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Santa Casa 2026

Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Vestibular de Medicina, 1º semestre de 2026 · Prova de Conhecimentos Gerais, questões de Física (Q61-70), mais 4 questões discursivas de Física da Prova de Conhecimentos Específicos — resolução comentada Método TEF.

Q61
Cinemática — Aceleração Escalar Média a partir do Velocímetro

A figura mostra o velocímetro de um veículo, em que os valores de velocidade estão indicados em km/h. Considere que, em determinado percurso, esse veículo partiu do repouso e atingiu a velocidade de 90 km/h.

Velocímetro com ponteiro partindo de 0 e girando até a marca de 90 km/h, varrendo um ângulo de 120 graus

Sabendo que, nesse movimento do veículo, o ponteiro do velocímetro girou com velocidade angular constante de $\dfrac{\pi}{30}$ rad/s, a aceleração escalar média desse veículo foi de

A)$1{,}50\ m/s^2$
B)$1{,}00\ m/s^2$
C)$0{,}75\ m/s^2$
D)$0{,}50\ m/s^2$
E)$1{,}25\ m/s^2$

Gabarito oficial FAVC2501

E
Resolução

Da figura, o ponteiro parte da posição de repouso (0 km/h) e gira até a marca de 90 km/h, varrendo um ângulo de $120°=\dfrac{2\pi}{3}$ rad, indicado no mostrador. Como a velocidade angular do ponteiro é constante, $\omega=\dfrac{\pi}{30}$ rad/s, o tempo desse intervalo é $\Delta t=\dfrac{\theta}{\omega}=\dfrac{2\pi/3}{\pi/30}=20$ s. A variação de velocidade do veículo é $\Delta v=90\ \text{km/h}=25$ m/s. Logo, a aceleração escalar média é $a=\dfrac{\Delta v}{\Delta t}=\dfrac{25}{20}=1{,}25$ m/s².

Q62
Dinâmica — Movimento Circular Uniforme (Pêndulo Cônico)

Uma pequena esfera suspensa por um fio ideal preso no ponto P é colocada para girar em movimento uniforme, em uma trajetória circular de centro C, contida em um plano horizontal. A figura mostra essa esfera em quatro posições diferentes, I, II, III e IV.

Pêndulo cônico: esfera presa ao ponto P, girando em trajetória circular horizontal de centro C, mostrada em quatro posições I, II, III e IV

Desprezando a resistência do ar sobre a esfera, tem-se que, nas quatro posições citadas,

A)a aceleração escalar da esfera é diferente de zero.
B)a velocidade vetorial da esfera tem mesma direção e mesmo sentido.
C)a aceleração vetorial da esfera tem mesma direção e mesmo sentido.
D)a resultante das forças que atuam sobre a esfera tem mesma direção.
E)a resultante das forças que atuam sobre a esfera tem mesma intensidade.

Gabarito oficial FAVC2501

E
Resolução

O sistema descreve um pêndulo cônico: a esfera realiza movimento circular uniforme em uma trajetória horizontal de centro C. Em um MCU, o módulo da velocidade (velocidade escalar) é constante — logo a aceleração escalar ($dv/dt$) é nula, o que descarta (A). A velocidade vetorial é sempre tangente à trajetória, mudando de direção a cada posição — o que descarta (B). A aceleração vetorial nesse movimento é puramente centrípeta, sempre apontando radialmente para o centro fixo C: como as posições I, II, III e IV são diferentes, a direção "esfera→C" muda de uma para outra, e o mesmo vale para a força resultante que produz essa aceleração (2ª Lei de Newton) — o que descarta (C) e (D). Já o módulo da aceleração centrípeta, $a_{cp}=v^2/R$, e portanto o módulo da força resultante $F_R=ma_{cp}$, dependem apenas de v, m e R — todos iguais nas quatro posições. Logo, a resultante das forças tem sempre a mesma intensidade, confirmando (E).

Q63
Termologia — Calorimetria (Calor Gerado por Atrito)

Em um dia frio, uma pessoa esfrega suas mãos, uma na outra, para aquecê-las, como mostra a figura. Considere que, nesse movimento, a taxa com a qual a energia mecânica é dissipada pelo atrito seja de 20 J/s.

