ITA 2022 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Tecnológico de Aeronáutica — Física 2022

15 objetivas da 1ª fase (Q01–Q15) e 10 dissertativas da 2ª fase (Q01–Q10 no caderno; Q16–Q25 na navegação da página). Transcrição HTML, figuras recortadas, resoluções e auditoria TEF. Gabarito oficial da 1ª fase ↗

Dados da prova

1ª fase · $g=10\ \text{m/s}^2$
1ª fase · distância média Terra–Sol: $1\ \text{UA}=1{,}5\times10^{11}\ \text{m}$
1ª e 2ª fases · $c=3{,}0\times10^8\ \text{m/s}$
2ª fase · massa molar do ar seco: $29\ \text{g/mol}$
2ª fase · massa molar da água: $18\ \text{g/mol}$
2ª fase · constante de Rydberg: $R_y=13{,}6\ \text{eV}$
Q01
Metrologia — Sistema Internacional — Redefinição de unidades

Em 2019, no 144º aniversário da Convenção do Metro, as unidades básicas do SI foram redefinidas pelo Escritório Internacional de Pesos e Medidas (BIPM). A seguir, são feitas algumas afirmações sobre as modificações introduzidas pela redefinição de 2019.

1. São apenas sete as constantes da natureza definidas como exatas, a saber: a velocidade da luz ($c$), a frequência de transição de estrutura hiperfina do Césio-133 ($\Delta\nu_{\mathrm{Cs}}$), a constante de Planck ($h$), a carga elementar ($e$), a constante de Boltzmann ($k_B$), o número de Avogadro ($N_A$) e a eficácia luminosa da radiação monocromática na frequência de $540\ \text{THz}$ ($K_{\mathrm{cd}}$).

2. São apenas seis as constantes da natureza definidas como exatas: velocidade da luz, constante de Planck, carga elementar, constante de Boltzmann, número de Avogadro e eficácia luminosa na frequência de $683\ \text{THz}$.

4. O protótipo de platina e irídio, conservado como padrão do quilograma, tornou-se obsoleto, e o quilograma passou a ser definido em termos de constantes fundamentais exatas.

8. As sete unidades básicas na redefinição do SI são: segundo, metro, quilograma, coulomb, mol, kelvin e candela.

Assinale a alternativa que contém a soma dos números correspondentes às afirmações verdadeiras.

A)2
B)5
C)8
D)10
E)13
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Separar as sete constantes definidoras do SI das sete unidades de base e conferir as duas afirmações quase idênticas sobre frequências.

Principal obstáculo: Trocar ampere por coulomb e supor que a eficácia luminosa está definida em $683\ \text{THz}$ em vez de ter valor numérico $683\ \text{lm/W}$ em $540\ \text{THz}$.

Evidência verificável de domínio: Identificar verdadeiras 1 e 4 e justificar a soma 5 pelas definições metrológicas.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 2/4: Objeto físico: Separar as sete constantes definidoras do SI das sete unidades de base e conferir as duas afirmações quase idênticas sobre frequências.
  • M · Matemática — 1/4: Formalização quantitativa: O padrão material de platina-irídio deixou de definir a unidade de massa: a proposição 4 é verdadeira. A unidade básica elétrica do SI é o ampere, e não o coulomb: a proposição 8 é falsa.
  • E · Etapas — 2/4: Encadeamento: 3 decisões explícitas; As sete constantes de valor fixado na redefinição de 2019 incluem a frequência do césio e a eficácia luminosa em $540\ \text{THz}$. Assim, a proposição 1 é verdadeira, enquanto a 2 é falsa.
  • C · Contexto — 3/4: Leitura do cenário: As sete constantes de valor fixado na redefinição de 2019 incluem a frequência do césio e a eficácia luminosa em $540\ \text{THz}$. Assim, a proposição 1 é verdadeira, enquanto a 2 é falsa.
  • S · Sacada — 2/4: Passagem-chave: A soma solicitada é $1+4=5$.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Trocar ampere por coulomb e supor que a eficácia luminosa está definida em $683\ \text{THz}$ em vez de ter valor numérico $683\ \text{lm/W}$ em $540\ \text{THz}$.
  • R · Relações — 2/4: Relação verificável: Identificar verdadeiras 1 e 4 e justificar a soma 5 pelas definições metrológicas.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

B
Resolução — Método TEF

Estratégia física. As sete constantes de valor fixado na redefinição de 2019 incluem a frequência do césio e a eficácia luminosa em $540\ \text{THz}$. Assim, a proposição 1 é verdadeira, enquanto a 2 é falsa.

O padrão material de platina-irídio deixou de definir a unidade de massa: a proposição 4 é verdadeira. A unidade básica elétrica do SI é o ampere, e não o coulomb: a proposição 8 é falsa.

A soma solicitada é $1+4=5$.

Cuidado, armadilha! Trocar ampere por coulomb e supor que a eficácia luminosa está definida em $683\ \text{THz}$ em vez de ter valor numérico $683\ \text{lm/W}$ em $540\ \text{THz}$.

Alternativa correta: B

Q02
Mecânica — Dinâmica impulsiva — Choque unidimensional

A bola $A$, de massa $m$, é liberada a partir do repouso de um edifício exatamente quando a bola $B$, de massa $3m$, é lançada verticalmente para cima a partir do solo. As duas bolas colidem quando a bola $A$ tem o dobro da velocidade de $B$ e sentido oposto. O coeficiente de restituição da colisão é dado por $e=0{,}5$. Determine a razão das velocidades, $|v_A/v_B|$, logo após o choque.

A)0
B)1
C)5
D)11
E)13
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Usar conjuntamente conservação do momento e coeficiente de restituição, distinguindo sinais antes e depois do impacto.

Principal obstáculo: Ignorar que as bolas têm massas diferentes ou inserir velocidades com sinais iguais na equação de restituição.

Evidência verificável de domínio: Obter $v_A^{\prime}=11u/8$ e $v_B^{\prime}=-u/8$, de modo que a razão absoluta é 11.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 3/4: Objeto físico: Usar conjuntamente conservação do momento e coeficiente de restituição, distinguindo sinais antes e depois do impacto.
  • M · Matemática — 3/4: Formalização quantitativa: Conservação da quantidade de movimento: $m(-2u)+3mu=mv_A^{\prime}+3mv_B^{\prime}$, ou $v_A^{\prime}+3v_B^{\prime}=u$.
  • E · Etapas — 3/4: Encadeamento: 4 decisões explícitas; Escolhemos o sentido positivo para cima e representamos as velocidades imediatamente antes da colisão por $v_A=-2u$ e $v_B=+u$.
  • C · Contexto — 2/4: Leitura do cenário: Escolhemos o sentido positivo para cima e representamos as velocidades imediatamente antes da colisão por $v_A=-2u$ e $v_B=+u$.
  • S · Sacada — 2/4: Passagem-chave: O coeficiente de restituição fornece $v_A^{\prime}-v_B^{\prime}=e\,[u-(-2u)]=\frac{3u}{2}$. Resolvendo o sistema, $v_B^{\prime}=-u/8$ e $v_A^{\prime}=11u/8$.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Ignorar que as bolas têm massas diferentes ou inserir velocidades com sinais iguais na equação de restituição.
  • R · Relações — 3/4: Relação verificável: Obter $v_A^{\prime}=11u/8$ e $v_B^{\prime}=-u/8$, de modo que a razão absoluta é 11.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

D
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Escolhemos o sentido positivo para cima e representamos as velocidades imediatamente antes da colisão por $v_A=-2u$ e $v_B=+u$.

Conservação da quantidade de movimento: $m(-2u)+3mu=mv_A^{\prime}+3mv_B^{\prime}$, ou $v_A^{\prime}+3v_B^{\prime}=u$.

O coeficiente de restituição fornece $v_A^{\prime}-v_B^{\prime}=e\,[u-(-2u)]=\frac{3u}{2}$. Resolvendo o sistema, $v_B^{\prime}=-u/8$ e $v_A^{\prime}=11u/8$.

Consequentemente, $\left|v_A^{\prime}/v_B^{\prime}\right|=11$.

Cuidado, armadilha! Ignorar que as bolas têm massas diferentes ou inserir velocidades com sinais iguais na equação de restituição.

Alternativa correta: D

Q03
Mecânica — Estática — Equilíbrio de momentos

Uma ponte levadiça uniforme com peso $P$ e comprimento $L$ é sustentada por uma corda vertical na extremidade $B$, que pode sustentar uma tensão máxima de $1{,}5P$. A ponte é articulada no ponto fixo $A$. Um homem de peso $P_h$ começa a subir a ponte a partir do ponto $A$ até causar o rompimento da corda. Assinale a alternativa que contém a distância percorrida pelo homem ao longo da ponte.

Diagrama ou gráfico original da questão 3 do ITA 2022, 1ª fase
A)$PL/P_h$
B)$P_hL/P$
C)$PL/P_h$
D)$2PL/P_h$
E)$3PL/P_h$
Observação documental. Questão anulada pelo ITA. No caderno original, as alternativas A e C apresentam a mesma expressão.
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Equilibrar torques em relação à dobradiça e reconhecer que a inclinação não altera a distância sobre a ponte.

Principal obstáculo: Há duplicidade literal das alternativas A e C; nenhuma escolha única é possível.

Evidência verificável de domínio: Derivar $x=PL/P_h$ e reconhecer a anulação oficial por duplicação de respostas.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 2/4: Objeto físico: Equilibrar torques em relação à dobradiça e reconhecer que a inclinação não altera a distância sobre a ponte.
  • M · Matemática — 2/4: Formalização quantitativa: No limiar de ruptura, $(1{,}5P)L\cos\theta=P(L/2)\cos\theta+P_h x\cos\theta$. Portanto, $P_hx=PL$, isto é, $x=PL/P_h$.
  • E · Etapas — 2/4: Encadeamento: 3 decisões explícitas; Calculamos os momentos em torno da articulação $A$. O braço de cada força vertical é proporcional a $\cos\theta$, que se cancela na equação.
  • C · Contexto — 2/4: Leitura do cenário: Calculamos os momentos em torno da articulação $A$. O braço de cada força vertical é proporcional a $\cos\theta$, que se cancela na equação.
  • S · Sacada — 1/4: Passagem-chave: O resultado físico está repetido nas alternativas A e C do caderno. O gabarito oficial anula a questão por erro de digitação.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Há duplicidade literal das alternativas A e C; nenhuma escolha única é possível.
  • R · Relações — 2/4: Relação verificável: Derivar $x=PL/P_h$ e reconhecer a anulação oficial por duplicação de respostas.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

ANULADA (gabarito oficial)
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Calculamos os momentos em torno da articulação $A$. O braço de cada força vertical é proporcional a $\cos\theta$, que se cancela na equação.

No limiar de ruptura, $(1{,}5P)L\cos\theta=P(L/2)\cos\theta+P_h x\cos\theta$. Portanto, $P_hx=PL$, isto é, $x=PL/P_h$.

O resultado físico está repetido nas alternativas A e C do caderno. O gabarito oficial anula a questão por erro de digitação.

Cuidado, armadilha! Há duplicidade literal das alternativas A e C; nenhuma escolha única é possível.

Resultado oficial: ANULADA

Q04
Mecânica — Dinâmica em curvas — Força normal e conservação da energia

Um garoto de massa $m$ desliza sobre um escorregador de superfície lisa e com raio de curvatura constante dado por $R$. O platô superior de onde o menino inicia sua descida encontra-se à altura $H$ do chão. Calcule a reação normal de contato que a rampa exerce sobre o garoto no instante iminentemente anterior à chegada aproximadamente horizontal dele ao chão.

Diagrama ou gráfico original da questão 4 do ITA 2022, 1ª fase
A)$mg\left(1+\dfrac{2H}{R}\right)$
B)$mg\left(1+\dfrac HR\right)$
C)$mg$
D)$mg\left(1-\dfrac HR\right)$
E)$mg\left(1-\dfrac{2H}{R}\right)$
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Combinar a queda de energia potencial com a equação radial de Newton na chegada.

Principal obstáculo: Confundir força centrípeta com uma terceira força ou inverter o sinal do peso na parte inferior.

