Nas questões de Física, quando necessário, utilize:
aceleração da gravidade: $g = 10\,m/s^2$
Q51
Astronomia — Período Sinódico (Oposição de Júpiter)
Na figura, quando Júpiter está na posição J1 e a Terra está na posição T1, diz-se que Júpiter está em oposição. A partir desse instante, os planetas se deslocam e a Terra, por ter velocidade angular maior do que Júpiter, completa uma volta em torno do Sol em um intervalo de tempo menor, situação em que os planetas se encontram nas posições representadas por T2 e J2. Decorrido mais algum tempo, os planetas atingem as posições representadas por T3 e J3, e Júpiter volta a ficar em oposição.
fora de escala (https://vikdhillon.staff.shef.ac.uk. Adaptado.)
Sabe-se que o intervalo de tempo entre duas oposições consecutivas de Júpiter é de aproximadamente 400 dias terrestres. Considerando que o ano terrestre tenha 360 dias e que os planetas giram ao redor do Sol em movimento circular uniforme em um mesmo plano, o ângulo θ, indicado na figura, vale:
A)$\dfrac{1}{2}\pi$ rad.
B)$\dfrac{1}{4}\pi$ rad.
C)$\dfrac{1}{9}\pi$ rad.
D)$\dfrac{2}{3}\pi$ rad.
E)$\dfrac{2}{9}\pi$ rad.
Gabarito oficial FABC2501
E
Resolução
Em uma oposição, o Sol, a Terra e Júpiter ficam alinhados, com a Terra entre os outros dois — por isso, na figura, as direções Sol-T1 e Sol-J1 coincidem. Para que ocorra a oposição seguinte, a Terra precisa não apenas dar uma volta completa em torno do Sol, mas também "alcançar" Júpiter de novo, já que ele também avançou um pouco em sua órbita, mais lenta, nesse meio-tempo. Ou seja, em 400 dias a Terra percorre exatamente uma volta completa a mais do que Júpiter.
O ângulo varrido pela Terra em 400 dias é $\theta_T=\dfrac{400}{360}\cdot2\pi=\dfrac{20\pi}{9}$ rad. Como a Terra varre exatamente $2\pi$ rad a mais do que Júpiter nesse intervalo, o ângulo varrido por Júpiter é $\theta_J=\theta_T-2\pi=\dfrac{20\pi}{9}-\dfrac{18\pi}{9}=\dfrac{2\pi}{9}$ rad.
Como a direção Sol-J1 coincide com a direção Sol-T1, o ângulo θ mostrado na figura — entre a direção inicial e a posição final J3 de Júpiter — é justamente o ângulo varrido por Júpiter nesses 400 dias. Logo, $\theta=\theta_J=\dfrac{2\pi}{9}$ rad. Resposta E.
Q52
Dinâmica — Força Normal e Atrito (Resultante de Contato)
A figura refere-se ao movimento de um objeto de peso 8,0 N sobre uma superfície plana e horizontal S, onde desliza durante certo tempo com aceleração constante de intensidade 7,5 m/s2, devido ao atrito entre ele e a superfície.
Considerando a aceleração da gravidade igual a 10 m/s2, a intensidade da resultante das forças que a superfície S exerce no objeto durante o deslizamento é
A)12,0 N.
B)10,0 N.
C)14,0 N.
D)8,0 N.
E)16,0 N.
Gabarito oficial FABC2501
B
Resolução
A massa do objeto é $m=\dfrac{P}{g}=\dfrac{8{,}0}{10}=0{,}8$ kg. A única força horizontal atuando é o atrito, responsável por toda a desaceleração: $F_{at}=m\,a=0{,}8\times7{,}5=6{,}0$ N.
Na direção vertical não há aceleração, então a normal equilibra o peso: $N=P=8{,}0$ N. A força que a superfície exerce no objeto é a soma vetorial da normal (vertical) com o atrito (horizontal) — duas componentes perpendiculares entre si — de modo que sua intensidade é dada pelo teorema de Pitágoras: $R=\sqrt{N^2+F_{at}^2}=\sqrt{8{,}0^2+6{,}0^2}=\sqrt{100}=10{,}0$ N. Resposta B.
