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IME 2019 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Militar de Engenharia

Concurso de Admissão 2018/2019 · Prova objetiva · Física (Q16-30) — resolução comentada Método TEF. Gabarito oficial conforme o PDF divulgado pelo IME.

Q16
Ondulatória — Acústica — Tubos Sonoros
Figura 1: sequência de espiras de uma mola representando regiões de compressão e de expansão de uma onda sonora
Figura 2: tubo com uma extremidade fechada e outra aberta, com onda estacionária de nós e ventres e cinco trechos de lambda sobre quatro

Considerando as Figuras 1 e 2 acima e, com relação às ondas sonoras em tubos, avalie as afirmações a seguir:

Afirmação I. as ondas sonoras são ondas mecânicas, longitudinais, que necessitam de um meio material para se propagarem, como representado na Figura 1.

Afirmação II. uma onda sonora propagando-se em um tubo sonoro movimenta as partículas do ar no seu interior na direção transversal, como representado na Figura 2.

Afirmação III. os tubos sonoros com uma extremidade fechada, como representado na Figura 2, podem estabelecer todos os harmônicos da frequência fundamental.

É correto o que se afirma em:

A)I, apenas.
B)II, apenas.
C)I e II, apenas.
D)II e III apenas.
E)I e III, apenas.

Gabarito Oficial

A
Resolução

A questão pede o julgamento de três afirmações sobre o som em tubos. Vamos analisá-las uma a uma, ligando cada uma ao que as figuras realmente mostram.

Afirmação I (correta). O som é uma onda mecânica, porque precisa de um meio material para se propagar, e é longitudinal, porque as partículas do meio oscilam na mesma direção em que a onda avança. A Figura 1 mostra exatamente isso: regiões de compressão e de expansão (rarefação) alternadas ao longo da direção de propagação.

Afirmação II (falsa). Dentro do tubo, as partículas de ar vibram na direção do eixo do tubo, isto é, longitudinalmente. As curvas desenhadas na Figura 2 não indicam um deslocamento transversal: são apenas uma representação gráfica da amplitude de deslocamento ao longo do tubo, com seus nós e ventres.

Afirmação III (falsa). Na Figura 2 há uma extremidade fechada, onde se forma um nó de deslocamento, e uma extremidade aberta, onde se forma um ventre. Esse arranjo só comporta um número ímpar de quartos de onda: \[L=(2n-1)\frac{\lambda}{4}\qquad\Rightarrow\qquad f_n=(2n-1)\frac{v}{4L},\qquad n=1,2,3,\dots\] Portanto, aparecem apenas os harmônicos ímpares da frequência fundamental (1º, 3º, 5º, …). A própria figura, com $L=5\lambda/4$, mostra o 5º harmônico, e não um harmônico par.

Assim, somente a afirmação I é correta.

Cuidado, armadilha! Os harmônicos pares e ímpares aparecem juntos nos tubos abertos nas duas extremidades e nas cordas presas nas duas pontas. Nos tubos fechados em uma extremidade, os harmônicos pares não existem.
Q17
Óptica — Lentes — Lente Divergente e Feixe Cônico
Lanterna inclinada de 45 graus em relação à horizontal, com lente na extremidade, projetando um feixe cônico sobre um anteparo vertical; o foco F está a 1 m do anteparo na horizontal

Uma lanterna cilíndrica muito potente possui uma lente divergente em sua extremidade. Ela projeta uma luz sobre um anteparo vertical. O eixo central da lanterna e o eixo principal da lente estão alinhados e formam um ângulo de $45^\circ$ com a horizontal. A lâmpada da lanterna gera raios de luz paralelos, que encontram a lente divergente, formando um feixe cônico de luz na sua saída. O centro óptico da lente $O$ está, aproximadamente, alinhado com as bordas frontais da lanterna. A distância horizontal entre o foco $F$ da lente e o anteparo é de $1\text{ m}$. Sabendo disto, pode-se observar que o contorno da luz projetada pela lanterna no anteparo forma uma seção plana cônica. Diante do exposto, o comprimento do semieixo maior do contorno dessa seção, em metros, é:

Dados:

  • a lente é do tipo plano-côncava;
  • a face côncava está na parte mais externa da lanterna;
  • diâmetro da lanterna: $d=10\text{ cm}$;
  • índice de refração do meio externo (ar): $1$;
  • índice de refração da lente: $1{,}5$;
  • raio de curvatura da face côncava: $2{,}5\sqrt3\text{ cm}$.
A)$3\sqrt2$
B)$(\sqrt3-1)$
C)$(\sqrt3+1)$
D)$\sqrt3$
E)$2\sqrt3$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Os raios paralelos atravessam a face plana sem desvio e saem pela face côncava, onde divergem. Os raios emergentes parecem partir do foco virtual $F$ da lente, de modo que o feixe é um cone com vértice em $F$. Falta descobrir a abertura desse cone.

Pela equação dos fabricantes de lentes, com a face plana ($R\to\infty$) e a face côncava de raio $R=2{,}5\sqrt3\text{ cm}$, o módulo da distância focal é \[|f|=\frac{R}{n-1}=\frac{2{,}5\sqrt3}{0{,}5}=5\sqrt3\text{ cm}.\] O raio mais afastado do eixo atinge a lente à distância $d/2=5\text{ cm}$ do centro óptico. Como o cone parte de $F$, seu semiângulo $\theta$ satisfaz \[\tan\theta=\frac{d/2}{|f|}=\frac{5}{5\sqrt3}=\frac{1}{\sqrt3}\qquad\Rightarrow\qquad\theta=30^\circ.\]

