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UNICID · Medicina 2011.1 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Cidade de São Paulo · Fundação Vunesp

Processo Seletivo de Medicina — 1º semestre de 2011 · Prova I — questões de Física Q37 a Q54, com transcrição fiel, figuras do caderno, gabarito conferido por resolução independente (não oficial) e resolução comentada Método TEF.

Q37
Física Geral — Grandezas e Unidades — Unidade de carga elétrica

A unidade fundamental que corresponde à grandeza corrente elétrica no Sistema Internacional é o ampère. Uma grandeza derivada, que resulta da combinação do ampère com o tempo, tem, no Sistema Internacional, como unidade, o

A)watt, e representa o campo elétrico.
B)coulomb, e representa a quantidade de carga elétrica.
C)volt, e representa a diferença de potencial.
D)ohm, e representa a resistência elétrica.
E)candela, e representa a intensidade luminosa.

Alternativa correta

B
Resolução

Vamos partir da definição de intensidade de corrente elétrica: é a quantidade de carga que atravessa a secção de um condutor por unidade de tempo,

$i=\dfrac{\Delta Q}{\Delta t}\;\Rightarrow\;\Delta Q=i\cdot\Delta t$.

Combinar o ampère com o tempo significa multiplicar $\text{A}$ por $\text{s}$. O produto $\text{A}\cdot\text{s}$ é a unidade de carga elétrica, que recebe o nome de coulomb: $1\text{ C}=1\text{ A}\cdot\text{s}$.

Conferindo as demais unidades citadas:

• o watt mede potência: $1\text{ W}=1\text{ J/s}$; e o campo elétrico se mede em $\text{N/C}$ (ou $\text{V/m}$), não em watt;

• o volt mede diferença de potencial, mas $1\text{ V}=1\text{ J/C}=1\text{ W/A}$, e não $\text{A}\cdot\text{s}$;

• o ohm mede resistência elétrica: $1\,\Omega=1\text{ V/A}$, o que envolve o ampère no denominador;

• a candela é unidade fundamental (intensidade luminosa), e não uma unidade derivada do ampère.

Portanto, a grandeza derivada do produto corrente $\times$ tempo é a carga elétrica, medida em coulomb.

Q38
Mecânica — Cinemática — Aceleração escalar média

Utilize o contexto para responder às questões de números 38 a 40.

Uma revista famosa de carros faz testes de desempenho em automóveis e depois publica os valores para que os compradores avaliem os veículos. Em pistas retilíneas, o automóvel A parte do repouso e adquire uma velocidade de $126\text{ km/h}$ no tempo de $10\text{ s}$. O automóvel B parte do repouso e adquire velocidade de $108\text{ km/h}$ em $6\text{ s}$. Nos dois casos, os veículos são mantidos sob aceleração máxima e constante durante os testes.

O módulo da diferença entre a aceleração escalar média do carro A e a do carro B é, em $\text{m/s}^2$,

A)0,5.
B)1,0.
C)1,5.
D)2,0.
E)2,5.

Alternativa correta

C
Resolução

Como os dois carros partem do repouso, a aceleração escalar média de cada um é $a_m=\dfrac{\Delta v}{\Delta t}$. Primeiro, convertemos as velocidades para o SI, dividindo por $3{,}6$:

$v_A=\dfrac{126}{3{,}6}=35\text{ m/s}\qquad v_B=\dfrac{108}{3{,}6}=30\text{ m/s}$.

Calculando as acelerações:

$a_A=\dfrac{35-0}{10}=3{,}5\text{ m/s}^2\qquad a_B=\dfrac{30-0}{6}=5{,}0\text{ m/s}^2$.

O módulo da diferença é

$|a_A-a_B|=|3{,}5-5{,}0|=1{,}5\text{ m/s}^2$.

Note que, como a aceleração é constante em cada teste, a aceleração média coincide com a aceleração instantânea de cada carro.

Q39
Mecânica — Dinâmica — Força de atrito na frenagem

Utilize o contexto para responder às questões de números 38 a 40.

Uma revista famosa de carros faz testes de desempenho em automóveis e depois publica os valores para que os compradores avaliem os veículos. Em pistas retilíneas, o automóvel A parte do repouso e adquire uma velocidade de $126\text{ km/h}$ no tempo de $10\text{ s}$. O automóvel B parte do repouso e adquire velocidade de $108\text{ km/h}$ em $6\text{ s}$. Nos dois casos, os veículos são mantidos sob aceleração máxima e constante durante os testes.

