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UNICID · Medicina 2009.1 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Cidade de São Paulo · Fundação Vunesp

Processo Seletivo de Medicina — 1º semestre de 2009 · Prova I — questões de Física Q37 a Q54, com transcrição fiel, figuras do caderno, gabarito oficial conferido e resolução comentada Método TEF.

Q37
Física Geral — Grandezas e Unidades — Unidade do campo magnético

Considere uma partícula eletrizada, movendo-se no interior de um campo magnético. Sabendo que, no sistema internacional de unidades, a carga elétrica é medida em $\text{A}\cdot\text{s}$, a velocidade em $\text{m}\cdot\text{s}^{-1}$ e a força é medida em $\text{kg}\cdot\text{m}\cdot\text{s}^{-2}$, a unidade do campo magnético é dada por

A)$\text{A}\cdot\text{m}\cdot\text{s}^{-2}$.
B)$\text{kg}\cdot\text{A}\cdot\text{m}\cdot\text{s}^{-1}$.
C)$\text{kg}\cdot\text{A}^{-1}\cdot\text{m}\cdot\text{s}^{-1}$.
D)$\text{kg}\cdot\text{A}^{-1}\cdot\text{m}\cdot\text{s}^{-3}$.
E)$\text{kg}\cdot\text{A}^{-1}\cdot\text{s}^{-2}$.

Alternativa correta

E
Resolução

A força magnética sobre uma partícula eletrizada que se move com velocidade perpendicular ao campo é dada por

$F=q\,v\,B$.

Isolando o campo magnético:

$B=\dfrac{F}{q\,v}$.

Substituindo as unidades fornecidas no enunciado, com a carga em $\text{A}\cdot\text{s}$, a velocidade em $\text{m}\cdot\text{s}^{-1}$ e a força em $\text{kg}\cdot\text{m}\cdot\text{s}^{-2}$:

$[B]=\dfrac{\text{kg}\cdot\text{m}\cdot\text{s}^{-2}}{(\text{A}\cdot\text{s})\cdot(\text{m}\cdot\text{s}^{-1})}=\dfrac{\text{kg}\cdot\text{m}\cdot\text{s}^{-2}}{\text{A}\cdot\text{m}\cdot\text{s}^{0}}=\text{kg}\cdot\text{A}^{-1}\cdot\text{s}^{-2}$.

O denominador contém $\text{s}\cdot\text{s}^{-1}=\text{s}^0$, de modo que o metro e uma parcela do tempo se cancelam. Resta $\text{kg}\cdot\text{A}^{-1}\cdot\text{s}^{-2}$, que é a unidade do tesla no SI.

Q38
Mecânica — Cinemática — Movimento relativo

Dois jogadores de futebol A e B seguem paralelamente com a mesma velocidade constante em relação ao campo ($\vec V_A=\vec V_B$), em que a linha reta entre os jogadores forma o ângulo $\theta$ com o sentido de movimento. Em dado instante, o jogador A passa a bola para o jogador B, lançada horizontalmente e sem tocar o gramado.

Dois jogadores A e B com velocidades paralelas e iguais; a reta tracejada AB forma o ângulo θ com o sentido do movimento

Desprezando os efeitos do ar, é correto afirmar que, para a bola chegar até o jogador B, o ângulo de lançamento da bola, em relação ao sentido de movimento do jogador A, depende apenas

A)do valor de $\theta$.
B)do módulo da velocidade da bola.
C)do módulo da velocidade dos jogadores.
D)do valor de $\theta$ e do módulo da velocidade da bola.
E)do módulo da velocidade da bola e do módulo da velocidade dos jogadores.

Alternativa correta

A
Resolução

Os dois jogadores têm a mesma velocidade vetorial em relação ao campo; logo, em relação a um referencial que se move junto com eles, A e B estão em repouso um em relação ao outro, separados pela reta tracejada que forma o ângulo $\theta$ com o sentido do movimento.

Desprezando o ar, a bola não sofre aceleração horizontal. Nesse referencial (inercial, pois a velocidade dos jogadores é constante), a bola se move em linha reta e com velocidade constante. Para atingir B, que está parado nesse referencial, a bola precisa percorrer exatamente o segmento AB.

Portanto, para o jogador A, que também está parado nesse referencial, a direção do lançamento é a da reta AB, ou seja, forma com o sentido de movimento o ângulo

$\alpha=\theta$.

