IME 2027 — Física discursiva resolvida — Método TEF

Instituto Militar de Engenharia

Concurso 2026/2027 · Física discursiva · Q01–Q10.

Q01
Mecânica — Cinemática — Lançamento oblíquo e primeira lei da termodinâmica

Um foguete é lançado para atingir um alvo localizado no topo de uma montanha. O centro do alvo encontra-se a uma distância horizontal de 2,0 km e vertical de 1,0 km da plataforma de lançamento. O projeto prevê que o foguete deixe o lançador à velocidade de 200 m/s, formando um ângulo de 45° com a horizontal. Nessas condições, o ponto mais alto da trajetória coincide com o centro do alvo. A temperatura de projeto da câmara de combustão do foguete é 2560 K.

Entretanto, uma falha na combustão elevou a temperatura dos gases, sem alterar o ângulo de lançamento. Em consequência, ao passar pela vertical do alvo, o foguete encontrava-se 360 m acima do alvo e ainda em movimento ascendente. Para avaliar os efeitos energéticos da falha, considere que 2,0 kg de gases ideais foram aquecidos, a pressão constante, desde a temperatura de projeto até a temperatura atingida.

Dados:

• aceleração da gravidade: g = 10 m/s²;

• calor específico dos gases, a pressão constante: 1,0 kJ/(kg·K);

• aumento da energia interna dos gases durante a falha: 2016 kJ.

Observações:

• admita que a temperatura absoluta da câmara de combustão seja diretamente proporcional ao quadrado da velocidade de lançamento do foguete;

• despreze a resistência do ar.

Mediante as informações acima, na condição de falha, determine:

a) a velocidade de lançamento do foguete;

b) a temperatura atingida na câmara de combustão;

c) o trabalho realizado durante o aquecimento.

Resposta Método TEF — não oficial

a) 250 m/s; b) 4000 K; c) 864 kJ de trabalho realizado pelos gases.

Resolução comentada — Método TEF

a) Para o lançamento a 45°, eliminando o tempo, $y=x-gx^2/v_0^2$. Na vertical do alvo, $x=2000$ m e $y=1360$ m.

$1360=2000-\dfrac{10(2000)^2}{v_0^2}\Rightarrow v_0^2=62500\Rightarrow\boxed{v_0=250\ \mathrm{m/s}}$.

Verificação: o vértice está em $x_v=v_0^2/(2g)=3125$ m; em 2000 m o foguete ainda sobe.

b) De $T\propto v_0^2$, $\dfrac{T}{2560}=\dfrac{250^2}{200^2}$, portanto $\boxed{T=4000\ \mathrm K}$.

c) $\Delta T=1440$ K e $Q=mc_p\Delta T=2\cdot1\cdot1440=2880$ kJ. Pela primeira lei, $\Delta U=Q-W$, com W positivo na expansão: $\boxed{W=2880-2016=864\ \mathrm{kJ}}$.

Q02
Mecânica — Estática — Equilíbrio de treliças e barras de esforço nulo
Guindaste treliçado com junções A a F e carga P em C
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A figura representa esquematicamente um guindaste em equilíbrio quando está sendo aplicada uma força P na junção C.

Dado:

• força vertical para baixo aplicada em C: P = 100 kN.

Observação:

• despreze os pesos das barras do guindaste.

Para esse guindaste:

a) determine as reações (módulo, direção e sentido) em A e B;

b) determine os esforços normais nas barras da estrutura (CD, CF, DF, AD, AE, DE, BE e EF), discriminando também se são de tração ou de compressão;

c) explique a função da barra AE.

Resposta Método TEF — não oficial

a) A: 200 kN para cima; B: 100 kN para baixo; componentes horizontais nulas. b) CD e DE: 75 kN, compressão; CF e EF: 125 kN, tração; DF e AD: 200 kN, compressão; BE: 100 kN, tração; AE: zero. c) AE estabiliza a estrutura.

Resolução comentada — Método TEF

a) Como BE é vertical e o nó B não recebe outra barra, a reação horizontal em B é nula. Pelo equilíbrio global, a de A também é nula.

