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IME 2009 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Militar de Engenharia

Concurso de Admissão 2008/2009 · Prova objetiva · Física (Q16-30) — resolução comentada Método TEF. Gabarito oficial conforme o PDF divulgado pelo IME.

Q16
Ondulatória — Propagação de Ondas — Tempo de Percurso em uma Película de Quatro Materiais
Raio atravessando uma película de quatro materiais e gráfico do comprimento de onda em função da distância percorrida: 0,2 λ0 de 0 a 5×10⁴ λ0; λ0 de 5×10⁴ a 10×10⁴ λ0; 0,8 λ0 de 10×10⁴ a 15×10⁴ λ0; 0,5 λ0 de 15×10⁴ a 20×10⁴ λ0

Um raio de luz de freqüência $5\times10^{14}\text{ Hz}$ passa por uma película composta por 4 materiais diferentes, com características em conformidade com a figura acima. O tempo gasto para o raio percorrer toda a película, em $\eta s$, é

A)$0{,}250$
B)$0{,}640$
C)$0{,}925$
D)$1{,}000$
E)$3{,}700$

Gabarito Oficial

C
Resolução

A freqüência não muda ao mudar de meio. Em cada camada a velocidade é $v=\lambda f$, e o tempo gasto nela é $t=\dfrac{d}{v}=\dfrac{d}{\lambda f}$, com $d=5\times10^{4}\lambda_0$ em cada uma das quatro camadas.

Soma dos tempos. Com $\lambda=0{,}2\lambda_0$; $\lambda_0$; $0{,}8\lambda_0$; $0{,}5\lambda_0$: \[t=\frac{5\times10^{4}}{f}\left(\frac1{0{,}2}+\frac11+\frac1{0{,}8}+\frac1{0{,}5}\right)=\frac{5\times10^{4}}{5\times10^{14}}\cdot(5+1+1{,}25+2)\] \[t=10^{-10}\cdot9{,}25=9{,}25\times10^{-10}\text{ s}=0{,}925\text{ ns}.\]

Cuidado, armadilha! Quem lê o eixo horizontal como distância em metros, ou usa o valor de $\lambda_0$ para todas as camadas, perde a informação do gráfico: o tempo de cada trecho é inversamente proporcional ao comprimento de onda naquele material.
Q17
Termologia — Dilatação Térmica — Dilatação de uma Barra e Força Elétrica
Barra metálica entre a parede P1 e o bloco B, isolante; na face direita de B está a carga Q1 e, na parede P2, a carga Q2

A figura apresenta uma barra metálica de comprimento $L=12\text{ m}$, inicialmente na temperatura de $20\ ^\circ\text{C}$, exatamente inserida entre a parede $P_1$ e o bloco $B$ feito de um material isolante térmico e elétrico. Na face direita do bloco $B$ está engastada uma carga $Q_1$ afastada $20\text{ cm}$ da carga $Q_2$, engastada na parede $P_2$. Entre as duas cargas existe uma força elétrica de $F_1$ newtons.

Substitui-se a carga $Q_2$ por uma carga $Q_3=2\,Q_2$ e aquece-se a barra até a temperatura de $270\ ^\circ\text{C}$. Devido a esse aquecimento, a barra sofre uma dilatação linear que provoca o deslocamento do bloco para a direita. Nesse instante a força elétrica entre as cargas é $F_2=32\,F_1$.

Considerando que as dimensões do bloco não sofrem alterações e que não exista qualquer força elétrica entre as cargas e a barra, o coeficiente de dilatação térmica linear da barra, em $^\circ\text{C}^{-1}$, é

A)$2{,}0\times10^{-5}$
B)$3{,}0\times10^{-5}$
C)$4{,}0\times10^{-5}$
D)$5{,}0\times10^{-5}$
E)$6{,}0\times10^{-5}$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Nova distância. Pela lei de Coulomb, $F=\dfrac{k\,Q_1Q_2}{d^2}$. Com $Q_3=2Q_2$: \[\frac{F_2}{F_1}=2\left(\frac{d_1}{d_2}\right)^2=32\quad\Rightarrow\quad\left(\frac{d_1}{d_2}\right)^2=16\quad\Rightarrow\quad d_2=\frac{d_1}4=5\text{ cm}.\]