Esse ângulo é determinado apenas pela geometria da situação, isto é, pelo valor de $\theta$. Já os módulos da velocidade da bola e da velocidade dos jogadores influenciam somente o tempo de percurso e a velocidade da bola em relação ao solo, mas não a direção do lançamento vista por A: se a bola for mais rápida, ela chega antes; se for mais lenta, chega depois, sempre ao longo de AB.

Q39
Mecânica — Cinemática — Transmissão de movimento circular

Na tentativa de reproduzir uma cena em movimento, com um projetor de slides, um professor de Física uniu o porta-slides do projetor (raio $10\text{ cm}$ e capacidade para $16$ slides) com a roldana de um motor elétrico (raio $1\text{ cm}$), por meio de uma correia. Supondo que a correia não derrape, para projetar em $1$ segundo os $16$ slides, é necessário que o motor tenha a rotação, em r.p.m., de

A)$500$.
B)$600$.
C)$700$.
D)$800$.
E)$900$.

Alternativa correta

B
Resolução

O porta-slides comporta $16$ slides. Para projetar os $16$ slides em $1\text{ s}$, ele deve completar uma volta em $1\text{ s}$; portanto, sua frequência é

$f_{\text{slides}}=1\text{ Hz}$.

Como a correia não derrapa, os pontos da borda do porta-slides e da roldana do motor têm a mesma velocidade linear:

$v=2\pi f_{\text{slides}}R_{\text{slides}}=2\pi f_{\text{motor}}R_{\text{motor}}$.

Logo,

$f_{\text{motor}}=f_{\text{slides}}\cdot\dfrac{R_{\text{slides}}}{R_{\text{motor}}}=1\cdot\dfrac{10}{1}=10\text{ Hz}$.

Convertendo para rotações por minuto:

$10\text{ Hz}=10\text{ rot/s}=10\times60=600\text{ r.p.m.}$

Q40
Mecânica — Dinâmica — Leis de Newton — inércia e empuxo

Uma criança, dentro de um veículo em movimento, com as janelas fechadas, segura um balão de gás (preenchido com um gás de densidade ________ que a do ar). De repente, o carro freia bruscamente. Todos se movimentam para frente devido à ________ lei de Newton, com exceção do balão, que se movimenta para trás.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas da frase.

A)menor … 1.ª
B)menor … 2.ª
C)maior … 3.ª
D)maior … 1.ª
E)menor … 3.ª

Alternativa correta

A
Resolução

Ao frear, tudo o que está no interior do carro tende a manter o movimento que possuía, isto é, a continuar para frente em relação ao veículo. Esse comportamento é a inércia, descrita pela 1.ª lei de Newton: um corpo tende a permanecer em repouso ou em movimento retilíneo uniforme se a resultante das forças sobre ele for nula.

O ar do interior do carro também possui massa e, por inércia, é projetado para frente, acumulando-se na parte dianteira da cabine e criando ali uma região de maior pressão. O balão, por sua vez, contém um gás de densidade menor que a do ar; sua inércia é menor que a do volume de ar que ele desloca. Sobre o balão atua o empuxo do ar ao redor, e como o ar é empurrado para frente, o gradiente de pressão resultante empurra o balão para trás.

Assim, as lacunas são preenchidas por "menor" (densidade do gás do balão em relação à do ar) e "1.ª" (lei da inércia). Não se trata da 3.ª lei (ação e reação), pois o fenômeno de tender a continuar em movimento não é um par de forças, nem da 2.ª lei, que relaciona a força resultante à aceleração.

Q41
Mecânica — Dinâmica — Força elástica e 2.ª lei de Newton

Um bloco de massa $2m$ é acoplado em outro bloco de massa $m$, por meio de uma corda elástica com constante de elasticidade $k$. O bloco de massa $m$ é puxado por uma força $F$, paralela ao plano horizontal e paralela à corda.

Bloco de massa 2m ligado por corda elástica de constante k ao bloco de massa m, puxado pela força F sobre plano horizontal

Desconsiderando as forças de atrito, a deformação da corda é dada por

A)$2F/3k$.
B)$2k/3F$.
C)$2kF/3$.
D)$3F/2k$.
E)$3k/2F$.

Alternativa correta

A
Resolução

Sem atrito, os dois blocos se movem juntos com a mesma aceleração $a$. Aplicando a 2.ª lei de Newton ao conjunto, de massa total $3m$, sobre o qual atua apenas a força externa $F$:

$F=3m\,a\;\Rightarrow\;a=\dfrac{F}{3m}$.