Momentos em A: $3P+3B_y=0\Rightarrow B_y=-100$ kN. Do equilíbrio vertical, $A_y+B_y-P=0$. Logo, $\boxed{A_y=200\ \mathrm{kN}\ \uparrow,\quad B_y=100\ \mathrm{kN}\ \downarrow}$. B deve ser ancorado para fornecer reação para baixo.

b) Adotamos esforço positivo para tração. As diagonais têm proporções 3–4–5. No nó C: $(4/5)N_{CF}=100$ e $N_{CD}+(3/5)N_{CF}=0$. Logo, CF tem 125 kN de tração e CD, 75 kN de compressão.

No nó F, o equilíbrio horizontal dá $N_{EF}=125$ kN (tração); o vertical dá $N_{DF}=-200$ kN (compressão). No nó D, $N_{AD}=-200$ kN e $N_{DE}=-75$ kN. No nó A, o equilíbrio horizontal fornece $N_{AE}=0$. No nó E, $N_{BE}=100$ kN (tração).

BarraEsforçoNatureza
CD75 kNCompressão
CF125 kNTração
DF200 kNCompressão
AD200 kNCompressão
AEZeroNulo neste carregamento
DE75 kNCompressão
BE100 kNTração
EF125 kNTração

c) AE triangula o painel A–D–E e impede sua deformação como mecanismo. Ela garante estabilidade geométrica e pode receber esforço sob outras cargas. Esforço nulo não significa barra dispensável.

Q03
Termologia — Dilatação térmica — Dilatação, equilíbrio e irradiância
Barra com haste fixa e gráfico triangular de irradiância
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Num determinado planeta, um objeto metálico escuro em forma de paralelepípedo encontra-se apoiado à esquerda e pendurado por uma haste inextensível com uma argola retangular de apoio à direita. Ao nascer de seu Sol (25% do dia), a extremidade direita do objeto está rigorosamente abaixo da haste, como mostra a Figura 1. Neste momento, a haste está quase se rompendo e só conseguirá suportar 0,1% a mais de tração. Ao amanhecer, a irradiância do Sol, cujo gráfico se encontra na Figura 2, incide sobre o objeto, sendo totalmente absorvida em sua área superior paralela ao plano horizontal.

Dados:

• densidade homogênea do objeto ao amanhecer: 2000 kg/m³;

• dimensões do objeto: 2 m x 25 cm x 5 cm;

• comprimento do objeto: L = 2 m;

• coeficiente de dilatação linear e calor específico do objeto metálico: 10⁻⁵ °C⁻¹ e 1,0 J/(g·°C);

• constante universal da gravitação: G;

• massa e raio do planeta: M e R;

• G · M/R² = 12 m/s²;

• duração de um dia no planeta: 8·10⁴ s.

Observações:

• o esquema da Figura 1 foi montado sobre a superfície do planeta;

• para efeito de cálculo, não considere as áreas laterais e nem a área de baixo para a absorção da irradiância;

• durante o processo de dilatação, o objeto desliza apenas à direita e sem atrito pela argola mantendo o ponto de sustentação fixo, sendo que a haste se mantém na vertical;

• o objeto permanece com a massa homogeneamente distribuída durante todo o aquecimento.

Diante do exposto, determine:

a) a reação no apoio à esquerda ao amanhecer;

b) a variação da temperatura do objeto desde o amanhecer até o momento do rompimento da haste;

c) o horário, em % do dia, no qual ocorre o rompimento da haste.

Resposta Método TEF — não oficial

a) 300 N para cima; b) 100 °C; c) aproximadamente 37,5% do dia.

Resolução comentada — Método TEF

a) $V_0=2\cdot0{,}25\cdot0{,}05=0{,}025$ m³, $m=2000V_0=50$ kg e $P=mg=600$ N. Inicialmente o centro de massa está no meio do vão: $\boxed{R_A=T_0=300\ \mathrm N}$.

b) O apoio direito permanece em $x=L$, enquanto o comprimento se torna $L'=L(1+\alpha\Delta T)$. O centro de massa passa a $L'/2$. Pelo equilíbrio de momentos, $TL=P\,L'/2$, logo $T=T_0(1+\alpha\Delta T)$.

