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Unesp

Universidade Estadual Paulista

Vestibular Meio de Ano 2026 · gabarito oficial VUNESP.

Q75
Cinemática — Velocidade Escalar Média

Uma das missões de exploração interplanetária mais bem-sucedidas da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) foi a exploração de Marte pelo jipe robótico Opportunity. Funcionando por 14,5 anos, o jipe explorou a paisagem pedregosa e poeirenta marciana e analisou amostras de solo. Seu maior feito foi encontrar evidências de que já houve água líquida no planeta em um passado distante.

Representação artística do jipe Opportunity explorando a superfície de Marte

Representação artística do jipe Opportunity em Marte (https://revistapesquisa.fapesp.br, março de 2019. Adaptado.)

Em determinada ação exploratória, o jipe Opportunity moveu-se no solo marciano com velocidade escalar constante de 1 cm/s durante 30 segundos, parou e explorou o terreno durante 2 minutos e depois caminhou novamente por mais 50 segundos, com a mesma velocidade escalar constante de 1 cm/s. No tempo de duração dessa ação exploratória, desprezando os intervalos de tempo de aceleração e desaceleração do jipe, a velocidade escalar média do Opportunity foi de

A) 2,0 cm/s.
B) 4,0 cm/s.
C) 1,0 cm/s.
D) 2,5 cm/s.
E) 0,4 cm/s.

Resposta correta:

Alternativa E
Resolução

A velocidade escalar média é a distância total percorrida dividida pelo tempo total decorrido (contando também o tempo parado, que não contribui com distância).

Tempo total: $30+120+50 = 200$ s (os 2 minutos parados viram 120 s).

Distância total: só nos dois trechos em que o jipe se moveu, ambos a 1 cm/s: $d = 1\times(30+50) = 80$ cm.

Velocidade escalar média: $v_m = \dfrac{d}{\Delta t} = \dfrac{80}{200} = 0{,}4$ cm/s.

Q76
Dinâmica — Sistema de Fios, Polias e Blocos

Uma placa retangular P de espessura desprezível está em equilíbrio, ligada por dois fios ideais, um azul (fio 1) e outro vermelho (fio 2), a dois blocos, A e B, idênticos e de massa 1 kg cada um, conforme a figura 1. A placa e os blocos são homogêneos, têm suas massas uniformemente distribuídas e as polias são ideais. A placa P é girada e mantida em repouso, na situação mostrada na figura 2.

Figura 1: placa P em equilíbrio, ligada por fio 1 (azul) ao bloco A e fio 2 (vermelho) ao bloco B, cada um passando por sua própria polia, na configuração vertical de repouso. Figura 2: a placa P foi girada, cruzando os fios 1 e 2; cada fio faz um ângulo θ com a horizontal no ponto onde está preso à placa

Figura 1 (configuração de equilíbrio) e Figura 2 (placa girada e mantida em repouso, antes de ser abandonada)

Adotando g = 10 m/s², sabendo que sen (θ) = 0,6 e desprezando todos os atritos, a aceleração vertical inicial da placa P, ao ser abandonada a partir da situação mostrada na figura 2, é

A) 2,0 m/s².
B) 1,5 m/s².
C) 2,5 m/s².
D) 1,0 m/s².
E) 3,0 m/s².

Resposta correta:

Alternativa C
Resolução

Primeiro preciso descobrir a massa da placa P, que não é dada diretamente. Na figura 1 (equilíbrio, fios verticais), cada bloco está simplesmente pendurado, então a tração em cada fio vale o peso do bloco correspondente: $T = mg = 1\times10 = 10$ N. As duas trações puxam a placa para cima (fios verticais), sustentando seu peso: $m_P g = 2\times10 = 20$ N $\Rightarrow m_P = 2$ kg.

