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UNIFIPA 2020 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Centro Universitário Padre Albino · Catanduva/SP · Medicina

Processo Seletivo Vestibular Medicina 2020 (prova de 12/10/2019) · Prova de Conhecimentos Gerais — questões de Física (Q37 a Q44) com gabarito e resolução comentada Método TEF.

Q37
Mecânica — Estática — Centro de Massa e Equilíbrio de Barra

A figura mostra duas esferas maciças e homogêneas, A e B, unidas por uma haste rígida e de massa desprezível. A direção do comprimento da haste passa pelo centro das duas esferas.

Esferas A e B unidas por uma haste horizontal, com cinco pontos numerados de 1 a 5 igualmente espaçados pela distância d entre A e B

Sabendo que a massa da esfera A é o dobro da massa da esfera B, para que o conjunto fique em equilíbrio, com a barra na direção horizontal, ele deve ser sustentado por uma corda presa no ponto

A)1.
B)4.
C)5.
D)3.
E)2.

Gabarito oficial

E
Resolução

Para a barra ficar na horizontal, a corda deve ser presa na vertical do centro de massa do conjunto: é ali que o torque resultante dos pesos se anula.

Pela figura, os pontos 1 a 5 e a esfera B estão a distâncias $d$, $2d$, $3d$, $4d$, $5d$ e $6d$ da esfera A. Tomando A como origem e chamando $m_B = m$ e $m_A = 2m$, a posição do centro de massa é:

$$x_{CM} = \frac{m_A\cdot 0 + m_B\cdot 6d}{m_A + m_B} = \frac{m\cdot 6d}{2m + m} = 2d$$

O mesmo resultado sai do equilíbrio de torques em relação ao ponto de suspensão, a uma distância $x$ de A: o peso de A (maior) tem braço menor.

$$2m\,g\,x = m\,g\,(6d - x) \;\Rightarrow\; 2x = 6d - x \;\Rightarrow\; x = 2d$$

A distância $2d$ da esfera A corresponde ao ponto 2. Note que o centro de massa fica mais perto da esfera mais pesada, como esperado.

Q38
Mecânica — Energia — Trabalho e Rendimento Energético

Uma pessoa, com massa corporal de 60 kg, sobe lentamente pelas escadas de um edifício até atingir a altura de 20 metros acima do ponto de partida. Desprezando a massa das roupas e considerando que 15% da energia gasta pelo corpo nessa subida é transformada em trabalho externo e que a aceleração da gravidade local é 10 m/s², a energia total consumida pelo corpo dessa pessoa durante a subida foi

A)$8{,}0\times 10^{4}\ \text{J}$.
B)$1{,}8\times 10^{3}\ \text{J}$.
C)$1{,}4\times 10^{4}\ \text{J}$.
D)$2{,}0\times 10^{2}\ \text{J}$.
E)$3{,}6\times 10^{5}\ \text{J}$.

Gabarito oficial

A
Resolução

Etapa 1 — trabalho externo (útil). Como a pessoa sobe lentamente, a energia cinética não varia: o trabalho externo realizado pelo corpo é o necessário para elevar a massa, ou seja, o ganho de energia potencial gravitacional:

$$W_{\text{ext}} = m\,g\,h = 60\cdot 10\cdot 20 = 1{,}2\times 10^{4}\ \text{J}$$

Etapa 2 — energia total consumida. Esse trabalho corresponde a apenas 15% da energia gasta pelo corpo; o restante se dissipa, principalmente como calor:

$$W_{\text{ext}} = 0{,}15\,E_{\text{total}} \;\Rightarrow\; E_{\text{total}} = \frac{1{,}2\times 10^{4}}{0{,}15} = 8{,}0\times 10^{4}\ \text{J}$$

Um cuidado de leitura: o dado de 15% é o rendimento. Multiplicar $1{,}2\times 10^{4}$ por $0{,}15$, em vez de dividir, leva a $1{,}8\times 10^{3}\ \text{J}$, que aparece entre as alternativas como armadilha.