O bloco de massa $2m$ é acelerado exclusivamente pela força elástica da corda, de intensidade $T=kx$, em que $x$ é a deformação:

$kx=2m\,a=2m\cdot\dfrac{F}{3m}=\dfrac{2F}{3}$.

Portanto, a deformação da corda é

$x=\dfrac{2F}{3k}$.

Q42
Mecânica — Dinâmica — Atrito estático e dinâmico a partir de gráficos

É aplicada, sobre um corpo de massa $2\text{ kg}$, que se encontra sobre uma superfície horizontal com atrito, uma força variável paralela ao plano. Os gráficos representam a relação entre força aplicada e tempo e entre velocidade e tempo.

Gráfico da força F em newtons versus tempo e gráfico da velocidade versus tempo para o corpo de 2 kg

Considerando que a aceleração da gravidade vale $10\text{ m/s}^2$, os coeficientes de atrito estático e dinâmico valem, respectivamente,

A)$0{,}25$ e $0{,}25$.
B)$0{,}25$ e $0{,}50$.
C)$0{,}50$ e $0{,}25$.
D)$0{,}50$ e $0{,}50$.
E)$1{,}00$ e $0{,}50$.

Alternativa correta

C
Resolução

No gráfico $F\times t$, a força cresce linearmente de $0$ a $10\text{ N}$ entre $0$ e $2\text{ s}$ e depois permanece constante em $10\text{ N}$. No gráfico $v\times t$ (a velocidade está em m/s), o corpo permanece em repouso até $t=2\text{ s}$ e, a partir daí, acelera uniformemente, atingindo $5{,}0\text{ m/s}$ em $t=4\text{ s}$.

Atrito estático. O corpo só começa a se mover quando a força aplicada vence o atrito estático máximo, o que ocorre em $t=2\text{ s}$, com $F=10\text{ N}$. A força normal é $N=mg=2\cdot10=20\text{ N}$. Logo,

$\mu_e=\dfrac{F_{\text{at,máx}}}{N}=\dfrac{10}{20}=0{,}50$.

Atrito dinâmico. Entre $2\text{ s}$ e $4\text{ s}$ a aceleração vale

$a=\dfrac{\Delta v}{\Delta t}=\dfrac{5{,}0-0}{4-2}=2{,}5\text{ m/s}^2$.

Nesse intervalo, a força aplicada é $F=10\text{ N}$ e atua também o atrito dinâmico $F_{\text{at}}=\mu_d N$. Pela 2.ª lei de Newton:

$F-\mu_d N=m\,a\;\Rightarrow\;10-20\,\mu_d=2\cdot2{,}5=5$.

Daí,

$\mu_d=\dfrac{5}{20}=0{,}25$.

Q43
Mecânica — Gravitação — Leis de Kepler

Caso a Terra, por um motivo desconhecido, tivesse a distância entre ela e o Sol quadruplicada, para manter uma órbita estável, teria seu período de translação e sua velocidade de translação multiplicados, respectivamente, por

A)$2$ e $1/2$.
B)$4$ e $4$.
C)$4$ e $16$.
D)$8$ e $1/2$.
E)$8$ e $4$.

Alternativa correta

D
Resolução

Para uma órbita circular estável, a 3.ª lei de Kepler afirma que $T^2\propto r^3$. Quadruplicando o raio, $r'=4r$:

$\left(\dfrac{T'}{T}\right)^2=\left(\dfrac{r'}{r}\right)^3=4^3=64\;\Rightarrow\;T'=8\,T$.

Para a velocidade, a força gravitacional atua como resultante centrípeta:

$\dfrac{GMm}{r^2}=\dfrac{mv^2}{r}\;\Rightarrow\;v=\sqrt{\dfrac{GM}{r}}$.

Como $v\propto r^{-1/2}$,

$\dfrac{v'}{v}=\sqrt{\dfrac{r}{r'}}=\sqrt{\dfrac{1}{4}}=\dfrac{1}{2}$.

O período fica multiplicado por $8$ e a velocidade, por $1/2$.