Evidência verificável de domínio: Justificar $N=mg+mv^2/R$ e obter a alternativa A com dependência linear de $H/R$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 2/4: Objeto físico: Combinar a queda de energia potencial com a equação radial de Newton na chegada.
  • M · Matemática — 2/4: Formalização quantitativa: Na parte inferior, a concavidade do escorregador é para cima. Na direção radial, $N-mg=mv^2/R$.
  • E · Etapas — 2/4: Encadeamento: 3 decisões explícitas; A conservação da energia, partindo do repouso e sem atrito, fornece $mgH=\frac12mv^2$ e $v^2=2gH$.
  • C · Contexto — 2/4: Leitura do cenário: A conservação da energia, partindo do repouso e sem atrito, fornece $mgH=\frac12mv^2$ e $v^2=2gH$.
  • S · Sacada — 2/4: Passagem-chave: Substituindo a rapidez, obtemos $N=mg+2mgH/R=mg(1+2H/R)$.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Confundir força centrípeta com uma terceira força ou inverter o sinal do peso na parte inferior.
  • R · Relações — 2/4: Relação verificável: Justificar $N=mg+mv^2/R$ e obter a alternativa A com dependência linear de $H/R$.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

A
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A conservação da energia, partindo do repouso e sem atrito, fornece $mgH=\frac12mv^2$ e $v^2=2gH$.

Na parte inferior, a concavidade do escorregador é para cima. Na direção radial, $N-mg=mv^2/R$.

Substituindo a rapidez, obtemos $N=mg+2mgH/R=mg(1+2H/R)$.

Cuidado, armadilha! Confundir força centrípeta com uma terceira força ou inverter o sinal do peso na parte inferior.

Alternativa correta: A

Q05
Mecânica — Gravitação experimental — Balança de Cavendish

Em seu experimento para medir a constante gravitacional $G$, Henry Cavendish utilizou uma balança de torção composta por uma haste leve e longa, de comprimento $L$, com duas massas $m$ em suas extremidades, suspensa por um fio fixado ao seu centro. Dois objetos de massa $M$ foram aproximados às extremidades da haste, conforme a figura, de tal forma que a haste sofreu um pequeno ângulo de deflexão $\Delta\phi$ a partir da posição inicial de repouso, e foi medida a distância $b$ entre os centros das massas $m$ e $M$ mais próximos. Quando torcido de um ângulo $\phi$, o fio gera um torque restaurador $\tau=-k\phi$. Determine a expressão aproximada de $G$ em termos dos parâmetros do sistema.

Diagrama ou gráfico original da questão 5 do ITA 2022, 1ª fase
A)$\dfrac{b^2k\Delta\phi}{4LMm}$
B)$\dfrac{b^2k\Delta\phi}{2LMm}$
C)$\dfrac{b^2k\Delta\phi}{LMm}$
D)$\dfrac{2b^2k\Delta\phi}{LMm}$
E)$\dfrac{4b^2k\Delta\phi}{LMm}$
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Interpretar geometricamente as duas forças como um binário e igualar seu torque ao restaurador elástico.

Principal obstáculo: Multiplicar ou dividir incorretamente por 2 ao considerar os braços de alavanca.

Evidência verificável de domínio: Produzir $G=k\Delta\phi b^2/(LMm)$ e justificar a aproximação de forças de pares próximos.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 3/4: Objeto físico: Interpretar geometricamente as duas forças como um binário e igualar seu torque ao restaurador elástico.
  • M · Matemática — 3/4: Formalização quantitativa: As forças atuam como um binário, com braço $L/2$ em cada extremidade: $\tau_g\simeq2F_g(L/2)=GMmL/b^2$.
  • E · Etapas — 3/4: Encadeamento: 3 decisões explícitas; A força gravitacional de cada par próximo vale aproximadamente $F_g=GMm/b^2$, desprezando interações mais distantes.
  • C · Contexto — 3/4: Leitura do cenário: A força gravitacional de cada par próximo vale aproximadamente $F_g=GMm/b^2$, desprezando interações mais distantes.
  • S · Sacada — 3/4: Passagem-chave: No equilíbrio, $k\Delta\phi\simeq GMmL/b^2$. Portanto, $G\simeq k\Delta\phi\,b^2/(LMm)$.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Multiplicar ou dividir incorretamente por 2 ao considerar os braços de alavanca.
  • R · Relações — 3/4: Relação verificável: Produzir $G=k\Delta\phi b^2/(LMm)$ e justificar a aproximação de forças de pares próximos.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

C
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A força gravitacional de cada par próximo vale aproximadamente $F_g=GMm/b^2$, desprezando interações mais distantes.

As forças atuam como um binário, com braço $L/2$ em cada extremidade: $\tau_g\simeq2F_g(L/2)=GMmL/b^2$.

No equilíbrio, $k\Delta\phi\simeq GMmL/b^2$. Portanto, $G\simeq k\Delta\phi\,b^2/(LMm)$.

Cuidado, armadilha! Multiplicar ou dividir incorretamente por 2 ao considerar os braços de alavanca.

Alternativa correta: C

Q06
Mecânica — Hidrodinâmica — Bernoulli e continuidade

Um fluido de densidade $\rho$, incompressível e homogêneo, move-se por um tubo horizontal com duas seções transversais de áreas $A_1$ e $A_2=kA_1$, em que $k$ é uma constante real positiva menor que $1$. Um elemento de volume de fluido entra no tubo com velocidade $v_1$ na região onde a seção transversal é $A_1$ e sai através da outra extremidade. O estreitamento do tubo acontece em um curto intervalo de comprimento, muito menor que o comprimento total. Assinale a alternativa que contém a diferença de pressão do fluido entre os pontos de entrada e saída do tubo.

A)0
B)$\dfrac{\rho v_1^2}{2}$
C)$\dfrac{\rho v_1^2}{2}\left(\dfrac{1-k^2}{k^2}\right)$
D)$\dfrac{\rho v_1^2}{2}\left(\dfrac{1-k}{k}\right)$
E)$\dfrac{\rho v_1^2}{2}\left(\dfrac{1-k^2}{k}\right)$
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Articular a continuidade de vazão com a variação da pressão em escoamento ideal.

Principal obstáculo: Usar $v_2=kv_1$ no lugar de $v_1/k$ e errar o expoente do denominador.

Evidência verificável de domínio: Mostrar que a pressão cai no estrangulamento e obter $(1-k^2)/k^2$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 2/4: Objeto físico: Articular a continuidade de vazão com a variação da pressão em escoamento ideal.
  • M · Matemática — 3/4: Formalização quantitativa: Na horizontal, Bernoulli dá $p_1+\frac12\rho v_1^2=p_2+\frac12\rho v_2^2$.
  • E · Etapas — 2/4: Encadeamento: 3 decisões explícitas; Pela continuidade, $A_1v_1=A_2v_2=kA_1v_2$, logo $v_2=v_1/k$.
  • C · Contexto — 2/4: Leitura do cenário: Pela continuidade, $A_1v_1=A_2v_2=kA_1v_2$, logo $v_2=v_1/k$.
  • S · Sacada — 2/4: Passagem-chave: Assim, $p_1-p_2=\frac{\rho v_1^2}{2}(1/k^2-1)=\frac{\rho v_1^2}{2}(1-k^2)/k^2$.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Usar $v_2=kv_1$ no lugar de $v_1/k$ e errar o expoente do denominador.
  • R · Relações — 3/4: Relação verificável: Mostrar que a pressão cai no estrangulamento e obter $(1-k^2)/k^2$.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

C
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Pela continuidade, $A_1v_1=A_2v_2=kA_1v_2$, logo $v_2=v_1/k$.

Na horizontal, Bernoulli dá $p_1+\frac12\rho v_1^2=p_2+\frac12\rho v_2^2$.

Assim, $p_1-p_2=\frac{\rho v_1^2}{2}(1/k^2-1)=\frac{\rho v_1^2}{2}(1-k^2)/k^2$.

Cuidado, armadilha! Usar $v_2=kv_1$ no lugar de $v_1/k$ e errar o expoente do denominador.

Alternativa correta: C

Q07
Mecânica — Oscilações e conservação — Colisão com parede e centro de massa

No laboratório de mecânica, carrinhos de massas $M$ e $2M$ são unidos por uma mola elástica ideal e oscilam livremente em um plano liso com período $T$. A seguir, o sistema é comprimido contra uma parede por uma força $F$ atuando sobre a massa $M$, conforme ilustra a figura. Nessa situação, a mola é sujeita a uma compressão $\ell$ em relação ao seu comprimento natural. Em determinado instante, a massa $M$ é liberada, e o sistema entra em movimento. Assinale a alternativa que contém a máxima velocidade atingida pelo centro de massa no movimento subsequente.

Diagrama ou gráfico original da questão 7 do ITA 2022, 1ª fase
A)0
B)$\dfrac{2\pi\ell}{T}$
C)$\dfrac{2\pi\ell}{3T}$
D)$\sqrt{\dfrac83}\,\dfrac{\pi\ell}{T}$
E)$\sqrt{\dfrac8{27}}\,\dfrac{\pi\ell}{T}$
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Distinguir o regime com reação da parede da fase livre e relacionar o período à massa reduzida.

Principal obstáculo: Conservar o momento desde a configuração comprimida apesar do impulso da parede, ou usar $T=2\pi\sqrt{M/k}$.

Evidência verificável de domínio: Reconhecer a massa reduzida $2M/3$ e obter $v_{CM}=\sqrt{8/27}\,\pi\ell/T$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Distinguir o regime com reação da parede da fase livre e relacionar o período à massa reduzida.
  • M · Matemática — 3/4: Formalização quantitativa: No instante em que cessa a reação da parede, a velocidade do centro de massa do conjunto vale $v_{CM}=Mu/(3M)=u/3$; depois disso, sem força externa horizontal, permanece constante.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 4 decisões explícitas; Enquanto o carrinho $2M$ ainda encosta na parede, a mola impulsiona somente $M$. A velocidade máxima desse carrinho, ao atingir o comprimento natural, é $u=\ell\sqrt{k/M}$.
  • C · Contexto — 3/4: Leitura do cenário: Enquanto o carrinho $2M$ ainda encosta na parede, a mola impulsiona somente $M$. A velocidade máxima desse carrinho, ao atingir o comprimento natural, é $u=\ell\sqrt{k/M}$.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Na oscilação livre inicial, $T=2\pi\sqrt{\mu_r/k}$ com massa reduzida $\mu_r=(2M)(M)/(3M)=2M/3$. Logo $k/M=8\pi^2/(3T^2)$.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Conservar o momento desde a configuração comprimida apesar do impulso da parede, ou usar $T=2\pi\sqrt{M/k}$.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Reconhecer a massa reduzida $2M/3$ e obter $v_{CM}=\sqrt{8/27}\,\pi\ell/T$.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

E
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Enquanto o carrinho $2M$ ainda encosta na parede, a mola impulsiona somente $M$. A velocidade máxima desse carrinho, ao atingir o comprimento natural, é $u=\ell\sqrt{k/M}$.

No instante em que cessa a reação da parede, a velocidade do centro de massa do conjunto vale $v_{CM}=Mu/(3M)=u/3$; depois disso, sem força externa horizontal, permanece constante.

Na oscilação livre inicial, $T=2\pi\sqrt{\mu_r/k}$ com massa reduzida $\mu_r=(2M)(M)/(3M)=2M/3$. Logo $k/M=8\pi^2/(3T^2)$.

Substituindo, $v_{CM,\max}=\ell\sqrt{k/M}/3=\sqrt{8/27}\,(\pi\ell/T)$.

Cuidado, armadilha! Conservar o momento desde a configuração comprimida apesar do impulso da parede, ou usar $T=2\pi\sqrt{M/k}$.