Q39
Termologia — Calorimetria — Trocador de Calor

A figura mostra um trocador de calor, cuja finalidade é propiciar a transferência de calor entre dois fluidos, no caso água e óleo, inicialmente a temperaturas diferentes.

Esquema de um trocador de calor casco e tubos, com entradas e saídas de água e de óleo, chicanas e caixas de distribuição

(www.cdcequipamentos.com. Adaptado.)

Suponha que a água possua temperatura inicial de 20 ºC, flua pelo equipamento na razão de 100 kg/min e saia com temperatura de 40 ºC. Admita que o óleo entre no equipamento a 90 ºC, flua na razão de 105 kg/min e saia a 50 ºC. Considerando que o calor específico da água seja $4{,}2\times 10^{3}\ \text{J/(kg}\cdot{}^\circ\text{C)}$ e desprezando as perdas de calor dos fluidos para as diversas partes do equipamento, o calor específico do óleo vale

A)$3{,}2\times 10^{3}\ \text{J/(kg}\cdot{}^\circ\text{C)}$.
B)$2{,}8\times 10^{3}\ \text{J/(kg}\cdot{}^\circ\text{C)}$.
C)$2{,}0\times 10^{3}\ \text{J/(kg}\cdot{}^\circ\text{C)}$.
D)$3{,}6\times 10^{3}\ \text{J/(kg}\cdot{}^\circ\text{C)}$.
E)$2{,}4\times 10^{3}\ \text{J/(kg}\cdot{}^\circ\text{C)}$.

Gabarito oficial

C
Resolução

Sem perdas para o ambiente, todo o calor cedido pelo óleo ao esfriar é recebido pela água ao esquentar. Como as vazões são dadas por minuto, basta comparar as quantidades de calor trocadas em 1 minuto de funcionamento.

Calor recebido pela água ($m = 100$ kg, $\Delta\theta = 40 - 20 = 20\,{}^\circ\text{C}$):

$$Q_{\text{água}} = m\,c\,\Delta\theta = 100\cdot 4{,}2\times 10^{3}\cdot 20 = 8{,}4\times 10^{6}\ \text{J}$$

Calor cedido pelo óleo ($m = 105$ kg, $|\Delta\theta| = 90 - 50 = 40\,{}^\circ\text{C}$), em módulo:

$$|Q_{\text{óleo}}| = 105\cdot c_{\text{óleo}}\cdot 40 = 4\,200\,c_{\text{óleo}}$$

Igualando as duas quantidades de calor:

$$4\,200\,c_{\text{óleo}} = 8{,}4\times 10^{6} \;\Rightarrow\; c_{\text{óleo}} = 2{,}0\times 10^{3}\ \text{J/(kg}\cdot{}^\circ\text{C)}$$

O valor é coerente: o óleo tem calor específico menor que o da água, por isso esfria 40 °C enquanto a água, mesmo em menor massa, esquenta apenas 20 °C.

Q40
Termologia — Termodinâmica — Transformação Isotérmica e Primeira Lei

O gráfico P × V mostra a transformação AB sofrida por certa massa de um gás ideal, sem alteração da sua energia interna.

Gráfico da pressão em função do volume com uma curva decrescente entre os estados A, de maior volume, e B, de maior pressão

Sobre esse processo, pode-se afirmar que:

A)o trabalho realizado sobre o gás foi nulo.
B)a transformação sofrida pelo gás foi isotérmica.
C)a temperatura final do gás foi maior que a inicial.
D)a transformação sofrida pelo gás foi adiabática.
E)o gás recebeu calor do meio externo.

Gabarito oficial

B
Resolução

Em um gás ideal, a energia interna depende apenas da temperatura. Se a energia interna não se altera entre A e B, a temperatura também não: $T_A = T_B$. Uma transformação com temperatura constante é isotérmica.

O gráfico confirma isso. Pela graduação dos eixos, o estado A tem $P = 3$ e $V = 4$ (em unidades da escala) e o estado B tem $P = 6$ e $V = 2$:

$$P_A V_A = 3\cdot 4 = 12 \qquad P_B V_B = 6\cdot 2 = 12$$

O produto $PV$ é o mesmo, como pede a lei de Boyle, e a curva é um ramo de hipérbole.

