← Voltar às edições da UNICID

UNICID · Medicina 2011.2 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Cidade de São Paulo · Fundação Vunesp

Processo Seletivo de Medicina — 2º semestre de 2011 · Prova I — questões de Física Q37 a Q54, com transcrição fiel, figuras do caderno, gabarito oficial e resolução comentada Método TEF.

Q37
Mecânica — Cinemática — Lançamento vertical

Numa jogada preparada de vôlei, o levantador lança a bola verticalmente para cima no mesmo momento em que o atacante inicia a corrida para interceptá-la, para mandá-la violentamente contra o campo do time adversário. Admitindo-se que a altura com que a bola é arremessada pelo levantador é a mesma com a qual o atacante irá desferir seu golpe, e considerando que, em relação a essa altura, a bola tenha subido $5\text{ m}$, o tempo gasto para a realização da jogada, isto é, o tempo decorrido entre o lançamento da bola pelo levantador e sua interceptação pelo atacante é, em $\text{s}$,

Dado: Aceleração da gravidade $= 10\text{ m/s}^2$

A)0,5.
B)1,0.
C)1,5.
D)2,0.
E)2,5.

Alternativa correta

D
Resolução

A bola descreve um lançamento vertical para cima, sob ação apenas da gravidade (desprezamos a resistência do ar), com aceleração constante de módulo $g=10\text{ m/s}^2$ dirigida para baixo.

Primeiro obtemos a velocidade de lançamento. No ponto mais alto a velocidade é nula, e a bola subiu $H=5\text{ m}$ em relação ao ponto de lançamento. Pela equação de Torricelli:

$0=v_0^2-2gH\;\Rightarrow\;v_0=\sqrt{2\cdot10\cdot5}=10\text{ m/s}.$

O tempo de subida é o tempo para a velocidade ir de $v_0$ a zero:

$0=v_0-g\,t_s\;\Rightarrow\;t_s=\dfrac{v_0}{g}=\dfrac{10}{10}=1{,}0\text{ s}.$

A interceptação pelo atacante ocorre na mesma altura do lançamento. Nesse caso o movimento é simétrico: o tempo de descida é igual ao de subida. O tempo total da jogada é, portanto, o dobro do tempo de subida.

Conferindo pela função horária do espaço, com $\Delta s=0$ (volta ao ponto de partida):

$0=v_0t-\dfrac{g\,t^2}{2}=10\,t-5\,t^2\;\Rightarrow\;t\,(10-5\,t)=0\;\Rightarrow\;t=2{,}0\text{ s}.$

Q38
Mecânica — Cinemática — Transmissão de movimento circular

A transmissão de movimentos circulares, por meio de duas polias conectadas por correia, tem características bastante próprias. Considere:

I. velocidade escalar;

II. velocidade angular;

III. frequência.

De fato, na transmissão desses movimentos por correias, pode-se afirmar que não varia de uma polia para outra a grandeza indicada por

A)I, apenas.
B)II, apenas.
C)I e III, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

Alternativa correta

A
Resolução

Quando duas polias são ligadas por uma correia que não desliza, todos os pontos da correia têm a mesma velocidade escalar, e é essa velocidade que a correia transmite às bordas das duas polias. Assim, os pontos periféricos das polias têm a mesma velocidade linear $v$.

As demais grandezas dependem do raio, pois estão ligadas à velocidade linear por

$v=\omega R=2\pi f R\;\Rightarrow\;\omega=\dfrac{v}{R}\quad\text{e}\quad f=\dfrac{v}{2\pi R}.$

Como $v$ é a mesma, a velocidade angular $\omega$ e a frequência $f$ são inversamente proporcionais ao raio: a polia menor gira mais rápido (maior $\omega$ e maior $f$) e a maior gira mais devagar. Em símbolos, $\omega_1R_1=\omega_2R_2$ e $f_1R_1=f_2R_2$.

Só haveria igualdade de $\omega$ e de $f$ se as polias estivessem presas ao mesmo eixo (acoplamento coaxial), o que não é o caso da transmissão por correia. Logo, a única grandeza que se conserva de uma polia para a outra é a velocidade escalar (linear).

Q39
Mecânica — Dinâmica — Corpos ligados por fio e polia (2.ª lei de Newton)

Uma caixa apoiada horizontalmente em uma plataforma é obrigada a mover-se, sem atrito, devido à ação de uma segunda caixa, oca, que contém um pequeno corpo esférico massivo pendurado em seu interior.

Caixa sobre a plataforma ligada por fio e polia a uma caixa oca que contém um pequeno corpo esférico pendurado em seu interior

Repentinamente, no instante indicado por t, o fio, que prende o pequeno corpo esférico ao topo da caixa oca, se rompe, permitindo que ele caia pelo interior da caixa oca.

Situação após o rompimento do fio: o corpo esférico cai pelo interior da caixa oca

A análise da aceleração a que a caixa sobre o plano horizontal está submetida antes do rompimento do fio e durante o tempo em que o pequeno objeto cai pelo interior da caixa oca é melhor representada pelo gráfico:

A)Alternativa A: aceleração constante até t e depois constante com valor maior
B)Alternativa B: aceleração constante até t e depois constante com valor menor
C)Alternativa C: aceleração constante e igual antes e depois de t
D)Alternativa D: aceleração crescente linear até t e depois crescente com menor inclinação
E)Alternativa E: aceleração crescente linear até t e depois crescente com maior inclinação

Alternativa correta

B
Resolução

Modelo físico. A caixa sobre a plataforma (massa $M$) é puxada, por um fio ideal que passa por uma polia, pela caixa oca (massa $m_o$) que contém o corpo esférico (massa $m$). Não há atrito, de modo que a única força horizontal sobre a caixa da plataforma é a tração $T$ do fio.

