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IME 2018 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Militar de Engenharia

Concurso de Admissão 2017/2018 · Prova objetiva · Física (Q16-30) — resolução comentada Método TEF. Gabarito oficial conforme o PDF divulgado pelo IME.

Q16
Óptica — Refração — Fibra Óptica e Reflexão Total
Corte longitudinal de uma fibra óptica: o núcleo, de índice n1, é cercado pela casca, de índice n2; um raio incidente do ar, de índice n0, forma o ângulo theta a com o eixo, entra no núcleo e é refletido na interface núcleo-casca, enquanto um raio refratado seguiria para a casca

As fibras ópticas funcionam pelo Princípio da Reflexão Total, que ocorre quando os raios de luz que seguem determinados percursos dentro da fibra são totalmente refletidos na interface núcleo-casca, permanecendo no interior do núcleo. Considerando apenas a incidência de raios meridionais e que os raios refratados para a casca são perdidos, e ainda, sabendo que os índices de refração do ar, do núcleo e da casca são dados, respectivamente, por $n_0$, $n_1$, e $n_2$ ($n_1>n_2>n_0$), o ângulo máximo de incidência $\theta_a$, na interface ar-núcleo, para o qual ocorre a reflexão total no interior da fibra é:

Considerações:

  • raios meridionais são aqueles que passam pelo centro do núcleo; e
  • todas as opções abaixo correspondem a números reais.
A)$\operatorname{arc\,sen}\left(\dfrac{n_2^{\,2}-n_0^{\,2}}{n_1}\right)$
B)$\operatorname{arc\,sen}\left(\dfrac{n_1^{\,2}-n_2^{\,2}}{n_0}\right)$
C)$\operatorname{arc\,sen}\left(\dfrac{\sqrt{n_1^{\,2}-n_2^{\,2}}}{n_0}\right)$
D)$\operatorname{arc\,sen}\left(\dfrac{\sqrt{n_2^{\,2}-n_0^{\,2}}}{n_1}\right)$
E)$\operatorname{arc\,cos}\left(\dfrac{\sqrt{n_1^{\,2}-n_2^{\,2}}}{n_0}\right)$

Gabarito Oficial

C
Resolução

O raio sofre duas mudanças de meio: entra no núcleo vindo do ar e depois incide na interface com a casca. O ângulo de incidência $\theta_a$ máximo é aquele para o qual o raio, dentro do núcleo, atinge a interface núcleo-casca exatamente no ângulo limite. Vamos ligar os dois eventos pelo ângulo $\theta_r$ que o raio refratado faz com o eixo da fibra.

Entrada no núcleo (ar → núcleo). Pela lei de Snell, \[n_0\sin\theta_a=n_1\sin\theta_r.\]

Interface núcleo-casca. A normal a essa interface é perpendicular ao eixo da fibra. Logo, o ângulo de incidência na interface é $90^\circ-\theta_r$, o complemento de $\theta_r$. Para haver reflexão total, esse ângulo precisa ser maior ou igual ao ângulo limite $\theta_L$, definido por $\sin\theta_L=\dfrac{n_2}{n_1}$: \[\sin\left(90^\circ-\theta_r\right)=\cos\theta_r\ge\frac{n_2}{n_1}.\] Ou seja, quanto maior $\theta_r$, menor $\cos\theta_r$, e o caso-limite (que dá o $\theta_a$ máximo) é $\cos\theta_r=\dfrac{n_2}{n_1}$.

Com isso, \[\sin\theta_r=\sqrt{1-\cos^2\theta_r}=\sqrt{1-\frac{n_2^{\,2}}{n_1^{\,2}}}=\frac{\sqrt{n_1^{\,2}-n_2^{\,2}}}{n_1}.\] Substituindo na lei de Snell da entrada: \[n_0\sin\theta_a=n_1\cdot\frac{\sqrt{n_1^{\,2}-n_2^{\,2}}}{n_1}=\sqrt{n_1^{\,2}-n_2^{\,2}}\qquad\Rightarrow\qquad\theta_a=\operatorname{arc\,sen}\left(\frac{\sqrt{n_1^{\,2}-n_2^{\,2}}}{n_0}\right).\]

Cuidado, armadilha! O ângulo limite vale $\sin\theta_L=n_2/n_1$ com a normal. O raio, porém, é descrito pelo ângulo com o eixo, que é o complemento. Esquecer essa troca leva a um seno onde deveria haver um cosseno, e é por isso que aparecem distratores com $n_2$ e $n_0$ no radicando.
Q17
Mecânica — Colisões — Colisão Inelástica e Lançamento Horizontal
Superfície em quarto de circunferência de raio R, com o ponto A na base, na extremidade esquerda, o ponto B no topo e o ponto C no mesmo nível de A, à distância 2R; o projétil atinge o corpo em A, vindo de baixo

Conforme a figura acima, um corpo, cuja velocidade é nula no ponto A da superfície circular de raio $R$, é atingido por um projétil, que se move verticalmente para cima, e fica alojado no corpo. Ambos passam a deslizar sem atrito na superfície circular, perdendo o contato com a superfície no ponto B. A seguir, passam a descrever uma trajetória no ar até atingirem o ponto C, indicado na figura. Diante do exposto, a velocidade do projétil é:

Dados:

  • massa do projétil: $m$;
  • massa do corpo: $9m$; e
  • aceleração da gravidade: $g$.
A)$10\sqrt{\dfrac{5Rg}{2}}$
B)$10\sqrt{\dfrac{3Rg}{2}}$
C)$10\sqrt{\dfrac{5Rg}{3}}$
D)$10\sqrt{\dfrac{3Rg}{5}}$
E)$10\sqrt{\dfrac{2Rg}{3}}$

Gabarito Oficial

A
Resolução

O problema tem três fases em sequência: (1) a colisão do projétil com o corpo, em A; (2) a subida pela superfície circular, de A até B; (3) o voo livre de B até C. Como conhecemos o final (o ponto C), vamos trabalhar de trás para a frente.

