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UNICID · Medicina 2012.2 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Cidade de São Paulo · Fundação Vunesp

Processo Seletivo de Medicina — 2º semestre de 2012 · Prova I — questões de Física Q37 a Q54, com transcrição fiel, figuras do caderno, gabarito oficial e resolução comentada Método TEF.

Q37
Mecânica — Cinemática — Interpretação de gráfico (espaço × tempo)

Um motoqueiro inicia seu movimento no ponto C da figura, onde permanece parado por pouco tempo. Em seguida move-se em linha reta e com baixa velocidade para o ponto A, onde fica por alguns instantes. Na sequência, em alta velocidade, desloca-se sobre o mesmo eixo até atingir a posição B, onde permanece momentaneamente em repouso retornando lentamente para a posição C, onde para.

Eixo orientado com marcas 0, 1, 2 e 3; o ponto A está na marca 1, o ponto B na marca 2 e o ponto C na marca 3

Da análise do movimento do motoqueiro, o gráfico que melhor expressa a relação entre o espaço percorrido e o tempo gasto no percurso é

A)Alternativa A: gráfico de s por t que parte da origem, permanece em repouso, sobe com inclinação acentuada, mantém-se constante, desce um pouco e sobe novamente, terminando em patamar
B)Alternativa B: gráfico de s por t que parte de um valor intermediário, sobe, desce e sobe de novo até um patamar final mais alto que o inicial
C)Alternativa C: gráfico de s por t que parte do valor mais alto, desce lentamente até o valor mais baixo, permanece constante, sobe rapidamente até um valor intermediário, permanece constante e sobe lentamente até o valor inicial, terminando em patamar
D)Alternativa D: gráfico de s por t que parte de valor positivo pequeno, cruza o eixo do tempo, assume valores negativos, volta a valores positivos e novamente a negativos
E)Alternativa E: gráfico de s por t que parte de valor intermediário, sobe, desce, sobe rapidamente e depois sobe lentamente até um patamar mais alto que o inicial

Alternativa correta

C
Resolução

No gráfico do espaço em função do tempo, o valor de $s$ indica a posição ao longo do eixo, o sinal da inclinação indica o sentido do movimento e o módulo da inclinação indica a rapidez ($v=\dfrac{\Delta s}{\Delta t}$). Trechos horizontais correspondem ao repouso.

Pela figura do eixo, as posições são $s_C=3$, $s_A=1$ e $s_B=2$. Traduzindo a história do motoqueiro em trechos, na ordem:

1. Parado em C: trecho horizontal em $s=3$, o valor mais alto da trajetória.
2. De C para A, devagar: $s$ diminui de 3 para 1 com inclinação negativa pouco acentuada.
3. Parado em A: novo trecho horizontal, em $s=1$, o valor mais baixo.
4. De A para B, rápido: $s$ aumenta de 1 para 2 com inclinação positiva bem acentuada.
5. Parado em B: trecho horizontal em $s=2$.
6. De B para C, devagar: $s$ aumenta de 2 para 3 com inclinação positiva suave.
7. Parado em C: patamar final, na mesma altura do patamar inicial.

Procuramos, então, a curva que começa no patamar mais alto, desce suavemente até o patamar mais baixo, sobe depressa até um patamar intermediário, sobe devagar de volta ao nível inicial e termina em repouso. Isso exclui as curvas que começam na origem ou em valor intermediário, as que sobem logo no início (o motoqueiro vai primeiro de C para A, em direção a $s$ menor) e a que atravessa o eixo $t$ (posições negativas, inexistentes no eixo dado), restando exatamente o gráfico que reproduz a sequência acima.

Q38
Ondulatória — Conceitos Básicos — Velocidade de propagação de onda

Após ser emitida pelo Sol, a irradiação da luz solar gasta, aproximadamente, 8 minutos até atingir a superfície do planeta Terra. Considerando a velocidade da luz igual a $3\times10^5\text{ km/s}$, a distância aproximada entre a Terra e o Sol, em milhões de quilômetros, é

A)300.
B)260.
C)200.
D)150.
E)110.

