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UNICID · Medicina 2012.1 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Cidade de São Paulo · Fundação Vunesp

Processo Seletivo de Medicina — 1º semestre de 2012 · Prova I — questões de Física Q37 a Q54, com transcrição fiel, figuras do caderno, gabarito oficial e resolução comentada Método TEF.

Q37
Mecânica — Estática — Momento de uma força

A gangorra é um dos mais divertidos brinquedos dos parques infantis. Para seu funcionamento é necessário que duas crianças sentem em pontos opostos ao seu centro de apoio. Quando as crianças têm pesos iguais ou próximos elas podem sentar em pontos equidistantes do centro da gangorra para mantê-la equilibrada na horizontal. No entanto, se os pesos forem diferentes, suas posições devem mudar. Mantida a criança mais leve numa extremidade da gangorra, a criança mais pesada deverá sentar-se em lugar mais próximo do centro de apoio. O gráfico que melhor representa o momento ($M$) da força peso da criança mais pesada em função de sua posição ($d$), medida a partir do centro de apoio da gangorra, é

A)Gráfico de M em função de d: reta decrescente que parte de um valor positivo no eixo M e chega a zero em um valor de d
B)Gráfico de M em função de d: reta horizontal, M constante
C)Gráfico de M em função de d: curva crescente, de concavidade para cima, começando próxima de zero
D)Gráfico de M em função de d: curva decrescente do tipo hipérbole, a partir de um valor alto de M
E)Gráfico de M em função de d: reta crescente passando pela origem

Alternativa correta

E
Resolução

O momento (torque) de uma força em relação a um ponto de apoio vale, em módulo, o produto da intensidade da força pela distância da sua linha de ação ao ponto, isto é, o braço de alavanca. No caso da gangorra, a força é o peso da criança, vertical, e o braço é a distância horizontal $d$ entre a criança e o centro de apoio:

$M=P\cdot d$.

Para a criança mais pesada o peso $P$ é um valor fixo. Logo $M$ é diretamente proporcional a $d$: dobrando-se a distância ao apoio, dobra o momento. Isso é uma função do primeiro grau que se anula em $d=0$ (força aplicada sobre o próprio eixo não produz giro), ou seja, no gráfico $M\times d$ temos uma reta crescente que passa pela origem.

Retas decrescentes, curvas e a reta horizontal descrevem relações que não são a de proporcionalidade direta. A reta horizontal, em particular, corresponderia a um momento que independe da posição, o que contraria a própria definição $M=P\cdot d$ para um peso fixo.

Q38
Mecânica — Cinemática — Gráficos de queda e rebote

Em um parque de diversões uma criança se solta de um tablado e cai verticalmente sobre uma cama elástica. A cama elástica rebate a criança para cima, lançando-a até que ela atinja o nível do tablado novamente. Considerando o sistema conservativo, o par de gráficos que melhor representa, qualitativamente, as posições ($S$) e as velocidades ($v$) da criança, em função do tempo ($t$) são, respectivamente, os da alternativa

A)Posição S: curva crescente que parte de valor negativo, atravessa zero e termina positiva; velocidade v: reta crescente que parte de valor negativo
B)Posição S: curva decrescente que parte de valor positivo, atravessa zero e termina negativa; velocidade v: reta crescente que parte de valor negativo
C)Posição S: curva em U, sempre positiva, tocando suavemente o eixo; velocidade v: positiva decrescente até zero e depois crescente
D)Posição S: arco de parábola, positiva, de zero a zero; velocidade v: sobe linearmente e depois desce linearmente até zero, sempre positiva
E)Posição S: dois arcos de curva positiva que se encontram em um bico (ponta) sobre o eixo t; velocidade v: reta decrescente negativa, salto brusco para valor positivo e depois reta decrescente até zero

Alternativa correta

E
Resolução

Vamos medir a posição $S$ da criança a partir da cama elástica (nível $S=0$), com a velocidade positiva para cima. O movimento tem duas partes.

Descida (queda livre). A criança parte do repouso, no nível do tablado, e cai sob ação apenas da gravidade. A velocidade tem módulo crescente e sentido para baixo, portanto $v$ é negativa e decresce linearmente, com inclinação $-g$, partindo de $0$. A posição diminui de forma parabólica, cada vez mais rápido, até chegar a $S=0$ quando encontra a cama.

Rebote. Como o sistema é conservativo, a energia mecânica se conserva e a criança retorna ao nível do tablado, saindo da cama com a mesma rapidez com que chegou, só que para cima. Assim a velocidade passa, em um intervalo de tempo desprezível, de um valor negativo para um valor positivo de mesmo módulo. No gráfico, é um salto vertical. Depois do rebote, a criança sobe em movimento retardado: $v$ diminui linearmente, com a mesma inclinação $-g$, até zerar no ponto mais alto, e a posição cresce de forma parabólica, cada vez mais devagar.

No gráfico da posição, a trajetória chega ao eixo descendo e sai dele subindo, o que gera um bico (ponta) em $S=0$, sem trecho negativo, pois a criança não atravessa a cama. No gráfico da velocidade, temos um segmento decrescente negativo, o salto e outro segmento decrescente positivo, de mesma inclinação.