Fase 3: voo de B até C. No ponto B a superfície é horizontal, de modo que o conjunto sai dali com velocidade horizontal $v_B$. Na figura, B está a uma altura $R$ acima da linha A–C, e o centro da circunferência fica no ponto médio de A–C. Logo, de B até C o conjunto cai uma altura $R$ e avança horizontalmente uma distância $R$ (e não $2R$). O tempo de queda é \[R=\frac{g\,t^2}{2}\quad\Rightarrow\quad t=\sqrt{\frac{2R}{g}},\] e o alcance horizontal fornece \[R=v_B\,t\quad\Rightarrow\quad v_B=\frac{R}{\sqrt{2R/g}}=\sqrt{\frac{gR}{2}}\quad\Rightarrow\quad v_B^{\,2}=\frac{gR}{2}.\]

Fase 2: subida de A até B. Sem atrito, a energia mecânica do conjunto (massa total $10m$) se conserva. De A até B ele sobe uma altura $R$: \[\frac12(10m)v^2=\frac12(10m)v_B^{\,2}+(10m)gR\quad\Rightarrow\quad v^2=v_B^{\,2}+2gR=\frac{gR}{2}+2gR=\frac{5gR}{2},\] em que $v$ é a velocidade do conjunto logo depois da colisão.

Fase 1: colisão. Em A, a superfície é tangente à vertical, e a força normal que ela exerce é horizontal. Por isso, a quantidade de movimento vertical se conserva durante a colisão (que é instantânea). O corpo estava parado e o projétil sobe com velocidade $v_p$: \[m\,v_p=(m+9m)\,v=10m\,v\quad\Rightarrow\quad v_p=10\,v=10\sqrt{\frac{5Rg}{2}}.\]

Cuidado, armadilha! A colisão é perfeitamente inelástica, pois o projétil fica alojado: a energia cinética não se conserva nela. Só a quantidade de movimento pode ser usada na fase 1, e só a energia mecânica na fase 2. Outro cuidado: o alcance horizontal de B até C é $R$, não $2R$.
Q18
Eletricidade — Eletrostática — Energia Potencial Elétrica e Gráfico v × t
Figura 1: uma partícula de carga +Q move-se sobre um trilho horizontal, a uma altura r acima de quatro partículas fixas A, B, C e D, espaçadas de d. Figura 2: gráfico de v(t) com um pico, uma pequena depressão, e então uma queda para velocidade negativa

Como mostra a Figura 1, uma partícula de carga positiva se move em um trilho sem atrito e sofre a interação de forças elétricas provocadas por outras partículas carregadas fixadas nos pontos A, B, C e D. Sabendo que as cargas das partículas situadas em B e D são iguais e que uma parte do gráfico da velocidade da partícula sobre o trilho, em função do tempo, está esboçada na Figura 2, o gráfico completo que expressa a velocidade da partícula está esboçado na alternativa:

Observações:

  • $r\ll d$;
  • em $t=0$, a partícula que se move no trilho está à esquerda da partícula situada no ponto A;
  • considera-se positiva a velocidade da partícula quando ela se move no trilho da esquerda para a direita.
A)
Gráfico v(t): após a queda para velocidade negativa, aparece primeiro uma depressão profunda e depois uma pequena elevação
B)
Gráfico v(t): após a queda para velocidade negativa, aparece apenas uma pequena elevação
C)
Gráfico v(t): após a queda para velocidade negativa, aparece apenas uma pequena depressão
D)
Gráfico v(t): após a queda para velocidade negativa, aparece primeiro uma pequena elevação e depois uma depressão profunda
E)
Gráfico v(t): após a queda para velocidade negativa, a velocidade volta a ficar positiva, com novas elevações e depressões

Gabarito Oficial

D
Resolução

Não é preciso calcular nada: basta ler o que o gráfico da Figura 2 diz sobre cada carga fixa e usar a conservação de energia para prever a volta da partícula.

Lendo a Figura 2. Com $r\ll d$, a partícula só sente de forma intensa a carga que está bem embaixo dela, de modo que cada carga fixa deixa uma marca localizada no gráfico. Um pico de velocidade indica que a partícula é acelerada ao se aproximar: a carga é atrativa, ou seja, A tem carga negativa. Uma depressão indica que a partícula é freada: a carga repele, ou seja, B tem carga positiva, e D também (cargas iguais às de B). No gráfico dado não aparece nenhuma marca entre B e a queda para velocidade negativa, o que mostra que C não tem carga.

Por que a partícula volta? Como o trilho não tem atrito, a energia $\tfrac12mv^2+U$ se conserva, e a velocidade em cada ponto depende apenas da energia potencial $U$ naquele ponto. A partícula passou pela barreira de potencial de B, mas é refletida pela de D. Isso é coerente: B e D têm cargas iguais, e a parte do potencial devida a A é mais negativa em B (que está a $d$ de A) do que em D (a $3d$ de A). Assim, o topo da barreira de D é mais alto que o de B, e a partícula, com energia suficiente para vencer B, pode não ter para vencer D. A reflexão é brusca (pois $r\ll d$), e a velocidade passa de positiva para negativa com o mesmo módulo.

A volta. Como a velocidade depende só da posição, a partícula repassa pelos mesmos pontos, agora no sentido contrário e na ordem inversa: primeiro C (sem efeito), depois B e por fim A. Em B ela é freada de novo; como a velocidade agora é negativa, frear significa subir em direção a zero, uma pequena elevação no gráfico. Em A ela é acelerada de novo; como a velocidade é negativa, acelerar significa ficar mais negativa, uma depressão profunda. A sequência na volta é, portanto: pequena elevação (B), depois depressão profunda (A), com a velocidade final negativa e igual (em módulo) à inicial.

Comparando com as opções: (A) inverte a ordem dos eventos; (B) e (C) mostram um só evento, e falta o outro; (E) faz a partícula voltar a ir para a direita, o que exigiria uma nova reflexão à esquerda de A, onde não há carga repulsiva. A figura que traz a pequena elevação seguida da depressão profunda, com velocidade final negativa, é a da alternativa D.