Alternativa correta

D
Resolução

A luz se propaga no vácuo com velocidade constante, de modo que a distância percorrida é $d=v\,\Delta t$. É preciso apenas expressar o tempo em segundos, pois a velocidade está em $\text{km/s}$:

$\Delta t=8\text{ min}=8\times60\text{ s}=480\text{ s}$.

$d=3\times10^{5}\,\text{km/s}\times480\text{ s}=1{,}44\times10^{8}\text{ km}=144\text{ milhões de km}$.

Como o enunciado pede um valor aproximado, entre as opções disponíveis o mais próximo de $144$ milhões de quilômetros é $150$ milhões de quilômetros (o valor real da distância média Terra–Sol, cerca de $1{,}5\times10^{8}\text{ km}$, corresponde ao tempo de luz de pouco mais de $8$ minutos).

Q39
Mecânica — Gravitação — Campo gravitacional e peso

Segundo a física clássica, em relação aos corpos, massa é uma característica

A)invariável, enquanto o peso é igual ao produto da massa do corpo pela aceleração da gravidade local.
B)invariável, enquanto o peso é igual à razão entre a massa do corpo e a aceleração da gravidade local.
C)invariável, enquanto o peso é igual à massa do corpo somada à aceleração da gravidade local.
D)variável, enquanto o peso é igual ao produto da massa do corpo pela aceleração da gravidade local.
E)variável, enquanto o peso é igual à razão entre a massa do corpo e a aceleração da gravidade local.

Alternativa correta

A
Resolução

Na física clássica (newtoniana), a massa é a medida da inércia de um corpo e é uma característica invariável: não depende do local nem da velocidade do corpo (essa independência da velocidade deixa de valer apenas na relatividade).

O peso é a força de atração gravitacional que o planeta exerce sobre o corpo e depende do local, pois depende da aceleração da gravidade $g$ naquele ponto. Pela segunda lei de Newton aplicada à queda livre,

$P=m\,g$,

ou seja, o peso é o produto da massa pela aceleração da gravidade local. Por isso o mesmo corpo tem a mesma massa na Terra e na Lua, mas pesos diferentes. Dividir a massa por $g$, ou somar as duas grandezas, não tem sentido físico: as unidades ($\text{kg}$ e $\text{m/s}^2$) não são compatíveis para a soma, e a razão $m/g$ não tem a dimensão de força.

Q40
Mecânica — Cinemática — Lançamento oblíquo

Dois corpos, X e Y, de massas diferentes, são lançados oblíqua e simultaneamente, de um mesmo ponto, com a mesma velocidade inicial, seguindo a mesma direção e o mesmo sentido. Nessas condições, desprezando-se as resistências externas, pode-se afirmar corretamente que o corpo de menor massa terá

A)o mesmo alcance que o de maior massa e ambos atingirão o solo simultaneamente.
B)um alcance maior que o de maior massa e ambos atingirão o solo simultaneamente.
C)um alcance menor que o de maior massa e ambos atingirão o solo simultaneamente.
D)um alcance maior que o de maior massa e ambos atingirão o solo em diferentes instantes.
E)um alcance menor que o de maior massa e ambos atingirão o solo em diferentes instantes.

Alternativa correta

A
Resolução

Sem resistência do ar, a única força que atua em cada corpo é o seu peso, $P=mg$. Pela segunda lei de Newton, a aceleração é

$a=\dfrac{P}{m}=\dfrac{mg}{m}=g$,

que não depende da massa. Assim, os dois corpos têm a mesma aceleração e, partindo do mesmo ponto com a mesma velocidade inicial $v_0$ e o mesmo ângulo $\theta$ de lançamento, descrevem exatamente a mesma trajetória parabólica.

As grandezas do lançamento oblíquo confirmam isso: o tempo de voo (até voltar ao nível de lançamento) e o alcance são

$t=\dfrac{2\,v_0\,\operatorname{sen}\theta}{g}\qquad\text{e}\qquad A=\dfrac{v_0^{2}\operatorname{sen}2\theta}{g}$,

e nelas não aparece a massa. Logo, os corpos de massas diferentes têm o mesmo alcance e retornam ao solo no mesmo instante.