Antes do rompimento. O corpo esférico está pendurado, em repouso em relação à caixa oca; os dois descem juntos com a mesma aceleração. Aplicando a 2.ª lei de Newton a cada parte:

$T=M\,a_1\qquad\text{e}\qquad (m_o+m)\,g-T=(m_o+m)\,a_1$

$a_1=\dfrac{(m_o+m)\,g}{M+m_o+m}.$

Como as forças são constantes, a aceleração $a_1$ é constante.

Depois do rompimento. O corpo esférico passa a cair livremente dentro da caixa oca e deixa de exercer força sobre ela (nem o fio nem o contato o ligam mais à caixa). Assim, o que traciona o fio é apenas o peso da caixa oca:

$T=M\,a_2\qquad\text{e}\qquad m_o\,g-T=m_o\,a_2$

$a_2=\dfrac{m_o\,g}{M+m_o}.$

Também constante enquanto o corpo cai pelo interior da caixa.

Comparação. Escrevendo a aceleração na forma $a=\dfrac{g}{1+M/m_{\text{pend}}}$, em que $m_{\text{pend}}$ é a massa que fica efetivamente pendurada e acelerando com o fio, vê-se que a aceleração cresce quando $m_{\text{pend}}$ cresce. Antes, $m_{\text{pend}}=m_o+m$; depois, $m_{\text{pend}}=m_o$, menor. Logo $a_2<a_1$.

O gráfico procurado, portanto, mostra um patamar constante até o instante $t$ e, a partir dele, uma queda brusca da aceleração para um novo patamar constante e ainda positivo, pois a caixa continua sendo puxada pelo peso da caixa oca. A queda é instantânea porque a força que traciona o fio muda no instante do rompimento.

Q40
Mecânica — Estática — Equilíbrio de corpo extenso (momento de forças)

Antes de ir para sua casa, após um dia de trabalho, um pedreiro deixou sobre uma tábua apoiada em dois cavaletes um latão de tinta, vazio, que utilizava para transportar o reboco utilizado na parede.

Tábua horizontal apoiada em dois cavaletes, nos pontos B e D, com um latão de tinta sobre a extremidade A; o ponto C está entre B e D

Dados:

Aceleração da gravidade$10\text{ m/s}^2$
Massa da tábua (homogênea)$6\text{ kg}$
Massa do latão vaziodesprezível
Capacidade do latão$19\text{ L}$
Distância de A a B$0{,}3\text{ m}$
Distância de B a C$0{,}7\text{ m}$
Distância de C a D$1{,}0\text{ m}$
Densidade da água$1\text{ kg/L}$

No decorrer da noite, uma chuva intensa se precipitou, estendendo-se por várias horas. Chegando à obra no dia seguinte, o pedreiro notou que outro latão, sobre o chão, havia sido completamente preenchido com a água da chuva e logo lembrou do latão que havia abandonado sobre a tábua, que certamente

A)foi derrubado imediatamente após o volume de água nele acumulada ter ultrapassado os 10 litros.
B)foi derrubado imediatamente após o volume de água nele acumulada ter ultrapassado os 12 litros.
C)foi derrubado imediatamente após o volume de água nele acumulada ter ultrapassado os 14 litros.
D)foi derrubado imediatamente após o volume de água nele acumulada ter ultrapassado os 17 litros.
E)se encontrava na posição em que foi deixado, agora completamente cheio de água.

Alternativa correta

C
Resolução

Modelo físico. A tábua é um corpo extenso homogêneo apoiado nos cavaletes em B e D. O latão, de massa desprezível quando vazio, fica sobre a extremidade A, fora do trecho entre os apoios. Conforme a chuva enche o latão, seu peso aumenta e tende a girar a tábua em torno do apoio B. A tábua só tomba quando o apoio D deixa de empurrá-la para cima, isto é, quando a reação em D se anula. Esse é o limite de equilíbrio.

Geometria. O comprimento da tábua é $AD=0{,}3+0{,}7+1{,}0=2{,}0\text{ m}$. Sendo homogênea, seu centro de massa está no ponto médio, a $1{,}0\text{ m}$ de A, ou seja, exatamente no ponto C (pois $AB+BC=0{,}3+0{,}7=1{,}0\text{ m}$). Em relação ao apoio B, o peso da tábua atua a $0{,}7\text{ m}$ à direita, e o peso do latão (em A) atua a $0{,}3\text{ m}$ à esquerda.

Condição de tombamento. No limite, a soma dos momentos em relação a B é nula, com a reação em D igual a zero. O peso da tábua é $P_t=6\cdot10=60\text{ N}$. Sendo $m$ a massa de água no latão:

$m\,g\cdot0{,}3=P_t\cdot0{,}7\;\Rightarrow\;m\cdot10\cdot0{,}3=60\cdot0{,}7$

$3\,m=42\;\Rightarrow\;m=14\text{ kg}.$

Como a densidade da água é $1\text{ kg/L}$, isso corresponde a $14\text{ L}$.

Interpretação. Como $14\text{ L}$ é menor que a capacidade de $19\text{ L}$ do latão, o latão não chega a ficar cheio sobre a tábua: ela gira em torno de B e o conjunto cai assim que o volume de água ultrapassa $14\text{ L}$. Para volumes menores, o momento do latão é menor que o da tábua e ela permanece em equilíbrio.