Cuidado, armadilha! Na parte negativa do gráfico, as formas se invertem: frear faz o módulo da velocidade diminuir, ou seja, o gráfico sobe em direção ao eixo; acelerar aumenta o módulo e o gráfico desce. Quem copia as formas da ida sem inverter confunde a ordem e o sentido dos eventos.
Q19
Mecânica — Estática — Polias Solidárias, Empuxo e Plano Inclinado
Um bloco de massa m sobre um plano inclinado liso, de ângulo alfa, preso por um fio que forma o ângulo beta com o plano; o fio passa por uma polia fixa de raio r e por uma polia dupla solidária de raios r e R, e na outra ponta há um corpo de massa m imerso em um líquido de massa específica mi

Como mostra a figura, dois corpos de massa $m$ e volume $V$ estão em equilíbrio estático. Admita que $\mu$ é a massa específica do líquido, que não existe atrito entre o corpo e o plano inclinado e que as extremidades dos fios estão ligadas a polias, sendo que duas delas são solidárias, com raios menor e maior $r$ e $R$, respectivamente. A razão $R/r$ para que o sistema esteja em equilíbrio é:

A)$\dfrac{m\,\mathrm{sen}(\alpha+\beta)}{m-\mu V}$
B)$\dfrac{m\cos(\alpha+\beta)}{m-\mu V}$
C)$\dfrac{\mathrm{sen}(\alpha)}{\cos(\beta)}\left(1-\dfrac{\mu V}{m}\right)^{-1}$
D)$\dfrac{\cos(\alpha)}{\mathrm{sen}(\beta)}\left(1-\dfrac{\mu V}{m}\right)^{-1}$
E)$\cos(\alpha+\beta)\left(1-\dfrac{\mu V}{m}\right)$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Vamos achar a tração em cada fio e depois igualar os torques na polia dupla, que gira solidária e está em equilíbrio. As polias fixas apenas desviam o fio, de modo que a tração se mantém ao longo de cada fio ideal.

Bloco no plano inclinado. Sem atrito, o equilíbrio ao longo do plano envolve apenas a componente do peso e a componente da tração $T_1$ nessa direção. Como o fio forma o ângulo $\beta$ com o plano, \[T_1\cos\beta=mg\,\mathrm{sen}\,\alpha\quad\Rightarrow\quad T_1=\frac{mg\,\mathrm{sen}\,\alpha}{\cos\beta}.\]

Corpo imerso. Ele está parado sob ação do peso, do empuxo $E=\mu Vg$ e da tração $T_2$ do fio: \[T_2+\mu Vg=mg\quad\Rightarrow\quad T_2=(m-\mu V)\,g.\]

Polia dupla. O fio ligado ao bloco do plano inclinado enrola-se no raio menor $r$ e o fio ligado ao corpo imerso, no raio maior $R$. Elas produzem torques de sentidos opostos em torno do eixo, e o equilíbrio de rotação exige \[T_1\,r=T_2\,R\quad\Rightarrow\quad\frac Rr=\frac{T_1}{T_2}=\frac{mg\,\mathrm{sen}\,\alpha/\cos\beta}{(m-\mu V)\,g}=\frac{\mathrm{sen}\,\alpha}{\cos\beta}\cdot\frac{m}{m-\mu V}.\] Dividindo numerador e denominador por $m$, \[\frac Rr=\frac{\mathrm{sen}\,\alpha}{\cos\beta}\left(1-\frac{\mu V}{m}\right)^{-1}.\]

Cuidado, armadilha! O ângulo $\beta$ é medido em relação ao plano inclinado, não à horizontal. Por isso, a componente da tração ao longo do plano é $T_1\cos\beta$, e não $T_1\cos(\alpha+\beta)$. Esquecer o empuxo (usar $T_2=mg$) também elimina o fator $(1-\mu V/m)^{-1}$.
Q20
Ondulatória — Acústica — Efeito Doppler e MHS
Um microfone M pendurado no teto por uma mola ideal, verticalmente acima de um alto-falante A que emite som

Como mostra a figura acima, um microfone M está pendurado no teto, preso a uma mola ideal, verticalmente acima de um alto-falante A, que produz uma onda sonora cuja frequência é constante. O sistema está inicialmente em equilíbrio. Se o microfone for deslocado para baixo de uma distância $d$ e depois liberado, a frequência captada pelo microfone ao passar pela segunda vez pelo ponto de equilíbrio será:

Dados:

  • frequência da onda sonora produzida pelo alto-falante: $f$;
  • constante elástica da mola: $k$;
  • massa do microfone: $m$; e
  • velocidade do som: $v_s$.
A)$f\left[1-\dfrac{d}{v_s}\sqrt{\dfrac{2k}{m}}\right]$
B)$f\left[1+\dfrac{d}{v_s}\sqrt{\dfrac{k}{m}}\right]$
C)$f\left[1-\dfrac{d}{v_s}\sqrt{\dfrac{k}{m}}\right]$
D)$f\left[1+\dfrac{d}{v_s}\sqrt{\dfrac{2k}{m}}\right]$
E)$f\left[1-\dfrac{d}{v_s}\sqrt{\dfrac{k}{2m}}\right]$

Gabarito Oficial

B
Resolução

O microfone é o observador em movimento e a fonte (alto-falante) está parada. Precisamos de dois dados: a velocidade do microfone ao passar pelo equilíbrio e o sentido em que ele se move na segunda passagem.

Velocidade no equilíbrio. O microfone oscila verticalmente em MHS em torno da posição de equilíbrio (o peso apenas desloca esse ponto). Ele é solto do repouso a uma distância $d$ do equilíbrio, de modo que a amplitude é $A=d$. A frequência angular é $\omega=\sqrt{k/m}$, e a velocidade máxima, atingida no equilíbrio, vale \[v_{max}=\omega A=d\sqrt{\frac km}.\]

Sentido do movimento. O microfone é solto no ponto mais baixo. Na primeira passagem pelo equilíbrio ele sobe (afasta-se do alto-falante, que está embaixo); depois chega ao ponto mais alto e volta, e na segunda passagem ele desce, aproximando-se do alto-falante.

Efeito Doppler. Para um observador que se aproxima de uma fonte parada, a frequência captada aumenta: \[f'=f\,\frac{v_s+v_{max}}{v_s}=f\left[1+\frac{d}{v_s}\sqrt{\frac km}\right].\]

Cuidado, armadilha! Na primeira passagem o microfone se afasta do alto-falante e capta uma frequência menor que $f$; é na segunda, quando ele desce, que a frequência é maior. Trocar a passagem inverte o sinal e leva à alternativa com $1-\dots$.
Q21
Termologia — Termodinâmica — Rendimento de Máquinas Térmicas

Considere as afirmações abaixo, relativas a uma máquina térmica que executa um ciclo termodinâmico durante o qual há realização de trabalho.