No teste de frenagem do carro B, procede-se do seguinte modo: a partir do repouso e durante $6$ segundos, acelera-se o carro, fazendo o motor funcionar com toda sua potência. Após esse tempo, o piloto de testes trava as rodas, e o carro se desloca $21$ metros até parar. Sabendo que esse carro tem massa de $840\text{ kg}$ e supondo que a força de atrito tenha se mantido constante durante todo o processo de frenagem, seu módulo é, aproximadamente, em $\text{N}$,

A)12 000.
B)16 000.
C)18 000.
D)22 000.
E)26 000.

Alternativa correta

C
Resolução

Na primeira etapa, o carro B acelera durante $6\text{ s}$ e atinge $108\text{ km/h}=30\text{ m/s}$ (dado do contexto). Esse é o valor da velocidade no instante em que as rodas são travadas.

Na frenagem, a única força horizontal relevante é o atrito (constante), e o carro percorre $21\text{ m}$ até parar. Pela equação de Torricelli:

$0=v^2-2\,a\,\Delta s\;\Rightarrow\;a=\dfrac{30^2}{2\cdot 21}=\dfrac{900}{42}\approx 21{,}4\text{ m/s}^2$.

Pela 2.ª lei de Newton, o módulo da força de atrito é

$F_{at}=m\,a=840\cdot\dfrac{900}{42}=20\cdot 900=18\,000\text{ N}$.

Conferência pelo teorema trabalho-energia: o trabalho do atrito é igual à variação da energia cinética, $F_{at}\cdot\Delta s=\dfrac{m\,v^2}{2}$, ou seja, $F_{at}\cdot 21=\dfrac{840\cdot 900}{2}=378\,000\text{ J}$, o que dá $F_{at}=18\,000\text{ N}$, resultado idêntico ao anterior.

Q40
Mecânica — Cinemática — Deslocamento a partir do gráfico v × t

Utilize o contexto para responder às questões de números 38 a 40.

Uma revista famosa de carros faz testes de desempenho em automóveis e depois publica os valores para que os compradores avaliem os veículos. Em pistas retilíneas, o automóvel A parte do repouso e adquire uma velocidade de $126\text{ km/h}$ no tempo de $10\text{ s}$. O automóvel B parte do repouso e adquire velocidade de $108\text{ km/h}$ em $6\text{ s}$. Nos dois casos, os veículos são mantidos sob aceleração máxima e constante durante os testes.

O gráfico representa o registro do movimento do carro A durante os $20$ primeiros segundos do teste.

Gráfico da velocidade em m/s versus tempo em s: reta crescente de 0 a 35 m/s entre 0 e 10 s e trecho horizontal em 35 m/s de 10 s a 20 s

No intervalo de tempo considerado, supondo que o veículo tenha se movimentado em linha reta, o módulo de seu deslocamento, em $\text{m}$, deve ter sido

A)325.
B)475.
C)525.
D)575.
E)625.

Alternativa correta

C
Resolução

Em um gráfico $v\times t$, o deslocamento é numericamente igual à área sob a curva. O gráfico tem dois trechos:

• de $0$ a $10\text{ s}$: a velocidade cresce de $0$ a $35\text{ m/s}$ (movimento uniformemente variado), e a área é a de um triângulo:

$\Delta s_1=\dfrac{10\cdot 35}{2}=175\text{ m}$;

• de $10\text{ s}$ a $20\text{ s}$: a velocidade é constante, $35\text{ m/s}$ (movimento uniforme), e a área é a de um retângulo:

$\Delta s_2=35\cdot(20-10)=350\text{ m}$.

O deslocamento total é

$\Delta s=175+350=525\text{ m}$.

Conferência: no primeiro trecho a velocidade média é $\dfrac{0+35}{2}=17{,}5\text{ m/s}$, que multiplicada por $10\text{ s}$ resulta nos mesmos $175\text{ m}$.

Q41
Mecânica — Dinâmica — Leis de Newton

Sobre as Leis de Newton, analise:

I. a massa dos corpos é um fator que influencia diretamente na tendência de um corpo manter seu estado atual de movimento;

II. a aceleração adquirida por um corpo depende inversamente da intensidade da força resultante que atua sobre o corpo;

III. nas circunstâncias em que uma força exercida sobre um corpo não provoca movimento, cada componente do par ação-reação se aplica sobre o mesmo corpo.

Está correto o contido em

A)I, apenas.
B)II, apenas.
C)I e III, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

Alternativa correta

A
Resolução

Vamos analisar cada afirmação à luz das três leis de Newton.