Q41
Mecânica — Dinâmica — Atrito estático

Um marceneiro deseja dar o mesmo acabamento a três blocos de madeira idênticos, mantendo-os juntos e sem escorregamentos com a ajuda de uma de suas ferramentas preferidas, o “sargento”.

Três blocos de madeira idênticos presos entre a garra fixa e o parafuso de um grampo tipo sargento

Enquanto ajusta os blocos de madeira, percebe que afrouxando o aperto do “sargento”, o bloco central é o primeiro a escorregar, movido exclusivamente pelo seu peso. Se a menor força do “sargento”, que não permite o movimento dos blocos, tem intensidade de $40{,}00\text{ N}$, e sabendo-se que cada bloco tem massa de $2{,}00\text{ kg}$, pode-se deduzir que o coeficiente de atrito entre duas peças dessa madeira vale

Dado: Aceleração da gravidade $= 10\text{ m/s}^2$

A)0,10.
B)0,15.
C)0,20.
D)0,25.
E)0,40.

Alternativa correta

D
Resolução

Modelo físico. O sargento comprime os três blocos na horizontal. Em equilíbrio horizontal, a força de compressão se transmite ao longo da fileira, de modo que a força normal em cada superfície de contato entre dois blocos vale $N=40{,}00\text{ N}$.

O bloco central tem duas faces em contato com os blocos vizinhos (uma de cada lado). Em cada face surge uma força de atrito estático, vertical e para cima, que se opõe à tendência de o bloco escorregar sob seu peso. Na iminência de escorregar, cada uma delas atinge o valor máximo:

$f_{at,\max}=\mu\,N.$

O peso do bloco central é $P=m\,g=2{,}00\cdot10=20{,}0\text{ N}$. Na iminência do movimento, o equilíbrio vertical exige que as duas forças de atrito máximas equilibrem o peso:

$2\,\mu\,N=P\;\Rightarrow\;2\,\mu\cdot40{,}00=20{,}0$

$\mu=\dfrac{20{,}0}{80{,}0}=0{,}25.$

O bloco central é o primeiro a escorregar porque só ele depende exclusivamente do atrito com os vizinhos para se sustentar; o conjunto continua preso enquanto o aperto for maior que o valor mínimo de $40{,}00\text{ N}$.

Q42
Mecânica — Trabalho e Energia — Conservação da energia mecânica (rampa sem atrito)

O contexto que se segue deve ser utilizado para resolução das questões de números $42$ a $44$.

Em algumas embarcações e nas estações de prospecção de petróleo, onde o risco de incêndios e explosões é grande, para efetuar uma rápida evasão, podem ser utilizados botes especiais, completamente vedados à água, e que são abandonados de uma rampa, onde estão apoiados.

Bote salva-vidas apoiado sobre uma rampa inclinada na lateral de um navio, acima do nível do mar

Durante uma emergência, o bote escorrega, sem atritos, pela rampa de $8$ metros, inclinada a $30^\circ$ com o horizonte, e é lançado ao mar, chegando a mergulhar completamente por alguns instantes, ressurgindo sobre as águas com os tripulantes a salvo.

Dados:

$g = 10\text{ m/s}^2$

$\text{sen }30^\circ = \dfrac{1}{2}$

$\cos 30^\circ = \dfrac{\sqrt{3}}{2}$

Em uma emergência, o bote é destravado e inicia-se seu escorregamento pela rampa. Do início da descida pela rampa até o momento em que a rampa deixa de orientar o movimento do bote, o centro de massa desse move-se por $8$ metros. A velocidade com que o bote abandona a rampa é, em $\text{m/s}$, aproximadamente, de

A)7.
B)9.
C)11.
D)13.
E)15.

Alternativa correta

B
Resolução

Modelo físico. Sem atrito, a única força que realiza trabalho é o peso (a normal da rampa é perpendicular ao deslocamento). Logo, a energia mecânica se conserva.

Altura perdida. O centro de massa percorre $d=8\text{ m}$ ao longo da rampa inclinada de $30^\circ$. O desnível correspondente é

$h=d\,\text{sen }30^\circ=8\cdot\dfrac{1}{2}=4\text{ m}.$

Conservação da energia. A energia potencial gravitacional perdida se converte em energia cinética:

$m\,g\,h=\dfrac{m\,v^2}{2}\;\Rightarrow\;v=\sqrt{2gh}=\sqrt{2\cdot10\cdot4}=\sqrt{80}\approx8{,}9\text{ m/s}.$

O valor, arredondado, é de cerca de $9\text{ m/s}$. O resultado não depende da massa do bote. Conferindo por cinemática: a aceleração ao longo da rampa é $a=g\,\text{sen }30^\circ=5\text{ m/s}^2$ e, por Torricelli, $v^2=2\,a\,d=2\cdot5\cdot8=80$, o mesmo resultado.

Q43
Mecânica — Trabalho e Energia — Conservação da energia mecânica (queda até a água)

(Utilize o contexto apresentado na Q42.)

Sabe-se que o convés do navio, no local em que a rampa termina, encontra-se a $6$ metros do nível do mar. Sendo $M$ a massa do bote, e considerando-se o sistema conservativo, a energia cinética com que o bote toca a água, em joules, é

A)100 M.
B)300 M.
C)500 M.
D)600 M.
E)1 400 M.

Alternativa correta

A
Resolução

Modelo físico. O sistema é conservativo: apenas o peso realiza trabalho, e a energia mecânica do bote se conserva desde o início da rampa até o instante em que ele toca a água. Como só interessa a energia cinética final, basta considerar o desnível total, sem se preocupar com a trajetória (rampa e depois queda livre).

