← Voltar às edições do IME

IME 2007 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Militar de Engenharia

Concurso de Admissão 2006/2007 · Prova objetiva · Física (Q16-30) — resolução comentada Método TEF. Gabarito oficial conforme o PDF divulgado pelo IME.

Q16
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência Dissipada em Circuito com Chave de Duas Posições
Circuito: bateria de 12 V em série com um resistor de 2 ohms; dois resistores de 8 ohms em paralelo; uma chave S, ligada ao resistor R, que pode ser colocada na posição 1, no ramo principal, ou na posição 2, em série com um resistor de 4 ohms e uma bateria de 10 V

A chave $S$ no circuito elétrico possui duas posições de contato, conforme mostra a figura acima. Para que a potência total dissipada no circuito seja a mesma estando a chave $S$ na posição $1$ ou na posição $2$, o valor aproximado da resistência $R$, em ohms, deve ser:

A)$1{,}5$
B)$3{,}4$
C)$5{,}6$
D)$8{,}2$
E)$12{,}3$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Os dois resistores de $8\ \Omega$ em paralelo valem $4\ \Omega$.
• Posição 1. $R$ fica em paralelo com os $4\ \Omega$; a malha da direita (resistor de $4\ \Omega$ e bateria de $10\text{ V}$) fica aberta. A bateria de $12\text{ V}$ vê $2+\dfrac{4R}{4+R}=\dfrac{8+6R}{4+R}$, e \[P_1=\frac{144\,(4+R)}{8+6R}.\]
• Posição 2. $R$ sai da malha da esquerda e passa a formar, com o resistor de $4\ \Omega$ e a bateria de $10\text{ V}$, uma malha isolada. A malha da esquerda tem $2+4=6\ \Omega$ e dissipa $\dfrac{144}6=24\text{ W}$, e a da direita dissipa $\dfrac{100}{R+4}$.

Igualdade das potências. \[\frac{144\,(4+R)}{8+6R}=24+\frac{100}{4+R}\ \Rightarrow\ 144\,(4+R)^2=24\,(8+6R)(4+R)+100\,(8+6R)\] \[2304+1152R=1568+1368R\ \Rightarrow\ 216\,R=736\ \Rightarrow\ R\approx3{,}4\ \Omega.\]

Cuidado, armadilha! Na posição 2 as duas malhas não compartilham corrente: a bateria de $12\text{ V}$ continua alimentando só $2\ \Omega$ e os dois $8\ \Omega$ em paralelo. Tratar o circuito como um só, com as duas baterias, leva a uma equação diferente.
Q17
Mecânica — Dinâmica — Tração em Cabo de Elevador

Um peso está suspenso por uma corda no teto de um elevador. A tração na corda é maior quando o elevador está:

A)subindo com uma velocidade constante de $1\text{ m/s}$.
B)descendo com uma velocidade constante de $1\text{ m/s}$.
C)subindo com uma aceleração constante de $1\text{ m/s}^2$.
D)descendo com uma aceleração constante de $1\text{ m/s}^2$.
E)parado.

Gabarito Oficial

C
Resolução

Para um peso $m$ pendurado, $T-mg=ma$, com $a$ positiva para cima: \[T=m\,(g+a).\] A tração depende da aceleração do elevador, e não da velocidade.

Com velocidade constante (subindo, descendo ou parado), $a=0$ e $T=mg$. Descendo com aceleração de $1\text{ m/s}^2$, $a=-1$ e $T=m(g-1)$. Subindo com aceleração de $1\text{ m/s}^2$, $a=+1$ e $T=m(g+1)$, o maior valor.

Cuidado, armadilha! Subir com velocidade constante não aumenta a tração: só a aceleração para cima o faz. Quem escolhe a alternativa A confunde velocidade com aceleração.
Q18
Mecânica — Quantidade de Movimento — Grandezas Conservadas em Colisões

Entre as grandezas abaixo, a única conservada nas colisões elásticas, mas não nas inelásticas é o(a):

A)energia cinética.
B)energia potencial.
C)energia total.
D)momento linear.
E)momento angular.