I. A 1.ª lei (inércia) diz que todo corpo tende a manter seu estado de repouso ou de movimento retilíneo uniforme. A massa é a medida da inércia: quanto maior a massa, maior a tendência de manter o estado de movimento. A afirmação é verdadeira.

II. Pela 2.ª lei, $\vec F_R=m\,\vec a$, ou seja, $a=\dfrac{F_R}{m}$. A aceleração é diretamente proporcional à força resultante e inversamente proporcional à massa. Dizer que depende inversamente da força resultante é falso.

III. Pela 3.ª lei, as forças de ação e reação têm o mesmo módulo e a mesma direção, sentidos opostos, mas são aplicadas em corpos diferentes. Por isso nunca se anulam, mesmo quando a força aplicada não produz movimento (por exemplo, quando empurramos uma parede, a força que fazemos atua na parede, e a reação atua em nós). A afirmação é falsa.

Assim, apenas a afirmação I está de acordo com as leis de Newton.

Q42
Mecânica — Trabalho e Energia — Trabalho de força tangencial

Para acender o isqueiro, um pequeno rolete de aço com ranhuras em sua face encurvada é esfregado contra uma pedra especial, tirando-lhe faíscas. As faíscas atingem o pavio embebido em fluido inflamável, ateando-lhe fogo.

Isqueiro aberto, mostrando o rolete de aço ao lado do pavio

No ato de acender seu isqueiro, um rapaz faz com que o rolete se movimente com velocidade angular constante, aplicando uma força tangente ao rolete, de intensidade $1{,}5\text{ N}$. Depois de o rolete girar $1/4$ de volta, o pavio se incendeia. Sabendo que o diâmetro do rolete mede $8\text{ mm}$, pode-se inferir que a energia de ativação empregada para a ignição do fluido, nessa circunstância, seja, em joules,

Dado: $\pi=3{,}1$

A)$1{,}9\cdot10^{-2}$.
B)$3{,}7\cdot10^{-2}$.
C)$5{,}3\cdot10^{-3}$.
D)$7{,}1\cdot10^{-3}$.
E)$9{,}3\cdot10^{-3}$.

Alternativa correta

E
Resolução

Como a velocidade angular do rolete é constante, sua energia cinética não varia. Logo, todo o trabalho realizado pela força do rapaz é transferido (como energia de ativação, por atrito com a pedra) para o sistema. Como a força é tangente ao rolete, ela tem a mesma direção do deslocamento de um ponto da borda e seu trabalho é simplesmente $W=F\cdot d$, em que $d$ é o comprimento do arco percorrido.

O diâmetro é $8\text{ mm}$, então o raio vale $R=4\text{ mm}=4\cdot10^{-3}\text{ m}$. Um quarto de volta corresponde a um quarto da circunferência:

$d=\dfrac{2\pi R}{4}=\dfrac{\pi R}{2}=\dfrac{3{,}1\cdot 4\cdot10^{-3}}{2}=6{,}2\cdot10^{-3}\text{ m}$.

O trabalho (energia de ativação) é

$W=F\cdot d=1{,}5\cdot 6{,}2\cdot10^{-3}=9{,}3\cdot10^{-3}\text{ J}$.

Q43
Mecânica — Hidrostática — Teorema de Stevin (pressão em coluna de líquido)

Ao nível do solo, uma bomba conectada a um tubo vertical que alimenta uma caixa-d’água consegue elevar água até uma altura de $4\text{ m}$, quando um anel de borracha, defeituoso, que veda a conexão da bomba com o tubo, começa a vazar. Atingida essa situação, pode-se afirmar que a pressão máxima que o anel de borracha suporta é, em pascals,

Dados:

– densidade da água = $10^3\text{ kg/m}^3$;

– aceleração da gravidade = $10\text{ m/s}^2$;

– pressão atmosférica = $10^5\text{ Pa}$.

A)$1{,}4\cdot10^{4}$.
B)$1{,}8\cdot10^{4}$.
C)$1{,}0\cdot10^{5}$.
D)$1{,}4\cdot10^{5}$.
E)$1{,}8\cdot10^{5}$.

Alternativa correta

D
Resolução

O anel de borracha está na base do tubo, ao nível do solo. Quando o vazamento começa, a coluna de água no tubo tem $h=4\text{ m}$ de altura e sua extremidade superior está aberta à atmosfera. Pelo teorema de Stevin, a pressão (absoluta) na base dessa coluna é a pressão atmosférica somada à pressão hidrostática da água:

$p=p_{atm}+\rho\,g\,h$.

