{atm}+\rho g h$. Um furo mais baixo estaria mais fundo, e a pressão que impele a água seria maior. Correta.

III. Os jatos saem do mesmo furo, com a mesma velocidade $v_0$ em módulo, e diferem pelo ângulo de saída. O alcance horizontal é $A=\dfrac{v_0^2\,\sin2\theta}{g}$, máximo quando $\sin2\theta=1$, isto é, para $\theta=45^\circ$. Correta.

As três afirmações são verdadeiras.

Q15
Energia — Conservação da energia mecânica — Sabonete na banheira

Idéia para a campanha de redução de acidentes: enquanto um narrador exporia fatores de risco nas estradas, uma câmera mostraria o trajeto de um sabonete que, a partir do repouso em um ponto sobre a borda de uma banheira, escorregaria para o interior da mesma, sofrendo um forte impacto contra a parede vertical oposta.

Perfil de uma banheira com o desnível de 60 cm entre a borda e o fundo, onde o sabonete escorrega

Para a realização da filmagem, a equipe técnica, conhecendo a aceleração da gravidade (10 m/s²) e desconsiderando qualquer atuação de forças contrárias ao movimento, estimou que a velocidade do sabonete, momentos antes de seu impacto contra a parede da banheira, deveria ser um valor, em m/s, mais próximo de

A)1,5.
B)2,0.
C)2,5.
D)3,0.
E)3,5.

Gabarito

E
Resolução

Sem forças contrárias ao movimento, apenas o peso realiza trabalho, e a energia mecânica se conserva. O sabonete parte do repouso na borda, desce 60 cm até o fundo e chega à parede com velocidade $v$:

$m\,g\,h=\dfrac{m\,v^2}{2}\Rightarrow v=\sqrt{2gh}=\sqrt{2\times10\times0{,}6}=\sqrt{12}\approx3{,}5$ m/s.

Q16
Termologia — Calorimetria — Mistura de água quente e fria para o banho

Encerrado o trabalho, o cinegrafista pensou num banho...

Desconsiderando perdas de calor para o corpo da banheira e para o ar, a mistura de 60 litros de água, inicialmente a 80 ºC, com certa quantidade de água a 20 ºC, resultaria em uma temperatura de 40 ºC. Conhecidos o calor específico da água, 1 cal/(g.ºC), a densidade da água, 1 kg/L, a quantidade de água a 20 ºC a ser despejada, em litros, seria

A)80.
B)90.
C)100.
D)120.
E)140.

Gabarito

D
Resolução

Como as perdas são desprezadas e a substância é a mesma, a soma dos calores trocados é nula e, com mesmo calor específico e densidade 1 kg/L, volumes se comportam como massas.

$Q_{quente}+Q_{fria}=0\Rightarrow60\,c\,(40-80)+x\,c\,(40-20)=0\Rightarrow-2\,400+20x=0$.

Então $x=120$ L de água a 20 ºC.

Q17
Óptica — Refração da luz — Ar e água (refringência e reflexão total)

A refringência é uma característica que um meio possui relativamente a outro meio óptico. No caso do ar e da água, esta possui maior refringência que o primeiro. Portanto, é certo afirmar que um raio de luz proveniente

A)do ar, ao penetrar na água, tem sua velocidade aumentada.
B)do ar, ao penetrar na água, tem sua freqüência modificada.
C)da água pode se refletir totalmente na superfície de separação, permanecendo na água.
D)da água, ao penetrar no ar, assume um comprimento de onda menor.
E)do ar ou da água, ao penetrar o outro meio sob ângulo de 0º, muda a direção de propagação.

Gabarito

C
Resolução

A água é mais refringente: $n_{água}\approx1{,}33>n_{ar}\approx1{,}00$. Como $v=\dfrac cn$, a luz é mais lenta na água. Analisando cada afirmação:

Do ar para a água, a luz diminui de velocidade (não aumenta).

A frequência é característica da fonte e não muda na refração; mudam $v$ e $\lambda$.

Do ar para a água, $v$ diminui e, com $f$ constante, $\lambda=v/f$ também diminui. Logo, da água para o ar, o comprimento de onda aumenta, e não diminui.