Alternativa correta: E

Q08
Termologia — Dilatação — Lâmina bimetálica e reflexão

Um pesquisador mergulha uma lâmina bimetálica de latão e ferro de $5\ \text{cm}$ de comprimento, $0{,}3\ \text{mm}$ de espessura e perfeitamente plana a $20\ ^\circ\text{C}$ em um fluido para estimar sua temperatura. Um feixe de laser incide sobre a extremidade superior da lâmina, como mostra a figura. A extremidade inferior é mantida fixa e sempre vertical. A lâmina encontra-se à distância $d=20{,}0\ \text{cm}$ de uma das paredes do recipiente, atravessada pelo feixe no ponto $P_1$. O laser reflete na extremidade e volta a incidir sobre a mesma parede no ponto $P_2$, distante $L=11{,}4\ \text{cm}$ de $P_1$. As lâminas superpostas têm a mesma espessura; o coeficiente de dilatação linear do latão é $\alpha_1=18\times10^{-6}\ \text{K}^{-1}$ e o do ferro é $\alpha_2=2\times10^{-6}\ \text{K}^{-1}$. Assinale a alternativa que apresenta o intervalo contendo a melhor estimativa da temperatura do fluido.

Diagrama ou gráfico original da questão 8 do ITA 2022, 1ª fase
A)$30\ ^\circ\text{C}\le T\le80\ ^\circ\text{C}$
B)$80\ ^\circ\text{C}\le T\le130\ ^\circ\text{C}$
C)$130\ ^\circ\text{C}\le T\le180\ ^\circ\text{C}$
D)$180\ ^\circ\text{C}\le T\le230\ ^\circ\text{C}$
E)$230\ ^\circ\text{C}\le T\le280\ ^\circ\text{C}$
Observação documental. Questão anulada oficialmente pelo ITA 2022 por erro de digitação. A transcrição preserva os valores impressos, sem correção silenciosa.
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Inferir a temperatura a partir de dilatação diferencial que curva um refletor e duplica a deflexão óptica.

Principal obstáculo: Incerteza na interpretação dimensional do bimetal; a banca anulou o item por erro de digitação.

Evidência verificável de domínio: Modelar as relações entre curvatura e reflexão e reconhecer o gabarito ANULADA, sem atribuir letra artificial.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Inferir a temperatura a partir de dilatação diferencial que curva um refletor e duplica a deflexão óptica.
  • M · Matemática — 3/4: Formalização quantitativa: Da geometria óptica, o ângulo de deflexão refletido é $\beta\simeq\arctan(L/d)$. Uma aproximação de pequenos ângulos relaciona a rotação do extremo à curvatura da lâmina.
  • E · Etapas — 3/4: Encadeamento: 3 decisões explícitas; A diferença entre as dilatações longitudinais das camadas gera uma curvatura. A deflexão do raio refletido é aproximadamente o dobro da rotação da superfície refletora.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: A diferença entre as dilatações longitudinais das camadas gera uma curvatura. A deflexão do raio refletido é aproximadamente o dobro da rotação da superfície refletora.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Registro editorial: o ITA anulou oficialmente a questão por erro de digitação. Como a geometria/espessura efetivas influenciam diretamente a estimativa, não é adequado escolher uma faixa numérica com base em uma correção não oficial.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Incerteza na interpretação dimensional do bimetal; a banca anulou o item por erro de digitação.
  • R · Relações — 3/4: Relação verificável: Modelar as relações entre curvatura e reflexão e reconhecer o gabarito ANULADA, sem atribuir letra artificial.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

ANULADA (gabarito oficial)
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A diferença entre as dilatações longitudinais das camadas gera uma curvatura. A deflexão do raio refletido é aproximadamente o dobro da rotação da superfície refletora.

Da geometria óptica, o ângulo de deflexão refletido é $\beta\simeq\arctan(L/d)$. Uma aproximação de pequenos ângulos relaciona a rotação do extremo à curvatura da lâmina.

Registro editorial: o ITA anulou oficialmente a questão por erro de digitação. Como a geometria/espessura efetivas influenciam diretamente a estimativa, não é adequado escolher uma faixa numérica com base em uma correção não oficial.

Cuidado, armadilha! Incerteza na interpretação dimensional do bimetal; a banca anulou o item por erro de digitação.

Resultado oficial: ANULADA

Q09
Ondulatória — Acústica — Espectro harmônico

Muitos instrumentos musicais, como o piano, geram sons a partir da excitação de cordas com extremidades fixas. Ao pressionar uma tecla, um dispositivo mecânico percute uma corda tensionada, produzindo uma onda sonora. O som produzido pelo piano em um determinado instante é captado, e sua decomposição espectral é fornecida no gráfico. Analise as sentenças:

I. Para gerar um espectro sonoro dessa natureza é necessário acionar cinco teclas do piano.

II. A velocidade de propagação de cada nota no ar é proporcional à sua frequência característica.

III. A frequência fundamental da corda, sujeita a uma tensão $T$, é inversamente proporcional à sua densidade linear de massa.

Assinale a alternativa correta.

Diagrama ou gráfico original da questão 9 do ITA 2022, 1ª fase
A)As sentenças I, II e III são falsas.
B)Apenas a sentença I é verdadeira.
C)Apenas a sentença II é verdadeira.
D)Apenas a sentença III é verdadeira.
E)Apenas as sentenças I e II são verdadeiras.
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Interpretar espectro de Fourier e distinguir harmônicos, velocidade da onda sonora no ar e frequência fundamental na corda.

Principal obstáculo: Confundir picos com teclas e perder a raiz quadrada na relação entre frequência e massa linear.

Evidência verificável de domínio: Invalidar separadamente I, II e III sem recorrer à contagem literal dos picos.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 3/4: Objeto físico: Interpretar espectro de Fourier e distinguir harmônicos, velocidade da onda sonora no ar e frequência fundamental na corda.
  • M · Matemática — 2/4: Formalização quantitativa: No mesmo ar, a velocidade de propagação sonora depende das propriedades do meio, não da frequência da nota: II é falsa.
  • E · Etapas — 3/4: Encadeamento: 4 decisões explícitas; Picos espectrais podem ser harmônicos de uma mesma nota; contar cinco picos não autoriza concluir que cinco teclas foram acionadas. Portanto, I é falsa.
  • C · Contexto — 3/4: Leitura do cenário: Picos espectrais podem ser harmônicos de uma mesma nota; contar cinco picos não autoriza concluir que cinco teclas foram acionadas. Portanto, I é falsa.
  • S · Sacada — 3/4: Passagem-chave: Uma corda de comprimento $L_c$ e densidade linear $\mu$ possui $f_1=(1/2L_c)\sqrt{T/\mu}$, proporcional a $\mu^{-1/2}$, e não a $\mu^{-1}$: III é falsa.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Confundir picos com teclas e perder a raiz quadrada na relação entre frequência e massa linear.
  • R · Relações — 3/4: Relação verificável: Invalidar separadamente I, II e III sem recorrer à contagem literal dos picos.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

A
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Picos espectrais podem ser harmônicos de uma mesma nota; contar cinco picos não autoriza concluir que cinco teclas foram acionadas. Portanto, I é falsa.

No mesmo ar, a velocidade de propagação sonora depende das propriedades do meio, não da frequência da nota: II é falsa.

Uma corda de comprimento $L_c$ e densidade linear $\mu$ possui $f_1=(1/2L_c)\sqrt{T/\mu}$, proporcional a $\mu^{-1/2}$, e não a $\mu^{-1}$: III é falsa.

Consequentemente, todas as afirmações são falsas.

Cuidado, armadilha! Confundir picos com teclas e perder a raiz quadrada na relação entre frequência e massa linear.

Alternativa correta: A

Q10
Óptica — Óptica geométrica — Lente e espelho coaxiais

Uma lente delgada convergente, com distância focal de $5\ \text{cm}$, é alinhada à frente de um espelho côncavo de distância focal de $2\ \text{cm}$, de forma que compartilhem o mesmo eixo óptico. Seja $x=0$ a posição do vértice do espelho e $x=8\ \text{cm}$ a posição da lente. Quais são as posições entre os elementos ópticos em que se pode colocar um objeto de forma que nenhuma imagem seja formada na região $x>8\ \text{cm}$?

A)$0\ \text{cm}\le x\le2{,}67\ \text{cm}$
B)$3\ \text{cm}\le x\le6\ \text{cm}$
C)$3\ \text{cm}\le x\le8\ \text{cm}$
D)$5\ \text{cm}\le x\le8\ \text{cm}$
E)$6\ \text{cm}\le x\le8\ \text{cm}$
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Analisar separadamente a imagem direta da lente e a imagem formada pelo espelho e posteriormente refratada.

Principal obstáculo: Tratar lente e espelho como um único sistema que forma somente uma imagem ou perder o sinal da imagem intermediária.

Evidência verificável de domínio: Localizar as fronteiras $x=3\ \text{cm}$ e $x=6\ \text{cm}$ e justificar a interseção dos intervalos.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Analisar separadamente a imagem direta da lente e a imagem formada pelo espelho e posteriormente refratada.
  • M · Matemática — 4/4: Formalização quantitativa: No caminho que se reflete primeiro no espelho côncavo, a equação de Gauss fornece uma imagem intermediária em $p_E^{\prime}=f_Ex/(x-f_E)=2x/(x-2)$.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 4 decisões explícitas; Para a lente que recebe diretamente luz do objeto, a distância objeto–lente é $p_L=8-x$. Ela gera imagem real à direita quando $p_L>f_L=5$, isto é, quando $x<3$. Assim, precisamos de $x\ge3$.
  • C · Contexto — 3/4: Leitura do cenário: Para a lente que recebe diretamente luz do objeto, a distância objeto–lente é $p_L=8-x$. Ela gera imagem real à direita quando $p_L>f_L=5$, isto é, quando $x<3$. Assim, precisamos de $x\ge3$.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Para não obter outra imagem real após a lente, a imagem intermediária deve ficar suficientemente próxima à lente, com $p_E^{\prime}\ge3$, o que, no domínio $x>2$, implica $x\le6$.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Tratar lente e espelho como um único sistema que forma somente uma imagem ou perder o sinal da imagem intermediária.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Localizar as fronteiras $x=3\ \text{cm}$ e $x=6\ \text{cm}$ e justificar a interseção dos intervalos.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

B
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Para a lente que recebe diretamente luz do objeto, a distância objeto–lente é $p_L=8-x$. Ela gera imagem real à direita quando $p_L>f_L=5$, isto é, quando $x<3$. Assim, precisamos de $x\ge3$.

No caminho que se reflete primeiro no espelho côncavo, a equação de Gauss fornece uma imagem intermediária em $p_E^{\prime}=f_Ex/(x-f_E)=2x/(x-2)$.

Para não obter outra imagem real após a lente, a imagem intermediária deve ficar suficientemente próxima à lente, com $p_E^{\prime}\ge3$, o que, no domínio $x>2$, implica $x\le6$.

Conciliando os dois caminhos ópticos, resulta $3\ \text{cm}\le x\le6\ \text{cm}$.

Cuidado, armadilha! Tratar lente e espelho como um único sistema que forma somente uma imagem ou perder o sinal da imagem intermediária.

Alternativa correta: B

Q11
Ondulatória — Interferência — Duas cores e franjas

Considere uma montagem de experimento de dupla fenda de Young, na qual as fendas estão afastadas de $d=2{,}0\ \text{mm}$ e são iluminadas por luz azul ($\lambda=480\ \text{nm}$) e amarela ($\lambda^{\prime}=600\ \text{nm}$), de mesma intensidade. O padrão de difração é projetado sobre um anteparo localizado a $5{,}0\ \text{m}$ das fendas. A que distância, contada a partir da região brilhante central, uma franja verde pode ser observada no anteparo?

A)$1{,}2\ \text{mm}$
B)$1{,}5\ \text{mm}$
C)$6{,}0\ \text{mm}$
D)$9{,}0\ \text{mm}$
E)Não é possível observar uma franja verde a partir desse arranjo experimental.
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Diferenciar superposição de intensidades da criação de um novo componente espectral.

Principal obstáculo: Tomar a mistura visual de duas cores como uma terceira onda monocromática com novo comprimento de onda.