A parcela hidrostática vale

$\rho\,g\,h=10^3\cdot 10\cdot 4=4\cdot10^{4}\text{ Pa}$.

Portanto

$p=10^5+0{,}4\cdot10^5=1{,}4\cdot10^{5}\text{ Pa}$.

Esse é o valor máximo da pressão que o anel suporta: acima dele, a coluna passaria a ser mais alta, o que não ocorre porque a vedação cede e a água vaza. O valor $4\cdot10^{4}\text{ Pa}$ seria apenas a pressão manométrica, sem a contribuição da atmosfera, que também atua sobre a água no tubo.

Q44
Mecânica — Trabalho e Energia — Trabalho da força de atrito

Um tubo vertical passando pelo centro de um furo, no piso superior, une os dois andares do quartel do corpo de bombeiros. Em uma emergência, para que não haja perda de tempo, os bombeiros agarram-se ao tubo e, abraçando-o com algum vigor, descem com velocidade controlada. Ao utilizar o tubo, um bombeiro de $60\text{ kg}$ permite que seu corpo caia livremente por uma altura de $0{,}5\text{ m}$, quando, finalmente, agarra-se firmemente ao tubo, tocando o piso inferior com uma velocidade de $1\text{ m/s}$. Admitindo que a única força resistente ao movimento é o atrito entre o corpo do bombeiro e o tubo, o módulo do trabalho realizado por essa força, em $\text{J}$, é

Dados:

– altura entre os andares = $4{,}5\text{ m}$

– aceleração da gravidade = $10\text{ m/s}^2$

A)2 750.
B)2 670.
C)2 510.
D)2 490.
E)2 380.

Alternativa correta

B
Resolução

O bombeiro sofre a ação de duas forças que realizam trabalho: o peso (que fornece energia) e o atrito com o tubo (que a dissipa). Aplicamos o teorema trabalho-energia cinética ao movimento completo, do repouso no piso superior até o piso inferior:

$W_{peso}+W_{at}=\Delta E_c$.

O peso atua durante toda a descida de $4{,}5\text{ m}$ (nos primeiros $0{,}5\text{ m}$ ele cai livremente e nos $4\text{ m}$ restantes a descida é freada pelo atrito):

$W_{peso}=m\,g\,H=60\cdot 10\cdot 4{,}5=2\,700\text{ J}$.

A variação da energia cinética é, partindo do repouso e chegando com $1\text{ m/s}$:

$\Delta E_c=\dfrac{m\,v^2}{2}-0=\dfrac{60\cdot 1^2}{2}=30\text{ J}$.

Substituindo:

$2\,700+W_{at}=30\;\Rightarrow\;W_{at}=-2\,670\text{ J}$.

O sinal negativo indica que o atrito retira energia do bombeiro, e o módulo do trabalho é $2\,670\text{ J}$.

Conferência pelo trecho final: ao chegar ao tubo, a energia cinética é $\dfrac{60\cdot 10}{2}=300\text{ J}$ (pois $v^2=2gh=10\text{ m}^2/\text{s}^2$). Nos $4\text{ m}$ seguintes, $mg\cdot4+W_{at}=30-300$, ou seja, $2\,400+W_{at}=-270$, o que também fornece $W_{at}=-2\,670\text{ J}$.

Q45
Termologia — Termometria — Conversão de escalas (variação de temperatura)

A variação da temperatura na cidade de São Paulo foi anunciada em um site americano, e indicava que num espaço de tempo de $6$ horas, os termômetros marcavam de $40\,{}^\circ\text{F}$ a $76\,{}^\circ\text{F}$. O aumento da temperatura durante o dia foi, em ${}^\circ\text{C}$, de

A)5.
B)10.
C)15.
D)20.
E)25.

Alternativa correta

D
Resolução

A relação entre as escalas Celsius e Fahrenheit é $\dfrac{T_C}{5}=\dfrac{T_F-32}{9}$. Para variações de temperatura, o termo $32$ se cancela e fica

$\dfrac{\Delta T_C}{5}=\dfrac{\Delta T_F}{9}$.

A variação em Fahrenheit é $\Delta T_F=76-40=36\,{}^\circ\text{F}$. Logo:

$\Delta T_C=\dfrac{5\cdot 36}{9}=20\,{}^\circ\text{C}$.

Conferência convertendo cada leitura: $40\,{}^\circ\text{F}\to\dfrac{5\cdot 8}{9}\approx 4{,}4\,{}^\circ\text{C}$ e $76\,{}^\circ\text{F}\to\dfrac{5\cdot 44}{9}\approx 24{,}4\,{}^\circ\text{C}$; a diferença é $20\,{}^\circ\text{C}$.