No limite de ruptura, $T/T_0=1{,}001$. Assim, $\alpha\Delta T=0{,}001\Rightarrow\boxed{\Delta T=100\ ^\circ\mathrm C}$.

c) $Q=mc\Delta T=50\cdot1000\cdot100=5{,}0\times10^6$ J. Seja $\tau$ o tempo desde o amanhecer. A irradiância vai de zero a 4000 W/m² em 20000 s: $I(\tau)=0{,}2\tau$ W/m². A área superior inicial é $A_0=2\cdot0{,}25=0{,}50$ m².

A energia é a área triangular sob o gráfico, multiplicada por $A_0$: $Q=A_0(0{,}2\tau)\tau/2=0{,}05\tau^2$. Portanto, $\tau=10000$ s, ou 12,5% do dia. Somando os 25% do amanhecer, $\boxed{\text{horário}\approx37{,}5\%\ \text{do dia}}$.

Aproximação: considera-se a área inicial e desprezam-se perdas térmicas. A dilatação linear é só 0,1%; incluir a expansão da área altera apenas casas decimais seguintes do horário.
Q04
Eletricidade — Eletrodinâmica — Geradores, receptores e proteção por fusível
Gerador, receptores em paralelo e curva de ruptura do fusível
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A Figura 1 apresenta um gerador com força eletromotriz de 1000 V e resistência interna de 2 Ω que alimenta dois receptores, denominados Rec1 e Rec2, representados por uma força contra eletromotriz (fcem) e uma resistência interna (Rint), dadas por: Receptor Rec1: fcem 850 V; resistência interna 1 Ω. Receptor Rec2: fcem 900 V; resistência interna 2 Ω.

O gerador é protegido por um fusível F, cuja característica de tempo de rompimento (ruptura) versus razão I/IFUSÍVEL é dada pela curva, em escala linear, apresentada na Figura 2. Nela, I representa a corrente que passa pelo fusível e IFUSÍVEL a corrente máxima admitida pelo fusível.

Dados:

• corrente de projeto do fusível: IFUSÍVEL = 20 A;

• máximo tempo durante o qual o gerador pode operar em curto-circuito sem ser danificado: 50 ms.

No instante t = 0, a chave S é fechada. Assim:

a) determine as correntes em cada receptor imediatamente após o fechamento de S;

b) verifique, com a devida justificativa, se e quando ocorrerá o rompimento do fusível nessa condição de operação;

c) supondo agora que o sistema seja reiniciado depois da condição de operação do item (a), havendo se necessário a reposição de fusível, e que haja um curto-circuito entre os pontos A e B, indicados do circuito, no momento em que a chave S é fechada, verifique se o fusível conseguirá proteger a fonte de tensão.

Resposta Método TEF — não oficial

a) Rec1: 50 A; Rec2: zero. b) O fusível rompe em aproximadamente 1,5 s, por leitura do gráfico. c) Não protege: 100 ms de ruptura excedem o limite de 50 ms.

Resolução comentada — Método TEF

a) Seja U a tensão AB. $U=1000-2I$, $I_1=(U-850)/1$, $I_2=(U-900)/2$ e $I=I_1+I_2$.

$I=(1000-2I-850)+(1000-2I-900)/2=200-3I$. Portanto, $I=50$ A e $U=900$ V: $\boxed{I_1=50\ \mathrm A,\quad I_2=0}$.

b) $I/I_{\mathrm{FUSÍVEL}}=50/20=2{,}5$. A curva indica $\boxed{t_{\mathrm{ruptura}}\approx1{,}5\ \mathrm s}$. A corrente excede a de projeto e o fusível rompe.

c) No curto AB, a corrente do gerador é $I_{cc}=1000/2=500$ A. A razão $I_{cc}/I_{\mathrm{FUSÍVEL}}=25$ já está no patamar de ruptura $10^{-1}$ s, isto é, 100 ms.

Como $100$ ms $>50$ ms, $\boxed{\text{o fusível não protege o gerador nesse curto}}$.