Evidência verificável de domínio: Afirmar que interferência não altera as frequências incidentes e concluir que não há franja verde.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 2/4: Objeto físico: Diferenciar superposição de intensidades da criação de um novo componente espectral.
  • M · Matemática — 2/4: Formalização quantitativa: Porém a interferência modifica a distribuição espacial de intensidade sem alterar os comprimentos de onda presentes. As únicas componentes monocromáticas emitidas continuam sendo azul e amarela.
  • E · Etapas — 2/4: Encadeamento: 3 decisões explícitas; A posição de franjas de cada componente pode ser determinada por $y_m=m\lambda D/d$; a intensidade resultante exibe uma superposição de dois padrões.
  • C · Contexto — 3/4: Leitura do cenário: A posição de franjas de cada componente pode ser determinada por $y_m=m\lambda D/d$; a intensidade resultante exibe uma superposição de dois padrões.
  • S · Sacada — 3/4: Passagem-chave: Não se gera radiação verde pelo simples encontro de franjas azuis e amarelas. A resposta é a impossibilidade indicada em E.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Tomar a mistura visual de duas cores como uma terceira onda monocromática com novo comprimento de onda.
  • R · Relações — 2/4: Relação verificável: Afirmar que interferência não altera as frequências incidentes e concluir que não há franja verde.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

E
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A posição de franjas de cada componente pode ser determinada por $y_m=m\lambda D/d$; a intensidade resultante exibe uma superposição de dois padrões.

Porém a interferência modifica a distribuição espacial de intensidade sem alterar os comprimentos de onda presentes. As únicas componentes monocromáticas emitidas continuam sendo azul e amarela.

Não se gera radiação verde pelo simples encontro de franjas azuis e amarelas. A resposta é a impossibilidade indicada em E.

Cuidado, armadilha! Tomar a mistura visual de duas cores como uma terceira onda monocromática com novo comprimento de onda.

Alternativa correta: E

Q12
Eletricidade — Dinâmica de cargas — Campo elétrico e gravitacional

Considere o movimento de um objeto de massa $m=1{,}0\ \text{g}$, positivamente carregado, com carga $q=20{,}0\ \mu\text{C}$, na presença do campo gravitacional da superfície terrestre, $g$, e de um campo eletromagnético dado por $\vec B=B\hat k$ e $\vec E=E_y\hat j+E_z\hat k$, em que $B=1{,}00\ \text{T}$, $E_x=100\ \text{N/C}$ e $E_z=800\ \text{N/C}$. O eixo $z$ corresponde à direção vertical para cima. Sabendo que a partícula partiu da origem com velocidade $\vec v=\vec v_{\parallel}+\vec v_{\perp}$, sendo $v_{\parallel}=2{,}0\ \text{m/s}$ e $v_{\perp}=1{,}0\ \text{m/s}$, calcule o tempo necessário para atingir $z=1{,}0\ \text{m}$.

A)$0{,}33\ \text{s}$
B)$0{,}66\ \text{s}$
C)$1{,}00\ \text{s}$
D)$1{,}33\ \text{s}$
E)$1{,}66\ \text{s}$
Observação documental. Inconsistência de notação preservada do caderno: o campo é escrito com componente $E_y$, mas o valor dado aparece como $E_x=100\ \text{N/C}$. Isso não altera o cálculo vertical solicitado.
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Separar movimento paralelo e perpendicular ao campo magnético e analisar a dinâmica somente no eixo vertical.

Principal obstáculo: Incluir a força magnética na componente axial ou esquecer de converter gramas e microcoulombs.

Evidência verificável de domínio: Obter $a_z=6\ \text{m/s}^2$ e $t=1/3\ \text{s}$ independentemente da dinâmica transversal.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 3/4: Objeto físico: Separar movimento paralelo e perpendicular ao campo magnético e analisar a dinâmica somente no eixo vertical.
  • M · Matemática — 3/4: Formalização quantitativa: A aceleração em $z$ é $a_z=qE_z/m-g=(20\times10^{-6})(800)/(10^{-3})-10=6\ \text{m/s}^2$.
  • E · Etapas — 3/4: Encadeamento: 4 decisões explícitas; Como $\vec B$ é vertical, a força magnética $q\vec v\times\vec B$ não possui componente em $z$. O movimento vertical é determinado por $E_z$ e pela gravidade.
  • C · Contexto — 3/4: Leitura do cenário: Como $\vec B$ é vertical, a força magnética $q\vec v\times\vec B$ não possui componente em $z$. O movimento vertical é determinado por $E_z$ e pela gravidade.
  • S · Sacada — 3/4: Passagem-chave: A velocidade inicial paralela ao campo vale $v_{z0}=2{,}0\ \text{m/s}$. Logo, $z(t)=2t+3t^2$.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Incluir a força magnética na componente axial ou esquecer de converter gramas e microcoulombs.
  • R · Relações — 3/4: Relação verificável: Obter $a_z=6\ \text{m/s}^2$ e $t=1/3\ \text{s}$ independentemente da dinâmica transversal.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

A
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Como $\vec B$ é vertical, a força magnética $q\vec v\times\vec B$ não possui componente em $z$. O movimento vertical é determinado por $E_z$ e pela gravidade.

A aceleração em $z$ é $a_z=qE_z/m-g=(20\times10^{-6})(800)/(10^{-3})-10=6\ \text{m/s}^2$.

A velocidade inicial paralela ao campo vale $v_{z0}=2{,}0\ \text{m/s}$. Logo, $z(t)=2t+3t^2$.

Fazendo $z=1$, encontramos $3t^2+2t-1=0$. A raiz física é $t=1/3\ \text{s}\simeq0{,}33\ \text{s}$.

Cuidado, armadilha! Incluir a força magnética na componente axial ou esquecer de converter gramas e microcoulombs.

Alternativa correta: A

Q13
Eletricidade — Capacitores — Rede completa de seis nós

Considere um octaedro regular cujos vértices estão todos ligados por capacitores idênticos de capacitância $C$. Cada par de vértices, vizinhos ou não, está ligado por um capacitor. Calcule a capacitância equivalente entre dois vértices vizinhos do sólido.

A)$C$
B)$2C$
C)$3C$
D)$\dfrac{8C}{3}$
E)$8C$
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Reconhecer rede capacitiva completamente conectada, explorar equipotenciais por simetria e reduzir em série/paralelo.

Principal obstáculo: Contar apenas as arestas geométricas do octaedro e esquecer as ligações entre vértices opostos.

Evidência verificável de domínio: Explicar os quatro nós equipotenciais e chegar a $C_{eq}=3C$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 3/4: Objeto físico: Reconhecer rede capacitiva completamente conectada, explorar equipotenciais por simetria e reduzir em série/paralelo.
  • M · Matemática — 3/4: Formalização quantitativa: Ao aplicar tensão entre dois nós, os quatro restantes têm o mesmo potencial por simetria; capacitores entre esses nós não apresentam diferença de potencial.
  • E · Etapas — 3/4: Encadeamento: 4 decisões explícitas; A condição de que cada par de vértices esteja ligado transforma o problema em uma rede completa com seis nós, $K_6$, e não apenas nas doze arestas do octaedro.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: A condição de que cada par de vértices esteja ligado transforma o problema em uma rede completa com seis nós, $K_6$, e não apenas nas doze arestas do octaedro.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Entre os terminais há um capacitor direto $C$, além de quatro ramos independentes com dois capacitores em série, cada ramo equivalente a $C/2$.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Contar apenas as arestas geométricas do octaedro e esquecer as ligações entre vértices opostos.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Explicar os quatro nós equipotenciais e chegar a $C_{eq}=3C$.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

C
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A condição de que cada par de vértices esteja ligado transforma o problema em uma rede completa com seis nós, $K_6$, e não apenas nas doze arestas do octaedro.

Ao aplicar tensão entre dois nós, os quatro restantes têm o mesmo potencial por simetria; capacitores entre esses nós não apresentam diferença de potencial.

Entre os terminais há um capacitor direto $C$, além de quatro ramos independentes com dois capacitores em série, cada ramo equivalente a $C/2$.

A capacitância equivalente é $C_{eq}=C+4(C/2)=3C$.

Cuidado, armadilha! Contar apenas as arestas geométricas do octaedro e esquecer as ligações entre vértices opostos.

Alternativa correta: C

Q14
Magnetismo — Indução eletromagnética — Solenoides coaxiais

Considere um solenoide muito longo com $n_1$ voltas por unidade de comprimento e raio $a$. Situado no lado externo, há outro solenoide de comprimento $L$, com $n_2$ voltas por unidade de comprimento e raio $b$ ($b>a$). Metade do solenoide externo possui resistividade $\rho_1$ e a outra metade $\rho_2$. Os fios que compõem o solenoide possuem uma área transversal $A$ e seus terminais estão ligados em curto. A corrente que passa no solenoide interno varia linearmente no tempo, $I=I_0t$. Desprezando a autoindutância, a corrente induzida no solenoide externo pode ser escrita por

Diagrama ou gráfico original da questão 14 do ITA 2022, 1ª fase
A)$\dfrac{n_1\mu_0 I_0a^2A}{b(\rho_1+\rho_2)}$
B)$\dfrac{n_1\mu_0 I_0bA}{\rho_1+\rho_2}$
C)$\dfrac{n_1n_2\mu_0 I_0\pi a^2A}{b(\rho_1+\rho_2)}$
D)$\dfrac{n_1\mu_0 I_0a^2A(\rho_1+\rho_2)}{n_2Lb\rho_1\rho_2}$
E)$\dfrac{n_1\mu_0 I_0a^2A}{n_2Lb(\rho_1+\rho_2)}$
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Calcular a fem total pelo fluxo interno e a resistência de um enrolamento composto por dois materiais em série.

Principal obstáculo: Usar a área externa $\pi b^2$ para o fluxo ou esquecer que o número de espiras cancela no quociente fem/resistência.

Evidência verificável de domínio: Obter corrente independente de $L$ e $n_2$ após cancelamento e justificar a área $\pi a^2$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Calcular a fem total pelo fluxo interno e a resistência de um enrolamento composto por dois materiais em série.
  • M · Matemática — 4/4: Formalização quantitativa: Como há $N_2=n_2L$ espiras, $|\mathcal E|=N_2\mu_0n_1\pi a^2\,dI/dt=n_2L\mu_0n_1\pi a^2 I_0$.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 4 decisões explícitas; Dentro do solenoide longo, $B_1=\mu_0n_1I$, e o fluxo através de cada espira externa é $\Phi=B_1\pi a^2$ — o campo significativo ocupa a seção do solenoide interno.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: Dentro do solenoide longo, $B_1=\mu_0n_1I$, e o fluxo através de cada espira externa é $\Phi=B_1\pi a^2$ — o campo significativo ocupa a seção do solenoide interno.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: O comprimento do fio externo é aproximadamente $2\pi b n_2L$. Metade tem $\rho_1$ e metade $\rho_2$, logo $R=(\pi b n_2L/A)(\rho_1+\rho_2)$.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Usar a área externa $\pi b^2$ para o fluxo ou esquecer que o número de espiras cancela no quociente fem/resistência.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Obter corrente independente de $L$ e $n_2$ após cancelamento e justificar a área $\pi a^2$.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

A
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Dentro do solenoide longo, $B_1=\mu_0n_1I$, e o fluxo através de cada espira externa é $\Phi=B_1\pi a^2$ — o campo significativo ocupa a seção do solenoide interno.

Como há $N_2=n_2L$ espiras, $|\mathcal E|=N_2\mu_0n_1\pi a^2\,dI/dt=n_2L\mu_0n_1\pi a^2 I_0$.

O comprimento do fio externo é aproximadamente $2\pi b n_2L$. Metade tem $\rho_1$ e metade $\rho_2$, logo $R=(\pi b n_2L/A)(\rho_1+\rho_2)$.

Pela lei de Ohm, $i=|\mathcal E|/R=\mu_0n_1I_0a^2A/[b(\rho_1+\rho_2)]$.

Cuidado, armadilha! Usar a área externa $\pi b^2$ para o fluxo ou esquecer que o número de espiras cancela no quociente fem/resistência.