Q46
Termologia — Calorimetria — Capacidade térmica

A capacidade térmica de um corpo pode ser olhada como uma identidade que o corpo possui, que relaciona sua resposta térmica conforme ele acumula calor. Sobre essa identidade dos corpos, analise:

I. quanto maior a capacidade térmica de um corpo, mais demorado torna-se o resfriamento desse corpo;

II. a capacidade térmica de um corpo constituído por uma única substância é igual ao calor específico dessa substância;

III. fornecendo-se a mesma quantidade de calor a dois corpos de igual capacidade térmica, espera-se que o corpo de maior massa sofra uma maior variação em sua temperatura.

Está correto o contido em

A)I, apenas.
B)II, apenas.
C)I e III, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

Alternativa correta

A
Resolução

A capacidade térmica é definida por $C=\dfrac{Q}{\Delta T}$, e, para um corpo homogêneo de massa $m$ e calor específico $c$, vale $C=m\,c$. Ela mede quanto calor o corpo precisa trocar para variar sua temperatura de $1\,{}^\circ\text{C}$.

I. Para uma mesma perda de calor, $\Delta T=\dfrac{Q}{C}$: quanto maior $C$, menor a variação de temperatura por unidade de calor cedido, isto é, mais lento é o resfriamento. Verdadeira.

II. A capacidade térmica é $C=m\,c$ e depende da massa do corpo; o calor específico $c$ é uma propriedade da substância. Eles têm unidades diferentes ($\text{cal}/{}^\circ\text{C}$ e $\text{cal}/(\text{g}\cdot{}^\circ\text{C})$) e só coincidem numericamente se $m=1$ unidade de massa. Falsa.

III. Com $C$ igual e mesmo calor $Q$, a variação de temperatura é a mesma nos dois corpos, $\Delta T=\dfrac{Q}{C}$, independentemente de suas massas (um corpo de maior massa teria apenas um calor específico menor). Falsa.

Logo, só a afirmação I descreve corretamente a capacidade térmica.

Q47
Óptica — Espelhos Planos — Associação de espelhos planos

Use o contexto para responder às questões de números 47 e 48.

A fachada de uma agência bancária é toda em vidro. Originalmente, os vidros eram transparentes, contudo, com o tempo, viu-se a necessidade de aplicar um filme plástico sobre os vidros, capaz de refletir toda a radiação que neles incidia. Assim, onde se tinham originalmente placas de vidro, hoje, têm-se espelhos.

Fachada de vidro do Banco Bonanza com a porta de entrada entreaberta, ângulo de abertura θ indicado e vagas de estacionamento perpendiculares à fachada

Um grande vidro faz o papel da porta de entrada e, de acordo com o ângulo $\theta$ que se obtém relativamente às placas de vidro da fachada, percebe-se a reprodução de várias imagens de um mesmo vaso colocado à frente da agência. Em certo momento, observam-se $4$ imagens desse vaso. A partir dessa situação, para se observarem $5$ imagens, é preciso aumentar o ângulo de abertura da porta em

A)$12^\circ$.
B)$24^\circ$.
C)$36^\circ$.
D)$48^\circ$.
E)$60^\circ$.

Alternativa correta

A
Resolução

A porta espelhada e a fachada espelhada formam dois espelhos planos que fazem entre si um ângulo $\alpha$. Quando $\dfrac{360^\circ}{\alpha}$ é um número inteiro par, o número de imagens de um objeto colocado entre eles é

$N=\dfrac{360^\circ}{\alpha}-1$.

Situação com 4 imagens: $4=\dfrac{360^\circ}{\alpha}-1\;\Rightarrow\;\dfrac{360^\circ}{\alpha}=5\;\Rightarrow\;\alpha=72^\circ$.

Situação com 5 imagens: $5=\dfrac{360^\circ}{\alpha'}-1\;\Rightarrow\;\dfrac{360^\circ}{\alpha'}=6\;\Rightarrow\;\alpha'=60^\circ$.

Para aumentar o número de imagens, o ângulo entre os espelhos precisa diminuir: de $72^\circ$ para $60^\circ$. Com a porta fechada, os dois espelhos estão no mesmo plano (ângulo de $180^\circ$ entre eles, ou seja, uma só imagem); ao abrir a porta, o ângulo entre os espelhos diminui exatamente o quanto a porta é aberta. Portanto, reduzir o ângulo entre os espelhos de $72^\circ$ para $60^\circ$ exige abrir a porta mais

$72^\circ-60^\circ=12^\circ$.