Q44
Mecânica — Trabalho e Energia — Colisões e conservação

Durante uma experiência de Física, um grupo de alunos dispunha de um conjunto de $4$ esferas idênticas, penduradas por fios muito leves, idênticos, pendentes de um teto comum. No relatório, foram apresentados desenhos que reproduziam as condições inicial e final observadas. A condição inicial é representada pela seguinte figura:

Condição inicial: duas esferas elevadas a uma altura 2H e duas esferas em repouso na vertical

Desconhecendo o material do qual as esferas são constituídas, a condição final poderia ser representada por

Quatro configurações finais possíveis, I a IV: I, uma esfera sobe 2H; II, uma esfera sobe 4H; III, duas esferas sobem 2H; IV, as quatro esferas sobem H/2

Está correto o contido em

A)I e IV, apenas.
B)II e III, apenas.
C)III, apenas.
D)III e IV, apenas.
E)I, II, III e IV.

Alternativa correta

D
Resolução

Na condição inicial, duas esferas são soltas de uma altura $2H$ e colidem com as outras duas, em repouso. Seja $v$ a velocidade das esferas imediatamente antes do choque; pela conservação da energia mecânica na descida, $v^2=2g(2H)$. A quantidade de movimento total antes do choque é $2mv$.

Como o material das esferas é desconhecido, a colisão pode ser elástica, parcialmente inelástica ou perfeitamente inelástica. Em qualquer caso, a quantidade de movimento total se conserva (as forças do choque são internas e o intervalo de tempo é muito curto). Analisemos as figuras.

I: uma única esfera sobe $2H$, o que corresponde à velocidade $v$ após o choque e à quantidade de movimento $mv$, diferente de $2mv$. A quantidade de movimento não se conserva; a figura é impossível. II: uma esfera sobe $4H$, com velocidade $\sqrt{2}\,v$ e quantidade de movimento $\sqrt{2}\,mv\neq2mv$. Também não conserva a quantidade de movimento.

III (choque elástico): com esferas idênticas e choque elástico, ocorre troca de velocidades: as duas esferas incidentes param e as duas que estavam em repouso saem com velocidade $v$, subindo até a altura $2H$. A quantidade de movimento ($2mv$) e a energia se conservam; é possível.

IV (choque perfeitamente inelástico): as quatro esferas se movem juntas com velocidade $v'$:

$2mv=4m\,v'\;\Rightarrow\;v'=\dfrac{v}{2}$.

A altura atingida é proporcional ao quadrado da velocidade ($h=v^2/2g$); assim,

$h'=\dfrac{(v/2)^2}{2g}=\dfrac{1}{4}\cdot2H=\dfrac{H}{2}$,

que é exatamente a situação da figura IV, em que parte da energia mecânica é dissipada. Logo, apenas as configurações III e IV são fisicamente possíveis.

Q45
Mecânica — Hidrostática — Princípio de Pascal

Para uma feira de ciências, um estudante montou um sistema em que os três corpos, de mesma massa, permanecem em equilíbrio. Dois sobre os pistões cilíndricos A e B, cujo êmbolo é preenchido com líquido incompressível e, um terceiro está suspenso por um sistema de roldanas, sem massa e com cordas inextensíveis, conforme mostra a figura.

Vasos comunicantes com pistões A e B, cada um com um corpo; o corpo sobre B é ligado por fio a um sistema de roldanas que sustenta o terceiro corpo

A razão entre o raio do cilindro A e do cilindro B é dada por

A)$\sqrt{2}$.
B)$2$.
C)$2\sqrt{2}$.
D)$4$.
E)$8$.

Alternativa correta

A
Resolução

Seja $P$ o peso de cada corpo, todos de mesma massa. Desprezando o peso dos pistões, analisemos primeiro o sistema de roldanas. O corpo suspenso está preso a uma roldana móvel, sustentada por dois trechos do mesmo fio, cada um com tração $T$. Pelo equilíbrio do corpo e da roldana móvel:

$2T=P\;\Rightarrow\;T=\dfrac{P}{2}$.

Essa mesma tração $T$ puxa para cima o corpo apoiado no pistão B. Portanto, a força que o corpo e o fio exercem para baixo sobre o pistão B é

$F_B=P-T=P-\dfrac{P}{2}=\dfrac{P}{2}$.

No pistão A, o corpo exerce a força $F_A=P$. Pelo princípio de Pascal, para o líquido em equilíbrio, a pressão nos dois êmbolos (mesma altura) é a mesma:

$\dfrac{F_A}{A_A}=\dfrac{F_B}{A_B}\;\Rightarrow\;\dfrac{P}{\pi r_A^2}=\dfrac{P/2}{\pi r_B^2}$.

Simplificando,

$\dfrac{r_A^2}{r_B^2}=2\;\Rightarrow\;\dfrac{r_A}{r_B}=\sqrt{2}$.