O valor do item b é uma leitura aproximada da curva impressa.
Q05
Termologia — Termodinâmica — Máquinas térmicas e cogeração

Tendo em vista a expectativa de um aumento populacional associado à instalação de algumas unidades fabris em futuro próximo, a autoridade local de certo município conduz uma série de audiências públicas visando à aquisição de uma nova turbina, operando em um ciclo termodinâmico, para a geração de energia elétrica residencial.

A empresa A sugere um equipamento de 80 HP de potência útil, no qual calor é extraído de uma fonte quente a 900 K para o ciclo térmico, a uma taxa de 150 kW. Além disto, calor é rejeitado para uma fonte fria de temperatura não mencionada.

Uma segunda proposta, apresentada pela empresa B, recomenda a aquisição de um produto que opere em um ciclo termodinâmico “multifonte”. Nessa opção, calor é rejeitado a taxas distintas, para duas fontes frias: uma delas possui a mesma temperatura da concorrente recebendo, no entanto, metade do calor associado ao correspondente da empresa A. Já a segunda fonte encontra-se à temperatura de 300 K, recebendo certa quantidade de calor inicialmente não especificado. Ainda de acordo com o representante da empresa B, a temperatura de fonte quente e o calor recebido por seu ciclo termodinâmico são os mesmos do concorrente. O representante da empresa B argumenta que seu produto é capaz de suprir as necessidades de energia elétrica residencial de 350 unidades ao mesmo tempo, sendo ainda possível aquecer água para um posto de atendimento médico próximo, a uma taxa de 50 L por minuto, como subproduto da rejeição de calor para a fonte de 300 K.

Dados:

• 1HP = 3/4 kW;

• eficiência do ciclo termodinâmico da máquina da empresa A: 80 % do máximo admissível;

• consumo mensal no município por residência: 240 kW·h por unidade;

• calor específico da água: 4000 J/(kg·K);

• variação de temperatura da água a ser aquecida: +10 K;

• número de horas em um mês: 720 h;

• massa específica da água: 1 kg/L.

Considerando o ativo adicional apresentado pela proposta da empresa B, conduza uma análise termodinâmica da situação descrita e:

a) determine a temperatura da fonte fria do ciclo termodinâmico referente à empresa A;

b) avalie a taxa de calor rejeitada para a fonte fria no projeto da empresa A;

c) argumente conclusivamente se os aspectos mencionados pelo representante da empresa B são realísticos.

Resposta Método TEF — não oficial

a) 450 K; b) 90 kW; c) proposta incompatível com os dados: sobram 71,67 kW, equivalentes ao consumo médio de 215 residências, não 350.

Resolução comentada — Método TEF

a) $P_A=80(3/4)=60$ kW e $\eta_A=60/150=0{,}40=0{,}80\eta_{\max}$. Logo, $\eta_{\max}=0{,}50$. De $\eta_{\max}=1-T_f/900$, resulta $\boxed{T_f=450\ \mathrm K}$.

b) Pela primeira lei no ciclo, $\dot Q_{f,A}=150-60=\boxed{90\ \mathrm{kW}}$.

c) Cada residência consome em média $240/720=1/3$ kW. Para 350 unidades seriam necessários $350/3=116{,}67$ kW.

B rejeita 45 kW à fonte de 450 K. Para o aquecimento de água anunciado, $\dot Q_{300}=(50/60)\cdot4000\cdot10=33333$ W $=33{,}33$ kW.

A potência útil seria $P_B=150-45-33{,}33=\boxed{71{,}67\ \mathrm{kW}}$, equivalente ao consumo médio de 215 residências.

A segunda lei impõe $\dot S_{\mathrm{ger}}=45/450+\dot Q_{300}/300-150/900\ge0$. Assim, $\dot Q_{300}\ge20$ kW e $P_B\le85$ kW, mesmo sem exigir todo o aquecimento anunciado. A potência prometida de 116,67 kW também excede esse limite.

Com $\dot Q_{300}=33{,}33$ kW, $\dot S_{\mathrm{ger}}\approx0{,}0444$ kW/K é positiva: a operação com 71,67 kW é termodinamicamente possível, mas a promessa simultânea de 350 residências e aquecimento é incompatível com os dados.