Agora a geometria. O eixo do cone forma $45^\circ$ com a horizontal, e o anteparo é vertical, a $1\text{ m}$ de $F$ na horizontal. No plano de simetria da figura, os raios das bordas do cone formam com a horizontal $45^\circ+30^\circ=75^\circ$ e $45^\circ-30^\circ=15^\circ$. Eles atingem o anteparo nas alturas (medidas a partir do nível de $F$) \[y_1=1\cdot\tan75^\circ=2+\sqrt3\text{ m}\qquad\text{e}\qquad y_2=1\cdot\tan15^\circ=2-\sqrt3\text{ m}.\]

O contorno é uma elipse, porque o plano do anteparo forma com o eixo do cone um ângulo de $45^\circ$, maior que o semiângulo de $30^\circ$. O segmento que une os dois pontos acima está no plano de simetria e é o eixo maior da elipse: \[2a=y_1-y_2=2\sqrt3\text{ m}\qquad\Rightarrow\qquad a=\sqrt3\text{ m}.\]

Cuidado, armadilha! O raio-borda sai a $d/2=5\text{ cm}$ do eixo, e não a $d=10\text{ cm}$. Além disso, o enunciado pede o semieixo: os $2\sqrt3\text{ m}$ encontrados são o eixo maior inteiro e precisam ser divididos por dois.
Q18
Mecânica — Estática — Talha, Empuxo e Força Elétrica
Sistema de roldanas: à esquerda, um corpo parcialmente imerso em líquido, preso a uma mola no fundo e a uma associação de roldanas; à direita, uma carga entre placas paralelas, presa a uma roldana móvel

Um corpo encontra-se com $\dfrac23$ de seu volume submerso. Uma de suas extremidades está presa por uma corda a um conjunto de roldanas que suspende uma carga puntiforme submetida a um campo elétrico uniforme. A outra extremidade está presa a uma mola distendida que está fixa no fundo do recipiente. Este sistema se encontra em equilíbrio e sua configuração é mostrada na figura acima. Desprezando os efeitos de borda no campo elétrico, a deformação da mola na condição de equilíbrio é:

Dados:

  • a corda e as roldanas são ideais;
  • aceleração da gravidade: $g$;
  • massa específica do fluido: $\rho$;
  • massa específica do corpo: $2\rho$;
  • constante elástica da mola: $k$;
  • volume do corpo: $V$;
  • intensidade do campo elétrico uniforme: $E$;
  • massa da carga elétrica: $m$; e
  • carga elétrica: $+q$.
A)$\dfrac gk\left(\dfrac m2-\dfrac{4\rho V}{3}\right)+\dfrac{qE}{2k}$
B)$\dfrac gk\left(\dfrac{3m}{2}-\dfrac{4\rho V}{3}\right)+\dfrac{3qE}{2k}$
C)$\dfrac{g}{3k}(m-4\rho v+qE)+\dfrac{qE}{k}$
D)$\dfrac gk\left(\dfrac{mg}{2}-\dfrac{4\rho V}{3}\right)+\dfrac{qE}{2k}$
E)$\dfrac{mg}{k}\left(\dfrac{qE}{d}-\dfrac{2\rho V}{3}\right)$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Há três partes ligadas pela mesma corda: o corpo parcialmente imerso, o conjunto de roldanas da esquerda e a carga no campo elétrico, à direita. Como a corda e as roldanas são ideais (sem massa e sem atrito), a tração $T$ é a mesma em toda a corda. Vamos partir da carga e chegar até a mola.

Carga. Sobre a carga atuam o peso $mg$ e a força elétrica $qE$, ambos para baixo (carga positiva em campo para baixo). Ela está presa a uma roldana móvel sustentada por dois trechos de corda: \[2T=mg+qE\qquad\Rightarrow\qquad T=\frac{mg+qE}{2}.\]

Roldanas da esquerda. A roldana móvel presa ao corpo é puxada para cima por três trechos de corda: dois que sobem das laterais da própria roldana e um terceiro, preso ao seu eixo, que sobe até a roldana fixa menor. Cada trecho tem tração $T$, logo a corda aplica no corpo uma força total $3T$ para cima.

Equilíbrio do corpo. Para cima atuam $3T$ e o empuxo, $\rho g\cdot\tfrac23V=\tfrac23\rho Vg$. Para baixo atuam o peso, $(2\rho)Vg$, e a força da mola distendida, $kx$, que o puxa para o fundo. Então \[3T+\frac23\rho Vg=2\rho Vg+kx\qquad\Rightarrow\qquad kx=3T-\frac43\rho Vg.\]

Substituindo $T$: \[kx=\frac32(mg+qE)-\frac43\rho Vg\qquad\Rightarrow\qquad x=\frac gk\left(\frac{3m}{2}-\frac{4\rho V}{3}\right)+\frac{3qE}{2k}.\]

Cuidado, armadilha! A mola está distendida, de modo que puxa o corpo para baixo; se estivesse comprimida, o sinal do termo $kx$ seria o oposto. Outro erro comum é contar só dois trechos de corda na roldana móvel da esquerda, esquecendo o que está preso ao eixo.
Q19
Mecânica — Cinemática — Movimento Circular Variado
Partícula sobre um trilho circular; o ângulo theta é medido a partir do eixo horizontal que passa pelo centro do círculo

Uma partícula desloca-se solidária a um trilho circular com $0{,}5\text{ m}$ de raio. Sabe-se que o ângulo $\theta$, indicado na figura, segue a equação $\theta=t^2$, onde $t$ é o tempo em segundos e $\theta$ é o ângulo em radianos. O módulo do vetor aceleração da partícula, em $t=1\text{ s}$, é:

A)$\sqrt5$
B)$\sqrt2$
C)$1$
D)$2\sqrt5$
E)$2$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Comparamos $\theta=t^2$ com a função horária angular do movimento circular uniformemente variado, $\theta=\theta_0+\omega_0t+\dfrac{\alpha t^2}{2}$. Vemos que $\theta_0=0$, $\omega_0=0$ e $\dfrac{\alpha}{2}=1$, isto é, a aceleração angular é constante e vale $\alpha=2\text{ rad/s}^2$. A velocidade angular é $\omega=\alpha t$ e, em $t=1\text{ s}$, resulta $\omega=2\text{ rad/s}$.