Gabarito Oficial

A
Resolução

Em colisões de um sistema isolado, a quantidade de movimento (momento linear) e a energia total se conservam sempre, tanto nas elásticas quanto nas inelásticas. A energia cinética total só se conserva na colisão elástica: na inelástica, parte dela é convertida em calor e deformação.

A única grandeza conservada nas elásticas e não nas inelásticas é a energia cinética.

Cuidado, armadilha! Energia total sempre se conserva, e o que muda na inelástica é a forma da energia. A pergunta se refere à energia cinética.
Q19
Ondulatória — Refração de Ondas — Luz Passando do Ar para a Água

Quando a luz, que estava se propagando no ar, penetra na água de uma piscina, sua velocidade (I), sua freqüência (II) e seu comprimento de onda (III).

A opção que corresponde ao preenchimento correto das lacunas (I), (II) e (III) é:

A)(I) diminui; (II) aumenta; (III) permanece constante
B)(I) aumenta; (II) permanece constante; (III) diminui
C)(I) diminui; (II) permanece constante; (III) diminui
D)(I) aumenta; (II) diminui; (III) aumenta
E)(I) diminui; (II) diminui; (III) diminui

Gabarito Oficial

C
Resolução

(I) Na água (índice de refração maior que o do ar), a velocidade da luz é $v=\dfrac cn$, menor: diminui. (II) A freqüência é determinada pela fonte e não muda na refração: permanece constante. (III) De $v=\lambda f$, com $f$ constante e $v$ menor, o comprimento de onda também diminui.

Cuidado, armadilha! A grandeza que não muda na refração é a freqüência. Velocidade e comprimento de onda variam juntos, na mesma proporção.
Q20
Eletromagnetismo — Força Magnética — Componente da Velocidade em Movimento Circular

Uma partícula com carga elétrica penetra, ortogonalmente, num campo magnético uniforme com velocidade $v$ no ponto cujas coordenadas $(x,y)$ são $(0,0)$ e sai do campo no ponto $(0,2R)$. Durante a permanência no campo magnético, a componente $x$ da velocidade da partícula no instante $t$ é dada por:

A)$v\,\mathrm{sen}\!\left(\dfrac{\pi v t}{R}\right)$
B)$v\cos\!\left(\dfrac{\pi v t}{R}\right)$
C)$v\cos\!\left(\dfrac{v t}{R}\right)$
D)$v\cos\!\left(\dfrac{2 v t}{R}\right)$
E)$v\cos\!\left(\dfrac{v t}{2R}\right)$

Gabarito Oficial

C
Resolução

A partícula entra em $(0,0)$ e sai em $(0,2R)$: o segmento entre os pontos é um diâmetro, então o raio da trajetória é $R$ e o movimento é circular uniforme, com velocidade angular $\omega=\dfrac vR$.

Como o campo é ortogonal à velocidade e o diâmetro é vertical, a velocidade inicial é horizontal ($v_x=v$, $v_y=0$). A velocidade gira com ângulo $\omega t=\dfrac{vt}R$, e a componente $x$ é \[v_x(t)=v\cos\!\left(\frac{vt}{R}\right).\]

Cuidado, armadilha! A fase inicial importa: em $t=0$ a velocidade está toda na direção $x$, e então $v_x$ começa em $v$ (cosseno), e não em zero (seno).
Q21
Mecânica — Análise Dimensional — Dimensão de uma Grandeza Composta

Analisando certo fenômeno físico, um pesquisador verificou que determinada grandeza era diretamente proporcional ao produto de uma força por uma velocidade e inversamente proporcional ao produto do quadrado de um peso pelo cubo de uma aceleração. Sabendo-se que a constante de proporcionalidade é adimensional, a expressão dimensional da referida grandeza é:

A)$[L]^{-4}[M]^{-2}[T]^{5}$
B)$[L]^{-2}[M]^{-1}[T]^{3}$
C)$[L]^{-5}[M]^{-3}[T]^{6}$
D)$[L]^{-2}[M]^{-4}[T]^{4}$
E)$[L]^{-3}[M]^{-1}[T]^{7}$

Gabarito Oficial

E
Resolução

Dimensões. Força e peso: $M\,L\,T^{-2}$; velocidade: $L\,T^{-1}$; aceleração: $L\,T^{-2}$. A grandeza é \[G=\frac{F\,v}{P^2\,a^3}.\]