Desnível total. Na rampa, o bote desce $4\text{ m}$ (calculado na questão anterior: $8\cdot\text{sen }30^\circ$). Ao deixar a rampa, está a $6\text{ m}$ do mar. O desnível total até a água é

$H=4+6=10\text{ m}.$

Energia. Partindo do repouso no alto da rampa, toda a energia potencial perdida vira energia cinética:

$E_c=M\,g\,H=M\cdot10\cdot10=100\,M\;\text{(em joules, com }M\text{ em kg).}$

Conferência por etapas: ao sair da rampa, $E_c=40\,M$ (pois $v^2=80$); na queda de $6\text{ m}$, o bote ganha mais $M\,g\cdot6=60\,M$, somando $100\,M$.

Q44
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e peso de um bote que mergulha

(Utilize o contexto apresentado na Q42.)

Após o momento em que o bote escapa da rampa e em queda livre se dirige para a água, seu movimento vertical sofre as seguintes alterações:

I. diminui sua velocidade vertical voltada para baixo na medida em que penetra na água;

II. está completamente submerso no momento em que sua velocidade vertical se torna nula;

III. adquire velocidade vertical para cima enquanto o bote se dirige para fora da água;

IV. atinge uma situação de equilíbrio que torna a velocidade vertical nula.

Nas etapas descritas, a força de empuxo, relativamente à força peso do bote, é, nessa ordem,

A)nula; maior; nula; nula.
B)menor; nula; maior; igual.
C)maior; maior; maior; igual.
D)maior; menor; menor; maior.
E)maior; nula; maior; igual.

Alternativa correta

C
Resolução

Modelo físico. Na água, o bote sofre o peso $P$ (para baixo) e o empuxo $E$ (para cima). Pela 2.ª lei de Newton na vertical, o sentido da força resultante é o da aceleração, e este pode ser lido na variação da velocidade vertical. Como o bote é completamente vedado e flutua, ele é menos denso que a água: quando está totalmente submerso, o empuxo $E=\rho_{\text{água}}\,V\,g$ é maior que o peso.

Etapa I. O bote entra na água descendo e sua velocidade para baixo diminui. Isso significa aceleração dirigida para cima, logo força resultante para cima: o empuxo é maior que o peso.

Etapa II. Quando o bote está completamente submerso e sua velocidade vertical se anula, ele está no ponto mais profundo e vai inverter o movimento, subindo. Para isso precisa de aceleração para cima. O volume deslocado é o máximo (bote todo submerso), de modo que o empuxo é maior que o peso.

Etapa III. O bote adquire velocidade para cima ao se dirigir à superfície. A velocidade vertical para cima está aumentando, o que exige resultante para cima: de novo, empuxo maior que o peso.

Etapa IV. O bote atinge o equilíbrio boiando, com velocidade vertical nula e mantida nula. A resultante é nula, logo o empuxo (agora correspondente apenas à parte submersa) se iguala ao peso.

Resumindo, a sequência de relações entre o empuxo e o peso é: maior, maior, maior e, por fim, igual.

Q45
Mecânica — Gravitação — Lei da gravitação universal e leis de Newton

“Uma estátua do cosmonauta russo Yuri Gagarin será instalada em Londres por um ano a partir de julho para marcar os 50 anos de sua viagem pioneira ao espaço.”

(BBC – Brasil)

Mais do que uma homenagem ao cosmonauta russo, talvez os ingleses queiram manter viva a memória de que foi graças aos estudos sobre a gravitação, realizados pelo físico inglês Sir. Isaac Newton, que se viabilizou a ida do homem ao espaço.

Sobre as conclusões newtonianas, analise:

I. A força da gravidade é uma interação a distância existente entre corpos que possuem matéria e que cessa completamente quando uma espaçonave entra em órbita.

II. A força gravitacional obedece às mesmas estruturas matemáticas que definem a força eletrostática entre cargas e, dessa forma, tem sua intensidade diminuída com o quadrado da distância entre os corpos.

III. Como não podia deixar de ocorrer, a força gravitacional está de acordo com as três leis da mecânica e, como fruto dessa concordância, pode-se afirmar que atraímos o planeta Terra para nós com a mesma intensidade que o planeta Terra nos atrai para ele.

Está correto o contido em

A)I, apenas.
B)III, apenas.
C)I e II, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

Alternativa correta

D
Resolução

Afirmação I. A gravidade não cessa quando a espaçonave entra em órbita. A força gravitacional $F=G\dfrac{Mm}{d^2}$ diminui com a distância, mas nunca se anula. Em órbita, a 300 ou 400 km de altitude, ela ainda vale cerca de 90% do valor na superfície. É justamente ela que fornece a força centrípeta da órbita. A sensação de “ausência de peso” ocorre porque nave e astronauta estão em queda livre contínua, e não porque a gravidade tenha desaparecido. A afirmação é falsa.

Afirmação II. A lei da gravitação universal e a lei de Coulomb têm a mesma estrutura matemática: ambas são proporcionais ao produto das “cargas” (massas, no primeiro caso) e inversamente proporcionais ao quadrado da distância:

$F_g=G\dfrac{M\,m}{d^2}\qquad\text{e}\qquad F_e=k\dfrac{|q_1\,q_2|}{d^2}.$

Assim, a intensidade decresce com o quadrado da distância (dobrando a distância, a força cai a um quarto). A afirmação é verdadeira.