Incidência normal (0º) não desvia o raio: ele muda de velocidade mas mantém a direção.

A passagem do meio mais para o menos refringente (água → ar) admite reflexão total: para ângulos de incidência maiores que o ângulo limite, $\sin L=\dfrac{n_{ar}}{n_{água}}$, não há raio refratado e toda a luz volta para a água. Essa é a afirmação verdadeira.

Q18
Óptica da visão — Miopia — Lentes do pince-nez de Machado de Assis

... Pince-nez é coisa que usei por largos anos, sem desdouro. Um dia, porém, queixando-me do enfraquecimento da vista, alguém me disse que talvez o mal viesse da fábrica. ... (Machado de Assis, Bons Dias, 1888.)

Machado de Assis via-se obrigado a utilizar lentes corretivas que, em sua época, apoiavam-se em armações conhecidas como pince-nez ou lorgnon, que se mantinham fixas ao rosto pela ação de uma débil força elástica sobre o nariz.

Pince-nez: armação de duas lentes circulares unidas por uma ponte sobre o nariz, com corrente

Supondo que Machado, míope, só conseguisse ver nitidamente objetos à sua frente desde que estes se encontrassem a até 2 m de seus olhos, e que ambos os olhos tivessem o mesmo grau de miopia, as lentes corretivas de seu pince-nez deveriam ser de vergência, em dioptrias,

A)+ 2,0.
B)– 0,5.
C)– 1,0.
D)– 1,5.
E)– 2,0.

Gabarito

B
Resolução

O míope vê nitidamente só até certa distância, o ponto remoto, aqui $d=2$ m. A lente corretiva deve formar, para um objeto no infinito, uma imagem virtual nesse ponto remoto, de modo que o olho a veja com nitidez.

Pela equação de Gauss, com $p\to\infty$: $\dfrac1f=\dfrac1p+\dfrac1{p'}=0+\dfrac1{-2}$, de modo que $f=-2$ m (imagem virtual, $p'<0$). A lente é divergente.

A vergência é $V=\dfrac1f=-\dfrac1{2}=-0{,}5$ di.

Q19
Acústica — Frequência de um som — Serra circular e escala musical

Em música, uma oitava da escala denominada temperada constitui um grupo distinto de doze sons, cada um correspondendo a uma freqüência de vibração sonora.

Escala Musical (5.ª oitava da escala temperada)
Nota musicalFreqüência aproximada (Hz)
Dó1 047
Dó #1 109
Ré1 175
Ré #1 245
Mi1 319
Fá1 397
Fá #1 480
Sol1 568
Sol #1 661
Lá1 760
Lá #1 865
Si1 976

Numa marcenaria, uma serra circular, enquanto executa o corte de uma prancha de madeira, gira com freqüência de 4500 r.p.m. Além do ruído do motor da máquina e do ruído produzido pelos modos de vibração do disco de serra, o golpe frenético de cada um dos 20 dentes presentes no disco de serra sobre a madeira produz um som característico dessa ferramenta. O som produzido pelos golpes seqüenciados dos dentes da serra em funcionamento, junto com a madeira que vibra, um som próximo ao da nota musical

A)Ré #.
B)Mi.
C)Fá #.
D)Sol.
E)Lá #.

Gabarito

C
Resolução

A serra gira com $f=4\,500$ r.p.m. $=\dfrac{4\,500}{60}=75$ rotações por segundo.

Em cada rotação, os 20 dentes golpeiam a madeira, e a frequência dos golpes (e do som) é $f_{som}=20\times75=1\,500$ Hz.

Na tabela, o valor mais próximo de 1 500 Hz é 1 480 Hz, da nota Fá #. Os vizinhos, 1 397 Hz e 1 568 Hz, estão mais afastados.

Q20
Eletrodinâmica — Associação mista de resistores — Circuito do quebra-cabeça

Está vendo? Bem que sua mãe sempre disse para guardar as peças do quebra-cabeça! Agora, está faltando uma ...

Quebra-cabeça com um circuito: duas pilhas em série, um amperímetro com a peça do mostrador faltando, três lâmpadas e um resistor

Dados:

• As pilhas são idênticas e de resistência interna desprezível.