Dilatação. O bloco avançou $20-5=15\text{ cm}=0{,}15\text{ m}$, que é a dilatação da barra: \[\Delta L=L\,\alpha\,\Delta T\quad\Rightarrow\quad0{,}15=12\cdot\alpha\cdot(270-20)=3000\,\alpha.\] \[\alpha=\frac{0{,}15}{3000}=5{,}0\times10^{-5}\ ^\circ\text{C}^{-1}.\]

Cuidado, armadilha! O deslocamento do bloco é a diferença entre as distâncias ($15\text{ cm}$), e não a distância final ($5\text{ cm}$). Usar $5\text{ cm}$ daria $\alpha=1{,}7\times10^{-5}\ ^\circ\text{C}^{-1}$, a alternativa de menor valor.
Q18
Mecânica — Hidrostática — Empuxo em um Recipiente Flutuante
Cubo de aresta L, formado por chapa, com uma peça sólida de altura h no fundo; o nível externo da água está a L/2 acima da peça sólida

Uma chapa de metal com densidade superficial de massa $\rho$ foi dobrada, formando as quatro faces laterais de um cubo de aresta $L$. Na parte inferior, fixou-se uma peça sólida em forma de paralelepípedo com dimensões $h\times L\times L$ e massa específica $\mu_P$, de maneira a compor o fundo de um recipiente. Este é colocado em uma piscina e $25\,\%$ do seu volume é preenchido com água da piscina, de massa específica $\mu_a$. Observa-se que, em equilíbrio, o nível externo da água corresponde à metade da altura do cubo, conforme ilustra a figura. Neste caso, a dimensão $h$ da peça sólida em função dos demais parâmetros é

A)$\dfrac{16\rho-L\mu_a}{4(\mu_a-\mu_P)}$
B)$\dfrac{8\rho-L\mu_a}{2(\mu_a-\mu_P)}$
C)$\dfrac{16\rho+L\mu_a}{2(\mu_a-\mu_P)}$
D)$\dfrac{8\rho+L\mu_a}{4(\mu_a-\mu_P)}$
E)$\dfrac{16\rho-L\mu_a}{2(\mu_a-\mu_P)}$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Pesos. A chapa tem quatro faces de área $L^2$, e então massa $4\rho L^2$. A peça tem massa $\mu_P\,h\,L^2$. A água dentro do recipiente ocupa $25\%$ do volume do cubo: massa $\mu_a\dfrac{L^3}{4}$.

Empuxo. O volume imerso é o da peça mais a metade inferior do cubo: $V=L^2\left(h+\dfrac L2\right)$. No equilíbrio, peso total igual ao empuxo: \[4\rho L^2+\mu_P\,hL^2+\mu_a\frac{L^3}4=\mu_a\,L^2\left(h+\frac L2\right).\]

Isolando $h$. Dividindo por $L^2$: \[4\rho+\mu_P\,h+\frac{\mu_aL}4=\mu_a\,h+\frac{\mu_aL}2\quad\Rightarrow\quad h\,(\mu_a-\mu_P)=4\rho-\frac{\mu_aL}4\] \[h=\frac{16\rho-L\mu_a}{4\,(\mu_a-\mu_P)}.\]

Cuidado, armadilha! A água que está dentro do recipiente também faz parte do peso a ser equilibrado. Esquecê-la leva a $h=\dfrac{4\rho-\mu_aL/2}{\mu_a-\mu_P}$, e a expressão deixa de coincidir com as alternativas.
Q19
Mecânica — Energia — Força de Resistência do Ar Variável com a Altura
Gráfico da força de resistência do ar F (N) em função da altura: cresce linearmente de 0, na altura de 20 m, até 12 N, na altura h, e permanece constante em 12 N até o solo