Afirmação III. As forças gravitacionais entre dois corpos formam um par ação-reação (3.ª lei de Newton): têm mesma intensidade e direção, sentidos opostos, e atuam em corpos diferentes. Portanto, a Terra nos atrai com a mesma intensidade com que a atraímos. A diferença está só nas acelerações resultantes, pela 2.ª lei de Newton (a massa da Terra é enorme, e a aceleração dela é desprezível). A afirmação é verdadeira.

Q46
Termologia — Termodinâmica — Transformação isotérmica e pressão hidrostática

A região conhecida como “O Triângulo das Bermudas” detém um grande número de desaparecimentos de navios e aeronaves, sem causa conhecida. Baseados na Física, alguns cientistas admitem a teoria sobre a existência de bolsões de gás sob o leito oceânico dessa região, gás eventualmente liberado em movimentos sísmicos. Ao escapar da rocha, o gás sobe em direção ao nível do mar, ocupando maior volume e dispersando-se em inúmeras bolhas, com a capacidade de provocar uma mudança da densidade da água e o consequente afundamento de navios pela diminuição do empuxo. Supondo-se que a temperatura se mantenha constante durante a ascensão de uma bolha de gás de volume de $125\text{ m}^3$ e, sabendo-se que a rocha que a desprende se encontra a $70\text{ m}$ abaixo do nível do mar, o volume desse gás, no momento em que chegar à superfície do oceano, será, em $\text{m}^3$,

Dados:

Pressão atmosférica ao nível do mar $= 1\cdot10^{5}\text{ Pa}$

Aceleração da gravidade $= 10\text{ m/s}^2$

Densidade da água $= 1\cdot10^{3}\text{ kg/m}^3$

A)125.
B)250.
C)500.
D)700.
E)1 000.

Alternativa correta

E
Resolução

Modelo físico. A temperatura permanece constante durante a ascensão, de modo que a transformação do gás é isotérmica, regida pela lei de Boyle: $p_1V_1=p_2V_2$. Falta conhecer as pressões inicial e final.

Pressão no fundo (70 m). A pressão no gás é a soma da pressão atmosférica com a pressão da coluna de água acima dele (teorema de Stevin):

$p_1=p_{atm}+\rho\,g\,h=1\cdot10^{5}+1\cdot10^{3}\cdot10\cdot70=1\cdot10^{5}+7\cdot10^{5}=8\cdot10^{5}\text{ Pa}.$

Pressão na superfície. Na superfície, só há a pressão atmosférica: $p_2=1\cdot10^{5}\text{ Pa}$.

Lei de Boyle.

$p_1V_1=p_2V_2\;\Rightarrow\;8\cdot10^{5}\cdot125=1\cdot10^{5}\cdot V_2$

$V_2=8\cdot125=1\,000\text{ m}^3.$

A bolha ocupa oito vezes o volume inicial, porque a pressão cai a um oitavo. Com mais volume de gás misturado à água, a densidade média da mistura diminui, e o empuxo sobre um navio é menor, que é o que a teoria do enunciado propõe.

Q47
Termologia — Termodinâmica — Trabalho em diagrama pressão × volume

No interior de um cilindro dotado de êmbolo, um gás considerado perfeito sofre as alterações indicadas em A→B→C→D.

Diagrama P (em 10^5 Pa) versus V (em 10^-3 m^3): de A (V = 2, P = 4) desce até B (V = 2, P = 1), segue horizontal até C (V = 5, P = 1) e sobe em linha reta até D (V = 7, P = 4)

O trabalho total realizado pelo gás, sobre o êmbolo do cilindro, é, em joules, de

A)300.
B)500.
C)800.
D)1 100.
E)1 500.

Alternativa correta

C
Resolução

Modelo físico. Em um diagrama $p\times V$, o trabalho realizado pelo gás em cada transformação é numericamente igual à área sob o gráfico, positivo se o volume aumenta (expansão) e nulo se o volume é constante. Pela leitura do gráfico: A $(2\cdot10^{-3}\text{ m}^3;\,4\cdot10^{5}\text{ Pa})$, B $(2\cdot10^{-3};\,1\cdot10^{5})$, C $(5\cdot10^{-3};\,1\cdot10^{5})$ e D $(7\cdot10^{-3};\,4\cdot10^{5})$.

A→B. O volume permanece constante (transformação isocórica), portanto $\tau_{AB}=0$.

B→C. Expansão à pressão constante (isobárica):

$\tau_{BC}=p\,\Delta V=1\cdot10^{5}\cdot(5-2)\cdot10^{-3}=300\text{ J}.$

C→D. Expansão com pressão variando linearmente de $1\cdot10^{5}$ a $4\cdot10^{5}\text{ Pa}$. A área sob a reta é a de um trapézio, que equivale à pressão média vezes a variação de volume:

$\tau_{CD}=\dfrac{(1+4)\cdot10^{5}}{2}\cdot(7-5)\cdot10^{-3}=2{,}5\cdot10^{5}\cdot2\cdot10^{-3}=500\text{ J}.$

Trabalho total.

$\tau=0+300+500=800\text{ J}.$

O valor positivo indica que, no conjunto, o gás cedeu energia ao meio ao empurrar o êmbolo.

Q48
Óptica — Espelhos esféricos — Formação de imagem (côncavo e convexo)

Após estudar “bastante”, o aluno decidiu criar o que ele denominou de “tabela de consultas para o momento da prova”, resumindo as características principais das imagens em espelhos esféricos, utilizando na sua elaboração os códigos V = vértice, F = foco, C = centro de curvatura e $|A|$ = módulo do aumento transversal linear.