Q46
Termologia — Termodinâmica — Trabalho em transformação isobárica

A temperatura de um gás monoatômico e ideal, no interior de um balão de gás, é dobrada. Considerando que a pressão $P$ permaneça constante, que $n$ seja o número de mols de um gás, $R$ a constante universal dos gases perfeitos e $T$ a temperatura inicial, é correto afirmar que o trabalho realizado pelo gás vale

A)$nRT$.
B)$2nRT$.
C)$nRT/2P$.
D)$2nRT/P$.
E)$3nRT/2$.

Alternativa correta

A
Resolução

Em uma transformação isobárica, o trabalho realizado pelo gás é

$W=P\,\Delta V=P\,(V_f-V_i)$.

Pela equação de Clapeyron, $PV=nRT$; com $P$ e $n$ constantes, $P\,V_i=nRT$ e $P\,V_f=nR\,(2T)$. Então

$W=nR\,(2T)-nRT=nRT$.

O fato de o gás ser monoatômico influencia a variação de energia interna ($\Delta U=\tfrac{3}{2}nR\Delta T$) e o calor trocado, mas não o trabalho, que depende apenas de $P$ e $\Delta V$.

Q47
Óptica — Espelhos Esféricos — Formação de imagem e dilatação térmica

Um espelho esférico de $10\text{ cm}$ de foco é colocado a $30\text{ cm}$ de um anteparo, no qual é fixado um arame de $14\text{ cm}$ ($m=10\text{ g}$, $c=0{,}14\text{ J/g}{}^\circ\text{C}$ e $\alpha=10^{-5}\,{}^\circ\text{C}^{-1}$) com uma lâmpada de $50\text{ W}$ na extremidade, como mostra a figura. O espelho e o anteparo são fixos.

Espelho esférico à esquerda, a 30 cm do anteparo; arame de 14 cm fixado ao anteparo com a lâmpada na extremidade

Supondo que todo calor dissipado pela lâmpada seja absorvido pelo arame, a sua imagem ficará nítida no anteparo após

A)$100\text{ s}$.
B)$200\text{ s}$.
C)$300\text{ s}$.
D)$400\text{ s}$.
E)$500\text{ s}$.

Alternativa correta

B
Resolução

1) Onde a lâmpada deve estar. Para a imagem ser nítida no anteparo, ela deve se formar a $p'=30\text{ cm}$ do espelho (que é côncavo, pois forma imagem real). Pela equação de Gauss, com $f=10\text{ cm}$:

$\dfrac{1}{p}=\dfrac{1}{f}-\dfrac{1}{p'}=\dfrac{1}{10}-\dfrac{1}{30}=\dfrac{2}{30}\;\Rightarrow\;p=15\text{ cm}$.

Inicialmente, o arame mede $14\text{ cm}$ e está fixado no anteparo, que fica a $30\text{ cm}$ do espelho; logo, a lâmpada está a $30-14=16\text{ cm}$ do espelho. Para chegar a $15\text{ cm}$, a lâmpada precisa se aproximar do espelho $1\text{ cm}$, o que exige que o arame se dilate $\Delta L=1\text{ cm}$.

2) Variação de temperatura necessária. Pela dilatação linear:

$\Delta L=L_0\,\alpha\,\Delta T\;\Rightarrow\;1=14\cdot10^{-5}\,\Delta T\;\Rightarrow\;\Delta T=\dfrac{1}{14\cdot10^{-5}}\approx7\,143\,{}^\circ\text{C}$.

3) Calor e tempo. O calor necessário é

$Q=m\,c\,\Delta T=10\cdot0{,}14\cdot\dfrac{1}{14\cdot10^{-5}}=10\,000\text{ J}$.

Como toda a potência de $50\text{ W}$ da lâmpada é absorvida pelo arame:

$t=\dfrac{Q}{P}=\dfrac{10\,000}{50}=200\text{ s}$.

Q48
Óptica — Refração — Reflexão total e ângulo limite

Uma casa de shows instalou, no fundo de uma piscina, um laser, inclinado em $45{}^\circ$ em relação ao chão. A piscina foi preenchida até uma altura de $1\text{ m}$ com um líquido cujo índice de refração vale $n_{\text{Líquido}}=\sqrt{2}$. Considerando que o índice de refração do ar vale $n_{\text{ar}}=1$, para o laser ser visto fora do líquido deve-se

A)diminuir a altura do líquido.
B)aumentar a altura do líquido.
C)diminuir o índice de refração do líquido.
D)aumentar o índice de refração do líquido.
E)aumentar a intensidade do laser.