Um objeto com massa de $1\text{ kg}$ é largado de uma altura de $20\text{ m}$ e atinge o solo com velocidade de $10\text{ m/s}$. Sabe-se que a força $F$ de resistência do ar que atua sobre o objeto varia com a altura, conforme o gráfico acima. Considerando que $g=10\text{ m/s}^2$, a altura $h$, em metros, em que a força de resistência do ar passa a ser constante é

A)$4$
B)$5$
C)$6$
D)$8$
E)$10$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Trabalho do ar. Teorema trabalho-energia: $mg\,H-W_{ar}=\dfrac12mv^2$, e então \[W_{ar}=1\cdot10\cdot20-\frac12\cdot1\cdot10^2=200-50=150\text{ J}.\]

Área do gráfico. O módulo do trabalho é a área sob o gráfico: um triângulo (rampa de $0$ a $12\text{ N}$ ao longo de $20-h$ metros) mais um retângulo (patamar de $12\text{ N}$ ao longo de $h$ metros): \[W_{ar}=\frac12\cdot12\,(20-h)+12\,h=120+6h.\]

Altura. \[120+6h=150\quad\Rightarrow\quad h=5\text{ m}.\]

Cuidado, armadilha! Se a força fosse constante e igual a $12\text{ N}$ em todo o percurso, o trabalho seria $240\text{ J}$, maior que a energia disponível ($200\text{ J}$). A rampa é justamente o que reduz o trabalho para $150\text{ J}$.
Q20
Eletricidade — Capacitores — Capacitor Parcialmente Preenchido com Dielétrico
Reservatório com duas faces metálicas verticais, usadas como placas de um capacitor, ligadas por uma chave Ch a uma bateria U em série com um resistor r

Um reservatório possui duas faces metálicas que se comportam como placas de um capacitor paralelo. Ao ligar a chave $\mathbf{Ch}$, com o reservatório vazio, o capacitor fica com uma carga $Q_1$ e com uma capacitância $C_1$. Ao repetir a experiência com o reservatório totalmente cheio com um determinado líquido, a carga passa a ser $Q_2$ e a capacitância $C_2$. Se a relação $Q_1/Q_2$ é $0{,}5$, a capacitância no momento em que o líquido preenche metade do reservatório é

A)$C_1$
B)$\frac34\,C_2$
C)$C_2$
D)$\frac32\,C_2$
E)$\frac34\,C_1$

Gabarito Oficial

B
Resolução

A tensão $U$ é a mesma nas duas experiências, e $Q=CU$ dá $\dfrac{C_1}{C_2}=\dfrac{Q_1}{Q_2}=0{,}5$, isto é, $C_2=2\,C_1$.

Meio cheio. As placas são verticais. A metade inferior, com líquido, é um capacitor de área $A/2$ e capacitância $\dfrac{C_2}2$, e a metade superior, com ar, é um capacitor de área $A/2$ e capacitância $\dfrac{C_1}2$. As duas têm a mesma tensão, e estão em paralelo: \[C=\frac{C_1}2+\frac{C_2}2=\frac{C_2/2}{2}+\frac{C_2}2=\frac34\,C_2.\]

Cuidado, armadilha! Se as placas fossem horizontais (líquido formando uma camada sobre o fundo), os dois dielétricos ficariam em série, e o resultado seria outro. Aqui as faces são verticais.
Q21
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistência Equivalente de uma Rede Simétrica
Rede de resistores: três colunas, cada uma com um resistor de 2R entre o fio superior (terminal B) e um nó central, e outro de 2R entre esse nó e o fio inferior (terminal A); os nós centrais são ligados em sequência por dois resistores R

A resistência equivalente entre os terminais $A$ e $B$ da figura acima é

A)$\frac13\,R$
B)$\frac12\,R$
C)$\frac23\,R$
D)$\frac43\,R$
E)$2\,R$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Cada nó central está ligado a $B$ e a $A$ por resistores iguais, de $2R$. Aplicando uma tensão entre $A$ e $B$, os três nós ficam no mesmo potencial (o potencial intermediário, $\dfrac{V_A+V_B}{2}$), e então nenhuma corrente passa pelos dois resistores $R$ entre eles. Podem ser retirados do circuito.