Na figura 2, cada fio está inclinado de um ângulo θ em relação à horizontal (topo da placa). Por simetria, as duas trações são iguais ($T$) e os blocos A e B sobem com a mesma aceleração que a placa desce (o fio é inextensível, passando por uma polia ideal).

Para cada bloco (subindo com aceleração $a$): $T - mg = ma \Rightarrow T = m(g+a) = 1\times(10+a) = 10+a$.

Para a placa (descendo com aceleração $a$, mesma intensidade): as duas trações puxam para cima, cada uma com componente vertical $T\,\text{sen}\,\theta$: $m_P g - 2T\,\text{sen}\,\theta = m_P a \Rightarrow 20 - 2T(0{,}6) = 2a \Rightarrow 20-1{,}2T=2a$.

Substituindo $T=10+a$: $20-1{,}2(10+a)=2a \Rightarrow 20-12-1{,}2a=2a \Rightarrow 8=3{,}2a \Rightarrow a=2{,}5$ m/s².

Q77
Dinâmica — Conservação da Quantidade de Movimento

A figura mostra uma visão de cima de três moedas, A, B e C, de massas $m_A = 2{,}0$ g, $m_B = 2{,}5$ g e $m_C = 4{,}0$ g, inicialmente apoiadas em repouso sobre uma mesa plana e horizontal. A moeda A é lançada com velocidade $v_0$ no sentido da moeda B e, a partir disso, ocorrem as duas colisões, uma em seguida da outra, descritas a seguir.

1ª colisão: a moeda A colide com a moeda B. Após essa colisão, a moeda A para e a moeda B inicia movimento com velocidade $v_B$.

2ª colisão: a moeda B colide com a moeda C. Após essa colisão, a moeda B para e a moeda C inicia movimento com velocidade $v_C$.

Mesa vista de cima com as moedas A, B e C em repouso, alinhadas, e velocidade inicial v0 da moeda A no sentido de B

Mesa vista de cima (https://br.freepik.com. Adaptado.)

Desprezando todos os atritos e sabendo que todas as colisões são frontais, a velocidade $v_C$, da moeda C, imediatamente após a segunda colisão, é

A) 0,50 · v₀
B) 0,25 · v₀
C) 0,40 · v₀
D) 0,60 · v₀
E) 0,75 · v₀

Resposta correta:

Alternativa A
Resolução

Em cada colisão, a quantidade de movimento se conserva (não é preciso saber se é elástica ou não, pois já sabemos que a moeda que bate para completamente, transferindo toda sua quantidade de movimento para a outra).

1ª colisão (A com B): $m_A v_0 = m_B v_B \Rightarrow 2{,}0\,v_0 = 2{,}5\,v_B \Rightarrow v_B = 0{,}8\,v_0$.

2ª colisão (B com C): $m_B v_B = m_C v_C \Rightarrow 2{,}5\times0{,}8v_0 = 4{,}0\,v_C \Rightarrow 2{,}0v_0 = 4{,}0v_C \Rightarrow v_C = 0{,}50\,v_0$.

Q78
Termodinâmica — Transformação Isobárica

Determinada quantidade constante de gás ideal está contida em um cilindro constituído, em sua base, por um material bom condutor térmico e, em suas paredes laterais, por um material isolante térmico. Esse cilindro é fechado, na sua região superior, por um pistão feito de material também isolante e que pode mover-se verticalmente livre de atrito. Quando esse gás recebe calor de uma fonte externa, ele sofre uma expansão isobárica de modo que o pistão se desloque verticalmente, a partir de uma posição inicial A, até passar por uma posição B, indicadas na figura. Devido à ação de massas colocadas sobre o pistão, seu movimento se desenvolve com velocidade constante.