Numerador: $M\,L\,T^{-2}\cdot L\,T^{-1}=M\,L^2\,T^{-3}$. Denominador: $(M\,L\,T^{-2})^2(L\,T^{-2})^3=M^2L^2T^{-4}\cdot L^3T^{-6}=M^2L^5T^{-10}$. Então \[[G]=M^{1-2}\,L^{2-5}\,T^{-3+10}=[L]^{-3}[M]^{-1}[T]^{7}.\]

Cuidado, armadilha! O peso é uma força (e não uma massa): seu quadrado tem $M^2$. Tratá-lo como massa muda os expoentes de $M$ e de $L$.
Q22
Mecânica — Hidrostática — Pressão ao Longo de uma Linha Horizontal
Corte transversal de um navio na água, acima de uma pedra no fundo do rio; um segmento horizontal X-Y, paralelo à superfície da água, abaixo do casco

A figura acima ilustra um plano transversal de corte de um navio, incluindo a água e o fundo do rio em que a embarcação navega. Considere um segmento de reta horizontal $X$-$Y$, contido nesse plano, paralelo à superfície da água. O gráfico que melhor ilustra a pressão hidrostática ao longo dos pontos desse segmento é:

A)
Gráfico da pressão ao longo de X-Y: patamar, degrau para baixo, vale em V no meio e degrau para cima
B)
Gráfico da pressão ao longo de X-Y: degrau para cima, pico no meio e degrau para baixo
C)
Gráfico da pressão ao longo de X-Y: patamar com um arco de queda no meio
D)
Gráfico da pressão ao longo de X-Y: patamar, vale profundo com uma ponta no meio e patamar
E)
Gráfico da pressão ao longo de X-Y: linha horizontal constante de X a Y

Gabarito Oficial

E
Resolução

Pelo teorema de Stevin, em um fluido em equilíbrio a pressão é $p=p_0+\mu g h$, e depende apenas da profundidade $h$. O segmento $X$-$Y$ é horizontal e está todo dentro da água (abaixo do casco e acima da pedra): todos os seus pontos têm a mesma profundidade.

A pressão é, portanto, constante ao longo de $X$-$Y$, e o gráfico é uma reta horizontal (alternativa E).

Cuidado, armadilha! A forma do casco do navio e a pedra no fundo não mudam a pressão em pontos à mesma profundidade. A pressão só mudaria no segmento se ele atravessasse regiões de profundidades diferentes.
Q23
Mecânica — Energia — Espingarda de Mola

A constante elástica da mola de uma espingarda é $k=1\text{ N/cm}$. Para atirar um projétil de $0{,}5\text{ g}$ com velocidade de $50\text{ m/s}$, o comprimento de compressão da mola, em cm, deverá ser:

A)$1{,}12$
B)$1{,}25$
C)$6{,}25$
D)$11{,}20$
E)$12{,}50$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Unidades. $k=1\text{ N/cm}=100\text{ N/m}$ e $m=0{,}5\text{ g}=5\times10^{-4}\text{ kg}$.

Conservação da energia. \[\frac12kx^2=\frac12mv^2\ \Rightarrow\ 100\,x^2=5\times10^{-4}\cdot2500=1{,}25\ \Rightarrow\ x^2=0{,}0125\] \[x\approx0{,}112\text{ m}\approx11{,}2\text{ cm}.\]

Cuidado, armadilha! Usar $k=1\text{ N/m}$ (sem converter) daria $x\approx1{,}1\text{ m}$, e a massa em gramas daria um valor $\sqrt{1000}$ vezes maior. As conversões decidem a alternativa.
Q24
Ondulatória — Efeito Doppler — Fonte em Trajetória Curva
Trajetória de uma fonte sonora: desce em linha reta pelo ponto 1, faz uma curva em U passando pelos pontos 2, 3 e 4 e sobe pelo ponto 5; o observador P está no cruzamento das duas retas tracejadas que passam por 1-4 e por 2-5

A figura acima apresenta uma fonte sonora que se desloca pela trajetória representada pela linha cheia, com velocidade escalar constante, emitindo um som de freqüência constante. Um observador localizado no ponto $P$ escutará o som de forma mais aguda quando a fonte passar pelo ponto:

A)$1$
B)$2$
C)$3$
D)$4$
E)$5$

Gabarito Oficial

A
Resolução

A freqüência percebida depende da componente da velocidade da fonte na direção que a liga ao observador: é mais aguda quando a fonte se aproxima, e mais grave quando se afasta.