Alternativa correta: A

Q15
Física moderna — Energia solar — Fusão, irradiância e potência média

A energia produzida pelo Sol é resultante de reações de fusão nuclear de conversão de hidrogênio em hélio. São convertidas em radiação eletromagnética a cada segundo $4{,}3$ milhões de toneladas. Essa energia pode ser parcialmente convertida em energia elétrica em painéis solares na superfície da Terra com rendimento da ordem de $25\%$. Sabendo que a potência elétrica média consumida no Brasil é de $54\ \text{GW}$, estime a área que precisaria ser coberta por painéis solares para atender a demanda energética nacional. Despreze perdas de armazenamento e transmissão de energia, assim como efeitos da interação entre a luz e a atmosfera.

A)$21\ \text{km}^2$
B)$320\ \text{km}^2$
C)$4\,800\ \text{km}^2$
D)$52\,000\ \text{km}^2$
E)$680\,000\ \text{km}^2$
Observação documental. Nota crítica: o gabarito oficial é B, mas a área de $320\ \text{km}^2$ requer uma hipótese de incidência média que o texto não especifica explicitamente. A área sob incidência perpendicular contínua é aproximadamente $158\ \text{km}^2$.
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Combinar taxa de perda de massa solar, geometria esférica da propagação e eficiência fotovoltaica com uma hipótese de média temporal.

Principal obstáculo: O cálculo estritamente frontal e contínuo fornece $158\ \text{km}^2$, valor fora das opções; a aproximação implícita por um fator de média temporal de 1/2 conduz ao gabarito B.

Evidência verificável de domínio: Apresentar as duas estimativas, indicar qual hipótese adicional fornece os $320\ \text{km}^2$ oficiais e não ocultar a ambiguidade.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Combinar taxa de perda de massa solar, geometria esférica da propagação e eficiência fotovoltaica com uma hipótese de média temporal.
  • M · Matemática — 3/4: Formalização quantitativa: À distância orbital $d=1{,}5\times10^{11}\ \text{m}$, a irradiância média sobre uma superfície perpendicular aos raios é $I=P_\odot/(4\pi d^2)\simeq1{,}37\times10^3\ \text{W/m}^2$.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 4 decisões explícitas; A taxa de conversão de massa é $\dot m=4{,}3\times10^9\ \text{kg/s}$; pela equivalência massa–energia, a potência solar é $P_\odot=\dot mc^2\simeq3{,}87\times10^{26}\ \text{W}$.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: A taxa de conversão de massa é $\dot m=4{,}3\times10^9\ \text{kg/s}$; pela equivalência massa–energia, a potência solar é $P_\odot=\dot mc^2\simeq3{,}87\times10^{26}\ \text{W}$.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Com eficiência $\eta=0{,}25$, o cálculo de iluminação contínua frontal dá $A=54\times10^9/(0{,}25I)\simeq1{,}58\times10^8\ \text{m}^2\approx158\ \text{km}^2$.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: O cálculo estritamente frontal e contínuo fornece $158\ \text{km}^2$, valor fora das opções; a aproximação implícita por um fator de média temporal de 1/2 conduz ao gabarito B.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Apresentar as duas estimativas, indicar qual hipótese adicional fornece os $320\ \text{km}^2$ oficiais e não ocultar a ambiguidade.

Gabarito oficial ITA 2022 · 1ª fase

B
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A taxa de conversão de massa é $\dot m=4{,}3\times10^9\ \text{kg/s}$; pela equivalência massa–energia, a potência solar é $P_\odot=\dot mc^2\simeq3{,}87\times10^{26}\ \text{W}$.

À distância orbital $d=1{,}5\times10^{11}\ \text{m}$, a irradiância média sobre uma superfície perpendicular aos raios é $I=P_\odot/(4\pi d^2)\simeq1{,}37\times10^3\ \text{W/m}^2$.

Com eficiência $\eta=0{,}25$, o cálculo de iluminação contínua frontal dá $A=54\times10^9/(0{,}25I)\simeq1{,}58\times10^8\ \text{m}^2\approx158\ \text{km}^2$.

O gabarito oficial é B, $320\ \text{km}^2$. Esse número corresponde aproximadamente a introduzir fator médio $1/2$ para intermitência/orientação solar: $A_{\mathrm{médio}}\approx2\times158=316\ \text{km}^2$. O fator não está explicitado no enunciado; por isso, registramos a hipótese adotada.

Cuidado, armadilha! O cálculo estritamente frontal e contínuo fornece $158\ \text{km}^2$, valor fora das opções; a aproximação implícita por um fator de média temporal de 1/2 conduz ao gabarito B.

Alternativa correta: B

Q16
Mecânica — Dinâmica em referencial não inercial — Cunha acelerada com atrito

2ª fase · questão 01 do caderno original (posição Q16 nesta página)

Um bloco de massa $m_A$ encontra-se sobre a superfície de uma cunha de massa $m_B$, que desliza sem atrito em uma superfície plana devido à ação de uma força horizontal. O ângulo de inclinação da cunha é $\theta$. Sabendo que o coeficiente de atrito entre o bloco e a cunha é $\mu$, calcule, em função de $m_A$, $m_B$, $\theta$, $\mu$ e $g$:

a) a aceleração mínima à qual a cunha deve ser submetida para que o bloco inicie movimento de subida;

b) a intensidade da força de contato entre o bloco e a cunha.

Diagrama ou gráfico original da questão 1 do ITA 2022, 2ª fase
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Projetar a força inercial e o atrito limite em eixos alinhados ao plano, além de distinguir normal de contato resultante.

Principal obstáculo: Inverter o sentido do atrito quando o movimento iminente é para cima ou identificar $F_c$ com apenas a força normal.

Evidência verificável de domínio: Deduzir a aceleração limiar e a resultante de contato, justificando a condição $\mu<\cot\theta$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Projetar a força inercial e o atrito limite em eixos alinhados ao plano, além de distinguir normal de contato resultante.
  • M · Matemática — 3/4: Formalização quantitativa: A normal de apoio vale $N=m_A(g\cos\theta+a\sin\theta)$. Na iminência de subir, o atrito estático limite $\mu N$ aponta para baixo do plano.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 5 decisões explícitas; No referencial acelerado da cunha, atua sobre o bloco a força inercial horizontal $m_Aa$ para a esquerda. A componente dessa força que aponta para cima do plano é $m_Aa\cos\theta$.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: No referencial acelerado da cunha, atua sobre o bloco a força inercial horizontal $m_Aa$ para a esquerda. A componente dessa força que aponta para cima do plano é $m_Aa\cos\theta$.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Equilíbrio tangencial no limiar: $m_Aa\cos\theta=m_Ag\sin\theta+\mu m_A(g\cos\theta+a\sin\theta)$. Logo, $a_{\min}=g(\sin\theta+\mu\cos\theta)/(\cos\theta-\mu\sin\theta)$. A condição $\cos\theta>\mu\sin\theta$ precisa valer.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Inverter o sentido do atrito quando o movimento iminente é para cima ou identificar $F_c$ com apenas a força normal.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Deduzir a aceleração limiar e a resultante de contato, justificando a condição $\mu<\cot\theta$.

Resposta da 2ª fase · conferida com as resoluções fornecidas

a) $a_{\min}=\dfrac{g(\sin\theta+\mu\cos\theta)}{\cos\theta-\mu\sin\theta}$; b) $F_c=\dfrac{m_Ag\sqrt{1+\mu^2}}{\cos\theta-\mu\sin\theta}$
Resolução — Método TEF

Estratégia física. No referencial acelerado da cunha, atua sobre o bloco a força inercial horizontal $m_Aa$ para a esquerda. A componente dessa força que aponta para cima do plano é $m_Aa\cos\theta$.

A normal de apoio vale $N=m_A(g\cos\theta+a\sin\theta)$. Na iminência de subir, o atrito estático limite $\mu N$ aponta para baixo do plano.

Equilíbrio tangencial no limiar: $m_Aa\cos\theta=m_Ag\sin\theta+\mu m_A(g\cos\theta+a\sin\theta)$. Logo, $a_{\min}=g(\sin\theta+\mu\cos\theta)/(\cos\theta-\mu\sin\theta)$. A condição $\cos\theta>\mu\sin\theta$ precisa valer.

A normal no limiar simplifica para $N=m_Ag/(\cos\theta-\mu\sin\theta)$. O contato total resulta da composição perpendicular de normal e atrito, $F_c=\sqrt{N^2+(\mu N)^2}=N\sqrt{1+\mu^2}$.

A massa da cunha $m_B$ não aparece nessas duas expressões, pois foi pedida a aceleração imposta, não a força externa necessária para produzi-la.

Cuidado, armadilha! Inverter o sentido do atrito quando o movimento iminente é para cima ou identificar $F_c$ com apenas a força normal.

Resposta: a) $a_{\min}=\dfrac{g(\sin\theta+\mu\cos\theta)}{\cos\theta-\mu\sin\theta}$; b) $F_c=\dfrac{m_Ag\sqrt{1+\mu^2}}{\cos\theta-\mu\sin\theta}$

Q17
Mecânica — Gravitação — Limite de maré Terra–Lua

2ª fase · questão 02 do caderno original (posição Q17 nesta página)

Existe um limite inferior da distância Terra–Lua para que o satélite não se desintegre por efeitos de maré. Para determinar uma expressão aproximada dessa distância, considere a Lua como composição de dois semissatélites esféricos idênticos, homogêneos e em contato. Os dois corpos realizam movimento circular ao redor da Terra, de massa $M_T$, com seus centros e o centro da Terra sempre colineares. A estabilidade é associada ao contato entre as duas metades por gravitação. Considere $R_L\ll D$ e $M_T\gg M_L$. Caso necessário, use $(1+x)^n\simeq1+nx$ quando $|x|\ll1$.

a) Considerando que os semissatélites têm a mesma densidade da Lua, determine seus raios $r$ e massas $m$.

b) Estime o valor mínimo de $D$ para que a Lua não se desintegre, em termos de $M_T$, $m$ e $r$.

Diagrama ou gráfico original da questão 2 do ITA 2022, 2ª fase
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Aplicar expansão binomial à diferença de atrações terrestres e identificar a condição de contato nulo.

Principal obstáculo: Usar a atração terrestre total em vez do gradiente gravitacional ou misturar raio lunar e raio de cada metade.

Evidência verificável de domínio: Apresentar $m=M_L/2$, $r=R_L/2^{1/3}$ e o limite cúbico $mD^3=12M_Tr^3$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Aplicar expansão binomial à diferença de atrações terrestres e identificar a condição de contato nulo.
  • M · Matemática — 4/4: Formalização quantitativa: Na aproximação $r\ll D$, os centros das partes ficam a distâncias $D-r$ e $D+r$ da Terra. A diferença entre as atrações terrestres exige força de coesão entre as metades.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 5 decisões explícitas; Cada parte possui metade da massa lunar: $m=M_L/2$. Igualando densidades $m/(4\pi r^3/3)=M_L/(4\pi R_L^3/3)$, resulta $r=R_L/\sqrt[3]{2}$.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: Cada parte possui metade da massa lunar: $m=M_L/2$. Igualando densidades $m/(4\pi r^3/3)=M_L/(4\pi R_L^3/3)$, resulta $r=R_L/\sqrt[3]{2}$.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: No limiar de perda de contato, a reação normal entre as partes tende a zero. Subtraindo as equações radiais das duas partes, com mesma velocidade angular, obtém-se uma condição dominada por termos de primeira ordem em $r/D$.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Usar a atração terrestre total em vez do gradiente gravitacional ou misturar raio lunar e raio de cada metade.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Apresentar $m=M_L/2$, $r=R_L/2^{1/3}$ e o limite cúbico $mD^3=12M_Tr^3$.

Resposta da 2ª fase · conferida com as resoluções fornecidas

a) $m=M_L/2$, $r=R_L/\sqrt[3]{2}$; b) $D_{\min}\simeq r\sqrt[3]{12M_T/m}$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Cada parte possui metade da massa lunar: $m=M_L/2$. Igualando densidades $m/(4\pi r^3/3)=M_L/(4\pi R_L^3/3)$, resulta $r=R_L/\sqrt[3]{2}$.

Na aproximação $r\ll D$, os centros das partes ficam a distâncias $D-r$ e $D+r$ da Terra. A diferença entre as atrações terrestres exige força de coesão entre as metades.

No limiar de perda de contato, a reação normal entre as partes tende a zero. Subtraindo as equações radiais das duas partes, com mesma velocidade angular, obtém-se uma condição dominada por termos de primeira ordem em $r/D$.