Colunas. Cada coluna tem dois resistores de $2R$ em série: $4R$. As três colunas estão em paralelo entre $A$ e $B$: \[R_{eq}=\frac{4R}3.\]

Cuidado, armadilha! Os resistores $R$ ligam nós de mesmo potencial e, por isso, não alteram a resistência equivalente. Tentar somá-los em série ou paralelo com os de $2R$ levaria a uma conta muito mais longa, e a um resultado errado.
Q22
Mecânica — Estática — Reações de Apoio em Viga com Carga Móvel

Uma viga de $8{,}0\text{ m}$ de comprimento, apoiada nas extremidades, tem peso de $40\text{ kN}$. Sobre ela, desloca-se um carro de $20\text{ kN}$ de peso, cujos $2$ eixos de roda distam entre si $2{,}0\text{ m}$. No instante em que a reação vertical em um apoio é $27{,}5\text{ kN}$, um dos eixos do carro dista, em metros, do outro apoio

A)$1{,}0$
B)$1{,}5$
C)$2{,}0$
D)$2{,}5$
E)$3{,}0$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Cada eixo carrega $\dfrac{20}2=10\text{ kN}$, e o peso da viga ($40\text{ kN}$) atua no centro, a $4\text{ m}$ de cada apoio. Seja $A$ o apoio com reação $27{,}5\text{ kN}$ e $B$ o outro. Sejam $x$ e $x+2$ as distâncias dos eixos até $B$.

Torques em relação a $B$. \[R_A\cdot8=40\cdot4+10\,x+10\,(x+2)\quad\Rightarrow\quad27{,}5\cdot8=160+20x+20\quad\Rightarrow\quad220=180+20x.\] Então $x=2{,}0\text{ m}$ (o outro eixo está a $4{,}0\text{ m}$ de $B$).

Um dos eixos do carro dista $2{,}0\text{ m}$ do outro apoio ($B$).

Cuidado, armadilha! A reação conhecida vale $27{,}5\text{ kN}$ de um total de $60\text{ kN}$: menor que a metade ($30\text{ kN}$), e então o carro está mais perto do outro apoio. O resultado $x=2\text{ m}$ confere com essa intuição.
Q23
Mecânica — Energia — Gráfico da Energia Cinética em Queda e Lançamento
Bloco que se desloca para a direita sobre uma plataforma, com velocidade v constante; marcam-se os instantes 0, T1 (queda da plataforma), T2 (chegada ao solo), T3 (impulso I para cima) e T4 (volta ao solo)

Na figura dada, o bloco realiza o movimento descrito a seguir:

  • Em $t=0$, desloca-se para a direita, com velocidade constante;
  • Em $t=t_1$, cai da plataforma;
  • Em $t=t_2$, atinge o solo e continua a se mover para a direita, sem quicar;
  • Em $t=t_3$, é lançado para cima, pela ação do impulso $\vec I$;
  • Em $t=t_4$, volta a atingir o solo.

Nestas condições, a opção que melhor representa graficamente a energia cinética do bloco em função do tempo é

A)
Gráfico Ec(t): patamar até T1, queda suave até um valor menor em T2, patamar baixo até T3, salto e decaimento até T4
B)
Gráfico Ec(t): patamar até T1, decaimento até T2, patamar baixo até T3, salto e decaimento até T4
C)
Gráfico Ec(t): patamar baixo até T1, crescimento até T2, queda brusca ao nível inicial, patamar até T3, salto, vale e novo pico em T4
D)
Gráfico Ec(t): patamar alto até T1, decaimento até T2, patamar até T3, salto, vale e pico em T4
E)
Gráfico Ec(t): patamar baixo até T1, crescimento até T2, patamar alto até T3, salto, vale e pico em T4

Gabarito Oficial

C
Resolução

De $0$ a $t_1$. Velocidade constante: energia cinética constante em $E_0=\tfrac12mv^2$. De $t_1$ a $t_2$. Na queda, a velocidade horizontal se mantém e a vertical cresce, e a energia cinética cresce (curva crescente e com concavidade para cima, como $E_0+\tfrac12m(gt)^2$).

