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Unesp · 2015 — 2ª Fase

Universidade Estadual Paulista

Vestibular 2015 · Prova de Conhecimentos Específicos — questões discursivas de Física.

Q19
Mecânica — Energia Mecânica e Colisão

Uma esfera de borracha de tamanho desprezível é abandonada, de determinada altura, no instante $t=0$, cai verticalmente e, depois de $2\text{ s}$, choca-se contra o solo, plano e horizontal. Após a colisão, volta a subir verticalmente, parando novamente, no instante $T$, em uma posição mais baixa do que aquela de onde partiu. O gráfico representa a velocidade da esfera em função do tempo, considerando desprezível o tempo de contato entre a esfera e o solo.

Gráfico da velocidade da esfera: de 0 a 20 m/s entre t igual a 0 e 2 s; após a colisão, velocidade de menos 18 m/s até voltar a zero no instante T

Desprezando a resistência do ar e adotando $g=10\text{ m/s}^2$, calcule a perda percentual de energia mecânica, em J, ocorrida nessa colisão e a distância total percorrida pela esfera, em m, desde o instante $t=0$ até o instante $T$.

Resultado esperado

Perda de energia mecânica: $19\%$; distância total: $36{,}2\text{ m}$.
Resolução

Imediatamente antes da colisão, a esfera tem velocidade de módulo $20\text{ m/s}$; imediatamente depois, sobe com velocidade de módulo $18\text{ m/s}$.

Como a colisão ocorre no mesmo nível, a perda percentual de energia mecânica pode ser obtida comparando as energias cinéticas imediatamente antes e depois do choque:

$\dfrac{\Delta E}{E_i}=1-\dfrac{E_f}{E_i}=1-\dfrac{\frac12m(18)^2}{\frac12m(20)^2}$

$\dfrac{\Delta E}{E_i}=1-\dfrac{324}{400}=0{,}19$.

Logo, a perda percentual de energia mecânica é $19\%$.

Na queda, a distância percorrida é a área sob o gráfico $v\times t$ entre $0$ e $2\text{ s}$:

$d_1=\dfrac{2\cdot20}{2}=20\text{ m}$.

Após a colisão, a esfera parte com velocidade de módulo $18\text{ m/s}$ e desacelera com módulo $g=10\text{ m/s}^2$. O tempo até parar é:

$18-10\Delta t=0\Rightarrow\Delta t=1{,}8\text{ s}$.

A distância percorrida na subida é:

$d_2=\dfrac{1{,}8\cdot18}{2}=16{,}2\text{ m}$.

Assim, a distância total percorrida é:

$d=d_1+d_2=20+16{,}2=36{,}2\text{ m}$.

Nota de fidelidade: o caderno oficial traz a expressão “perda percentual de energia mecânica, em J”. Como uma perda percentual é adimensional e a massa da esfera não é fornecida, o resultado fisicamente determinável é $19\%$.

Q20
Óptica Geométrica — Espelho Plano

Uma pessoa de $1{,}8\text{ m}$ de altura está parada diante de um espelho plano apoiado no solo e preso em uma parede vertical. Como o espelho está mal posicionado, a pessoa não consegue ver a imagem de seu corpo inteiro, apesar de o espelho ser maior do que o mínimo necessário para isso. De seu corpo, ela enxerga apenas a imagem da parte compreendida entre seus pés e um detalhe de sua roupa, que está a $1{,}5\text{ m}$ do chão. Atrás dessa pessoa, há uma parede vertical ${AB}$, a $2{,}5\text{ m}$ do espelho.

Pessoa diante de espelho plano, parede AB atrás dela, distância de 2,5 m entre a parede e o espelho e distância d entre a pessoa e o espelho

Sabendo que a distância entre os olhos da pessoa e a imagem da parede ${AB}$ refletida no espelho é $3{,}3\text{ m}$ e que seus olhos, o detalhe em sua roupa e seus pés estão sobre uma mesma vertical, calcule a distância $d$ entre a pessoa e o espelho e a menor distância que o espelho deve ser movido verticalmente para cima, de modo que ela possa ver sua imagem refletida por inteiro no espelho.