Usando $(1\pm r/D)^{-n}\simeq1\mp nr/D$, a condição do material fornecido conduz a $mD^3\simeq12M_T r^3$.

Portanto, $D_{\min}\simeq r\sqrt[3]{12M_T/m}$. Trata-se do limite do modelo de duas esferas, não da fórmula geral do limite de Roche para um corpo deformável contínuo.

Cuidado, armadilha! Usar a atração terrestre total em vez do gradiente gravitacional ou misturar raio lunar e raio de cada metade.

Resposta: a) $m=M_L/2$, $r=R_L/\sqrt[3]{2}$; b) $D_{\min}\simeq r\sqrt[3]{12M_T/m}$.

Q18
Ondulatória — Acústica — Efeito Doppler em movimento harmônico

2ª fase · questão 03 do caderno original (posição Q18 nesta página)

As fontes $F_1$ e $F_2$ contêm duas buzinas que geram ruídos de frequências próprias $f_1$ e $f_2$ ($f_2>f_1$), respectivamente. A fonte $F_1$ permanece em repouso, enquanto $F_2$ executa movimento harmônico simples de frequência $f_m$ e amplitude $A$ ao longo da reta que une os corpos. Um observador vizinho a $F_1$ registra um intervalo acústico entre os sons captados que varia de $5/4$ até $3/2$. Despreze o tempo de propagação do som.

a) Determine o intervalo acústico entre $f_1$ e $f_2$.

b) Determine a relação entre $f_m$, $A$ e a velocidade do som $v_0$.

Diagrama ou gráfico original da questão 3 do ITA 2022, 2ª fase
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Confrontar Doppler na aproximação e no afastamento com a velocidade máxima do MHS.

Principal obstáculo: Trocar o denominador $v_0\pm u$ pelos fatores usados para um observador móvel, ou esquecer o fator $2\pi$ em $u_{\max}$.

Evidência verificável de domínio: Obter $u_{\max}=v_0/11$ e o intervalo intrínseco $f_2/f_1=15/11$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 3/4: Objeto físico: Confrontar Doppler na aproximação e no afastamento com a velocidade máxima do MHS.
  • M · Matemática — 4/4: Formalização quantitativa: Dos intervalos registrados, $v_0f_2/[f_1(v_0+u_{\max})]=5/4$ e $v_0f_2/[f_1(v_0-u_{\max})]=3/2$.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 4 decisões explícitas; A velocidade máxima da fonte oscilante é $u_{\max}=\omega A=2\pi f_mA$. Para o receptor em repouso, as frequências extremas da fonte são $f_{2,\min}=v_0 f_2/(v_0+u_{\max})$ e $f_{2,\max}=v_0 f_2/(v_0-u_{\max})$.
  • C · Contexto — 3/4: Leitura do cenário: A velocidade máxima da fonte oscilante é $u_{\max}=\omega A=2\pi f_mA$. Para o receptor em repouso, as frequências extremas da fonte são $f_{2,\min}=v_0 f_2/(v_0+u_{\max})$ e $f_{2,\max}=v_0 f_2/(v_0-u_{\max})$.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Igualando as duas expressões de $f_2/f_1$, temos $5(v_0+u_{\max})=6(v_0-u_{\max})$, ou $v_0=11u_{\max}$.
  • D · Distratores — 3/4: Erro discriminante: Trocar o denominador $v_0\pm u$ pelos fatores usados para um observador móvel, ou esquecer o fator $2\pi$ em $u_{\max}$.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Obter $u_{\max}=v_0/11$ e o intervalo intrínseco $f_2/f_1=15/11$.

Resposta da 2ª fase · conferida com as resoluções fornecidas

a) $f_2/f_1=15/11$; b) $f_m=v_0/(22\pi A)$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A velocidade máxima da fonte oscilante é $u_{\max}=\omega A=2\pi f_mA$. Para o receptor em repouso, as frequências extremas da fonte são $f_{2,\min}=v_0 f_2/(v_0+u_{\max})$ e $f_{2,\max}=v_0 f_2/(v_0-u_{\max})$.

Dos intervalos registrados, $v_0f_2/[f_1(v_0+u_{\max})]=5/4$ e $v_0f_2/[f_1(v_0-u_{\max})]=3/2$.

Igualando as duas expressões de $f_2/f_1$, temos $5(v_0+u_{\max})=6(v_0-u_{\max})$, ou $v_0=11u_{\max}$.

Da primeira relação, $f_2/f_1=5(12/11)/4=15/11$. Como $u_{\max}=2\pi f_mA=v_0/11$, segue $f_m=v_0/(22\pi A)$.

Cuidado, armadilha! Trocar o denominador $v_0\pm u$ pelos fatores usados para um observador móvel, ou esquecer o fator $2\pi$ em $u_{\max}$.

Resposta: a) $f_2/f_1=15/11$; b) $f_m=v_0/(22\pi A)$.

Q19
Termologia — Gases ideais e ondas — Pressão e velocidade do som

2ª fase · questão 04 do caderno original (posição Q19 nesta página)

Considere um cubo de lado $a$, contendo $n$ mols de gás ideal em equilíbrio termodinâmico, sobre o qual é colocado um recipiente cilíndrico de altura $h$ e raio $r$, completamente preenchido por fluido de densidade $\rho$. O cilindro e o cubo são separados por membrana flexível. No topo, há outra membrana flexível sobre a qual repousa um corpo de massa $m$. Sabendo que a velocidade do som no gás é $v_0$ à temperatura $T_0$, a pressão atmosférica é $p_{atm}$ e uma fonte sonora produz uma onda de frequência $f$ no cubo, determine:

a) a temperatura do gás no cubo;

b) uma expressão para o comprimento de onda no meio gasoso.

Diagrama ou gráfico original da questão 4 do ITA 2022, 2ª fase
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Somar corretamente as contribuições para a pressão no gás e usar a dependência térmica da velocidade acústica.

Principal obstáculo: Esquecer a área $\pi r^2$ sob a massa ou assumir que a velocidade do som varia linearmente com $T$.

Evidência verificável de domínio: Derivar tanto $T$ por gás ideal quanto $\lambda$ pela raiz quadrada da razão de temperaturas.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 3/4: Objeto físico: Somar corretamente as contribuições para a pressão no gás e usar a dependência térmica da velocidade acústica.
  • M · Matemática — 3/4: Formalização quantitativa: O volume de gás é $V=a^3$. Pela equação de estado $pV=nR_gT$, vem $T=a^3\left(p_{atm}+\rho gh+mg/(\pi r^2)\right)/(nR_g)$.
  • E · Etapas — 3/4: Encadeamento: 4 decisões explícitas; A pressão sobre o gás sob a membrana inferior reúne a pressão externa, a coluna de fluido e o peso por área: $p=p_{atm}+\rho gh+mg/(\pi r^2)$.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: A pressão sobre o gás sob a membrana inferior reúne a pressão externa, a coluna de fluido e o peso por área: $p=p_{atm}+\rho gh+mg/(\pi r^2)$.
  • S · Sacada — 3/4: Passagem-chave: Para um mesmo gás ideal, $v_s=\sqrt{\gamma R_gT/M_{mol}}$, portanto $v_s/v_0=\sqrt{T/T_0}$.
  • D · Distratores — 2/4: Erro discriminante: Esquecer a área $\pi r^2$ sob a massa ou assumir que a velocidade do som varia linearmente com $T$.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Derivar tanto $T$ por gás ideal quanto $\lambda$ pela raiz quadrada da razão de temperaturas.

Resposta da 2ª fase · conferida com as resoluções fornecidas

$T=\dfrac{a^3}{nR_g}\left(p_{atm}+\rho gh+\dfrac{mg}{\pi r^2}\right)$; $\lambda=\dfrac{v_0}{f}\sqrt{T/T_0}$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A pressão sobre o gás sob a membrana inferior reúne a pressão externa, a coluna de fluido e o peso por área: $p=p_{atm}+\rho gh+mg/(\pi r^2)$.

O volume de gás é $V=a^3$. Pela equação de estado $pV=nR_gT$, vem $T=a^3\left(p_{atm}+\rho gh+mg/(\pi r^2)\right)/(nR_g)$.

Para um mesmo gás ideal, $v_s=\sqrt{\gamma R_gT/M_{mol}}$, portanto $v_s/v_0=\sqrt{T/T_0}$.

Como $v_s=f\lambda$, obtemos $\lambda=(v_0/f)\sqrt{T/T_0}$, substituindo-se a expressão da parte a se desejado.

Cuidado, armadilha! Esquecer a área $\pi r^2$ sob a massa ou assumir que a velocidade do som varia linearmente com $T$.

Resposta: $T=\dfrac{a^3}{nR_g}\left(p_{atm}+\rho gh+\dfrac{mg}{\pi r^2}\right)$; $\lambda=\dfrac{v_0}{f}\sqrt{T/T_0}$.

Q20
Termologia — Termodinâmica atmosférica — Resfriamento adiabático e chuva orográfica

2ª fase · questão 05 do caderno original (posição Q20 nesta página)

Uma cidade situa-se ao nível do mar, próxima à costa oceânica a oeste e a poucos quilômetros de uma cordilheira. Durante o dia, uma brisa constante e úmida segue da costa para a montanha. Um barômetro na cidade indica $100\ \text{kPa}$ a $25\ ^\circ\text{C}$ e outro no ponto mais alto da cordilheira indica $80\ \text{kPa}$. O calor específico molar do ar a volume constante vale $2R$. Se necessário, use $\sqrt[3]{2}\simeq1{,}26$ e $\sqrt[3]{10}\simeq2{,}15$.

a) Estime a temperatura do topo, em kelvin.

b) Considerando umidade relativa de $50\%$ ao nível do mar e $10\%$ no topo, estime o volume de água, em $\text{m}^3$, que precipita por hora se o fluxo de ar seco que alcança o topo for $2{,}0\times10^9\ \text{kg/h}$.

c) Explique qualitativamente por que se formam desertos no lado continental das cordilheiras.

Diagrama ou gráfico original da questão 5 do ITA 2022, 2ª fase
Observação documental. Os valores aproximados de pressão de saturação foram lidos do gráfico da fonte. O material de resoluções enviado indica $2{,}5\times10^4\ \text{m}^3/\text{h}$; o cálculo com as pressões arredondadas nele transcritas fica próximo de $2{,}0\times10^4\ \text{m}^3/\text{h}$.
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Combinar transformação adiabática do ar, umidade relativa, pressões parciais e balanço de quantidade de vapor.

Principal obstáculo: Confundir umidade relativa com fração molar absoluta e usar pressão de saturação de 25°C também para o topo.

Evidência verificável de domínio: Estimar $277\ \text{K}$, justificar a ordem de $10^4\ \text{m}^3/\text{h}$ de precipitação e explicar a sombra de chuva.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Combinar transformação adiabática do ar, umidade relativa, pressões parciais e balanço de quantidade de vapor.
  • M · Matemática — 4/4: Formalização quantitativa: Com $T_0=298\ \text{K}$, obtemos $T_1\simeq277\ \text{K}$, ou aproximadamente $4\ ^\circ\text{C}$.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 6 decisões explícitas; Como $C_V=2R$ e $C_P=C_V+R=3R$, temos $\gamma=C_P/C_V=3/2$. Para ascensão adiabática, $T_1/T_0=(p_1/p_0)^{(\gamma-1)/\gamma}=(0{,}8)^{1/3}$.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: Como $C_V=2R$ e $C_P=C_V+R=3R$, temos $\gamma=C_P/C_V=3/2$. Para ascensão adiabática, $T_1/T_0=(p_1/p_0)^{(\gamma-1)/\gamma}=(0{,}8)^{1/3}$.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Pelo gráfico de pressão de saturação do PDF, a $25\ ^\circ\text{C}$ temos $p_{sat,0}\simeq3{,}4\ \text{kPa}$, e a $4\ ^\circ\text{C}$, $p_{sat,1}\simeq0{,}8\ \text{kPa}$. As pressões parciais reais são $p_{v,0}=1{,}7\ \text{kPa}$ e $p_{v,1}=0{,}08\ \text{kPa}$.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Confundir umidade relativa com fração molar absoluta e usar pressão de saturação de 25°C também para o topo.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Estimar $277\ \text{K}$, justificar a ordem de $10^4\ \text{m}^3/\text{h}$ de precipitação e explicar a sombra de chuva.