Os gráficos com velocidade sempre crescente ou sempre positiva não descrevem a inversão de sentido, e os que apresentam posição negativa ou suave em $S=0$ ignoram a cama como fronteira do movimento.

Q39
Mecânica — Cinemática — Composição de velocidades

Passeando de veleiro por um largo canal marítimo, o comandante da embarcação pretende navegar no sentido norte. Está soprando um vento no sentido nordeste, de intensidade $2{,}0$ nós, a $45^\circ$ com o leste, mas, simultaneamente há uma correnteza de $1{,}5$ nó no sentido sudeste, a $45^\circ$ com o sul. O barco dispõe de um motor de popa capaz de oferecer a velocidade máxima de $3{,}5$ nós. Analise as afirmações.

I. Apenas pela ação do vento e da correnteza o barco se deslocará com a velocidade de $2{,}5$ nós, exatamente no sentido leste.

II. Para conseguir seu intento, o comandante deverá ligar o motor a plena potência e apontar a proa no sentido norte.

III. O comandante poderá apontar a proa para um determinado sentido entre o norte e o oeste e assim conseguirá atingir seu intento, desde que ajuste a velocidade do motor.

É correto o que se afirma apenas em

A)I.
B)II.
C)III.
D)I e III.
E)II e III.

Alternativa correta

C
Resolução

Adotemos eixos leste ($x$) e norte ($y$) e decomponhamos cada velocidade pela soma vetorial. Com $\cos45^\circ=\sin45^\circ\approx0{,}71$:

Vento (nordeste): $v_{v}=(2{,}0\cdot0{,}71;\ 2{,}0\cdot0{,}71)\approx(1{,}41;\ 1{,}41)$ nós.

Correnteza (sudeste): $v_{c}=(1{,}5\cdot0{,}71;\ -1{,}5\cdot0{,}71)\approx(1{,}06;\ -1{,}06)$ nós.

Soma: $v_{v}+v_{c}\approx(2{,}47;\ 0{,}35)$ nós.

Afirmação I. O módulo é $\sqrt{2{,}47^2+0{,}35^2}\approx2{,}5$ nós, mas há componente norte de $0{,}35$ nó: a direção é cerca de $8^\circ$ ao norte do leste, e não exatamente leste. A afirmação é falsa.

Afirmação II. Com a proa apontada ao norte e o motor a $3{,}5$ nós, o motor soma $(0;\ 3{,}5)$ à velocidade anterior, e a resultante é $(2{,}47;\ 3{,}85)$ nós. Persiste a componente leste de $2{,}47$ nós, de modo que o barco não vai para o norte. Falsa.

Afirmação III. Para o movimento resultante ser para o norte, a componente leste total deve ser nula. O motor precisa então fornecer componente para oeste de $2{,}47$ nós, além de alguma componente norte (que é livre e dá a rapidez de avanço). Esse vetor aponta para um sentido entre o oeste e o norte, e seu módulo, de pelo menos $2{,}47$ nós, é menor que os $3{,}5$ nós disponíveis, bastando ajustar a potência do motor. A afirmação é verdadeira.

Somente a afirmação III descreve uma manobra possível.

Q40
Mecânica — Cinemática — Rolamento sem deslizamento

As rodas da bicicleta da figura têm o diâmetro externo de $64\text{ cm}$.

Fotografia de uma bicicleta apoiada no chão, com a roda dianteira em primeiro plano

Considerando $\pi\cong3{,}1$, ao percorrer $6{,}2\text{ km}$ por uma ciclovia, sem que ocorram derrapagens, a válvula de calibragem do pneu terá dado cerca de

A)1 565 voltas.
B)3 125 voltas.
C)5 215 voltas.
D)6 250 voltas.
E)6 400 voltas.

Alternativa correta

B
Resolução

Sem derrapagem, a cada volta completa da roda a bicicleta avança uma distância igual ao comprimento da circunferência externa do pneu (o perímetro). O número de voltas da válvula é, portanto, a distância percorrida dividida por esse perímetro.

Perímetro: $C=\pi D=3{,}1\cdot0{,}64\text{ m}=1{,}984\text{ m}\approx2{,}0\text{ m}$.

Distância: $6{,}2\text{ km}=6\,200\text{ m}$.

$N=\dfrac{6\,200}{1{,}984}\approx3\,125$ voltas.

O resultado é coerente com a estimativa $6\,200\text{ m}/2\text{ m}\approx3\,100$ voltas. Observe que a válvula completa uma volta a cada giro da roda, e não a cada $\pi$ metros: o diâmetro (e não o raio) entra na fórmula do perímetro.