Q48
Óptica — Espelhos Planos — Velocidade da imagem

Use o contexto para responder às questões de números 47 e 48.

A fachada de uma agência bancária é toda em vidro. Originalmente, os vidros eram transparentes, contudo, com o tempo, viu-se a necessidade de aplicar um filme plástico sobre os vidros, capaz de refletir toda a radiação que neles incidia. Assim, onde se tinham originalmente placas de vidro, hoje, têm-se espelhos.

Fachada de vidro do Banco Bonanza com a porta de entrada entreaberta, ângulo de abertura θ indicado e vagas de estacionamento perpendiculares à fachada

Para os clientes da agência estacionarem seus carros, foram criadas vagas perpendiculares à fachada. Suponha que, no mesmo momento em que um carro está estacionando, movendo-se de encontro à fachada do banco com velocidade $v$, outro carro está saindo de sua vaga, com velocidade $3v$. Relativamente à imagem do carro que está estacionando, a velocidade da imagem daquele que está saindo da agência tem valor, em módulo,

A)$1\cdot v$.
B)$\dfrac{1}{2}\,v$.
C)$2\cdot v$.
D)$4\cdot v$.
E)$6\cdot v$.

Alternativa correta

D
Resolução

Em um espelho plano, imagem e objeto são simétricos em relação ao plano do espelho. Assim, a componente de velocidade perpendicular ao espelho da imagem tem o mesmo módulo da do objeto e sentido contrário.

Adotemos um eixo $x$ perpendicular à fachada, com sentido positivo do lado dos carros para o espelho. Como os dois carros se movem perpendicularmente à fachada, só há componente nessa direção.

• Carro que estaciona (aproxima-se da fachada): velocidade $+v$; sua imagem tem velocidade $-v$.

• Carro que sai (afasta-se da fachada): velocidade $-3v$; sua imagem tem velocidade $+3v$.

A velocidade da imagem do carro que sai, em relação à imagem do carro que estaciona, é

$v_{rel}=(+3v)-(-v)=4v$.

Observação: as imagens se afastam uma da outra, pois a do carro que sai se aproxima do espelho enquanto a do carro que estaciona se afasta dele, em sentidos opostos, e as velocidades se somam em módulo: $3v+v=4v$.

Q49
Óptica — Espelhos esféricos — Espelho côncavo e foco

Em uma mostra de arte moderna, um artista colou, sobre a superfície de uma parede, espelhos esféricos côncavos, de raio de curvatura $8\text{ m}$. Ao visitar a mostra, os visitantes são obrigados a passar paralelamente à parede, a uma distância de $2\text{ m}$ desta, o que lhes permite contemplar a imagem com seus próprios olhos, conjugada de modo

A)real, maior e direita.
B)real, de igual tamanho e imprópria.
C)real, menor e invertida.
D)virtual, maior e direita.
E)virtual, menor e invertida.

Alternativa correta

D
Resolução

O raio de curvatura é $R=8\text{ m}$, então a distância focal do espelho côncavo é

$f=\dfrac{R}{2}=4\text{ m}$.

O visitante é o objeto e está a $p=2\text{ m}$ do espelho, isto é, entre o foco ($4\text{ m}$) e o vértice. Pela equação de Gauss:

$\dfrac{1}{p'}=\dfrac{1}{f}-\dfrac{1}{p}=\dfrac{1}{4}-\dfrac{1}{2}=-\dfrac{1}{4}\;\Rightarrow\;p'=-4\text{ m}$.

Como $p'<0$, a imagem é virtual (formada atrás do espelho). O aumento linear é

$A=-\dfrac{p'}{p}=-\dfrac{-4}{2}=+2$.

Como $A>0$, a imagem é direita, e como $|A|=2>1$, é maior que o objeto (o dobro do tamanho). Trata-se do comportamento clássico do espelho côncavo usado como espelho de aumento (de barbear ou de maquiagem), quando o objeto está entre o foco e o vértice.

Q50
Óptica — Refração — Refração, frequência e reflexão total

Sobre o fenômeno físico da refração, analise:

I. se a luz atravessa a superfície de separação de dois meios ópticos de mesmo índice de refração, o fenômeno da refração não ocorre;

II. quando um feixe de luz monocromática passa de um meio óptico mais refringente para outro menos refringente, a frequência dos raios de luz diminui, mudando a cor do feixe;

III. o fenômeno da refração deixa de ocorrer quando o raio de luz proveniente de um meio mais refringente incide na superfície de separação com outro meio menos refringente, sob um ângulo maior que o ângulo limite.