• A força eletromotriz de cada pilha é de 1,5 V.

• O amperímetro A utilizado é ideal e está ajustado para fundo de escala em 1 ampère.

• As três lâmpadas, bem como o resistor, têm resistência elétrica de 10 Ω.

Para falar a verdade, a peça que falta e que completa adequadamente o quadro e o fato físico apresentado é

A)Peça do quebra-cabeça da alternativa A da questão 20 de Física — UFSCar 2009: mostrador digital do amperímetro
B)Peça do quebra-cabeça da alternativa B da questão 20 de Física — UFSCar 2009: mostrador digital do amperímetro
C)Peça do quebra-cabeça da alternativa C da questão 20 de Física — UFSCar 2009: mostrador digital do amperímetro
D)Peça do quebra-cabeça da alternativa D da questão 20 de Física — UFSCar 2009: mostrador digital do amperímetro
E)Peça do quebra-cabeça da alternativa E da questão 20 de Física — UFSCar 2009: mostrador digital do amperímetro

Gabarito

A
Resolução

As duas pilhas em série fornecem $\varepsilon=3{,}0$ V. Lendo o circuito: a lâmpada 1 está ligada diretamente aos terminais da associação; as lâmpadas 2 e 3 e o ramo do amperímetro com o resistor formam outro ramo, em que a lâmpada 2 está em série com o trecho em que a lâmpada 3 fica em paralelo com (amperímetro + resistor).

O amperímetro é ideal (resistência nula), então esse trecho em paralelo vale $\dfrac{10\times10}{10+10}=5\ \Omega$. Em série com a lâmpada 2: $10+5=15\ \Omega$ no ramo.

Esse ramo está sob 3,0 V: $i=\dfrac3{15}=0{,}2$ A. Essa corrente se divide igualmente entre a lâmpada 3 e o ramo do amperímetro com o resistor (ambos de 10 Ω): $0{,}1$ A em cada um.

O amperímetro indica 0,1 A (o fundo de escala de 1 A, com leitura digital de décimos, comporta bem esse valor). A peça que falta é a que mostra essa leitura no visor.

Q36
Cinemática — Movimento circular e gráfico v×t — Enrolamento de fio em carretel

Enquanto o carretel gira com velocidade angular constante, o fio, que é mantido esticado, envolve completamente o corpo cilíndrico do carretel, até atingir um dos bordos, momento em que inicia o preenchimento de uma nova fiada sobre a camada anterior já enrolada. Sucessivamente, o corpo do carretel é envolvido pelo fio, até se obter a capacidade de armazenamento desejada.

Carretel sendo enrolado pelo fio, e gráfico da velocidade do fio, em m/s, em função do tempo, em degraus de 20 s, de 12,0 a 14,7 m/s

Desconsiderando os ligeiros desvios de direção que tem o fio enquanto é enrolado, o gráfico indica de forma bastante satisfatória os valores de velocidade assumidos pelo fio durante o completo preenchimento do carretel.

Carretel sendo enrolado pelo fio, e gráfico da velocidade do fio, em m/s, em função do tempo, em degraus de 20 s, de 12,0 a 14,7 m/s

Com base nessas informações, determine:

a)

O comprimento total do fio contido em um desses carretéis.

Resposta $L=2\,670$ m.
b)

Sabendo que a última fiada do carretel lhe dá a forma de um cilindro de diâmetro 3 cm e desprezando a espessura do fio, determine a velocidade angular impressa pelo eixo que sustenta o carretel.

Resposta $\omega=980$ rad/s.
Resolução

a) O gráfico mostra dez degraus de 20 s cada, com a velocidade subindo de 0,3 m/s a cada degrau: 12,0; 12,3; 12,6; ...; 14,7 m/s. A velocidade cresce porque, à medida que o carretel enche, o raio de enrolamento aumenta, e com $\omega$ constante $v=\omega\,R$ aumenta.