Mãos sendo esfregadas uma na outra, com setas indicando o movimento de vaivém

Admitindo que a massa de cada uma das mãos seja 200 g e que o calor específico das mãos seja 4 000 J/(kg · ºC), se toda a energia mecânica dissipada pelo atrito for utilizada para aquecer suas mãos, essa pessoa deverá esfregá-las, para aumentar sua temperatura em 1,5 ºC, durante um intervalo de tempo de

A)3,0 min.
B)4,5 min.
C)2,0 min.
D)2,5 min.
E)1,0 min.

Gabarito oficial FAVC2501

C
Resolução

A energia mecânica dissipada pelo atrito nas mãos é convertida em calor. A massa total aquecida é a soma das duas mãos: $m=2\times200\,g=400\,g=0{,}4$ kg. O calor necessário para elevar a temperatura das mãos em $\Delta T=1{,}5°C$ é $Q=mc\Delta T=0{,}4\times4000\times1{,}5=2400$ J. Como a potência de dissipação é constante, $P=20$ J/s, o tempo necessário é $\Delta t=\dfrac{Q}{P}=\dfrac{2400}{20}=120$ s $=2{,}0$ min.

Q64
Termodinâmica — Transformações Isotérmica e Isobárica

Determinada massa constante de gás ideal sofre a transformação ABC mostrada no diagrama pressão × volume, em que a transformação AB é isotérmica e a transformação BC é isobárica.

Diagrama pressão x volume com transformação AB isotérmica de A(3,2) até B(6,1) e BC isobárica de B(6,1) até C(2,1), em unidades de 10^5 Pa e 10^-3 m³

Sendo $T_B$ e $T_C$ as temperaturas, medidas na escala kelvin, dos estados B e C, a razão $\dfrac{T_B}{T_C}$ é igual a:

A)$\dfrac{5}{2}$
B)$3$
C)$\dfrac{3}{2}$
D)$\dfrac{4}{3}$
E)$2$

Gabarito oficial FAVC2501

B
Resolução

Do gráfico, o estado B tem $P_B=1\times10^5$ Pa e o estado A está sobre a mesma isoterma de B, no ponto indicado pelas linhas tracejadas: $V_A=3\times10^{-3}\,m^3$, $P_A=2\times10^5$ Pa. Pela lei de Boyle (transformação AB isotérmica, mesma temperatura): $P_AV_A=P_BV_B \Rightarrow 2\times3=1\times V_B \Rightarrow V_B=6\times10^{-3}\,m^3$. O estado C tem $V_C=2\times10^{-3}\,m^3$ e, como BC é isobárica, $P_C=P_B=1\times10^5$ Pa. Pela lei de Charles (pressão constante, $V/T$ = constante): $\dfrac{V_B}{T_B}=\dfrac{V_C}{T_C}\Rightarrow \dfrac{T_B}{T_C}=\dfrac{V_B}{V_C}=\dfrac{6}{2}=3$.

Q65
Óptica Geométrica — Tamanho Mínimo de Espelho Plano

Uma pessoa posiciona-se em pé diante de um espelho plano vertical E em seu banheiro e, devido às dimensões e à posição do espelho, só consegue ver refletida nesse espelho parte de seu corpo, como mostra a figura.

Pessoa diante de um espelho plano E: olhos a 1,4 m do chão e a 1,2 m do espelho; a borda superior do espelho está na altura dos olhos e a borda inferior está a uma altura h

Considerando as informações da figura e do texto inicial, a altura h do espelho é

A)0,60 m.
B)0,50 m.
C)0,40 m.
D)0,70 m.
E)0,80 m.