Em $t_2$. O bloco atinge o solo e continua a se mover para a direita, sem quicar: a componente vertical é anulada de modo instantâneo, e fica só a horizontal, $v$. A energia cinética cai bruscamente de volta a $E_0$, e não a zero. De $t_2$ a $t_3$. Patamar em $E_0$.

Em $t_3$. O impulso vertical acrescenta velocidade vertical, e a energia cinética dá um salto. De $t_3$ a $t_4$. Na subida a energia cinética diminui até o ponto mais alto, onde só resta a componente horizontal ($E_0$, o vale) e depois aumenta na descida, até voltar ao valor do lançamento em $t_4$.

O gráfico que reúne esses trechos (patamar, subida curva, queda brusca ao nível inicial, patamar, salto, vale e pico final) é o da alternativa C.

Cuidado, armadilha! Os gráficos A, B e D mostram a energia diminuindo na queda, o que contraria a conservação da energia mecânica (a energia cinética aumenta quando o bloco cai). E o vale do lançamento toca o nível $E_0$, e não zero, pois a velocidade horizontal se mantém.
Q24
Óptica — Espelhos Esféricos — Objeto em MHS e Aumento do Espelho
Carrinho de massa m, com um objeto PP', preso a uma mola de constante k fixada ao centro do espelho côncavo de raio R; x é a distância entre o carrinho e o foco F; C é o centro de curvatura

Considere o sistema acima, onde um objeto $PP'$ é colocado sobre um carrinho de massa $m$ que se move, em movimento harmônico simples e sem atrito, ao longo do eixo óptico de um espelho esférico côncavo de raio de curvatura $R$. Este carrinho está preso a uma mola de constante $k$ fixada ao centro do espelho, ficando a mola relaxada quando o objeto passa pelo foco do espelho. Sendo $x$ a distância entre o centro do carrinho e o foco $F$, as expressões da freqüência $w$ de inversão entre imagem real e virtual e do aumento $M$ do objeto são

A)$w=\sqrt{\dfrac km}\ \ \text{e}\ \ M=-\dfrac{R}{2x}$
B)$w=\sqrt{\dfrac mk}\ \ \text{e}\ \ M=-\dfrac{R\,(R+2x)}{4x\left(\dfrac R2+x\right)}$
C)$w=\sqrt{\dfrac km}\ \ \text{e}\ \ M=\dfrac{R\,(R+x)}{4x\left(\dfrac R2+x\right)}$
D)$w=\sqrt{\dfrac kR}\ \ \text{e}\ \ M=-\dfrac{2x}{R}$
E)$w=\sqrt{\dfrac km}\ \ \text{e}\ \ M=-\dfrac{R+2x}{4x\left(\dfrac R2-x\right)}$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Freqüência. A mola está relaxada quando o objeto passa pelo foco, e então o foco é o ponto de equilíbrio do movimento harmônico simples, cuja freqüência angular é $w=\sqrt{\dfrac km}$. É nessa passagem pelo foco que a imagem inverte entre real e virtual (a imagem vai ao infinito), e a inversão acompanha a freqüência do MHS.