Alternativa correta

C
Resolução

O fundo e a superfície do líquido são horizontais. Como o laser está inclinado $45{}^\circ$ em relação ao chão, ele também incide na superfície do líquido formando $45{}^\circ$ com ela e, portanto, $45{}^\circ$ com a normal. O ângulo de incidência é $\theta_i=45{}^\circ$, independentemente da altura do líquido.

A luz que passa do líquido para o ar só emerge se o ângulo de incidência for menor que o ângulo limite $L$, dado por

$\operatorname{sen}L=\dfrac{n_{\text{ar}}}{n_{\text{Líquido}}}=\dfrac{1}{\sqrt{2}}=\dfrac{\sqrt{2}}{2}\;\Rightarrow\;L=45{}^\circ$.

Com $\theta_i=L$, o raio refratado sairia rasante à superfície, sem emergir de fato; é a condição de início da reflexão total. Para que o laser seja visto fora do líquido, é preciso $\theta_i

Como $\operatorname{sen}L=1/n_{\text{Líquido}}$, aumentar $L$ exige diminuir o índice de refração do líquido. Alterar a altura do líquido não muda o ângulo de incidência, e a intensidade do laser não afeta a ocorrência de reflexão total, apenas a energia do feixe.

Q49
Óptica — Lentes — Lente divergente imersa em água

A miopia é corrigida com o uso de lentes divergentes. Um mergulhador míope encomendou óculos de mergulho com lentes plano-côncavas, iguais as de seus óculos. Entretanto, ao entrar na água, percebeu que sua visão estava pior do que sem os óculos. Considerando que a região entre os olhos e a lente é preenchida com água, pode-se afirmar que

A)o índice de refração da água era maior que o da lente.
B)o índice de refração da água era menor que o da lente.
C)o índice de refração da água era maior que o da lente e o lado côncavo da lente estava para fora.
D)o índice de refração da água era menor que o da lente e o lado côncavo da lente estava para fora.
E)o lado côncavo da lente estava para dentro.

Alternativa correta

A
Resolução

A vergência de uma lente delgada imersa em um meio de índice $n_{\text{meio}}$ é dada pela equação dos fabricantes de lentes:

$\dfrac{1}{f}=\left(\dfrac{n_{\text{lente}}}{n_{\text{meio}}}-1\right)\left(\dfrac{1}{R_1}+\dfrac{1}{R_2}\right)$.

Para uma lente plano-côncava, o fator geométrico $\left(\tfrac{1}{R_1}+\tfrac{1}{R_2}\right)$ é negativo. No ar ($n_{\text{meio}}\approx1

Se a lente é mergulhada em um meio com $n_{\text{meio}}>n_{\text{lente}}$, o primeiro parêntese passa a ser negativo; com o fator geométrico também negativo, o produto é positivo e a lente passa a ter $f>0$: torna-se convergente. Uma lente convergente acentua a convergência dos raios no olho já míope (que já converge demais), piorando a visão, exatamente o que o mergulhador observou.

Se, ao contrário, o índice da água fosse menor que o da lente, a lente continuaria divergente (apenas menos intensa) e a visão ainda seria corrigida, ao menos parcialmente. A orientação do lado côncavo não é condição necessária para a inversão do comportamento da lente: o que importa é a relação entre os índices de refração.

Q50
Ondulatória — Conceitos Básicos — Velocidade de propagação de onda

A figura a seguir mostra a foto instantânea de uma onda transversal sobre um fundo quadriculado.

Onda senoidal transversal sobre fundo quadriculado de 6 colunas por 4 linhas

Se a onda tem amplitude $8{,}5\text{ m}$ e período de oscilação de $0{,}05\text{ s}$, sua velocidade de propagação vale, em km/h,

A)$0{,}122$.
B)$1{,}224$.
C)$12{,}24$.
D)$122{,}4$.
E)$1\,224$.

Alternativa correta

E
Resolução

Calibração do quadriculado. Na figura, a onda vai do eixo central até a crista (ou o vale) ao longo de $2$ quadradinhos na vertical; logo, a amplitude equivale a $2$ lados de quadradinho:

$2\,\ell=8{,}5\text{ m}\;\Rightarrow\;\ell=4{,}25\text{ m}$.