Gabarito oficial FAVC2501

D
Resolução

Em um espelho plano, um ponto do corpo a uma altura y é visto pelo observador (com os olhos a uma altura $H=1{,}4$ m do chão) através de um ponto do espelho situado exatamente na altura média entre os dois, $m=\dfrac{H+y}{2}$ — resultado válido para qualquer distância entre observador e espelho, por isso o valor de 1,2 m do enunciado não entra na conta. A borda superior do espelho está à mesma altura dos olhos ($m_{sup}=H=1{,}4$ m); pela relação acima, $H=\dfrac{H+y_{sup}}{2}\Rightarrow y_{sup}=H$ — ou seja, o ponto mais alto que essa borda permite enxergar é a própria altura dos olhos, coerente com a figura. Para que a pessoa veja seus próprios pés ($y=0$) refletidos, a borda inferior h do espelho deve satisfazer $h=\dfrac{H+0}{2}=\dfrac{1{,}4}{2}=0{,}70$ m.

Q66
Óptica Geométrica — Refração e Ângulo Limite

Na figura, veem-se dois raios luminosos monocromáticos, I e II, incidindo na superfície que separa um líquido desconhecido e o ar.

Raio I incide do ar no líquido com ângulo theta e refrata com ângulo beta; raio II sai do líquido com ângulo alfa e emerge no ar tangenciando a superfície (90 graus); tabela de senos para vários ângulos

Sabendo que o índice de refração absoluto do ar é $n_{Ar}=1$ e considerando as informações da tabela, tem-se que o ângulo $\theta$, indicado na figura, é:

A)45º
B)48º
C)60º
D)75º
E)30º

Gabarito oficial FAVC2501

A
Resolução

O raio II sai do líquido e emerge no ar tangenciando a superfície (ângulo de refração de 90°, indicado pelo ângulo reto na figura) — essa é exatamente a condição do ângulo limite (ângulo crítico) para a reflexão total. Pela Lei de Snell nessa saída: $n_{líq}\,\text{sen}\,\alpha = n_{Ar}\,\text{sen}\,90° \Rightarrow n_{líq}=\dfrac{1}{\text{sen}\,\alpha}$. Da tabela, $\text{sen}\,\alpha=\dfrac{\sqrt3}{3}$, logo $n_{líq}=\dfrac{1}{\sqrt3/3}=\sqrt3$. Para o raio I, que incide do ar (ângulo $\theta$) e se refrata no líquido (ângulo $\beta$): $n_{Ar}\,\text{sen}\,\theta=n_{líq}\,\text{sen}\,\beta \Rightarrow \text{sen}\,\theta=\sqrt3\times\dfrac{\sqrt6}{6}=\dfrac{\sqrt{18}}{6}=\dfrac{3\sqrt2}{6}=\dfrac{\sqrt2}{2}$. Consultando a tabela, $\text{sen}\,45°=\dfrac{\sqrt2}{2}$, portanto $\theta=45°$.

Q67
Oscilações — MHS com Duas Molas Associadas

Um bloco de massa 200 g está apoiado em repouso sobre uma superfície plana e horizontal, preso a duas molas ideais idênticas de constantes elásticas 8 N/m, que se encontram relaxadas, com comprimentos naturais de 1,0 m cada uma, conforme a figura 1. Esse bloco é deslocado para uma posição em que uma das molas fica comprimida de 0,5 m, conforme a figura 2.

Figura 1: bloco entre duas molas relaxadas de 1,0 m cada. Figura 2: bloco deslocado, uma mola comprimida em 0,5 m

O bloco é abandonado do repouso nessa nova posição e passa a oscilar em movimento harmônico simples. Desprezando o atrito e a resistência do ar, o módulo da máxima velocidade escalar atingida por esse bloco, em seu movimento oscilatório, é de:

A)$\sqrt2$ m/s
B)$2\sqrt5$ m/s
C)$2\sqrt2$ m/s
D)$\sqrt3$ m/s
E)$\sqrt5$ m/s

Gabarito oficial FAVC2501

B
Resolução

Na configuração da figura 2, o bloco é deslocado 0,5 m: uma mola fica comprimida 0,5 m e, como a distância entre as paredes é fixa (2,0 m, soma dos comprimentos naturais), a outra mola fica esticada 0,5 m. As duas molas empurram/puxam o bloco no mesmo sentido, de volta ao centro — comportam-se como duas molas em paralelo, cuja constante elástica equivalente é a soma: $k_{eq}=k_1+k_2=8+8=16$ N/m. A amplitude do MHS é $A=0{,}5$ m. A velocidade máxima ocorre na posição de equilíbrio e vale $v_{max}=A\,\omega=A\sqrt{\dfrac{k_{eq}}{m}}=0{,}5\times\sqrt{\dfrac{16}{0{,}2}}=0{,}5\times\sqrt{80}=0{,}5\times4\sqrt5=2\sqrt5$ m/s.