Análise dos pontos. No ponto $1$, o trecho retilíneo vem inclinado, e a velocidade aponta diretamente para $P$ (ao longo da reta tracejada $1$-$P$): a componente de aproximação é máxima, igual a $v$. Nos pontos $2$ e $4$, a velocidade é perpendicular ou oblíqua em relação à reta que os liga a $P$, e em $3$ a velocidade é perpendicular à reta $3$-$P$ (sem aproximação nem afastamento). No ponto $5$, a velocidade aponta no sentido oposto, para longe de $P$: freqüência mais grave.

O som mais agudo ocorre quando a fonte passa pelo ponto $1$.

Cuidado, armadilha! O ponto $3$ é o mais próximo de $P$ em linha reta, mas a velocidade da fonte ali é perpendicular à direção de $P$: não há efeito Doppler. A distância não importa, mas sim a componente da velocidade ao longo da reta que liga a fonte ao observador.
Q25
Mecânica — Estática — Equilíbrio de um Nó com Três Cabos
Bloco de massa M pendurado por um cabo vertical preso ao nó de dois cabos inclinados presos ao teto: o cabo 1, que cobre 1,732 m na horizontal e 1,000 m na vertical, e o cabo 2, que cobre 1,000 m na horizontal e 1,000 m na vertical

Um bloco de massa $M=20\text{ kg}$ está pendurado por três cabos em repouso, conforme mostra a figura acima. Considerando a aceleração da gravidade igual a $10\text{ m/s}^2$, $\sqrt2\cong1{,}414$ e $\sqrt3\cong1{,}732$, os valores das forças de tração, em newtons, nos cabos $1$ e $2$ são, respectivamente:

A)$146$ e $179$
B)$179$ e $146$
C)$200$ e $146$
D)$200$ e $179$
E)$146$ e $200$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Ângulos com a vertical. Cabo $1$: $\tan\alpha=\dfrac{1{,}732}{1}\Rightarrow\alpha=60^\circ$. Cabo $2$: $\tan\beta=\dfrac11\Rightarrow\beta=45^\circ$. O cabo vertical sustenta o bloco com $Mg=200\text{ N}$, e então o nó equilibra o peso.

Equilíbrio do nó. \[\text{horizontal: }T_1\,\mathrm{sen}\,60^\circ=T_2\,\mathrm{sen}\,45^\circ\ \Rightarrow\ T_2=\frac{\sqrt3}{\sqrt2}\,T_1\] \[\text{vertical: }T_1\cos60^\circ+T_2\cos45^\circ=200\ \Rightarrow\ T_1\left(\frac12+\frac{\sqrt3}2\right)=200.\] Então \[T_1=\frac{400}{1+\sqrt3}\approx146{,}4\text{ N},\qquad T_2=\frac{\sqrt3}{\sqrt2}T_1\approx1{,}225\cdot146{,}4\approx179{,}3\text{ N}.\]

Cuidado, armadilha! O ângulo de cada cabo é medido a partir da vertical (a razão cateto horizontal/cateto vertical dá a tangente). Medi-lo a partir da horizontal troca $\mathrm{sen}$ e $\cos$ e inverte os valores das trações.
Q26
Óptica — Espelhos e Lentes — Imagens Coincidentes de um Espelho e de uma Lente

Um espelho e uma lente, ambos esféricos, encontram-se posicionados de maneira que seus eixos ópticos coincidam. Uma vela acesa é posicionada entre o espelho e a lente, perpendicularmente ao eixo óptico, com a base sobre o mesmo. Para que as imagens formadas individualmente pelos dois instrumentos, a partir do objeto, possam ser direitas e coincidentes, os tipos de espelho e de lente devem ser, respectivamente:

A)convexo e convergente.
B)convexo e divergente.
C)côncavo e convergente.
D)côncavo e divergente.
E)não existe combinação que torne as imagens coincidentes.