Q41
Mecânica — Dinâmica — Movimento circular e forças reais

Em laboratórios de análises clínicas, vários tipos de exames utilizam centrífugas para promover determinadas reações. Tubos de ensaio, contendo amostras de material de análise, são presos próximos à boca da centrífuga em anéis que se encontram em pontos periféricos da máquina, e postos a girar em movimento circular e uniforme com liberdade de se inclinarem durante o movimento. Adotando um referencial inercial, as forças que agem sobre cada amostra, considerada como um ponto material depositado no fundo de cada tubo de ensaio, estão corretamente representadas no gráfico:

A)Forças N, inclinada para cima e para a esquerda, e P, vertical para baixo
B)Forças N, vertical para cima, Fcp, horizontal para a esquerda, e P, vertical para baixo
C)Forças N, vertical para cima, Fcf, horizontal para a direita, e P, vertical para baixo
D)Forças N, inclinada para cima e para a esquerda, Fcp, horizontal para a esquerda, e P, vertical para baixo
E)Forças N, inclinada para cima e para a esquerda, Fcf, horizontal para a direita, e P, vertical para baixo

Alternativa correta

A
Resolução

Em um referencial inercial só entram no diagrama as forças de interação, isto é, aquelas causadas por outros corpos. Sobre a amostra no fundo do tubo atuam apenas:

• o peso $\vec P$, vertical e para baixo, exercido pela Terra;

• a normal $\vec N$, exercida pelo fundo do tubo, perpendicular à superfície de contato.

Como o tubo se inclina durante a rotação, o fundo do tubo também fica inclinado, e a normal, perpendicular a ele, tem uma componente vertical (que equilibra o peso) e uma componente horizontal dirigida para o eixo de rotação.

Essa componente horizontal é justamente a que fornece a resultante centrípeta: $N\cos\theta=P$ e $N\sin\theta=m\omega^2R$. A força centrípeta $\vec F_{cp}$ é o nome da resultante das forças que apontam para o centro; não é uma força a mais e, portanto, não deve ser desenhada além de $\vec N$ e $\vec P$ (desenhá-la junto com elas contaria a mesma coisa duas vezes).

A força centrífuga $\vec F_{cf}$ só aparece para um observador girando junto com a centrífuga, referencial não inercial, e é descartada aqui pelo enunciado.

O diagrama correto traz, então, somente $\vec N$ inclinada (para cima e para o centro) e $\vec P$ vertical.

Q42
Mecânica — Gravitação — Aceleração da gravidade e massa do planeta

Em seu livro O Pequeno Príncipe, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry imagina a existência de um pequeno planeta, o B612, onde viveria seu personagem. Suponha que na superfície do planeta B612 a aceleração da gravidade seja cerca de dez milhões de vezes menor que a da Terra e que o raio superficial seja um milhão de vezes menor que o terrestre. Considerando a massa da Terra $6\times10^{24}\text{ kg}$, segundo as leis da mecânica gravitacional, a massa do planeta B612 seria comparável a de um

A)saco de cimento ($50\text{ kg}$).
B)automóvel de passeio ($1\,500\text{ kg}$).
C)caminhão carregado ($30\text{ t}$).
D)avião de passageiros ($100\text{ t}$).
E)navio cargueiro ($500\text{ t}$).

Alternativa correta

E
Resolução

Na superfície de um astro esférico de massa $M$ e raio $R$, a aceleração da gravidade é

$g=\dfrac{GM}{R^2}\ \Rightarrow\ M=\dfrac{g\,R^2}{G}$.

Como $G$ é a mesma para qualquer planeta, basta comparar o B612 com a Terra por razões, sem precisar do valor de $G$:

$\dfrac{M_B}{M_T}=\dfrac{g_B}{g_T}\left(\dfrac{R_B}{R_T}\right)^2$.

Com $g_B/g_T=10^{-7}$ e $R_B/R_T=10^{-6}$:

$\dfrac{M_B}{M_T}=10^{-7}\cdot\left(10^{-6}\right)^2=10^{-7}\cdot10^{-12}=10^{-19}$.

Logo

$M_B=6\times10^{24}\cdot10^{-19}=6\times10^{5}\text{ kg}=600\text{ t}$.

Entre as opções, a massa mais próxima de $600\text{ t}$ é a de um navio cargueiro de $500\text{ t}$. Um saco de cimento, um automóvel, um caminhão ou um avião de passageiros têm massa de uma a quatro ordens de grandeza menor do que a calculada, ao passo que o navio cargueiro é da mesma ordem.

Q43
Mecânica — Trabalho e energia — Energia elástica e colisão inelástica

A mola elástica, de constante $k$, de uma espingarda de pressão fica comprimida $10\text{ cm}$ e, ao ser acionada, dispara um projétil, de massa $100\text{ g}$, que deverá, ao sair do cano com velocidade de $100\text{ m/s}$, incrustar-se em um carrinho de massa $900\text{ g}$. Tal carrinho pode deslizar sem atrito pela mesa de tampo horizontal, constituindo, com o projétil, um sistema conservativo.

Espingarda de pressão à esquerda e carrinho sobre uma mesa horizontal à direita

A constante $k$, em $\text{N/m}$, e a velocidade do carrinho com o projétil, em $\text{m/s}$, imediatamente após a colisão valem, respectivamente,

A)$2{,}0\times10^{5}$ e $10$.
B)$2{,}0\times10^{5}$ e $1{,}0$.
C)$1{,}0\times10^{5}$ e $10$.
D)$1{,}0\times10^{5}$ e $1{,}0$.
E)$1{,}0\times10^{5}$ e $0{,}10$.