Q68
Ondulatória — Ondas Estacionárias em Corda Tracionada

A figura mostra uma onda estacionária estabelecida em uma corda de massa m e comprimento L, submetida a uma tração de intensidade constante T. De acordo com a equação de Taylor, a velocidade de propagação de uma onda por uma corda tracionada pode ser calculada por $v=\sqrt{\dfrac{T}{\mu}}$, em que $\mu$ representa a densidade linear de massa dessa corda.

Onda estacionária com 3 fusos completos ao longo do comprimento L de uma corda tracionada por forças T em ambas as extremidades

Sendo f a frequência dessa onda, a intensidade da tração T à qual a corda está submetida é:

A)$\dfrac{3\cdot m\cdot L\cdot f^2}{2}$
B)$\dfrac{2\cdot m\cdot L\cdot f^2}{3}$
C)$\dfrac{m\cdot L\cdot f^2}{3}$
D)$\dfrac{4\cdot m\cdot L\cdot f^2}{9}$
E)$\dfrac{9\cdot m\cdot L\cdot f^2}{4}$

Gabarito oficial FAVC2501

D
Resolução

A figura mostra 3 fusos (ventres) completos ao longo do comprimento L, ou seja, $L=3\times\dfrac{\lambda}{2}\Rightarrow \lambda=\dfrac{2L}{3}$. Pela equação fundamental da ondulatória, $v=f\lambda=f\times\dfrac{2L}{3}=\dfrac{2fL}{3}$. Como $\mu=\dfrac{m}{L}$ e, pela equação de Taylor, $v=\sqrt{\dfrac{T}{\mu}}\Rightarrow T=v^2\mu$. Substituindo: $T=\left(\dfrac{2fL}{3}\right)^2\times\dfrac{m}{L}=\dfrac{4f^2L^2}{9}\times\dfrac{m}{L}=\dfrac{4\,m\,L\,f^2}{9}$.

Q69
Eletrodinâmica — Associação de Resistores e Potência Dissipada

No circuito representado na figura, o gerador tem resistência interna desprezível e os resistores são ôhmicos.

Circuito com gerador de 12V, resistor de 2 ohms em série, e em paralelo Rx com dois resistores de 6 ohms em série

Se os fios de ligação utilizados na montagem desse circuito tiverem resistência desprezível, a potência total dissipada por ele será de 14,4 W se o valor de $R_x$ for

A)18 Ω.
B)6 Ω.
C)12 Ω.
D)3 Ω.
E)24 Ω.

Gabarito oficial FAVC2501

E
Resolução

O resistor de $2\,\Omega$ está em série com o gerador; a partir desse ponto, o circuito se divide em dois ramos em paralelo: $R_x$ e a associação em série dos dois resistores de $6\,\Omega$ (que vale $12\,\Omega$). Como a potência total dissipada é $P=\dfrac{V^2}{R_{eq}}$, com $V=12$ V e $P=14{,}4$ W: $R_{eq}=\dfrac{12^2}{14{,}4}=\dfrac{144}{14{,}4}=10\,\Omega$. Como o resistor de $2\,\Omega$ está em série com o restante: $R_{paralelo}=R_{eq}-2=10-2=8\,\Omega$. Logo: $\dfrac{R_x\times12}{R_x+12}=8 \Rightarrow 12R_x=8R_x+96\Rightarrow 4R_x=96\Rightarrow R_x=24\,\Omega$.

Q70
Eletromagnetismo — Campo Magnético em Solenoide

A figura mostra um solenoide de comprimento L, constituído por N espiras circulares dispostas lateralmente. Quando esse solenoide é percorrido por uma corrente elétrica de intensidade i, surge um campo magnético de intensidade B ao longo do eixo desse solenoide.