Q06
Ondas — Acústica — Efeito Doppler, movimento circular e empuxo
Movimento da fonte sonora na piscina e posição do observador
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As figuras mostram uma fonte sonora de frequência f0 acoplada a um objeto motorizado em forma de casca esférica preso por um fio de comprimento L ao fundo de uma piscina. Tomando como referência a vista superior, o objeto executa um movimento circular uniforme no sentido anti-horário. Um observador localizado em O, na superfície da piscina, percebe as frequências 5f0/4 e 10f0/11 quando o objeto emite ao passar pelos pontos A e B, respectivamente.

Dados:

• massa do objeto: m = √3 kg;

• aceleração da gravidade: g = 10 m/s²;

• comprimento do fio: L = 10 m;

• distância AO: d = 10 m;

• massa específica da água: ρ = 1000 kg/m³;

• velocidade do som no ar: vsom = 340 m/s;

• √3 = 1,732;

• 34²/√3 = 667,4.

Observações:

• o observador está no mesmo plano que o movimento circular da fonte sonora;

• considere que o volume submerso do objeto não se altera durante o movimento;

• para efeito de cálculos desconsidere a resistência da água e as dimensões do objeto, que só devem ser consideradas no cálculo do empuxo.

Diante do exposto, determine:

a) a velocidade escalar do objeto;

b) o raio da trajetória;

c) a tração no fio;

d) o volume do objeto que permanece submerso durante o movimento.

Resposta Método TEF — não oficial

a) 68 m/s; b) $5\sqrt3$ m ≈ 8,66 m; c) 1067,84 N; d) 0,055124 m³ ≈ 55,12 L.

Resolução comentada — Método TEF

a) Em A a velocidade aponta diretamente para O. Para observador parado, $f_A=f_0\,340/(340-v)=5f_0/4$, logo $\boxed{v=68\ \mathrm{m/s}}$.

b) Em B a fonte se afasta com componente radial $v_r$: $340/(340+v_r)=10/11$, dando $v_r=34$ m/s.

Na vista superior, $BO=\sqrt{d^2+4r^2}$ e $v_r=v\,d/BO$. Portanto, $34=68\cdot10/\sqrt{100+4r^2}$, de onde $\boxed{r=5\sqrt3\ \mathrm m\approx8{,}66\ \mathrm m}$.

c) Para o ângulo do fio com a vertical, $\sin\theta=r/L=\sqrt3/2$ e $\cos\theta=1/2$. A componente horizontal da tração é centrípeta: $T\sin\theta=mv^2/r$.

$T=mv^2L/r^2=\dfrac85\dfrac{34^2}{\sqrt3}=\boxed{1067{,}84\ \mathrm N}$, usando o valor fornecido.

d) A tração aponta para o fundo. O empuxo equilibra peso e componente vertical da tração: $\rho gV=mg+T\cos\theta$.

$V=\dfrac{1{,}732\cdot10+1067{,}84/2}{1000\cdot10}=\boxed{0{,}055124\ \mathrm{m}^3\approx55{,}12\ \mathrm L}$.

Q07
Mecânica — Trabalho e energia — Energia eletrostática e mola no dodecágono
Partículas e mola em lado inclinado e depois horizontal do dodecágono
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Nas Figuras 1 e 2, a partícula P1, positivamente carregada, é abandonada a partir do repouso no vértice B de um dodecágono regular e pode deslizar sobre o segmento BC. No vértice C, encontra-se fixado um anteparo que prende uma das extremidades de uma mola, inicialmente relaxada. Na outra extremidade da mola, foi fixada a partícula P2, também positivamente carregada e que também pode deslizar sobre BC.

Considere que, assim que as partículas alcancem a aproximação máxima entre elas, todo o sistema será instantaneamente girado no sentido anti-horário, de 30°, sem adicionar energia cinética às partículas. A partir dessa nova configuração, a mola é desacoplada do sistema e totalmente retirada do vértice C e da partícula P2, sendo que as duas partículas passam a interagir entre si livremente. Essa situação está representada na Figura 3.