Q41
Mecânica — Trabalho e Energia — Conservação da energia mecânica (mola e bloco)

O bloco A, de massa $1{,}5\text{ kg}$, preso a uma corda inextensível e de massa desprezível, é abandonado do repouso no momento em que a mola, de constante elástica $k=200\text{ N/m}$ e de massa desprezível, se encontra não deformada. Despreze as resistências na polia e considere o sistema conservativo, a corda inicialmente esticada, mas não tensionada e $g=10\text{ m/s}^2$.

Bloco A pendurado por uma corda que passa por uma polia fixa ao teto e está presa, no outro lado, à extremidade superior de uma mola vertical cuja extremidade inferior está fixa ao solo

O bloco A, após abandonado e devido à deformação da mola, desce até atingir o ponto mais baixo de sua trajetória, sofrendo, nesse percurso, um deslocamento, em cm, igual a

A)10.
B)15.
C)20.
D)25.
E)50.

Alternativa correta

B
Resolução

O sistema é conservativo, então a energia mecânica do conjunto bloco + mola se conserva. Comparemos dois instantes: o início (bloco abandonado, mola sem deformação) e o ponto mais baixo da trajetória, em que o bloco para momentaneamente.

Como a corda é inextensível e passa pela polia, se o bloco desce uma distância $d$, a mola é esticada exatamente de $d$. Em ambos os instantes a energia cinética é nula, de modo que toda a energia potencial gravitacional perdida pelo bloco é armazenada como energia potencial elástica na mola. Tomando o nível do ponto mais baixo como referência:

$m\,g\,d=\dfrac{k\,d^{2}}{2}\;\Rightarrow\;d=\dfrac{2\,m\,g}{k}$.

Substituindo os valores:

$d=\dfrac{2\times1{,}5\times10}{200}=\dfrac{30}{200}=0{,}15\text{ m}=15\text{ cm}$.

Note que este é o dobro da deformação de equilíbrio, $\dfrac{mg}{k}=7{,}5\text{ cm}$: o bloco passa pela posição de equilíbrio com velocidade máxima e, por inércia, continua descendo até uma deformação que é o dobro dela, como ocorre em todo movimento harmônico simples partindo do repouso na posição de mola relaxada.

Q42
Mecânica — Gravitação — Leis de Kepler

A razão entre os períodos de revolução de dois satélites, A e B, que descrevem órbitas consideradas circulares em torno do planeta X pode ser expressa por $T_A=3\sqrt{3}\,T_B$. Nessas condições, a razão entre os raios $\dfrac{R_A}{R_B}$, dos respectivos satélites, é

A)$\dfrac{1}{3}$.
B)$1$.
C)$\sqrt{3}$.
D)$2\sqrt{3}$.
E)$3$.

Alternativa correta

E
Resolução

Os dois satélites orbitam o mesmo planeta X, logo vale a terceira lei de Kepler (lei dos períodos): o quociente entre o quadrado do período e o cubo do raio da órbita circular é o mesmo para ambos:

$\dfrac{T_A^{2}}{R_A^{3}}=\dfrac{T_B^{2}}{R_B^{3}}\;\Rightarrow\;\left(\dfrac{R_A}{R_B}\right)^{3}=\left(\dfrac{T_A}{T_B}\right)^{2}$.

Com $\dfrac{T_A}{T_B}=3\sqrt{3}=3\cdot3^{1/2}=3^{3/2}$:

$\left(\dfrac{R_A}{R_B}\right)^{3}=\left(3^{3/2}\right)^{2}=3^{3}\;\Rightarrow\;\dfrac{R_A}{R_B}=3$.

Ou seja, o satélite A orbita a uma distância do planeta três vezes maior que a do satélite B, o que é coerente com o seu período maior.

Q43
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e flutuação

Em um parque de diversões, uma garota segura o fio que está preso a um balão cheio de gás hélio, que permanece suspenso no ar. A garota solta o fio e imediatamente o balão inicia um movimento ascendente.

Fotografia de uma mão segurando pelo fio um balão cheio de gás hélio, sobre fundo escuro

Considerando que, nessas condições, a densidade do ar é igual a $1{,}3\text{ kg/m}^3$, o volume do balão é igual a $0{,}1\text{ m}^3$, a massa do balão somada à massa do gás hélio é igual a $1{,}2\times10^{-1}\text{ kg}$ e a aceleração da gravidade local igual a $10\text{ m/s}^2$, a aceleração do balão, no instante em que inicia o movimento de subida é, em $\text{m/s}^2$, aproximadamente

A)$0{,}83$.
B)$0{,}68$.
C)$0{,}53$.
D)$0{,}38$.
E)$0{,}23$.