É correto o contido em

A)I, apenas.
B)II, apenas.
C)I e III, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

Alternativa correta

C
Resolução

I. A refração é a passagem da luz de um meio para outro com mudança de velocidade de propagação (e, em geral, de direção). Se os dois meios têm o mesmo índice de refração, a velocidade da luz é a mesma nos dois, não há mudança de velocidade nem desvio, e a luz segue em linha reta como se não houvesse a superfície, ou seja, não há o fenômeno da refração. Afirmação aceita como verdadeira.

II. A frequência de uma onda é determinada pela fonte e não muda na refração. Ao passar para um meio menos refringente, a velocidade e o comprimento de onda aumentam, mas a frequência permanece a mesma. Como a cor da luz monocromática depende da frequência, a cor também não muda. Falsa.

III. Quando a luz vai de um meio mais refringente para um menos refringente e o ângulo de incidência supera o ângulo limite $L$, com $\text{sen}\,L=\dfrac{n_{menor}}{n_{maior}}$, a lei de Snell não admite ângulo de refração real: não existe raio refratado e ocorre a reflexão total. Ou seja, a refração deixa de ocorrer. Verdadeira.

Assim, são corretas as afirmações I e III, sendo a II incorreta por tratar a frequência como variável na refração.

Q51
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de resistores

Considere o circuito elétrico esquematizado.

Circuito com bateria de 45 V ao centro e dois ramos simétricos; em cada ramo, um resistor de 15 ohms em paralelo com um de 30 ohms, ligados em série a um resistor de 20 ohms

Nele, a corrente elétrica em um dos resistores de $30\ \Omega$ tem valor

A)$0{,}5\text{ A}$.
B)$1{,}0\text{ A}$.
C)$2{,}0\text{ A}$.
D)$3{,}0\text{ A}$.
E)$4{,}5\text{ A}$.

Alternativa correta

A
Resolução

O circuito tem dois ramos idênticos, ligados em paralelo aos terminais da bateria de $45\text{ V}$. Em cada ramo, o resistor de $15\ \Omega$ está em paralelo com o de $30\ \Omega$ (seus terminais estão ligados aos mesmos dois nós), e esse conjunto está em série com o resistor de $20\ \Omega$.

Resistência equivalente do paralelo:

$R_p=\dfrac{15\cdot 30}{15+30}=\dfrac{450}{45}=10\ \Omega$.

Resistência de um ramo: $R_{ramo}=10+20=30\ \Omega$.

Cada ramo está submetido aos $45\text{ V}$ da bateria, então a corrente em cada ramo é

$i=\dfrac{45}{30}=1{,}5\text{ A}$.

Essa corrente atravessa o conjunto paralelo, que fica sob a tensão

$U_p=R_p\cdot i=10\cdot 1{,}5=15\text{ V}$.

Em cada resistor do paralelo, a tensão é $15\text{ V}$. No de $30\ \Omega$:

$i_{30}=\dfrac{U_p}{30}=\dfrac{15}{30}=0{,}5\text{ A}$.

Conferência: no de $15\ \Omega$ a corrente é $\dfrac{15}{15}=1{,}0\text{ A}$, e $1{,}0+0{,}5=1{,}5\text{ A}$, que é a corrente total do ramo.

Q52
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência elétrica e energia térmica

A potência elétrica de uma torradeira é de $600\text{ W}$. Embora toda a energia envolvida seja transformada em calor, apenas $80\%$ dela é absorvida pelas duas fatias de pão de forma que estão no interior de seu compartimento. Para preparar essas duas fatias, é preciso que a torradeira permaneça ligada durante $1$ minuto. Nessas condições, cada fatia de pão, para que fique devidamente torrada, necessita absorver uma energia térmica, em $\text{kJ}$, mais próxima de

A)10.
B)14.
C)19.
D)24.
E)28.

Alternativa correta

B
Resolução

A energia elétrica transformada em calor pela torradeira em $1\text{ min}=60\text{ s}$ é

$E=P\cdot\Delta t=600\cdot 60=36\,000\text{ J}=36\text{ kJ}$.

Apenas $80\%$ dessa energia é absorvida pelo pão:

$E_{\text{pão}}=0{,}8\cdot 36=28{,}8\text{ kJ}$.

Essa energia é dividida igualmente entre as duas fatias:

$E_{fatia}=\dfrac{28{,}8}{2}=14{,}4\text{ kJ}$.