Dados:

• massas das partículas P1 e P2: m = 0,4 kg;

• distância inicial entre as partículas: d0 = 1,0 m;

• aceleração da gravidade: g = 10 m/s²;

• comprimento da mola relaxada: L0 = 0,15 m;

• carga de P1 e carga de P2: q1 = +20 µC e q2 = +5 µC;

• constante elástica da mola: muito alta;

• constante eletrostática do vácuo: Ke = 9·10⁹ N·m²/C².

Observações:

• todo o sistema encontra-se no vácuo;

• despreze as dimensões das partículas e do anteparo;

• como a constante elástica da mola é muito alta, despreze a variação da posição da partícula P2 para efeitos de cálculo no movimento da partícula P1;

• as partículas deslizam sem atrito sobre o segmento BC;

• durante o giro, as posições relativas das partículas não se alteram.

Diante do exposto:

a) na condição de aproximação máxima entre as partículas, determine a distância entre P1 e P2;

b) na condição de aproximação máxima entre as partículas, estime a razão aproximada entre a energia potencial elástica da mola e a variação da energia potencial gravitacional de P2;

c) após a condição da Figura 2, determine a velocidade de P2 ao atingir um vértice do dodecágono.

Resposta Método TEF — não oficial

a) 0,45 m; b) $-29/18$ para a variação gravitacional algébrica, ou $29/18$ em módulo, na estimativa quase estática; c) $\sqrt2$ m/s ≈ 1,41 m/s.

Resolução comentada — Método TEF

O ângulo externo do dodecágono é 30°; inicialmente BC faz 30° abaixo da horizontal. $K_eq_1q_2=0{,}90$ N·m².

a) Com P2 aproximadamente fixa, P1 desce $d_0-d$ ao longo do lado até parar. A perda gravitacional torna-se energia elétrica:

$mg\sin30°(d_0-d)=K_eq_1q_2(1/d-1/d_0)$.

$2(1-d)=0{,}9(1/d-1)$. Descartando a raiz inicial $d=1$ m, $\boxed{d=0{,}45\ \mathrm m}$.

b) Seja $\delta$ a pequena compressão. Na estimativa quase estática, $k\delta\simeq mg\sin30°+K_eq_1q_2/d^2=2+0{,}9/0{,}45^2=58/9$ N.

$U_e=k\delta^2/2$ e $\Delta U_{g,2}=-mg\delta\sin30°=-2\delta$. Logo, $\boxed{U_e/\Delta U_{g,2}\simeq-29/18\approx-1{,}61}$. A razão entre os módulos é $29/18$.

Limite da estimativa: o item b usa o limite quase estático de mola muito rígida. Rigorosamente, rigidez alta sozinha não elimina oscilações rápidas de P2; sem essa aproximação, a solução dinâmica depende da constante elástica e da fase da oscilação. A variação gravitacional é negativa porque P2 desce ao comprimir a mola.

c) Após o giro, BC fica horizontal. No mesmo limite de mola rígida, as velocidades iniciais são aproximadamente nulas. Massas iguais adquirem velocidades opostas e deslocamentos de mesmo módulo.

P2 percorre $L_0=0{,}15$ m até C; P1 recua 0,15 m. A distância final é $d_f=0{,}45+2(0{,}15)=0{,}75$ m.

A energia liberada é $0{,}9(1/0{,}45-1/0{,}75)=0{,}80$ J. Cada partícula recebe 0,40 J: $0{,}4v_2^2/2=0{,}40$, portanto $\boxed{v_2=\sqrt2\ \mathrm{m/s}\approx1{,}41\ \mathrm{m/s}}$.

Q08
Óptica — Óptica física — Rede de difração e contagem de máximos
Rede de difração e anteparo centrado de comprimento L
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Um feixe de luz monocromática incide ortogonalmente em uma rede de difração. As franjas resultantes são estreitas e projetadas em um anteparo plano centralizado, sendo este paralelo ao plano da rede, conforme apresentado na figura. Sabe-se que o anteparo está em movimento retilíneo uniforme na direção de propagação do feixe de luz. Num instante t1, o número de franjas (máximos de interferência) observados no anteparo passa de 7 para 5. Já no instante t1 + 2 s, esse número se reduz a 3.