O comprimento de fio é a distância percorrida pelo fio, numericamente igual à área sob o gráfico: $L=\sum v_i\,\Delta t=20\times(12{,}0+12{,}3+\ldots+14{,}7)$. A soma de uma PA de 10 termos é $10\times\dfrac{12{,}0+14{,}7}{2}=133{,}5$, então $L=20\times133{,}5=2\,670$ m.

b) Na última fiada, o raio é $R=1{,}5$ cm $=0{,}015$ m e a velocidade do fio é a do último degrau, 14,7 m/s. Como $v=\omega\,R$: $\omega=\dfrac{14{,}7}{0{,}015}=980$ rad/s.

Resposta: a) $L=2\,670$ m.; b) $\omega=980$ rad/s.

Q37
Mecânica — Impulso e quantidade de movimento — Airbag e o mergulho do atobá

O airbag tem provado salvar vidas. De acessório opcional, é agora um dispositivo de segurança que deverá estar presente em todos os automóveis.

(Ilustração omitida: um quadrinho em que um motorista, ao volante, é parado por um guarda.)

Mas essa inovação tecnológica não é privilégio da humanidade. Há séculos, a natureza emprega os mesmos princípios mecânicos em uma ave, o atobá, mais conhecido como mergulhão.

Em vôo, após ter avistado um cardume, esta ave fecha suas asas e se atira verticalmente em direção às águas, atingindo-as com velocidades próximas a 150 km/h. Assim como os carros modernos, o atobá possui um pequeno airbag natural. Trata-se de uma bolsa em seu peito, que é inflada com ar momentos antes do choque violento com a água. (Animal Planet/documentários. Adaptado.)

Gráfico da intensidade da força F, em N, em função do tempo t, em s: cresce linearmente de zero a 4 000 N em 0,01 s e decresce linearmente até zero em 0,03 s
a)

O motorista do quadrinho certamente não está protegido pelo seu travesseiro. Considere um choque sem bolsa de ar e outro com bolsa de ar. Como se comportam qualitativamente o impulso e o tempo de interação em cada um desses choques?

Resposta O impulso é o mesmo nos dois choques; o tempo de interação é maior com a bolsa de ar.
b)

Suponha que, durante o choque do atobá contra a água, a força de interação tenha as intensidades representadas pelo gráfico. Determine qual seria o impulso sofrido pela ave e a intensidade da força média (se o choque não envolvesse a variação de intensidades de força) no processo de entrada na água.

Resposta $I=60$ N·s e $F_m=2\,000$ N.
Resolução

a) Em situações idênticas, o corpo vai da mesma velocidade até o repouso, com a mesma variação de quantidade de movimento. Pelo teorema do impulso, $I=\Delta Q$, e o impulso é o mesmo com ou sem bolsa. Como $I=F_m\,\Delta t$, a bolsa de ar aumenta o tempo de interação $\Delta t$ e, para o mesmo impulso, diminui a força média sobre a pessoa, o que reduz as lesões.

b) O impulso é a área sob o gráfico $F\times t$, um triângulo de base 0,03 s e altura 4 000 N: $I=\dfrac{0{,}03\times4\,000}{2}=60$ N·s.

A força média constante que daria o mesmo impulso no mesmo intervalo é $F_m=\dfrac I{\Delta t}=\dfrac{60}{0{,}03}=2\,000$ N.

Resposta: a) O impulso é o mesmo nos dois choques; o tempo de interação é maior com a bolsa de ar.; b) $I=60$ N·s e $F_m=2\,000$ N.

Q38
Hidrostática e Termologia — Empuxo e gás ideal — Ludião

Você já construiu um ludião? Esse é um antigo brinquedo que pode testar suas habilidades. Uma sugestão de montagem de um desses brinquedos, reutilizando materiais de simples obtenção, está esquematizada na figura.

Ludião dentro de uma garrafa plástica com água: tampinha de caneta com ar na parte de cima e água embaixo, presa a uma massa de modelar

COMO MONTAR: Depois de grudar a massa de modelar na tampinha de caneta, o conjunto é inserido em uma garrafa de plástico transparente e flexível contendo água, tomando-se o cuidado de deixar uma pequena reserva de ar aprisionado na tampinha de caneta. A garrafa plástica é então devidamente fechada com sua própria tampa.