Alternativa correta

C
Resolução

O problema tem duas etapas, cada uma com sua lei de conservação.

1) Disparo. Sem dissipação, a energia potencial elástica da mola, $\dfrac{k x^2}{2}$, converte-se integralmente em energia cinética do projétil. Com $x=10\text{ cm}=0{,}10\text{ m}$, $m=100\text{ g}=0{,}10\text{ kg}$ e $v=100\text{ m/s}$:

$\dfrac{k\,x^2}{2}=\dfrac{m\,v^2}{2}\ \Rightarrow\ k=\dfrac{m\,v^2}{x^2}=\dfrac{0{,}10\cdot100^2}{0{,}10^2}=\dfrac{1\,000}{0{,}010}=1{,}0\times10^{5}\text{ N/m}$.

2) Colisão. O projétil fica incrustado no carrinho: colisão perfeitamente inelástica. Na horizontal não há forças externas, então a quantidade de movimento do sistema se conserva:

$m\,v=(m+M)\,V\ \Rightarrow\ 0{,}10\cdot100=(0{,}10+0{,}90)\,V$.

$V=\dfrac{10}{1{,}0}=10\text{ m/s}$.

(A energia cinética não se conserva nesta etapa, pois parte dela é dissipada na deformação; por isso a conservação de energia só vale para o disparo.)

Q44
Mecânica — Trabalho e energia — Energia dissipada na frenagem

Em setembro de 2011 houve um acidente envolvendo mais de $250$ veículos em um trecho horizontal e retilíneo da rodovia dos Imigrantes. A causa principal do acidente foi um intenso nevoeiro. Imagine um automóvel, de massa $m$, viajando por esse trecho a uma velocidade $v$, cujo motorista percebe outro veículo parado a uma distância $d$ naquele instante. A energia mecânica dissipada por esse automóvel para evitar a colisão deverá ser, no mínimo, igual a

A)$m\cdot v\cdot d$.
B)$m\cdot v\cdot d^2$.
C)$m\cdot v^2\cdot d$.
D)$\dfrac{m\cdot v^2}{2}$.
E)$m\cdot v^2$.

Alternativa correta

D
Resolução

Em trecho horizontal a energia potencial gravitacional não varia. Para o automóvel não colidir, ele precisa chegar ao repouso (no limite, junto ao veículo parado, após percorrer no máximo a distância $d$). Toda a sua energia mecânica, que é só cinética, precisa então ser dissipada pelo atrito dos freios e pneus, e pela resistência do ar.

Pelo teorema do trabalho e da energia cinética, o trabalho das forças dissipativas é $\tau=\Delta E_c=0-\dfrac{m v^2}{2}$, de modo que o módulo da energia dissipada vale

$E_{\text{dissipada}}=\dfrac{m\,v^2}{2}$.

Observe que a distância $d$ não aparece no resultado: ela determina a intensidade mínima da força de frenagem ($F=\dfrac{m v^2}{2d}$), mas não a energia que precisa ser retirada do carro. Expressões como $m\,v\,d$ não têm dimensão de energia, e a que traz $m\,v^2$ falha por faltar o fator $\tfrac12$.

Q45
Mecânica — Hidrostática — Pressão de uma coluna de líquido

Nos hospitais e centros de pronto atendimento é comum que se ministrem medicamentos por via endovenosa em doses minúsculas, mas constantes. O medicamento, no estado líquido, é acondicionado em um frasco que será pendurado em um suporte (haste universal) situado cerca de $1{,}5\text{ m}$ acima do braço do paciente, escorrendo por uma mangueira e tendo seu fluxo regulado por uma válvula dosadora. Se a densidade do medicamento for $1{,}0\text{ g/cm}^3$, e a aceleração da gravidade aproximadamente $10\text{ m/s}^2$, o acréscimo de pressão no ponto de injeção, devido à coluna do líquido medicamentoso, será, em $\text{Pa}$, igual a

A)$1{,}0\times10^{3}$.
B)$1{,}5\times10^{4}$.
C)$1{,}5\times10^{5}$.
D)$2{,}0\times10^{6}$.
E)$3{,}0\times10^{7}$.

Alternativa correta

B
Resolução

O acréscimo de pressão devido a uma coluna de líquido em equilíbrio é dado pelo teorema de Stevin:

$\Delta p=\rho\,g\,h$.

A densidade deve estar no SI: $1{,}0\text{ g/cm}^3=1{,}0\times10^{3}\text{ kg/m}^3$ (pois $1\text{ g}=10^{-3}\text{ kg}$ e $1\text{ cm}^3=10^{-6}\text{ m}^3$). Com $g=10\text{ m/s}^2$ e $h=1{,}5\text{ m}$:

$\Delta p=1{,}0\times10^{3}\cdot10\cdot1{,}5=1{,}5\times10^{4}\text{ Pa}$.