Aumento. Com $f=\dfrac R2$ e o objeto a $p=f+x$ do espelho (a $x$ do foco), a equação de Gauss dá $\dfrac1q=\dfrac1f-\dfrac1p=\dfrac{p-f}{pf}$, e então $q=\dfrac{pf}{p-f}$. O aumento é \[M=-\frac qp=-\frac f{p-f}=-\frac{R/2}{x}=-\frac{R}{2x}.\]

Cuidado, armadilha! A distância do objeto ao espelho é $f+x$, mas o aumento depende só de $p-f=x$, a distância ao foco. Usar $p$ no denominador, no lugar de $p-f$, leva às expressões complicadas das outras alternativas.
Q25
Eletromagnetismo — Força Magnética — Elétrons em Campos Elétrico e Magnético
Feixe de elétrons passa por uma abertura em duas placas paralelas, com diferença de potencial V entre elas, e penetra em uma região de campo magnético perpendicular ao plano da figura

Um feixe de elétrons passa por um equipamento composto por duas placas paralelas, com uma abertura na direção do feixe, e penetra em uma região onde existe um campo magnético constante. Entre as placas existe uma d.d.p. igual a $V$ e o campo magnético é perpendicular ao plano da figura.

Considere as seguintes afirmativas:

I. O vetor quantidade de movimento varia em toda a trajetória.

II. Tanto o trabalho da força elétrica quanto o da força magnética fazem a energia cinética variar.

III. A energia potencial diminui quando os elétrons passam na região entre as placas.

IV. O vetor força elétrica na região entre as placas e o vetor força magnética na região onde existe o campo magnético são constantes.

As afirmativas corretas são apenas:

A)I e II
B)I e III
C)II e III
D)I, II e IV
E)II, III e IV

Gabarito Oficial

B
Resolução

I (correta). Entre as placas a força elétrica acelera os elétrons (muda o módulo), e no campo magnético a força magnética curva a trajetória (muda a direção). Em todo o percurso a quantidade de movimento varia.

II (falsa). A força magnética é perpendicular à velocidade, e o seu trabalho é nulo: ela não altera a energia cinética. Só o trabalho da força elétrica a altera. III (correta). Os elétrons (carga negativa) se movem para o potencial maior, e sua energia potencial elétrica $U=qV$ diminui, convertida em energia cinética.

IV (falsa). A força elétrica entre as placas é constante, mas a força magnética tem módulo constante e direção variável (aponta sempre para o centro da trajetória circular): não é um vetor constante. Estão corretas I e III.

Cuidado, armadilha! Força de módulo constante não é força constante: a força magnética gira junto com a velocidade. Essa distinção derruba a afirmativa IV.
Q26
Mecânica — Quantidade de Movimento — Colisão Bidimensional a partir de Gráficos
Gráficos das componentes Px e Py da quantidade de movimento das partículas A e B em função do tempo: Px de A vai de 4 a 1 kg.m/s e Px de B vai de 0 a 3 kg.m/s; Py de A vai de 0 a 2 e Py de B vai de 0 a -2 kg.m/s

Duas partículas $A$ e $B$ de massas $m_A=0{,}1\text{ kg}$ e $m_B=0{,}2\text{ kg}$ sofrem colisão não frontal. As componentes $x$ e $y$ do vetor quantidade de movimento em função do tempo são apresentadas nos gráficos acima.

Considere as seguintes afirmativas:

I. A energia cinética total é conservada.

II. A quantidade de movimento total é conservada.

III. O impulso correspondente à partícula B é $2\vec i+4\vec j$.

IV. O impulso correspondente à partícula A é $-3\vec i+2\vec j$.

As afirmativas corretas são apenas:

A)I e II
B)I e III
C)II e III
D)II e IV
E)III e IV

Gabarito Oficial

D
Resolução

Leitura dos gráficos (em $\text{kg.m/s}$).
• $A$: antes $\vec p_A=(4,\,0)$; depois $(1,\,2)$.
• $B$: antes $\vec p_B=(0,\,0)$; depois $(3,\,-2)$.

II (correta). Total antes: $(4,0)$; depois: $(1+3,\ 2-2)=(4,0)$. A quantidade de movimento total se conserva. I (falsa). Com $E_c=\dfrac{p^2}{2m}$: antes, $\dfrac{16}{0{,}2}=80\text{ J}$; depois, $\dfrac{1^2+2^2}{0{,}2}+\dfrac{3^2+2^2}{0{,}4}=25+32{,}5=57{,}5\text{ J}$. A energia cinética não se conserva.

