A montagem de um experimento utiliza uma pequena rampa AB para estudar colisões entre corpos. Na primeira etapa da experiência, a bolinha I é solta do ponto A, descrevendo a trajetória AB, escorregando sem sofrer atrito e com velocidade vertical nula no ponto B (figura 1).
Com o auxílio de uma folha carbono, é possível marcar o ponto exato C onde a bolinha I tocou o chão e com isto, conhecer a distância horizontal por ela percorrida (do ponto B’ até o ponto C de queda no chão), finalizando a trajetória ABC.
Na segunda etapa da experiência, a bolinha I é solta da mesma forma que na primeira etapa e colide com a bolinha II, idêntica e de mesma massa, em repouso no ponto B da rampa (figura 2).
Admita que as bolinhas I e II chegam ao solo nos pontos $C_1$ e $C_2$, percorrendo distâncias horizontais de mesmo valor ($d_1=d_2$), conforme a figura 3.
Sabendo que $H=1\text{ m}$; $h=0{,}6\text{ m}$ e $g=10\text{ m/s}^2$, determine as velocidades horizontais da bolinha I ao chegar ao chão na primeira e na segunda etapa da experiência.
Primeira etapa. Sem atrito, a energia mecânica se conserva entre $A$ e $B$. No ponto $B$ a velocidade é horizontal, e a bolinha desceu $H-h=0{,}4\text{ m}$:
$$v_B=\sqrt{2g(H-h)}=\sqrt{2\cdot10\cdot0{,}4}=2\sqrt2\approx2{,}8\text{ m/s}$$
Depois de deixar a rampa, a bolinha faz um lançamento horizontal. A componente horizontal da velocidade não muda, então ao chegar ao chão ela vale $v_1=v_B\approx2{,}8\text{ m/s}$.
Segunda etapa. Em $B$, a bolinha I (velocidade $v_B$) colide com a II, de mesma massa, em repouso. Como as duas caem da mesma altura $h$, o tempo de queda é o mesmo; logo, $d_1=d_2$ significa que as duas saem de $B$ com velocidades horizontais de mesmo módulo $v_2$, simétricas em relação à direção $B’C$, cada uma formando o ângulo $\theta$ com ela.
Na colisão elástica entre massas iguais com uma delas em repouso, as velocidades finais são perpendiculares. Com a simetria da figura 3, isso dá $\theta=45^{\circ}$. A conservação da quantidade de movimento na direção $B’C$ fornece:
$$m\,v_B=2\,m\,v_2\cos45^{\circ}\Rightarrow v_2=\dfrac{v_B}{2\cos45^{\circ}}=\dfrac{2\sqrt2}{\sqrt2}=2{,}0\text{ m/s}$$
A mesma conclusão sai da conservação da energia cinética, $v_B^2=2v_2^2$, que dá $v_2=2{,}0\text{ m/s}$.
Observação: o enunciado não diz que a colisão é elástica; essa é a hipótese que permite determinar o ângulo $\theta$ e é a usual nesse tipo de experimento com bolinhas idênticas.