Resultado esperado

$d=0{,}8\text{ m}$; deslocamento mínimo do espelho: $0{,}15\text{ m}$ para cima.
Resolução

A parede ${AB}$ está a $2{,}5\text{ m}$ do espelho. Em um espelho plano, sua imagem forma-se à mesma distância atrás do espelho.

Assim, a distância horizontal dos olhos da pessoa até a imagem da parede é:

$d+2{,}5=3{,}3$.

$d=0{,}8\text{ m}$.

Para determinar quanto o espelho deve subir, usamos a propriedade geométrica do espelho plano: o ponto do espelho atingido pelo raio que permite observar um ponto do corpo fica na altura média entre esse ponto e os olhos.

O limite superior atual do espelho permite ver o detalhe situado a $1{,}5\text{ m}$ do chão. Para passar a ver também o topo do corpo, situado a $1{,}8\text{ m}$, o ponto de reflexão necessário deve subir metade da diferença entre essas alturas:

$\Delta h=\dfrac{1{,}8-1{,}5}{2}=0{,}15\text{ m}$.

Logo, o espelho deve ser deslocado verticalmente $0{,}15\text{ m}$ para cima.

Q21
Magnetismo — Campo Magnético de Fios Retilíneos

Dois fios longos e retilíneos, $1$ e $2$, são dispostos no vácuo, fixos e paralelos um ao outro, em uma direção perpendicular ao plano da folha. Os fios são percorridos por correntes elétricas constantes, de mesmo sentido, saindo do plano da folha e apontando para o leitor. Pelo fio $1$ circula uma corrente elétrica de intensidade $i_1=9\text{ A}$ e, pelo fio $2$, uma corrente de intensidade $i_2=16\text{ A}$. A circunferência tracejada, de centro $C$, passa pelos pontos de intersecção entre os fios e o plano que contém a figura.

Dois fios perpendiculares ao plano da folha sobre uma circunferência, com correntes saindo da folha; ponto P forma segmentos de 40 cm e 30 cm com os fios

Considerando $\mu_0=4\pi\times10^{-7}\text{ T·m/A}$, calcule o módulo do vetor indução magnética resultante, em tesla, no centro $C$ da circunferência e no ponto $P$ sobre ela, definido pelas medidas expressas na figura, devido aos efeitos simultâneos das correntes $i_1$ e $i_2$.

Resultado esperado

No centro $C$: $5{,}6\times10^{-6}\text{ T}$; no ponto $P$: $1{,}0\times10^{-5}\text{ T}$.
Resolução

Os segmentos de $40\text{ cm}$ e $30\text{ cm}$ formam, com a distância entre os fios, um triângulo retângulo. Logo, a distância entre os fios é:

$d=\sqrt{(0{,}40)^2+(0{,}30)^2}=0{,}50\text{ m}$.

Como os fios pertencem à circunferência e o centro $C$ está sobre o segmento que os une, esse segmento é um diâmetro. Portanto, a distância de $C$ a cada fio é:

$r_C=0{,}25\text{ m}$.

O campo magnético produzido por um fio retilíneo longo é:

$B=\dfrac{\mu_0 i}{2\pi r}$.

No centro $C$, como as correntes têm o mesmo sentido e $C$ está entre os fios, os campos possuem sentidos opostos. Assim:

$B_C=\dfrac{\mu_0}{2\pi r_C}|i_2-i_1|$

$B_C=\dfrac{4\pi\times10^{-7}}{2\pi(0{,}25)}(16-9)=5{,}6\times10^{-6}\text{ T}$.

No ponto $P$, as distâncias aos fios são $r_2=0{,}40\text{ m}$ e $r_1=0{,}30\text{ m}$.

Para o fio $2$:

$B_2=\dfrac{4\pi\times10^{-7}\cdot16}{2\pi\cdot0{,}40}=8\times10^{-6}\text{ T}$.

Para o fio $1$:

$B_1=\dfrac{4\pi\times10^{-7}\cdot9}{2\pi\cdot0{,}30}=6\times10^{-6}\text{ T}$.

Pela regra da mão direita, em $P$ esses dois campos são perpendiculares entre si. Logo:

$B_P=\sqrt{B_1^2+B_2^2}$

$B_P=\sqrt{(6\times10^{-6})^2+(8\times10^{-6})^2}=1{,}0\times10^{-5}\text{ T}$.

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