Resposta da 2ª fase · conferida com as resoluções fornecidas

a) $T_{topo}\approx277\ \text{K}$; b) ordem de $2\times10^4$ a $2{,}5\times10^4\ \text{m}^3/\text{h}$; c) sombra de chuva no lado de sotavento.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Como $C_V=2R$ e $C_P=C_V+R=3R$, temos $\gamma=C_P/C_V=3/2$. Para ascensão adiabática, $T_1/T_0=(p_1/p_0)^{(\gamma-1)/\gamma}=(0{,}8)^{1/3}$.

Com $T_0=298\ \text{K}$, obtemos $T_1\simeq277\ \text{K}$, ou aproximadamente $4\ ^\circ\text{C}$.

Pelo gráfico de pressão de saturação do PDF, a $25\ ^\circ\text{C}$ temos $p_{sat,0}\simeq3{,}4\ \text{kPa}$, e a $4\ ^\circ\text{C}$, $p_{sat,1}\simeq0{,}8\ \text{kPa}$. As pressões parciais reais são $p_{v,0}=1{,}7\ \text{kPa}$ e $p_{v,1}=0{,}08\ \text{kPa}$.

Pelo gás ideal, a razão entre mols de vapor e de ar seco em cada etapa é $n_v/n_{seco}=p_v/(p_{total}-p_v)$. Logo, a remoção por mol de ar seco vale aproximadamente $1{,}7/98{,}3-0{,}08/79{,}92\simeq0{,}0163$.

O fluxo molar de ar seco é $\dot n_{seco}=(2\times10^9)/0{,}029\simeq6{,}90\times10^{10}\ \text{mol/h}$. A massa condensada é $\dot m_w=\dot n_{seco}(0{,}0163)(0{,}018)\simeq2{,}0\times10^7\ \text{kg/h}$; com $\rho_w\approx10^3\ \text{kg/m}^3$, o volume é da ordem de $2\times10^4\ \text{m}^3/\text{h}$. O material-resolução enviado reporta $2{,}5\times10^4\ \text{m}^3$.

O ar úmido sobe a encosta de barlavento, resfria e precipita; no lado de sotavento, desce, aquece e se torna relativamente seco: ocorre uma sombra de chuva.

Cuidado, armadilha! Confundir umidade relativa com fração molar absoluta e usar pressão de saturação de 25°C também para o topo.

Resposta: a) $T_{topo}\approx277\ \text{K}$; b) ordem de $2\times10^4$ a $2{,}5\times10^4\ \text{m}^3/\text{h}$; c) sombra de chuva no lado de sotavento.

Q21
Ondulatória — Interferometria — LIGO e ondas gravitacionais

2ª fase · questão 06 do caderno original (posição Q21 nesta página)

O LIGO é um observatório de ondas gravitacionais baseado em interferômetros de Michelson–Morley. Considere um interferômetro com feixe laser monocromático de $300\ \text{nm}$ dividido em dois braços de $4{,}0\ \text{km}$. Quando uma onda gravitacional atravessa o sistema à velocidade $c$, os espelhos vibram aproximadamente em MHS ao longo dos braços, um contraindo enquanto o outro dilata com a mesma amplitude. Durante sua passagem, o sinal do detector, inicialmente $I_0$, passa a variar conforme o gráfico.

a) Determine o comprimento de onda da onda gravitacional detectada.

b) Determine a máxima variação do comprimento de cada braço.

Diagrama ou gráfico original da questão 6 do ITA 2022, 2ª fase
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Interpretar frequência de oscilação de intensidade versus movimento dos espelhos e relacionar fase à diferença de caminho de ida e volta.

Principal obstáculo: Confundir o período óptico de picos com o período da onda gravitacional e esquecer o fator 4 nos braços.

Evidência verificável de domínio: Obter $T_g=0{,}4\ \text{s}$, $\Delta d=50\ \text{nm}$ e $A=12{,}5\ \text{nm}$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Interpretar frequência de oscilação de intensidade versus movimento dos espelhos e relacionar fase à diferença de caminho de ida e volta.
  • M · Matemática — 4/4: Formalização quantitativa: A onda gravitacional viaja aproximadamente a $c$, logo $\lambda_g=cT_g=(3\times10^8)(0{,}4)=1{,}2\times10^8\ \text{m}$.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 5 decisões explícitas; O gráfico registra picos sucessivos a cada $0{,}2\ \text{s}$. Como a intensidade depende de diferença de fase e a passagem do espelho por duas posições simétricas pode repetir a intensidade duas vezes por ciclo, o período do…
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: O gráfico registra picos sucessivos a cada $0{,}2\ \text{s}$. Como a intensidade depende de diferença de fase e a passagem do espelho por duas posições simétricas pode repetir a intensidade duas vezes por ciclo, o período do MHS excitador é $T_g=2(0{,}2)=0{,}4\ \text{s}$.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Quando um braço aumenta $A$ e o outro diminui $A$, os trajetos de ida e volta diferem $\Delta d=2[(L+A)-(L-A)]=4A$.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Confundir o período óptico de picos com o período da onda gravitacional e esquecer o fator 4 nos braços.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Obter $T_g=0{,}4\ \text{s}$, $\Delta d=50\ \text{nm}$ e $A=12{,}5\ \text{nm}$.

Resposta da 2ª fase · conferida com as resoluções fornecidas

a) $\lambda_g=1{,}2\times10^8\ \text{m}$; b) $A=12{,}5\ \text{nm}$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. O gráfico registra picos sucessivos a cada $0{,}2\ \text{s}$. Como a intensidade depende de diferença de fase e a passagem do espelho por duas posições simétricas pode repetir a intensidade duas vezes por ciclo, o período do MHS excitador é $T_g=2(0{,}2)=0{,}4\ \text{s}$.

A onda gravitacional viaja aproximadamente a $c$, logo $\lambda_g=cT_g=(3\times10^8)(0{,}4)=1{,}2\times10^8\ \text{m}$.

Quando um braço aumenta $A$ e o outro diminui $A$, os trajetos de ida e volta diferem $\Delta d=2[(L+A)-(L-A)]=4A$.

No mínimo do gráfico, $I_{\min}=\frac34I_0$. Para feixes de igual amplitude, $I/I_0=(1+\cos\Delta\phi)/2$, então $\cos\Delta\phi=1/2$ e $\Delta\phi=\pi/3$.

Usando $\Delta\phi=2\pi\Delta d/\lambda_{laser}$, vem $\Delta d=(300\ \text{nm})/6=50\ \text{nm}$ e $A=50/4=12{,}5\ \text{nm}$.

Cuidado, armadilha! Confundir o período óptico de picos com o período da onda gravitacional e esquecer o fator 4 nos braços.

Resposta: a) $\lambda_g=1{,}2\times10^8\ \text{m}$; b) $A=12{,}5\ \text{nm}$.

Q22
Eletricidade — Circuitos em corrente alternada — Retificação e máxima potência

2ª fase · questão 07 do caderno original (posição Q22 nesta página)

O circuito é alimentado por fonte de tensão alternada senoidal de $60\ \text{Hz}$ e tensão de pico de $120\ \text{V}$. Há um diodo ideal que conduz apenas para $V_d>0$, resistores de $50\ \Omega$ e $100\ \Omega$ e um reostato de resistência variável $R$. Faça o que se pede:

a) Descreva e esboce o gráfico de corrente $i(t)$ através do reostato quando $R=25\ \Omega$.

b) Determine $R$ para que a potência transferida da fonte alternada ao reostato seja máxima.

Diagrama ou gráfico original da questão 7 do ITA 2022, 2ª fase
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Analisar polarização do diodo, distribuição de corrente em paralelo e equivalente de Thévenin para máxima potência.

Principal obstáculo: Considerar corrente senoidal durante os semiciclos reversos ou usar $100\ \Omega$ como resistência de Thévenin.

Evidência verificável de domínio: Determinar corrente de pico $24/35\ \text{A}$ e $R_{\max P}=100/3\ \Omega$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Analisar polarização do diodo, distribuição de corrente em paralelo e equivalente de Thévenin para máxima potência.
  • M · Matemática — 4/4: Formalização quantitativa: Para $R=25\ \Omega$, a associação paralela $50\parallel25$ vale $50/3\ \Omega$, em série com $100\ \Omega$. Assim, $i_{total}(t)=120\sin(120\pi t)/(100+50/3)=36\sin(120\pi t)/35\ \text{A}$ nos semiciclos conduzidos.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 5 decisões explícitas; A tensão é $V(t)=120\sin(2\pi 60t)=120\sin(120\pi t)\ \text{V}$. O diodo conduz somente nos semiciclos correspondentes à sua polarização direta.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: A tensão é $V(t)=120\sin(2\pi 60t)=120\sin(120\pi t)\ \text{V}$. O diodo conduz somente nos semiciclos correspondentes à sua polarização direta.
  • S · Sacada — 3/4: Passagem-chave: O ramo do reostato recebe $2/3$ da corrente total, portanto $i_R(t)=(24/35)\sin(120\pi t)\ \text{A}$ nos semiciclos positivos e zero nos negativos: uma senoide retificada de meia onda.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Considerar corrente senoidal durante os semiciclos reversos ou usar $100\ \Omega$ como resistência de Thévenin.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Determinar corrente de pico $24/35\ \text{A}$ e $R_{\max P}=100/3\ \Omega$.

Resposta da 2ª fase · conferida com as resoluções fornecidas

a) $i_R(t)=\max\{0,(24/35)\sin(120\pi t)\}\ \text{A}$; b) $R=100/3\ \Omega$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A tensão é $V(t)=120\sin(2\pi 60t)=120\sin(120\pi t)\ \text{V}$. O diodo conduz somente nos semiciclos correspondentes à sua polarização direta.

Para $R=25\ \Omega$, a associação paralela $50\parallel25$ vale $50/3\ \Omega$, em série com $100\ \Omega$. Assim, $i_{total}(t)=120\sin(120\pi t)/(100+50/3)=36\sin(120\pi t)/35\ \text{A}$ nos semiciclos conduzidos.

O ramo do reostato recebe $2/3$ da corrente total, portanto $i_R(t)=(24/35)\sin(120\pi t)\ \text{A}$ nos semiciclos positivos e zero nos negativos: uma senoide retificada de meia onda.

Para maximizar a potência média entregue ao reostato, reduzimos o restante da rede a um equivalente de Thévenin visto nos terminais de $R$, com $R_{Th}=100\parallel50=(100/3)\ \Omega$. O fator de condução de meio ciclo não altera o valor resistivo ótimo.

Logo, pela condição de transferência máxima de potência, $R=R_{Th}=100/3\ \Omega$.

Cuidado, armadilha! Considerar corrente senoidal durante os semiciclos reversos ou usar $100\ \Omega$ como resistência de Thévenin.

Resposta: a) $i_R(t)=\max\{0,(24/35)\sin(120\pi t)\}\ \text{A}$; b) $R=100/3\ \Omega$.

Q23
Magnetismo — Força magnética — Espectrômetro de massa com velocidade inclinada

2ª fase · questão 08 do caderno original (posição Q23 nesta página)

Em um espectrômetro de massa, íons de massa $m$ e carga $q$ são acelerados desde uma fonte $S$ por uma diferença de potencial $V$. Ao entrar na câmara, encontram um campo magnético uniforme $B\hat z$, perpendicular ao plano da figura. Normalmente, os íons entram com velocidade perpendicular ao anteparo e atingem a placa detectora a uma distância horizontal $x$ da fenda. Observa-se, porém, um desvio horizontal $d_x$, com posição de detecção em $x-d_x$, associado a uma elevação vertical $d_z$. Supõe-se que a velocidade de entrada faz ângulo $\alpha$ com a direção normal ao anteparo. Calcule:

a) $\cos\alpha$ em termos de $d_x$, $B$, $q$, $m$ e $V$;

b) a distância $d_z$ em termos de $B$, $q$, $m$, $V$ e $\alpha$.