COMO FUNCIONA: A variação da pressão na pequena porção de ar aprisionado dentro do ludião é suficiente para comandar que o brinquedo suba, desça ou permaneça estaticamente flutuando no interior da água da garrafa, auxiliado pelo peso adicional que lhe dá a massa de modelar. Essa variação de pressão é obtida comprimindo-se o corpo da garrafa plástica onde se encontra o ludião flutuando na água.

a)

Imagine que a garrafa onde se encontra o ludião esteja fechada e que, devido à manutenção de uma forte compressão nas paredes da garrafa, o brinquedo se encontre tocando o fundo da mesma, completamente submerso na água. Para essa situação, faça um desenho de todas as forças que atuam sobre o ludião, utilizando vetores devidamente identificados pelo nome da força que representa. Em seguida, caracterize o vetor força resultante, indicando sua direção e sentido e escrevendo uma expressão escalar que determine seu módulo.

Resposta Forças: peso (para baixo), empuxo (para cima) e normal do fundo (para cima). Em repouso, a resultante é nula: $P=E+N$.
b)

Na mesma garrafa, agora destampada e com todo o sistema em equilíbrio à temperatura de 33 ºC, imagine que o ludião esteja flutuando e que, para mudar essa situação, a ponto de permanecer entre o limite de boiar e afundar, o volume de ar nele aprisionado tivesse que ser reduzido para $\dfrac{17}{18}$ do volume atual. Supondo que o ar possa ser comparado a um gás ideal, determine a temperatura, em graus Celsius, para que essa condição seja atingida.

Resposta $16\ °\text{C}$.
Resolução

a) Sobre o ludião, completamente imerso e apoiado no fundo, atuam: o peso $\vec P$ (vertical, para baixo), o empuxo $\vec E$ da água (vertical, para cima, de módulo $\rho_{água}\,V\,g$) e a força normal $\vec N$ do fundo da garrafa (vertical, para cima). Como a compressão da garrafa reduziu o volume de ar, o empuxo ficou menor que o peso, e o brinquedo desceu e se apoiou no fundo.

Em repouso, a resultante é nula, com $\vec N$ equilibrando a diferença entre peso e empuxo: $N=P-E$, ou $\vec F_R=\vec P+\vec E+\vec N=\vec 0$. Se for considerada apenas a ação do peso e do empuxo (sem o apoio do fundo), a resultante seria vertical para baixo, de módulo $P-E=m\,g-\rho_{água}\,V\,g$.

b) Com a garrafa destampada, a pressão do ar aprisionado é constante (a da profundidade em que o ludião está, a mesma nos dois estados). A transformação é isobárica: $\dfrac{V_1}{T_1}=\dfrac{V_2}{T_2}$, com temperaturas em kelvin. Com $T_1=33+273=306$ K e $V_2=\dfrac{17}{18}V_1$: $T_2=\dfrac{17}{18}\times306=289$ K.

Em graus Celsius: $289-273=16$ °C.

Resposta: a) Forças: peso (para baixo), empuxo (para cima) e normal do fundo (para cima). Em repouso, a resultante é nula: $P=E+N$.; b) $16\ °\text{C}$.

Q39
Eletrodinâmica — Resistência equivalente e potência — Circuito de aquecimento

Um circuito para aquecimento é mantido em funcionamento por meio de uma fonte de resistência interna desprezível e tensão contínua (d.d.p. 12 V). Enquanto a fonte está em uso, um amperímetro montado em seu gabinete indica a corrente elétrica de 5 A.

Fonte de 12 V com amperímetro e chave Lig./Des., ligada a um circuito de aquecimento, com um resistor avulso ao lado

Quando um único resistor de resistência elétrica desconhecida é associado ao circuito de aquecimento, o amperímetro passa a indicar 2 A.

a)

Determine a resistência elétrica do circuito de aquecimento sem o resistor e justifique como deve ter sido conectado o resistor, em série ou em paralelo.

Resposta $R=2{,}4\ \Omega$; o resistor foi ligado em série.
b)

Comparativamente à configuração original do circuito de aquecimento, o que ocorreu com a potência elétrica por ele dissipada, após a conexão do resistor? Justifique sua resposta através da análise das mudanças na intensidade da potência, resistência elétrica e intensidade de corrente elétrica.