Esse valor é um pouco maior que $10\%$ da pressão atmosférica, o que é razoável para uma coluna de apenas $1{,}5\text{ m}$ de líquido quase tão denso quanto a água. O erro mais comum seria esquecer de converter $\text{g/cm}^3$ para $\text{kg/m}^3$, o que levaria a um resultado mil vezes menor.

Q46
Termologia — Transmissão de calor — Isolantes térmicos

Algumas pessoas não gostam de tomar remédios para baixar uma febre. Enrolam-se em um cobertor de lã e, após transpirarem, dizem sentirem-se melhor. Sob o ponto de vista das leis da física, tal sensação

A)é contraditória, pois a transpiração provocada pelo cobertor mantém constante a temperatura do corpo, um banho quente seria mais eficiente.
B)é contraditória, pois a transpiração faz a temperatura do corpo subir ainda mais e o cobertor facilita a troca de calor com o corpo.
C)é contraditória, pois o cobertor impede a troca de calor do corpo com o ambiente, um banho de água fria ou morna seria mais eficiente.
D)faz sentido, uma vez que a transpiração provocada pelo cobertor faz com que o corpo interaja termicamente com o mesmo.
E)faz sentido, uma vez que a transpiração provocada pelo cobertor libera toxinas e com esse mecanismo a temperatura do corpo diminui.

Alternativa correta

C
Resolução

A lã é um mau condutor de calor, isto é, um isolante térmico, em boa parte porque retém ar entre suas fibras. Quando alguém se enrola em um cobertor de lã, as trocas de calor entre o corpo e o ambiente (condução, convecção e perdas por evaporação do suor) ficam muito reduzidas.

Numa pessoa com febre, o corpo já está acima da temperatura normal e precisa perder calor. O cobertor faz o oposto: dificulta a saída de calor e tende a manter, ou até aumentar, a temperatura corporal. A transpiração intensa observada é consequência desse aquecimento, e a sensação de alívio depois dela vem do suor e do mal-estar da febre, não de uma real queda da temperatura do corpo induzida pelo cobertor. Do ponto de vista da física, portanto, o procedimento é contraditório.

O que de fato favorece a perda de calor é aumentar a troca com o ambiente, por exemplo com um banho de água morna ou fria (que retira calor do corpo por condução e, depois, por evaporação) e roupas leves. Dizer que o suor "libera toxinas" não tem fundamento físico, e manter constante a temperatura do corpo com o cobertor também não se sustenta, pois a transpiração é uma reação à elevação da temperatura.

Q47
Termologia — Termodinâmica — Ciclo de um motor térmico

O gráfico representa o ciclo do motor a combustão interna de uma ceifadeira de grama.

Diagrama pressão versus volume: ciclo ABCDA percorrido no sentido horário; CD é uma reta horizontal no topo, DA é uma curva descendente, AB é uma reta horizontal na base percorrida para a esquerda e BC é uma curva ascendente

É correto afirmar que

A)o trecho DA representa a única fase em que ocorre a expansão isobárica do vapor combustível.
B)o trecho AB representa uma fase em que ocorre uma compressão isobárica do vapor combustível.
C)o rendimento do motor independe da área limitada pela figura ABCDA.
D)a área delimitada pela figura ABCDA significa fisicamente a potência média de funcionamento do motor.
E)a área delimitada pela figura ABCDA significa fisicamente a quantidade de calor gerado pela explosão do vapor combustível no ciclo.

Alternativa correta

B
Resolução

No diagrama $p\times V$, um trecho horizontal é uma transformação isobárica: a pressão é constante. O sentido das setas (CD para a direita, DA descendo, AB para a esquerda, BC subindo) indica que o ciclo é percorrido no sentido horário, o que caracteriza uma máquina térmica que realiza trabalho líquido positivo.

Vamos examinar cada afirmação.

• Trecho DA: a pressão diminui enquanto o volume aumenta; é uma expansão não isobárica. A expansão isobárica ocorre em CD, de modo que DA não é o trecho em questão, e a palavra "única" também deixa a afirmação falsa.

• Trecho AB: é horizontal (pressão constante) e o volume diminui da direita para a esquerda: trata-se de uma compressão isobárica. A afirmação é verdadeira.

• Rendimento: $\eta=\dfrac{W}{Q_{\text{quente}}}$, e o trabalho útil $W$ é justamente a área do ciclo; portanto o rendimento depende dela.

• Potência média: a área é trabalho (energia, em joules), e não potência; potência exigiria dividir o trabalho pelo tempo de um ciclo.

• Calor gerado pela explosão: a área corresponde ao trabalho líquido realizado no ciclo, igual a $Q_{\text{recebido}}-Q_{\text{cedido}}$, e não ao calor total produzido na combustão.

Assim, a única descrição correta do diagrama é a que identifica o trecho AB como compressão com pressão constante.

Q48
Óptica — Refração da luz — Dispersão e espalhamento da luz

Analise as afirmações.

I. O arco-íris é formado pelas dispersões que os raios de luz branca sofrem no interior das gotas de água condensadas e em suspensão no ar.