Solenoide de comprimento L com N espiras percorrido por corrente i, gerando campo magnético B ao longo do eixo

(https://eletricatotal.com. Adaptado.)

Se dois solenoides, idênticos a esse, fossem unidos por uma de suas extremidades, de modo que ambos fossem percorridos por uma corrente elétrica de mesma intensidade i, surgiria, ao longo do eixo comum a esses dois solenoides, um campo magnético de intensidade:

A)B
B)4B
C)$\dfrac{B}{2}$
D)2B
E)$\dfrac{B}{4}$

Gabarito oficial FAVC2501

A
Resolução

O campo no interior de um solenoide longo depende apenas da densidade de espiras (espiras por unidade de comprimento), $n=\dfrac{N}{L}$, e da corrente: $B=\mu_0\,n\,i$. Ao unir dois solenoides idênticos por uma extremidade, o comprimento total dobra ($L'=2L$) e o número total de espiras também dobra ($N'=2N$), de modo que a densidade de espiras permanece a mesma: $n'=\dfrac{N'}{L'}=\dfrac{2N}{2L}=\dfrac{N}{L}=n$. Como a corrente i também não muda, o campo magnético ao longo do eixo comum permanece com a mesma intensidade: $B'=\mu_0\,n'\,i=\mu_0\,n\,i=B$.

Q13
Dinâmica — Sistema Massa-Mola e Colisão Perfeitamente Inelástica
Questão discursiva

Um bloco A, de massa 0,4 kg, está inicialmente em repouso e em contato com uma mola ideal de constante elástica 40 N/m. Essa mola encontra-se comprimida de 30 cm e impedida de voltar ao seu comprimento natural devido à ação de uma trava. Quando essa mola é destravada, ela empurra o bloco A que, ao perder contato com a mola, escorrega por uma superfície plana e horizontal até colidir de forma perfeitamente inelástica com outro bloco, B, de massa 1,2 kg, que estava inicialmente em repouso. As figuras mostram as situações descritas:

Figura: três situações mostrando o bloco A comprimindo uma mola presa a uma parede, travada por um calço (30 cm de compressão), com o bloco B parado à frente; em seguida, o bloco A já solto da mola, movendo-se com velocidade v_A em direção ao bloco B parado; por fim, os blocos A e B unidos após a colisão, movendo-se juntos com velocidade v'.

Desprezando todos os atritos e a resistência do ar:

a)calcule, em newtons, a intensidade da força exercida pela trava sobre o bloco A, para mantê-lo em repouso na situação inicial.

RespostaF = 12 N.

b)calcule, em m/s, o módulo da velocidade v' dos dois blocos unidos, após a colisão entre eles.

Respostav' = 0,75 m/s.
Resolução

a) Enquanto a trava mantém o bloco A em repouso, comprimindo a mola em $x=30$ cm $=0{,}30$ m, o bloco está em equilíbrio: a força da trava sobre A deve equilibrar exatamente a força elástica da mola comprimida. Pela lei de Hooke, $F_{trava}=F_{el}=kx=40\times0{,}30=12$ N.

b) Ao destravar a mola, toda a energia potencial elástica armazenada converte-se em energia cinética do bloco A (superfície sem atrito): $\dfrac{kx^2}{2}=\dfrac{m_Av_A^2}{2}\Rightarrow\dfrac{40\times0{,}30^2}{2}=\dfrac{0{,}4\,v_A^2}{2}\Rightarrow v_A=3$ m/s. Na colisão perfeitamente inelástica com B (inicialmente em repouso), o momento linear se conserva: $m_Av_A=(m_A+m_B)v'\Rightarrow0{,}4\times3=(0{,}4+1{,}2)\,v'\Rightarrow1{,}2=1{,}6\,v'\Rightarrow v'=0{,}75$ m/s.