Afirmação I. Se as temperaturas das fontes forem $27^\circ\text{C}$ e $427^\circ\text{C}$, a máquina térmica poderá apresentar um rendimento de $40\%$.

Afirmação II. Se o rendimento da máquina for $40\%$ do rendimento ideal para temperaturas das fontes iguais a $27^\circ\text{C}$ e $327^\circ\text{C}$ e se o calor rejeitado pela máquina for $0{,}8\text{ kJ}$, o trabalho realizado será $1{,}8\text{ kJ}$.

Afirmação III. Se a temperatura de uma das fontes for $727^\circ\text{C}$ e se a razão entre o calor rejeitado pela máquina e o calor recebido for $0{,}4$, a outra fonte apresentará uma temperatura de $-23^\circ\text{C}$ no caso de o rendimento da máquina ser $80\%$ do rendimento ideal.

Está(ão) correta(s) a(s) seguinte(s) afirmação(ões):

A)I, apenas.
B)I e II, apenas.
C)II e III, apenas.
D)I e III, apenas.
E)III, apenas.

Gabarito Oficial

D
Resolução

Em todas as afirmações vamos usar o rendimento máximo (de Carnot) para as temperaturas das fontes, com as temperaturas em kelvin: \[\eta_{Carnot}=1-\frac{T_{fria}}{T_{quente}}.\] Uma máquina real apresenta rendimento menor ou igual a esse valor.

Afirmação I (correta). Com $T_f=300\text{ K}$ e $T_q=700\text{ K}$, o rendimento máximo é \[\eta_{Carnot}=1-\frac{300}{700}\approx0{,}57=57\%.\] Como $40\%<57\%$, a máquina poderá apresentar rendimento de $40\%$.

Afirmação II (falsa). Com $T_f=300\text{ K}$ e $T_q=600\text{ K}$, $\eta_{Carnot}=1-\dfrac{300}{600}=50\%$. O rendimento da máquina é $40\%$ desse valor: $\eta=0{,}4\cdot50\%=20\%$. Sendo $Q_r$ o calor rejeitado e $Q_q$ o recebido, $\eta=1-\dfrac{Q_r}{Q_q}$, logo \[\frac{Q_r}{Q_q}=0{,}8\quad\Rightarrow\quad Q_q=\frac{0{,}8}{0{,}8}=1{,}0\text{ kJ}.\] O trabalho é $W=Q_q-Q_r=1{,}0-0{,}8=0{,}2\text{ kJ}$, e não $1{,}8\text{ kJ}$.

Afirmação III (correta). A razão $Q_r/Q_q=0{,}4$ dá o rendimento real $\eta=1-0{,}4=0{,}6$. Como isso é $80\%$ do ideal, $\eta_{Carnot}=\dfrac{0{,}6}{0{,}8}=0{,}75$. A fonte de $727^\circ\text{C}=1000\text{ K}$ só pode ser a quente (se fosse a fria, a outra fonte estaria a $4000\text{ K}$, e não a $-23^\circ\text{C}$). Então \[0{,}75=1-\frac{T_f}{1000}\quad\Rightarrow\quad T_f=250\text{ K}=-23^\circ\text{C}.\]

Estão corretas as afirmações I e III.

Cuidado, armadilha! Na afirmação II, o enunciado dá o calor rejeitado (0,8 kJ), e não o recebido. Tomar $0{,}8\text{ kJ}$ como calor recebido ou confundir os dois leva a um trabalho errado. Lembre-se também: o rendimento de Carnot é o teto, e por isso um rendimento menor que ele é sempre possível.
Q22
Ondulatória — Ondas em Cordas — Pulso em Corda Pendurada

Considere uma corda pendurada no teto de uma sala. O intervalo de tempo para um pulso ondulatório percorrer toda a corda é dado por:

Dados:

  • comprimento da corda: $L$;
  • densidade linear da corda: $\mu$; e
  • aceleração da gravidade: $g$.
A)$\sqrt{\dfrac{L}{2g}}$
B)$2\sqrt{\dfrac{2L}{g}}$
C)$\sqrt{\dfrac{2L}{3g}}$
D)$\dfrac23\sqrt{\dfrac Lg}$
E)$2\sqrt{\dfrac Lg}$

Gabarito Oficial

E
Resolução

A velocidade de um pulso em uma corda é $v=\sqrt{T/\mu}$. Aqui a corda está pendurada, e a tração não é a mesma em todos os pontos: num ponto a uma distância $x$ da extremidade livre de baixo, a tração sustenta apenas o peso do trecho de comprimento $x$ que está abaixo dele, $T=\mu x g$.

Velocidade do pulso. Substituindo, \[v=\sqrt{\frac{\mu x g}{\mu}}=\sqrt{g\,x}\qquad\Rightarrow\qquad v^2=g\,x.\] Note que $\mu$ desaparece, e que a velocidade é nula na ponta livre e cresce com $x$ à medida que o pulso sobe.

Analogia com o MUV. A relação $v^2=g\,x$ tem a mesma forma da equação de Torricelli, $v^2=2\,a\,\Delta s$, partindo do repouso, com $2a=g$. Ou seja, o pulso sobe pela corda como se tivesse aceleração constante $a=\dfrac g2$, partindo do repouso na ponta livre. Aplicando a função horária do MUV ao percurso total $L$: \[L=\frac12\cdot\frac g2\cdot t^2=\frac{g\,t^2}{4}\quad\Rightarrow\quad t=2\sqrt{\frac Lg}.\]

Cuidado, armadilha! Tomar uma velocidade constante calculada com a tração máxima ($T=\mu Lg$, dando $v=\sqrt{gL}$) e escrever $t=L/v=\sqrt{L/g}$ ignora que o pulso é muito mais lento na parte de baixo, onde a tração é pequena. O resultado correto é duas vezes maior.
Q23
Mecânica — Quantidade de Movimento — Recuo com Disparos Sucessivos

Um veículo de combate tem, como armamento principal, um canhão automático eletromagnético, o qual está municiado com $50$ projéteis. Esse veículo se desloca em linha reta, inicialmente, em velocidade constante sobre um plano horizontal. Como o veículo está sem freio e descontrolado, um engenheiro sugeriu executar disparos a fim de reduzir a velocidade do veículo. Após realizar $10$ disparos na mesma direção e no mesmo sentido da velocidade inicial do veículo, este passou a se deslocar com metade da velocidade inicial. Diante do exposto, a massa do veículo, em kg, é:

Dados:

  • velocidade inicial do veículo: $20\text{ m/s}$;
  • velocidade do projétil ao sair do canhão: $800\text{ m/s}$; e
  • massa do projétil: $2\text{ kg}$.