A aceleração da partícula tem duas componentes perpendiculares entre si: a tangencial, que altera o módulo da velocidade, e a centrípeta, que altera sua direção. \[a_t=\alpha R=2\cdot0{,}5=1\text{ m/s}^2\qquad\text{e}\qquad a_c=\omega^2R=2^2\cdot0{,}5=2\text{ m/s}^2.\]

Como são perpendiculares, o módulo da aceleração é \[a=\sqrt{a_t^2+a_c^2}=\sqrt{1^2+2^2}=\sqrt5\text{ m/s}^2.\]

Cuidado, armadilha! No movimento circular acelerado, calcular somente a aceleração centrípeta não basta: a componente tangencial também existe, pois $\omega$ varia com o tempo. Parar em $a_c=2\text{ m/s}^2$ leva à alternativa errada.
Q20
Óptica — Refração — Reflexão Total
Três meios transparentes empilhados, n1 em cima, n2 no meio e n3 embaixo; um raio sobe de n3 para n2, é refletido na fronteira com n1 e volta a n3

A figura acima mostra três meios transparentes, de índices de refração $n_1$, $n_2$ e $n_3$, e o percurso de um raio luminoso. Observando a figura, é possível concluir que:

A)$n_2<n_3<n_1$
B)$n_1<n_2<n_3$
C)$n_3<n_1<n_2$
D)$n_1<n_3<n_2$
E)$n_2<n_1<n_3$

Gabarito Oficial

D
Resolução

O raio vem do meio 3, entra no meio 2, chega à fronteira com o meio 1 mas não passa: volta ao meio 2 e retorna ao meio 3. Cada um desses comportamentos fornece uma desigualdade entre os índices de refração.

Entre 3 e 2. Ao passar de 3 para 2, o raio fica mais próximo da normal (que é vertical, perpendicular às fronteiras): o ângulo com a normal diminui, $\theta_2<\theta_3$. Pela lei de Snell, $n_3\sin\theta_3=n_2\sin\theta_2$, e portanto $n_2>n_3$.

Entre 2 e 1. Na fronteira com o meio 1, o raio sofre reflexão total. Isso só pode ocorrer quando a luz tenta passar de um meio mais refringente para um menos refringente, logo $n_2>n_1$, e o ângulo de incidência supera o ângulo limite: \[n_2\sin\theta_2\ge n_1.\]

Comparando 3 e 1. Da lei de Snell entre 3 e 2, $n_2\sin\theta_2=n_3\sin\theta_3$. Levando isso à condição de reflexão total, \[n_1\le n_3\sin\theta_3<n_3,\] pois $\sin\theta_3<1$. Reunindo tudo, $n_1<n_3<n_2$.

Cuidado, armadilha! A reflexão total mostra que $n_2>n_1$, mas por si só não compara $n_1$ com $n_3$. É a combinação com a lei de Snell, $n_2\sin\theta_2=n_3\sin\theta_3$, que mostra $n_1<n_3$.
Q21
Eletromagnetismo — Força Magnética — Colisão e Trajetória Circular
Figura 1: a partícula A, de carga +Q, massa 2m e velocidade v, move-se para a direita; a partícula B, de carga +Q, massa m e velocidade 2v, move-se para cima, tangenciando a borda esquerda da região de campo magnético
Figura 2: sistema de eixos, com X para a direita, Y para cima e Z saindo do plano da figura

Duas partículas A e B, ambas com carga positiva $+Q$ e massas $2m$ e $m$, respectivamente, viajam, em velocidades constantes $v$ e $2v$ e nas direções e sentidos mostrados na Figura 1, até se chocarem e ficarem grudadas no instante em que penetram numa região sujeita a um campo magnético constante $(0,0,B)$, sendo $B$ uma constante positiva. O comprimento da trajetória percorrida pelo conjunto A+B dentro da região sujeita ao campo magnético é:

Observações:

  • despreze o efeito gravitacional;
  • antes do choque, a partícula B viaja tangenciando a região sujeita ao campo magnético;
  • o sistema de eixo adotado é o mostrado na Figura 2; e
  • despreze a interação elétrica entre as partículas A e B.
A)$\dfrac{3\sqrt2\,\pi mv}{2QB}$
B)$\dfrac{\sqrt2\,\pi mv}{QB}$
C)$\dfrac{3\sqrt2\,\pi mv}{QB}$
D)$\dfrac{3\pi mv}{2QB}$
E)$\dfrac{\sqrt2\,\pi mv}{2QB}$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Colisão. A quantidade de movimento total se conserva. Com A ($2m$, velocidade $v$ no sentido $+x$) e B ($m$, velocidade $2v$ no sentido $+y$): \[\vec p=2mv\,\hat x+2mv\,\hat y.\] Grudadas, as partículas formam um conjunto de massa $M=3m$ e carga $q=2Q$, cuja velocidade tem módulo \[V=\frac{|\vec p|}{M}=\frac{2\sqrt2\,mv}{3m}=\frac{2\sqrt2}{3}\,v\] e direção a $45^\circ$ com o eixo $x$.