Gabarito Oficial

C
Resolução

Imagens direitas são virtuais. Para serem coincidentes, devem ter a mesma posição e o mesmo tamanho.
• A imagem virtual do espelho fica atrás dele.
• A imagem virtual de uma lente divergente fica entre o objeto e a lente (do mesmo lado do objeto, mais perto da lente): nunca atrás do espelho, e então não pode coincidir com a do espelho.
• A imagem virtual de uma lente convergente (objeto dentro do foco) fica mais longe que o objeto e é ampliada, e pode chegar atrás do espelho.

Tamanho. Se a imagem da lente é ampliada, a do espelho também deve ser, e só o espelho côncavo (com o objeto entre o foco e o vértice) forma imagem virtual ampliada; o convexo só dá imagens reduzidas. Logo: espelho côncavo e lente convergente.

Cuidado, armadilha! O espelho convexo forma sempre imagens virtuais direitas e reduzidas, e a lente convergente dá imagem virtual ampliada: tamanhos diferentes não podem coincidir.
Q27
Termologia — Termodinâmica — Máquina Térmica e Leis da Termodinâmica

Considere uma máquina térmica operando em um ciclo termodinâmico. Esta máquina recebe $300\text{ J}$ de uma fonte quente cuja temperatura é de $400\text{ K}$ e produz um trabalho de $150\text{ J}$. Ao mesmo tempo, rejeita $150\text{ J}$ para uma fonte fria que se encontra a $300\text{ K}$. A análise termodinâmica da máquina térmica descrita revela que o ciclo proposto é um(a):

A)máquina frigorífica na qual tanto a Primeira Lei quanto a Segunda Lei da termodinâmica são violadas.
B)máquina frigorífica na qual a Primeira Lei é atendida, mas a Segunda Lei é violada.
C)motor térmico no qual tanto a Primeira Lei quanto a Segunda Lei da termodinâmica são atendidas.
D)motor térmico no qual a Primeira Lei é violada, mas a Segunda Lei é atendida.
E)motor térmico no qual a Primeira Lei é atendida, mas a Segunda Lei é violada.

Gabarito Oficial

E
Resolução

Tipo de máquina. Ela recebe calor da fonte quente e realiza trabalho: é um motor térmico.

Primeira Lei. $Q_q=W+Q_f$: $300=150+150$. A energia se conserva, e a Primeira Lei é atendida. Segunda Lei. O rendimento da máquina é $\eta=\dfrac{150}{300}=50\%$, mas o máximo permitido entre $400\text{ K}$ e $300\text{ K}$ é o de Carnot, $\eta_C=1-\dfrac{300}{400}=25\%$. Como $\eta>\eta_C$, a Segunda Lei é violada.

Cuidado, armadilha! Conservar a energia não basta: o rendimento de qualquer motor operando entre duas temperaturas não pode superar o de Carnot. Este ciclo atende à Primeira Lei, mas é impossível pela Segunda.
Q28
Mecânica — Gravitação — Altura de Salto e Raio do Planeta

Um astronauta encontra-se em um planeta onde a altura máxima que atinge com seus pulos verticais é de $0{,}5\text{ m}$. Em um segundo planeta, a altura máxima alcançada é seis vezes maior. Supondo que os dois planetas tenham densidades uniformes $\mu$ e $2\mu/3$, respectivamente, a razão entre o raio do segundo planeta e o raio do primeiro é:

A)$\dfrac12$
B)$\dfrac13$
C)$\dfrac14$
D)$\dfrac16$
E)$\dfrac18$

Gabarito Oficial

C
Resolução

A velocidade de salto é a mesma nos dois planetas, e $h=\dfrac{v^2}{2g}$, então $h\propto\dfrac1g$. Como $h_2=6\,h_1$, $g_2=\dfrac{g_1}{6}$.