Das tabelas de consultas para o momento da prova, aquela que está correta é:

A)
CÔNCAVOCONVEXO
Distância focalpositivanegativa
Imagem realobjeto além de Fnunca
|A| < 1objeto entre F e Csempre
Inversão da imagemobjeto além de Fnunca
B)
CÔNCAVOCONVEXO
Distância focalpositivanegativa
Imagem realobjeto entre F e Cnunca
|A| < 1objeto além de Csempre
Inversão da imagemobjeto além de Csempre
C)
CÔNCAVOCONVEXO
Distância focalpositivanegativa
Imagem realobjeto entre V e Fsempre
|A| < 1objeto além de Fnunca
Inversão da imagemobjeto entre F e Cnunca
D)
CÔNCAVOCONVEXO
Distância focalnegativapositiva
Imagem realobjeto entre F e Cnunca
|A| < 1objeto entre V e Fnunca
Inversão da imagemobjeto entre V e Fsempre
E)
CÔNCAVOCONVEXO
Distância focalnegativapositiva
Imagem realobjeto entre V e Fsempre
|A| < 1objeto entre F e Csempre
Inversão da imagemobjeto além de Fnunca

Alternativa correta

A
Resolução

Modelo físico. Para um espelho esférico de foco $F$ e centro de curvatura $C$ (com $\overline{VC}=2\overline{VF}$), a equação de Gauss $\dfrac1f=\dfrac1p+\dfrac1{p'}$ e o aumento $A=-\dfrac{p'}{p}=\dfrac{f}{f-p}$ permitem montar a tabela teórica.

Espelho côncavo ($f>0$). A imagem é real quando o objeto está além de $F$ (distância ao vértice maior que $f$), e é virtual, direita e maior quando o objeto está entre $V$ e $F$. Toda imagem real é invertida, de modo que a inversão ocorre também para objeto além de $F$. A imagem é menor que o objeto ($|A|<1$) apenas quando o objeto está além de $C$; entre $F$ e $C$ a imagem é real, invertida e maior, e em $C$ tem o mesmo tamanho.

Espelho convexo ($f<0$). A imagem de um objeto real é sempre virtual, direita e menor. Portanto, nunca há imagem real, $|A|<1$ sempre e nunca há inversão.

Confronto com as tabelas. As tabelas em que o côncavo tem distância focal negativa (e o convexo, positiva) estão erradas de saída, pois o sinal da distância focal é positivo no côncavo e negativo no convexo. As que afirmam imagem real para objeto entre $V$ e $F$ também erram, porque nessa região a imagem é virtual. Uma tabela ainda erra ao dizer que o espelho convexo inverte a imagem “sempre”, e outra ao dar imagem real “sempre” para o convexo.

A tabela que concorda com a teoria no sinal das distâncias focais, na condição de imagem real e de inversão do côncavo (objeto além de $F$) e em toda a coluna do convexo (nunca, sempre, nunca) é a de melhor conteúdo. Observação: nessa tabela, a célula “$|A|<1$: objeto entre $F$ e $C$” do espelho côncavo está imprecisa, pois a redução da imagem ocorre com o objeto além de $C$; é uma imperfeição do próprio texto da prova, e as demais tabelas têm erros conceituais mais graves.

Q49
Óptica — Refração — Profundidade aparente (dioptro plano)

O lançamento malsucedido do foguete experimental levou-o à queda, em meio a uma região de arrecifes. De um helicóptero, em altitude constante de $100\text{ m}$ da superfície da água, técnicos, sobrevoando a região, avistaram o foguete submerso a uma profundidade aparente que, sem levar em conta o fenômeno da refração, foi tida como de $30$ metros, no momento em que o helicóptero pairava sobre os destroços. Considerando-se a refração da água, a verdadeira profundidade do foguete em relação ao nível das águas do mar é, em metros,

Dados: Índices de refração do ar e da água, respectivamente, de $1$ e $\dfrac{4}{3}$.

A)15.
B)30.
C)40.
D)60.
E)90.

Alternativa correta

C
Resolução

Modelo físico. A luz que sai do foguete (na água) para o observador (no ar) sofre refração na superfície, que se comporta como um dioptro plano. Para observação praticamente perpendicular à superfície (helicóptero sobre os destroços), vale

$\dfrac{p'}{p}=\dfrac{n_{\text{obs}}}{n_{\text{obj}}}$

em que $p$ é a profundidade real do objeto, $p'$ a profundidade aparente, $n_{\text{obj}}$ o índice do meio onde está o objeto (água) e $n_{\text{obs}}$ o do meio do observador (ar).

Aplicação. Como o objeto parece mais raso do que realmente está, a profundidade aparente é menor que a real. Com a profundidade aparente obtida considerando a refração $p'=30\text{ m}$:

$\dfrac{30}{p}=\dfrac{1}{4/3}=\dfrac{3}{4}\;\Rightarrow\;p=\dfrac{4}{3}\cdot30=40\text{ m}.$

A altitude de $100\text{ m}$ do helicóptero é um dado desnecessário: a profundidade aparente é medida a partir da superfície da água, não depende de a que altura está o observador.

Q50
Ondulatória — MHS — Período do pêndulo simples (balanço)

Um brinquedo muito simples pode alegrar crianças e até mesmo o executivo do quadrinho de Laerte.

Tirinha de Laerte: um executivo em um balanço, com a frase “Às vezes na vida temos que parar para um balanço.”