Raio da trajetória. Dentro do campo, a força magnética faz o papel de resultante centrípeta: \[r=\frac{MV}{qB}=\frac{3m\cdot\frac{2\sqrt2}{3}v}{2QB}=\frac{\sqrt2\,mv}{QB}.\]

Ângulo percorrido. Com $\vec B$ no sentido $+z$ e velocidade $(1,1)/\sqrt2$, a força $q\vec V\times\vec B$ aponta no sentido $(1,-1)$, para a direita e para baixo; a trajetória gira no sentido horário e o centro da circunferência fica no interior da região, a uma distância $r/\sqrt2$ da borda. Como a colisão ocorre na própria borda, a circunferência a corta em dois pontos, e a parte que fica fora da região subtende um ângulo de $2\cdot45^\circ=90^\circ$. Logo, dentro do campo (supondo a região larga o bastante) o conjunto percorre $270^\circ=\dfrac{3\pi}{2}$ rad.

Comprimento. \[s=\frac{3\pi}{2}\,r=\frac{3\pi}{2}\cdot\frac{\sqrt2\,mv}{QB}=\frac{3\sqrt2\,\pi mv}{2QB}.\]

Cuidado, armadilha! O arco dentro do campo é de $270^\circ$, e não de $90^\circ$ ou $180^\circ$, porque a velocidade entra a $45^\circ$ da fronteira e a trajetória se curva para dentro da região. Além disso, após a colisão a massa é $3m$ e a carga é $2Q$ (e não $Q$), o que altera o raio.
Q22
Eletricidade — Eletrodinâmica — Energia Dissipada em Resistores
Plano inclinado condutor de A até B, com sensores nos pontos 1, 2, 3 e 4 que fecham as chaves Ch1 a Ch4 de quatro resistores em paralelo ligados a uma bateria E; as distâncias ao longo do plano são 10, 6,9, 5,6, 6,4 e 7,2 metros

A figura mostra um circuito montado sob um plano inclinado feito de material condutor ideal, sem atrito de ângulo $\alpha$ com a horizontal. Um corpo é liberado do ponto A e, à medida que passa pelos sensores localizados nos pontos 1, 2, 3 e 4, as chaves Ch1, Ch2, Ch3 e Ch4 são fechadas instantaneamente. Diante do exposto, a energia elétrica dissipada durante a descida do corpo até o ponto B, em joules, é:

Dados:

  • $R_1=10\text{ }\Omega$;
  • $R_2=10\text{ }\Omega$;
  • $R_3=5\text{ }\Omega$;
  • $R_4=2{,}5\text{ }\Omega$;
  • $E=10\text{ V}$;
  • $\alpha=30^\circ$; e
  • $g=10\text{ m/s}^2$.
A)$6$
B)$16$
C)$32$
D)$62$
E)$120$

Gabarito Oficial

D
Resolução

A potência dissipada depende de quais chaves estão fechadas, e elas só se fecham quando o corpo passa pelos sensores. Precisamos, então, dos instantes de passagem, o que exige estudar o movimento do corpo no plano inclinado sem atrito.

Movimento. Partindo do repouso em A, o corpo desce com aceleração constante \[a=g\sin\alpha=10\cdot\sin30^\circ=5\text{ m/s}^2.\] As distâncias percorridas desde A até os sensores 1, 2, 3, 4 e até B são $10$, $16{,}9$, $22{,}5$, $28{,}9$ e $36{,}1\text{ m}$. Como $s=\dfrac a2\,t^2$, temos $t=\sqrt{s/2{,}5}$, ou seja, \[t_1=2{,}0\text{ s},\quad t_2=2{,}6\text{ s},\quad t_3=3{,}0\text{ s},\quad t_4=3{,}4\text{ s},\quad t_B=3{,}8\text{ s}.\]

Circuito. Considerando a bateria ideal, a potência é $P=E^2/R_{eq}$, onde $R_{eq}$ é a associação em paralelo dos resistores já ligados. Até $t_1$ não há corrente. Depois:
• de $2{,}0$ a $2{,}6\text{ s}$ ($0{,}6\text{ s}$): só $R_1$, $R_{eq}=10\text{ }\Omega$, $P=\dfrac{10^2}{10}=10\text{ W}$ e energia $6\text{ J}$;
• de $2{,}6$ a $3{,}0\text{ s}$ ($0{,}4\text{ s}$): $R_1$ e $R_2$, $R_{eq}=5\text{ }\Omega$, $P=20\text{ W}$ e energia $8\text{ J}$;
• de $3{,}0$ a $3{,}4\text{ s}$ ($0{,}4\text{ s}$): mais $R_3$, $R_{eq}=2{,}5\text{ }\Omega$, $P=40\text{ W}$ e energia $16\text{ J}$;
• de $3{,}4$ a $3{,}8\text{ s}$ ($0{,}4\text{ s}$): mais $R_4$, $R_{eq}=1{,}25\text{ }\Omega$, $P=80\text{ W}$ e energia $32\text{ J}$.

A energia total dissipada até B é \[\mathcal E=6+8+16+32=62\text{ J}.\]

Cuidado, armadilha! A energia não é a potência final multiplicada pelo tempo total, nem se calcula com todos os resistores ligados desde o início: a potência cresce em degraus. E os tempos de cada degrau não acompanham as distâncias, porque o corpo está acelerando.
Q23
Mecânica — Análise Dimensional — Grandeza Adimensional

Considere as seguintes grandezas e suas dimensionais:

  • Calor específico – $[c]$
  • Coeficiente de dilatação térmica – $[\alpha]$
  • Constante eletrostática – $[k]$
  • Permeabilidade magnética – $[\mu]$

A alternativa que expressa uma grandeza adimensional é:

A)$[c][\alpha]^{-1}[k][\mu]$
B)$[c][\alpha]^{-1}[k]^{-1}[\mu]$
C)$[c][\alpha]^{-1}[k][\mu]^{-1}$
D)$[c][\alpha]^{-2}[k][\mu]^{-2}$
E)$[c][\alpha]^{-2}[k]^{-1}[\mu]^{-2}$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Para saber se uma combinação é adimensional, escrevemos a dimensão de cada grandeza em termos de massa $M$, comprimento $L$, tempo $T$, temperatura $\Theta$ e carga $Q$.