Q53
Trabalho e Energia — Sistema de Contrapeso (Elevador)
O elevador tem vários componentes que, em conjunto, fazem com que o transporte vertical seja possível. Um desses componentes é o contrapeso, que consiste em uma armação metálica na qual são fixadas massas, de forma que o conjunto tenha peso total igual ao da cabine acrescido de 40 a 50% referentes à capacidade de transporte do elevador. O contrapeso é ligado à cabine do elevador de modo que, enquanto a cabine sobe ou desce, o contrapeso desce ou sobe por guias, instaladas na lateral do poço do elevador. Assim, o motor emprega uma força menor para mover a cabine para cima ou para baixo, pois o que ele precisa fazer é movimentar a diferença de peso entre a cabine e o contrapeso e fornecer um pouco de força extra para superar o atrito nas polias, o que resulta em menor consumo de energia. (https://meuelevador.com. Adaptado.) Considerando apenas os componentes cabine e contrapeso, o motor do elevador consome menos energia porque
A)parte do trabalho necessário para elevar ou baixar um dos componentes é realizada pela força aplicada pelo outro componente.
B)o componente que desce transfere energia cinética para o componente que sobe.
C)o componente que sobe transfere energia cinética para o componente que desce.
D)ocorre transferência de energia potencial gravitacional do componente que sobe para o componente que desce.
E)ocorre conservação da energia mecânica do conjunto formado pelo contrapeso e pela cabine durante os processos de subida e de descida da cabine.
Gabarito oficial FABC2501
A
Resolução
Cabine e contrapeso estão presos às duas extremidades do mesmo cabo, que passa por uma polia no topo do poço. Enquanto a cabine sobe, o contrapeso desce (e vice-versa), e a tração desse cabo é o elo que transmite força de um componente para o outro.
Quando o contrapeso desce, seu próprio peso traciona o cabo e ajuda a puxar a cabine para cima — isto é, parte da força necessária para erguer a cabine já é fornecida pelo peso do contrapeso, e não pelo motor. Por isso o motor só precisa vencer a diferença entre os pesos da cabine e do contrapeso, além do atrito nas polias, e não o peso total da cabine.
Não há, propriamente, "transferência de energia cinética" entre os componentes (B e C), pois ambos se movem com a mesma rapidez, presos pelo mesmo cabo inextensível — o que existe é o compartilhamento de força via tração. Também não há conservação da energia mecânica do conjunto (E), pois o motor realiza trabalho e há dissipação por atrito nas polias. Resposta A.
Q54
Mecânica — Centro de Massa em Sistema Isolado (Oscilador)
Um sistema físico é constituído por duas esferas de massas M e m, sendo M maior que m, presas às extremidades de uma mola de massa desprezível. Essas duas esferas são colocadas sobre uma superfície plana, horizontal e sem atrito. A mola é distendida e o sistema é mantido em repouso com a esfera de maior massa na posição X e a de menor massa na posição Z, como mostra a figura.
Em determinado instante, as esferas são soltas e passam a oscilar. Sabendo que Y é a posição média entre X e Z, o centro de massa desse sistema
A)ficará em repouso em uma posição entre as posições Y e Z.
B)passará a oscilar em torno de um ponto entre as posições Y e Z.
C)passará a oscilar em torno de um ponto entre as posições X e Y.
D)passará a oscilar em torno da posição Y.
E)ficará em repouso em uma posição entre as posições X e Y.
Gabarito oficial FABC2501
E
Resolução
A superfície é horizontal e sem atrito, então não existe nenhuma força externa horizontal atuando sobre o sistema esferas + mola. A força elástica da mola é interna ao sistema — ela pode fazer as esferas oscilarem uma em relação à outra, mas não altera o movimento do centro de massa do conjunto, que permanece em repouso.
Resta saber onde fica esse ponto. Como M > m, o centro de massa fica mais próximo da esfera mais pesada, isto é, mais próximo de X do que de Z. Sendo Y o ponto médio entre X e Z, o centro de massa está, portanto, entre X e Y (mais perto de X quanto maior for a diferença entre M e m). Resposta E.
Q55
Termologia — Potência Térmica (Calorimetria)
O gráfico mostra as temperaturas médias mensais da cidade de Curitiba.
(https://pt.climate-data.org. Adaptado.)
Um morador dessa cidade possui um chuveiro elétrico que funciona com um fluxo mínimo de água de 100 g/s e cuja potência pode ser ajustada. Considere que, no decorrer do ano, a água entre no chuveiro com as temperaturas mostradas no gráfico, que toda energia térmica produzida pelo chuveiro seja transferida para a água e que o calor específico da água seja 4,2 J/(g·°C). Para que esse morador possa banhar-se com água à temperatura de 36 °C, mesmo na época mais fria do ano, a maior potência do seu chuveiro deve ser, no mínimo, igual a
A)8 800 W.
B)5 580 W.
C)9 660 W.
D)6 250 W.
E)4 450 W.