Cilindro com gás ideal, base condutora térmica aquecida por chama, paredes isolantes, pistão isolante nas posições A (inicial) e B (final)

O diagrama que mostra como varia a temperatura absoluta (T) desse gás em função do volume ocupado por ele (V), quando o pistão se move da posição A até a posição B, está representado em:

A)
Alternativa A — reta decrescente de A a B
B)
Alternativa B — curva decrescente côncava de A a B
C)
Alternativa C — reta horizontal de A a B (T constante)
D)
Alternativa D — reta crescente de A a B, partindo perto da origem
E)
Alternativa E — curva crescente côncava de A a B

Resposta correta:

Alternativa D
Resolução

Numa transformação isobárica (pressão $P$ constante) de um gás ideal, a Lei de Charles/Gay-Lussac dá $\dfrac{V}{T} = \dfrac{nR}{P} = \text{constante}$, ou seja, $T = \dfrac{P}{nR}\,V$: a temperatura absoluta é diretamente proporcional ao volume.

Como o gás recebe calor e se expande (o pistão sobe de A até B), tanto $V$ quanto $T$ aumentam, e essa relação de proporcionalidade direta corresponde a uma reta crescente passando pela origem — exatamente o gráfico (D).

Q79
Óptica — Câmara Escura de Orifício

Uma árvore de 12 m de altura está situada a 20 m de distância de uma câmara escura de orifício. Nessa situação, uma imagem invertida e de altura h dessa árvore é projetada no fundo da câmara, como mostra a figura.

Árvore de 12 m a 20 m do orifício O de uma câmara escura, projetando uma imagem invertida de altura h no fundo da câmara

Para que a imagem de um homem de 1,8 m de altura seja projetada com a mesma altura h, no fundo dessa mesma câmara, a distância entre esse homem e o orifício da câmara deverá ser de

A) 1,8 m.
B) 3,6 m.
C) 3,0 m.
D) 2,4 m.
E) 4,0 m.

Resposta correta:

Alternativa C
Resolução

Na câmara escura de orifício, os raios de luz que formam a imagem passam em linha reta pelo orifício O, formando dois triângulos semelhantes: um entre o objeto e o orifício, outro entre o orifício e a imagem no fundo da câmara. Como o tamanho da câmara (distância do orifício ao fundo) é sempre a mesma, a razão $\dfrac{\text{altura do objeto}}{\text{distância do objeto ao orifício}}$ é a mesma nas duas situações, já que ambas resultam na mesma altura de imagem $h$.

$\dfrac{H_{\text{árvore}}}{D_{\text{árvore}}} = \dfrac{H_{\text{homem}}}{D_{\text{homem}}} \Rightarrow \dfrac{12}{20} = \dfrac{1{,}8}{D_{\text{homem}}} \Rightarrow D_{\text{homem}} = \dfrac{1{,}8\times20}{12} = \dfrac{36}{12} = 3{,}0$ m.

Q80
Ondulatória — Superposição de Pulsos

Quando ondas se propagam por determinado meio, podem interagir com obstáculos, outros meios, superfícies ou outras ondas. As figuras 1 e 2 mostram dois pulsos, A e B, propagando-se por uma mesma corda, em sentidos opostos, em duas situações distintas.

Figura 1: pulso A (para cima) e pulso B (para baixo) se aproximando, sobrepondo-se e se cancelando parcialmente em t4, depois se separando sem alteração. Figura 2: pulso A e pulso B, ambos para cima, se sobrepondo e formando um pulso maior em t4, depois se separando sem alteração

Grupo de Reelaboração do Ensino de Física. Física 2, 1991. Adaptado.

De acordo com a análise das figuras, o fenômeno ondulatório ocorrido entre os instantes t₁ e t₆ é a

A) refração.
B) interferência.
C) reflexão.
D) difração.
E) ressonância.

Resposta correta:

Alternativa B
Resolução

Os dois pulsos caminham na mesma corda, em sentidos opostos, e em determinado instante ($t_4$) se sobrepõem na mesma região. Nesse momento, o deslocamento resultante da corda é a soma (com sinal) dos deslocamentos de cada pulso individualmente — na figura 1 (pulsos invertidos, um para cima e outro para baixo) eles se cancelam quase totalmente; na figura 2 (pulsos no mesmo sentido) eles se somam, formando um pulso maior.