Calor específico e dilatação. O calor específico é $c=\dfrac{\text{energia}}{\text{massa}\cdot\text{temperatura}}$, de modo que $[c]=L^2T^{-2}\Theta^{-1}$. O coeficiente de dilatação térmica vem de $\Delta L=\alpha L\,\Delta\theta$, logo $[\alpha]=\Theta^{-1}$. Assim, a temperatura se cancela em \[[c][\alpha]^{-1}=L^2T^{-2}.\]

Constante eletrostática e permeabilidade. Da lei de Coulomb, $F=k\dfrac{Q^2}{r^2}$, vem $[k]=MLT^{-2}\cdot L^2\cdot Q^{-2}=ML^3T^{-2}Q^{-2}$. Da força entre fios paralelos, $\dfrac{F}{\ell}=\dfrac{\mu I^2}{2\pi d}$, vem $[\mu]=MLT^{-2}I^{-2}$; como $I=Q/T$, resulta $[\mu]=MLQ^{-2}$. Dividindo, \[\frac{[k]}{[\mu]}=\frac{ML^3T^{-2}Q^{-2}}{MLQ^{-2}}=L^2T^{-2}.\] (É o quadrado de uma velocidade: de fato, $k/\mu=c^2/4\pi$ em unidades do SI.)

Portanto, $[c][\alpha]^{-1}$ e $[k][\mu]^{-1}$ têm a mesma dimensão, $L^2T^{-2}$, e a razão entre eles é adimensional: \[\frac{[c][\alpha]^{-1}}{[k][\mu]^{-1}}=[c][\alpha]^{-1}[k]^{-1}[\mu].\]

Cuidado, armadilha! As combinações com $[k][\mu]$ ou com expoentes $\pm2$ não cancelam as dimensões: o que se cancela é a razão $[k]/[\mu]$, e não o produto. Basta um sinal trocado no expoente de $[k]$ ou de $[\mu]$ para a alternativa deixar de ser adimensional.
Q24
Mecânica — Trabalho e Energia — Mola e Lançamento Horizontal
Haste horizontal articulada em uma extremidade; na outra, um recipiente com uma bola apoiado em mola e preso ao solo por um fio; a haste gira até a vertical e a bola descreve uma trajetória até um cesto no solo, à esquerda

A figura mostra uma haste de massa desprezível com um apoio articulado em uma extremidade. A outra extremidade possui um recipiente apoiado em uma mola e amarrado ao solo por um fio. A haste é mantida na posição horizontal e a mola comprimida. Uma bola é colocada nesse recipiente e, após o corte do fio, o sistema é liberado com distensão instantânea da mola.

A constante elástica da mola, em N/m, para que, quando a prancha estiver perpendicular ao solo, a bola seja lançada e acerte o cesto é:

Dados:

  • comprimento da prancha: $1\text{ m}$;
  • distância do apoio ao cesto: $5\text{ m}$;
  • massa da bola: $200\text{ g}$;
  • deformação inicial da mola: $10\text{ cm}$; e
  • aceleração da gravidade: $10\text{ m/s}^2$.

Observação:

  • despreze as dimensões da bola.
A)$400$
B)$500$
C)$2900$
D)$3400$
E)$12900$

Gabarito Oficial

C
Resolução

A situação tem três etapas: a mola se distende e lança a bola, a bola sobe junto com a haste até a vertical e depois é lançada horizontalmente em direção ao cesto. Resolvemos de trás para a frente.

Lançamento. Na posição vertical, a bola está a $L=1\text{ m}$ do solo e sai com velocidade horizontal $v$. Para cair no cesto, a $D=5\text{ m}$ do apoio, o tempo de queda é \[t=\sqrt{\frac{2L}{g}}=\sqrt{0{,}2}\text{ s},\qquad v=\frac{D}{t}\qquad\Rightarrow\qquad v^2=\frac{D^2\,g}{2L}=\frac{25\cdot10}{2}=125\text{ m}^2/\text{s}^2.\]

Subida com a haste. Como a haste tem massa desprezível, ela apenas obriga a bola a descrever um arco de raio $L$; a força que ela exerce é perpendicular ao movimento e não realiza trabalho. Da posição horizontal (logo após a liberação, com velocidade $v_0$) até a vertical, a bola sobe $L=1\text{ m}$: \[\frac12mv_0^2=\frac12mv^2+mgL\qquad\Rightarrow\qquad v_0^2=125+2\cdot10\cdot1=145\text{ m}^2/\text{s}^2.\]

Mola. A distensão é instantânea e o recipiente não tem massa, de modo que toda a energia elástica vira energia cinética da bola. Com $m=0{,}2\text{ kg}$ e $x=0{,}1\text{ m}$: \[\frac12kx^2=\frac12mv_0^2\qquad\Rightarrow\qquad k=\frac{mv_0^2}{x^2}=\frac{0{,}2\cdot145}{0{,}01}=2900\text{ N/m}.\]

Cuidado, armadilha! Esquecer a subida de $1\text{ m}$ (usando $v_0^2=125$) leva a $k=2500\text{ N/m}$, que não está entre as alternativas. Confira também as unidades: massa em quilogramas e deformação em metros.
Q25
Mecânica — Hidrostática — Manômetro de Reservatório

Um manômetro de reservatório é composto por dois tubos verticais comunicantes pelas respectivas bases e abertos em suas extremidades. Esse conjunto é preenchido parcialmente por um fluido e, como o dispositivo encontra-se no ar à pressão atmosférica padrão, o nível de fluido nos dois tubos é o mesmo. Em um dado momento, no tubo à esquerda, é adicionada uma pressão manométrica equivalente a $12\text{ mm}$ de coluna de água. Considerando que não haja vazamento no manômetro, a ascensão de fluido no tubo à direita, em mm, é igual a:

Dados:

  • diâmetro do tubo à esquerda: $20\text{ mm}$;
  • diâmetro do tubo à direita: $10\text{ mm}$; e
  • densidade do fluido: $1{,}2$.
A)$20$
B)$40$
C)$8$
D)$4$
E)$10$

Gabarito Oficial

C
Resolução

A pressão adicionada no tubo da esquerda empurra o fluido para baixo nesse tubo e o faz subir no da direita. Como não há vazamento, o volume que desce à esquerda é igual ao que sobe à direita: \[A_E\,x_E=A_D\,x_D.\] As áreas são proporcionais ao quadrado do diâmetro, $A_E/A_D=(20/10)^2=4$, logo $x_E=\dfrac{x_D}{4}$.

A diferença entre os níveis nos dois tubos é, portanto, \[\Delta h=x_E+x_D=\frac54\,x_D.\]

A pressão manométrica adicionada equivale a $12\text{ mm}$ de coluna de água, isto é, $\Delta p=\rho_{\text{água}}\,g\cdot12\text{ mm}$. No equilíbrio, essa pressão sustenta a coluna $\Delta h$ do fluido de densidade $1{,}2$ vezes a da água: \[1000\,g\cdot12=1200\,g\cdot\frac54\,x_D\qquad\Rightarrow\qquad x_D=\frac{12\,000}{1\,500}=8\text{ mm}.\]

Cuidado, armadilha! Se o nível do tubo da esquerda fosse suposto fixo, sobraria $\Delta h=x_D$ e se obteria $x_D=10\text{ mm}$, resultado que consta como distrator. O correto é considerar que o fluido que desce à esquerda é o mesmo que sobe à direita.
Q26
Mecânica — Trabalho e Energia — Rolamento sem Deslizamento
Rampa curva que sobe à esquerda até a altura h acima de uma superfície plana horizontal; um cilindro, representado por um círculo, rola sobre o plano em direção à rampa

Um cilindro de raio $R$ rola, sem deslizar, em velocidade angular $\omega$, sobre uma superfície plana horizontal até atingir uma rampa. Considerando também que o rolamento na rampa seja sem deslizamento e chamando de $g$ a aceleração da gravidade, a altura máxima, $h$, que o eixo do cilindro alcança na rampa em relação à superfície plana é:

A)$R+\dfrac{\omega^2R^2}{g}$
B)$R+\dfrac{\omega^2R^2}{2g}$
C)$2R+\dfrac{\omega^2R^2}{g}$
D)$\dfrac{\omega^2R^2}{g}$
E)$\dfrac{\omega^2R^2}{2g}$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Rolar sem deslizar significa que o atrito estático não dissipa energia, de modo que a energia mecânica total, de translação mais rotação, se conserva durante a subida da rampa. Na parte plana, o eixo tem velocidade $v=\omega R$.

O enunciado não informa como a massa se distribui no cilindro, isto é, seu momento de inércia $I$. A única escolha que conduz a uma das alternativas é a de um cilindro oco de parede fina, $I=mR^2$, e é com essa hipótese que se chega ao gabarito oficial. Nesse caso, a energia cinética total é \[E_c=\frac12mv^2+\frac12I\omega^2=\frac12m\omega^2R^2+\frac12mR^2\omega^2=m\omega^2R^2.\]

No ponto mais alto o cilindro para (translação e rotação nulas) e toda a energia cinética se converte em potencial gravitacional. O eixo sobe $\Delta h$ acima da altura que já tinha, $R$, sobre o plano: \[mg\,\Delta h=m\omega^2R^2\qquad\Rightarrow\qquad\Delta h=\frac{\omega^2R^2}{g}\qquad\Rightarrow\qquad h=R+\frac{\omega^2R^2}{g}.\]

Cuidado, armadilha! Esquecer a rotação leva a $R+\dfrac{\omega^2R^2}{2g}$; esquecer que o eixo já está a uma altura $R$ leva a $\dfrac{\omega^2R^2}{g}$. Para um cilindro maciço ($I=\tfrac12mR^2$) o resultado seria $R+\dfrac{3\omega^2R^2}{4g}$, que não consta entre as alternativas.
Q27
Mecânica — Cinemática — Rotação da Terra e Horizonte

Duas pessoas executam um experimento para medir o raio da Terra a partir da observação do pôr do Sol. No momento em que uma pessoa, deitada, observa o pôr do Sol a partir do nível do mar, uma outra pessoa, de pé, inicia a contagem do tempo até que ela observe o pôr do Sol a partir da altura dos seus olhos. Sabendo-se que o intervalo de tempo entre as duas observações é $\Delta t$, o raio da Terra obtido por meio desse experimento é

Observações:

  • considere a terra uma esfera perfeita;
  • considere o eixo de rotação do planeta perpendicular ao plano de translação;
  • o experimento foi executado na linha do Equador; e
  • desconsidere o movimento de translação da Terra.

Dados:

  • período de rotação da Terra: $T$; e
  • distância vertical entre os olhos do segundo observador e o nível do mar: $h$.
A)$\dfrac{h}{1-\cos\left(2\pi\dfrac{\Delta t}{T}\right)}$
B)$\dfrac{h}{\sec\left(2\pi\dfrac{\Delta t}{T}\right)-1}$
C)$h\,\operatorname{cotg}\left(2\pi\dfrac{\Delta t}{T}\right)$
D)$h\,\operatorname{cosec}\left(2\pi\dfrac{\Delta t}{T}\right)$
E)$\dfrac{h\,\operatorname{sen}\left(2\pi\dfrac{\Delta t}{T}\right)}{1-\cos\left(2\pi\dfrac{\Delta t}{T}\right)}$

Gabarito Oficial

B
Resolução

O Sol está muito distante, e seus raios chegam paralelos. O pôr do Sol visto ao nível do mar ocorre quando o raio solar é tangente à superfície da Terra no ponto $P$ onde está o observador deitado. Essa reta tangente passa a uma distância $R$ do centro $O$ da Terra.