Gabarito oficial FABC2501
C
Resolução
A maior exigência de potência ocorre no mês mais frio, quando a água entra no chuveiro na menor temperatura. Pelo gráfico, essa mínima é de aproximadamente 13 °C, em julho. Para sair a 36 °C, o salto de temperatura que o chuveiro precisa fornecer é $\Delta T=36-13=23\,°C$.
Como o fluxo de água é contínuo (100 g a cada segundo), a potência é a energia fornecida por segundo a cada grama que passa pelo chuveiro: $P=\dot m\,c\,\Delta T=100\times4{,}2\times23=9\,660$ W. Resposta C.
Q56
Termodinâmica — Primeira Lei (Ciclo com Isovolumétricas e Adiabáticas)
Certa massa de gás ideal efetua uma transformação cíclica, WXYZW, composta por duas transformações isovolumétricas, XY e ZW, e duas transformações adiabáticas, WX e YZ, como mostra o diagrama a seguir. Nesse diagrama também estão representadas duas isotermas, T1 e T2, sendo T1 < T2.
Nesse processo,
A)na transformação adiabática WX, a força de pressão da massa de gás realiza trabalho sobre o meio externo.
B)na transformação isovolumétrica XY, a energia interna da massa de gás aumenta.
C)ao final do ciclo, a energia interna da massa de gás será maior do que no seu início.
D)na transformação adiabática YZ, a massa de gás transfere calor para o meio externo.
E)na transformação isovolumétrica ZW, o meio externo realiza trabalho sobre a massa de gás.
Gabarito oficial FABC2501
B
Resolução
Em XY o volume não varia, então o trabalho realizado nessa etapa é nulo ($W=p\Delta V=0$). Pela primeira lei da Termodinâmica, $\Delta U=Q-W=Q$. No diagrama, X está sobre a mesma vertical de Y, mas com pressão menor; como $pV=nRT$ e o volume é constante, pressão maior significa temperatura maior — ou seja, o gás está sendo aquecido ($Q>0$) e sua energia interna aumenta ($\Delta U=Q>0$). Resposta B.
As demais alternativas falham: em WX (adiabática com volume diminuindo, de W para X) o meio externo é quem realiza trabalho sobre o gás, não o contrário (A errada); como WXYZW é um ciclo fechado, a energia interna — que é função de estado — retorna ao mesmo valor inicial ao final de uma volta completa (C errada); em YZ a transformação é adiabática, logo não há troca de calor por definição ($Q=0$, D errada); e em ZW, isovolumétrica, o trabalho é nulo, não havendo trabalho realizado por ninguém sobre o gás (E errada).
Q57
Óptica Geométrica — Equação de Gauss (Lente Convergente)
A figura mostra um otoscópio, instrumento médico usado para examinar o ouvido. De acordo com o fabricante, esse instrumento proporciona uma ampliação de três vezes do objeto observado.
(www.saudequickshop.com.br. Adaptado.)
Considere que a ampliação proporcionada pelo instrumento seja obtida por meio de uma lente convergente. Sabendo que a imagem obtida é direita e que o objeto observado se encontra a 6,0 cm da lente, a distância focal dessa lente é de
A)6,0 cm.
B)7,5 cm.
C)9,0 cm.
D)3,0 cm.
E)4,5 cm.
Gabarito oficial FABC2501
C
Resolução
Uma imagem direita (em pé) formada por uma lente convergente só ocorre quando o objeto está entre o foco e a lente — como em uma lupa — e, nesse caso, a imagem é sempre virtual e aumentada. O aumento linear é $A=+3$ (positivo, pois a imagem é direita).
Pela equação do aumento, $A=-\dfrac{p'}{p}$, com $p=6{,}0$ cm: $3=-\dfrac{p'}{6{,}0}\Rightarrow p'=-18$ cm (o sinal negativo confirma que a imagem é virtual, do mesmo lado do objeto).
Aplicando a equação de Gauss, $\dfrac{1}{f}=\dfrac{1}{p}+\dfrac{1}{p'}=\dfrac{1}{6{,}0}-\dfrac{1}{18}=\dfrac{3-1}{18}=\dfrac{2}{18}=\dfrac{1}{9}$, logo $f=9{,}0$ cm. Faz sentido: como o objeto (a 6 cm) precisa estar mais perto da lente do que o foco para formar imagem virtual e direita, $f=9$ cm $>6$ cm confirma a condição. Resposta C.