Impulsos (variação do vetor quantidade de movimento). \[\vec I_A=(1-4,\ 2-0)=-3\vec i+2\vec j\quad\text{(IV correta)},\qquad\vec I_B=(3-0,\ -2-0)=3\vec i-2\vec j\quad\text{(III falsa)}.\] Estão corretas II e IV.

Cuidado, armadilha! A afirmativa III troca o vetor do impulso de $B$ por um que não é nem a variação das componentes: $\vec I_B=-\vec I_A$, pela terceira lei de Newton, e vale $3\vec i-2\vec j$.
Q27
Ondulatória — Ondas Mecânicas — Reflexão de Pulsos em uma Estaca
Estaca de comprimento L cravada no solo; uma marreta golpeia o topo

Uma estaca de comprimento $L$ de um determinado material homogêneo foi cravada no solo. Suspeita-se que no processo de cravação a estaca tenha sido danificada, sofrendo possivelmente uma fissura abrangendo toda sua seção transversal conforme ilustra a figura acima. Para tirar a dúvida, foi realizada uma percussão em seu topo com uma marreta. Após $t_1$ segundos da percussão, observou-se um repique (pulso) no topo da estaca e, $t_2$ segundos após o primeiro repique, percebeu-se um segundo e último repique de intensidade significativa (também no topo da estaca), sendo $t_1\neq t_2$.

Admitindo-se que a estaca esteja danificada em um único ponto, a distância do topo da estaca em que se encontra a fissura é

A)$\dfrac{L\,t_1}{t_2}$
B)$\dfrac{L\,t_1}{3t_2}$
C)$\dfrac{L\,t_1}{t_1+t_2}$
D)$\dfrac{L\,t_2}{t_1+t_2}$
E)$\dfrac{L\,t_2}{2t_1}$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Seja $v$ a velocidade do pulso e $d$ a profundidade da fissura.
• Primeiro eco (refletido na fissura): $t_1=\dfrac{2d}{v}$.
• Segundo eco (refletido na ponta da estaca, depois de atravessar a fissura): chega $t_2$ depois do primeiro, isto é, em $t_1+t_2$ após a percussão, e então $t_1+t_2=\dfrac{2L}{v}$.

Distância. Dividindo as duas relações: \[\frac{t_1}{t_1+t_2}=\frac dL\quad\Rightarrow\quad d=\frac{L\,t_1}{t_1+t_2}.\]

Cuidado, armadilha! O intervalo $t_2$ é medido a partir do primeiro eco, e não da percussão. O tempo de ida e volta até a ponta da estaca é $t_1+t_2$, e não $t_2$.
Q28
Mecânica — Análise Dimensional — Unidade da Constante de Condução de Calor

Ao analisar um fenômeno térmico em uma chapa de aço, um pesquisador constata que o calor transferido por unidade de tempo é diretamente proporcional à área da chapa e à diferença de temperatura entre as superfícies da chapa. Por outro lado, o pesquisador verifica que o calor transferido por unidade de tempo diminui conforme a espessura da chapa aumenta. Uma possível unidade da constante de proporcionalidade associada a este fenômeno no sistema SI é

A)$\text{kg.m.s}^{-3}.\text{K}^{-1}$
B)$\text{kg.m}^{2}.\text{s.K}$
C)$\text{m.s.K}^{-1}$
D)$\text{m}^{2}.\text{s}^{-3}.\text{K}$
E)$\text{kg.m.s}^{-1}.\text{K}^{-1}$

Gabarito Oficial

A
Resolução

O fluxo de calor por unidade de tempo é $\dfrac QT=k\,\dfrac{A\,\Delta\theta}{e}$ (cresce com a área e com $\Delta\theta$, e diminui com a espessura $e$). Então \[k=\frac{Q/T\cdot e}{A\,\Delta\theta}.\]