Dados:

• comprimento de onda do feixe de luz: λ = 625 nm;

• resolução vertical da rede de difração: 400 linhas por mm;

• comprimento do anteparo: L = 1,2 m;

• tabela de raízes quadradas: √2 = 1,41; √3 = 1,73; √5 = 2,24; √6 = 2,45; √7 = 2,65; √8 = 2,83; √13 = 3,61; √14 = 3,74; √15 = 3,87.

Com base nas informações apresentadas, determine (justificando):

a) se o anteparo está afastando-se ou aproximando-se da rede;

b) a distância do anteparo à rede no instante t1;

c) o módulo da velocidade do anteparo;

d) a distância percorrida desde o instante t1 para que, a partir desse momento, só fique possível observar 1 máximo no anteparo.

Resposta Método TEF — não oficial

a) Afasta-se. b) $0{,}2\sqrt7$ m ≈ 0,53 m; c) $0{,}3\sqrt3-0{,}1\sqrt7$ m/s ≈ 0,254 m/s; d) $0{,}6\sqrt{15}-0{,}2\sqrt7$ m ≈ 1,79 m.

Resolução comentada — Método TEF

O espaçamento é $a=1/(400\cdot10^3)=2{,}5\times10^{-6}$ m. Como $\lambda/a=1/4$, $\sin\theta_m=m/4$. A posição de um máximo no anteparo é $y_m=D\tan\theta_m$.

a) Aumentando D, os máximos se afastam do centro e saem do anteparo de tamanho fixo. A redução 7 → 5 → 3 indica que o anteparo se afasta.

b) Na transição 7 → 5, os máximos $\pm3$ cruzam as bordas a $L/2=0{,}6$ m. Como $\tan\theta_3=3/\sqrt7$, $\boxed{D_1=0{,}2\sqrt7\ \mathrm m\approx0{,}53\ \mathrm m}$.

c) Dois segundos depois saem os máximos $\pm2$. $\tan\theta_2=1/\sqrt3$, então $D_2=0{,}6\sqrt3$ m.

$\boxed{v=(D_2-D_1)/2=0{,}3\sqrt3-0{,}1\sqrt7\ \mathrm{m/s}\approx0{,}254\ \mathrm{m/s}}$, usando as raízes da tabela.

d) Para restar apenas o máximo central, $\pm1$ devem sair. Como $\tan\theta_1=1/\sqrt{15}$, $D_3=0{,}6\sqrt{15}$ m.

$\boxed{\Delta D=D_3-D_1=0{,}6\sqrt{15}-0{,}2\sqrt7\approx1{,}79\ \mathrm m}$. Imediatamente após esse limite, apenas $m=0$ permanece.

Q09
Óptica — Reflexão e espelhos — Reflexão em esfera de raio variável

Uma esfera, cuja superfície externa é perfeitamente refletora, tem seu centro fixo no ponto de coordenadas (L, h). Seu raio R aumenta linearmente com o tempo segundo a equação: R(t) = ut.

No instante t = 0, um fóton parte da origem propagando-se à velocidade da luz na direção da reta x = √3 y, nos sentidos positivos de ambos os eixos. Em determinado instante, o fóton atinge a superfície da esfera e passa a propagar-se paralelamente ao eixo y, em seu sentido negativo.

Dado:

• velocidade da luz: c.

Observações:

• t ≥0;

• h > 0;

• L > 0;

• u < c;

• para determinar a direção do fóton refletido, despreze os efeitos do movimento da superfície da esfera e os efeitos relativísticos.

Determine:

a) a velocidade u de expansão do raio da esfera em função de h, L e c;

b) a condição à qual as coordenadas h e L devem satisfazer para que a imposição física do problema seja possível.

Resposta Método TEF — não oficial

a) $u=c(\sqrt3h-L)/(\sqrt3L-h)$; b) $L/\sqrt3<h<L$.

Resolução comentada — Método TEF

a) A direção incidente faz 30° com x. No instante de incidência, $P=(\sqrt3ct/2,\ ct/2)$.