Observação:

  • não há atrito entre o plano horizontal e o veículo.
A)$1.420$
B)$1.480$
C)$1.500$
D)$1.580$
E)$1.680$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Sem atrito, a quantidade de movimento horizontal do sistema formado pelo veículo e por todos os projéteis se conserva. Seja $M$ a massa do veículo sem os projéteis. Os $50$ projéteis têm massa total $50\cdot2=100\text{ kg}$, e os $10$ disparados têm massa total $20\text{ kg}$. A velocidade de $800\text{ m/s}$ é tomada em relação ao solo.

Antes dos disparos. Todo o conjunto, de massa $M+100$, viaja a $20\text{ m/s}$: \[Q_{antes}=(M+100)\cdot20.\]

Depois dos $10$ disparos. O veículo, com os $40$ projéteis restantes ($80\text{ kg}$), tem massa $M+80$ e velocidade $10\text{ m/s}$, e os $10$ projéteis disparados têm $20\text{ kg}$ e velocidade $800\text{ m/s}$: \[Q_{depois}=(M+80)\cdot10+20\cdot800.\]

Conservação. \[20M+2000=10M+800+16000\quad\Rightarrow\quad10M=14800\quad\Rightarrow\quad M=1480\text{ kg}.\]

Cuidado, armadilha! A massa pedida é a do veículo sem os projéteis. Se a massa total do conjunto (veículo mais os $50$ projéteis) fosse a incógnita, o resultado seria $1480+100=1580\text{ kg}$, justamente um dos distratores. Outro erro comum é esquecer que os $40$ projéteis não disparados continuam sendo carregados pelo veículo.
Q24
Eletricidade — Eletrodinâmica — Circuito com Duas Baterias
Circuito em losango: resistores de 1 ohm (superior esquerdo), 2 ohms (superior direito), 3 ohms (inferior esquerdo) e 4 ohms (inferior direito); uma bateria de 10 V na vertical, ligando o vértice de cima ao de baixo, e uma bateria U na horizontal, ligando o vértice da esquerda ao da direita, com um cruzamento sem contato entre os dois fios

A figura acima mostra um circuito formado por quatro resistores e duas baterias. Sabendo que a diferença de potencial entre os terminais do resistor de $1\text{ }\Omega$ é zero, o valor da tensão $U$, em volts, é:

A)$\dfrac{154}{15}$
B)$\dfrac{30}{4}$
C)$\dfrac{70}{9}$
D)$10$
E)$\dfrac{154}{30}$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Chamemos os vértices do losango de $T$ (topo), $E$ (esquerda), $D$ (direita) e $B$ (base). O arco no fio horizontal indica que ele passa por cima do fio vertical sem tocá-lo. Então os elementos são: $1\text{ }\Omega$ entre $T$ e $E$; $2\text{ }\Omega$ entre $T$ e $D$; $3\text{ }\Omega$ entre $E$ e $B$; $4\text{ }\Omega$ entre $D$ e $B$; a bateria de $10\text{ V}$ entre $T$ e $B$; e a bateria $U$ entre $E$ e $D$.

Potenciais. Adotemos $V_B=0$. A bateria de $10\text{ V}$ fixa $V_T=10\text{ V}$. Como a tensão no resistor de $1\text{ }\Omega$ é nula, não passa corrente por ele e $V_E=V_T=10\text{ V}$.

Nó $E$. O resistor de $3\text{ }\Omega$ está sob $10\text{ V}$, logo conduz $\dfrac{10}{3}\text{ A}$ de $E$ para $B$. Como o resistor de $1\text{ }\Omega$ não conduz corrente, essa corrente só pode vir do ramo da bateria $U$: ela chega ao nó $E$ vinda do nó $D$, com $\dfrac{10}{3}\text{ A}$.

Nó $D$. Entra a corrente do resistor de $2\text{ }\Omega$, $\dfrac{10-V_D}{2}$, e saem a corrente do resistor de $4\text{ }\Omega$, $\dfrac{V_D}{4}$, e a corrente $\dfrac{10}{3}$ pelo ramo da bateria $U$: \[\frac{10-V_D}{2}=\frac{V_D}{4}+\frac{10}{3}\quad\Rightarrow\quad60-6V_D=3V_D+40\quad\Rightarrow\quad V_D=\frac{20}{9}\text{ V}.\]

A tensão $U$. A bateria $U$ é ideal e liga $E$ a $D$, portanto \[U=V_E-V_D=10-\frac{20}{9}=\frac{70}{9}\text{ V}.\]

Cuidado, armadilha! O arco no fio horizontal é um cruzamento sem contato elétrico. Se fosse tratado como um nó ligado ao fio vertical, o circuito seria outro e a resposta, diferente.
Q25
Óptica — Lentes — Feixes de Lentes Convergente e Divergente
Duas lanternas cilíndricas de diâmetro D, uma sobre a outra, com lentes cujos centros ópticos O estão alinhados na vertical; a de cima projeta um feixe que converge para um foco, e a de baixo, um feixe que diverge; as luzes atingem um anteparo vertical à distância x das lentes, e os eixos das lanternas estão separados por y