O valor obtido, $14{,}4\text{ kJ}$, é o mais próximo, entre os apresentados, de $14\text{ kJ}$.

Q53
Eletricidade — Eletrostática — Condutores em equilíbrio eletrostático

Com respeito a condutores em equilíbrio eletrostático, analise:

I. o campo elétrico resultante em regiões do interior de um condutor em equilíbrio eletrostático é nulo;

II. o potencial elétrico nos pontos internos e da superfície de um condutor em equilíbrio eletrostático é constante;

III. a direção do campo elétrico em um ponto sobre a superfície de um condutor eletrizado, isolado e em equilíbrio eletrostático é perpendicular à superfície, nesse ponto.

Está correto o contido em

A)I, apenas.
B)III, apenas.
C)I e II, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

Alternativa correta

E
Resolução

Um condutor está em equilíbrio eletrostático quando não há movimento ordenado de cargas livres em seu interior. Disso decorrem as propriedades a seguir.

I. Se houvesse campo elétrico resultante no interior do condutor, ele exerceria força sobre os elétrons livres e os colocaria em movimento, contrariando o equilíbrio. Logo, $\vec E=\vec 0$ no interior. Verdadeira.

II. Como $\vec E=\vec 0$ dentro do condutor, o trabalho do campo para levar uma carga entre dois pontos internos é nulo, o que implica $V_A-V_B=0$. Além disso, a superfície é uma superfície equipotencial. Assim, o potencial é constante em todo o condutor (pontos internos e da superfície). Verdadeira.

III. Se o campo na superfície tivesse uma componente tangencial, ela moveria as cargas ao longo da superfície, o que não ocorre em equilíbrio. Então o campo é perpendicular à superfície em cada ponto. Verdadeira.

As três propriedades fazem parte do conjunto de características de um condutor em equilíbrio eletrostático.

Q54
Eletromagnetismo — Força magnética — Elétrons em campo de espiras

Um feixe de elétrons atravessa o centro de uma moldura em forma de paralelepípedo, onde estão afixadas duas espiras, percorridas simultaneamente por correntes elétricas de intensidade $i$.

Moldura em forma de paralelepípedo atravessada por um feixe de elétrons, com uma espira na face superior (corrente i entrando pela esquerda) e outra na face lateral (corrente i subindo); ao fundo, anteparo dividido nas regiões A, B, C e D com centro O

Logo adiante da moldura, encontra-se um anteparo perpendicular à trajetória inicial do feixe de elétrons. Deve-se esperar que o feixe, ao atingir o anteparo, o faça sobre a região indicada por

A)A.
B)B.
C)C.
D)D.
E)O.

Alternativa correta

A
Resolução

O feixe atravessa a região central da moldura, onde o campo magnético é a soma dos campos criados pelas duas espiras. Usamos a regra da mão direita: com os dedos no sentido da corrente, o polegar indica o sentido do campo no interior da espira.

Espira da face superior (plano horizontal). A corrente entra pela esquerda, percorre a parte da frente da espira da esquerda para a direita e retorna pela parte de trás. Vista de cima, essa circulação é anti-horária; portanto, o campo no centro da moldura aponta para cima.

Espira da face lateral (plano vertical). Está na face voltada para o lado direito do feixe (o lado das regiões B e D do anteparo), e a corrente sobe pelo lado direito da espira e retorna pelo lado esquerdo, passando por cima. Vista do lado de fora, a circulação é anti-horária, e o campo aponta para fora da face, isto é, horizontalmente, para o lado direito do feixe.

Como as espiras são iguais e têm a mesma corrente $i$, os dois campos têm o mesmo módulo, e o campo resultante aponta para cima e para a direita (em um ângulo de $45^\circ$).

Força sobre os elétrons. A força magnética é $\vec F=q\,\vec v\times\vec B$, com $q<0$. Tomando o sentido do movimento como “para frente”:

• componente do campo para cima: $\vec v\times\vec B_{cima}$ aponta para a direita; como $q<0$, a força sobre o elétron aponta para a esquerda;

• componente do campo para a direita: $\vec v\times\vec B_{dir}$ aponta para baixo; como $q<0$, a força sobre o elétron aponta para cima.

Combinando, os elétrons são desviados para cima e para a esquerda, em relação ao sentido de propagação do feixe. No anteparo visto de frente, o canto superior esquerdo é o da região onde o feixe deve incidir. Como o campo magnético é perpendicular à velocidade, a força é perpendicular à trajetória e o feixe é desviado sem mudar o módulo da velocidade.

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