Logo depois ($t_5$, $t_6$), cada pulso continua se propagando exatamente como antes, sem qualquer alteração de forma ou velocidade — como se o outro pulso não existisse. Esse comportamento de superposição temporária, seguida da continuação inalterada de cada onda, é a interferência.

Q81
Eletrodinâmica — Circuito com Motor (Força Contra-eletromotriz)

A figura representa o esquema elétrico de um eletroventilador do radiador de determinado veículo. Esse eletroventilador é composto de um motor elétrico de força contra-eletromotriz de 10 V e resistência interna de 2 Ω e está conectado a uma bateria de força eletromotriz de 14 V e resistência interna de 2 Ω.

Circuito em série com bateria (E=14V, r=2Ω) e motor do eletroventilador (E'=10V força contra-eletromotriz, r'=2Ω)

Considerando que todas as conexões e que todos os fios utilizados na montagem desse circuito apresentam resistência elétrica desprezível, a corrente elétrica que atravessa esse eletroventilador tem intensidade igual a

A) 0,5 A.
B) 1,5 A.
C) 2,0 A.
D) 2,5 A.
E) 1,0 A.

Resposta correta:

Alternativa E
Resolução

O circuito é uma malha única em série: a bateria (geradora, fem $E=14$ V, resistência interna $r=2\ \Omega$) alimenta o motor (receptor, força contra-eletromotriz $E'=10$ V, resistência interna $r'=2\ \Omega$). Como todo o resto do fio tem resistência desprezível, a corrente é dada pela equação do circuito gerador-receptor:

$i = \dfrac{E-E'}{r+r'} = \dfrac{14-10}{2+2} = \dfrac{4}{4} = 1{,}0$ A.

(A força contra-eletromotriz do motor "consome" parte da tensão da bateria, por isso entra subtraindo no numerador — o motor se opõe à corrente à medida que converte energia elétrica em energia mecânica.)

Q82
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética

Um ímã em forma de barra está posicionado nas proximidades de uma espira metálica circular conectada a um amperímetro. Esse ímã pode movimentar-se ao longo de um eixo XY que passa pelo centro dessa espira e é perpendicular ao plano dela, como mostra a figura.

Ímã em barra próximo a uma espira circular conectada a um amperímetro, podendo se mover ao longo do eixo XY perpendicular ao plano da espira

(www.uv.es. Adaptado.)

Mantendo-se a espira em repouso, se o ímã oscilar ao longo do eixo XY, ora se aproximando ora se afastando da espira circular, uma corrente elétrica induzida circulará na espira

A) apenas quando o ímã se aproximar da espira.
B) apenas quando o ímã se afastar da espira.
C) apenas quando o ímã se mover no sentido de X.
D) quando o ímã se aproximar ou se afastar da espira.
E) apenas quando o ímã se mover no sentido de Y.

Resposta correta:

Alternativa D
Resolução

Pela Lei de Faraday, a corrente induzida surge sempre que o fluxo magnético através da espira varia com o tempo — não importa se ele está aumentando ou diminuindo, apenas que esteja mudando.

Quando o ímã se aproxima da espira, a intensidade do campo magnético que atravessa a espira aumenta (fluxo crescente); quando o ímã se afasta, o campo diminui (fluxo decrescente). Nos dois casos há variação de fluxo magnético e, portanto, corrente induzida — apenas o sentido da corrente induzida é oposto entre os dois casos (pela Lei de Lenz), mas em ambos ela existe.

Só não haveria corrente induzida se o ímã ficasse parado ou se movesse de um jeito que não mudasse o fluxo (o que não é o caso aqui, já que o movimento é ao longo do próprio eixo XY que atravessa a espira).

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