Alternativa correta

A
Resolução

No instante em que o fio é solto, atuam sobre o balão apenas duas forças verticais: o peso, para baixo, e o empuxo exercido pelo ar, para cima. O empuxo é o peso do volume de ar deslocado:

$E=\rho_{ar}\,V\,g=1{,}3\times0{,}1\times10=1{,}3\text{ N}$.

O peso do balão com o gás hélio é

$P=m\,g=1{,}2\times10^{-1}\times10=1{,}2\text{ N}$.

Como $E>P$, o balão sobe. Aplicando a segunda lei de Newton ao conjunto balão + hélio, de massa $m=0{,}12\text{ kg}$:

$E-P=m\,a\;\Rightarrow\;a=\dfrac{1{,}3-1{,}2}{0{,}12}=\dfrac{0{,}1}{0{,}12}\approx0{,}83\text{ m/s}^2$.

A aceleração é pequena porque o empuxo supera o peso por uma margem muito estreita; à medida que o balão ganha velocidade, a resistência do ar, desprezada aqui por tratar-se apenas do instante inicial, passaria a limitar o movimento.

Q44
Termologia — Calorimetria — Evaporação e troca de calor

Nos hospitais, é comum médicos e enfermeiros fazerem a assepsia das mãos utilizando álcool em gel. Ao colocarmos um pouco desse álcool nas mãos temos uma sensação de frio porque o álcool,

A)em forma de gel, encontra-se a uma temperatura inferior à da pele.
B)por ser volátil, encontra-se a uma temperatura superior à da pele.
C)por meio do fenômeno da evaporação, absorve energia da pele.
D)por ser desinfetante, fornece energia na forma de calor à pele.
E)em forma de gel, fornece energia na forma de radiação à pele.

Alternativa correta

C
Resolução

A sensação de frio não é uma medida da temperatura do objeto, e sim da rapidez com que a pele perde energia. O álcool é um líquido muito volátil e, em contato com a pele, evapora rapidamente.

Para passar do estado líquido ao gasoso, as moléculas precisam receber energia (calor latente de vaporização). Essa energia é retirada da própria pele (e do álcool restante), que, ao perder calor, esfria, e é isso que percebemos como sensação de frio.

Descartam-se as demais ideias: o álcool em gel está, em geral, à temperatura ambiente, próxima à da pele ou um pouco abaixo dela, não sendo essa a causa da sensação; ser desinfetante é irrelevante para a troca de calor; e, se o álcool fornecesse energia à pele, ela esquentaria em vez de esfriar.

Q45
Termologia — Termometria — Equilíbrio térmico

Em um laboratório de química foram colocados em um forno, mantido à temperatura constante, três corpos de massas diferentes: um bloco de madeira (M), o de maior massa, um bloco de vidro (V) e um bloco de zinco (Z), o de menor massa.

Ao atingirem o equilíbrio térmico, a relação entre as temperaturas dos blocos de madeira ($T_M$), de vidro ($T_V$) e de zinco ($T_Z$) foi expressa por

A)$T_M
B)$T_M>T_V>T_Z$.
C)$T_M=T_V
D)$T_M=T_V>T_Z$.
E)$T_M=T_V=T_Z$.

Alternativa correta

E
Resolução

Há equilíbrio térmico quando cessa a troca líquida de calor, o que só ocorre quando os corpos em contato térmico estão à mesma temperatura. Cada bloco troca calor com o forno até que sua temperatura iguale a do forno, mantida constante.

Como os três blocos chegam à temperatura do forno, eles ficam à mesma temperatura entre si, qualquer que seja a massa, a condutividade térmica ou o calor específico de cada material. Essas propriedades influenciam apenas o tempo necessário para o equilíbrio e a quantidade de energia trocada, não a temperatura final.

$T_M=T_V=T_Z=T_{forno}$.