Unidade. A potência $Q/T$ é $\text{W}=\text{kg.m}^2.\text{s}^{-3}$. Logo \[[k]=\frac{\text{kg.m}^2.\text{s}^{-3}\cdot\text{m}}{\text{m}^2\cdot\text{K}}=\text{kg.m.s}^{-3}.\text{K}^{-1}\quad(=\text{W/(m.K)}).\]

Cuidado, armadilha! A espessura $e$ está no denominador da lei, e então passa multiplicando ao isolar $k$. Trocar isso leva a $\text{kg.m}^3.\text{s}^{-3}.\text{K}^{-1}$ ou a unidades sem sentido físico.
Q29
Mecânica — Gravitação — Massas da Estrela e do Planeta

Um planeta de massa $m$ e raio $r$ gravita ao redor de uma estrela de massa $M$ em uma órbita circular de raio $R$ e período $T$. Um pêndulo simples de comprimento $L$ apresenta, sobre a superfície do planeta, um período de oscilação $t$.

Dado que a constante de gravitação universal é $G$ e que a aceleração da gravidade, na superfície do planeta, é $g$, as massas da estrela e do planeta são, respectivamente:

A)$\dfrac{4\pi^2r^2R}{T^2G}$ e $\dfrac{4\pi^2Lr^2}{t^2G}$
B)$\dfrac{4\pi^2R^3}{T^2G}$ e $\dfrac{4\pi^2L^2r}{t^2G}$
C)$\dfrac{4\pi^2R^3}{T^2G}$ e $\dfrac{4\pi^2Lr^2}{t^2G}$
D)$\dfrac{4\pi^2rR^2}{T^2G}$ e $\dfrac{4\pi^2L^3}{t^2G}$
E)$\dfrac{4\pi^2rR^2}{T^2G}$ e $\dfrac{4\pi^2L^2r}{t^2G}$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Massa da estrela. A atração da estrela é a força centrípeta do planeta: \[\frac{GMm}{R^2}=m\,\frac{4\pi^2}{T^2}\,R\quad\Rightarrow\quad M=\frac{4\pi^2R^3}{T^2G}.\]

Massa do planeta. O período do pêndulo é $t=2\pi\sqrt{\dfrac Lg}$, e então $g=\dfrac{4\pi^2L}{t^2}$. Na superfície, $g=\dfrac{Gm}{r^2}$: \[m=\frac{g\,r^2}{G}=\frac{4\pi^2L\,r^2}{t^2G}.\]

Cuidado, armadilha! Na órbita usa-se o raio da órbita $R$ (e a massa da estrela), e na superfície, o raio do planeta $r$ (e a massa do planeta). Trocar $R$ por $r$ ou $r$ por $R$ leva às demais alternativas.
Q30
Óptica — Lentes — Imagem em uma Lente Divergente

Um corpo está a $40\text{ cm}$ de distância de uma lente cuja distância focal é $-10\text{ cm}$. A imagem deste corpo é

A)real e reduzida.
B)real e aumentada.
C)virtual e reduzida.
D)virtual e aumentada.
E)real e invertida.

Gabarito Oficial

C
Resolução

A distância focal é negativa (lente divergente): $f=-10\text{ cm}$, com $p=40\text{ cm}$. Pela equação de Gauss, \[\frac1q=\frac1f-\frac1p=-\frac1{10}-\frac1{40}=-\frac5{40}\quad\Rightarrow\quad q=-8\text{ cm}.\]

Natureza da imagem. $q<0$ significa imagem virtual, e o aumento é $A=-\dfrac qp=\dfrac8{40}=0{,}2$, positivo e menor que $1$: imagem direita e reduzida. Resposta: virtual e reduzida.

Cuidado, armadilha! Uma lente divergente forma, de um objeto real, sempre uma imagem virtual, direita e reduzida, qualquer que seja a posição do objeto. A conta com os sinais confirma, e evita escolher 'real'.
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