Comprimento de onda. Entre duas cristas consecutivas (ou dois vales consecutivos) há $4$ quadradinhos na horizontal:

$\lambda=4\,\ell=4\cdot4{,}25=17\text{ m}$.

Velocidade. Com o período $T=0{,}05\text{ s}$:

$v=\dfrac{\lambda}{T}=\dfrac{17}{0{,}05}=340\text{ m/s}$.

Convertendo para km/h (multiplicando por $3{,}6$):

$v=340\times3{,}6=1\,224\text{ km/h}$.

Q51
Ondulatória — Fenômenos Ondulatórios — Identificação de fenômenos ondulatórios

Observe o que segue:

Quatro figuras: I, ondas circulares de duas fontes próximas; II, frentes de onda incidindo e refletindo em uma barreira; III, ondas passando por uma fenda estreita; IV, frentes de onda com espaçamento diferente à direita

As figuras I, II, III e IV representam fenômenos ondulatórios conhecidos e são, correta e respectivamente,

A)difração, reflexão, interferência e refração.
B)difração, reflexão, refração e interferência.
C)difração, refração, interferência e reflexão.
D)interferência, reflexão, difração e refração.
E)interferência, refração, difração e reflexão.

Alternativa correta

D
Resolução

Figura I. Duas fontes puntiformes próximas emitem ondas circulares que se superpõem, formando regiões de reforço e de cancelamento (padrão de nós e ventres): trata-se de interferência.

Figura II. Frentes de onda planas atingem uma barreira rígida e retornam ao mesmo meio, com ângulo de reflexão igual ao de incidência: reflexão.

Figura III. Ondas planas incidem sobre um anteparo com uma fenda de abertura comparável ao comprimento de onda; do outro lado, a onda se espalha em frentes semicirculares, contornando o obstáculo: difração.

Figura IV. As frentes de onda passam de uma região em que estão mais afastadas para outra em que estão mais próximas, ou seja, o comprimento de onda muda (a velocidade de propagação se altera, mantida a frequência) ao passar de um meio a outro: refração.

A sequência, portanto, é interferência, reflexão, difração e refração.

Q52
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de resistores e potência

Ao consertar um televisor, um técnico percebeu que um resistor de valor $R$ havia queimado. Como tal resistor não é mais fabricado, pensou nas seguintes possibilidades, recorrendo aos resistores que possuía, a saber:

I. dois resistores de $R/2$ em série.
II. dois resistores de $2R$ em paralelo.
III. três resistores de $3R$ em paralelo.

Para dissipar a menor potência em cada resistor (considere resistores ôhmicos), o técnico optaria por

A)apenas I.
B)apenas I e II.
C)apenas II.
D)apenas III.
E)I, II e III.

Alternativa correta

D
Resolução

Cada associação tem resistência equivalente $R$: I) $\tfrac{R}{2}+\tfrac{R}{2}=R$; II) $\tfrac{2R}{2}=R$; III) $\tfrac{3R}{3}=R$. Assim, qualquer uma delas substitui o resistor queimado sem alterar o circuito, e a corrente total $i$ que passa pela associação é a mesma que passaria pelo resistor original. Vamos comparar a potência dissipada em cada resistor ($P=R_{\text{res}}\,i_{\text{res}}^2$).

I. Em série, cada resistor é percorrido pela corrente total $i$:

$P_I=\dfrac{R}{2}\,i^2=0{,}5\,R\,i^2$.

II. Em paralelo, os dois resistores iguais dividem a corrente igualmente, $i/2$ em cada um:

$P_{II}=2R\left(\dfrac{i}{2}\right)^2=0{,}5\,R\,i^2$.

III. Em paralelo, os três resistores iguais dividem a corrente em três partes iguais, $i/3$:

$P_{III}=3R\left(\dfrac{i}{3}\right)^2=\dfrac{R\,i^2}{3}\approx0{,}33\,R\,i^2$.

A menor potência por resistor ocorre na associação III. Isso é desejável porque resistores dissipando menos potência aquecem menos e têm menor risco de queimar.

Q53
Eletricidade — Eletrostática — Potencial elétrico e equilíbrio de cargas

Cinco cargas pontuais, de mesmo módulo, são dispostas de modo a formar um quadrado de lado $L$; quatro cargas estão fixas nos vértices do quadrado e uma quinta, em equilíbrio, exatamente no centro do quadrado.