(Laerte)

Considere a lista de ações:

I. aumentar a massa sobre o acento do balanço;

II. aumentar o impulso dado pelos pés;

III. diminuir o tamanho da corrente.

Das ações listadas, para que o período de oscilação do balanço diminua, deve ser aplicado o contido em

A)I, apenas.
B)III, apenas.
C)I e II, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

Alternativa correta

B
Resolução

Modelo físico. O balanço, com oscilações de pequena amplitude, se comporta como um pêndulo simples, cujo período é

$T=2\pi\sqrt{\dfrac{L}{g}},$

em que $L$ é o comprimento do pêndulo (aqui, o da corrente) e $g$ a aceleração da gravidade.

I. Aumentar a massa. A massa não aparece na expressão do período: ela afeta o peso e a inércia na mesma proporção, e o período não muda. Não serve.

II. Aumentar o impulso dado pelos pés. Dar mais impulso aumenta a amplitude e a energia da oscilação, mas, para pequenas amplitudes, o período não depende da amplitude (isocronismo). Também não serve para diminuir o período.

III. Diminuir o tamanho da corrente. Reduzir $L$ diminui o período, pois $T$ é proporcional a $\sqrt{L}$. Por exemplo, reduzindo o comprimento à metade, o período cai por um fator $\sqrt{2}\approx1{,}4$. O balanço passa a oscilar mais depressa.

Q51
Ondulatória — Fenômenos ondulatórios — Difração e dualidade onda-partícula

Quando Niels Bohr associou ao movimento dos elétrons do átomo de hidrogênio um movimento ondulatório, conseguiu explicar os níveis de energia desse elemento. Mais tarde, um experimento marcante comprovaria que a matéria assume em determinados casos um comportamento que até então apenas as ondas assumiam. Esse experimento consistia em detectar os locais em que elétrons jogados contra um obstáculo dotado de fendas atingiriam um anteparo colocado logo atrás. Classicamente, esperava-se a obtenção de imagens semelhantes aos contornos das fendas, mas o que surpreendeu a todos foi a detecção de elétrons espalhados, formando uma faixa entre esses locais esperados.

Feixe de elétrons incidindo sobre um anteparo com duas fendas; no anteparo ao fundo, duas marcas escuras esperadas e uma faixa clara espalhada entre elas

O que ocorre com os elétrons também ocorre com um feixe de luz, no fenômeno conhecido por

A)absorção.
B)difração.
C)polarização.
D)reflexão.
E)refração.

Alternativa correta

B
Resolução

O que o experimento mostra. Se os elétrons se comportassem apenas como partículas, ao passar pelas fendas formariam no anteparo marcas com o contorno das fendas. Em vez disso, aparece uma faixa em que os elétrons são espalhados também para as regiões que, classicamente, seriam “sombra”. Isso é característico de ondas: ao atravessar uma fenda de dimensões comparáveis ao seu comprimento de onda, a onda se espalha e contorna as bordas, e as ondas vindas de fendas vizinhas ainda se superpõem (interferência).

Comparação com os outros fenômenos. A absorção é a transferência de energia da onda ao meio. A polarização só ocorre com ondas transversais e seleciona um plano de vibração, não tem relação com fendas. A reflexão e a refração envolvem a mudança de direção ou de meio na interface entre dois meios, não o espalhamento causado por obstáculos e aberturas.

O fenômeno ondulatório de espalhamento e contorno de obstáculos e fendas é a difração, e o experimento a evidencia para a matéria, em acordo com a hipótese de de Broglie de que a partícula tem comprimento de onda $\lambda=\dfrac{h}{m\,v}$. A luz, de natureza ondulatória, apresenta o mesmo comportamento em fendas de dimensões comparáveis ao seu comprimento de onda.

Q52
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de resistores e leitura de gráfico

O contexto que se segue deve ser utilizado para resolução das questões de números $52$ e $53$.

Quando a temperatura de uma máquina aumenta, um sistema de segurança primeiramente, por meio de um relê, fecha a chave 1, que faz acender uma lâmpada de advertência, de resistência elétrica $20\ \Omega$, que permanecerá acesa enquanto a temperatura for excessiva. No mesmo momento em que essa lâmpada acende, um circuito temporizador começa a “contar” o tempo de $1$ minuto que, uma vez decorrido, faz acionar o relê que fecha a chave 2, pondo em funcionamento o sistema de arrefecimento.

Observe o circuito e o gráfico a seguir.

Circuito: gerador E, amperímetro A, lâmpada em série com a chave 1 (sensor de temperatura), em paralelo com o ramo formado pela chave 2 (temporizador) em série com o sistema de arrefecimento
Gráfico da corrente i em ampères versus tempo: 0 A até o acionamento do temporizador, 5 A até o acionamento do arrefecimento e 15 A depois

Com base no esquema do circuito e do gráfico da intensidade de corrente elétrica registrada pelo amperímetro nos diferentes momentos, pode-se determinar que a resistência interna do sistema de arrefecimento tem, em $\Omega$, o valor de

A)5.
B)10.
C)15.
D)25.
E)50.

Alternativa correta

B
Resolução

Modelo físico. Tratamos o gerador e o amperímetro como ideais. O amperímetro está em série com o gerador e mede a corrente total. A lâmpada (em série com a chave 1) e o sistema de arrefecimento (em série com a chave 2) formam dois ramos em paralelo, submetidos à mesma tensão $U$ do gerador.