Conforme a figura acima, duas lanternas muito potentes, cilíndricas, com diâmetro $D=4\text{ cm}$, estão alinhadas no plano vertical. Ambas possuem lentes nas extremidades, cujos centros ópticos $O$ estão alinhados verticalmente e cujas distâncias focais são $f=3\text{ cm}$. Uma das lentes é convergente e a outra é divergente. Suas lâmpadas geram raios de luz horizontais, que encontram as lentes das respectivas lanternas e são projetados até um anteparo vertical. Sabendo que a distância entre os centros ópticos das duas lentes é $y=12\text{ cm}$, a distância máxima $x$ entre os centros ópticos das lentes $O$ e o anteparo, em centímetros, que faz com que a luz projetada pelas lanternas não se sobreponha é:

A)$6$
B)$9$
C)$12$
D)$15$
E)$18$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Os raios de cada lanterna chegam paralelos à lente, preenchendo um feixe de raio $D/2=2\text{ cm}$. Em seguida, cada lente deixa os raios saírem de um ponto situado a $f=3\text{ cm}$ da lente: o foco real, no caso da convergente, e o foco virtual (atrás da lente), no caso da divergente. Por semelhança de triângulos, o raio do feixe em função da distância $x$ à lente é proporcional à distância ao respectivo foco, com razão $\dfrac{D/2}{f}=\dfrac23$.

Lente convergente. O feixe passa pelo foco, a $3\text{ cm}$, e depois volta a se abrir. Para $x>f$, seu raio é \[R_c=\frac23\,(x-3).\]

Lente divergente. Os raios parecem partir do foco virtual, que está a $3\text{ cm}$ antes da lente, de modo que a distância dele até o anteparo é $x+3$. O raio do feixe é \[R_d=\frac23\,(x+3).\]

Condição de não sobreposição. Os centros dos feixes estão separados de $y=12\text{ cm}$. As luzes não se sobrepõem enquanto a soma dos raios não superar essa distância. A situação-limite, com os feixes apenas se tocando, é \[R_c+R_d=y\quad\Rightarrow\quad\frac23(x-3)+\frac23(x+3)=12\quad\Rightarrow\quad\frac{4x}{3}=12\quad\Rightarrow\quad x=9\text{ cm}.\]

Cuidado, armadilha! O raio de cada feixe na lente é $D/2=2\text{ cm}$, e não $D=4\text{ cm}$. E o feixe da lente convergente só é descrito por $\tfrac23(x-3)$ depois do foco; antes dele a soma dos raios é no máximo $4\text{ cm}$, muito menor que $12\text{ cm}$, e a condição não é crítica.
Q26
Eletricidade — Eletrostática — Força Elétrica e Distância entre Cargas

Duas partículas A e B, carregadas eletricamente com mesmos valores de cargas positivas, partem da origem em velocidade nula no instante $t=0$, e têm suas componentes de aceleração em relação aos eixos $X$ e $Y$ regidas pelas seguintes equações temporais:

Partícula A: $\begin{cases}a_x(t)=\cos(t)\\a_y(t)=\mathrm{sen}(t)\end{cases}$

Partícula B: $\begin{cases}a_x(t)=-\cos(t)\\a_y(t)=\mathrm{sen}(t)-\cos(t)\end{cases}$

O instante $t_{\text{min}}$, onde $0\le t_{\text{min}}<2\pi$, em que a força de repulsão entre as cargas é mínima é

A)$\dfrac32\pi$
B)$\dfrac14\pi$
C)$\dfrac12\pi$
D)$\dfrac34\pi$
E)$\pi$

Gabarito Oficial

E
Resolução

A força de repulsão entre as cargas é $F=\dfrac{kq^2}{d^2}$, e ela é mínima quando a distância $d$ entre as partículas é máxima. Então precisamos da posição de cada partícula.

Posições. Ambas partem da origem em repouso. A velocidade é a função que, partindo de zero, tem como taxa de variação a aceleração, e a posição é a função que, partindo da origem, tem como taxa de variação a velocidade. Para a partícula A, a aceleração $(\cos t,\ \mathrm{sen}\,t)$ dá velocidade $(\mathrm{sen}\,t,\ 1-\cos t)$ e posição \[x_A=1-\cos t,\qquad y_A=t-\mathrm{sen}\,t.\] Para a partícula B, a aceleração $(-\cos t,\ \mathrm{sen}\,t-\cos t)$ dá velocidade $(-\mathrm{sen}\,t,\ 1-\cos t-\mathrm{sen}\,t)$ e posição \[x_B=\cos t-1,\qquad y_B=t-\mathrm{sen}\,t+\cos t-1.\]

Separação. As componentes do vetor que liga as partículas são \[\Delta x=x_A-x_B=2\,(1-\cos t),\qquad\Delta y=y_A-y_B=1-\cos t.\] Logo \[d^2=\Delta x^2+\Delta y^2=5\,(1-\cos t)^2\quad\Rightarrow\quad d=\sqrt5\,(1-\cos t).\]

A distância é máxima quando $\cos t=-1$, isto é, em $t=\pi$ (onde $d=2\sqrt5$). É nesse instante que a repulsão é mínima. (Em $t=0$ as partículas estão no mesmo ponto, e a força de repulsão é a maior possível.)

Cuidado, armadilha! A força mínima corresponde à distância máxima, e não à mínima. Procurar o instante em que $d$ é mínimo (em $t=0$) levaria a justamente o instante de força máxima.
Q27
Mecânica — Estática — Alavanca com Cubos Empilhados
Barra rígida horizontal de comprimento L, apoiada em um ponto a uma distância a da extremidade direita. Há um cubo na extremidade esquerda e, sobre o apoio e a extremidade direita, uma pilha de cinco cubos em quatro andares, com deslocamentos horizontais de a/2, a/2 e a/4 entre os andares

O sistema mostrado na figura acima encontra-se em equilíbrio estático, sendo composto por seis cubos idênticos, cada um com massa específica $\mu$ uniformemente distribuída e de aresta $a$, apoiados em uma alavanca composta por uma barra rígida de massa desprezível. O comprimento $L$ da barra para que o sistema esteja em equilíbrio é:

A)$\dfrac94\,a$
B)$\dfrac{13}{4}\,a$
C)$\dfrac72\,a$
D)$\dfrac{15}{4}\,a$
E)$\dfrac{17}{4}\,a$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Como a barra tem massa desprezível, o equilíbrio de rotação em torno do apoio envolve apenas o peso dos seis cubos (todos de peso $P$, pois são idênticos), aplicado no centro de cada um. Vamos medir as posições a partir do apoio, para a direita.