Quadrado com cargas 1 e 2 nos vértices superiores, 3 e 4 nos inferiores e a carga 5 no centro

Pode-se afirmar que

A)as cargas 1 e 2 têm sinal oposto.
B)as cargas 1 e 5 têm o mesmo sinal.
C)o potencial elétrico no centro do quadrado é nulo.
D)o potencial elétrico no vértice em que se encontra a carga 3 é nulo.
E)o potencial elétrico no vértice em que se encontra a carga 4 depende de $L$.

Alternativa correta

E
Resolução

Para a carga 5, no centro, ficar em equilíbrio, a força elétrica resultante dos quatro vértices deve ser nula. Os vértices opostos pela diagonal (1 e 4; 2 e 3) estão à mesma distância do centro e têm cargas de mesmo módulo. Se 1 e 4 tivessem sinais opostos, suas forças sobre a carga 5 teriam o mesmo sentido e se somariam, e o mesmo valeria para 2 e 3; as duas somas ficariam em diagonais perpendiculares e não poderiam se anular. Logo, as cargas 1 e 4 têm o mesmo sinal e as cargas 2 e 3 também. Os sinais relativos entre as duas diagonais e o sinal da carga 5 não ficam determinados pelo enunciado.

Por isso, afirmações sobre o sinal de 1 em relação a 2 ou a 5 não são necessariamente verdadeiras. Também não se pode garantir que o potencial no centro seja nulo: ele vale $V_5=\dfrac{k}{d}\,(q_1+q_2+q_3+q_4)$, com $d=\dfrac{L\sqrt{2}}{2}$, e só se anula se a soma das cargas dos vértices for zero, o que não é obrigatório (poderiam ser, por exemplo, todas positivas).

Analisemos o potencial em um vértice, por exemplo o do vértice 4. Sejam $q_1=q_4=s_1\,q$, $q_2=q_3=s_2\,q$ e $q_5=s_5\,q$, com $s_i=\pm1$. As demais cargas estão a $L$ (cargas 2 e 3), a $L\sqrt{2}$ (carga 1) e a $\dfrac{L\sqrt{2}}{2}$ (carga 5):

$V_4=\dfrac{k\,q}{L}\left(2\,s_2+\dfrac{s_1}{\sqrt{2}}+\sqrt{2}\,s_5\right)$.

O parêntese vale $2\pm0{,}71\pm1{,}41$, e nenhuma das combinações de sinais o anula (o menor valor absoluto é cerca de $0{,}12$). Portanto, $V_4\neq0$ e é proporcional a $1/L$: depende de $L$. O vértice 3 tem expressão análoga (também não nula), de modo que seu potencial tampouco é nulo.

Q54
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Lei de Lenz

O ímã da figura é movimentado ao longo da linha tracejada, que passa pelo centro da espira circular condutora, formando ângulo reto com o plano da mesma.

Espira circular condutora à esquerda e ímã com polo N voltado para a espira, sobre a linha tracejada que passa pelo centro da espira

Na posição mostrada na figura, observa-se que, quando o ímã se

A)aproxima da bobina, ocorre uma corrente induzida alternada.
B)aproxima da bobina, ocorre uma corrente induzida no sentido horário para um observador próximo ao ímã.
C)aproxima da bobina, ocorre uma corrente induzida no sentido anti-horário para um observador próximo ao ímã.
D)afasta da bobina, ocorre uma corrente induzida no sentido anti-horário para um observador próximo ao ímã.
E)afasta da bobina, ocorre uma corrente alternada.

Alternativa correta

C
Resolução

Na figura, o polo norte do ímã está voltado para a espira. Fora do ímã, as linhas de campo saem do polo norte; portanto, na região da espira, o campo do ímã aponta no sentido do ímã para a espira (da direita para a esquerda).

Ímã se aproximando. O campo na região da espira se intensifica e o fluxo magnético através dela, orientado da direita para a esquerda, aumenta. Pela lei de Lenz, a corrente induzida cria um campo que se opõe a essa variação, isto é, aponta da esquerda para a direita, no sentido do ímã (para um observador próximo ao ímã, "saindo" da espira em direção a ele).

Pela regra da mão direita, um campo que aponta na direção do observador no centro da espira é produzido por uma corrente que, vista por esse observador, circula no sentido anti-horário. A corrente existe apenas enquanto o fluxo varia, e tem sempre o mesmo sentido durante a aproximação, de modo que não é alternada.

Se o ímã se afastasse, o fluxo diminuiria e o sentido da corrente induzida seria o oposto (horário para o mesmo observador), também sem alternância durante o movimento em um único sentido.

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