Etapa 1: só a lâmpada acesa. Depois do fechamento da chave 1 e antes do acionamento do arrefecimento, apenas o ramo da lâmpada conduz. O gráfico mostra $i=5\text{ A}$. Pela 1.ª lei de Ohm:

$U=R_{\text{lâmpada}}\cdot i=20\cdot5=100\text{ V}.$

Etapa 2: lâmpada e arrefecimento funcionando. Com a chave 2 fechada, o ramo do sistema de arrefecimento entra em paralelo com o da lâmpada, sob a mesma tensão $U=100\text{ V}$. A lâmpada continua com os mesmos $5\text{ A}$. A corrente total registrada passa a $15\text{ A}$, de modo que o ramo do arrefecimento conduz

$i_{\text{arref}}=15-5=10\text{ A}.$

Resistência do sistema.

$R_{\text{arref}}=\dfrac{U}{i_{\text{arref}}}=\dfrac{100}{10}=10\ \Omega.$

Conferindo pela resistência equivalente: $R_{eq}=\dfrac{U}{i_{total}}=\dfrac{100}{15}\approx6{,}7\ \Omega$, que é igual a $\dfrac{20\cdot10}{20+10}$, em acordo com a associação em paralelo.

Q53
Eletricidade — Eletrodinâmica — Intensidade de corrente e carga elétrica

(Utilize o contexto apresentado na Q52.)

Considerando-se que cada elétron possui uma carga de módulo igual a $1{,}6\cdot10^{-19}\text{ C}$, no intervalo de tempo entre o acionamento do temporizador e o consecutivo acionamento do sistema de arrefecimento, desconsiderando-se perdas, a quantidade de elétrons fornecida pelo gerador E foi, aproximadamente, de

A)$2\cdot10^{19}$.
B)$4\cdot10^{20}$.
C)$1\cdot10^{21}$.
D)$2\cdot10^{21}$.
E)$4\cdot10^{21}$.

Alternativa correta

D
Resolução

Modelo físico. A intensidade de corrente é a carga que atravessa a seção do condutor por unidade de tempo, $i=\dfrac{Q}{\Delta t}$, e a carga total é um número inteiro de elétrons: $Q=n\,e$.

Intervalo de tempo. O temporizador conta $1$ minuto, ou seja, $\Delta t=60\text{ s}$, entre o acionamento do temporizador (acendimento da lâmpada) e o acionamento do arrefecimento. Nesse intervalo, só a lâmpada está ligada e o gráfico mostra $i=5\text{ A}$ (valor constante).

Carga fornecida pelo gerador.

$Q=i\,\Delta t=5\cdot60=300\text{ C}.$

Número de elétrons.

$n=\dfrac{Q}{e}=\dfrac{300}{1{,}6\cdot10^{-19}}\approx1{,}9\cdot10^{21}\approx2\cdot10^{21}\text{ elétrons}.$

O resultado é da ordem de $10^{21}$ elétrons, o que mostra como a carga de cada elétron é minúscula: mesmo uma corrente modesta transporta um número gigantesco de portadores em um minuto.

Q54
Eletromagnetismo — Campo magnético — Força magnética sobre condutor com corrente

Um fluxo de elétrons passa por um fio condutor esticado sobre a extensão do eixo x, sendo que cada elétron move-se no sentido positivo desse eixo. Na origem do terno ordenado, o campo magnético de um ímã atinge seu valor máximo.

Ímã em barra com o polo N na região sombreada junto à origem dos eixos; eixo z para cima, eixo x para a direita e eixo y apontando para o observador

Sobre o fio, na posição coincidente com a origem dos eixos,

A)atuará uma força na direção do eixo x, com sentido concordante com o sentido negativo desse eixo.
B)atuará uma força na direção do eixo y, com sentido concordante com o sentido positivo desse eixo.
C)atuará uma força na direção do eixo z, com sentido concordante com o sentido positivo desse eixo.
D)atuará uma força na direção do eixo y, com sentido concordante com o sentido negativo desse eixo.
E)não ocorrerá nenhuma força magnética e por isso o fio não sofrerá nenhuma modificação.

Alternativa correta

C
Resolução

Modelo físico. Um fio com corrente imerso em um campo magnético $\vec B$ sofre a força magnética $\vec F=i\,\vec L\times\vec B$, de módulo $F=B\,i\,L\,\text{sen}\,\theta$, perpendicular ao fio e ao campo. Só não haveria força se $\vec B$ fosse nulo ou paralelo ao fio, o que não é o caso: o campo é máximo e aponta ao longo do eixo do ímã, perpendicular ao fio.

Sentido da corrente. Os elétrons se movem no sentido $+x$. Por convenção, o sentido da corrente elétrica é o das cargas positivas, portanto o da corrente é oposto: sentido $-x$ (para a esquerda, na figura).

Sentido do campo. A origem está sobre a extremidade do ímã onde fica o polo norte (região sombreada, marcada com N). Fora do ímã, as linhas de campo saem do polo norte. Assim, na origem, $\vec B$ aponta para fora do ímã, ao longo do eixo do ímã, no sentido do observador, o mesmo sentido em que aponta o eixo $y$ desenhado.

Regra da mão direita. Com os dedos esticados no sentido da corrente (para a esquerda) e girando-os na direção do campo (para o observador), o polegar aponta para cima: a força é vertical, na direção do eixo $z$, no sentido positivo desse eixo (o de $z$ desenhado, para cima).

Observação. Os três eixos da figura (x para a direita, z para cima e y para o observador) não formam o triedro usual de mão direita, de modo que é mais seguro aplicar a regra da mão direita diretamente à situação desenhada, como feito acima, do que calcular um produto vetorial entre os versores $\hat\imath$, $\hat\jmath$ e $\hat k$.

↑ Voltar ao topo