Resposta A potência diminuiu de 60 W para 24 W.
Resolução

a) Pela lei de Ohm, o circuito de aquecimento sozinho tem $R=\dfrac Ui=\dfrac{12}5=2{,}4\ \Omega$.

Com o resistor adicionado, a corrente caiu de 5 A para 2 A, ou seja, a resistência total subiu para $R_{eq}=\dfrac{12}2=6\ \Omega$, maior que $2{,}4\ \Omega$. Em paralelo, a resistência equivalente seria menor que a menor das resistências, e a corrente aumentaria. Logo, o resistor foi ligado em série e vale $6-2{,}4=3{,}6\ \Omega$.

b) A tensão da fonte é constante. Antes, $P=U\,i=12\times5=60$ W. Depois, $P'=12\times2=24$ W. A potência total fornecida diminuiu: a resistência equivalente aumentou ($P=\dfrac{U^2}{R}$ com $U$ fixa), a corrente diminuiu e, portanto, o circuito dissipa menos potência (parte dela agora é dissipada no resistor novo).

Resposta: a) $R=2{,}4\ \Omega$; o resistor foi ligado em série.; b) A potência diminuiu de 60 W para 24 W.

Q40
Eletromagnetismo — Campo magnético — Espira e fio retilíneo

Isolados um do outro, um fio retilíneo e muito longo foi deitado sobre uma espira circular plana de raio $R$, conforme o esquema.

Fio retilíneo com corrente i1 para a direita, a uma distância R/2 acima do centro C de uma espira circular de raio R, percorrida pela corrente i2
a)

Suponha que no ponto C apenas atuem os campos magnéticos gerados pelas duas correntes elétricas indicadas. Represente em um desenho a direção e o sentido dos vetores campo magnético $\vec B_E$ e $\vec B_F$, gerados pela espira e pelo fio, tendo como referência o plano da folha e o esquema.

Resposta $\vec B_E$ perpendicular à folha, saindo; $\vec B_F$ perpendicular à folha, entrando.
b)

Determine a intensidade do campo magnético resultante, supondo que na região não haja nenhuma outra manifestação magnética. (Dados: $R=0{,}02$ m; $\mu_0=4\pi\cdot10^{-7}$ T·m/A; $\pi=3$; $i_1=4$ A; $i_2=8$ A.)

Resposta $B=1{,}6\times10^{-4}$ T.
Resolução

a) Espira: a corrente $i_2$ sobe pelo lado direito, entra na espira e a percorre em sentido anti-horário. Pela regra da mão direita (dedos no sentido da corrente, polegar no do campo no interior), o campo $\vec B_E$ em C é perpendicular ao plano da folha, saindo da folha.

Fio: com $i_1$ para a direita e o ponto C abaixo do fio, a mão direita (polegar no sentido da corrente, dedos curvos mostram as linhas de campo) dá $\vec B_F$ perpendicular à folha, entrando nela.

b) Espira, no centro: $B_E=\dfrac{\mu_0\,i_2}{2R}=\dfrac{4\times3\times10^{-7}\times8}{2\times0{,}02}=\dfrac{96\times10^{-7}}{0{,}04}=2{,}4\times10^{-4}$ T.

Fio, a $d=\dfrac R2=0{,}01$ m de C: $B_F=\dfrac{\mu_0\,i_1}{2\pi\,d}=\dfrac{4\times3\times10^{-7}\times4}{2\times3\times0{,}01}=\dfrac{48\times10^{-7}}{0{,}06}=0{,}8\times10^{-4}$ T.

Os campos têm a mesma direção e sentidos opostos; o resultante tem a intensidade da diferença: $B=2{,}4\times10^{-4}-0{,}8\times10^{-4}=1{,}6\times10^{-4}$ T, saindo da folha.

Resposta: a) $\vec B_E$ perpendicular à folha, saindo; $\vec B_F$ perpendicular à folha, entrando.; b) $B=1{,}6\times10^{-4}$ T.

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