Diagrama ou gráfico original da questão 8 do ITA 2022, 2ª fase
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Decompor o movimento helicoidal em circular transversal e uniforme axial, mantendo período ciclotrônico.

Principal obstáculo: Usar a velocidade total para o raio em vez da componente perpendicular ou dividir erroneamente por um período completo.

Evidência verificável de domínio: Derivar as expressões independentes com as dependências $d_x\propto1-\cos\alpha$ e $d_z\propto\sin\alpha$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Decompor o movimento helicoidal em circular transversal e uniforme axial, mantendo período ciclotrônico.
  • M · Matemática — 4/4: Formalização quantitativa: Em condição normal, o raio de órbita é $r=mv_0/(qB)$, de modo que a distância horizontal de retorno é $x=2r=2mv_0/(qB)$.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 5 decisões explícitas; A aceleração elétrica realiza trabalho $qV=\frac12mv_0^2$. Logo $v_0=\sqrt{2qV/m}$.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: A aceleração elétrica realiza trabalho $qV=\frac12mv_0^2$. Logo $v_0=\sqrt{2qV/m}$.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Com inclinação $\alpha$, a componente transversal ao campo determina o raio: $x-d_x=2mv_0\cos\alpha/(qB)$. Subtraindo as equações, $d_x=2mv_0(1-\cos\alpha)/(qB)$.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Usar a velocidade total para o raio em vez da componente perpendicular ou dividir erroneamente por um período completo.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Derivar as expressões independentes com as dependências $d_x\propto1-\cos\alpha$ e $d_z\propto\sin\alpha$.

Resposta da 2ª fase · conferida com as resoluções fornecidas

a) $\cos\alpha=1-\dfrac{d_xB}{2}\sqrt{\dfrac q{2mV}}$; b) $d_z=\dfrac{\pi}{B}\sqrt{\dfrac{2mV}{q}}\sin\alpha$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A aceleração elétrica realiza trabalho $qV=\frac12mv_0^2$. Logo $v_0=\sqrt{2qV/m}$.

Em condição normal, o raio de órbita é $r=mv_0/(qB)$, de modo que a distância horizontal de retorno é $x=2r=2mv_0/(qB)$.

Com inclinação $\alpha$, a componente transversal ao campo determina o raio: $x-d_x=2mv_0\cos\alpha/(qB)$. Subtraindo as equações, $d_x=2mv_0(1-\cos\alpha)/(qB)$.

Assim, $\cos\alpha=1-d_xqB/(2mv_0)=1-\frac{d_xB}{2}\sqrt{q/(2mV)}$.

O deslocamento axial ocorre ao longo de meio período ciclotrônico, $\Delta t=\pi m/(qB)$. A componente axial da velocidade é $v_0\sin\alpha$, então $d_z=v_0\sin\alpha\,\pi m/(qB)=(\pi/B)\sqrt{2mV/q}\sin\alpha$.

Cuidado, armadilha! Usar a velocidade total para o raio em vez da componente perpendicular ou dividir erroneamente por um período completo.

Resposta: a) $\cos\alpha=1-\dfrac{d_xB}{2}\sqrt{\dfrac q{2mV}}$; b) $d_z=\dfrac{\pi}{B}\sqrt{\dfrac{2mV}{q}}\sin\alpha$.

Q24
Magnetismo — Indução eletromagnética — Queda de haste em trilhos

2ª fase · questão 09 do caderno original (posição Q24 nesta página)

Uma haste condutora móvel de massa $m$ e resistência $R$ desliza sobre trilhos fixos em forma de U, em uma região com campo magnético uniforme $\vec B$ perpendicular ao plano do trilho. A haste é solta do repouso e cai sob a influência de $\vec g$ e de uma resistência do ar proporcional à velocidade, $\vec F_r=-\beta\vec v$. A resistência da haste é muito maior que a dos trilhos. Faça o que se pede:

a) Desenhe o diagrama de forças que atuam na haste e indique suas intensidades.

b) Determine a velocidade terminal.

c) Esboce o gráfico $v(t)$.

Diagrama ou gráfico original da questão 9 do ITA 2022, 2ª fase
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Conectar fem de movimento, corrente induzida, força de Lenz e resistência viscosa linear.

Principal obstáculo: Tomar o magnetismo como acelerador da queda ou esquecer que a fem depende da velocidade da haste.

Evidência verificável de domínio: Determinar $F_B\propto v$, a velocidade terminal e o crescimento assintótico no gráfico $v(t)$.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Conectar fem de movimento, corrente induzida, força de Lenz e resistência viscosa linear.
  • M · Matemática — 4/4: Formalização quantitativa: A força magnética tem módulo $F_B=Bia=B^2a^2v/R$ e aponta para cima, contrariando a queda pela lei de Lenz. A resistência do ar também aponta para cima, $F_r=\beta v$, enquanto o peso $mg$ aponta para baixo.
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 5 decisões explícitas; Para uma haste de comprimento $a$ descendo com velocidade $v$, a fem motional é $\mathcal E=Bav$, e a corrente no circuito é $i=Bav/R$.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: Para uma haste de comprimento $a$ descendo com velocidade $v$, a fem motional é $\mathcal E=Bav$, e a corrente no circuito é $i=Bav/R$.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Escolhendo o sentido positivo para baixo, a equação dinâmica é $m\,dv/dt=mg-(\beta+B^2a^2/R)v$.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Tomar o magnetismo como acelerador da queda ou esquecer que a fem depende da velocidade da haste.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Determinar $F_B\propto v$, a velocidade terminal e o crescimento assintótico no gráfico $v(t)$.

Resposta da 2ª fase · conferida com as resoluções fornecidas

$P=mg$, $F_{ar}=\beta v$, $F_{mag}=B^2a^2v/R$; $v_T=\dfrac{mgR}{\beta R+B^2a^2}$; $v(t)=v_T(1-e^{-t/\tau})$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Para uma haste de comprimento $a$ descendo com velocidade $v$, a fem motional é $\mathcal E=Bav$, e a corrente no circuito é $i=Bav/R$.

A força magnética tem módulo $F_B=Bia=B^2a^2v/R$ e aponta para cima, contrariando a queda pela lei de Lenz. A resistência do ar também aponta para cima, $F_r=\beta v$, enquanto o peso $mg$ aponta para baixo.

Escolhendo o sentido positivo para baixo, a equação dinâmica é $m\,dv/dt=mg-(\beta+B^2a^2/R)v$.

A velocidade terminal é obtida impondo aceleração nula: $v_T=mg/(\beta+B^2a^2/R)=mgR/(\beta R+B^2a^2)$.

O movimento tem velocidade crescente a partir de zero e aproxima-se assintoticamente de $v_T$. Sua expressão é $v(t)=v_T(1-e^{-t/\tau})$, com $\tau=m/(\beta+B^2a^2/R)$; a forma do gráfico é côncava para baixo.

Cuidado, armadilha! Tomar o magnetismo como acelerador da queda ou esquecer que a fem depende da velocidade da haste.

Resposta: $P=mg$, $F_{ar}=\beta v$, $F_{mag}=B^2a^2v/R$; $v_T=\dfrac{mgR}{\beta R+B^2a^2}$; $v(t)=v_T(1-e^{-t/\tau})$.

Q25
Física moderna — Efeito fotoelétrico — Função trabalho e transições de Bohr

2ª fase · questão 10 do caderno original (posição Q25 nesta página)

Uma placa metálica é iluminada com radiações de diferentes comprimentos de onda para coleta de fotoelétrons. Os elétrons são desacelerados por uma diferença de potencial. Os potenciais de corte em função do comprimento de onda são:

$\lambda\ (\text{Å})$$V_c\ (\text{V})$
25037
15070
110100
50235

a) Determine em $\text{eV}$ a função trabalho da placa.

b) Em seguida, uma lâmpada de hidrogênio ilumina a mesma placa. Determine quais saltos quânticos no átomo de H podem fornecer radiação capaz de emitir fotoelétrons.

Observação documental. Fonte da 2ª fase: PDF de resoluções enviado, não um gabarito oficial separado. O resultado $12{,}5\ \text{eV}$ é aproximado, pois os potenciais estão arredondados.
Auditoria TEF · critérios específicos desta questão

Raciocínio exigido: Construir reta de potencial de corte versus frequência e comparar limiar fotoelétrico com níveis quantizados do hidrogênio.

Principal obstáculo: Confundir o potencial de corte com a função trabalho ou aceitar transições para $n_f\ge2$.

Evidência verificável de domínio: Estimar $\phi\simeq12{,}5\ \text{eV}$ e justificar por desigualdade que apenas linhas da série de Lyman com $n_i\ge4$ são capazes de emitir elétrons.

Fundamentação das notas (escala 0–4)
  • F · Física — 4/4: Objeto físico: Construir reta de potencial de corte versus frequência e comparar limiar fotoelétrico com níveis quantizados do hidrogênio.
  • M · Matemática — 4/4: Formalização quantitativa: Com o par $250\ \text{Å},37\ \text{V}$ e $150\ \text{Å},70\ \text{V}$, a eliminação dá $\phi\simeq12{,}5\ \text{eV}$ (as leituras da tabela são arredondadas).
  • E · Etapas — 4/4: Encadeamento: 5 decisões explícitas; Pela equação de Einstein, $eV_c=hc/\lambda-\phi$. Para dois dados, $V_{c1}-V_{c2}=(hc/e)(1/\lambda_1-1/\lambda_2)$. Eliminando $hc/e$, obtemos a função trabalho a partir das leituras.
  • C · Contexto — 4/4: Leitura do cenário: Pela equação de Einstein, $eV_c=hc/\lambda-\phi$. Para dois dados, $V_{c1}-V_{c2}=(hc/e)(1/\lambda_1-1/\lambda_2)$. Eliminando $hc/e$, obtemos a função trabalho a partir das leituras.
  • S · Sacada — 4/4: Passagem-chave: Pelo modelo de Bohr, a energia de uma transição emissiva do hidrogênio é $E_\gamma=13{,}6(1/n_f^2-1/n_i^2)\ \text{eV}$, para $n_i>n_f$.
  • D · Distratores — 4/4: Erro discriminante: Confundir o potencial de corte com a função trabalho ou aceitar transições para $n_f\ge2$.
  • R · Relações — 4/4: Relação verificável: Estimar $\phi\simeq12{,}5\ \text{eV}$ e justificar por desigualdade que apenas linhas da série de Lyman com $n_i\ge4$ são capazes de emitir elétrons.

Resposta da 2ª fase · conferida com as resoluções fornecidas

a) $\phi\simeq12{,}5\ \text{eV}$; b) transições $n_i\ge4\longrightarrow n_f=1$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Pela equação de Einstein, $eV_c=hc/\lambda-\phi$. Para dois dados, $V_{c1}-V_{c2}=(hc/e)(1/\lambda_1-1/\lambda_2)$. Eliminando $hc/e$, obtemos a função trabalho a partir das leituras.

Com o par $250\ \text{Å},37\ \text{V}$ e $150\ \text{Å},70\ \text{V}$, a eliminação dá $\phi\simeq12{,}5\ \text{eV}$ (as leituras da tabela são arredondadas).

Pelo modelo de Bohr, a energia de uma transição emissiva do hidrogênio é $E_\gamma=13{,}6(1/n_f^2-1/n_i^2)\ \text{eV}$, para $n_i>n_f$.

Para $n_f\ge2$, mesmo o limite $n_i\to\infty$ dá energia não superior a $3{,}4\ \text{eV}$, insuficiente. Logo é necessário $n_f=1$.

Para transições ao fundamental, $13{,}6(1-1/n_i^2)\ge12{,}5$. A menor transição permitida é $n_i=4$ ($E_\gamma=12{,}75\ \text{eV}$); portanto $n_i\ge4\to n_f=1$.

Cuidado, armadilha! Confundir o potencial de corte com a função trabalho ou aceitar transições para $n_f\ge2$.

Resposta: a) $\phi\simeq12{,}5\ \text{eV}$; b) transições $n_i\ge4\longrightarrow n_f=1$.

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