Q14
Óptica Geométrica — Lentes Delgadas (Método de Bessel)
Questão discursiva

Em uma atividade experimental sugerida por seu professor, um estudante fixou uma vela acesa em uma superfície, a 4 m de uma parede branca e, movimentando uma lente esférica delgada de 0,75 m de distância focal, verificou que poderia colocar essa lente em duas posições, entre a vela e a parede, e obter imagens nítidas dessa vela projetadas na parede. A figura mostra uma dessas posições, a uma distância p da vela, em que a imagem da vela apresenta a altura h.

Figura: vela de altura 24 cm à esquerda, lente convergente delgada ao centro, parede à direita com a imagem invertida da vela, de altura h; distância da vela até a lente indicada como p; distância total da vela até a parede indicada como 4 m.

a)Calcule o valor de h, escrito em função de p.

Resposta$h=0{,}24\cdot\dfrac{4-p}{p}$ (p e h em metros).

b)Calcule os dois valores de p, em metros, nas duas posições em que se pode posicionar a lente para obter as duas imagens nítidas da vela projetadas na parede.

Respostap = 1 m ou p = 3 m.
Resolução

a) Como a lente forma uma imagem real na parede, fixa a 4 m da vela, a distância da lente até a imagem é $p'=4-p$. A ampliação linear de uma lente delgada, em módulo, é $|A|=\dfrac{p'}{p}=\dfrac{h}{H}$, sendo $H=0{,}24$ m a altura da vela. Logo, $h=H\cdot\dfrac{p'}{p}=0{,}24\cdot\dfrac{4-p}{p}$ (p e h em metros).

b) Pela equação de Gauss, $\dfrac1f=\dfrac1p+\dfrac1{p'}=\dfrac1p+\dfrac1{4-p}$. Com $f=0{,}75$ m: $\dfrac1{0{,}75}=\dfrac{(4-p)+p}{p(4-p)}=\dfrac4{p(4-p)}\Rightarrow p(4-p)=4\times0{,}75=3\Rightarrow4p-p^2=3\Rightarrow p^2-4p+3=0$. Resolvendo essa equação do 2º grau, $p=1$ m ou $p=3$ m — as duas posições simétricas (uma mais próxima da vela, outra mais próxima da parede) em que a lente forma imagem nítida, características do método de Bessel para medida da distância focal.

Q15
Ondulatória — Ressonância em Tubo Sonoro + Hidrostática
Questão discursiva

Um recipiente cilíndrico de altura 0,8 m e com área da base medindo $3\times10^{-2}$ m² está inicialmente cheio de água. No fundo desse recipiente, há uma torneira inicialmente fechada que, quando aberta, faz com que a água escoe lentamente com uma vazão constante de $2\times10^{-4}$ m³/s. No instante $t_0=0$, um diapasão é colocado para vibrar com frequência f próximo à superfície da água e, simultaneamente, a torneira é aberta. No instante t = 30 s nota-se que a coluna de ar dentro do recipiente entra, pela primeira vez, em ressonância com o som emitido pelo diapasão, produzindo ondas sonoras com a frequência do modo fundamental de vibração (primeiro harmônico), como mostra a figura.

Figura: dois recipientes cilíndricos idênticos, de altura 0,8 m, com um diapasão vibrando próximo à boca de cada um; à esquerda (t0=0), o recipiente está totalmente cheio de água, sem coluna de ar; à direita (t=30s), o nível da água já baixou, formando uma coluna de ar entre a superfície da água e a boca do recipiente, com a torneira, agora aberta, deixando escoar água.

a)Calcule o volume de água, em m³, que deve escoar pela torneira para que a pressão exercida apenas pela água no fundo desse recipiente cilíndrico seja reduzida à metade do valor inicial.

RespostaΔV = 1,2×10⁻² m³.

b)Considerando a velocidade do som no ar dentro desse recipiente cilíndrico igual a 340 m/s, calcule a frequência, em Hz, do som emitido pelo diapasão.