Q46
Termologia — Calorimetria — Equilíbrio térmico e energia interna

Ao analisarmos as condições do equilíbrio térmico do experimento, é correto afirmar que

A)os três blocos apresentavam energias internas diferentes.
B)os três blocos emitiram a mesma potência de radiação por unidade de área.
C)o bloco de madeira era o que continha menor energia interna.
D)o bloco de vidro, por ser um isolante térmico, não emitia radiação térmica
E)o bloco de zinco, por ser metálico, não sofreu variação de energia interna.

Alternativa correta

A
Resolução

No equilíbrio térmico os três blocos estão à mesma temperatura, mas isso não implica mesma energia interna. A energia interna de um corpo depende da temperatura, da quantidade de matéria (massa) e do tipo de material (calor específico). Como os blocos têm massas diferentes e são de materiais diferentes, suas energias internas são, em geral, diferentes mesmo com $T$ igual. Esta é a afirmação correta.

Analisando as demais:

Radiação por unidade de área: a potência emitida por unidade de área depende da temperatura e da emissividade da superfície (lei de Stefan–Boltzmann, $\dfrac{P}{A}=e\,\sigma\,T^{4}$). Materiais diferentes têm emissividades diferentes, logo a igualdade não é garantida.

Madeira com menor energia interna: a madeira é o bloco de maior massa; sem conhecer os calores específicos, nada permite afirmar que sua energia interna seja a menor.

Vidro isolante não emite radiação: todo corpo com temperatura acima do zero absoluto emite radiação térmica, independentemente de ser condutor ou isolante.

Zinco sem variação de energia interna: para atingir a temperatura do forno, o bloco de zinco absorveu calor e, portanto, teve sua energia interna aumentada, como os demais.

Q47
Óptica — Espelhos planos — Associação de espelhos planos

Para desenvolver um projeto publicitário sobre equipamentos cirúrgicos um cinegrafista necessita de 10 agulhas para sutura e 5 bisturis eletrônicos de alta frequência. No momento da elaboração da filmagem dispõe apenas de 2 agulhas, 1 bisturi eletrônico e dois espelhos planos. Para obter o resultado esperado será necessário que o cinegrafista posicione as agulhas e o bisturi eletrônico entre os dois espelhos planos de maneira a formarem entre si um ângulo de

A)$36^\circ$.
B)$45^\circ$.
C)$60^\circ$.
D)$72^\circ$.
E)$90^\circ$.

Alternativa correta

D
Resolução

Dois espelhos planos que formam um ângulo $\theta$, tal que $\dfrac{360^\circ}{\theta}$ seja um número inteiro, produzem, para um objeto colocado entre eles, um número de imagens dado por

$N=\dfrac{360^\circ}{\theta}-1$.

O cinegrafista quer ver $10$ agulhas e $5$ bisturis, tendo $2$ agulhas e $1$ bisturi. Ou seja, cada objeto real deve aparecer cinco vezes no total: o próprio objeto mais $4$ imagens ($2\times5=10$ agulhas e $1\times5=5$ bisturis). Portanto $N=4$:

$4=\dfrac{360^\circ}{\theta}-1\;\Rightarrow\;\dfrac{360^\circ}{\theta}=5\;\Rightarrow\;\theta=72^\circ$.

Verificação: com $\theta=72^\circ$, o quociente $\dfrac{360^\circ}{72^\circ}=5$ é inteiro, de modo que a fórmula é válida, e o objeto é replicado em $5$ posições distribuídas uniformemente em torno da aresta comum dos espelhos.

Q48
Óptica — Refração da luz — Formação do arco-íris

Nas Cataratas do Iguaçu, próximo às quedas d’água, observa-se com frequência a formação de diversos arcos-íris. Eles se formam devido à incidência dos raios de luz solar sobre as gotículas de água em suspensão na atmosfera. O raio de luz, desde o momento em que encontra a gotícula de água até atingir nossos olhos, passa por três fenômenos ópticos que, na sequência, são denominados:

A)polarização, refração e reflexão.
B)reflexão, interferência e reflexão.
C)refração, reflexão e refração.
D)dispersão, refração e interferência.
E)reflexão, refração e dispersão.