Passado o intervalo $\Delta t$, a Terra girou o ângulo \[\varphi=2\pi\frac{\Delta t}{T}.\] Os olhos do observador de pé estão a $R+h$ de $O$, sobre o raio que formou o ângulo $\varphi$ com $OP$. Ele vê o pôr do Sol quando seus olhos alcançam a mesma reta tangente (o raio rasante). Projetando a posição dos olhos na direção de $OP$, formamos um triângulo retângulo de hipotenusa $R+h$ e cateto $R$: \[(R+h)\cos\varphi=R.\]

Isolando $R$: \[R\,(1-\cos\varphi)=h\cos\varphi\qquad\Rightarrow\qquad R=\frac{h\cos\varphi}{1-\cos\varphi}=\frac{h}{\sec\varphi-1}.\] Substituindo $\varphi$, \[R=\frac{h}{\sec\left(2\pi\dfrac{\Delta t}{T}\right)-1}.\]

Cuidado, armadilha! A expressão $\dfrac{h}{1-\cos\varphi}$ tem a mesma estrutura, mas falta o fator $\cos\varphi$. A geometria correta é um triângulo retângulo com hipotenusa $R+h$ e cateto $R$, e é daí que sai $(R+h)\cos\varphi=R$.
Q28
Eletricidade — Eletrodinâmica — Curto-circuito e Energia nos Cabos
Figura 1: circuito com fonte de tensão E, resistência interna de 0,05 ohm, fusível, dois cabos de 100 m e uma carga com tensão terminal VT
Figura 2: gráfico do tempo de abertura do fusível, em ms, em função da corrente, em A; reta de 25 ms em 150 A até 0 ms em 650 A

Uma fonte de tensão com tensão interna $E$ e resistência interna $R_{int}=0{,}05\text{ }\Omega$, protegida por um fusível, alimenta uma carga por meio de dois cabos com resistência linear igual a $1\text{ }\Omega/\text{km}$, como mostra a Figura 1. A Figura 2 mostra a aproximação da reta característica de operação do fusível utilizado na fonte.

Inicialmente, a carga que consome $10\text{ kW}$ e opera com tensão terminal $V_T$ igual a $100\text{ V}$, mas, subitamente, um curto circuito entre os cabos que alimentam a carga faz com que o fusível se rompa, abrindo o circuito.

Sabendo-se que o tempo de abertura do fusível foi de $1{,}25\text{ ms}$, a energia total dissipada nos cabos, em joules, durante o período de ocorrência do curto circuito é, aproximadamente:

A)$41$
B)$55$
C)$73$
D)$90$
E)$98$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Operação normal. A carga consome $10\text{ kW}$ a $100\text{ V}$, logo a corrente é $I_0=\dfrac{10\,000}{100}=100\text{ A}$. Cada cabo tem $100\text{ m}$ e resistência de $1\text{ }\Omega/\text{km}$, isto é, $0{,}1\text{ }\Omega$; ida e volta somam $R_c=0{,}2\text{ }\Omega$. A tensão interna da fonte é \[E=V_T+I_0\,(R_{int}+R_c)=100+100\cdot0{,}25=125\text{ V}.\]

Corrente de curto. A reta da Figura 2 liga $(150\text{ A};25\text{ ms})$ a $(650\text{ A};0\text{ ms})$, ou seja, \[t(I)=25\cdot\frac{650-I}{500}\text{ ms}.\] Para $t=1{,}25\text{ ms}$: $650-I=25$, portanto $I=625\text{ A}$. Consideramos essa corrente aproximadamente constante durante o curto.

Resistência efetiva. Com $625\text{ A}$, a resistência total percorrida é $E/I=125/625=0{,}2\text{ }\Omega$. Descontando a resistência interna (e desprezando a do fusível), os cabos contribuem com \[R_{cabos}=0{,}2-0{,}05=0{,}15\text{ }\Omega,\] que corresponde a um curto a $75\text{ m}$ da fonte, antes da carga.

Energia nos cabos. \[W=R_{cabos}\,I^2\,\Delta t=0{,}15\cdot625^2\cdot1{,}25\times10^{-3}\approx73\text{ J}.\]

Cuidado, armadilha! Se o curto fosse suposto nos terminais da carga, a corrente seria $125/0{,}25=500\text{ A}$, e o fusível abriria em $7{,}5\text{ ms}$, em desacordo com o dado do problema. É o tempo de abertura que fixa a corrente e, com ela, a posição do curto.
Q29
Mecânica — Estática — Treliça e Força Elétrica
Estrutura com barras AB, AC, AD, CD e BD, apoio articulado em A e apoio de rolete em C; carga q em D, carga Q à direita e força de 10 N para cima em B; medidas em metros: 3, 3, 6 e 4

A figura mostra uma estrutura composta pelas barras AB, AC, AD, CD e BD articuladas em suas extremidades. O apoio no ponto A impede os deslocamentos nas direções $x$ e $y$, enquanto o apoio no ponto C impede o deslocamento apenas na direção $x$. No ponto D dessa estrutura encontra-se uma partícula elétrica de carga positiva $q$. Uma partícula elétrica de carga positiva $Q$ encontra-se posicionada no ponto indicado na figura. Uma força de $10\text{ N}$ é aplicada no ponto B, conforme indicada na figura. Para que a força de reação no ponto C seja zero, o produto $q\cdot Q$ deve ser igual a:

Observação:

  • as barras e partículas possuem massa desprezível; e
  • as distâncias nos desenhos estão representadas em metros.