II. Os astronautas que pisaram na Lua, ao olharem para cima, encontraram o céu negro, pois na superfície lunar não há atmosfera.

III. Os astronautas, ao se afastarem da Terra, para fora de sua atmosfera, veem a Terra da cor azul, pois os raios luminosos que a Terra reflete são dessa cor.

É correto o que se afirma em

A)I, apenas.
B)I e II, apenas.
C)I e III, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

Alternativa correta

E
Resolução

Afirmação I. Verdadeira. No arco-íris, a luz branca do Sol entra na gota, sofre refração (com dispersão, pois cada cor tem um índice de refração diferente), reflexão no fundo da gota e nova refração na saída. As cores saem separadas em ângulos ligeiramente diferentes, e vemos o espectro.

Afirmação II. Verdadeira. O céu da Terra é claro porque a atmosfera espalha a luz solar. Na Lua não há atmosfera para espalhar a luz; olhando para cima, o astronauta só recebe luz diretamente de astros, e o fundo do céu é escuro mesmo durante o dia lunar.

Afirmação III. A afirmação é verdadeira no sentido empregado pelo enunciado: a luz proveniente da Terra que chega ao astronauta é a luz solar espalhada pela atmosfera (o espalhamento de Rayleigh é muito mais intenso para os comprimentos de onda curtos, azuis) e refletida pelos oceanos, de modo que a luz que o planeta devolve ao espaço é predominantemente azul. É essa a origem da cor do "planeta azul". Observe, porém, que a frase usa "refletidos" em sentido amplo, abrangendo também a luz espalhada; em rigor o principal mecanismo é o espalhamento atmosférico.

Como as três afirmações descrevem fenômenos reais de dispersão e espalhamento da luz, nenhuma delas pode ser descartada.

Q49
Óptica — Lentes — Microscópio composto

O microscópio composto é constituído de $2$ lentes esféricas coaxiais, a objetiva $B$ e a ocular $C$. Sendo a lâmina $O$ um objeto real e sua imagem final virtual $I$, é correto afirmar que

A)$B$ e $C$ são convergentes e $O$ deve ser colocada entre o foco e o centro óptico de $B$.
B)$B$ e $C$ são convergentes e $O$ deve ser colocada entre o foco e o ponto antiprincipal de $B$.
C)$B$ e $C$ são convergentes e $I$ deve ficar entre o foco e o centro óptico de $C$.
D)$B$ é convergente, $C$ é divergente e $O$ deve ser colocada entre o foco e o ponto antiprincipal de $B$.
E)$B$ é convergente, $C$ é divergente e $I$ deve ficar entre o foco e o centro óptico de $C$.

Alternativa correta

B
Resolução

O microscópio composto funciona em dois estágios, ambos com lentes convergentes.

Objetiva ($B$). Produz, do objeto $O$, uma imagem real, invertida e ampliada, que serve de objeto para a ocular. Para uma lente convergente, uma imagem real e maior que o objeto só se forma quando o objeto está entre o foco $F$ e o ponto antiprincipal $A$ (a distância $2f$). Entre o foco e o centro óptico a imagem seria virtual, e além do ponto antiprincipal seria real, mas reduzida.

Ocular ($C$). Funciona como lupa: a imagem intermediária fica entre o foco e o centro óptico de $C$, o que dá uma imagem final virtual, direita em relação à intermediária e ainda maior. Uma lente divergente jamais ampliaria a imagem intermediária, por isso a ocular também é convergente.

Quanto às afirmações que falam da posição de $I$ junto à ocular, note que o que se encontra entre o foco e o centro óptico de $C$ é a imagem intermediária (o objeto da ocular), e não a imagem final $I$, que é virtual e fica do mesmo lado do objeto da ocular, porém mais afastada da lente que ele.

Assim, a descrição completa e correta é: duas lentes convergentes, com a lâmina colocada entre o foco e o ponto antiprincipal da objetiva.

Q50
Ondulatória — MHS — Velocidade máxima de oscilação

Vários instrumentos utilizados em medicina diagnóstica e mesmo operacional, funcionam movidos por ondas eletromagnéticas. O movimento vibratório dessas ondas pode ser descrito por funções trigonométricas, uma vez que se trata de um movimento harmônico simples.

Se determinada onda vibra segundo a função

$y=3{,}0\times10^{-10}\cdot\cos\left(2{,}0\times10^{18}\cdot\pi\cdot t\right)$,

considerando $\pi\cong3$, no Sistema Internacional (SI) a sua velocidade máxima de vibração vale, em $\text{m/s}$, aproximadamente,

A)$1{,}5\times10^{-28}$.
B)$1{,}8\times10^{9}$.
C)$2{,}0\times10^{8}$.
D)$5{,}0\times10^{-29}$.
E)$6{,}0\times10^{8}$.

Alternativa correta

B
Resolução

A função dada tem a forma geral do MHS, $y=A\cos(\omega t)$. Comparando termo a termo, a amplitude é $A=3{,}0\times10^{-10}\text{ m}$ e a frequência angular é $\omega=2{,}0\times10^{18}\,\pi\ \text{rad/s}$.