Alternativa correta

C
Resolução

Para formar o arco-íris, a luz branca do Sol interage com cada gotícula de água em sequência, seguindo três eventos:

1.º — Refração na entrada: ao passar do ar para a água, a luz muda de meio e de velocidade, desviando-se. Como o índice de refração da água depende da cor, as cores se separam (é nessa passagem que ocorre a dispersão da luz branca).
2.º — Reflexão no fundo da gota: o raio chega à parede oposta da gota com ângulo de incidência grande e sofre reflexão interna (total ou parcial).
3.º — Refração na saída: ao voltar da água para o ar, o raio refrata novamente, aumentando a separação entre as cores, e segue na direção do observador.

Assim, a sequência de fenômenos pela qual o raio passa, da incidência na gota até os olhos, é refração, reflexão e refração. A dispersão é o efeito da dependência do índice de refração com a cor, e não um evento adicional distinto dessas refrações; a polarização e a interferência não têm papel na formação do arco-íris principal.

Q49
Ondulatória — Fenômenos ondulatórios — Difração

Analisando a Física aplicada aos alimentos observou-se que o cupuaçu é um fruto similar ao cacau por conter as mesmas moléculas orgânicas. Para explicar a similaridade dos dois produtos vegetais foi estudada a estrutura das várias fases cristalinas que pode adotar a gordura do cupuaçu, utilizando-se do fenômeno ondulatório da difração de raios X, ou seja, através do fenômeno em que a onda

A)apresenta vibrações em um único plano permitindo a formação de cristas e vales.
B)contorna um obstáculo cujas dimensões são da ordem de grandeza de seu comprimento de onda.
C)emite frequências coincidentes com as frequências naturais do sistema e a amplitude das oscilações cresce gradativamente.
D)ao se propagar em um dado meio, encontra uma superfície que separa esse meio de outro, retornando para o meio de origem.
E)ao se propagar em um dado meio, encontra uma superfície que separa esse meio de outro, passando a se propagar no novo meio.

Alternativa correta

B
Resolução

A questão pede a definição do fenômeno da difração. Difração é o encurvamento sofrido por uma onda ao passar por uma fenda ou ao contornar um obstáculo, e ela é mais pronunciada quando as dimensões da abertura ou do obstáculo são da ordem de grandeza do comprimento de onda.

Os raios X têm comprimentos de onda da ordem de $10^{-10}\text{ m}$, comparáveis ao espaçamento entre os átomos e moléculas de um cristal. Por isso a rede cristalina atua como obstáculo (rede de difração) para eles, e a figura de difração obtida revela a estrutura do cristal.

As demais afirmações descrevem outros fenômenos: polarização (vibração em um único plano), ressonância (frequência coincidente com a natural do sistema, com amplitude crescente), reflexão (retorno ao meio de origem) e refração (passagem ao novo meio).

Q50
Ondulatória — Ondas eletromagnéticas — Espectro eletromagnético

Na medicina, o uso de ondas eletromagnéticas para determinados tratamentos tem se tornado cada vez mais constante.

As figuras I, II, III e IV representam processos em que se empregam radiações eletromagnéticas.

Quatro figuras: I, equipamento fechado em forma de cabine com lâmpadas internas; II, radiografia de uma mão; III, lâmpada em forma de cone com a abertura vermelha e fio elétrico; IV, aplicação de um feixe de luz concentrada sobre a mão de um paciente

As radiações que estão associadas às figuras são, respectivamente,

A)raio X, infravermelho, laser e ultravioleta.
B)infravermelho, raio X, ultravioleta e laser.
C)infravermelho, laser, ultravioleta e raio X.
D)ultravioleta, raio X, infravermelho e laser.
E)ultravioleta, laser, infravermelho e raio X.

Alternativa correta

D
Resolução

É preciso associar cada imagem ao tipo de radiação eletromagnética usada nela:

Figura I: equipamento em forma de cabine fechada, com lâmpadas, usado em fototerapia e bronzeamento artificial, que emite radiação ultravioleta.
Figura II: imagem dos ossos da mão, uma radiografia, obtida com raios X, que atravessam os tecidos moles e são mais absorvidos pelos ossos.
Figura III: lâmpada em forma de cone com fio, do tipo utilizado em fisioterapia para aquecer a região tratada, que emite infravermelho (radiação térmica).
Figura IV: feixe luminoso fino e concentrado sendo aplicado sobre a pele, característico do laser em tratamentos médicos.