Analisando as demais afirmações com a 1ª Lei, $\Delta U = Q - W$, com $\Delta U = 0$:

• O volume diminui de A para B (compressão), então o trabalho não é nulo: é realizado sobre o gás.

• A temperatura final é igual à inicial, não maior.

• Em uma transformação adiabática ($Q = 0$) a compressão aumentaria a energia interna, o que contraria o enunciado.

• Como $\Delta U = 0$, o gás cede ao ambiente, na forma de calor, a energia que recebe como trabalho: ele perde calor, não recebe.

Q41
Óptica — Lentes — Vergência e Distância Focal

Um jovem ateia fogo em uma folha de papel ao concentrar sobre ela a luz solar através de uma lente convergente, cuja vergência vale 5,0 di.

Raios solares paralelos incidindo em uma lente convergente e convergindo em um ponto sobre a folha de papel

Considerando que os raios solares incidem paralelamente ao eixo óptico da lente e que este é perpendicular à superfície da folha de papel, a distância entre a folha e a lente para que o processo de atear fogo seja o mais eficiente possível deve ser

A)0,20 m.
B)0,25 m.
C)0,05 m.
D)0,10 m.
E)0,50 m.

Gabarito oficial

A
Resolução

Os raios do Sol chegam praticamente paralelos ao eixo óptico. Uma lente convergente faz esses raios convergirem para o seu foco imagem, onde a energia luminosa fica mais concentrada. Para a combustão mais eficiente, a folha deve estar nesse ponto: a distância entre ela e a lente é a distância focal $f$.

A vergência (convergência) é o inverso da distância focal em metros:

$$C = \frac{1}{f} \;\Rightarrow\; f = \frac{1}{C} = \frac{1}{5{,}0\ \text{di}} = 0{,}20\ \text{m}$$

Se a folha ficasse mais perto ou mais longe que 0,20 m, os raios ainda não teriam convergido ou já estariam se afastando, e a luz se espalharia em uma região maior, com menos energia por unidade de área.

Q42
Ondulatória — Ondas — Ressonância

A imagem foi obtida em um exame de ressonância magnética nuclear.

Imagem de ressonância magnética de um pé humano, em tons de cinza

(www.rmbrasildiagnosticos.com.br)

A ressonância é um fenômeno ondulatório em que um sistema físico

A)refrata as ondas que nele incidem, não alterando a velocidade de propagação das ondas.
B)absorve as ondas que nele incidem, passando a oscilar com frequência igual à das ondas incidentes.
C)absorve as ondas que nele incidem, mantendo a energia das ondas na forma de calor.
D)reflete as ondas que nele incidem sob um ângulo diferente do ângulo de incidência.
E)reflete parte das ondas que nele incidem, absorvendo aquelas de amplitudes iguais à de vibração do sistema.

Gabarito oficial

B
Resolução

Todo sistema físico tem uma ou mais frequências naturais de oscilação. A ressonância ocorre quando ele recebe ondas cuja frequência coincide com uma de suas frequências naturais: o sistema absorve energia da onda com grande eficiência e passa a oscilar justamente com a frequência da onda incidente, com amplitude crescente.

Na ressonância magnética nuclear, é isso que acontece com os núcleos de hidrogênio do corpo: submetidos a um campo magnético intenso, eles absorvem ondas de rádio cuja frequência coincide com a de seu movimento natural, e essa absorção é o que permite formar a imagem.

Avaliando as demais descrições:

• Refração é a passagem da onda de um meio para outro, e a velocidade de propagação se altera. Não é ressonância.

• Absorver a onda e manter sua energia como calor não descreve o fenômeno: o que o caracteriza é o sistema passar a oscilar na frequência da onda.

• Na reflexão, o ângulo de reflexão é sempre igual ao de incidência.

• A condição de ressonância é a igualdade de frequências, não de amplitudes.