A velocidade é a derivada da posição em relação ao tempo:

$v=\dfrac{dy}{dt}=-A\,\omega\,\sin(\omega t)$,

cujo valor máximo, atingido quando $|\sin(\omega t)|=1$ (partícula passando pela posição de equilíbrio), é $v_{\text{máx}}=A\,\omega$. Com $\pi\cong3$, temos $\omega\approx6{,}0\times10^{18}\text{ rad/s}$ e

$v_{\text{máx}}=3{,}0\times10^{-10}\cdot6{,}0\times10^{18}=18\times10^{8}=1{,}8\times10^{9}\text{ m/s}$.

Esse valor é a velocidade de vibração dos pontos do meio (ou do campo) e não a velocidade da onda; como ela excede a da luz no vácuo, trata-se de um dado só numérico do exercício, sem significado físico para uma partícula material.

Q51
Eletricidade — Eletrostática — Campo elétrico uniforme e ddp

A figura mostra o esquema de montagem de duas placas planas e paralelas $A$ e $F$, separadas $5\text{ cm}$ uma da outra, eletrizadas com cargas negativa e positiva, respectivamente, e distribuídas de maneira uniforme em suas superfícies. Essa distribuição gera um campo elétrico uniforme de intensidade $1\times10^{4}\text{ N/C}$ na região interna entre as placas. As superfícies equipotenciais $B$, $C$, $D$ e $E$ são equidistantes entre si e de $A$ e $F$.

Duas placas paralelas, A negativa e F positiva, com quatro superfícies equipotenciais tracejadas B, C, D e E entre elas, igualmente espaçadas

As diferenças de potencial $U_{BC}$ e $U_{DF}$ serão, em volts, respectivamente,

A)$1\times10^{2}$ e $2\times10^{2}$.
B)$2\times10^{2}$ e $1\times10^{2}$.
C)$1\times10^{3}$ e $2\times10^{3}$.
D)$2\times10^{3}$ e $1\times10^{3}$.
E)$5\times10^{3}$ e $1\times10^{3}$.

Alternativa correta

A
Resolução

Em um campo elétrico uniforme, a diferença de potencial entre dois pontos separados por uma distância $d$ medida ao longo das linhas de campo é, em módulo,

$U=E\cdot d$.

As seis superfícies $A,B,C,D,E,F$ delimitam cinco intervalos iguais ao longo dos $5\text{ cm}$ entre as placas, de modo que cada intervalo mede $1\text{ cm}=1\times10^{-2}\text{ m}$. A ddp entre superfícies vizinhas é

$U=1\times10^{4}\cdot1\times10^{-2}=1\times10^{2}\text{ V}$.

• De $B$ a $C$ há um intervalo: $|U_{BC}|=1\times10^{2}\text{ V}$.

• De $D$ a $F$ há dois intervalos ($D\to E$ e $E\to F$): $|U_{DF}|=2\times10^{2}\text{ V}$.

(Como o potencial cresce no sentido da placa negativa para a positiva, os valores de $U_{BC}$ e $U_{DF}$, tomados como $V_B-V_C$ e $V_D-V_F$, são tecnicamente negativos; o problema pede apenas os módulos.) Como conferência, a ddp entre as placas é $5\cdot100=500\text{ V}=E\cdot0{,}05$, resultado igual a $1\times10^{4}\cdot5\times10^{-2}$.

Q52
Eletricidade — Eletrodinâmica — Amperímetro e voltímetro

A figura ilustra o esboço de uma bateria $B$, de tensão contínua, alimentando um circuito $C$, com fios ideais de conexão e instrumentos de medidas elétricas $1$ e $2$.

Circuito com uma bateria B ligada a um circuito C; o instrumento 1 está ligado em série no fio que liga a bateria a C e o instrumento 2 está ligado em paralelo com C

Para que a leitura nos instrumentos $1$ e $2$ seja correta, é necessário que sejam, respectivamente, um

A)ohmímetro e um voltímetro.
B)voltímetro e um ohmímetro.
C)amperímetro e um voltímetro.
D)voltímetro e um multímetro.
E)multímetro e um amperímetro.

Alternativa correta

C
Resolução

A ligação de cada instrumento depende da grandeza que ele mede.

Instrumento 1. Está inserido no fio que sai da bateria e chega ao circuito $C$, isto é, em série com ele: toda a corrente do circuito passa por ele. Instrumento ligado em série mede a corrente elétrica e, para não alterar o circuito, deve ter resistência interna muito pequena: é um amperímetro.

Instrumento 2. Está ligado aos dois terminais de $C$, ou seja, em paralelo com ele, ficando submetido à mesma ddp. Instrumento em paralelo mede tensão e, para não desviar corrente, deve ter resistência interna muito grande: é um voltímetro.

Um ohmímetro mede resistência de um componente fora do circuito alimentado, pois possui bateria própria, por isso não deve ser usado com o circuito ligado à bateria. O multímetro é um aparelho que pode atuar como qualquer um dos três, dependendo da posição da chave, de modo que a questão pede o tipo de medição adequado a cada ponto.