Os versores incidente e refletido são $\hat s_i=(\sqrt3/2,1/2)$ e $\hat s_r=(0,-1)$. A normal é paralela a $\hat s_i-\hat s_r$. A normal externa voltada para o fóton que chega é $\hat n=(-1/2,-\sqrt3/2)$.

Como $P-(L,h)=ut\,\hat n$, $2L=t(\sqrt3c+u)$ e $2h=t(c+\sqrt3u)$. Combinando, $ct=\sqrt3L-h$ e $ut=\sqrt3h-L$.

$$\boxed{u=c\,\frac{\sqrt3h-L}{\sqrt3L-h}}.$$

b) Colisão em $t>0$ e expansão $u>0$ exigem $\sqrt3L-h>0$ e $\sqrt3h-L>0$. Além disso, $u<c$ implica $\sqrt3h-L<\sqrt3L-h$, ou seja, $h<L$.

$$\boxed{L/\sqrt3<h<L}.$$

Os extremos não são admitidos: o primeiro daria ausência de expansão; o segundo exigiria $u=c$.

Q10
Eletromagnetismo — Força magnética — Estabilidade e pequenas oscilações
Quatro configurações de correntes e velocidade e passo das oscilações
Ampliar figura

Numa situação a ser escolhida, uma partícula carregada positivamente se desloca à velocidade v vertical de forma equidistante a dois fios infinitos e no mesmo plano deles, sendo que, supondo haver um pequeno desvio horizontal de trajetória, haverá uma força restauradora sobre a partícula, mantendo-a no movimento quase vertical.

Dados:

• distância entre os dois fios: d ;

• massa da partícula: m ;

• carga positiva da partícula: q ;

• correntes elétricas rigorosamente iguais em cada fio: i ;

• velocidade escalar da partícula: v ;

• permeabilidade magnética do meio: µ0;

• 1/(1 + x) ≈1 −x para |x| ≪1.

Observação:

• assume-se que o movimento continua confinado ao plano dos fios mesmo após eventuais desvios.

Considerando as 4 situações ilustradas, determine:

a) a(s) que poderá(ão) ser escolhida(s) para satisfazer à condição de restauração horizontal supracitada, justificando a escolha ou não para cada uma das situações;

b) o valor aproximado do passo p, indicado na figura mais à direita, para oscilações de pequenas amplitudes, que caracteriza a distância entre dois cruzamentos pelo eixo y na(s) situação(ões) escolhida(s) no item anterior.

Resposta Método TEF — não oficial

a) Apenas a situação 2. b) $p=(\pi d/2)\sqrt{\pi m v/(\mu_0 i q)}$.

Resolução comentada — Método TEF

a) Tome x para a direita, y para cima e z para fora do papel. Na situação 2, as duas correntes sobem e a partícula desce. No meio, os campos cancelam-se. Um desvio para a direita aproxima a partícula do fio direito, cujo campo sai do papel. Para $q>0$ e $\vec v=-v\hat y$, a força aponta para a esquerda, restaurando o equilíbrio. À esquerda ocorre o inverso.

Na situação 3, inverter a velocidade inverte a força e reforça os desvios: equilíbrio instável. Nas situações 1 e 4, os campos dos fios somam-se entre eles e entram no papel. Já na posição central existe força horizontal: para a direita em 1 e para a esquerda em 4. Não há equilíbrio na linha central. Portanto, $\boxed{\text{apenas a situação 2}}$.

b) Para um pequeno deslocamento x na situação 2:

$$B_z=\frac{\mu_0i}{2\pi}\left(\frac1{d/2-x}-\frac1{d/2+x}\right)\simeq\frac{4\mu_0i}{\pi d^2}x.$$

$F_x=-qvB_z=-[4\mu_0iqv/(\pi d^2)]x$, logo $\omega^2=4\mu_0iqv/(\pi md^2)$.

Dois cruzamentos sucessivos do eixo são separados por meio período. A velocidade vertical permanece v em primeira ordem; portanto, $p=v\pi/\omega$:

$$\boxed{p=\frac{\pi d}{2}\sqrt{\frac{\pi m v}{\mu_0 i q}}}.$$