Na ordem I, II, III e IV, as radiações são, portanto, ultravioleta, raio X, infravermelho e laser. Lembre que, em ordem crescente de frequência, o espectro é: infravermelho, luz visível, ultravioleta, raios X; o laser não é uma faixa do espectro, e sim uma luz coerente que pode estar em várias faixas, sendo muito usado na região visível e infravermelha.

Q51
Ondulatória — Acústica — Natureza do som

O som é o resultado da vibração de um corpo material e essa vibração é sucessivamente comunicada às partículas vizinhas do meio sólido, líquido ou gasoso, por onde se propaga. De acordo com as características do meio material em que ocorre a propagação, a uma dada temperatura, o som tem diferentes velocidades de propagação. Com essas características, o som é uma onda

A)mecânica e se propaga de forma transversal.
B)mecânica e se propaga de forma longitudinal.
C)eletromagnética e se propaga de forma transversal.
D)eletromagnética e se propaga de forma longitudinal.
E)eletromagnética e se propaga de forma longitudinal ou transversal.

Alternativa correta

B
Resolução

Classificamos as ondas quanto à natureza e quanto à direção de vibração.

Natureza: o enunciado afirma que o som resulta da vibração de um corpo material, comunicada às partículas do meio, e que sua velocidade depende das características desse meio. São traços das ondas mecânicas, que exigem meio material para se propagar. Ondas eletromagnéticas não precisam de meio e se propagam no vácuo.

Direção de vibração: em gases e líquidos, as partículas oscilam na mesma direção em que a onda se propaga, formando compressões e rarefações sucessivas. Isso caracteriza uma onda longitudinal.

Logo, o som é uma onda mecânica longitudinal (em sólidos também podem existir ondas transversais, mas o enunciado refere-se à propagação do som em geral, nos fluidos em particular).

Q52
Eletricidade — Eletrostática — Força elétrica e movimento circular (modelo de Bohr)

No modelo atômico de Bohr, o átomo de hidrogênio apresenta um elétron, com carga elétrica negativa e de módulo igual a $1{,}6\times10^{-19}\text{ C}$, que gira ao redor de um próton, com carga elétrica positiva e de módulo igual a $1{,}6\times10^{-19}\text{ C}$. Da interação entre o próton e o elétron é gerada uma força de atração, centrípeta, que mantém esse elétron em órbita circular de raio $r=5\times10^{-11}\text{ m}$.

Esquema do átomo de hidrogênio: próton positivo no centro e elétron negativo em uma órbita circular tracejada ao redor dele

Sendo a constante eletrostática $k=9{,}0\times10^{9}\text{ N}\cdot\text{m}^2/\text{C}^2$ e a massa do elétron $m=9{,}1\times10^{-31}\text{ kg}$, pode-se afirmar que a velocidade do elétron ao girar ao redor do próton é, em $\text{m/s}$, aproximadamente

A)$5{,}0\times10^{6}$.
B)$4{,}0\times10^{6}$.
C)$3{,}0\times10^{6}$.
D)$2{,}0\times10^{6}$.
E)$1{,}0\times10^{6}$.

Alternativa correta

D
Resolução

O elétron descreve uma circunferência de raio $r$ em torno do próton. A única força relevante é a atração elétrica (lei de Coulomb), que faz o papel de resultante centrípeta:

$F_{el}=F_{cp}\;\Rightarrow\;\dfrac{k\,e^{2}}{r^{2}}=\dfrac{m\,v^{2}}{r}\;\Rightarrow\;v=e\sqrt{\dfrac{k}{m\,r}}$.

Substituindo os valores:

$\dfrac{k}{m\,r}=\dfrac{9{,}0\times10^{9}}{9{,}1\times10^{-31}\times5\times10^{-11}}=\dfrac{9{,}0\times10^{9}}{4{,}55\times10^{-41}}\approx1{,}98\times10^{50}$,

$\sqrt{1{,}98\times10^{50}}\approx1{,}4\times10^{25}\;\Rightarrow\;v\approx1{,}6\times10^{-19}\times1{,}4\times10^{25}\approx2{,}2\times10^{6}\text{ m/s}$.