Q53
Eletromagnetismo — Campo magnético — Força magnética sobre cargas em movimento

A figura ilustra a trajetória descrita por dois feixes de isótopos de uma amostra de material colhido em um laboratório de análises clínicas que foi ionizado positivamente.

Dois arcos de circunferência partindo do ponto A, no canto superior esquerdo de uma região quadrada, descritos no sentido horário e com raios diferentes, curvando-se para baixo

Cada feixe descreve uma trajetória de forma circular, a partir do ponto $A$, no sentido horário, no interior de um campo

A)magnético de linhas de indução perpendiculares ao plano da folha, saindo dela.
B)magnético de linhas de indução perpendiculares ao plano da folha, entrando nela.
C)magnético de linhas de indução paralelas ao plano da folha, apontando para baixo.
D)elétrico de linhas de campo perpendiculares ao plano da folha, saindo dela.
E)elétrico de linhas de campo paralelas ao plano da folha, apontando para baixo.

Alternativa correta

A
Resolução

Uma trajetória circular exige uma força de módulo constante, sempre perpendicular à velocidade. Um campo elétrico uniforme não serve: ele exerceria uma força de direção fixa, que acelera ou freia a partícula e produz uma trajetória parabólica, e não circular. Já a força magnética $\vec F=q\,\vec v\times\vec B$ é sempre perpendicular a $\vec v$ e, com $\vec B$ uniforme e perpendicular à velocidade, gera movimento circular uniforme, de raio $R=\dfrac{m v}{|q|B}$. Os isótopos têm massas diferentes, e por isso raios diferentes.

Falta decidir o sentido de $\vec B$. No ponto $A$ as partículas entram movendo-se para a direita, e a curva é horária, isto é, o centro da circunferência está abaixo de $A$. Portanto, nesse instante, a força magnética aponta para baixo.

Aplicando a regra da mão direita para íons positivos: o dedo indicador no sentido de $\vec v$ (direita), o dedo médio no sentido de $\vec B$ e o polegar no sentido de $\vec F$ (baixo). Para que o polegar aponte para baixo com o indicador para a direita, o dedo médio deve apontar para fora do plano da folha, na direção do leitor. Confirmando com os vetores unitários: $\hat x\times\hat z=-\hat y$, ou seja, $\vec v$ para a direita ($+\hat x$) e $\vec B$ saindo da folha ($+\hat z$) resultam em força para baixo ($-\hat y$).

Se o campo entrasse na folha, a força seria para cima e o giro seria anti-horário; um campo paralelo ao plano da folha, por sua vez, produziria força perpendicular ao plano, tirando as partículas dele. Logo, o campo é magnético, perpendicular à folha, e saindo dela.

Q54
Ondulatória — Ondas eletromagnéticas — Intensidade e distância

Uma emissora de rádio emite ondas eletromagnéticas através de sua antena. A intensidade $I$ de recepção nos aparelhos de rádio depende da potência ($P$) de emissão das ondas e da distância ($d$) entre a antena e o aparelho. Experiências mostram que a expressão que as relaciona é $I=\dfrac{P}{4}\cdot\pi\cdot d^{2}$.

Se uma pessoa que recebia o sinal da emissora durante o dia com intensidade $I_1$, num certo lugar, for para outro duas vezes mais distante e sintonizar a emissora à noite, quando a potência de transmissão é reduzida pela metade, a nova intensidade recebida será $I_2$, tal que

A)$I_2=\dfrac{I_1}{2}$.
B)$I_2=\dfrac{I_1}{4}$.
C)$I_2=\dfrac{I_1}{8}$.
D)$I_2=\dfrac{I_1}{12}$.
E)$I_2=\dfrac{I_1}{16}$.

Alternativa correta

C
Resolução

Atenção ao enunciado. A expressão impressa na prova, $I=\dfrac{P}{4}\cdot\pi\cdot d^{2}$, parece conter um erro de editoração: o que a experiência (e a física) mostram é que a intensidade de uma onda emitida por uma fonte pontual se distribui por uma esfera de área $4\pi d^2$, logo

$I=\dfrac{P}{4\pi\,d^{2}}$,

com a distância ao quadrado no denominador: quanto mais longe, menor a intensidade recebida, como todo mundo sabe de um rádio que "perde o sinal" ao se afastar da antena. Com a fórmula tal como impressa, a intensidade cresceria com a distância e o resultado seria $I_2=2I_1$, valor que não consta de nenhuma das opções; adotamos portanto a lei física correta.

Situação 1: $I_1=\dfrac{P}{4\pi d^2}$.

Situação 2: potência $P/2$ e distância $2d$:

$I_2=\dfrac{P/2}{4\pi\,(2d)^2}=\dfrac{P}{2}\cdot\dfrac{1}{4\pi\cdot4\,d^2}=\dfrac{1}{8}\cdot\dfrac{P}{4\pi d^2}=\dfrac{I_1}{8}$.

Dividir a potência por $2$ e multiplicar por $4$ o quadrado da distância faz a intensidade cair por um fator $2\cdot4=8$.

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