Cubos da direita. O apoio está sob a aresta esquerda do cubo de baixo, pois a extremidade direita da barra está a $a$ do apoio. As posições dos centros são:
• cubo de baixo (1º andar): ocupa de $0$ a $a$, centro em $+\dfrac a2$;
• 2º andar, dois cubos lado a lado, deslocados de $\dfrac a2$ para a esquerda: ocupam de $-\dfrac a2$ a $\dfrac a2$ e de $\dfrac a2$ a $\dfrac{3a}2$, com centros em $0$ e $+a$;
• 3º andar, um cubo, deslocado de $\dfrac a2$ para a direita da aresta esquerda do 2º andar: ocupa de $0$ a $a$, centro em $+\dfrac a2$;
• 4º andar, um cubo, deslocado de $\dfrac a4$ para a esquerda do 3º: ocupa de $-\dfrac a4$ a $\dfrac{3a}4$, centro em $+\dfrac a4$.

A soma dos torques desses cinco cubos em torno do apoio, no sentido horário, é \[\tau_{dir}=P\left(\frac a2+0+a+\frac a2+\frac a4\right)=\frac{9a}{4}\,P.\]

Cubo da esquerda. Na extremidade esquerda da barra, a $L-a$ do apoio, o cubo ocupa o primeiro trecho de largura $a$, e seu centro está a \[d=(L-a)-\frac a2=L-\frac{3a}{2}\] à esquerda do apoio, produzindo o torque $\tau_{esq}=P\left(L-\dfrac{3a}2\right)$ no sentido anti-horário.

Equilíbrio. \[L-\frac{3a}{2}=\frac{9a}{4}\quad\Rightarrow\quad L=\frac{9a}4+\frac{6a}4=\frac{15}{4}\,a.\]

Cuidado, armadilha! O apoio não está no centro do cubo de baixo, e sim na sua aresta esquerda. Os cubos sobre ele pesam sobre uma região à direita do apoio, e é isso que faz o torque do lado direito ser tão grande.
Q28
Mecânica — Dinâmica — Movimento Circular com Atrito em Plano Inclinado
Disco que gira com velocidade angular constante ômega em torno do eixo central, com duas rampas simétricas de ângulo teta que sobem para fora; um cubo está apoiado em cada rampa a uma distância r do eixo

O sistema mostrado na figura gira em torno de um eixo central em velocidade angular constante $\omega$. Dois cubos idênticos, de massa uniformemente distribuída, estão dispostos simetricamente a uma distância $r$ do centro ao eixo, apoiados em superfícies inclinadas de ângulo $\theta$. Admitindo que não existe movimento relativo dos cubos em relação às superfícies, a menor velocidade angular $\omega$ para que o sistema se mantenha nessas condições é:

Dados:

  • aceleração da gravidade: $g$;
  • massa de cada cubo: $m$;
  • aresta de cada cubo: $a$; e
  • coeficiente de atrito entre os cubos e as superfícies inclinadas: $\mu$.
A)$\left[\dfrac gr\left(\dfrac{\mu\cos\theta}{\mathrm{sen}\,\theta+\mu\cos\theta}\right)\right]^{\frac12}$
B)$\left[\dfrac gr\left(\dfrac{\mu\cos\theta}{\cos\theta+\mu\,\mathrm{sen}\,\theta}\right)\right]^{\frac12}$
C)$\left[\dfrac gr\left(\dfrac{\mu\,\mathrm{sen}\,\theta+\cos\theta}{\mathrm{sen}\,\theta+\mu\cos\theta}\right)\right]^{\frac12}$
D)$\left[\dfrac gr\left(\dfrac{\mathrm{sen}\,\theta-\mu\cos\theta}{\cos\theta+\mu\,\mathrm{sen}\,\theta}\right)\right]^{\frac12}$
E)$\left[\dfrac gr\left(\dfrac{\mathrm{sen}\,\theta-\mu\cos\theta}{\mathrm{sen}\,\theta+\mu\cos\theta}\right)\right]^{\frac12}$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Cada cubo descreve uma circunferência horizontal de raio $r$. A resultante das forças sobre ele é, portanto, uma força horizontal voltada para o eixo, de módulo $m\omega^2r$. As forças que atuam são o peso $mg$, a normal $N$ (perpendicular à rampa) e o atrito $f$ (ao longo da rampa).

Sentido do atrito. A rampa sobe para fora do eixo. Para a menor velocidade angular, o cubo está prestes a escorregar para baixo (em direção ao eixo), e o atrito, no seu valor máximo $f=\mu N$, aponta para cima da rampa.

Decomposição. A normal aponta para cima e para o eixo, e o atrito aponta para cima e para fora do eixo. Em cada direção:
• vertical: $N\cos\theta+f\,\mathrm{sen}\,\theta=mg$;
• horizontal (para o eixo): $N\,\mathrm{sen}\,\theta-f\cos\theta=m\omega^2r$.
Com $f=\mu N$: \[N\left(\cos\theta+\mu\,\mathrm{sen}\,\theta\right)=mg,\qquad N\left(\mathrm{sen}\,\theta-\mu\cos\theta\right)=m\omega^2r.\]

Dividindo as duas equações (o que elimina $N$ e $m$): \[\omega^2r=g\,\frac{\mathrm{sen}\,\theta-\mu\cos\theta}{\cos\theta+\mu\,\mathrm{sen}\,\theta}\quad\Rightarrow\quad\omega=\left[\frac gr\left(\frac{\mathrm{sen}\,\theta-\mu\cos\theta}{\cos\theta+\mu\,\mathrm{sen}\,\theta}\right)\right]^{1/2}.\] Esse resultado vale quando $\tan\theta>\mu$; se $\mu\ge\tan\theta$, o cubo fica parado mesmo sem girar, e o mínimo é zero.