Dado:

  • constante eletrostática do meio: $k$.
A)$\dfrac{1250}{7k}$
B)$\dfrac{125}{70k}$
C)$\dfrac{7}{1250k}$
D)$\dfrac{1250}{k}$
E)$\dfrac{k}{1250}$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Para a estrutura inteira em equilíbrio, a soma dos momentos em relação a qualquer ponto é nula. Escolhemos o ponto A como polo: a reação em A, com suas duas componentes, não gera momento, e a reação em C é horizontal. Assim, basta equilibrar os momentos da força de $10\text{ N}$, da força elétrica em D e da reação em C. Usando A como origem, $B=(6,0)$, $C=(0,-6)$, $D=(6,-6)$ e $Q=(10,-3)$, em metros.

Força elétrica em D. A distância entre $Q$ e $D$ é $\sqrt{4^2+3^2}=5\text{ m}$, e a força de Coulomb tem módulo \[F=\frac{kqQ}{5^2}=\frac{kqQ}{25}.\] Sendo cargas positivas, a força é de repulsão e aponta de $Q$ para $D$: para a esquerda e para baixo, com componentes $F_x=-\tfrac45F$ e $F_y=-\tfrac35F$.

Momentos em relação a A (positivo no sentido anti-horário, $\tau=xF_y-yF_x$):
• força de $10\text{ N}$ em B: $\tau=6\cdot10=+60\text{ N}\cdot\text{m}$;
• força elétrica em D: $\tau=6\left(-\tfrac35F\right)-(-6)\left(-\tfrac45F\right)=-\tfrac{18}{5}F-\tfrac{24}{5}F=-8{,}4\,F$;
• reação horizontal $R_C$ em C: $\tau=6R_C$.

Impondo equilíbrio com $R_C=0$: \[60-8{,}4\,F=0\qquad\Rightarrow\qquad F=\frac{50}{7}\text{ N}.\] Então \[\frac{kqQ}{25}=\frac{50}{7}\qquad\Rightarrow\qquad q\cdot Q=\frac{1250}{7k}.\]

Cuidado, armadilha! A distância que entra na lei de Coulomb é a hipotenusa $5\text{ m}$ (entre $Q$ e $D$), e não $3\text{ m}$ ou $4\text{ m}$. Além disso, as duas componentes da força elétrica geram momento em relação a A: esquecer uma delas muda o resultado.
Q30
Ondulatória — Acústica — Ressonância em Tubos
Tubo sonoro aberto nas duas extremidades, com parede móvel interna que o divide em duas câmaras de comprimentos L1 e L2; ondas de frequência f1 entram pela esquerda e de frequência f2 pela direita

Um tubo sonoro de comprimento total $L=1\text{ m}$, aberto nas duas extremidades, possui uma parede móvel em seu interior, conforme a figura. Essa parede é composta de material refletor de ondas sonoras e pode ser transladada para diferentes posições, dividindo o tubo em duas câmaras de comprimento $L_1$ e $L_2$. Duas ondas sonoras distintas adentram nesse tubo, uma pela abertura da esquerda, com $f_1=2{,}89\text{ kHz}$, e outra pela abertura da direita, com $f_2=850\text{ Hz}$. Em relação às ondas sonoras, os valores de $L_1$ e $L_2$, em cm, que possibilitarão a formação de ondas ressonantes em ambas as cavidades são, respectivamente:

Dado:

  • O meio no interior do tudo é o ar, onde o som se propaga com velocidade $340\text{ m/s}$.
A)$14{,}7$ e $85{,}3$
B)$44{,}1$ e $55{,}9$
C)$50{,}0$ e $50{,}0$
D)$70{,}0$ e $30{,}0$
E)$90{,}0$ e $10{,}0$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Cada câmara tem uma extremidade aberta (a do tubo) e uma fechada (a parede refletora). Portanto, cada uma funciona como um tubo fechado em uma extremidade, no qual só existem harmônicos ímpares: \[L=(2n-1)\frac{\lambda}{4}=(2n-1)\frac{v}{4f},\qquad n=1,2,3,\dots\]

Câmara 2 ($f_2=850\text{ Hz}$): \[\frac{v}{4f_2}=\frac{340}{4\cdot850}=0{,}1\text{ m}=10\text{ cm}\qquad\Rightarrow\qquad L_2=10,\ 30,\ 50,\ 70,\ 90\text{ cm}\ \ (\text{até }100\text{ cm}).\]

Câmara 1 ($f_1=2890\text{ Hz}$): \[\frac{v}{4f_1}=\frac{340}{4\cdot2890}=\frac{1}{34}\text{ m}=\frac{100}{34}\text{ cm}\qquad\Rightarrow\qquad L_1=(2n-1)\cdot\frac{100}{34}\text{ cm}.\] Isto exige que $\dfrac{34\,L_1}{100}$ seja um número ímpar.

Como $L_1+L_2=100\text{ cm}$, os valores possíveis de $L_1$ são $90$, $70$, $50$, $30$ e $10\text{ cm}$. Testando $\dfrac{34\,L_1}{100}$: \[90\to30{,}6,\quad70\to23{,}8,\quad50\to17,\quad30\to10{,}2,\quad10\to3{,}4.\] Só $L_1=50\text{ cm}$ dá um número ímpar inteiro ($17$, isto é, $n=9$), e então $L_2=50\text{ cm}$, que corresponde a $2m-1=5$.

Cuidado, armadilha! Não adianta apenas somar $100\text{ cm}$: os pares das outras alternativas somam $1\text{ m}$, mas violam a condição de harmônicos ímpares em pelo menos uma das câmaras. É preciso testar a ressonância nas duas.
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