Q43
Eletricidade — Eletrodinâmica — Circuito com Voltímetro Não Ideal

O esquema mostra um circuito elétrico composto por uma bateria ideal de força eletromotriz 12 V, dois resistores, um de resistência 15 kΩ e outro de 10 kΩ, e um voltímetro de resistência interna 90 kΩ.

Circuito com bateria de 12 V, resistor de 15 quilo-ohms em série com um resistor de 10 quilo-ohms, e voltímetro de 90 quilo-ohms ligado em paralelo ao resistor de 10 quilo-ohms

De acordo com o esquema representado, a diferença de potencial medida pelo voltímetro é

A)4,8 V.
B)4,5 V.
C)7,5 V.
D)3,2 V.
E)6,0 V.

Gabarito oficial

B
Resolução

O voltímetro não é ideal: tem resistência interna de $90\ \text{k}\Omega$ e está ligado em paralelo com o resistor de $10\ \text{k}\Omega$. Os dois ficam submetidos à mesma tensão, que é justamente a que o aparelho indica. Esse conjunto está em série com o resistor de $15\ \text{k}\Omega$.

Etapa 1 — resistência do trecho em paralelo:

$$R_{p} = \frac{10\cdot 90}{10 + 90} = 9\ \text{k}\Omega$$

Etapa 2 — resistência equivalente e corrente total:

$$R_{eq} = 15 + 9 = 24\ \text{k}\Omega \qquad i = \frac{\varepsilon}{R_{eq}} = \frac{12}{24\times 10^{3}} = 0{,}50\ \text{mA}$$

Etapa 3 — tensão no trecho em paralelo (a lida pelo voltímetro):

$$U = R_{p}\,i = 9\times 10^{3}\cdot 0{,}50\times 10^{-3} = 4{,}5\ \text{V}$$

Se o voltímetro fosse ideal (resistência infinita), a tensão no resistor de $10\ \text{k}\Omega$ seria $12\cdot\frac{10}{25} = 4{,}8\ \text{V}$. A leitura é um pouco menor porque o aparelho real desvia parte da corrente, o que reduz a resistência do trecho.

Q44
Eletricidade — Eletromagnetismo — Força Magnética sobre Carga em Movimento

A Terra é continuamente atingida por partículas emitidas pelo Sol. Suponha que em dado instante, uma dessas partículas, com carga elétrica positiva, atinja o campo magnético terrestre com velocidade de direção paralela e no sentido positivo do eixo $x$ de um sistema de referência. Considere ainda que nessa região o campo magnético terrestre tenha direção paralela ao eixo $y$ do mesmo sistema de referência, no sentido positivo.

Sistema de eixos x, y e z, com a velocidade da partícula no sentido positivo de x e o campo magnético no sentido positivo de y

Nesse instante, a força magnética que atua sobre a partícula devido ao campo magnético terrestre tem direção paralela ao eixo

A)$x$, no sentido negativo.
B)$y$, no sentido positivo.
C)$z$, no sentido negativo.
D)$y$, no sentido negativo.
E)$z$, no sentido positivo.

Gabarito oficial

E
Resolução

A força magnética sobre uma carga $q$ que se move com velocidade $\vec{v}$ em um campo $\vec{B}$ é:

$$\vec{F} = q\,\vec{v}\times\vec{B}$$

Essa força é sempre perpendicular tanto a $\vec{v}$ quanto a $\vec{B}$. Aqui, $\vec{v}$ está no eixo $x$ e $\vec{B}$ no eixo $y$; logo, a força só pode estar no eixo $z$, o que descarta as alternativas com $x$ e $y$.

Para o sentido, usa-se a regra da mão direita com carga positiva: o dedo indicador aponta no sentido de $\vec{v}$ (+$x$), o dedo médio no de $\vec{B}$ (+$y$), e o polegar indica o sentido da força. Em termos dos versores:

$$\hat{x}\times\hat{y} = +\hat{z}$$

Como $q > 0$, a força tem o sentido de $+\hat{z}$ — para fora do plano $xy$, em direção ao observador na figura. Se a partícula fosse negativa, o sentido se inverteria.

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