Unesp · 2014 — 2ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Estadual Paulista

Vestibular 2014 · Prova de Conhecimentos Específicos — questões discursivas de Física.

Q19
Mecânica — Dinâmica — Força de tração e resistência em composição

Em um trecho retilíneo e horizontal de uma ferrovia, uma composição constituída por uma locomotiva e $20$ vagões idênticos partiu do repouso e, em $2$ minutos, atingiu a velocidade de $12\text{ m/s}$. Ao longo de todo o percurso, um dinamômetro ideal acoplado à locomotiva e ao primeiro vagão indicou uma força de módulo constante e igual a $120\,000\text{ N}$.

Considere que uma força total de resistência ao movimento, horizontal e de intensidade média correspondente a $3\%$ do peso do conjunto formado pelos $20$ vagões, atuou sobre eles nesse trecho. Adotando $g=10\text{ m/s}^2$, calcule a distância percorrida pela frente da locomotiva, desde o repouso até atingir a velocidade de $12\text{ m/s}$, e a massa de cada vagão da composição.

Resultado esperado

Distância percorrida: $720\text{ m}$; massa de cada vagão: $1{,}5\times10^{4}\text{ kg}$ ($15$ toneladas).
Resolução comentada

Distância. A força do dinamômetro é constante, então a aceleração é constante. A composição parte do repouso e atinge $12\text{ m/s}$ em $2\text{ min}=120\text{ s}$:

$$a=\dfrac{12}{120}=0{,}10\text{ m/s}^2$$

$$\Delta s=\dfrac{v}{2}\,t=\dfrac{12}{2}\cdot120=720\text{ m}$$

Massa de cada vagão. O dinamômetro está entre a locomotiva e o primeiro vagão, então a força que ele indica, $T=120\,000\text{ N}$, é a tração que puxa o conjunto dos $20$ vagões, de massa $20\,m$. A resistência vale $3\%$ do peso desse conjunto:

$$f=0{,}03\cdot20\,m\,g=0{,}03\cdot20\cdot m\cdot10=6\,m$$

Pela segunda lei de Newton para os vagões:

$$T-f=20\,m\,a\Rightarrow 120\,000-6\,m=20\,m\cdot0{,}10=2\,m$$

$$8\,m=120\,000\Rightarrow m=15\,000\text{ kg}$$

Q20
Termologia — Termodinâmica — Primeira lei e transformação isocórica

A figura representa um cilindro contendo um gás ideal em três estados, $1$, $2$ e $3$, respectivamente.

Cilindro com êmbolo contendo gás ideal em três estados. Estado 1: pressão P1, volume V1 e temperatura T1, com chama sob o cilindro. Estado 2: pressão P2 igual a P1, volume V2 e temperatura T2, êmbolo no topo, chama acesa. Estado 3: pressão P3 desconhecida, volume V3 igual a V2, temperatura T3 igual a T1, êmbolo travado e chama apagada.

No estado $1$, o gás está submetido à pressão $P_1=1{,}2\times10^{5}\text{ Pa}$ e ocupa um volume $V_1=0{,}008\text{ m}^3$ à temperatura $T_1$. Acende-se uma chama de potência constante sob o cilindro, de maneira que ao receber $500\text{ J}$ de calor o gás sofre uma expansão lenta e isobárica até o estado $2$, quando o êmbolo atinge o topo do cilindro e é impedido de continuar a se mover. Nesse estado, o gás passa a ocupar um volume $V_2=0{,}012\text{ m}^3$ à temperatura $T_2$.

Nesse momento, o êmbolo é travado de maneira que não possa mais descer e a chama é apagada. O gás é, então, resfriado até o estado $3$, quando a temperatura volta ao valor inicial $T_1$ e o gás fica submetido a uma nova pressão $P_3$.

Considerando que o cilindro tenha capacidade térmica desprezível, calcule a variação de energia interna sofrida pelo gás quando ele é levado do estado $1$ ao estado $2$ e o valor da pressão final $P_3$.