Gravidade e raio. Para um planeta de densidade uniforme, $g=\dfrac{GM}{R^2}=\dfrac43\pi G\mu R$, e então $g\propto\mu R$: \[\frac{g_2}{g_1}=\frac{\mu_2R_2}{\mu_1R_1}=\frac23\cdot\frac{R_2}{R_1}=\frac16\quad\Rightarrow\quad\frac{R_2}{R_1}=\frac14.\]

Cuidado, armadilha! A altura de salto é inversamente proporcional a $g$, e não diretamente. O planeta de salto mais alto tem gravidade menor, e portanto raio menor (a densidade também é menor).
Q29
Eletricidade — Capacitores — Capacitor com Placa sobre um Corpo Flutuante
Cubo de madeira parcialmente submerso em um líquido de densidade mi, com uma placa metálica P1 sobre a face superior; uma placa idêntica P2 está fixada em um suporte acima

A figura acima ilustra um cubo de madeira parcialmente submerso em um líquido de densidade $\mu$. Sua face superior está coberta por uma placa metálica quadrada $P_1$. Uma placa idêntica $P_2$, fixada em um suporte, forma com a primeira um capacitor de placas paralelas. As placas estão carregadas com uma carga $Q$, havendo entre elas uma capacitância $C$ e uma tensão elétrica $V$, armazenando o capacitor uma energia $E$. Se o líquido for substituído por igual quantidade de outro com densidade maior, a capacitância (I), a tensão entre as placas (II) e a energia armazenada (III).

A opção que corresponde ao preenchimento correto das lacunas (I), (II) e (III) é:

A)(I) aumenta; (II) aumenta; (III) aumenta
B)(I) aumenta; (II) diminui; (III) aumenta
C)(I) aumenta; (II) diminui; (III) diminui
D)(I) diminui; (II) aumenta; (III) aumenta
E)(I) diminui; (II) diminui; (III) diminui

Gabarito Oficial

C
Resolução

Flutuação. O empuxo iguala o peso do cubo: $\mu\,V_{imerso}\,g=P$. Com um líquido mais denso, o volume imerso diminui, e o cubo (com a placa $P_1$) sobe, aproximando-se de $P_2$.

Capacitor. A distância $d$ entre as placas diminui, e $C=\dfrac{\varepsilon A}{d}$ aumenta. A carga $Q$ não muda (as placas estão carregadas e isoladas), e então $V=\dfrac QC$ diminui e a energia $E=\dfrac{Q^2}{2C}$ também diminui. Resposta: aumenta, diminui, diminui.

Cuidado, armadilha! Com a carga constante, a energia $\dfrac{Q^2}{2C}$ diminui quando $C$ aumenta. Quem fixa a tensão (como em uma bateria ligada) obtém energia crescente, que não é o caso aqui.
Q30
Mecânica — Movimento Circular — Grandezas no Movimento Circular Uniforme

Considere um corpo que descreve um movimento circular uniforme. Pode-se afirmar que:

A)o módulo da força que age sobre o corpo é diferente de zero, o vetor quantidade de movimento não muda com o tempo, o trabalho realizado é nulo e a energia cinética é constante.
B)o módulo da força que age sobre o corpo é diferente de zero, o vetor quantidade de movimento muda com o tempo, o trabalho realizado é nulo e a energia cinética é constante.
C)o módulo da força que age sobre o corpo é nulo, o vetor quantidade de movimento não muda com o tempo, o trabalho realizado é constante e a energia cinética é constante.
D)o módulo da força que age sobre o corpo é nulo, o vetor quantidade de movimento muda com o tempo, o trabalho realizado é nulo e a energia cinética é constante.
E)o módulo da força que age sobre o corpo é diferente de zero, o vetor quantidade de movimento muda com o tempo, o trabalho realizado é diferente de zero e a energia cinética é diferente de zero.

Gabarito Oficial

B
Resolução

No movimento circular uniforme:
• a velocidade muda de direção, e há aceleração centrípeta, então a força resultante tem módulo diferente de zero;
• o vetor $\vec p=m\vec v$ muda com o tempo (muda de direção, embora o módulo se mantenha);
• a força centrípeta é perpendicular ao deslocamento, e o trabalho é nulo;
• o módulo da velocidade é constante, e a energia cinética é constante.

Essas quatro propriedades estão na alternativa B.

Cuidado, armadilha! Velocidade escalar constante não significa vetor quantidade de movimento constante: mudar de direção é mudar o vetor, e por isso a força não é nula. A alternativa A comete esse erro.
↑ Voltar ao topo