Q58
Ondulatória — Efeito Doppler
Uma pessoa assiste a uma corrida de automóveis sentada em uma arquibancada que se localiza ao lado de um trecho reto da pista no qual os automóveis se deslocam com velocidade constante. Essa pessoa nota que o som proveniente dos motores apresenta frequência diferente conforme os automóveis se aproximam ou se afastam dela. Denominando de fMOTOR a frequência das ondas sonoras emitidas pelos motores dos automóveis, de fAPROX a frequência do som percebido por essa pessoa quando os automóveis se aproximam dela, e de fAFAST a frequência do som percebido por essa pessoa quando os automóveis se afastam dela, essas três frequências são tais que:
A)fAPROX < fMOTOR < fAFAST.
B)fAPROX < fMOTOR = fAFAST.
C)fAPROX = fMOTOR < fAFAST.
D)fAPROX > fMOTOR > fAFAST.
E)fAPROX > fMOTOR = fAFAST.
Gabarito oficial FABC2501
D
Resolução
O efeito Doppler descreve como a frequência percebida por um observador muda quando há movimento relativo entre a fonte e o observador. Quando o automóvel se aproxima, as frentes de onda sonoras chegam ao observador mais comprimidas no tempo — a fonte "persegue" as ondas que já emitiu — e a frequência percebida aumenta: $f_{APROX}>f_{MOTOR}$.
Quando o automóvel se afasta, ocorre o oposto: as frentes de onda chegam mais espaçadas no tempo, e a frequência percebida diminui: $f_{AFAST}
Combinando as duas relações: $f_{APROX}>f_{MOTOR}>f_{AFAST}$. Resposta D.
Q59
Física Moderna — Tubo de Raios X (Energia de Elétrons)
Em um equipamento de radiografia, os raios X são gerados no interior de uma ampola como a esquematizada na figura. Nessa ampola, elétrons são emitidos pelo cátodo e acelerados em sentido do ânodo, onde são freados bruscamente ao atingirem um alvo metálico e perdem energia na forma de fótons, resultando na produção de raios X. A maior parte da energia cinética dos elétrons é transformada em calor no ânodo, sendo que apenas 1% dessa energia é convertida em raios X.
(www.radiologycafe.com. Adaptado.)
Considere que, em uma dessas ampolas, os elétrons sejam acelerados por uma diferença de potencial de 50 kV. Sabendo que a carga elétrica elementar é 1,6 × 10−19 C, para produzir um feixe de raios X de energia igual a 6,4 J, o número de elétrons que atingirão o alvo deve ser
A)1,6 × 1015.
B)2,0 × 1021.
C)8,0 × 1016.
D)2,0 × 1014.
E)5,0 × 1021.
Gabarito oficial FABC2501
C
Resolução
Cada elétron acelerado por uma diferença de potencial $V=50$ kV adquire energia cinética $E_e=eV=(1{,}6\times10^{-19})\times(5{,}0\times10^{4})=8{,}0\times10^{-15}$ J.
Apenas 1% dessa energia vira raio X: $E_{raioX}=0{,}01\times8{,}0\times10^{-15}=8{,}0\times10^{-17}$ J por elétron.
Para obter um feixe de energia total 6,4 J, o número de elétrons necessários é $N=\dfrac{6{,}4}{8{,}0\times10^{-17}}=8{,}0\times10^{16}$ elétrons. Resposta C.
Q60
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética (Lei de Lenz)
Bicicletas existentes em academias utilizam um freio magnético com a finalidade de ajustar a intensidade da força que deve ser feita nos pedais para movimentar a roda da bicicleta. Esse freio consta de um disco metálico que gira no interior da região onde existe um campo magnético produzido por um ímã. A figura mostra a configuração desse tipo de freio.
(https://rakhman.net)
Quando a roda gira no interior do campo magnético, surge nela uma corrente elétrica que produz uma força que se opõe à rotação da roda, conforme a lei de
A)Coulomb.
B)Faraday.
C)Kirchhoff.
D)Ohm.
E)Lenz.
Gabarito oficial FABC2501
E
Resolução
Ao girar dentro do campo magnético, regiões do disco metálico atravessam linhas de campo e surgem nelas correntes parasitas (correntes de Foucault), induzidas pela variação de fluxo magnético — fenômeno descrito pela lei de Faraday. No entanto, a pergunta não é sobre a origem da corrente, e sim sobre o sentido da força que ela produz.
A lei de Lenz estabelece que a corrente induzida sempre circula em um sentido tal que o campo magnético por ela criado se opõe à variação de fluxo que a gerou. É exatamente essa oposição que se manifesta como uma força de frenagem magnética sobre o disco: quanto mais rápido o disco gira, maior a corrente induzida e maior a força que se opõe ao movimento. Resposta E.