O valor obtido, cerca de $2{,}2\times10^{6}\text{ m/s}$, está mais próximo de $2{,}0\times10^{6}\text{ m/s}$ do que de $3{,}0\times10^{6}\text{ m/s}$, e o enunciado pede apenas um valor aproximado. Para conferir a ordem de grandeza: a velocidade é menos de $1\%$ da velocidade da luz, o que justifica o tratamento não relativístico.

Q53
Eletricidade — Eletrodinâmica — Efeito Joule e calorimetria

Em um laboratório de física, pesquisadores analisaram a variação da temperatura de certa quantidade de água pura, que é aquecida por meio de um resistor de resistência ôhmica $R$, imerso num recipiente de capacidade térmica desprezível e que contém essa substância.

Dessa análise foi construída a seguinte tabela:

$t\ (\text{s})$$U\ (\text{V})$$I\ (\text{A})$$T\ (^\circ\text{C})$
012217,0
6012218,2
12012219,4
18012220,5
Circuito com uma bateria de 12 V ligada a um resistor R imerso em água contida em um recipiente

Considerando a massa da água utilizada igual a $140\text{ g}$ e o calor específico da água $4{,}2\text{ J/g}\,{}^\circ\text{C}$, pode-se afirmar que a energia elétrica fornecida ao resistor e a energia recebida pela água são, em joule, nesse intervalo de tempo, iguais a, respectivamente,

A)$2\,160$ e $1\,166$.
B)$2\,160$ e $2\,058$.
C)$3\,240$ e $1\,680$.
D)$4\,320$ e $1\,166$.
E)$4\,320$ e $2\,058$.

Alternativa correta

E
Resolução

O intervalo considerado é o da tabela inteira, de $t=0$ a $t=180\text{ s}$, com $\Delta t=180\text{ s}$. A tensão e a corrente são constantes ($U=12\text{ V}$ e $I=2\text{ A}$).

Energia elétrica fornecida ao resistor: a potência dissipada é $P=U\,I=12\times2=24\text{ W}$, e a energia é

$E_{el}=P\,\Delta t=U\,I\,\Delta t=12\times2\times180=4\,320\text{ J}$.

Energia recebida pela água: a água teve sua temperatura aumentada de $17{,}0\,{}^\circ\text{C}$ para $20{,}5\,{}^\circ\text{C}$, isto é, $\Delta T=3{,}5\,{}^\circ\text{C}$. O calor sensível é

$Q=m\,c\,\Delta T=140\times4{,}2\times3{,}5=2\,058\text{ J}$.

A energia fornecida pelo resistor é maior que a recebida pela água, pois parte do calor produzido é perdida para o ambiente (o recipiente tem capacidade térmica desprezível, mas não é isolante perfeito). O rendimento do aquecimento é $\dfrac{2\,058}{4\,320}\approx48\%$.

Q54
Eletromagnetismo — Campo magnético — Campo magnético uniforme

O campo magnético criado no interior de um ímã em forma de U, percorrido por uma corrente estacionária, é um campo magnético uniforme. Nesse caso, o vetor campo magnético $\vec{B}$ é

A)constante e as linhas de campo são curvilíneas e não equidistantes entre si.
B)constante e as linhas de campo são paralelas e equidistantes entre si.
C)constante e as linhas de campo são perpendiculares entre si.
D)variável e as linhas de campo são paralelas e equidistantes entre si.
E)variável e as linhas de campo são perpendiculares entre si.

Alternativa correta

B
Resolução

Um campo magnético é dito uniforme numa região quando o vetor $\vec{B}$ tem, em todos os pontos dela, o mesmo módulo, a mesma direção e o mesmo sentido, isto é, é constante.

A densidade das linhas de campo representa o módulo de $\vec{B}$ e a tangente a elas indica sua direção e sentido. Se $\vec{B}$ é constante, as linhas devem ter a mesma direção e sentido em todos os pontos (portanto são retas e paralelas) e a mesma densidade em toda a região (portanto são igualmente espaçadas, ou seja, equidistantes).

Linhas curvas ou que se cruzam, ou espaçamento variável, indicariam campo com direção ou intensidade variável, o que contraria a uniformidade. Este é o campo aproximadamente existente entre os polos de um ímã em U.

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