Cuidado, armadilha! Para o menor $\omega$, o atrito aponta para cima da rampa. Com o sentido invertido (que corresponderia ao maior $\omega$ possível), os sinais de $\mu$ trocariam e os termos ficariam com $+\mu\cos\theta$ no numerador.
Q29
Eletromagnetismo — Força Magnética — Movimento Helicoidal de Carga

Uma partícula elétrica de carga unitária, dotada de massa e inicialmente parada, sofre a ação de um impulso, entrando imediatamente em uma região do espaço na qual o campo magnético é uniforme, passando a realizar um movimento no sistema de coordenadas $XYZ$, descrito pelas seguintes funções do tempo $t$:

$\begin{cases}x(t)=3\,\mathrm{sen}(2t)\\y(t)=8\,t\\z(t)=3\cos(2t)\end{cases}$

Considerando todas as grandezas no Sistema Internacional de Unidades, o módulo do campo magnético é:

Dado:

  • impulso: $10$.

Observação:

  • despreze a força gravitacional.
A)$1{,}00$
B)$1{,}50$
C)$2{,}00$
D)$3{,}00$
E)$4{,}00$

Gabarito Oficial

C
Resolução

As equações $x=3\,\mathrm{sen}\,2t$ e $z=3\cos2t$ descrevem uma circunferência de raio $R=3\text{ m}$ no plano $XZ$, percorrida com velocidade angular $\omega=2\text{ rad/s}$; ao mesmo tempo, $y=8t$ mostra um avanço uniforme ao longo de $Y$ com velocidade $v_y=8\text{ m/s}$. Trata-se de um movimento helicoidal: o campo magnético é paralelo ao eixo $Y$, que é o eixo da hélice.

Velocidade e massa. A componente circular da velocidade vale $v_\perp=\omega R=2\cdot3=6\text{ m/s}$. Somando com a componente de avanço, o módulo da velocidade é \[v=\sqrt{6^2+8^2}=10\text{ m/s}.\] O impulso recebido no início, $I=m\,v$, é igual a $10$, de modo que $m\cdot10=10$ e $m=1\text{ kg}$.

Campo magnético. Só a componente da velocidade perpendicular ao campo produz a força que gira a partícula, e a frequência angular dessa rotação é $\omega=\dfrac{qB}{m}$. Com $q=1\text{ C}$, \[B=\frac{m\,\omega}{q}=\frac{1\cdot2}{1}=2{,}00\text{ T}.\] Conferindo pelo raio: $R=\dfrac{m\,v_\perp}{qB}=\dfrac{6}{B}=3$ dá o mesmo valor, $B=2\text{ T}$.

Cuidado, armadilha! No raio da hélice, e na relação $\omega=qB/m$, só entra a componente da velocidade perpendicular a $\vec B$ ($6\text{ m/s}$). Usar a velocidade total ($10\text{ m/s}$) no raio daria $B=\dfrac{10}{3}$, um valor que não consta nas alternativas.
Q30
Eletricidade — Eletrodinâmica — Geradores em Paralelo e Resistência Variável
Dois geradores de mesma tensão E em paralelo: G1, com resistência interna R1 formada por um cilindro com êmbolo condutor, líquido condutor e um registro de saída, e G2, com resistência interna R2; ambos ligados, pela chave S, a uma resistência R

A figura acima mostra dois geradores de corrente contínua, denominados $G_1$ e $G_2$, que possuem resistências internas $R_1$ e $R_2$ e a mesma tensão induzida $E$. Os geradores estão conectados a uma resistência $R$ por meio de uma chave S. A resistência $R_1$ é um cilindro não condutor que possui um êmbolo condutor em sua parte superior e que se encontra, inicialmente, totalmente preenchido por um líquido condutor. O êmbolo desce junto com o nível do líquido condutor no interior do cilindro, mantendo a continuidade do circuito. No instante em que a chave S é fechada, o líquido começa a escoar pelo registro cuja vazão volumétrica é $Q$. Diante do exposto, o instante de tempo $t$, no qual o gerador $G_1$ fornece $40\%$ da corrente demandada pela carga é:

Dados:

  • antes do fechamento da chave S: $R_1=4R_2$;
  • resistividade do líquido condutor: $\rho$; e
  • área da base do cilindro: $A$.
A)$0{,}5\,\dfrac{A^2R_2}{\rho Q}$
B)$1{,}0\,\dfrac{A^2R_2}{\rho Q}$
C)$1{,}5\,\dfrac{A^2R_2}{\rho Q}$
D)$2{,}0\,\dfrac{A^2R_2}{\rho Q}$
E)$2{,}5\,\dfrac{A^2R_2}{\rho Q}$

Gabarito Oficial

E
Resolução

Os dois geradores têm a mesma tensão induzida $E$ e estão em paralelo alimentando a carga, de modo que a tensão nos terminais é a mesma para ambos: \[V=E-R_1I_1=E-R_2I_2\quad\Rightarrow\quad R_1I_1=R_2I_2.\] A carga $R$ não aparece nessa relação.

Condição pedida. Se $G_1$ fornece $40\%$ da corrente da carga, $G_2$ fornece os $60\%$ restantes: $I_1=0{,}4\,I$ e $I_2=0{,}6\,I$. Então \[0{,}4\,R_1=0{,}6\,R_2\quad\Rightarrow\quad R_1=1{,}5\,R_2.\]

Variação de $R_1$ no tempo. A resistência do líquido condutor, de altura $h$ e seção $A$, é $R_1=\dfrac{\rho\,h}{A}$. Inicialmente $R_1=4R_2$, ou seja, $\dfrac{\rho h_0}{A}=4R_2$. O líquido escoa com vazão $Q$, de modo que seu volume diminui de $Q\,t$ e a altura diminui de $\dfrac{Q\,t}{A}$: \[h=h_0-\frac{Q\,t}{A}\quad\Rightarrow\quad R_1=\frac{\rho}{A}\left(h_0-\frac{Qt}{A}\right)=4R_2-\frac{\rho\,Q}{A^2}\,t.\]

Instante procurado. Impondo $R_1=1{,}5\,R_2$: \[4R_2-\frac{\rho Q}{A^2}\,t=1{,}5R_2\quad\Rightarrow\quad t=2{,}5\,\frac{A^2R_2}{\rho Q}.\]

Cuidado, armadilha! Atenção: não é preciso (nem possível) usar o valor de $R$ nem de $E$. A divisão de corrente entre os geradores só depende de $R_1$ e $R_2$. Outro cuidado é o sentido da variação: $R_1$ diminui com o tempo, pois a altura do líquido diminui.
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