As figuras 1 e 2 mostram uma caixa de massa 4 kg apoiada, em repouso, sobre uma barra AB de massa desprezível ligada, pela articulação O, a uma torre vertical fixa. Na situação da figura 1, a barra é mantida em repouso na horizontal por uma corrente de massa desprezível. Quando a corrente é retirada, deixa-se a barra AB girar lentamente no sentido horário até ser novamente colocada em repouso, presa por uma trava (T), como mostra a figura 2.
Figura 1 descrita no enunciado: barra horizontal AB articulada em O sobre uma torre vertical. O ponto A fica 0,4 m à esquerda de O, preso por uma corrente que desce até a torre fazendo 45° com a vertical. A caixa está apoiada sobre a barra 1,0 m à direita de O (lado B).
Figura 2 descrita no enunciado: com a corrente retirada, a barra gira no sentido horário até ser travada por T. A extremidade A fica elevada, formando 30° com a vertical (linha tracejada de referência), e a caixa permanece apoiada na extremidade B, agora inclinada.
Adotando g = 10 m/s² e desprezando o atrito na articulação O, calcule, em newtons:
a)a intensidade da força aplicada pela barra AB sobre a caixa e a intensidade da força de tração aplicada pela corrente sobre a barra AB, na situação da figura 1.
b)a intensidade da força aplicada pela barra AB sobre a caixa, na situação da figura 2.
A caixa está em equilíbrio apoiada sobre a barra, sujeita a apenas duas forças: seu peso ($P = mg = 4\times10 = 40$ N, vertical para baixo) e a força normal que a barra exerce sobre ela. Como são só duas forças e a caixa está em repouso, elas devem ser iguais em módulo e opostas em direção — logo, a força da barra sobre a caixa é $40$ N, na vertical, para cima.
Pela 3ª Lei de Newton, a caixa empurra a barra para baixo com $40$ N, aplicados a $1{,}0$ m de O. Como a barra é horizontal, o braço de alavanca dessa força é a própria distância horizontal: torque $= 40 \times 1{,}0 = 40$ N·m (sentido horário).
A corrente traciona o ponto A, a $0{,}4$ m de O, fazendo $45°$ com a vertical — logo, a componente vertical da tração é $T\cos45° = T\dfrac{\sqrt2}{2}$. Como A também está sobre a barra horizontal, o braço de alavanca dessa componente também é a distância horizontal, $0{,}4$ m, e o torque que ela gera é anti-horário (equilibra a caixa). Igualando os torques: $0{,}4 \times T\dfrac{\sqrt2}{2} = 40 \Rightarrow T = \dfrac{80}{0{,}4\sqrt2} = \dfrac{200}{\sqrt2} = 100\sqrt2 \approx 141{,}4$ N.
Na figura 2, a barra está inclinada, mas a caixa continua apoiada nela em repouso, sujeita apenas ao próprio peso e à força de contato da barra. O mesmo argumento de duas forças em equilíbrio vale para qualquer inclinação: a força resultante que a barra aplica na caixa precisa anular o peso, então continua valendo $40$ N, para cima — independentemente do ângulo da barra.