Respostaf = 425 Hz.
Resolução

a) A pressão exercida apenas pela água no fundo do recipiente é $P=\rho g h$, diretamente proporcional à altura h da coluna de água. Para reduzir essa pressão à metade, a altura da água deve cair de $h_0=0{,}8$ m para $h_0/2=0{,}4$ m, ou seja, uma queda de altura $\Delta h=0{,}4$ m. O volume de água escoado correspondente é $\Delta V=A\cdot\Delta h=3\times10^{-2}\times0{,}4=1{,}2\times10^{-2}$ m³.

b) Em $t=30$ s, o volume de água já escoado é $V=Q\cdot t=2\times10^{-4}\times30=6\times10^{-3}$ m³, o que corresponde a uma queda de nível $\Delta h'=\dfrac{V}{A}=\dfrac{6\times10^{-3}}{3\times10^{-2}}=0{,}2$ m. Assim, nesse instante, a coluna de ar acima da água tem comprimento $L=0{,}2$ m. Esse tubo é fechado na extremidade inferior (pela superfície da água) e aberto na extremidade superior; no modo fundamental (1º harmônico) de um tubo sonoro fechado-aberto, o comprimento da coluna de ar corresponde a um quarto do comprimento de onda: $L=\dfrac{\lambda}{4}\Rightarrow\lambda=4L=4\times0{,}2=0{,}8$ m. A frequência do som é $f=\dfrac{v}{\lambda}=\dfrac{340}{0{,}8}=425$ Hz.

Q16
Termologia e Eletrodinâmica — Calorimetria em Reostato
Questão discursiva

A figura mostra um reostato, cuja resistência elétrica pode variar de 20 Ω a 60 Ω, utilizado para aquecer de 20 ºC para 80 ºC determinada massa de água contida em um recipiente. Esse reostato é submetido a uma diferença de potencial constante de 120 V. O gráfico mostra como varia o intervalo de tempo (Δt) para se conseguir tal aquecimento em função da resistência elétrica (R) para a qual se ajusta o reostato.

Figura: à esquerda, um reostato imerso em um recipiente com água, ligado a uma fonte de 120 V; à direita, gráfico de Δt (s) em função de R (Ω), reta ligando o ponto (20, 1500) ao ponto (60, 4500), com uma marcação adicional (fora da reta) em (40, 3500).

Considerando que toda a energia térmica dissipada pelo reostato seja absorvida pela água, e adotando o valor 4 000 J/(kg · ºC) para o calor específico da água, calcule:

a)a massa de água, em kg, contida nesse recipiente.

Respostam = 4,5 kg.

b)a intensidade da corrente elétrica, em ampères, que deve atravessar o reostato para que o aquecimento pretendido ocorra em um intervalo de tempo de 3 750 s.

Respostai = 2,4 A.
Resolução

a) Como a diferença de potencial no reostato é constante, a potência dissipada é $P=\dfrac{U^2}{R}$. Tomando o ponto do gráfico em $R=20$ Ω (onde $\Delta t=1\,500$ s): $P=\dfrac{120^2}{20}=720$ W. Toda essa potência aquece a água: $P=\dfrac{Q}{\Delta t}=\dfrac{mc\Delta\theta}{\Delta t}\Rightarrow720=\dfrac{m\times4\,000\times(80-20)}{1\,500}\Rightarrow m=4{,}5$ kg.

b) Como $P=U^2/R$ é constante para cada aquecimento completo (de 20°C a 80°C), $\Delta t=\dfrac{mc\Delta\theta}{P}=\dfrac{mc\Delta\theta}{U^2}\,R$ é diretamente proporcional a R. Usando o par de valores $(R,\Delta t)=(20,\,1\,500)$: $\dfrac{1\,500}{20}=\dfrac{3\,750}{R}\Rightarrow R=50$ Ω. Pela 1ª Lei de Ohm: $U=Ri\Rightarrow120=50\,i\Rightarrow i=2{,}4$ A. Observação: o ponto (40, 3 500) assinalado no gráfico não é compatível com a reta que passa por (20, 1 500) e (60, 4 500) — trata-se de uma inconsistência gráfica da prova original (o valor esperado nesse ponto seria 3 000 s). A resolução aqui apresentada segue a proporcionalidade $\Delta t\propto R$, coerente com a física do problema e com os dois pontos consistentes do gráfico.

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