Resultado esperado

Variação de energia interna: $\Delta U=20\text{ J}$; pressão final: $P_3=8{,}0\times10^{4}\text{ Pa}$.
Resolução comentada

Variação de energia interna. Na expansão isobárica de $1$ a $2$, o trabalho realizado pelo gás é:

$$W=P_1\,(V_2-V_1)=1{,}2\times10^{5}\,(0{,}012-0{,}008)=480\text{ J}$$

Pela primeira lei da termodinâmica, com $Q=500\text{ J}$ recebidos:

$$\Delta U=Q-W=500-480=20\text{ J}$$

Pressão final. Os estados $1$ e $3$ têm a mesma temperatura, $T_3=T_1$, e o volume em $3$ é $V_3=V_2$. Pela lei geral dos gases:

$$P_1V_1=P_3V_3\Rightarrow P_3=\dfrac{1{,}2\times10^{5}\cdot0{,}008}{0{,}012}=8{,}0\times10^{4}\text{ Pa}$$

Q21
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de resistores

Dois resistores ôhmicos, $R_1$ e $R_2$, podem ser associados em série ou em paralelo. A resistência equivalente quando são associados em série é $R_S$ e quando são associados em paralelo é $R_P$.

No gráfico, a curva $S$ representa a variação da diferença de potencial elétrico entre os extremos da associação dos dois resistores em série, em função da intensidade de corrente elétrica que atravessa a associação de resistência equivalente $R_S$, e a curva $P$ representa a variação da diferença de potencial elétrico entre os extremos da associação dos dois resistores em paralelo, em função da intensidade da corrente elétrica que atravessa a associação de resistência equivalente $R_P$.

Gráfico da diferença de potencial U, em volts, em função da corrente i, em ampères: duas retas que partem da origem; a curva S passa por 48 V em 3 A e a curva P passa por 9 V em 3 A, por 18 V em 6 A, por 27 V em 9 A e por 36 V em 12 A.

Considere a associação seguinte, constituída por dois resistores $R_1$ e dois resistores $R_2$.

Associação mista: R1 e R2 em série, ligados em série com um par R1 e R2 em paralelo.

De acordo com as informações e desprezando a resistência elétrica dos fios de ligação, calcule a resistência equivalente da associação representada na figura e os valores de $R_1$ e $R_2$, ambos em ohms.

Resultado esperado

Resistência equivalente da associação: $19\ \Omega$; $R_1$ e $R_2$ valem $4\ \Omega$ e $12\ \Omega$.
Resolução comentada

Valores de $R_S$ e $R_P$. As duas curvas são retas pela origem, então $U=R\,i$ e a resistência equivalente é o coeficiente angular de cada uma. Pela curva $S$: $48\text{ V}$ para $3\text{ A}$. Pela curva $P$: $36\text{ V}$ para $12\text{ A}$.

$$R_S=\dfrac{48}{3}=16\ \Omega\qquad R_P=\dfrac{36}{12}=3\ \Omega$$

Valores de $R_1$ e $R_2$. Em série e em paralelo:

$$R_1+R_2=16\qquad \dfrac{R_1R_2}{R_1+R_2}=3\Rightarrow R_1R_2=48$$

Os dois números têm soma $16$ e produto $48$, logo são as raízes de $x^2-16x+48=0$:

$$x=\dfrac{16\pm\sqrt{256-192}}{2}=\dfrac{16\pm8}{2}\Rightarrow x=12\ \Omega\text{ ou }x=4\ \Omega$$

Portanto, $R_1$ e $R_2$ são $4\ \Omega$ e $12\ \Omega$ (o enunciado não permite dizer qual é qual, e o resultado seguinte não depende disso).

Resistência equivalente da associação. A associação é a série de $R_1$ e $R_2$ com o paralelo entre outro $R_1$ e outro $R_2$:

$$R_{eq}=R_1+R_2+\dfrac{R_1R_2}{R_1+R_2}=R_S+R_P=16+3=19\ \Omega$$

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